Blog do Paulo Ruch

Cinema, Moda, Teatro, TV e… algo mais.

Lucas Oradovski caracterizado como a intrigante e sedutora figura burlesca do belo documentário de Manuh Fontes/Foto: Leandro Pagliaro/Divulgação

Responsável pelo argumento, a atriz e produtora Maytê Piragibe se lança em um delicado projeto pessoal que visa a esmiuçar o processo de criação artística, valendo-se dos depoimentos de atores de gerações diversas

“Talvez criar não seja nada mais do que se lembrar profundamente”. Com este pensamento sobre a criação do filósofo e poeta tcheco Rainer Maria Rilke se inicia o envolvente documentário com argumento de Maytê Piragibe e roteiro e direção de Manuh Fontes “Mise en Scène – A Artesania do Artista” (2021), disponível recentemente no catálogo do Globoplay. Vários atores de inegável relevância e outros talentos mais jovens foram convocados por Manuh a darem os seus esclarecedores depoimentos sobre seus processos de criação artística, entremeados com suas visões particulares acerca da infância, vida, política e morte.

Neste documentário livremente inspirado na obra do filósofo Rilke, o público descobre como surgiu a paixão de Antonio Fagundes pela leitura e como Marco Nanini se comporta atualmente com relação ao tempo

Livremente inspirada na obra de Rilke, a cineasta inseriu acertadamente belas citações na voz cristalina de Gloria Pires. Entre uma fala e outra, há as aparições idílicas de uma figura burlesca (Lucas Oradovski; excelente em sua expressão corporal; esta mesma figura se relaciona com uma menina sorridente, Violeta Piragibe, filha de Maytê). Antonio Fagundes relata que uma enfermidade na infância o levou a ficar acamado por seis meses, fazendo-o se apaixonar pela leitura (ele valoriza ainda o hábito da observação). Fagundes, em tom assertivo, diz que o teatro é a “pátria do ator”. Marco Nanini revela que precisa se despir do personagem, não levá-lo consigo. Ele confessa estar passando por uma fase mais contemplativa em sua vida, com uma perspectiva sobre o tempo distinta de quando era mais jovem. Zezé Motta afirma que ao compor uma música pensa logo em uma personagem. A atriz de filmes de sucesso como “Xica da Silva” (1976) e “Quilombo” (1984) não hesita em defender que os artistas devem assumir uma posição política, além de nos contar uma experiência pessoal de violência na época da ditadura militar. Cássia Kis não estima o termo “interpretar” e sim “estar presente, viver”. Cássia levanta ilações de que ninguém sabe como o outro nos enxerga, dizendo que nem ela mesma sabe quem é. Dira Paes discorre sobre o “deslocamento de energia” na atuação, falando também sobre a necessidade de se ter um foco. A intérprete paraense que começou a sua carreira ainda muito menina em um filme do diretor inglês John Boorman, “A Floresta das Esmeraldas” (1985), reflete que a composição de uma personagem se inicia a partir do momento em que calça os seus sapatos. Camila Pitanga assevera que a dança sempre teve um papel importante em sua vida na expressão artística (há uma cena em que Camila divide um instante espontâneo ao piano com a sua filha Antonia Pitanga). Maytê Piragibe recorre a rituais terapêuticos (cristais, aromaterapia etc) para se desprender de possíveis energias pesadas colhidas em uma cena específica. Maytê encena performances em uma praia ornada com instalações. Gabriel Leone confidencia-nos acerca de sua relação ambígua com o espelho, sem desmerecer a sua significância na criação de um papel. O ator nos apresenta um processo criativo com todas as suas etapas em que se transforma em um ser feminino. Bruno Fagundes assegura-nos que as cores ocupam uma função precípua em seu processo de criação. Em certa ocasião, o filho de Antonio Fagundes lança mão de tintas coloridas, espalha-as em uma tela em branco sobre o chão com as suas próprias mãos, deixando que aflore seu furor criativo. O colombiano Gustavo Miranda se diz encantado com a riqueza cultural de nosso país, referindo-se sobretudo à efervescência da cidade de São Paulo, na qual sempre há um lugar onde se pratica a arte. O bailarino também colombiano Mauricio Flórez se encarrega de executar plásticos e harmônicos movimentos corporais.

“Mise en Scène – A Artesania do Artista” é antes de tudo uma produção que cumpre seu papel de louvor à cultura com inegável magnitude

A direção de fotografia de Leandro Pagliaro (produtor executivo juntamente com Manuh Fontes e Maytê Piragibe) prima pelo bom gosto, com o aproveitamento de luzes naturais e indiretas, como abajures e velas, logrando um exitoso resultado. O belo documentário de Manuh Fontes, que exibe sensibilidade na direção e coerência no roteiro, apoia-se na poética e fluente trilha de Lucas Marcier e Rodrigo de Marsillac e na bem conduzida montagem de Isabel Salomon. “Mise en Scène – A Artesania do Artista”, que concorreu ao Prêmio de Melhor Documentário no Festival Independente de Toronto, no Canadá, alveja públicos que se engajam no aprimoramento das artesanias de suas criações de vida pessoais e artísticas, cumprindo seu papel de louvor à cultura com inegável magnitude.

Assista ao trailer oficial do documentário:

Foto: Paulo Ruch

A apresentadora e modelo Mariana Weickert na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, no Parque Cândido Portinari.

Mariana é catarinense de Blumenau.

Começou a sua carreira na moda com quatorze anos de idade.

Logo, viajou para a Europa a trabalho.

Tornou-se uma das principais modelos do país com grande sucesso no mercado internacional.

Fez desfiles e participou de campanhas de marcas prestigiadíssimas como Calvin Klein, Chanel, Alexander McQueen, Gucci, Ralph Lauren, Roberto Cavalli, Stella McCartney, Marc Jacobs, Givenchy, Louis Vuitton, Versace, Fendi e Armani, dentre outras.

Era frequentemente convidada para estrelar ensaios e estampar capas de revistas renomadas, como “W”, “The Face”, “Visionaire”, “FAB Magazine”, “Vogue” inglesa e América, além de outras.

Foi clicada pelo badalado fotógrafo peruano Mario Testino para o disputado calendário Pirelli, no mês de maio de 2001.

Com 23 anos, decide retornar ao Brasil e investir na carreira de apresentadora, sem no entanto deixar de atuar na moda.

Seu primeiro contrato como apresentadora foi assinado em 2004 com a MTV, onde passou a comandar a partir de 2005 o programa “Pé Na Areia”, que tinha como locações praias brasileiras (na atração, que era transmitida no verão, Mariana recebia com Marcos Mion cantores e bandas musicais).

Seu próximo desafio neste ofício foi conduzir, ao lado do jornalista Marcelo Tas e do cantor e compositor Lobão, a produção “Saca-Rolha”, na Rede 21.

Saindo desta área, mostrou toda a sua ginga e ritmo ao ser uma das participantes do talent show “Dança dos Famosos”, quadro do extinto “Domingão do Faustão”, da Rede Globo.

Suas habilidades como apresentadora e seu know-how como top model a fizeram ser convidada pelo canal GNT para ser repórter do “GNT Fashion” (o programa, com Lilian Pacce na apresentação, acompanhava as principais notícias sobre moda no mundo, além de cobrir as mais importantes semanas de moda brasileiras).

Outra função que lhe coube muito bem foi conduzir a atração, também do GNT, “Vamos Combinar Seu Estilo”, na qual Mariana auxiliava o convidado em questão a buscar da melhor forma possível o seu estilo, utilizando-se de suas peças de vestuário.

Assume por cerca de três anos a missão de ser uma das apresentadoras do programa jornalístico “A Liga”, veiculado pela Band (a produção visava a contar ao público de maneiras diferentes, com o uso do humor, do drama e de uma certa acidez, uma mesma notícia).

De volta ao GNT, durante um período de quatro anos, Mariana se ocupou com a apresentação do reality “Desafio da Beleza”, juntamente com o maquiador e consultor de beleza Fernando Torquatto (no programa, concorrentes participavam de provas semanais até que o vencedor final se tornasse a nova sensação da maquiagem brasileira; o beauty artist Ricardo dos Anjos era o jurado fixo).

Paralelo a esta produção, Mariana, novamente com Ricardo dos Anjos, capitaneou o reality “S.O.S Salvem o Salão”, cujo objetivo era ajudar donos de salões de beleza a incrementarem os seus estabelecimentos no sentido de se tornarem um grande atrativo em seus respectivos bairros.

Atualmente, Mariana Weickert é repórter da revista eletrônica apresentada por Eduardo Ribeiro e Carolina Ferraz “Domingo Espetacular”, exibida pela RecordTV aos domingos.

Agradecimento: TNG

Da esquerda para a direita, os atores Gabriela Medvedovski (Pilar), Michel Gomes (Jorge), Mariana Ximenes (Luí
sa, a Condessa de Barral), Selton Mello (D. Pedro II) e Letícia Sabatella (Imperatriz Teresa Cristina)/Foto: João Miguel Júnior/Gshow

Sendo parte de uma trilogia iniciada pela novela “Novo Mundo”, a atual trama das 18h da Rede Globo se concentra desta vez no reinado de D. Pedro II com todas as conjunturas políticas que o cercam somadas às relações familiares com sua esposa e filhas e seu romance com a Condessa de Barral

Os autores Thereza Falcão e Alessandro Marson trouxeram de volta a alegria aos telespectadores de novelas com a primeira trama completamente inédita após a pandemia, “Nos Tempos do Imperador”, estreia da última segunda-feira às 18h na Rede Globo. Parte de uma trilogia iniciada com “Novo Mundo” (2017), a ótima produção atual é centrada no período de reinado de D. Pedro II a partir do ano de 1856, revelando seus posicionamentos face a Guerra do Paraguai e suas relações com a esposa Teresa Cristina, as filhas Isabel e Leopoldina, e sua amante Luísa, a Condessa de Barral. Com direção artística de Vinícius Coimbra (experiente em produções históricas) e geral de João Paulo Jabur, a história se inicia com uma viagem de férias de D. Pedro II (Selton Mello em belo retorno à TV) e a Imperatriz Teresa Cristina (a sempre cativante Letícia Sabatella) em um cenário que descortina a beleza do Brasil. Num momento de tensão, o Imperador é surpreso pelo general paraguaio Solano López (Roberto Birindelli, inspirado) que tenta convencê-lo a formar uma aliança com propósitos econômicos que desagradariam aos países vizinhos, Argentina e Uruguai, podendo culminar em uma guerra. Em outro quadro, no Recôncavo da Bahia, vemos a Condessa de Barral (Mariana Ximenes, inebriante) no funeral de seu pai sendo aborrecida pelos Coronéis Ambrósio (Roberto Bomfim) e Eudoro (José Dumont) que desejam comprar suas terras de cana-de-açúcar herdadas. Roberto e José assumem nobremente seus papéis. Alexandre Nero representa o ambicioso e fanfarrão Tonico Rocha (excelente trabalho de composição), prometido por seu pai Ambrósio em casamento à jovem Pilar (a doce Gabriela Medvedovski), filha de Eudoro, que decide fugir de casa para se tornar médica. João Pedro Zappa, como Nélio, acompanhante de Tonico, mostra desenvoltura em cena. Paralelo a isso, o escravo Jorge (Michel Gomes em elogiável performance) planeja com escravos malês uma invasão à fazenda de seu pai Ambrósio com o intuito de libertar sua irmã e outros aprisionados. Ferido por ser suspeito da morte de seu progenitor, Jorge acaba sendo socorrido por Pilar (o casal promete entrosamento) enquanto é procurado por Tonico, sedento por vingar seu pai.

Com uma narrativa forte e ágil que nos desperta enorme interesse, juntamente com belos elenco, figurinos, fotografia e produção musical, a trama de Thereza Falcão e Alessandro Marson nos traz de volta os bons tempos do telespectador

A novela, que tem como autores colaboradores Júlio Fischer, Duba Elia, Wendell Bendelack e Lalo Homrich, possui uma narrativa forte, ágil e interessante, sendo obedecida com primor pelos seus diretores, que souberam alternar com equilíbrio takes de ação com outros mais dialogados. Além dos intérpretes mencionados, sobrou talento aos demais artistas que estiveram no primeiro capítulo do novo folhetim das seis da tarde. Os impagáveis Dani Barros (Clemência), Augusto Madeira (Quinzinho; Theo de Almeida defendeu o personagem na infância em “Novo Mundo”), Vivianne Pasmanter (Germana) e Guilherme Piva (Licurgo) lideraram a parte cômica da estreia (Vivianne e Guilherme fizeram tanto sucesso na novela anterior de Thereza e Alessandro que retornaram nesta versão da trilogia incrivelmente caracterizados). Lu Grimaldi é outra respeitada atriz que volta à trama revivendo a criada, agora governanta, Lurdes. A personagem Celestina, dama de companhia da Imperatriz Teresa Cristina, está em boas mãos ao ser entregue a Bel Kutner. Já Thierry Tremouroux encarna com dignidade o Conde Eugênio, casado com Luísa. Deve-se prestar atenção a Júlia Freitas, atriz adolescente que personifica Dolores, irmã de Pilar. As filhas de D. Pedro II, Isabel e Dina/Leopoldina, são desempenhadas respectivamente por Any Maia e Melissa Nóbrega, papéis que serão vividos mais tarde por Giulia Gayoso e Bruna Griphao. A atração cresce com a fotografia sensível de Ricardo Gaglianone (vale destacar o duelo entre escravos e capatazes), os figurinos esplêndidos de Beth Filipeck e Renaldo Machado, e a rica e irresistível produção musical de Sacha Ambach e Rafael Langoni Smith, que nos traz Milton Nascimento (“Cais”, tema de abertura), Elis Regina, Clara Nunes e Clementina de Jesus e Ney Matogrosso e Nação Zumbi interpretando Secos & Molhados (as composições originais da trilha incidental são notadamente marcantes). “Nos Tempos do Imperador” merece todo o nosso respeito por ser antes de tudo uma novela fruto de atos de coragem e amor à dramaturgia, por ser realizada, enfrentando todos os obstáculos, em um período dificílimo para o mundo. A obra criada e escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson nos trouxe de volta os bons tempos do telespectador.

Assista ao trailer oficial da novela:

Categorias: TV

Foto: Paulo Ruch

A top Bruna Tenório logo ao chegar na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Nascida em Maceió, Alagoas, Bruna sempre se interessou por moda, acompanhando o trabalho de sua mãe costureira na infância.

Morando em Nova York, é agenciada no momento pelas agências NY Models, Elite London & Paris, Women Milan e Uno Spain.

Iniciou sua carreira desfilando em sua cidade natal, participando paralelamente de testes para agências importantes da Região Sudeste.

Após idas e vindas, de volta à Alagoas, acabou sendo descoberta por um olheiro que a levou para São Paulo.

