Blog do Paulo Ruch

Cinema, Moda, Teatro, TV e… algo mais.

Isio Ghelman, Vannessa Gerbelli e Eriberto Leão são os protagonistas da peça “Fim de Caso”/Foto: Ale Catan

Clássico da literatura inglesa escrito por Graham Greene é levado aos palcos brasileiros após idealização de Thereza Falcão, Guilherme Piva e Felipe Lima, provando que o teatro brasileiro abraça com a mesma qualidade os mais diversos gêneros teatrais

O teatro brasileiro possui uma intrínseca vocação democrática para abraçar com a mesma qualidade os mais diversos gêneros narrativos, independente de seu tempo, origem ou tema. Há espaço para comédias românticas ou rasgadas, teatro político e grandes clássicos da literatura moderna, como “Fim de Caso”, incensado romance escrito pelo inglês Graham Greene em 1951, levado às telas com êxito em 1999, estrelado por Julianne Moore e Ralph Fiennes. Thereza Falcão, Guilherme Piva e Felipe Lima tiveram a feliz ideia de encenar este texto elegante, denso, complexo, pleno em nuances, que aborda com genuína inteligência e notável sensibilidade a extensa lista de variações que permeiam as relações norteadas pelo amor.

Tendo como pano de fundo os horrores da Segunda Guerra Mundial, “Fim de Caso” se debruça num turbulento triângulo amoroso, com suas idas e vindas temporais, sem que sejam preteridos temas como fé, descrença, ciúme e promessas

Adaptada admiravelmente por Thereza Falcão, “Fim de Caso” se concentra em um peculiar triângulo amoroso envolvendo um acomodado casal, o funcionário público Henry, Isio Ghelman, e sua ambígua esposa Sarah, Vannessa Gerbelli, e o amante desta, o atormentado escritor Brendix, Eriberto Leão, tendo como pano de fundo o ódio imperioso da Segunda Guerra Mundial. Entre idas e vindas temporais, passeando por elementos caros como religiosidade, fé, descrença, ciúme, promessas, a peça, dirigida com apuro visual e olhar preciso por Guilherme Piva, entrega ao público um painel infinitamente bem desenhado da rica paleta emocional de seus personagens.

Cercados por uma equipe técnica respeitável, Eriberto Leão, Vannessa Gerbelli e Isio Ghelman acertam precisamente o tom de seus personagens nesta montagem que nos oferta a chance de decodificarmos as vias de expressão do amor sem o cajado do julgamento moral

A montagem vangloria-se de ter em sua construção nomes de realce como André Cortez (cenário), Maneco Quinderé (luz), Fabio Namatame (figurinos), Marcia Rubin (movimento), Rico e Renato Vilarouca (projeções), e Maison Wilkins (trilha original). Eriberto Leão mira e acerta com altivez cênica no alvo das obsessões e aflições de Brendix. Vannessa Gerbelli, linda como uma “pin-up” de seu tempo, esmiúça com perspicácia as frequências múltiplas do comportamento de Sarah. E Isio Ghelman enquadra com racionalidade o seu Henry na correta moldura da resignação e autoestima frágil. “Fim de Caso” nos oferta a chance de decodificarmos com mais propriedade as labirínticas vias de expressão do amor, sem o cajado do julgamento moral. Nossa história com esta peça não tem fim ou começo. Só temos que escolher o momento certo para vivê-la.

Obs: Crítica escrita em novembro de 2019.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: