roger-antonio-calloni
Foto: Ramón Vasconcelos/TV Globo

O caso que aterrou o país, sua adaptação literária, e o retorno de Maria Camargo à dramaturgia da Rede Globo

A nova série da Rede Globo, disponível na plataforma de streaming Globoplay, estreou na última sexta-feira, marcando a volta da autora Maria Camargo, após “Dois Irmãos”, em 2017, à dramaturgia da emissora. Com “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, ficou-nos bastante evidente a destreza com que Maria logra adaptar obras literárias para o segmento audiovisual. Desta vez, a escritora, ao lado de Bianca Ramoneda, Fernando Rebello e Pedro de Barros, valeu-se de um dos casos mais assombrosos da história da medicina brasileira, narrado no livro “A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih”, de Vicente Vilardaga, para contar aos espectadores, com os ingredientes de livre inspiração cabíveis, os fatos que culminaram na execração pública e condenação criminal de um dos profissionais da área de reprodução assistida mais respeitados no país. A partir de 2009, a imprensa iniciou um processo de revelação dos crimes seriados cometidos pelo médico paulista por meio da denúncia de dezenas de pacientes que deixaram para trás o medo e a vergonha, e resolveram trazer à baila as violências que sofreram. Roger Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e 4 tentativas de estupro contra 52 mulheres.

A história de um casal que quer apenas ter um filho, cuja mulher vê o seu mundo desmoronar de uma hora para a outra 

No primeiro episódio “Stela”, protagonizado por Adriana Esteves, testemunhamos o angustiante périplo da professora e de seu marido, o piloto Homero (Leonardo Netto), no ano de 1994, ao consultório do simpático, educado e sedutor Dr. Roger Sadala (Antonio Calloni) que, muito habilmente, e se utilizando de frases de cunho religioso, como “Eu só sou um instrumento Dele (Deus)”, convence-os e lhes dá a esperança de ter um filho ou mais, depois de tantas tentativas frustradas, ou seja, promete-lhes o que realmente querem ouvir. Como recurso dramatúrgico, Maria dividiu a narrativa em dois tempos, o antes e o depois de o médico ser denunciado por suas práticas delituosas. Em 2007, vimos Dr. Sadala, ou Dr. Vida (como ficara conhecido por suas proezas médicas), discursando em uma festa comemorativa, a “Festa da Fertilidade”, pelos 30 anos de sucesso da reprodução assistida no mundo. Lá estava a sua família, como a esposa adoentada e melancólica Glória (Mariana Lima), sua mãe que o bajula sempre que possível Olímpia (Juliana Carneiro da Cunha, como atriz convidada), e seus filhos Clarice (Silvia Lourenço), Henrique (Gabriel Muglia), também médico, Tamires (Bianca Müller) e Leila (Sabrina Greve). Assim como conhecemos a jornalista Mira, Elisa Volpatto, dedicada ao desmascaramento do médico já alvo de denúncias, e Pedro Henrique (Pedro Nercessian), responsável ferrenho pela manutenção da boa imagem de Roger. Somos informados sobre as desconfianças de Glória quanto à fidelidade de seu marido (nada que um bonito anel de presente não resolva), enquanto Stela sonha com a sua tão aguardada gravidez. Nos exames em sua paciente, percebemos o quanto o médico é carinhoso e solícito. Um médico que ao se despedir não dispensa um beijo no rosto. As cenas em torno da reprodução dos óvulos de Stela são cercadas de imensa expectativa. Na confortável casa de Roger Sadala são vistos muitos objetos religiosos. A religiosidade exacerbada está clara na personalidade do médico, que não economiza a quantidade de vezes em que emite a palavra “fé”. Num jantar em família dos Sadala, a autoridade do patriarca é nítida, e sua agressividade ao ser contestado, mesmo que seja com um gracejo, também. Retornando à festa comemorativa, notamos as trocas de olhares insinuantes entre Roger e uma de suas pacientes, a linda advogada Carolina (Paolla Oliveira). Mira fica atenta a todos os passos do médico, da mesma forma observado pela secretária Daiane (Jéssica Ellen), a mando de Glória. Uma pessoa não esperada se aproxima da festa. Esta pessoa é Stela, uma mulher desnorteada, que ao se ver diante de seu algoz desfalece. De volta ao ano de 1994, Stela, já no hospital, é sedada para que sejam realizados os procedimentos clínicos da fertilização. No quarto vazio e desolador, completamente inerte, a professora que apenas queria realizar o sonho de ser mãe é vilipendiada pelas mãos grossas do médico a quem entregara a sua confiança. Numa cena dirigida com extremo cuidado e prudência, mas nem por isso menos impactante, Stela é estuprada pelo Dr. Roger Sadala. Não só o seu sonho de ser mãe acabou. Tudo acabou. Segundo ela mesma diz em depoimento gravado, estratégia adotada pela direção logo nos primeiros e últimos minutos do episódio: “Perdi tudo”.

Amora Mautner lidera a direção sofisticada e elegante, apesar da aridez e peso dramático do texto 

A direção artística de Amora Mautner (com direção da própria com Joana Jabace e Guto Botelho, e geral de Joana) se coloca em um patamar de excelência, primor e bom acabamento indiscutível. A câmera explora takes que possam sair do lugar comum, com tomadas vistas de cima e de baixo, focos em objetos, e registros espertos de movimentações de personagens. Houve grande domínio no que se refere às passagens alternadas de tempo, obedecendo a não linearidade imposta pelo texto. A direção, a despeito de um assunto tão espinhoso, conseguiu imprimir elegância e sofisticação às cenas. Uma das sacadas da série que merece a nossa observação acurada são os depoimentos gravados em vídeo das vítimas, que ofertam à produção ares de documentário (Roger Sadala também fala para a câmera, mas em outro contexto).

Num elenco com Antonio Calloni, Adriana Esteves e Mariana Lima, todos se destacam 

O elenco está afiadíssimo, plenamente investido na atmosfera sufocante e tensa desta trama que carrega em si mesma um apelo dramático nato. Antonio Calloni, um ator com reconhecidas qualidades, desponta mais uma vez com este papel difícil para qualquer intérprete. Antonio compõe Roger com fineza, carisma e força, não deixando de lado uma faceta ameaçadora intrínseca ao seu caráter criminoso. Com toda a certeza, este deverá ser um dos melhores trabalhos deste artista tão admirado pelo seu talento e versatilidade. Adriana Esteves, uma atriz lembrada por suas notórias vilãs, sendo também ótima em comédias, mostra-nos com imensurável verdade a fragilidade e a insegurança de uma mulher que não pode ter filhos, a sua incontida vontade de realizar o seu sonho, e depois nos comove com a sua dor irreparável após tanta violência contra a sua dignidade. Mariana Lima, que vem de uma excelente performance na supersérie “Os Dias Eram Assim”, revela-nos um certo estoicismo, uma acomodação diante dos reveses sofridos, como a doença que a abate e o casamento infeliz com o seu adúltero e tirano marido. A Glória de Mariana se mantém empertigada, mesmo que o seu rosto nos transmita profunda tristeza. Leonardo Netto cumpre com louvor o papel do marido resignado, mas disposto a oferecer à sua esposa o desejo que ela mais cultiva. A sua desesperança depois de tantos infortúnios, como dívidas e interrupções de gravidez de Stela, é sugerida pelo seu olhar perdido e incrédulo. O capítulo, contou, enfim, com estrelas como Vera Fischer, Juliana Carneiro da Cunha e Paolla Oliveira, atrizes conceituadas do cinema, como Denise Weinberg e Sabrina Greve, e outros talentos de gerações diferentes, como Noemi Marinho, Elisa Volpatto, Pedro Nercessian, Jéssica Ellen, Silvia Lourenço, Bianca Müller e Gabriel Muglia.

Direção de fotografia com texturas cinematográficas, direção e produção de arte, além dos cenários, reconhecidamente competentes, figurinos em consonância com os personagens, edição eficiente e abertura que valoriza a forma feminina como vítima 

A direção de fotografia de Marcello Trotta nos remete a uma textura cinematográfica com tons levemente esverdeados que se aproximam de um cenário hospitalar. Mesmo fora deste universo, Marcello procurou filtros mais sóbrios, sem exageros, o que, certamente, conferiu uma crueza necessária à obra, além de sombras e luzes artificiais da cena. O resultado é coerente, realista e fiel à abordagem da produção. Os competentes trabalhos de direção de arte, cenografia e produção de arte couberam, respectivamente, a Valdy Lopes, Renata Rugai e Avelino Los Reis, e Camila Galhardo. Do mesmo modo que o figurinista Cassio Brasil vestiu com absoluta propriedade os personagens, independente de suas condições sociais. A edição de Vicente Kubrusly, Leo Domingues e Pablo Ribeiro é a consequência de uma parceria eficiente que soube lidar, usando-se uma dinâmica exigível, com uma narrativa segmentada em dois períodos, de maneira que o público não se confundisse com o desenrolar do entrecho. Marcel Klemm (gerência musical) e Eduardo Queiroz (música original) pontuaram com vultoso acerto os desenhos melódicos das cenas, acatando os climas das situações dramáticas. A abertura de Alexandre Romano e Valericka Rizzo nos introduz, com o requinte e a plasticidade de suas imagens em velocidade lenta, a um mundo feminino, através das formas, posições e situações angustiantes e solitárias materializadas em seus corpos, desrespeitados e usurpados pela violência física e moral irreparáveis perpetradas por um homem insuspeito, ao som da triste e bonita canção natalina “Silent Night”, na voz inacreditável de Loro Bardot (a música, traduzida para o português como “Noite Feliz”, foi composta por Franz Gruber e Joseph Mohr; provavelmente esta canção foi escolhida pelo contraponto pureza X violência).

A relevância de “Assédio” ser exibida nos momentos sombrios em que vivemos 

“Assédio”, em seu primeiro episódio, provou-nos e nos promete ser mais um produto dramatúrgico de irrestrita qualidade e apuro, seja em termos narrativos, seja na perspicaz direção, ou na escalação perfeita de seu elenco, que ainda trará nomes como Felipe Camargo, João Miguel, Hermila Guedes, Susana Ribeiro e Monica Iozzi. “Assédio” é uma história que tem a obrigação de ser contada e esmiuçada, para os que já a conhecem e os que não. A sua coincidente apresentação em uma época delicada e assustadora em que se incita o ódio contra as minorias, inclusive as mulheres, que mais uma vez se uniram nas redes sociais como sinal vital de defesa, é mais do que apropriada e urgente. Esta série não deveria se restringir tão somente a um canal de streaming, e sim veiculada abertamente para toda uma nação, a fim de que possamos esclarecer pelo menos algumas mentes obscurecidas por supostas verdades morais. Basta de assédio. Basta de assédio de todos os tipos. Que o único assédio que sobreviva seja aquele baseado única e exclusivamente no amor. Mas no mundo distópico em que vivemos isso não passa de uma quimera.

 

107
O cantor, apresentador e repórter João Gordo na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016.
João, que nasceu em São Paulo, tornou-se conhecido em todo o país como vocalista da banda de punk Ratos de Porão, na qual entrou em 1983 (seu primeiro show foi na PUC paulista; o grupo Ratos de Porão é uma referência neste gênero musical, sendo prestigiado internacionalmente).
Em 1996, inicia uma longeva carreira de apresentador na MTV Brasil, tendo comandado um sem número de programas: “MTV No Ar” (somente como repórter), “Suor MTV”, “Garganta e Torcicolo”, “Gordo Pop Show”, “Gordo On Ice”, “Gordo a Go-Go” (durou cinco anos), “Piores Clipes do Mundo”, “Gordo à Bolonhesa”, “Gordo Freak Show”, “Gordo Visita” (esteve nesta produção por três anos), “Gordo Viaja”, “Caveirão do Gordo” e “Fundão MTV”.
No ano de 2008, torna-se um dos jurados do programa do SBT “Astros”, uma atração inspirada no antigo “Show de Calouros”, da mesma emissora.
Já em 2009, retorna ao canal onde começou, sendo convocado para a apresentação de dois programas: “Gordo Chic Show” e “Gordoshop”.
Entre 2010 e 2012, foi repórter do extinto programa apresentado por Marcos Mion, “Legendários”, exibido na RecordTV.
Na mesma RecordTV, exerce novamente a função de jurado, desta vez no “talent show” “Ídolos Kids”.
Seu último programa como apresentador, “Eletrogordo”, foi ao ar há dois anos no Canal Brasil.
Nos cinemas, dublou as vozes dos personagens Buzz no filme “Deu Zebra” (“Racing Stripes”, no original), de Frederik du Chau, e Fletch, do longa britânico “Matadores de Vampiras Lésbicas” (“Lesbian Vampire Killers”, no original), de Phil Claydon.
João Gordo segue com a sua carreira musical com a banda Ratos de Porão.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

 

isaura-garcia-o-musical
Foto: Elvis Moreira

A ousadia por trás do sonho realizado dos produtores e diretores artísticos Klebber Toledo e Rick Garcia

Se há uma palavra que possa traduzir a realização da superprodução musical “Isaura Garcia, O Musical”, a mais justa e adequada é ousadia. Uma ousadia evidente tanto por parte de seu idealizador, Rick Garcia (neto da artista homenageada), quanto de seu coprodutor e codiretor artístico Klebber Toledo (junto com Rick). Em 2009, Klebber e Rick participaram de outro importante projeto teatral sobre a trajetória de uma das mais importantes cantoras brasileiras, estrela da Era do Rádio, a paulistana do Brás Isaura Garcia, apelidada, devido ao seu jeito genuinamente autêntico e único, de a “Personalíssima”. Nesta encenação, chamada “Isaurinha – Samba, Jazz & Bossa Nova”, havia os mesmos profissionais de renome que hoje estão na montagem atual, como Rosamaria Murtinho e Sylvio Lemgruber, responsável à época pelas direção e coreografia (a atriz Flavia Magnani também atuou na primeira versão, defendendo Amélia Garcia, a mãe da intérprete, revivendo-a agora). Se naquele momento já se via uma produção relevante, que mesclava teatro, dança, show e cinema (com 16 artistas, entre atores e bailarinos), o que se testemunha por ora, com o mesmo texto de Júlio Fischer, com a direção cênica da experiente Jacqueline Laurence, é um espetáculo de grandes dimensões e qualidades, que fazem jus à representatividade artística de Isaurinha Garcia. Imagina-se que este deva ter sido um sonho antigo de Rick, Klebber e Márcia Martins, que exerce a mesma função de diretora de produção. Com “Isaura Garcia, O Musical”, pode-se dizer que a máxima “O Brasil não tem memória” não se aplica às montagens brasileiras musicais, que, não é de agora, têm se dedicado a homenagear insignes nomes do cancioneiro popular de nosso país. De “Estrela Dalva”, com Marília Pêra (há 31 anos), a “Elza” (sobre Elza Soares), “Dona Ivone Lara – O Musical” e “Lady Crooner” (a respeito de Ângela Maria) no presente, contradiz-se cenicamente esta assertiva (decerto que há uma lacuna, por parte de vários setores, na lembrança de outros nomes que deixaram seu legado nas Artes).

O texto de Júlio Fischer, dividido em três tempos cronológicos, prima pela fidelização aos fatos da vida da cantora 

O espetáculo escrito por Júlio Fischer se estruturou em uma narrativa apropriadamente dividida em três planos cronológicos, que marcam a juventude, a maturidade e seus derradeiros anos de vida, intercalados por belos números musicais (em algumas ocasiões, de forma demasiado interessante, esses planos imiscuem-se). Pretendeu-se com bastante eficácia desenhar o arco existencial da cantora sem se prender obrigatoriamente à ordem natural do tempo, tanto é que a cena de abertura nos revela a intérprete em seu esplendor (Kiara Sasso), seguida, logo depois, pela passagem em que Isaura (Rosamaria Murtinho), já idosa e insegura, dentro do camarim de uma boate, resiste a se apresentar, temendo uma performance aquém dos seus anos de glória. Por sinal, um dos inegáveis méritos da montagem é a sua isenção quanto à história deste símbolo da música nacional, não se furtando a desnudar seu comportamento por vezes intempestivo e impróprio para os costumes da sociedade conservadora vigente. Sua figura é retratada com fidelidade, sem concessões ou condescendências, mostrando seu linguajar não convencional, seu incontido desejo pelos homens, suas fraquezas sentimentais, e até mesmo sua dificuldade em se expressar corretamente em seu idioma. Não se escondeu que a grande estrela não sabia ler as partituras de suas emblemáticas músicas, tampouco seu alcoolismo e os abusos físicos que sofria de um de seus maridos. Essas características realçam o compromisso de seu dramaturgo em nos exibir nos palcos a Isaurinha Garcia como a conheceram, e não em um tom absolutamente laudatório.

O retrato de uma juventude difícil, relacionamentos afetivos tempestuosos, sucesso avassalador, sem que se perca a graça e o humor da peça 

A plateia acompanha a jovem sendo oprimida pelo seu pai Manoel Garcia (Renan Duran), que não aceitava a sua decisão de seguir a carreira artística (sua implicância preconceituosa, inclusive, referia-se aos sambas que entoava). A moça amparada por sua mãe Amélia (Flavia Magnani) temia os socos brutos do pai em sua boca que a impediam de cantar. Sempre acompanhada de sua fiel amiga Cecília (Anna Paula Borges), com seu modo espevitado, frequentava os programas de calouros. Sua voz potente, com carregado sotaque paulistano, impressionava a todos por onde quer que passasse. Sua voz particular também é aproveitada nos reclames comerciais das rádios, até conhecer Teófilo (Leonardo Brício), o diretor de criação de uma delas. Seus gênios opostos, personalidades conflitantes, mentiras e cobranças levaram ao fim do relacionamento (nunca houve um casamento oficial). A peça nos leva junto com Isaurinha pelas suas andanças pelas rádios e audições públicas (dentre elas, com o famoso cantor Vassourinha, personificado por Samuel Melo), até o momento de suas ascensão e estrelato. No auge da fama, numa viagem a Recife, ainda envolvida com Teófilo, encanta-se pelo charme de um pianista iniciante, Walter Wanderley  (Iano Salomão). Vivida nesta fase por Soraya Ravenle, a cantora sofre as experiências pessoais e profissionais mais penosas de sua vida. Walter, um dos pioneiros da Bossa Nova, questionava a maneira com que Isaura cantava, com seus “vibratos operísticos”. A paixão movida a agressões, ofensas e separações levou ao término definitivo do romance que deixou feridas abertas em ambos. A despeito de sua jornada glamourosa pontuada por dores e sofrimentos, Júlio Fischer aposta com constância no leve humor, na graça despretensiosa (este elemento do musical se deve em muito à personalidade de Isaura). O autor, com imensa habilidade, consegue, ao fim, formatar um espetáculo vibrante, alegre e emocionante, sendo as interpretações e números musicais, sejam eles exuberantes ou mais intimistas, indiscutíveis colaboradores para o efeito catártico do espetáculo.

A direção cênica de Jacqueline Laurence confere beleza e momentos únicos ao espetáculo

A direção cênica sempre inteligente de uma profissional como Jacqueline Laurence, como é de se esperar, soma diversos predicados à encenação teatral. Reverente ao escopo do texto de Júlio, a diretora, com maestria e percepção, distribuiu, entre o conjunto narrativo, os quadros cotidianos, que englobam acontecimentos do dia a dia, e da carreira da cantora, com as devidas interlocuções dos personagens. A inserção estratégica dos instantes musicais, que agregam ou não coreografias de bailarinos, imprimem à montagem um andamento lógico e atraente para o público. Jacqueline extraiu de seu numeroso elenco e ensemble atuações que se aproximassem verdadeiramente do período reproduzido, seja na postura formal e exagerada dos apresentadores dos programas de calouros e de rádio, na euforia azafamada dos fãs, na teatralização das mensagens dos cronistas, e claro, no modo como fez com que suas atrizes protagonistas, responsáveis pela incorporação de Isaura, comovessem o público com toda a carga de emoção, nivelada ao máximo, ao interpretarem as canções que tanto causaram a alegria dos ouvintes. Seu admirável olhar para a construção da obra lhe permitiu criar momentos de retumbante beleza, como ocorre quando Soraya Ravenle interpreta a sua primeira canção, vista por nós sob um deslumbrante e longo vestido, sobre um tablado escondido que a faz ficar suspensa, como se estivesse fantasiosamente levitando. E com a mágica, tocante e inesquecível passagem em que Rosamaria Murtinho se senta, bem próxima dos espectadores, na pequena escada que leva ao palco, e canta com sublimidade, coberta por pétalas de rosas jogadas.

Um elenco que mostra imenso prazer em estar em cena, e contar a história de Isaura Garcia

A direção artística de Klebber Toledo e Rick Garcia corrobora a competência e dedicação extremada desses dois homens de teatro, empreendedores, destemidos, audazes, sensíveis e parceiros no objetivo de enriquecer não só os nossos palcos, mas a nossa música, ao nos trazer de volta a nossa Isaura Garcia. O elenco liderado por Rosamaria Murtinho, Soraya Ravenle e Kiara Sasso se afina brilhantemente com a montagem musical. Rosamaria, uma de nossas maiores atrizes do teatro e da TV, representando Isaura no ocaso de suas vida e carreira, impressiona a todos não só pelo seu pujante vigor e presença cênica, mas pela intensidade emocional emprestada à personagem. Sua Isaura, em fase, condói-nos dizer, “esquecida”, dilacera os corações mais frágeis. Sua lucidez ao olhar para o passado é um rescaldo da mulher magnífica que sempre foi. Arrebata-nos outrossim a limpidez intocada da voz da  intérprete, garantindo à plateia, nos instantes em que canta, minutos do mais absoluto enlevo. Soraya Ravenle, cantora e atriz das mais respeitadas, requisitadíssima no mercado dos musicais, com sua triunfante primeira aparição em cena já no meio da peça, causa-nos assombro pelo seu total e irrestrito domínio da técnica vocal. Aliando com sabedoria humor e drama, Soraya arremata com brilho e garbo a personalidade complexa da estrela em pauta. Como Isaura, corresponde com felicidade ampla ao comportamento forte e impulsivo da cantora numa etapa realçada pela fama e pelas decepções amorosas. Kiara Sasso, outra excelsa atriz de musicais, colecionadora de um sem número de participações em superproduções do gênero, inclusive adaptações de sucessos da Broadway, encanta irremediavelmente o público de “Isaura Garcia, O Musical”. Além de sua voz estudada, lapidada, com irretocáveis afinação e extensão, sua composição para a jovem Isaurinha, impetuosa, divertida, determinada, é cheia de graça e doçura, mas que traz em si, ao mesmo tempo, uma força intrínseca irrefreável que salta aos olhos mais atentos, uma das peculiaridades marcantes da cantora. Enfim, três grandes estrelas dando vida a outra grande estrela. Todo o elenco está em consonância com o espírito proposto pela dramaturgia de Júlio. Há um prazer visível no conjunto de intérpretes (incluindo o corpo de bailarinos) em estar ali contribuindo com a sua parte ao contar a história de Isaurinha. Leonardo Brício, como Teófilo, passeia com desenvoltura pelas fases de seu papel, ostensivas de seu indomável ciúme de sua companheira, e de sua resignação pela postura omissiva adotada na relação. Iano Salomão, ao encarnar Walter Wanderley, imprime a rudeza e severidade do pianista, não se eximindo em nos transmitir o seu afeto um tanto torto ofertado à cantora (seu sotaque bem construído, em nenhum instante, escapa-lhe). Anna Paula Borges, como Cecília, reflete a fidelidade inabalável da amiga confidente da “Personalíssima”. Samuel Melo esbanja a alegria contagiante do cantor Vassourinha ao acompanhar a estrela em suas apresentações. Flavia Magnani reveste com segurança e sensibilidade a zelosa mãe Amélia Garcia. E Renan Duran, ao representar seu pai, Manuel Garcia, compõe com clareza o homem conservador, agressivo e preconceituoso, que tanto sofrimento causou à filha. Os demais atores cumprem com galhardia às funções que lhe são designadas, merecendo os nossos elogios: Lázaro Menezes (Reinaldo), Alessandro Faleiro (Otávio Gabus Mendes, Gustavo Diretor RCA e Roberto Amaral), Bibi Cavalcante (Emilinha Borba, Repórter e Cronista), Flávio Rocha (Blota Jr., Cícero Nunes e Apresentador), Juliana Rockstroh (Elza Laranjeira, Jornalista e Vizinha), Paulo Giardini (Sampaio, Aldo Cabral e Antônio Maria), Pedro Barroso (Messias Evangelino, Palhaço e Cauby Peixoto), Sidney Navarro (Jurandy e Fã) e Tay Ravelli (Dona Matilde, Neide Fraga e Cronista).

Figurinos encantadores, coreografias cativantes, iluminação valorosa, direção musical irretocável e cenário tecnológico contribuem para a excelência do musical  

Os figurinos de Fause Haten comprovam o sucesso deste profissional reconhecido no mundo da moda. Fause criou vestidos deslumbrantes, com muitos brilhos, para Isaura Garcia em suas apresentações em público (Rosamaria, Soraya e Kiara são brindadas com peças belíssimas). Da mesma forma, o figurinista/estilista se empenhou em reproduzir com bastante lealdade o vestuário que se usava no período. Os homens com seus ternos sóbrios, e as mulheres com seus vestidos com saias rodadas. O resultado de sua rica pesquisa colabora não só para o embelezamento da montagem, mas para sua credibilidade histórica. As coreografias de Sylvio Lemgruber correspondem com inteligência às cadências das músicas entoadas na encenação. Todos os ritmos musicais (sambas, canções românticas etc) exibidos são saborosamente traduzidos pelos bailarinos e atores com passos precisos e coerentes, num panorama visual bonito, aprazível e alegre de se ver (há de se notar que Sylvio, em algumas coreografias, utilizou-se dos movimentos do balé clássico). A preparação vocal interpretativa, a cargo de Rose Gonçalves, revelou-se eminentemente eficaz, em especial nos acentos/sotaques paulistanos e nordestino, imprescindíveis para a legítima identificação das figuras da narrativa. Mario Junior se responsabilizou pela fulgurante iluminação da obra cênica. Planos abertos que mostrassem a plenitude dos ambientes, fossem caseiros ou dos programas de rádio e de calouros foram utilizados. E focos que nos envolvessem com o intimismo das situações também foram sabiamente aproveitados. Uma luz em total sintonia com o espírito musical da peça. A direção e produção musical e a preparação vocal de Bibi Cavalcante, um dos pontos altos da encenação, indicaram-nos a sua absoluta capacidade em aproveitar ao máximo de seus atores/cantores a excelência de suas vozes, com os seus respectivos registros, assumindo o compromisso de obedecer com fidedignidade aos acordes melódicos característicos das canções de Isaura Garcia. Bibi exerceu o seu ofício com primor e apuro. Os arranjos originais são da própria Bibi, Marcos Romera, Leandro Nonato, Paulo Malheiros e Tércio Guimarães. O espetáculo possui uma impecável orquestra ao vivo de 18 músicos regida pela maestrina e pianista Claudia Elizeu (também assistente de direção musical). A cenografia do espetáculo contou com a contribuição ímpar, com resultados, além de eficientes, funcionais e bonitos, de projeções em 3D no fundo do palco simulando com todos os seus aparatos os universos onde se passam os episódios da trajetória da cantora. A empresa responsável pelos belos efeitos foi a Illusion Studio, formada por Claudio Inácio, Nicolas Moreira e Jefferson Raposo. A assessoria de cenografia ficou sob o encargo de Gláucia Berbari.

Uma homenagem justa a uma cantora à frente de seu tempo

“Isaura Garcia, O Musical” presta um relevante serviço às Artes por resgatar a história de uma cantora singular, com voz diferenciada, uma transgressora para os padrões de sua época. Uma mulher que sofreu, mas que soube brilhar em meio à dor. A autora de sucessos como “Sorriso de Paulinho”, “Aperto de Mão”, “De Conversa Em Conversa” e “Mensagem” não passou em vão por esta vida. Deixou a sua marca, o seu legado, a sua personalidade forte. Por este, e tantos outros motivos, “Isaura Garcia, O Musical” é um espetáculo “Personalíssimo”.

o-tempo-nao-para-novela
Foto: TV Globo

Mario Teixeira mistura com inventividade romance, História, fantasia, ficção científica e humor na nova novela das 19h

Depois das intrigas palacianas e dos romances medievais de “Deus Salve o Rei”, estreou na terça-feira passada a nova novela das 19h da Rede Globo, “O Tempo Não Para”, escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Leonardo Nogueira. Protagonizada por um casal de atores muito talentosos da nova geração com forte apelo junto ao público juvenil, Nicolas Prattes (o intérprete se sobressaiu em “Rock Story”) e Juliana Paiva (seu trabalho anterior foi conferido em “A Força do Querer”), contando ainda em seu elenco com nomes consagrados como Edson Celulari, Christiane Torloni e Eva Wilma, a trama, que mistura com grande propriedade elementos de fantasia, ficção científica, História, humor e romance, agradou em cheio aos telespectadores desta faixa que prima por sinopses mais leves e divertidas. Mario Teixeira, responsável pelo texto de uma ótima telenovela exibida em 2016 no horário das 23h, “Liberdade, Liberdade”, é um autor que transita com inegável intimidade pelo universo dos fatos históricos (esta produção se passava no Brasil na época dos movimentos de independência, como a Inconfidência Mineira), inspirou-se em Julio Verne e no livro de H.G. Wells, “O Dorminhoco” (que se tornou um filme homônimo de Woody Allen) para alinhavar os elos centrais de sua narrativa.

Uma família escravocrata do século XIX, e seus agregados, após um naufrágio, fica congelada durante 132 anos, e desperta na moderna São Paulo em plenos 2018

A história se inicia em 1886, portanto dois anos antes da Abolição da Escravatura, na região paulista de Nossa Senhora da Freguesia do Ó. Com cenas em p&b (seguidas por uma virada estratégica para um colorido vivo), ostentando visível apuro visual, acompanhamos os costumes sociais e econômicos do século XIX, com seus enfatiotados senhores de engenho, como Dom Sabino (Edson Celulari), e seus escravos, como Menelau (David Junior). Dom Sabino, um empresário empreendedor nos negócios, mas conservador quanto às mudanças do regime escravocrata vigente no período, empenha-se nas preparações da festa de apresentação de sua linda filha Marocas (Juliana Paiva), uma moça com ideais abolicionistas, à sociedade. Numa sucessão de imprevistos que deram um tom de comicidade em seu primeiro capítulo (com um timing próprio de desenho animado em algumas passagens), envolvendo o sedutor e atrapalhado poeta Bento, Bruno Montaleone, a festa não só é cancelada, mas o casamento arranjado entre o rapaz e a filha de Dom Sabino. Tantos escândalos para a família fizeram com que o personagem de Edson, defensor da imagem ilibada de seu clã, e fiel seguidor da Coroa, providenciasse uma viagem conveniente em seu vapor Albatroz, rumo ao Reino Unido, onde possui um estaleiro, com todos os seus familiares (Dona Agustina, a sempre bem-vinda Rosi Campos; suas filhas Nico, Raphaela Alvitos, e Kiki, Natthalia Gonçalves, além, é claro, de Marocas, e de alguns agregados, como Miss Celine, Maria Eduarda de Carvalho, a preceptora das jovens, e o cãozinho Pirata). Uma tragédia que lembra o naufrágio do Titanic (com takes recheados de primorosos efeitos visuais bem próximos ao filme de mesmo nome de James Cameron), muda todo o curso do entrecho. Somos transportados para 2018, com direito a uma sequência de imagens que retratam fatos relevantes desses 132 anos, como a chegada do homem à Lua e a clonagem de uma ovelha, Dolly, com o desfile de figuras indispensáveis para a transformação do mundo, como Einstein, além de políticos e esportistas que entraram para a História, como Barack Obama, e Ayrton Senna, respectivamente. Na região do Guarujá, na mesma São Paulo, o empresário bem-sucedido Samuca, Nicolas Prattes, surfa, até encontrar, presa em um pedaço de gelo, a moçoila vinda do século retrasado. Logo após, operações envolvendo militares da Marinha (a Comandante Waleska, Carol Castro, e o médico Capitão de Fragata Mateus, Raphael Vianna), com o auxílio de helicópteros, e a cobertura da imprensa, são acionadas a fim de se descobrir a respeito do imenso bloco de gelo encontrado nas águas do Guarujá com mais de uma dezena de pessoas congeladas em seu interior (as imagens com as silhuetas dos corpos congelados impactaram). O congelamento de indivíduos permite ao teledramaturgo a abordagem do instigante tema da criogenia, que será veementemente defendida pela cientista Petra (Eva Wilma, em seu retorno aos folhetins, após “Verdades Secretas”), uma médica com ética duvidosa e interesses questionáveis que se defrontará com as ideias de Samuca. Por sinal, as cenas que mostram os sobreviventes em cápsulas criogênicas, iluminadas pela fotografia com filtros azulados, são impressionantes pela sua qualidade. Samuca, filho da elegante e zelosa Carmen (Christiane Torloni), namorada de um rapaz arrivista social, Lalá (Micael; o ator teve um elogioso momento com Nicolas Prattes, depois de confundi-lo com um garçom), passa a ajudar Maria Marcolina (Marocas) em seu restabelecimento, apaixonando-se aos poucos por ela (o casal de intérpretes esbanja carisma e incrível entrosamento, devendo receber acaloradas torcidas dos telespectadores), o que causa a fúria de sua soberba e ciumenta noiva Betina (Cleo). Um dos congelados, Dom Sabino Machado, desperta, e foge da clínica de Petra, perdendo-se no caos urbano da metrópole paulista (vale mencionar as engraçadíssimas cenas em que Dom Sabino se espanta, desorientado, com este “Novo Mundo” que lhe é apresentado; ajudado por Eliseu, o catador de lixo reciclável defendido por Milton Gonçalves, e Paulina, Carol Macedo, criada por ele, Sabino nos reserva outros momentos hilários ao se deparar com as novidades da casa onde é acolhido, principalmente as do banheiro). Mais personagens nos foram apresentados, como o casal de biólogos que vive de forma simples e natural na Ilha Vermelha, Marino, Marcos Pasquim, e Monalisa, Alexandra Richter. Solange Couto personifica a fogosa dona da pensão “Coronela”, mãe de Waleska. Luiz Fernando Guimarães, como o riquíssimo Amadeu Baroni, revelará no decorrer do enredo a sua vilania (o conhecido humor do artista está presente). Rui Ricardo Diaz é o criminoso Barão, filho de Eliseu. Felipe Simas encarna o bonachão e despreocupado Elmo, melhor amigo de Samuca, e namorado de Waleska. João Baldasserini, Emílio, e Regiane Alves, Mariacarla, formam uma dupla de advogados que não prima necessariamente pela correção. Kiko Mascarenhas encarna o dedicado procurador e contador de Dom Sabino, Teófilo. Lucy Ramos dá vida à firme advogada Vanda, e Wagner Santisteban representa o sensacionalista repórter Pedro Parede. Completaram o elenco nesta primeira semana Cris Vianna (Cairu), Maicon Rodrigues (Cecílio), Olívia Araújo (Cesária), Aline Dias (Damásia), Rafaela Mandelli (Ellen), Claudio Mendes (Herberto), Bia Montez (Januza), Cyria Coentro (Marciana) e Talita Younan (Vera Lúcia).

O texto bem estruturado e criativo de Mario Teixeira garante qualidade à trama 

O texto de Mario Teixeira, com a colaboração de Bíbi da Pieve, Marcos Lazarini e Tarcísio Lara Puiati, e pesquisa de texto de Yara Eleodora, é ágil, dinâmico, com fio narrativo consistente e diálogos fluidos, além dos toques de humor elaborados. Sua estrutura dramatúrgica tem inegável material para prender o interesse do público pelos próximos meses. Ouvir o Português escorreito e rebuscado nas vozes de Edson Celulari e Juliana Paiva, com vasto vocabulário, mostrando a riqueza de nosso idioma, tão esquecida, foi maravilhoso.

Cenários e figurinos primorosos, bonita fotografia, efeitos visuais impressionantes e trilha sonora irresistível e diversificada enriquecem a história 

A cenografia de Keller Veiga, Alexis Pabliano e Gilson Santos se sobressai, entre outros aspectos, pelas minúcias e notável acabamento da casagrande de Dom Sabino, do moderno, jovem e arrojado apartamento de Samuca, e do Laboratório Criotec, no qual trabalha Dra. Petra. Os figurinos de Paula Carneiro correspondem com admirável fidelidade aos costumes usados no século XIX, sendo coerentes e de bom gosto nos tempos atuais. A direção de fotografia de Andre Horta é primorosa, apostando tanto nas cores fortes, quanto nas neutras e naturais. Os efeitos visuais de Bruno Netto são dignos de nota, com destaque, sem dúvidas, para o naufrágio. A trilha sonora da novela é impecável, com novidades e releituras (gerência musical de Marcel Klemm). Temos a lindíssima “Naked”, de James Arthur, a empolgante “Paradise”, de George Ezra, a doce e romântica “Baby Eu Queria”, de Marcella Fogaça e Nando Reis, a encantadora versão de Dan Torres para o clássico “Raindrops Keep Fallin’ On My Head”, a alto astral “No Excuses”, de Meghan Trainor, a bela releitura de Vanessa da Mata para “Impossível Acreditar Que Perdi Você”, o hit “Ice Ice Baby”, de Vanilla Ice, a deliciosa “You Sexy Thing”, de Hot Chocolate, a excelente interpretação de Ivete Sangalo para a icônica “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, tema da abertura, e a rascante e intensa tradução de Elza Soares para a emblemática “O Tempo Não Para”.

Competentíssima direção, elenco de alto nível e abertura empolgante nos convidam a assistir à novela

A direção artística de Leonardo Nogueira e geral de Marcelo Travesso e Adriano Melo, além de Mauricio Guimarães e Felipe Louzada, exibiu incontestável inspiração e notória competência, seja nas cenas de ação, seja nas cotidianas, com bonitas tomadas aéreas. O excelente elenco, como disse, reunindo atores de gerações distintas, mostrou-se completamente entregue à irresistível história de Mario Teixeira. Um ponto fortíssimo da produção. A abertura de Alexandre Romano, Eduardo Benguelê, Christiano Calvet e Bruno Meira, com referências a Salvador Dalí e ao artista visual Marco Brambilla, uma mistura psicodélica com abundante uso dos recursos da computação gráfica, é profusa em cores e movimentos, pretendendo nos indicar o contraste de culturas de épocas diferentes e seus respectivos elementos, como estátuas antigas, ventiladores, harpas, escafandros, computadores, hot dogs e louças vitorianas. Até o hábito dos dias de hoje de se tirar selfies é retratado. Trata-se daquelas aberturas que não nos cansamos de ver. Ótima realização dos criadores.

A novela que deu frescor à faixa das 19h da Rede Globo 

“O Tempo Não Para” é uma novela com imensos atrativos, sendo um deles o de trazer uma saborosa história com elevado potencial criativo, oferecendo um frescor à faixa das sete horas da emissora. A obra de Mario Teixeira teve o mérito de fisgar o seu público com peças caras a um bom folhetim, como o par romântico principal, personagens empáticos, conflitos, vilões em maior ou menor grau, humor leve, associada a uma encantadora fantasia com reflexos numa visão crítica da realidade. O tempo será um fator positivo para a nova novela das 19h, que só tende a melhorar com a sua passagem. Todo o mundo ficará parado diante da TV na hora em que mais um capítulo de “O Tempo Não Para” for ao ar.

006
A blogueira de moda, maquiadora e modelo Camila Coelho na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week.
Camila é mineira de Virginópolis.
Com apenas 14 anos, mudou-se para os Estados Unidos, onde morou por alguns anos no estado da Pensilvânia, até se fixar em definitivo na cidade de Boston, capital de Massachusetts, local em que vive até hoje com o seu marido.
Sua paixão por produtos de beleza em geral, em específico os batons, levou-a a fazer um curso de maquiagem.
Em seguida, trabalha na Dior, na loja Macy’s (paralelamente, atendia a clientes em domicílio, como noivas e madrinhas de casamento).
Em 2010, influenciada pela maquiadora americana Kandee Johnson, que possuía um canal no YouTube, decidiu criar um próprio.
Um ano depois, Camila decidiu lançar um blog, o “Super Vaidosa” (com a pretensão de se dedicar somente a ele, abandonou seu primeiro emprego).
Em pouco tempo, lojas virtuais começaram a enviar maquiagens e roupas para serem testadas e usadas, respectivamente, pela blogueira, que emitia as suas opiniões por meio de postagens de fotos e vídeos.
O blog se torna um sucesso comercial, sendo administrado com o seu marido, Ícaro Brenner Coelho.
Bem-sucedida tanto com o seu canal quanto com o seu blog, com forte influência sobre os inscritos, passa a ser convidada para ser capa de várias revistas do gênero, além de emprestar a sua imagem a marcas conhecidas como Natura, Le Postiche e Riachuelo, dentre outras.
Atualmente, com as redes sociais, Camila Coelho se tornou uma referência indispensável nos quesitos moda e beleza, possuindo milhões de seguidores fiéis às suas dicas.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

 

 

 

 

 

180
O humorista Léo Lins, durante a gravação do programa do SBT “The Noite Com Danilo Gentili”, na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week.
Léo Lins é carioca.
Sua estreia como comediante foi com o espetáculo de stand-up comedy, no qual havia shows de mágica, “Pão e Circo”.
Em seguida, passou a fazer parte do primeiro grupo de stand-up comedy do país, o “Comédia em Pé”.
Também é escritor, tendo lançado dois livros sobre este gênero de apresentação humorística, o “Notas de Um Comediante de Stand-up Comedy” (o primeiro que discorre sobre o tema no Brasil) e “Segredos da Comédia Stand-up”, além de “Sapo Césio – Uma História de Vida Contagiante”.
Estreou na televisão em 2008 no quadro do “Domingão do Faustão”, da Rede Globo, “Quem Chega Lá”, em que foi um dos finalistas (os participantes mostravam esquetes próprios de humor).
Em 2009, começou a sua carreira solo com o espetáculo “Surreal”.
Léo soma a incrível marca de mais de mil shows de stand-up comedy, inclusive internacionais, apresentados no Reino Unido, e em países como Portugal, Japão e Alemanha.
No ano seguinte, foi contratado pela Band como redator da atração comandada por Marcos Mion, “Legendários”.
Como ator, foi visto na novela “Malhação”, da TV Globo.
Foi entrevistado no “Programa do Jô” (Rede Globo), no jornalístico “A Liga” (Band), além de ter participado do humorístico “A Praça é Nossa” (SBT).
Em 2011, a Band o contratou para integrar a bancada do talk-show de Danilo Gentili, “Agora é Tarde” (a produção durou dois anos).
No final de 2013, Danilo Gentili se mudou para o SBT, criando o programa “The Noite”, levando consigo praticamente toda a sua equipe, incluindo Léo Lins.
Como repórter, entrevistou várias personalidades, como Stan Lee, Harisson Ford, Tim Burton e George Miller.
Esteve na atração “República do Stand-up”, no Comedy Central, e no documentário de Pedro Arantes, “O Riso dos Outros”.
Narrou a série “A História dos Bêbados”, no Comedy Central.
Estará no filme de Fabrício Bittar, com estreia prevista para novembro deste ano, “Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro” (no elenco, Danilo Gentili, Murilo Couto, Dani Calabresa e o apresentador Ratinho).
Desde 2014, Léo Lins é membro fixo do talk-show de Danilo Gentili, “The Noite com Danilo Gentili”, no SBT.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG

 

056
O repórter do programa “The Noite com Danilo Gentili”, Murilo Couto, na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week.
O paraense, nascido em Belém, Murilo Couto, também é ator, humorista e músico.
Graduado em Publicidade, trabalhou como produtor em uma rádio.
Em 2004, pisa pela primeira vez nos palcos.
Quatro anos depois, funda o primeiro grupo de stand-up comedy do Pará, o “Em Pé na Rede”.
Sua estreia como ator, na televisão, foi na décima sétima temporada de “Malhação”, “Malhação ID”, na Rede Globo, em que defendeu o personagem Beto.
Tornou-se um dos participantes do espetáculo de stand-up comedy, “Comédia em Pé”, um dos pioneiros da safra recente do gênero.
A Band o contrata para integrar a equipe, liderada por Danilo Gentili, do talk-show “Agora é Tarde” (a atração dura dois anos, de 2011 a 2013).
Parte desta mesma equipe, incluindo Murilo e Danilo, ruma para o SBT, emissora paulista na qual produz o talk-show “The Noite com Danilo Gentili”, no ar até hoje.
O humorista também possui um canal de vídeos no YouTube.
Outro trabalho como ator, novamente tendo Danilo Gentili como parceiro, foi na série da Fox Brasil, “Politicamente Incorreto”.
Baixista e tecladista, formou a Banda Renatinho, ao lado do comediante Murilo Meirelles e da atriz Tatá Werneck (o grupo se apresentou no programa exibido pelo canal Multishow “O Estranho Mundo de Renatinho”).
Murilo Couto faz parte do elenco do mais novo filme de Fabrício Bittar, a comédia de terror “Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro”, junto com Dani Calabresa, Danilo Gentili, Léo Lins, e o apresentador Ratinho (o roteiro foi escrito pelo próprio Danilo Gentili).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: TNG