Poucos meses foram suficientes para que a jovem modelo fosse convidada para assinar um contrato com uma agência nova-iorquina e fosse escalada para passar uma temporada em Hong Kong.

Em 2006, marca presença em quase 30 desfiles em sua estreia na São Paulo Fashion Week (seu sucesso na semana de moda paulista lhe rendeu o título de “Modelo Revelação”).

Internacionalmente, Bruna vestiu coleções de grifes luxuosas em desfiles da Versace, Marc Jacobs, Yves Saint Laurent, Burberry e Dolce & Gabbana (uma curiosidade: tornou-se neste período uma modelo fitting – garota fitting ou “fitting girl”, o que significa que as demais profissionais tivessem o mesmo padrão de suas medidas corporais).

No ano seguinte, durante a temporada de verão, fazendo a ponte Paris – Milão – Nova York, circulou pelas passarelas de quase 100 marcas ou estilistas, dentre eles John Galliano, Benetton, Karl Lagerfeld, Chanel, Christian Dior, Louis Vuitton, Hermès, Givenchy, Dolce & Gabbana, Versace e Armani (também foi considerada modelo revelação).

Ainda em 2007, deu mais um passo significativo em sua profissão, ao fechar um contrato de dois anos com a empresa de cosméticos japonesa Shiseido.

Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, resolveu chamar Bruna para estampar o lookbook de alta-costura de verão da marca depois de seu desfile (Karl, que também era fotógrafo, fez os registros em Paris).

Depois de desfilar para o estilista Marc Jacobs em Nova York em uma temporada de inverno em 2011 recebeu um convite dele mesmo para desfilar para a Louis Vuitton com exclusividade em Paris.

Com bastante prestígio no mundo fashion, recebeu, ainda neste ano, um convite do estilista Ralph Lauren para fechar o seu desfile.

Ganhou novamente em 2014 o posto de “fitting girl” da marca italiana Dolce & Gabbana.

Mais uma de suas conquistas foi ter figurado na lista dos 50 brasileiros mais estilosos do universo da moda eleitos pelo site FFW.

A modelo já assinou contratos com outras marcas de relevância mundial, como Kenzo, L’Oreal, Vera Wang, Shu Uemura e GAP.

Trabalhou com exclusividade para as marcas MAC, Saks Fifth Avenue e St. John e para a estilista Anna Sui.

Fez a campanha mais recente Pre-Spring da Ralph Lauren das linhas Black e Blue Label da Cruise Colletion.

Bruna já foi vista nas capas e páginas de inúmeras revistas badaladas, como Vogue Brasil (fotos de Jacques Dekequer), Elle Brasil (capa e editorial), Elle Vietnam (capa e editorial), Elle China (capa e editorial), Flair Itália (editorial), Vogue Itália (fotos de Mark Seliger; look de Roberto Cavalli), Vogue América e Allure (fotos de Greg Kadel), Vogue China (fotos de Stephane Coutelle), Vogue Turquia (fotos de David Bellemere), Glamour Holanda, Glamour Italia, Baazar Brasil, Glass Magazine, Elle Magazine, Marie Claire Brasil, FFW Mag, Vestal Magazine e Revue de Mode (capa).

Bruna Tenório, além de seus compromissos de modelo, também é empresária do ramo de joias (após os estudos em design de joias, lançou a Bruna Tenório Jewelry).

Agradecimento: TNG

Foto: Paulo Ruch

A top Bruna Tenório logo ao chegar na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Nascida em Maceió, Alagoas, Bruna sempre se interessou por moda, acompanhando o trabalho de sua mãe costureira na infância.

Morando em Nova York, é agenciada no momento pelas agências NY Models, Elite London & Paris, Women Milan e Uno Spain.

Iniciou sua carreira desfilando em sua cidade natal, participando paralelamente de testes para agências importantes da Região Sudeste.

Após idas e vindas, de volta à Alagoas, acabou sendo descoberta por um olheiro que a levou para São Paulo.

Poucos meses foram suficientes para que a jovem modelo fosse convidada para assinar um contrato com uma agência nova-iorquina e fosse escalada para passar uma temporada em Hong Kong.

Em 2006, marca presença em quase 30 desfiles em sua estreia na São Paulo Fashion Week (seu sucesso na semana de moda paulista lhe rendeu o título de “Modelo Revelação”).

Internacionalmente, Bruna vestiu coleções de grifes luxuosas em desfiles da Versace, Marc Jacobs, Yves Saint Laurent, Burberry e Dolce & Gabbana (uma curiosidade: tornou-se neste período uma modelo fitting – garota fitting ou “fitting girl”, o que significa que as demais profissionais tivessem o mesmo padrão de suas medidas corporais).

No ano seguinte, durante a temporada de verão, fazendo a ponte Paris – Milão – Nova York, circulou pelas passarelas de quase 100 marcas ou estilistas, dentre eles John Galliano, Benetton, Karl Lagerfeld, Chanel, Christian Dior, Louis Vuitton, Hermès, Givenchy, Dolce & Gabbana, Versace e Armani (também foi considerada modelo revelação).

Ainda em 2007, deu mais um passo significativo em sua profissão, ao fechar um contrato de dois anos com a empresa de cosméticos japonesa Shiseido.

Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, resolveu chamar Bruna para estampar o lookbook de alta-costura de verão da marca depois de seu desfile (Karl, que também era fotógrafo, fez os registros em Paris).

Depois de desfilar para o estilista Marc Jacobs em Nova York em uma temporada de inverno em 2011 recebeu um convite dele mesmo para desfilar para a Louis Vuitton com exclusividade em Paris.

Com bastante prestígio no mundo fashion, recebeu, ainda neste ano, um convite do estilista Ralph Lauren para fechar o seu desfile.

Ganhou novamente em 2014 o posto de “fitting girl” da marca italiana Dolce & Gabbana.

Mais uma de suas conquistas foi ter figurado na lista dos 50 brasileiros mais estilosos do universo da moda eleitos pelo site FFW.

A modelo já assinou contratos com outras marcas de relevância mundial, como Kenzo, L’Oreal, Vera Wang, Shu Uemura e GAP.

Trabalhou com exclusividade para as marcas MAC, Saks Fifth Avenue e St. John e para a estilista Anna Sui.

Fez a campanha mais recente Pre-Spring da Ralph Lauren das linhas Black e Blue Label da Cruise Colletion.

Bruna já foi vista nas capas e páginas de inúmeras revistas badaladas, como Vogue Brasil (fotos de Jacques Dekequer), Elle Brasil (capa e editorial), Elle Vietnam (capa e editorial), Elle China (capa e editorial), Flair Itália (editorial), Vogue Itália (fotos de Mark Seliger; look de Roberto Cavalli), Vogue América e Allure (fotos de Greg Kadel), Vogue China (fotos de Stephane Coutelle), Vogue Turquia (fotos de David Bellemere), Glamour Holanda, Glamour Italia, Baazar Brasil, Glass Magazine, Elle Magazine, Marie Claire Brasil, FFW Mag, Vestal Magazine e Revue de Mode (capa).

Bruna Tenório, além de seus compromissos de modelo, também é empresária do ramo de joias (após os estudos em design de joias, lançou a Bruna Tenório Jewelry).

Agradecimento: TNG

Foto: Paulo Ruch

A modelo, consultora de moda e apresentadora Isabella Fiorentino na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Paulistana, Isabella começou a deslanchar na carreira após trabalhar com fotógrafos badalados como Luiz Tripolli e Azemiro de Souza, o Miro.

Uma de suas primeiras conquistas foi ter vencido a etapa nacional do “Supermodel of the World”, promovida pela agência Mega Model Brasil em 1995.

A vitória lhe abriu as portas, sendo convidada para estampar a capa da revista Vogue e para desfilar na São Paulo Fashion Week.

Internacionalmente sua vida profissional começa em 1996 em Milão, mudando-se dois anos depois para Nova York.

Três anos após, em 2001, a top model resolveu compartilhar a sua experiência com pretendentes à carreira ao fundar a escola de modelos Oficina da Imagem (em 2005, houve uma alteração da proposta, surgindo a partir daí o “Workshop de Moda – Isabella Fiorentino”, um curso de caráter itinerante que passa a ser ministrado em todo o país).

Neste mesmo ano, Isabella comemora 15 anos de carreira, e a maneira que encontrou para celebrá-los se deu através de uma exposição de fotos no lounge de uma edição da São Paulo Fashion Week (na mostra, homenageou com fotos profissionais com quem trabalhou, como Luiz Tripolli, Miro, Bob Wolfenson, J.R. Duran e Duda Molinos).

Sua estreia como apresentadora de TV pôde ser conferida ainda em 2005 no programa de variedades “Tudo a Ver”, na Rede Record.

A boa performance na produção a levou a ser escalada na mesma função para outra atração da emissora, o “Super Sábado”.

Mais uma chance para exibir a sua habilidade como apresentadora surgiu com a revista eletrônica matutina “Hoje em Dia”.

Seus conhecimentos sobre moda fizeram com que lhe fosse dado um espaço como colunista na revista feminina Estilo, onde também deu dicas sobre cuidados com a beleza e bem-estar.

Em 2009 aparece no SBT como uma das apresentadoras do programa “Esquadrão da Moda”, que se propõe a mudar o visual de seus participantes (Isabella se mantém no posto até hoje; ao seu lado está o stylist Arlindo Grund; a atração é baseada em “What Not To Wear”, do Discovery Home & Health e BBC).

No mesmo canal, em 2013, faz algo diferente ao participar da novela infantil “Chiquititas”, uma adaptação de Íris Abravanel do original argentino de Cris Morena.

Desde 2015, faz participações no tradicional programa filantropo do SBT “Teleton”.

No cinema, ouvimos a sua voz na personagem Florence do filme de animação “Minhocas” (2013), uma coprodução Brasil/Canadá.

Isabella Fiorentino emprestou a sua beleza e profissionalismo aparecendo em duas temporadas especiais do talent show de culinária do SBT “Bake Off Brasil: Mão na Massa” (“Bake Off SBT”, em 2017, e “Bake Off SBT 3”, em 2019).

Agradecimento: TNG

Leticia Colin como a estilista Manu em “Sessão de Terapia”, série dirigida por Selton Mello disponível no Globoplay/Foto: Helena Barreto/Globoplay

Leticia Colin vive Manu, uma estilista bem-sucedida mãe de uma filha pequena que recorre ao terapeuta Caio, Selton Mello, objetivando entender suas angústias e perturbações emocionais decorrentes da maternidade

Na sexta-feira passada, o Globoplay disponibilizou a 5ª temporada da bem-sucedida e longeva (estreou em outubro de 2012) série “Sessão de Terapia”, tendo à frente de seu elenco mais uma vez Selton Mello como o terapeuta Caio Barone (Selton passou a interpretá-lo a partir da 4ª temporada; nas três primeiras quem defendeu o papel foi Zécarlos Machado). No primeiro episódio desta nova leva, já inserida no contexto da pandemia de Covid-19, Caio, aturdido com o término de seu relacionamento com sua ex-supervisora Sofia (Morena Baccarin em participação especial) e a perda de sua mãe, recebe a visita em seu consultório de sua potencial paciente, a estilista Manu (Leticia Colin). Realizada em sua profissão, Manu, visivelmente abalada, aflige-se com sua atual condição materna, após inúmeras tentativas de gerar um filho. Percebendo o conflito fantasia/realidade do qual Manu é vítima, Caio se empenha em fazê-la enxergar o desejo idealizado que a frustrou.

Selton Mello conduz com elegância e sofisticação a série, impressionando também com a sua atuação distanciada, além de extrair de Leticia Colin toda a sua inteligência interpretativa evidenciada em uma paleta múltipla de emoções

Produzida por Roberto D’Ávila, a série é dirigida pela quinta vez por Selton, que esbanja elegância e sofisticação na composição das cenas (o diretor, vindo do cinema com obras elogiadas como “Feliz Natal” e “O Palhaço”, não se furta a explorar imagens distorcidas através dos vidros, por vezes caleidoscópicas, num equilíbrio bem estudado dos planos e contraplanos, closes e planos abertos). Como ator, Selton logra um impressionante distanciamento, no entanto vislumbramos nos detalhes suas reações emocionais. Leticia Colin trilha com inteligência uma gradação dificultosa de sentimentos e posturas, como autoconfiança, dúvidas, dilemas morais, ansiedade e fraqueza. Os dois duelam com brilho.

A série marca o encontro dos irmãos Selton e Danton Mello e coloca frente a frente o ator/diretor com o amigo de longa data Rodrigo Santoro

Escrita com riqueza narrativa e coesão dramática por Jaqueline Vargas (além de escrever a série, também é responsável pelo roteiro final) e Ana Reber, a série é embalada a todo o tempo pela instigante trilha sonora original de Plínio Profeta. A bonita fotografia de Rodrigo Monte e Fabio Burtin se vale das luzes de abajures e luminárias, alcançando um harmonioso painel de cores. Também uma realização do canal GNT e da Moonshot Pictures, “Sessão de Terapia” possui 10 episódios disponíveis no Globoplay (serão no total 35, sendo que 5 serão lançados semanalmente às sextas-feiras). A série contará com outros intérpretes que darão vida aos pacientes, além de Rodrigo Santoro, a quem caberá representar o supervisor de Caio Davi Greco (Christian Malheiros como o motoboy Tony; Luana Xavier como Giovana, que sofre de compulsão alimentar; e Miwa Yanagizawa, como a enfermeira Lidia, portadora de estresse pós-traumático após atuar na linha de frente no combate à pandemia do coronavírus). Danton Mello, irmão de Selton na vida real, fará uma participação especial como Miguel, irmão até então desconhecido do terapeuta. Neste momento de tantas angústias, medos e incertezas pandêmicas o espectador só tem a ganhar em “marcar uma consulta” com Caio em “Sessão de Terapia”. Devido à procura, melhor marcar com antecedência.

Assista ao teaser oficial de “Sessão de Terapia”:

Viktoria Miroshnichenko, a “Grandona” do filme de Kantemir Balagov, impressiona com sua atuação catatônica/Foto: Divulgação

Temas bélicos ou com viés revolucionário sempre foram abordados na prestigiada cinematografia russa, tendo como seu maior representante Serguei Eisenstein, que deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin”

As temáticas bélicas ou revolucionárias sempre estiveram presentes nas obras cinematográficas russas. Serguei Eisenstein, um dos maiores cineastas de todos os tempos, deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin” (1925) e filmes considerados clássicos como “Alexander Nevsky” (1938), este último codirigido por Dmitri Vasilyev. Em dezembro de 2019, foi lançado no Brasil o longa-metragem mais destacado da safra recente do cinema russo, representante oficial do país a tentar uma vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional de 2020, “Uma Mulher Alta” (“Dylga”, Rússia, 2019), do jovem cineasta Kantemir Balagov, premiado na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2019 com a Melhor Direção.

O filme, que é baseado no livro laureado em 2015 com o Nobel de Literatura “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Aleksiévitch, traz duas ótimas atrizes em seu elenco, Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, transmitindo ao público, ao final, somando-se suas qualidades e desacertos, uma importante mensagem antibelicista

Baseado no livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, da vencedora do Nobel de Literatura de 2015 Svetlana Aleksiévitch, o filme, que se passa no pós-guerra, em 1945, numa Leningrado com a sua população arrasada, acompanha a dolorida trajetória de duas mulheres que combateram juntas no front, Yia (Viktoria Miroshnichenko em atuação impressionante e catatônica), uma enfermeira que sofre de síndrome pós-concussão (a “Grandona”), e Masha (a ótima e linda Vasilisa Perelygina), uma ex-soldada. Ambas se unem visceralmente neste cenário de vidas ceifadas, horrores perpetuados, indiferença e cinismo dos poderosos e traumas pessoais múltiplos em busca de um sentido para as suas existências, que poderá vir por meio de um filho, apesar de todos os inexpugnáveis obstáculos. O longa ostenta um acabamento visual irretocável, cuja fotografia de Ksenia Sereda explora os matizes fortes do verde e do vermelho, rivalizando com a tristeza vigente. No entanto, o ritmo pouco ágil com cenas demasiado longas e silenciosas o aproxima de uma certa monotonia. Mesmo assim, “Uma Mulher Alta” conserva seus valores e qualidades, provocando interesse. Sua mensagem antibelicista nos faz pensar que a guerra não tem rosto de mulher, não tem rosto de homem, tampouco rosto de criança. Simplesmente a guerra não deveria ter rostos humanos.

Obs: Crítica escrita em 20/01/2020

Assista ao trailer do filme:

Tiago Leifert, apresentador do “Big Brother Brasil” desde 2017/Foto: TV Globo

Vindo do esporte, já com experiências na área do entretenimento, Tiago Leifert é convidado para assumir o comando do “BBB” após Pedro Bial apresentá-lo por 16 anos

Após 16 anos, em substituição ao respeitado apresentador Pedro Bial, com seus poéticos discursos de eliminação, um rapaz com curtos cabelos loiros e espertos olhos azuis, que havia se consagrado na área do esporte, já com algumas experiências no entretenimento, fora convidado pelo diretor Boninho a assumir o comando do reality show mais assistido do país, o “Big Brother Brasil”, na Rede Globo. Como se sairia este paulistano amante dos games no comando da atração que paralisa o Brasil nos primeiros meses do ano? A incógnita sobre a sua atuação se transmutaria em certeza ao percebermos que Tiago Leifert abraçou com gigante profissionalismo e tocante sensibilidade o programa que atiça torcidas na nação quase como as de futebol.

Em março de 2020, o apresentador, assim como a população mundial, foi pego de surpresa com a eclosão da Covid-19, tendo que se submeter aos riscos de uma doença muito pouco conhecida, e se adaptar aos mais rígidos protocolos de segurança impostos pela emissora onde trabalha, a partir da decisão pela continuação do reality

O moço que traja jaquetas bonitas desejadas a cada noite começou a encarar desafios assustadoramente reais, mais imaginativos do que qualquer ficção, a partir de março de 2020, quando eclodiu a pandemia de Covid-19 no planeta. Numa experiência jamais vivida pela televisão mundial, o apresentador se submeteu a todos os riscos imagináveis decorrentes de uma doença muito pouco conhecida, obedecendo aos rígidos protocolos de segurança impostos pela emissora, assim que se decidiu pela continuação do programa. Transgredindo uma das normas pétreas do reality, Tiago teve que informar com bastante delicadeza e cuidado aos confinados o que um vírus gripal estava fazendo com a população mundial. Na final da edição, sem festa tampouco plateia, depois de anunciar a vencedora Thelma Assis, o jornalista com formação em Psicologia deixou que a sua emoção represada por semanas seguidas aflorasse ao vivo. Difícil não dividir este choro com ele.

Na edição deste ano, o “Big dos Bigs”, Tiago teve que enfrentar, além da pandemia que havia se agravado, acontecimentos importantes na Casa, como a incompreensão de alguns participantes com relação ao ator Lucas Penteado e questões raciais envolvendo outros dois, o que o levou a ter uma conversa histórica com os confinados sobre a simbologia do “black power”

Em 2021, já com vacinas sendo aplicadas em um sem número de países, mas com a pandemia sem controle em nosso território, o também apresentador do “The Voice Brasil” dá início ao “Big dos Bigs”, com cem dias de duração. Seus desafios seriam possivelmente maiores face aos acontecimentos intensos da Casa. Com a saída do ator Lucas Penteado, não compreendido por parte dos participantes, Tiago lhes disse que faltou “fair play”. Em outro episódio envolvendo dois confinados em que um comentário levantou questões raciais, o apresentador, sem texto pronto, não fez um discurso tradicional, mas conversou de forma impactante sobre a simbologia do “black power” para a comunidade preta, num momento histórico da produção. No dia da final do “BBB21”, um dia de festa, falece há pouco mais de uma hora antes de iniciar o programa o ator e humorista Paulo Gustavo, deixando o Brasil consternado. Além de comunicar aos finalistas Juliette, Camilla e Fiuk o ocorrido no intervalo da edição, o apresentador teve que dar andamento à atração com o país ainda em choque. Tarefa para grandes profissionais. Durante o show do rapper Projota com a participação de Lucas Penteado, Tiago deixou as formalidades de lado, saltou do tablado onde estava, e se juntou aos finalistas para cantar e vibrar com emoção explosiva. Minutos depois, a câmera o flagrou em um momento de distinta humanidade, com seus olhos mais azulados com o choro, ao agradecer em silêncio solitário a difícil missão cumprida. Essa grande e complexa orquestra chamada televisão precisa cada vez mais de maestros sensíveis e profissionais como Tiago Leifert. Tiago Leifert é o verdadeiro “Big dos Bigs”.

Letícia Colin, como a dependente química Amanda, em uma das cenas mais dramáticas da série “Onde Está Meu Coração”/Foto: Fábio Rocha/Globo

O imbatível quarteto George Moura e Sergio Goldenberg, roteiristas, e José Luiz Villamarim e Luisa Lima, supervisor e diretora artísticos respectivamente, reúnem suas notórias potencialidades profissionais para contar ao público a trajetória dolorosa de uma médica de classe média alta vítima dos estragos causados pela dependência química em crack

O tema da dependência química não raro atinge a sensibilidade do público pelo grau de sofrimento em sua vítima e naqueles que a cercam, sejam eles familiares, amigos ou colegas de trabalho. E é sobre este assunto espinhoso, muitas vezes evitado pela sociedade, que a afinada dupla de roteiristas George Moura e Sergio Goldenberg (“O Rebu”, “Onde Nascem Os Fortes”) resolveu se debruçar dessa vez na série original do Globoplay, com exibição na última segunda-feira de seu primeiro episódio na Rede Globo, “Onde Está Meu Coração” (a produção foi mostrada com sucesso no Berlin Series Market & Conference do 70º Festival Internacional de Berlim, Berlinale, do ano passado). Tendo outra dupla notável por trás, a diretora artística Luisa Lima e o supervisor artístico José Luiz Villamarim, a história se concentra na dolorosa trajetória de Amanda (Letícia Colin), uma jovem médica filha de um casal de classe média alta, o também médico David (Fábio Assunção) e a executiva do setor de portos Sofia (Mariana Lima), que vê a sua vida ser seriamente comprometida pelo vício em crack. Casada com o bem-sucedido e apaixonado arquiteto Miguel (Daniel de Oliveira), um usuário casual da droga, Amanda, já sofrendo com os efeitos devastadores da adicção, não evita que os mesmos interfiram no relacionamento sexual de ambos e na eficiência de seu ofício, a despeito de ser uma boa médica. Seus pais, que já possuem um passado com as drogas (a dependência e internação de David e a morte ainda não explicada de outro filho), são alertados pela filha Julia (Manu Morelli) sobre o vício da irmã. Entre a rotina pesada do hospital e recaídas na dependência, a atormentada moça se percebe cada vez mais acuada, fugindo do fantasma da internação que a leva a repensar a própria existência.

Luisa Lima merece atenção pela sua direção elegante na qual é realçada a rica arquitetura urbana de São Paulo com o respaldo das belas locações das casas dos personagens, valendo ainda ressaltar a brilhante trilha sonora de Daniel Roland que conta com Elvis Presley e Nick Cave

A elegante direção de Luisa Lima se apoia na exploração inteligente da bela paisagem urbana de São Paulo (uma ode à arquitetura), incluindo lindas locações das casas dos personagens. A diretora apostou nos grandes planos, imagens desfocadas, closes bem fechados, além da valorização dos corredores, que podem ser brancos e amplos, ou escuros e claustrofóbicos. Letícia Colin assume o protagonismo com delirante intensidade. Fábio Assunção e Mariana Lima transmitem com excelência a nítida sensação de dor e impotência dos pais. Daniel de Oliveira reflete com a mesma qualidade este sentimento. Manu Morelli revelou-se promissora em suas cenas e Rodrigo García se destacou como o traficante Edu. O elenco é completo por talentos como Camila Márdila (como Vivian, uma cliente sedutora e abastada que se interessa por Miguel), Ana Flávia Cavalcanti (Inês, enfermeira do hospital), Magali Biff (uma das pacientes de Amanda) e Démick Lopes (o motorista do carro que conduz a médica). Embalada pela brilhante e diversa trilha sonora de Dany Roland (Elvis Presley com “My Way”, Nick Cave com “Into My Arms” e Depeche Mode com “Enjoy The Silence”), a nova série do Globoplay propõe uma discussão séria sobre o flagelo do crack em nossa realidade, que dilacera pessoas inclementemente, fazendo-as perder a dignidade e a identidade, tratado com políticas equivocadas do Estado. “Onde Está Meu Coração” nos ajuda a encontrar os corações perdidos dos reféns das pedras que ardem.

Assista ao trailer de “Onde Está Meu Coração”: