Blog do Paulo Ruch

Cinema, Moda, Teatro, TV e… algo mais.

Foto: Paulo Ruch

A top Bruna Tenório logo ao chegar na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Nascida em Maceió, Alagoas, Bruna sempre se interessou por moda, acompanhando o trabalho de sua mãe costureira na infância.

Morando em Nova York, é agenciada no momento pelas agências NY Models, Elite London & Paris, Women Milan e Uno Spain.

Iniciou sua carreira desfilando em sua cidade natal, participando paralelamente de testes para agências importantes da Região Sudeste.

Após idas e vindas, de volta à Alagoas, acabou sendo descoberta por um olheiro que a levou para São Paulo.

Poucos meses foram suficientes para que a jovem modelo fosse convidada para assinar um contrato com uma agência nova-iorquina e fosse escalada para passar uma temporada em Hong Kong.

Em 2006, marca presença em quase 30 desfiles em sua estreia na São Paulo Fashion Week (seu sucesso na semana de moda paulista lhe rendeu o título de “Modelo Revelação”).

Internacionalmente, Bruna vestiu coleções de grifes luxuosas em desfiles da Versace, Marc Jacobs, Yves Saint Laurent, Burberry e Dolce & Gabbana (uma curiosidade: tornou-se neste período uma modelo fitting – garota fitting ou “fitting girl”, o que significa que as demais profissionais tivessem o mesmo padrão de suas medidas corporais).

No ano seguinte, durante a temporada de verão, fazendo a ponte Paris – Milão – Nova York, circulou pelas passarelas de quase 100 marcas ou estilistas, dentre eles John Galliano, Benetton, Karl Lagerfeld, Chanel, Christian Dior, Louis Vuitton, Hermès, Givenchy, Dolce & Gabbana, Versace e Armani (também foi considerada modelo revelação).

Ainda em 2007, deu mais um passo significativo em sua profissão, ao fechar um contrato de dois anos com a empresa de cosméticos japonesa Shiseido.

Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, resolveu chamar Bruna para estampar o lookbook de alta-costura de verão da marca depois de seu desfile (Karl, que também era fotógrafo, fez os registros em Paris).

Depois de desfilar para o estilista Marc Jacobs em Nova York em uma temporada de inverno em 2011 recebeu um convite dele mesmo para desfilar para a Louis Vuitton com exclusividade em Paris.

Com bastante prestígio no mundo fashion, recebeu, ainda neste ano, um convite do estilista Ralph Lauren para fechar o seu desfile.

Ganhou novamente em 2014 o posto de “fitting girl” da marca italiana Dolce & Gabbana.

Mais uma de suas conquistas foi ter figurado na lista dos 50 brasileiros mais estilosos do universo da moda eleitos pelo site FFW.

A modelo já assinou contratos com outras marcas de relevância mundial, como Kenzo, L’Oreal, Vera Wang, Shu Uemura e GAP.

Trabalhou com exclusividade para as marcas MAC, Saks Fifth Avenue e St. John e para a estilista Anna Sui.

Fez a campanha mais recente Pre-Spring da Ralph Lauren das linhas Black e Blue Label da Cruise Colletion.

Bruna já foi vista nas capas e páginas de inúmeras revistas badaladas, como Vogue Brasil (fotos de Jacques Dekequer), Elle Brasil (capa e editorial), Elle Vietnam (capa e editorial), Elle China (capa e editorial), Flair Itália (editorial), Vogue Itália (fotos de Mark Seliger; look de Roberto Cavalli), Vogue América e Allure (fotos de Greg Kadel), Vogue China (fotos de Stephane Coutelle), Vogue Turquia (fotos de David Bellemere), Glamour Holanda, Glamour Italia, Baazar Brasil, Glass Magazine, Elle Magazine, Marie Claire Brasil, FFW Mag, Vestal Magazine e Revue de Mode (capa).

Bruna Tenório, além de seus compromissos de modelo, também é empresária do ramo de joias (após os estudos em design de joias, lançou a Bruna Tenório Jewelry).

Agradecimento: TNG

Foto: Paulo Ruch

A top Bruna Tenório logo ao chegar na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Nascida em Maceió, Alagoas, Bruna sempre se interessou por moda, acompanhando o trabalho de sua mãe costureira na infância.

Morando em Nova York, é agenciada no momento pelas agências NY Models, Elite London & Paris, Women Milan e Uno Spain.

Iniciou sua carreira desfilando em sua cidade natal, participando paralelamente de testes para agências importantes da Região Sudeste.

Após idas e vindas, de volta à Alagoas, acabou sendo descoberta por um olheiro que a levou para São Paulo.

Poucos meses foram suficientes para que a jovem modelo fosse convidada para assinar um contrato com uma agência nova-iorquina e fosse escalada para passar uma temporada em Hong Kong.

Em 2006, marca presença em quase 30 desfiles em sua estreia na São Paulo Fashion Week (seu sucesso na semana de moda paulista lhe rendeu o título de “Modelo Revelação”).

Internacionalmente, Bruna vestiu coleções de grifes luxuosas em desfiles da Versace, Marc Jacobs, Yves Saint Laurent, Burberry e Dolce & Gabbana (uma curiosidade: tornou-se neste período uma modelo fitting – garota fitting ou “fitting girl”, o que significa que as demais profissionais tivessem o mesmo padrão de suas medidas corporais).

No ano seguinte, durante a temporada de verão, fazendo a ponte Paris – Milão – Nova York, circulou pelas passarelas de quase 100 marcas ou estilistas, dentre eles John Galliano, Benetton, Karl Lagerfeld, Chanel, Christian Dior, Louis Vuitton, Hermès, Givenchy, Dolce & Gabbana, Versace e Armani (também foi considerada modelo revelação).

Ainda em 2007, deu mais um passo significativo em sua profissão, ao fechar um contrato de dois anos com a empresa de cosméticos japonesa Shiseido.

Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel, resolveu chamar Bruna para estampar o lookbook de alta-costura de verão da marca depois de seu desfile (Karl, que também era fotógrafo, fez os registros em Paris).

Depois de desfilar para o estilista Marc Jacobs em Nova York em uma temporada de inverno em 2011 recebeu um convite dele mesmo para desfilar para a Louis Vuitton com exclusividade em Paris.

Com bastante prestígio no mundo fashion, recebeu, ainda neste ano, um convite do estilista Ralph Lauren para fechar o seu desfile.

Ganhou novamente em 2014 o posto de “fitting girl” da marca italiana Dolce & Gabbana.

Mais uma de suas conquistas foi ter figurado na lista dos 50 brasileiros mais estilosos do universo da moda eleitos pelo site FFW.

A modelo já assinou contratos com outras marcas de relevância mundial, como Kenzo, L’Oreal, Vera Wang, Shu Uemura e GAP.

Trabalhou com exclusividade para as marcas MAC, Saks Fifth Avenue e St. John e para a estilista Anna Sui.

Fez a campanha mais recente Pre-Spring da Ralph Lauren das linhas Black e Blue Label da Cruise Colletion.

Bruna já foi vista nas capas e páginas de inúmeras revistas badaladas, como Vogue Brasil (fotos de Jacques Dekequer), Elle Brasil (capa e editorial), Elle Vietnam (capa e editorial), Elle China (capa e editorial), Flair Itália (editorial), Vogue Itália (fotos de Mark Seliger; look de Roberto Cavalli), Vogue América e Allure (fotos de Greg Kadel), Vogue China (fotos de Stephane Coutelle), Vogue Turquia (fotos de David Bellemere), Glamour Holanda, Glamour Italia, Baazar Brasil, Glass Magazine, Elle Magazine, Marie Claire Brasil, FFW Mag, Vestal Magazine e Revue de Mode (capa).

Bruna Tenório, além de seus compromissos de modelo, também é empresária do ramo de joias (após os estudos em design de joias, lançou a Bruna Tenório Jewelry).

Agradecimento: TNG

Foto: Paulo Ruch

A modelo, consultora de moda e apresentadora Isabella Fiorentino na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.

Paulistana, Isabella começou a deslanchar na carreira após trabalhar com fotógrafos badalados como Luiz Tripolli e Azemiro de Souza, o Miro.

Uma de suas primeiras conquistas foi ter vencido a etapa nacional do “Supermodel of the World”, promovida pela agência Mega Model Brasil em 1995.

A vitória lhe abriu as portas, sendo convidada para estampar a capa da revista Vogue e para desfilar na São Paulo Fashion Week.

Internacionalmente sua vida profissional começa em 1996 em Milão, mudando-se dois anos depois para Nova York.

Três anos após, em 2001, a top model resolveu compartilhar a sua experiência com pretendentes à carreira ao fundar a escola de modelos Oficina da Imagem (em 2005, houve uma alteração da proposta, surgindo a partir daí o “Workshop de Moda – Isabella Fiorentino”, um curso de caráter itinerante que passa a ser ministrado em todo o país).

Neste mesmo ano, Isabella comemora 15 anos de carreira, e a maneira que encontrou para celebrá-los se deu através de uma exposição de fotos no lounge de uma edição da São Paulo Fashion Week (na mostra, homenageou com fotos profissionais com quem trabalhou, como Luiz Tripolli, Miro, Bob Wolfenson, J.R. Duran e Duda Molinos).

Sua estreia como apresentadora de TV pôde ser conferida ainda em 2005 no programa de variedades “Tudo a Ver”, na Rede Record.

A boa performance na produção a levou a ser escalada na mesma função para outra atração da emissora, o “Super Sábado”.

Mais uma chance para exibir a sua habilidade como apresentadora surgiu com a revista eletrônica matutina “Hoje em Dia”.

Seus conhecimentos sobre moda fizeram com que lhe fosse dado um espaço como colunista na revista feminina Estilo, onde também deu dicas sobre cuidados com a beleza e bem-estar.

Em 2009 aparece no SBT como uma das apresentadoras do programa “Esquadrão da Moda”, que se propõe a mudar o visual de seus participantes (Isabella se mantém no posto até hoje; ao seu lado está o stylist Arlindo Grund; a atração é baseada em “What Not To Wear”, do Discovery Home & Health e BBC).

No mesmo canal, em 2013, faz algo diferente ao participar da novela infantil “Chiquititas”, uma adaptação de Íris Abravanel do original argentino de Cris Morena.

Desde 2015, faz participações no tradicional programa filantropo do SBT “Teleton”.

No cinema, ouvimos a sua voz na personagem Florence do filme de animação “Minhocas” (2013), uma coprodução Brasil/Canadá.

Isabella Fiorentino emprestou a sua beleza e profissionalismo aparecendo em duas temporadas especiais do talent show de culinária do SBT “Bake Off Brasil: Mão na Massa” (“Bake Off SBT”, em 2017, e “Bake Off SBT 3”, em 2019).

Agradecimento: TNG

Leticia Colin como a estilista Manu em “Sessão de Terapia”, série dirigida por Selton Mello disponível no Globoplay/Foto: Helena Barreto/Globoplay

Leticia Colin vive Manu, uma estilista bem-sucedida mãe de uma filha pequena que recorre ao terapeuta Caio, Selton Mello, objetivando entender suas angústias e perturbações emocionais decorrentes da maternidade

Na sexta-feira passada, o Globoplay disponibilizou a 5ª temporada da bem-sucedida e longeva (estreou em outubro de 2012) série “Sessão de Terapia”, tendo à frente de seu elenco mais uma vez Selton Mello como o terapeuta Caio Barone (Selton passou a interpretá-lo a partir da 4ª temporada; nas três primeiras quem defendeu o papel foi Zécarlos Machado). No primeiro episódio desta nova leva, já inserida no contexto da pandemia de Covid-19, Caio, aturdido com o término de seu relacionamento com sua ex-supervisora Sofia (Morena Baccarin em participação especial) e a perda de sua mãe, recebe a visita em seu consultório de sua potencial paciente, a estilista Manu (Leticia Colin). Realizada em sua profissão, Manu, visivelmente abalada, aflige-se com sua atual condição materna, após inúmeras tentativas de gerar um filho. Percebendo o conflito fantasia/realidade do qual Manu é vítima, Caio se empenha em fazê-la enxergar o desejo idealizado que a frustrou.

Selton Mello conduz com elegância e sofisticação a série, impressionando também com a sua atuação distanciada, além de extrair de Leticia Colin toda a sua inteligência interpretativa evidenciada em uma paleta múltipla de emoções

Produzida por Roberto D’Ávila, a série é dirigida pela quinta vez por Selton, que esbanja elegância e sofisticação na composição das cenas (o diretor, vindo do cinema com obras elogiadas como “Feliz Natal” e “O Palhaço”, não se furta a explorar imagens distorcidas através dos vidros, por vezes caleidoscópicas, num equilíbrio bem estudado dos planos e contraplanos, closes e planos abertos). Como ator, Selton logra um impressionante distanciamento, no entanto vislumbramos nos detalhes suas reações emocionais. Leticia Colin trilha com inteligência uma gradação dificultosa de sentimentos e posturas, como autoconfiança, dúvidas, dilemas morais, ansiedade e fraqueza. Os dois duelam com brilho.

A série marca o encontro dos irmãos Selton e Danton Mello e coloca frente a frente o ator/diretor com o amigo de longa data Rodrigo Santoro

Escrita com riqueza narrativa e coesão dramática por Jaqueline Vargas (além de escrever a série, também é responsável pelo roteiro final) e Ana Reber, a série é embalada a todo o tempo pela instigante trilha sonora original de Plínio Profeta. A bonita fotografia de Rodrigo Monte e Fabio Burtin se vale das luzes de abajures e luminárias, alcançando um harmonioso painel de cores. Também uma realização do canal GNT e da Moonshot Pictures, “Sessão de Terapia” possui 10 episódios disponíveis no Globoplay (serão no total 35, sendo que 5 serão lançados semanalmente às sextas-feiras). A série contará com outros intérpretes que darão vida aos pacientes, além de Rodrigo Santoro, a quem caberá representar o supervisor de Caio Davi Greco (Christian Malheiros como o motoboy Tony; Luana Xavier como Giovana, que sofre de compulsão alimentar; e Miwa Yanagizawa, como a enfermeira Lidia, portadora de estresse pós-traumático após atuar na linha de frente no combate à pandemia do coronavírus). Danton Mello, irmão de Selton na vida real, fará uma participação especial como Miguel, irmão até então desconhecido do terapeuta. Neste momento de tantas angústias, medos e incertezas pandêmicas o espectador só tem a ganhar em “marcar uma consulta” com Caio em “Sessão de Terapia”. Devido à procura, melhor marcar com antecedência.

Assista ao teaser oficial de “Sessão de Terapia”:

Viktoria Miroshnichenko, a “Grandona” do filme de Kantemir Balagov, impressiona com sua atuação catatônica/Foto: Divulgação

Temas bélicos ou com viés revolucionário sempre foram abordados na prestigiada cinematografia russa, tendo como seu maior representante Serguei Eisenstein, que deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin”

As temáticas bélicas ou revolucionárias sempre estiveram presentes nas obras cinematográficas russas. Serguei Eisenstein, um dos maiores cineastas de todos os tempos, deixou como legado obras-primas como “O Encouraçado Potemkin” (1925) e filmes considerados clássicos como “Alexander Nevsky” (1938), este último codirigido por Dmitri Vasilyev. Em dezembro de 2019, foi lançado no Brasil o longa-metragem mais destacado da safra recente do cinema russo, representante oficial do país a tentar uma vaga na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional de 2020, “Uma Mulher Alta” (“Dylga”, Rússia, 2019), do jovem cineasta Kantemir Balagov, premiado na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2019 com a Melhor Direção.

O filme, que é baseado no livro laureado em 2015 com o Nobel de Literatura “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Aleksiévitch, traz duas ótimas atrizes em seu elenco, Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, transmitindo ao público, ao final, somando-se suas qualidades e desacertos, uma importante mensagem antibelicista

Baseado no livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, da vencedora do Nobel de Literatura de 2015 Svetlana Aleksiévitch, o filme, que se passa no pós-guerra, em 1945, numa Leningrado com a sua população arrasada, acompanha a dolorida trajetória de duas mulheres que combateram juntas no front, Yia (Viktoria Miroshnichenko em atuação impressionante e catatônica), uma enfermeira que sofre de síndrome pós-concussão (a “Grandona”), e Masha (a ótima e linda Vasilisa Perelygina), uma ex-soldada. Ambas se unem visceralmente neste cenário de vidas ceifadas, horrores perpetuados, indiferença e cinismo dos poderosos e traumas pessoais múltiplos em busca de um sentido para as suas existências, que poderá vir por meio de um filho, apesar de todos os inexpugnáveis obstáculos. O longa ostenta um acabamento visual irretocável, cuja fotografia de Ksenia Sereda explora os matizes fortes do verde e do vermelho, rivalizando com a tristeza vigente. No entanto, o ritmo pouco ágil com cenas demasiado longas e silenciosas o aproxima de uma certa monotonia. Mesmo assim, “Uma Mulher Alta” conserva seus valores e qualidades, provocando interesse. Sua mensagem antibelicista nos faz pensar que a guerra não tem rosto de mulher, não tem rosto de homem, tampouco rosto de criança. Simplesmente a guerra não deveria ter rostos humanos.

Obs: Crítica escrita em 20/01/2020

Assista ao trailer do filme:

Tiago Leifert, apresentador do “Big Brother Brasil” desde 2017/Foto: TV Globo

Vindo do esporte, já com experiências na área do entretenimento, Tiago Leifert é convidado para assumir o comando do “BBB” após Pedro Bial apresentá-lo por 16 anos

Após 16 anos, em substituição ao respeitado apresentador Pedro Bial, com seus poéticos discursos de eliminação, um rapaz com curtos cabelos loiros e espertos olhos azuis, que havia se consagrado na área do esporte, já com algumas experiências no entretenimento, fora convidado pelo diretor Boninho a assumir o comando do reality show mais assistido do país, o “Big Brother Brasil”, na Rede Globo. Como se sairia este paulistano amante dos games no comando da atração que paralisa o Brasil nos primeiros meses do ano? A incógnita sobre a sua atuação se transmutaria em certeza ao percebermos que Tiago Leifert abraçou com gigante profissionalismo e tocante sensibilidade o programa que atiça torcidas na nação quase como as de futebol.

Em março de 2020, o apresentador, assim como a população mundial, foi pego de surpresa com a eclosão da Covid-19, tendo que se submeter aos riscos de uma doença muito pouco conhecida, e se adaptar aos mais rígidos protocolos de segurança impostos pela emissora onde trabalha, a partir da decisão pela continuação do reality

O moço que traja jaquetas bonitas desejadas a cada noite começou a encarar desafios assustadoramente reais, mais imaginativos do que qualquer ficção, a partir de março de 2020, quando eclodiu a pandemia de Covid-19 no planeta. Numa experiência jamais vivida pela televisão mundial, o apresentador se submeteu a todos os riscos imagináveis decorrentes de uma doença muito pouco conhecida, obedecendo aos rígidos protocolos de segurança impostos pela emissora, assim que se decidiu pela continuação do programa. Transgredindo uma das normas pétreas do reality, Tiago teve que informar com bastante delicadeza e cuidado aos confinados o que um vírus gripal estava fazendo com a população mundial. Na final da edição, sem festa tampouco plateia, depois de anunciar a vencedora Thelma Assis, o jornalista com formação em Psicologia deixou que a sua emoção represada por semanas seguidas aflorasse ao vivo. Difícil não dividir este choro com ele.

Na edição deste ano, o “Big dos Bigs”, Tiago teve que enfrentar, além da pandemia que havia se agravado, acontecimentos importantes na Casa, como a incompreensão de alguns participantes com relação ao ator Lucas Penteado e questões raciais envolvendo outros dois, o que o levou a ter uma conversa histórica com os confinados sobre a simbologia do “black power”

Em 2021, já com vacinas sendo aplicadas em um sem número de países, mas com a pandemia sem controle em nosso território, o também apresentador do “The Voice Brasil” dá início ao “Big dos Bigs”, com cem dias de duração. Seus desafios seriam possivelmente maiores face aos acontecimentos intensos da Casa. Com a saída do ator Lucas Penteado, não compreendido por parte dos participantes, Tiago lhes disse que faltou “fair play”. Em outro episódio envolvendo dois confinados em que um comentário levantou questões raciais, o apresentador, sem texto pronto, não fez um discurso tradicional, mas conversou de forma impactante sobre a simbologia do “black power” para a comunidade preta, num momento histórico da produção. No dia da final do “BBB21”, um dia de festa, falece há pouco mais de uma hora antes de iniciar o programa o ator e humorista Paulo Gustavo, deixando o Brasil consternado. Além de comunicar aos finalistas Juliette, Camilla e Fiuk o ocorrido no intervalo da edição, o apresentador teve que dar andamento à atração com o país ainda em choque. Tarefa para grandes profissionais. Durante o show do rapper Projota com a participação de Lucas Penteado, Tiago deixou as formalidades de lado, saltou do tablado onde estava, e se juntou aos finalistas para cantar e vibrar com emoção explosiva. Minutos depois, a câmera o flagrou em um momento de distinta humanidade, com seus olhos mais azulados com o choro, ao agradecer em silêncio solitário a difícil missão cumprida. Essa grande e complexa orquestra chamada televisão precisa cada vez mais de maestros sensíveis e profissionais como Tiago Leifert. Tiago Leifert é o verdadeiro “Big dos Bigs”.

Letícia Colin, como a dependente química Amanda, em uma das cenas mais dramáticas da série “Onde Está Meu Coração”/Foto: Fábio Rocha/Globo

O imbatível quarteto George Moura e Sergio Goldenberg, roteiristas, e José Luiz Villamarim e Luisa Lima, supervisor e diretora artísticos respectivamente, reúnem suas notórias potencialidades profissionais para contar ao público a trajetória dolorosa de uma médica de classe média alta vítima dos estragos causados pela dependência química em crack

O tema da dependência química não raro atinge a sensibilidade do público pelo grau de sofrimento em sua vítima e naqueles que a cercam, sejam eles familiares, amigos ou colegas de trabalho. E é sobre este assunto espinhoso, muitas vezes evitado pela sociedade, que a afinada dupla de roteiristas George Moura e Sergio Goldenberg (“O Rebu”, “Onde Nascem Os Fortes”) resolveu se debruçar dessa vez na série original do Globoplay, com exibição na última segunda-feira de seu primeiro episódio na Rede Globo, “Onde Está Meu Coração” (a produção foi mostrada com sucesso no Berlin Series Market & Conference do 70º Festival Internacional de Berlim, Berlinale, do ano passado). Tendo outra dupla notável por trás, a diretora artística Luisa Lima e o supervisor artístico José Luiz Villamarim, a história se concentra na dolorosa trajetória de Amanda (Letícia Colin), uma jovem médica filha de um casal de classe média alta, o também médico David (Fábio Assunção) e a executiva do setor de portos Sofia (Mariana Lima), que vê a sua vida ser seriamente comprometida pelo vício em crack. Casada com o bem-sucedido e apaixonado arquiteto Miguel (Daniel de Oliveira), um usuário casual da droga, Amanda, já sofrendo com os efeitos devastadores da adicção, não evita que os mesmos interfiram no relacionamento sexual de ambos e na eficiência de seu ofício, a despeito de ser uma boa médica. Seus pais, que já possuem um passado com as drogas (a dependência e internação de David e a morte ainda não explicada de outro filho), são alertados pela filha Julia (Manu Morelli) sobre o vício da irmã. Entre a rotina pesada do hospital e recaídas na dependência, a atormentada moça se percebe cada vez mais acuada, fugindo do fantasma da internação que a leva a repensar a própria existência.

Luisa Lima merece atenção pela sua direção elegante na qual é realçada a rica arquitetura urbana de São Paulo com o respaldo das belas locações das casas dos personagens, valendo ainda ressaltar a brilhante trilha sonora de Daniel Roland que conta com Elvis Presley e Nick Cave

A elegante direção de Luisa Lima se apoia na exploração inteligente da bela paisagem urbana de São Paulo (uma ode à arquitetura), incluindo lindas locações das casas dos personagens. A diretora apostou nos grandes planos, imagens desfocadas, closes bem fechados, além da valorização dos corredores, que podem ser brancos e amplos, ou escuros e claustrofóbicos. Letícia Colin assume o protagonismo com delirante intensidade. Fábio Assunção e Mariana Lima transmitem com excelência a nítida sensação de dor e impotência dos pais. Daniel de Oliveira reflete com a mesma qualidade este sentimento. Manu Morelli revelou-se promissora em suas cenas e Rodrigo García se destacou como o traficante Edu. O elenco é completo por talentos como Camila Márdila (como Vivian, uma cliente sedutora e abastada que se interessa por Miguel), Ana Flávia Cavalcanti (Inês, enfermeira do hospital), Magali Biff (uma das pacientes de Amanda) e Démick Lopes (o motorista do carro que conduz a médica). Embalada pela brilhante e diversa trilha sonora de Dany Roland (Elvis Presley com “My Way”, Nick Cave com “Into My Arms” e Depeche Mode com “Enjoy The Silence”), a nova série do Globoplay propõe uma discussão séria sobre o flagelo do crack em nossa realidade, que dilacera pessoas inclementemente, fazendo-as perder a dignidade e a identidade, tratado com políticas equivocadas do Estado. “Onde Está Meu Coração” nos ajuda a encontrar os corações perdidos dos reféns das pedras que ardem.

Assista ao trailer de “Onde Está Meu Coração”:

Alinne Moraes e Ana Beatriz Nogueira estrelam o espetáculo escrito por Gustavo Pinheiro/Foto: Guga Melgar

O dramaturgo Gustavo Pinheiro, conhecido pelos sucessos “A Tropa” e “Alair”, debruça-se na análise das complexas narrativas discursivas e todos os seus desdobramentos surgidas a partir do encontro (e “desencontros”) de duas médicas

Gustavo Pinheiro, prestigiado dramaturgo especialista em abordar temáticas diversas, vindo de sucessos como “A Tropa” e “Alair”, resolveu se debruçar no espetáculo “Relâmpago Cifrado” (título de um trecho do poema de Drummond “Amor e seu Tempo”, do livro “As Impurezas do Branco”), com a argúcia e a solidez narrativa que lhe são características, na infinda riqueza dos encontros (e “desencontros discursivos”) entre pessoas devotadas a um mesmo ofício, no caso a Medicina, com todas as contradições individuais, complexidades comportamentais e oscilações emocionais de cada uma das médicas envolvidas em sua história.

Ana Beatriz Nogueira se encarrega de dar vida a uma médica conceituada, com personalidade dura e irônica, a quem a também médica interpretada por Alinne Moraes, de perfil obstinado e autoconfiante, recorre com o intento de obter uma carta de recomendação para estudar na Universidade de Harvard

Para dar vida a essas doutoras combativas em suas opiniões, uma de nossas mais brilhantes atrizes, Ana Beatriz Nogueira, e Alinne Moraes, uma intérprete que foi além de sua beleza, convencendo-nos de seu irrefutável talento no decorrer de sua carreira. Ana defende uma médica respeitada, formada em Harvard, dura, irônica, sinuosa, contendo, no entanto, uma fragilidade latente. Alinne personifica a profissional prática, obstinada, autoconfiante, com conceitos duvidosos acerca da ética, cujo intento é obter da primeira uma carta de recomendação para pesquisar na mesma Harvard.

Dirigida com sintonia cênica por Clarisse Derziê Luz e Leonardo Netto, que privilegiam o texto e as atrizes, “Relâmpago Cifrado” nos oferece atuações brilhantes de Ana Beatriz Nogueira e Alinne Moraes, cujo efeito imediato é magnetizar o público do início ao fim

A inteligente peça, calcada num embate contínuo e fascinante de inquirições, réplicas e tréplicas entre as médicas, é dirigida com admirável sintonia cênica (privilegiando o texto e as atrizes) por Clarisse Derziê Luz e Leonardo Netto. Ambos se valeram das frequências dramáticas de intensidades múltiplas de Ana e Alinne, realçando suas pausas estratégicas, contando com a luxuosa colaboração de Leila Pinheiro em sua trilha sonora original elegante e melancólica, para arrematar com estudada precisão esta montagem que reserva ao público um desfecho surpreendente, tocante e digno. Ana Beatriz Nogueira, utilizando-se de sua inestimável grandeza como artista, magnetiza a plateia do início ao fim. Alinne Moraes nivela-se ao brilho de sua colega com uma atuação encantadoramente madura. Alicerçada no dourado refinado da luz de Aurélio de Simoni, “Relâmpago Cifrado” se configura como obra meritória em seu caráter decifrador das almas tempestuosas e não codificáveis do ente humano. 

Obs: Crítica escrita em dezembro de 2019.

Isio Ghelman, Vannessa Gerbelli e Eriberto Leão são os protagonistas da peça “Fim de Caso”/Foto: Ale Catan

Clássico da literatura inglesa escrito por Graham Greene é levado aos palcos brasileiros após idealização de Thereza Falcão, Guilherme Piva e Felipe Lima, provando que o teatro brasileiro abraça com a mesma qualidade os mais diversos gêneros teatrais

O teatro brasileiro possui uma intrínseca vocação democrática para abraçar com a mesma qualidade os mais diversos gêneros narrativos, independente de seu tempo, origem ou tema. Há espaço para comédias românticas ou rasgadas, teatro político e grandes clássicos da literatura moderna, como “Fim de Caso”, incensado romance escrito pelo inglês Graham Greene em 1951, levado às telas com êxito em 1999, estrelado por Julianne Moore e Ralph Fiennes. Thereza Falcão, Guilherme Piva e Felipe Lima tiveram a feliz ideia de encenar este texto elegante, denso, complexo, pleno em nuances, que aborda com genuína inteligência e notável sensibilidade a extensa lista de variações que permeiam as relações norteadas pelo amor.

Tendo como pano de fundo os horrores da Segunda Guerra Mundial, “Fim de Caso” se debruça num turbulento triângulo amoroso, com suas idas e vindas temporais, sem que sejam preteridos temas como fé, descrença, ciúme e promessas

Adaptada admiravelmente por Thereza Falcão, “Fim de Caso” se concentra em um peculiar triângulo amoroso envolvendo um acomodado casal, o funcionário público Henry, Isio Ghelman, e sua ambígua esposa Sarah, Vannessa Gerbelli, e o amante desta, o atormentado escritor Brendix, Eriberto Leão, tendo como pano de fundo o ódio imperioso da Segunda Guerra Mundial. Entre idas e vindas temporais, passeando por elementos caros como religiosidade, fé, descrença, ciúme, promessas, a peça, dirigida com apuro visual e olhar preciso por Guilherme Piva, entrega ao público um painel infinitamente bem desenhado da rica paleta emocional de seus personagens.

Cercados por uma equipe técnica respeitável, Eriberto Leão, Vannessa Gerbelli e Isio Ghelman acertam precisamente o tom de seus personagens nesta montagem que nos oferta a chance de decodificarmos as vias de expressão do amor sem o cajado do julgamento moral

A montagem vangloria-se de ter em sua construção nomes de realce como André Cortez (cenário), Maneco Quinderé (luz), Fabio Namatame (figurinos), Marcia Rubin (movimento), Rico e Renato Vilarouca (projeções), e Maison Wilkins (trilha original). Eriberto Leão mira e acerta com altivez cênica no alvo das obsessões e aflições de Brendix. Vannessa Gerbelli, linda como uma “pin-up” de seu tempo, esmiúça com perspicácia as frequências múltiplas do comportamento de Sarah. E Isio Ghelman enquadra com racionalidade o seu Henry na correta moldura da resignação e autoestima frágil. “Fim de Caso” nos oferta a chance de decodificarmos com mais propriedade as labirínticas vias de expressão do amor, sem o cajado do julgamento moral. Nossa história com esta peça não tem fim ou começo. Só temos que escolher o momento certo para vivê-la.

Obs: Crítica escrita em novembro de 2019.

Marco Nanini é o protagonista de “Greta”, filme no qual defende um dos personagens mais desafiadores de sua carreira/Foto: Divulgação

O público admirador de Marco Nanini acostumado com alguns personagens bonachões de sua carreira irá se surpreender com a performance do ator no primeiro e premiado filme de Armando Praça

Para aqueles que estão familiarizados com o bonachão Eusébio da novela “A Dona do Pedaço”, escrita por Walcyr Carrasco e exibida em 2019 na Rede Globo em seu horário nobre, ou têm em mente a figura popular do patriarca de classe média Lineu de “A Grande Família”, seriado da mesma emissora que ficou no ar durante 13 anos, devem obrigatoriamente conferir a atuação, sem quaisquer dúvidas, mais visceral de toda a espetacular carreira de Marco Nanini. O ator é o protagonista do primeiro filme do cearense Armando Praça, “Greta” (Brasil, 2019), vencedor dos prêmios de Melhor Filme, Direção e Ator no Cine Ceará 2019, e Melhor Filme no Festival de Cinema Lésbico e Gay de Milão 2019.

No longa inspirado na famosa peça teatral de Fernando Melo “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá” já se falava a respeito de um problema gravíssimo que assola atualmente o sistema público de saúde do país, a falta de leitos hospitalares

Inspirado livremente na famosa peça de Fernando Melo “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá”, o filme roteirizado por Armando é centrado no solitário enfermeiro de um hospital público de Fortaleza, Pedro, Marco Nanini, que em meio ao seu caos estrutural, decide, por falta de leitos, levar para a sua casa Jean, Démick Lopes, acusado de homicídio, objetivando que sua melhor amiga, a transexual Daniela, Denise Weinberg, pudesse ser tratada por uma equipe médica de sua grave doença. Desejoso de saciar suas carências afetivas e sexuais, Pedro, cujo ídolo é a atriz sueca Greta Garbo, inicia uma complexa e imprevisível relação com o homem delinquente que hospedou.

A produção conta com uma direção delicadíssima de Armando Praça, distante do gênero melodramático, e um elenco que oferta aos espectadores atuações memoráveis, representado por Démick Lopes e Denise Weinberg, além do próprio Nanini

A delicadíssima direção de Armando Praça optou por uma narrativa desprovida de trilha sonora, afastando qualquer aproximação com o gênero melodramático, destacando a aridez das situações com o seu drama fluindo naturalmente. Com enfoque nos intérpretes, sua câmera se sai eficiente e legítima na abordagem da nudez e do sexo. Marco Nanini, com angústia intrínseca permanente e gestual estudado com precisão matemática, está implacável cenicamente. Démick Lopes, um excelente artista nascido no Ceará em franca ascensão, trava um duelo memorável com Nanini. E Denise Weinberg, num tocante desempenho, confere à transexual defrontada com a morte próxima uma gigantesca altivez. “Greta” é uma bela obra de Armando Praça, que trata com rara sensibilidade sobre os medos do indivíduo, o medo da solidão, da finitude, e da entrega ao amor, seja ele qual for. Ao contrário de Greta Garbo, nenhum de nós, nem Pedro, nem Jean tampouco Daniela deseja ficar só. 

Assista ao trailer do filme: