Blog do Paulo Ruch

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Em uma das fábulas morais de “Tudo” Vladimir Brichta e Julia Lemmertz, ele um artista plástico e ela uma servidora de repartição pública/Foto: Flavia Canavarro

Julia Lemmertz, Dani Barros, Vladimir Brichta, Claudio Mendes e Márcio Vito interpretam os personagens ou mais de um das três fábulas morais que compõem a narrativa da peça

A obra do argentino Rafael Spregelburd levada aos palcos pelas mãos habilidosas e olhar crítico do diretor, tradutor e adaptador Guilherme Weber traz à baila temas que nos são muito caros, além de universais e atemporais, a burocracia no Estado, a arte que invariavelmente se transforma em negócio e a religião que se torna superstição. Topou se entregar neste promissor debate cênico um time de atores de alto calibre interpretativo que se equivalem no rico despudor de contar ao público em forma de fábula moral todas as incongruências e contrariedades inerentes aos assuntos em pauta: Julia Lemmertz, Dani Barros, Vladimir Brichta, Claudio Mendes e Márcio Vito. Dividida em três situações e ambientes, uma repartição pública, uma festa de Natal e a casa de um casal, com a presença de um narrador, a peça não se furta a adotar um escancarado nonsense muito bem servido pela notável expressividade física de seu elenco. Não faltam ao discurso teatral referências com propriedade à mitologia grega e episódio bíblico.

Com fascinante integração entre ator e texto, feito conquistado por seu diretor Guilherme Weber, assistir a “Tudo” é uma forma de exorcizar alguns de nossos medos

Guilherme Weber atinge fascinante integração entre atores e texto, ocupando dinamicamente o perímetro da ribalta. Cada artista tem o seu grande momento na montagem, não importando se de modo cômico, dramático ou tragicômico. O espetáculo está assaz bem amparado em seus aspectos técnicos. A cenografia crua com elementos industriais/tecnológicos de Dina Salem Levy, a iluminação instigante de Renato Machado com luzes fosforescentes, os figurinos pertinentes, entre o sóbrio e o extravagante, de Kika Lopes, a trilha original de elevado bom gosto com alusões ao tango de Rodrigo Apolinário e a primorosa preparação corporal de Toni Rodrigues completam um painel estético que se agrega sobremaneira à excelência da produção. É impossível não identificar em “Tudo” uma conectividade com a realidade nossa de cada dia, despertando-nos emoção, reflexão e diversão. “Tudo”, em certo momento, fala-nos sobre não sentir medo. Ir ao teatro e assistir a “Tudo” é uma forma de exorcizar alguns de nossos medos. E isso é tudo.

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