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Foto: Paulo Ruch

Em março deste ano, Angela Ro Ro arrebatou o público que lotou o Teatro da UFF em uma vigorosa e emocionante apresentação, esbanjando carisma e humor em seus 40 anos de carreira

Na noite de 16 de março deste ano tive a alegria de assistir, pela primeira vez, no Teatro da UFF, em Icaraí, Niterói, Rio de Janeiro, ao show de uma de nossas melhores intérpretes, Angela Ro Ro, em seu espetáculo “Angela Ro Ro: 40 anos de amor à música”. Em sua vigorosa, intimista, eclética e emocionante apresentação, a cantora de muitos sucessos foi acompanhada do excelente tecladista Ricardo Mc Cord, seu parceiro profissional por cerca de três décadas. Entre uma canção e outra, a artista de inebriantes olhos verdes, possuidora de um carisma inigualável e uma rara espontaneidade, desfia o seu humor irresistível e honesto, dominando os ânimos acolhedores da plateia lotada. Amparada por uma bonita e colorida iluminação, com direito a LEDs e a uma paleta que passa pelo vermelho, pelo azul e amarelo, num palco cru, Angela arrebata com sua voz linda e levemente rouca, afinadíssima, com uma extensão para privilegiados.

Compositora de altíssima qualidade, a intérprete de clássicos como “Amor, Meu Grande Amor”, cantou lindamente um repertório que mesclou obras-primas de Tom Jobim, Edith Piaf e Cazuza e Frejat

Com uma segurança abissal, saboreando com prazer cada sílaba, cada palavra das canções, a visceral compositora esbanja o seu talento, potência vocal e facilidade invejável com outros idiomas, num rico e sofisticado repertório que transita pela bossa nova, pelo blues, pelo jazz, pela canção “de fossa”, pelo rock, e pela “chanson française”. Dona de si e do palco, Ro Ro homenageia Tom Jobim (“Eu Sei Que Vou Te Amar”), Edith Piaf (“Ne Me Quitte Pas”), Cole Porter (“Night and Day”), Caetano Veloso (“Escândalo” – composta para ela) e Cazuza e Frejat (“Malandragem” – oferecida a ela por Cazuza), dentre outras. Não faltaram ótimas criações próprias, como “O Que Me Resta” (álbum “Selvagem”), “Querem Nos Matar”, “Simples Carinho” e “Amor, Meu Grande Amor”. Um show histórico de uma grande artista de nossa história.

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Foto: Rede Globo

Depois do sucesso de “O Outro Lado do Paraíso”, Walcyr Carrasco volta mais cedo ao horário nobre com uma história irresistivelmente popular, contada por um excelente elenco que junta veteranos a jovens talentos 

Com uma abertura caprichada de Alexandre Romano, ao som do empolgante clássico do pagode “Tá Escrito”, do grupo Revelação, lançado em 2009 (na voz de Xande de Pilares), entrando no meio de sua quarta semana, “A Dona do Pedaço”, escrita por Walcyr Carrasco, que foi solicitado de forma não programada para criar um folhetim, devido às realocações das tramas das 21h da Rede Globo, já conquistou o público deste horário não só pelo apelo e força popular de sua história, com núcleos tão distintos quanto adoráveis, recheada de subtramas deliciosas, mas pelo seu espetacular elenco que junta veteranos e jovens talentos.

As duas primeiras fases do folhetim se mostraram inovadoras ao retratar a rivalidade sangrenta de duas famílias justiceiras, em que não se poupou uma estética nitidamente influenciada pelo cinema de Quentin Tarantino 

Em suas primeira e segunda ótimas fases, inovadoras, tivemos uma guerra sangrenta ” à la ‘Romeu e Julieta’ “, envolvendo as famílias Matheus e Ramirez. Com dinâmica estética de Tarantino, e direção artística de Amora Mautner, vimos o nascimento do amor de Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira), um novo e bem-vindo casal na teledramaturgia. Quem poderia imaginar famílias de justiceiros tendo de um lado Nívea Maria e de outro Jussara Freire? Quem sequer suporia que Dulce, a personagem de Fernanda Montenegro, em cena já antológica, matasse a sangue frio três rivais do outro clã? Um pacto traído com um tiro acabaria em pleno altar com o casamento de Maria e Amadeu.

Na terceira fase passada em São Paulo, Maria da Paz surge como uma rica empresária do ramo de bolos, revelando o quanto Juliana Paes é uma estrela cativante, assumindo o tom cômico de uma mulher do povo que ascendeu socialmente, sem perder a sua essência

Na terceira fase, em São Paulo, temos uma Maria da Paz diferente, rica confeiteira, mãe da ambiciosa Josiane (Agatha Moreira, precisa), que sonha em ser uma digital influencer de sucesso. Juliana Paes, divertida e cativante, traz-nos uma reinvenção maravilhosa da Maria do Carmo de “Rainha da Sucata”, com a sua própria marca de gloriosa estrela (Maria do Carmo foi interpretada pela atriz Regina Duarte na novela de Silvio de Abreu em 1990, exibida também na faixa nobre da Rede Globo).

Família de desvalidos liderada por Marco Nanini, rivalidade entre as irmãs vividas por Paolla Oliveira e Nathalia Dill, Reynaldo Gianecchini como um sedutor cafajeste, Monica Iozzi como uma espertalhona assessora de digital influencer, e Malvino Salvador como um empresário que se apaixona por Rock, o lutador interpretado por Caio Castro, são grandes ganchos da novela  

O que dizer de uma família hilária de desvalidos que reúne Marco Nanini, Betty Faria, Tonico Pereira e Rosi Campos, além de Caio Castro, formidável como o bronco aspirante a lutador Rock? Nela, há talentos promissores, como Glamour Garcia (a transexual Britney), impagável, e Bruno Bevan, seguro. Há o que se esperar da rivalidade que surgirá entre as irmãs boa e má, Vivi e Fabiana, separadas na infância por uma tragédia, defendidas respectivamente por Paolla Oliveira e Nathalia Dill, ambas inspiradas. Suely Franco, como a simples e sonhadora Marlene, Nathalia Timberg, como a pernóstica Gladys, e Ary Fontoura, como o bem-intencionado advogado Antero, estão dando um show. Reynaldo Gianecchini faz como ninguém o galã/cafajeste/bon vivant Regis. Monica Iozzi está perfeita com sua ironia sofisticada ao viver Kim, a esperta assessora de Vivi Guedes (suas cenas com Márcio, braço direito de Maria da Paz, personificado pelo ótimo Anderson Di Rizzi, prometem). Heloisa Jorge, como Gilda, tem a sua grande chance de mostrar a ótima atriz dramática que é, na fase da doença de sua personagem. Malvino Salvador, como o empresário Abno, frio em seu casamento com Lyris (Deborah Evelyn, sempre charmosa) poderá ter um dos melhores papéis de sua carreira, ao se envolver afetivamente com Rock (uma ousadia gigantesca do autor em reunir como um casal homoafetivo dois dos maiores galãs da emissora).

Walcyr Carrasco, apostando nos ingredientes infalíveis que fazem uma novela fazer sucesso, recoloca o gênero em seu devido lugar de destaque com “A Dona do Pedaço”

“A Dona do Pedaço” cumpre a nobre missão de recolocar as telenovelas em seu merecido lugar de destaque, não apostando em fórmulas milagrosas, mas em ingredientes infalíveis de um bom folhetim, com uma excelente história em que não faltam amores impossíveis, traições, humor e polêmicas, além de um elenco fabuloso e de uma direção competentíssima.

 

 

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Foto: Paulo Ruch

A cantora, compositora e empresária Caroline Celico na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week.
Paulistana, filha do empresário Celso Celico e de Rosângela Lyra, ex-presidente da Dior no Brasil, foi casada com o ex-jogador de futebol Kaká.
Caroline estudou na infância e adolescência no Colégio Américo e no Saint’s Paul School (Escola Britânica de São Paulo).
Decidiu aperfeiçoar o seu inglês em Londres, e o seu francês em Paris, onde também se dedicou à culinária, uma de suas predileções, frequentando as aulas de instituições prestigiadas da área, como o Le Cordon Bleu e o Ritz.
Conheceu o jogador Kaká (importante atleta que passou pelos times São Paulo e Milan, além de ser titular da Seleção Brasileira) em 2002, vindo a se casar em dezembro de 2005 (a vida do casal sempre foi incessantemente acompanhada pela imprensa).
Em nove anos de casamento, Caroline e Kaká tiveram dois filhos.
Seu interesse pela música começou quando cantava no grupo “Renascer Praise”, pertencente à Igreja Renascer em Cristo (exerceu esta atividade no período de 2003 a 2009).
Em 2010, lançou os CD e DVD “Carol Celico”, os quais continham várias faixas compostas por ela, tendo contado com as participações especiais de Claudia Leitte, Kaká e cantores gospel (antes a cantora já havia lançado três CDs com seus respectivos DVDs).
Preside a Fundação Amor Horizontal (criada pela própria Caroline), que tem por objetivo estimular a prática da doação, oferecendo ajuda a diversas instituições de caridade, escolas e creches públicas.
No ano passado, Caroline Celico firmou uma parceria com Chris Ayrosa na empresa de assessoria e design de eventos de luxo no Brasil Party Design (com esta sociedade, voltou à função de assessora de eventos e design exercida em Milão, na Itália, em 2007).

Agradecimento: TNG

 

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Foto: Paulo Ruch

A apresentadora e repórter Fernanda Keulla na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, no Parque Cândido Portinari.
Fernanda nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A advogada entrou para a 13ª edição do reality exibido pela Rede Globo “Big Brother Brasil”, e se sagrou a grande vencedora.
Fernanda foi contratada pela emissora para ser repórter do hoje extinto programa de variedades “Vídeo Show”, tornando-se, tempos depois, uma de suas apresentadoras.
Na edição deste ano do “BBB”, Fernanda Keulla atuou como apresentadora e mediadora das mesas-redondas com os eliminados da atração, que iam ao ar na internet pelo Gshow.

Agradecimento: TNG

 

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Foto: Divulgação do filme

Nadine Labaki aborda com pungência questões atuais e urgentes do mundo contemporâneo, tendo merecido levar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que, ao final, foi entregue a “Roma”

Sem dúvida, um dos filmes mais impactantes e pungentes já lançados nos últimos anos foi “Cafarnaum” (“Capharnaün”, “Capernaum”, Líbano, França e Estados Unidos, 2018), da diretora, atriz e roteirista libanesa Nadine Labaki (“Rio, Eu Te Amo”).  Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, ganhou mais 21 prêmios internacionais. Uma das cinco indicações ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, a obra de Labaki merecia ganhar, mas o franco favoritismo e a enorme campanha de publicidade em torno de “Roma”, de Alfonso Cuarón, sobrepuseram-se a importância deste longa-metragem, que aborda questões cruciais da atualidade, como o drama dos refugiados no mundo, o tráfico internacional de crianças, a exploração do trabalho infantil, os maus-tratos a menores, a miserabilidade pandêmica etc.

Uma história comovente, cujo roteiro também foi escrito por Labaki, em que o ator Zain Al Rafeea se destaca como o garoto condenado a cinco anos de cadeia pelo assassinato de seu cunhado, vindo, posteriormente, a processar os seus pais por um motivo nada convencional

A história, cuja uma das roteiristas é a própria Nadine Labaki, gira em torno do menino libanês Zain (o excepcional e cativante Zain Al Rafeea), de apenas 12 anos, condenado a 5 anos de cadeia por ter ferido a faca o assassino de sua irmã, com quem ela fora obrigada a se casar. Utilizando-se de flashbacks, a excelente diretora, que também atua no filme, mostra todo o périplo assustadoramente sofrido do garoto, como a convivência com os pais violentos, sua parceria com uma refugiada etíope, Rahil (Yordanos Shifera, intensa) e seu filho bebê Younas (Boluwatife Treasure Bankole), até o presente, em que Zain processa os seus pais por ter nascido, exigindo que não tenham mais filhos.

“Cafarnaum” é uma obra-prima da safra cinematográfica atual 

Com fotografia exuberante (por vezes crua) de Christopher Aoun, trilha sonora sensível de Khaled Mouzanar, montagem picotada de Konstantin Bok, e direção com pegada pessoal, com câmera na mão, de Labaki, “Cafarnaum” é um filme urgente, necessário, obrigatório, desconfortável e emocionante, podendo ser considerado uma obra-prima da safra cinematográfica atual.

Assista ao trailer:

Guerra Fria
Foto: Divulgação do filme

Indicado em 2015 ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, Pawel Pawlikowski repete a façanha em 2019, indo, no entanto, mais além, sendo reconhecido também nas indicações como Melhor Diretor e Fotografia

O cineasta polonês Pawel Pawlikowski já havia sido indicado e ganhado em 2015 o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira por “Ida”. Em 2019, o diretor, com sua nova obra, “Guerra Fria” (“Zima Wojna”, “Cold War”, Polônia, França e Rússia, 2018), foi muito mais além, sendo indicado em três importantes categorias: Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. A despeito de não ser agraciado em nenhuma delas, o longa carrega em sua lista imponentes prêmios: Melhor Diretor no Festival de Cannes 2018, Melhor Filme, Diretor, Atriz (Joanna Kulig), Roteiro e Montagem no European Film Awards.

Os desencontros de um casal com divergências políticas e confrontos emocionais entre uma Polônia gelada e uma Paris festiva atravessam a narrativa do filme de Pawlikowski

A trama, interessante, desenrola-se nos tempos conflituosos geopolíticos que a intitulam, compreendendo os anos de 1949 e 1964. A história se inicia na Polônia stalinista (o endeusamento a ditadores como Josef Stalin e o patriotismo exacerbado da época podem ser ainda identificados nos dias de hoje com outros déspotas em diferentes nações) com o encontro de um sedutor regente e músico Wiktor (Tomasz Kot, sóbrio) e uma bela e imprevisível cantora, Zula (a inebriante Joanna Kulig) numa instituição de música e dança. Os estremecimentos do casal se dão por omissões da verdade, instabilidades emocionais e convicções políticas dissonantes (Wiktor não se afina com as diretrizes do sistema socialista). Vindo de uma gelada e triste Polônia, o par se reencontra em uma festiva e dançante Paris.

Direção de fotografia devastadora, realçada pelo magnetismo da atriz Joanna Kulig 

O filme em vários instantes nos reporta à atmosfera da Nouvelle Vague. De fato, a fotografia de Lucasz Zal, em p&b, impressiona pelo apuro visual, sendo devastadoramente sofisticada. A direção de Pawel Pawlikowski é conduzida com delicadeza e precisão. O elenco, competente, destaca o magnetismo de Joanna Kulig. “Guerra Fria” é um filme para quem gosta de visões autorais de seu criador, sem ritmos narrativos empolgantes.

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Foto: Divulgação do filme

M. Night Shyamalan encerra a sua trilogia iniciada com “Corpo Fechado”, e seguida por “Fragmentado”, com o ótimo “Vidro”, cujo um de seus méritos é o seu engenhoso roteiro

Encerrando a trilogia “Eastrail 177”, iniciada com “Corpo Fechado” (“Unbreakable”, 2000), que dividiu opiniões, e seguida pelo sucesso de público e crítica “Fragmentado” (“Split”, 2016), o cineasta indiano naturalizado americano M. Night Shyamalan (“Sexto Sentido”, Sinais”, “A Vila”) surpreende com o ótimo “Vidro” (“Glass”, 2019). O roteiro incrivelmente engenhoso foi escrito por Shyamalan, sendo uma espécie de spin-off dos dois longas anteriores, misturando com coerência personagens de ambos.

O filme reúne astros dos longas anteriores, como Bruce Willis e Samuel L. Jackson, e James MacAvoy

Também coprodutor, M. Night traz de volta David Dunn (o sempre carismático e convincente Bruce Willis) e o Senhor Vidro (o instigante Samuel L. Jackson), de “Corpo…”, e Kevin Wendell (o arrebatador ator escocês James McAvoy, a jovem Casey Cooke (Anya Taylor-Joy), e a psiquiatra Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson), firme), de “Fragmentado”. Completam o elenco Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Luke Kirby, Adam David Thompson e Serge Didenko.

Assumidamente inspirada nas HQs, “Vidro” é uma obra que equilibra com inteligência diversos gêneros cinematográficos, não sendo necessário para o seu entendimento ter assistido aos dois primeiros longas da trilogia

O filme, empolgante e envolvente, aborda a procura do “Vigilante” David e seu filho Joseph (Spencer Treat Clark) pelo perigosíssimo assassino Kevin e suas 23 outras personalidades (impressiona a versatilidade de McAvoy). Nessa busca, surge a figura intimidadora da psiquiatra e a presença sinistra de Mr. Glass. Assumidamente inspirado nos enredos mirabolantes das HQs, com seus conceitos pétreos de super-heróis e vilões, “Vidro” se consagra como um excelente representante da diversidade de gêneros cinematográficos, equilibrando com inteligência fantasia, suspense, drama e terror psicológico. Ao contrário do que se diz, não é necessário assistir aos dois primeiros longas para se entender “Vidro”, bastando tão somente uma concentração a mais. Um filme com boa e intrincada trama que diverte e assusta, garantindo sem receios a sua ida ao cinema.

Assista ao trailer: