O escritor e poeta, além de teórico do surrealismo André Breton, o pintor Salvador Dalí e o cineasta Luis Buñuel (“O Discreto Charme da Burguesia” e “O Cão Andaluz”; Dalí também se aventurou no cinema) foram os grandes expoentes do movimento artístico citado acima. O surrealismo consistia basicamente na transgressão do real, no desafio de distorcer a realidade como a conhecemos. Quem não se lembra do relógio derretido em uma das mais famosas pinturas de Salvador Dalí? E, é claro, que como todo movimento artístico importante, as influências se dão até os dias atuais. No nosso país, provável que este movimento influiu o autor Dias Gomes. Sendo assim, o pioneirismo ficou ao seu cargo, que em 1976, com poucos recursos de efeitos especiais, realizou na Rede Globo a excelente novela “Saramandaia”, na qual para espanto do público, fatos bizarros ocorriam corriqueiramente na cidade de nome Bole-Bole. Casos como o de Zico Rosado (Castro Gonzaga), que quando menos era esperado, soltava formigas pelas narinas, assoando o nariz de forma a se livrar delas. Às vezes, apareciam no lenço que usava. Já Wilza Carla ficou marcada para sempre como a Dona Redonda, que de tanto comer acabou explodindo, derrubando portas e janelas ao redor, e deixando a população local em pânico. A cena da explosão foi até tosca, que como já disse não existia a viabilidade de se fazer algo mais elaborado. Porém, tornou-se uma das cenas da teledramaturgia mais lembradas até hoje por seu impacto. Vera Holtz será a nova intérprete, e pediu para que usasse enchimentos ao invés dos efeitos de computador que seriam utilizados para deixá-la obesa em excesso. Toda a explosão será entretanto computadorizada. Ary Fontoura era o Professor Aristóbulo, um homem acima de qualquer suspeita que em noites de lua cheia virava lobisomem. Sonia Braga, como Marcina, provocava incêndios onde tocava, assim como feria as pessoas ao fazer o mesmo. E Juca de Oliveira foi João Gibão, que possuía asas nas costas, e num determinado dia voou pela cidade. Atualmente, com a tecnologia avançada nos efeitos especiais que a emissora detém, o folhetim ganhará bastante neste campo em qualidade. O teledramaturgo Ricardo Linhares, responsável pelo “remake” é um expert no assunto. Este gênero passou a ser chamado de realismo fantástico. O escritor colombiano Gabriel García Márquez é um adepto do estilo, também denominado de “mágico”. Ricardo, junto com Aguinaldo Silva, deixaram bons exemplos em algumas novelas do elemento narrativo em pauta. Em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Ruy Rezende, o respeitado Professor Astromar Junqueira tinha como segredo o fato de se transformar em lobisomem quando a lua estava cheia. Em “Fera Ferida”, de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Arlete Salles, como Margarida, inundou o quarto de sua casa ao chorar em demasia. Já em “Pedra sobre Pedra”, também de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Osmar Prado, o Sérgio Cabeleira, mantinha forte ligação com a lua, a ponto de em certa noite ela se aproximar de modo impressionante da Terra. Não podemos nos esquecer que em 1973, Dias Gomes em “O Bem Amado” já dava sinais de sua influência ao fazer Milton Gonçalves (Zelão das Asas) voar a partir do alto de uma igreja sobre Sucupira. E, em “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Selton Mello (Emanuel) cria asas e voa livremente. A vilã Altiva, interpretada por Eva Wilma, após sumir misteriosamente na frente dos habitantes de Greenville, surge no céu em forma de estranha fumaça prometendo a sua volta. Retornando a “Saramandaia”, desde já configura-se como uma boa atração para este ano, proporcionando aos que já lhe assistiram a oportunidade de rever uma história cheia de criatividade e aspectos inusitados, e aos que não, deleitarem-se com esta trama tão bem urdida pelo consagrado Dias Gomes.
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A participante do BBB13, Andressa.
Foto: Divulgação/TV GloboA casa começou com 8 participantes, entraram mais 6 (veteranos), e 2 da casa de vidro. Já saiu a mais explosiva de todas, Aline, uma moça que fala igual a Penha, a personagem de Taís Araújo em “Cheias de Charme”. Ela justificava seu controvertido comportamento ao fato de ser verdadeira. Isto, num “reality”, colocado de maneira incorreta, em que muitas questões estão em jogo, pode ser fatal, e o foi: Aline foi eliminada no primeiro paredão com um índice de rejeição considerável. Ela poderia ser até interessante para os telespectadores que gostam de uma acalorada discussão, entretanto, Ivan, seu oponente, um rapaz tranquilíssimo, venceu. Ivan, com tanta calma e discrição pode ser um hábil jogador. Quem vai saber? Dentre os moradores da “casa mais vigiada do Brasil” estão Marien (que só travou algumas conversas inofensivas até agora), Fernanda (talvez esteja se prejudicando por querer namorar André, e ficar o tempo todo falando ao seu respeito e ficando atrás dele, o que o insatisfaz), Aslan (é extrovertido, dá-se bem com as pessoas, tem personalidade forte, portanto é um concorrente com potencial para seguir adiante), André (sua postura é quieta, fala baixo, não é dado a exibicionismos), Nasser (adota um estilo alternativo na aparência, mostrou determinação, ao já vencer a primeira prova de resistência, e assim como Aslan sua personalidade forte se evidencia), Andressa (uma bonita jovem, simpática, educada, mostra-se amiga, porém ainda não vejo nela uma vontade irrefreável de vencer, o que poderá vir depois). Da casa de vidro, entraram o fortão Marcello (que até agora não mostrou ser vaidoso em excesso por seus dotes físicos, o que já é um ponto a seu favor; indica ser contemporizador, até um pouco reservado). A mulherada, com certeza, fará do “personal trainer” o alvo preferencial das investidas nas festas. E, por último, dos novatos, Kamilla (a jovem poderá irritar alguns dos moradores por gostar muito de cantar e ser falante e desinibida demais). Quanto aos veteranos, ainda paira o mistério sobre a saída de Kléber Bambam. Ele não nos deu nenhuma explicação plausível sobre a decisão de sair do programa. E nunca a saberemos. O erro de Bambam foi ter chegado ao “reality” com autoconfiança em demasia, e zombado do grupo rival em uma das provas em que acabou sendo o líder. A entrada de Yuri em seu lugar (mesmo tendo participado da edição passada) provável tenha se dado por ser temperamental, oscilante no que concerne a atitudes sensíveis, românticas e partir para a altercação quando for preciso. É um participante que não permite se passar por despercebido. Natália anda bem pensativa, o que denota não ter entrado ainda para valer no jogo (muito diferente da edição anterior; algumas pessoas podem mudar). Aliás, Bambam entrou diferente também. Quem entrou da mesma forma de antes foi Dhomini. Ele é esperto, astuto, calcula cada passo, e a sua meta é obter o prêmio mais do que qualquer outro confinado. A sua declaração assumida de ser um jogador poderá de alguma forma não favorecê-lo à vista dos outros. Elieser continua a mesma “figura” de sempre, todavia a impressão que me deu é que voltou mais maduro, e disposto a ter um um jeito de se comportar que implique em uma nova avaliação do público quanto a ele, que disse aproximadamente “que as coisas dessa vez seriam diferentes”. Por sinal, uma das qualidades de Elieser é não se deixar atemorizar por provocações, como vimos ao enfrentar Dhomini. Fani foi uma ótima escolha: é sensual, fala o que pensa, briga por aquilo que possa lhe trazer benefícios (sem prejuízos a alguém), e está focada no jogo. E Anamara, que é daquelas moradoras que garantem ocasiões engraçadíssimas ao “reality” (ela demonstra estar lá é para se divertir mesmo, contudo é claro que deseja o prêmio). A decoração da casa está bonita e inventiva como de costume. Pedro Bial permanece com o profissionalismo que lhe é nato, cujos trunfos são seus ditos espirituosos e “cutucadas” nos participantes. Quanto ao diretor Boninho, possui um mérito: procura sempre criar algo novo, apesar das 12 edições já realizadas. O programa está aí. Os dados estão lançados. Os moradores da casa, em sua maioria, dispostos a jogar. Cada dia será um dia, o que nos dirá se o BBB13 será um dos melhores dentre todos os outros “realities” anteriores, ou será apenas mais um que assistiremos, mas que não fora marcante o suficiente.
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