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Foto: Paulo Ruch

A atriz Lucy Ramos na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
Lucy nasceu em Recife, Pernambuco, mas ainda criança se mudou para São Paulo.
Adolescente, torna-se modelo.
Frequentou cursos de teatro do Senac, além da Oficina de Atores da Rede Globo.
Sua estreia em novelas foi na própria Globo, em “Começar de Novo”, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin.
Na 12ª temporada de “Malhação”, numa participação especial, interpretou Valéria, irmã do personagem de Rocco Pitanga, Rico.
Em seguida, ganha um papel, a dama de companhia Adelaide, no remake de “Sinhá Moça”, de Benedito Ruy Barbosa, em 2006 (20 anos antes, o mesmo Benedito lançava o folhetim de época protagonizado por Lucélia Santos; nesta versão, Débora Falabella ocupou o posto principal).
A intérprete, no mesmo ano, só que na faixa das 19h, emenda em “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi, produção em que defendeu Guguta.
Foi convidada pela equipe do programa “Domingão do Faustão” a testar os seus limites como patinadora na competição “Dança no Gelo”.
Dois anos depois, em 2008, retorna às tramas de época, e novamente em um remake, “Ciranda de Pedra”, de Alcides Nogueira, no qual encarnou a vilã Luciana (a história, baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles, foi exibida pela primeira vez em 1981, tendo sido adaptada por Teixeira Filho).
Lucy participa de outro remake, “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa, como Cleusinha (a sua primeira versão, também escrita pelo autor, foi ao ar em 1982).
Em 2011, a artista esteve no elenco do sucesso das seis horas “Cordel Encantado”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, como uma de suas protagonistas, Maria Cesária.
Esteve no episódio “A Sambista da BR 116”, da série “As Brasileiras”, como Dagmar (esta atração foi inspirada em outra série exibida pelo canal, “As Cariocas”, que teve como fonte o livro homônimo de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta).
Foi vista em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, em 2012, como Sheila, a melhor amiga de Morena, Nanda Costa.
Em “I Love Paraisópolis”, de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, representou a psicóloga Patrícia.
No ano posterior, em 2016, integra uma trama ambientada no momento histórico das confabulações da Inconfidência Mineira, a novela das 23h de Mário Teixeira “Liberdade, Liberdade” (a intérprete deu vida a Malena, uma escrava maldosa que entrava em conflito direto com Branca Farto, Nathalia Dill).
Em “A Força do Querer”, uma novela de enorme repercussão de Gloria Perez veiculada na faixa nobre, Lucy, atuando como a advogada Leila, disputou por um período com Bibi, Juliana Paes, o amor do também advogado Caio, Rodrigo Lombardi.
Pela primeira vez experimenta a dramaturgia de uma emissora fechada, o GNT, na série escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, “Edifício Paraíso”, que contava a história de cinco casais que viviam no mesmo prédio, cujos desentendimentos acabavam sendo compartilhados pelos outros moradores (seu par, neste seriado, foi representado por Ícaro Silva).
Em seu próximo folhetim, que foi ao ar no ano passado, terminando no início deste, “O Tempo Não Para”, uma trama bastante original pensada por Mário Teixeira, defendeu a rigorosa advogada Vanda, mais conhecida, devido a esta característica, como Vandeca Pitbull.
No cinema, esteve em uma produção internacional, um filme do gênero terror, “Turistas”, de John Stockwell, e os nacionais “Um Dia de Ontem”, de Thiago Luciano e Beto Schultz, no qual contracenou com Caco Ciocler, e “Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer”, do mesmo Thiago Luciano, voltando a trabalhar com Caco Ciocler (também pudemos lhe assistir no curta-metragem “Inocente”).
Em novembro de 2018, estreou no longa de ação e suspense de Gustavo Bonafé, “O Doutrinador” (o filme, com Kiko Pissolato, foi transformado em seriado com o nome “O Doutrinador – A Série”, podendo ser acompanhado no momento pelos telespectadores no Canal Space).
Além disso, atualmente, a atriz Lucy Ramos representa uma personagem de destaque, a professora de inglês e futura digital influencer Sílvia, na novela das 21h da Rede Globo “A Dona do Pedaço”, de Walcyr Carrasco, com direção artística de Amora Mautner (Sílvia, entre idas e vindas, num contexto de humor, disputou com a agente de influenciadores digitais Kim, Monica Iozzi, a companhia do indeciso e volúvel Márcio, Anderson Di Rizzi, no entanto, após ter sido “usada” por Chiclete, Sérgio Guizé, para despertar ciúme em Vivi, Paolla Oliveira, assim como o treinador de boxe Abdias, Felipe Titto, também o fora pela digital influencer, ambos, com a mesma sensação de engano, carência e desmerecimento, decidiram “engatar” um romance; dramaticamente, a professora de inglês foi agredida com um tapa no rosto por um aluno, Merlin, Cadu Libonati, em uma escola de classe alta de São Paulo, e nada pôde fazer para não perder o seu emprego; e testemunhou a negligência pessoal de sua irmã Gilda, Heloísa Jorge, quanto à sua saúde, levando-a à derrota fatal, em nome de um casamento sustentado apenas por comiseração e gratidão por parte de seu marido, o advogado Amadeu, Marcos Palmeira).

Agradecimento: TNG

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Foto: Victor Jucá/Divulgação

Consagrado no Festival de Cannes deste ano “Bacurau” se vale de diversos gêneros cinematográficos, como o western e a ficção científica, para nos contar uma história perturbadora, sem deixar de lado seu tom denunciativo nos campos social e político 

O ano de 2019, a despeito de sucessivas tentativas de desmonte cultural, tem sido gratificante para o Brasil, considerando-se o reconhecimento internacional de dois longas-metragens, “Bacurau” (Brasil, França), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ao saírem vencedores, respectivamente, com o Prêmio do Júri, e com a láurea máxima da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Bacurau” (também consagrado em Munique – Melhor Filme do Festival de Munique, e Lima – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Direção do Festival de Lima 2019), que resgata a parceria de Kleber com Sonia Braga (“Aquarius”, 2016), traz ao público uma narrativa tão peculiar quanto perturbadora, açambarcando gêneros diversos, como o western, a ficção científica e o suspense, não se intimidando em ostentar uma violência crua e sanguinária, tampouco em denunciar política e socialmente mazelas enraizadas em nosso país.

O filme, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é centrado em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, que vê a sua normalidade cotidiana, em meio à miséria e à tecnologia, interrompida com a chegada misteriosa de um grupo heterogêneo de pessoas que traz consigo uma série de acontecimentos inexplicáveis 

A trama se passa num futuro próximo em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, um local distópico onde a miséria e a desolação se misturam à tecnologia, havendo um espírito de coletividade entre os seus habitantes. A comunidade entra em estado de alerta a partir do momento em que Bacurau não está mais no mapa, e fatos estranhos decorrem em sequência. “Invasores” estrangeiros, liderados por um lunático racista, Michael (Udo Kier, inexorável), ameaçam, sem razão aparente, a existência do povoado, motivando a reação geral.

Trazendo de volta aos cinemas uma de suas maiores estrelas, Sonia Braga, “Bacurau”, antes de tudo, reafirma a importância do cinema brasileiro, servindo de instrumento de resistência às tentativas históricas de silenciá-lo

Sonia Braga, como a médica Domingas, arrebata-nos com o amálgama de brutalidade e ternura de sua personagem. Outros nomes se destacam no elenco brilhante que prima pela diversidade, como Bárbara Colen, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia e Thomás Aquino. “Bacurau”, com sua estética própria e corajosa, reafirma o alto valor de seus diretores, que ressignificaram o importante cinema brasileiro, respeitando toda a sua história de glórias, lutas e resistência.

Assista ao trailer do filme:

 

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Foto: Paulo Ruch

A atriz Natallia Rodrigues na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, durante a sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
Natallia é paulistana.
Com apenas 10 anos iniciou a sua carreira de modelo, sendo que somente aos 15 decidiu entrar para um curso de teatro.
Em busca de melhores oportunidades na profissão, resolve se mudar para o Rio de Janeiro, onde consegue o seu primeiro papel na TV, a Patty de “Desejos de Mulher”, novela das 19h escrita por Euclydes Marinho para a Rede Globo em 2002.
Aposta jovem da emissora, é escalada para viver uma vilã, Carla, entre os anos 2003 e 2004, na 10ª temporada de “Malhação”.
Após um episódio no programa “Linha Direta” (“O Crime do Sacopã”), a intérprete ruma para outro canal, a RecordTV, no qual participa de um folhetim de época adaptado por Marcílio Moraes e Rosane Lima de três romances de José de Alencar (“Senhora”, Lucíola” e “Diva”), “Essas Mulheres” (sua personagem se chamava Nicota Seixas).
Mantém-se na RecordTV, integrando o elenco de uma trama juvenil criada por Margareth Boury, “Alta Estação”.
Sua telenovela seguinte foi “Luz do Sol”, de Ana Maria Moretzsohn, em que defendeu a Promotora de Justiça Laura.
Sua última aparição na Record se deu em uma produção de Cristianne Fridman, “Chamas da Vida” (na história, personificou Suelen, uma moça do subúrbio do Rio de Janeiro seduzida pela fama).
Em seu retorno à Rede Globo, tem passagens por duas novelas: “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e a livre adaptação da obra de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”, “Gabriela”, assinada por Walcyr Carrasco (a atriz interpretou Natasha, uma prostituta de origem russa).
No ano seguinte, em 2013, volta a trabalhar com Walcyr, desta vez em “Amor à Vida”, em que encarnou uma enfermeira, Elenice.
Após todos esses trabalhos, Natallia experimenta o canal fechado, no caso o Multishow, sendo convidada para participar da série baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, “A Segunda Chamada”, como a cafetina Fabi (na sinopse, desvenda-se o mundo da prostituição de luxo em São Paulo).
Em 2015, ocorre a sua terceira colaboração com o autor Walcyr Carrasco, ao entrar para a trama de sua nova novela, exibida às 23h pela Rede Globo, a polêmica “Verdades Secretas”, como Estela.
Depois de fazer uma participação em um episódio da sitcom “Eu, Ela e Um Milhão de Seguidores”, no Multishow, a artista representa Michelle, na série da HBO criada por Bruna Lombardi, “A Vida Secreta dos Casais”.
Já nos cinemas, além de suas atuações em curtas-metragens, esteve em “Estamos Juntos”, de Toni Venturi; “Os Homens São de Marte… e É pra Lá que Eu Vou”, de Marcus Baldini; “Elis”, de Hugo Prata; “O Doutrinador”, de Gustavo Bonafé; e “Skull – A Máscara de Anhangá”, de Kapel Furman.
A atriz também poderá ser vista em “Virando a Mesa”, de Caio Cobra, com previsão de estreia para o final deste ano.
Nos palcos, Natallia encenou mais de uma dezena de espetáculos, como “Mancha Roxa”, “Abajur Lilás”, “Beijo no Asfalto”, “Paris Belfort”, “Vamos?”, “Divórcio!”, “Caros Ouvintes”, “Sobre Ratos e Homens”, “Jogo Aberto” e “O Inevitável Tempo das Coisas”.
Em sua mais recente peça, Natallia Rodrigues dividiu a cena com Edwin Luisi e Anderson Müller, num texto de Renato Modesto com direção de Alexandre Reinecke, “O Martelo”.

Agradecimento: TNG

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Foto: Gustavo Paso

A Cia Teatro Epigenia se lança em um projeto ousado calcado na rica dramaturgia de Arthur Miller, a TRILOGIA MILLER, iniciado com a montagem, em março deste ano, de uma de suas mais relevantes peças, “O Preço”

A Cia Teatro Epigenia esteve em cartaz em março deste ano, na Arena do Espaço Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, com um dos maiores clássicos do dramaturgo americano Arthur Miller, “O Preço” (1968), traduzido com virtuosismo por Gustavo Paso e Thiago Russo. O ótimo e inteligente espetáculo , dotado de narrativa estruturada em uma crescente tensão que, alimentada por jogos de diálogos sagazes e surpreendentes, sem dispensar uma ironia calcada na fineza, inicia uma alvissareira revisão das obras de Miller, dentro do projeto TRILOGIA MILLER.

A venda de um mobiliário antigo, após a morte do pai, é a chave para a eclosão de conflitos sequenciais de dois irmãos, que inevitavelmente resultarão em um acerto de contas há muito tempo adiado

O enredo é construído em cima da iniciativa do racional e prático policial, embora sensível, Vitor (Romulo Estrela), casado com a frívola e infeliz Ester (Luciana Fávero), de vender o mobiliário antigo da casa de seus pais outrora ricos já falecidos a um ladino e sarcástico comerciante em apuros financeiros, Salomão (Gláucio Gomes). Tudo transcorreria de modo aceitável se não houvesse a existência de um irmão, o soberbo, frio e egoico médico Valter (Erom Cordeiro), que insurge com propostas e revelações que descortinarão o passado obscurecido do clã.

A evidente sintonia do elenco, encabeçado por Romulo Estrela e Erom Cordeiro, associada a uma direção crítica e humanizada de Gustavo Paso, colabora para que nos entreguemos à alma dramatúrgica de Miller

Romulo Estrela, um cativante intérprete com potencialidades dramáticas enriquecidas por naturalismo desconcertante, compõe um pungente Vitor. Erom Cordeiro, ator de elevados valores, com subtextos na postura e tons de voz, delicia-nos com seu Valter. Gláucio Gomes é um craque, conferindo ao fanfarrão Salomão uma alma sedutora, apesar de sua imoralidade. Luciana Fávero assimila com agudeza as oscilações da esposa frustrada. O diretor Gustavo Paso desenha com visão crítica e olhar humanizado os dramas e conflitos da família em processo de autodestruição permanente, logrando potentes resultados.

Arthur Miller, um autor que obrigatoriamente deve ser montado dentre tantas razões, sendo uma delas o seu profundo conhecimento sobre a essência humana

“O Preço” reafirma a relevância de se encenar Arthur Miller em qualquer lugar do mundo, pois suas universalidade e pesquisa extensa da essência humana se revelam caros para a sociedade contemporânea, sendo melhor com os toques abrasileirados da montagem carioca.

 

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Foto: Paulo Ruch

O jornalista e apresentador Fernando Rocha ao lado de sua esposa, a também jornalista Júlia Bandeira na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week.
Fernando é mineiro de Belo Horizonte.
Antes de se dedicar integralmente ao jornalismo, trabalhou como cientista na área de dados por 10 anos.
Sua primeira experiência na televisão (ainda quando trabalhava como cientista de dados) foi como apresentador de um talk show na TV Minas.
Decidiu cursar Jornalismo, conseguindo, após formado, empregar-se nas Redes Bandeirantes e Globo, em São Paulo.
Atuou tanto como repórter quanto como editor de esportes.
Sua grande oportunidade na TV surgiu em 2011 quando foi convidado para apresentar, ao lado de Mariana Ferrão, o programa matinal da Rede Globo “Bem Estar” (um dos objetivos da atração era informar o público de forma leve, geralmente com a presença de especialistas do setor médico, sobre questões de saúde e maneiras práticas e preventivas de se levar uma vida saudável).
Fernando permaneceu como apresentador do “Bem Estar” até fevereiro de 2019.
Em março deste mesmo ano, a jornalista Mariana Ferrão também se desligou do programa, sendo substituída por Michelle Loreto.
No início de abril, o “Bem Estar” foi extinto, transformando-se em um quadro esporádico de outra atração matinal, o “Encontro com Fátima Bernardes”.
Fernando, em 2015, enquanto era apresentador do citado programa, participou do quadro do “Domingão do Faustão”, na mesma emissora, “Dança dos Famosos”.
Recentemente, Fernando Rocha anunciou, por meio de sua conta oficial no Instagram, que em breve apresentará ao público seu mais novo programa (na foto publicada, o jornalista aparece na bancada de uma cozinha nos bastidores da gravação de seu projeto).
A jornalista Júlia Bandeira atuou na Rede Globo como repórter do programa comandado por Caco Barcellos “Profissão Repórter”, e no “Como Será?”, programa exibido aos sábados, no qual apresentou a série “Missão Patagônia”.

Agradecimento: TNG

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Foto: Divulgação

Regina King, como a mãe da protagonista Tish, interpretada por Kiki Laine, consagra-se no Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante, além de ter levado outros importantes prêmios

Em 2017, o cineasta Barry Jenkins sensibilizou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas com o seu drama humanista “Moonlight – Sob a Luz do Luar” (“Moonlight”, 2016), abocanhando o Oscar de Melhor Filme, desbancando fortes favoritos como “La La Land”. Neste ano, Barry novamente compareceu à cerimônia, levando consigo um drama romântico policial, não menos humanista, “Se A Rua Beale Falasse” (“If Beale Street Could Talk”, 2018), concorrendo em três importantes categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King), Melhor Trilha Sonora (Nicholas Brittel) e Melhor Roteiro Adaptado (Barry Jenkins). A despeito da trilha de Nicholas ser brilhante (ela perpassa quase todo o filme, com músicas incidentais bem orquestradas, com direito a canções jazzísticas e blueseiras) e do roteiro impecável de Jenkins, baseado na aclamada obra de James Baldwin (1974), a grande agraciada da noite foi Regina King, como Mrs. Rivers, a mãe da protagonista Tish (Kiki Laine). Entretanto, “Se a Rua…” recebeu os prêmios máximos no Independent Spirit Awards (Melhor Filme, Direção, além de Melhor Atriz Coadjuvante). Regina, numa atuação marcante e interiorizada, ganhou outras láureas, como o Globo de Ouro.

O filme narra a história de um casal de jovens que vê os seus sonhos serem abruptamente interrompidos após uma injusta acusação motivada por racismo

A trama é centrada na história de dois jovens apaixonados do Harlem, NY, Fonny, (Stephan James, um ótimo ator para se ficar de olho) e Tish (a graciosa Kiki Laine), que veem seus projetos serem destruídos por uma conspiração policial racista que leva Fonny para a cadeia acusado de estuprar uma portorriquenha. O diretor manuseia a sua câmera delicadamente, valorizando os rostos dos intérpretes, evitando sempre que possível os cortes na edição dos diálogos. “Se a Rua Beale Falasse” é um filme sobre a iniquidade do racismo em contraste com a inexorabilidade do amor, numa guerra desigual e injusta, onde o conceito de vencedor se perde.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Paulo Ruch

Em março deste ano, Angela Ro Ro arrebatou o público que lotou o Teatro da UFF em uma vigorosa e emocionante apresentação, esbanjando carisma e humor em seus 40 anos de carreira

Na noite de 16 de março deste ano tive a alegria de assistir, pela primeira vez, no Teatro da UFF, em Icaraí, Niterói, Rio de Janeiro, ao show de uma de nossas melhores intérpretes, Angela Ro Ro, em seu espetáculo “Angela Ro Ro: 40 anos de amor à música”. Em sua vigorosa, intimista, eclética e emocionante apresentação, a cantora de muitos sucessos foi acompanhada do excelente tecladista Ricardo Mc Cord, seu parceiro profissional por cerca de três décadas. Entre uma canção e outra, a artista de inebriantes olhos verdes, possuidora de um carisma inigualável e uma rara espontaneidade, desfia o seu humor irresistível e honesto, dominando os ânimos acolhedores da plateia lotada. Amparada por uma bonita e colorida iluminação, com direito a LEDs e a uma paleta que passa pelo vermelho, pelo azul e amarelo, num palco cru, Angela arrebata com sua voz linda e levemente rouca, afinadíssima, com uma extensão para privilegiados.

Compositora de altíssima qualidade, a intérprete de clássicos como “Amor, Meu Grande Amor”, cantou lindamente um repertório que mesclou obras-primas de Tom Jobim, Edith Piaf e Cazuza e Frejat

Com uma segurança abissal, saboreando com prazer cada sílaba, cada palavra das canções, a visceral compositora esbanja o seu talento, potência vocal e facilidade invejável com outros idiomas, num rico e sofisticado repertório que transita pela bossa nova, pelo blues, pelo jazz, pela canção “de fossa”, pelo rock, e pela “chanson française”. Dona de si e do palco, Ro Ro homenageia Tom Jobim (“Eu Sei Que Vou Te Amar”), Edith Piaf (“Ne Me Quitte Pas”), Cole Porter (“Night and Day”), Caetano Veloso (“Escândalo” – composta para ela) e Cazuza e Frejat (“Malandragem” – oferecida a ela por Cazuza), dentre outras. Não faltaram ótimas criações próprias, como “O Que Me Resta” (álbum “Selvagem”), “Querem Nos Matar”, “Simples Carinho” e “Amor, Meu Grande Amor”. Um show histórico de uma grande artista de nossa história.