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Foto: Mauricio Fidalgo/Globo

“Segunda Chamada” é uma importante série que se apresenta em um momento delicado do país, em que se discute com a veemência necessária a relevância da educação em uma sociedade que se propõe a se desenvolver, usando como ferramenta narrativa de comunicação os dramas e conflitos atinentes a professores e alunos do turno da noite de uma escola pública de São Paulo

Na terça-feira passada, o público teve a chance de acompanhar o segundo episódio de um dos melhores produtos televisivos teledramatúrgicos do momento, a série da dupla Carla Faour e Julia Spadaccini, com direção artística de Joana Jabace, “Segunda Chamada”, na Rede Globo. Esta obra profundamente humanista chega nos lares brasileiros numa era oportuna, em que se discute com maior veemência a relevância da educação no país e o seu papel dentro da sociedade. Sem caracteres políticos, a excelente série pretende com notada sensibilidade, sem abdicar do realismo que o tema pede, colocar uma lente de aumento generosa nos dramas e conflitos individuais e coletivos de professores e alunos do turno da noite voltado para jovens e adultos de uma instituição pública de São Paulo, a Escola Estadual Carolina de Jesus. Com as inegáveis qualidades técnicas já consolidadas neste gênero, “Segunda…” açambarca um leque amplo de situações envolvendo os personagens deste instigante universo. Os professores são muito mais do que instrumentos de transmissão de conhecimento, cumprindo, cada qual ao seu jeito, a função de intermediar, contemporizar ou remediar os dilemas nascidos neste núcleo. O valoroso elenco reúne talentos de vivências e formações diversas, resultando em uma equipe de peso que brilha a cada cena.

Com um elenco de inegável valor capitaneado por Debora Bloch, a série certamente nos oferecerá em seus próximos episódios lições de cidadania e dignidade humana, cada vez mais em falta no Brasil

No time dos professores temos a idealista e determinada Júlia (Debora Bloch), a conciliadora e divertida Eliete (Thalita Carauta), o bem-intencionado Marco André (Silvio Guindane) e a dedicada, porém um pouco arredia Sônia (Hermila Guedes). Jaci, o diretor racional e exigente, ficou a cargo de Paulo Gorgulho. Na turma de alunos há a jovem Solange (Carol Duarte), despreparada para ser mãe; o travesti que convive com o medo, Natasha (Linn da Quebrada); o motoboy castigado pela dura rotina (Felipe Simas) e a senhora que abandona o preconceito de gênero Dona Jurema (Teca Pereira). Completam este admirável cast José Dumont, Nanda Costa e Mariana Nunes. Com “Segunda Chamada”, nós, telespectadores, também seremos alunos dessa escola com nome de escritora, aprendendo com cada episódio as lições de cidadania e dignidade humana que somente uma sala de aula pode dar.

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Foto: Elisa Mendes

“Caranguejo Overdrive”, da Aquela Cia. de Teatro, ganhou mais força junto ao público após o cancelamento de suas apresentações em um importante centro cultural do Rio de Janeiro

Em 2015, sem muitas expectativas por parte de seus realizadores, estreava no Rio de Janeiro um espetáculo que viria a se tornar um fenômeno teatral, com extensões nacionais e internacionais. Conquistando os principais prêmios da área e elogios efusivos da crítica, a peça “Caranguejo Overdrive”, da prestigiada Aquela Cia. de Teatro, cofundada por Pedro Kosovski e Marco André Nunes, autor e diretor da montagem respectivamente, resiste com bravura e dignidade à passagem do tempo, com todas as suas transformações políticas, imperando nos palcos de origem cada vez mais atual e condizente com o momento em que vivemos. Vítima de um gesto arbitrário há pouco (o cancelamento de suas apresentações no Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB Rio, dentro do projeto “30 Anos de Cias.”, na comemoração dos 30 anos do importante centro cultural, sem qualquer justificativa), “Caranguejo…” sai fortalecido deste episódio, recebendo do público um incondicional acolhimento, que lotou as últimas sessões de sua temporada no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto com um sentimento maior de comunhão.

A peça narra o périplo sofrido de um catador de caranguejos da região do mangue do Rio de Janeiro que é convocado para lutar na Guerra do Paraguai, e que ao retornar à sua cidade se defronta com mudanças urbanísticas irreversíveis que o farão passar por um surpreendente processo de transformação pessoal 

A trama impressionantemente bem construída por Pedro, com riquíssima pesquisa histórica e alto teor crítico, tendo como fontes referenciais a obra do geógrafo Josué de Castro (autor de “Geografia da Fome”) e o revolucionário movimento musical manguebeat (fundado por Chico Science e pela banda Mundo Livre S/A), conta-nos a desoladora história de Cosme, um simplório catador de caranguejos da região do mangue do Rio de Janeiro, que após servir ao Exército brasileiro na sangrenta Guerra do Paraguai (1864 – 1870), vivenciando todos os horrores possíveis, retorna à sua cidade, totalmente irreconhecível, com o mangue que antes o alimentara aterrado por supostas obras de modernização. Cosme, com sequelas psicológicas acentuadas, testemunhando a nova realidade, sofrendo influências distantes do entendimento, transforma-se, respeitando um ciclo inexplicável, naquilo que sempre o sustentou como homem: um caranguejo e suas idiossincrasias.

A sintonia entre o arrojo da direção, a “pulsação” da direção musical e o fulgor e resistência de seu elenco faz com que “Caranguejo Overdrive” deixe a sua marca por onde quer que se apresente

Com a direção não raro arrojada de Marco André Nunes, a pulsante direção musical de Felipe Storino (os músicos em cena Pedro Nego, Maurício Chiari e Pedro Leal “enfurecem” melodicamente a narrativa com qualidade indizível), esta encenação, símbolo potente do Teatro Físico, tem ao seu dispor um elenco fulgurante, abnegado de suas limitações, indo sem temor até as fronteiras de seus irrefutáveis talentos, ou mesmo as transcendendo. Todos os louros e ovações são poucos para esse time de resistentes artistas, vitoriosos em suas vontades e amor ao que fazem, formado por Carolina Virgüez, Alex Nader, Eduardo Speroni, Matheus Macena e Fellipe Marques. “Caranguejo Overdrive” possui uma alma andante, sempre avante, perseverante, deixando por onde quer que passe uma marca de seu “mangue reflexivo e incômodo”.

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Foto: João Miguel Jr./TV Globo

Walcyr Carrasco dá a sua valiosa contribuição na desconstrução de mais um preconceito, dentre tantos em nossa sociedade, o machismo, ao apresentar ao público a relação afetiva entre um homem mais moço e uma mulher madura

Numa cultura na qual o machismo sempre teve um papel preponderante, sendo que esta condição desigual e injusta entre os gêneros felizmente passa por um processo de reavaliação alimentado por diversos grupos civis, o lindo e tocante romance entre o jovem Zé Hélio (a revelação Bruno Bevan) e a recém divorciada Beatriz (a consagrada Natalia do Vale) na novela de Walcyr Carrasco com direção artística de Amora Mautner “A Dona do Pedaço”, na Rede Globo, como obra audiovisual de alcance infinito na coletividade, cumpre uma função social de desconstrução de preconceito (a relação entre um homem mais moço e uma mulher mais madura) de inegável relevância. 

Natalia do Vale, consagrada atriz, e Bruno Bevan, jovem revelação, com seus respectivos talentos, são responsáveis diretos pela química e consequente sucesso do casal

O casal Zé Hélio/Beatriz tem encantado os telespectadores desde as suas primeiras cenas na academia de ginástica, e não são poucas as razões para o sucesso deste par.
Um dos maiores acertos foi a aposta no niteroiense formado em Publicidade, com carreira bem-sucedida de modelo, e passagens por vários cursos importantes de teatro (CAL, Tablado e Escola de Atores Wolf Maya), Bruno Bevan. Bruno, além de sua beleza inconteste, possui postura elegante, tempo perfeito das falas e controle das emoções.
Natalia do Vale, uma de nossas atrizes mais queridas, talentosíssima, bela, doce, com uma trajetória brilhante na teledramaturgia, torna a personagem ainda mais crível. 

Texto e direção compartilham sensibilidade e delicadeza na concepção das lindas cenas de Zé Hélio e Beatriz

O texto de Walcyr é meticuloso, prudente, delicado e sensível.
Sem atropelos ou pressa, o autor sabiamente criou a ambiência de aproximação de ambos respeitando as fases basilares de uma conquista romântica, ciente da vulnerabilidade de Beatriz, e do cuidado exigido pelo tema.
A direção de Amora e Luciano Sabino (diretor geral) compreende a real dimensão emotiva deste envolvimento e as barreiras sociais que o cercam, imprimindo às suas cenas ternura sem em nenhum instante resvalar no clichê do sentimentalismo ou pieguice, fácil armadilha.
A cena recente que culminou no beijo entre Zé Hélio e Beatriz é desde já uma das mais bonitas, difíceis e bem dirigidas do folhetim das 21h.
Termino a análise com a frase de Hélio para sua namorada: “Meu coração tem a idade do teu”. 

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Foto: Elisa Mendes

Após personagens marcantes na televisão, Emilio Dantas retorna às suas origens artísticas, o teatro, com uma comédia escrita e dirigida por Silvio Guindane

Depois de sucessos retumbantes com dois personagens seguidos na TV nas novelas “A Força do Querer” (2017), de Gloria Perez, e “Segundo Sol” (2018), de João Emanuel Carneiro, ambas exibidas na Rede Globo (Rubinho e Beto Falcão, respectivamente), Emilio Dantas, um dos melhores atores de sua geração, teve a sábia decisão de retornar aos palcos com a comédia “Ele Não Está Mais Aqui”, um texto de Silvio Guindane, dirigido por ele mesmo, com a assistência de direção de Isabel Guerón, tendo ao seu lado a bela companhia de intérpretes íntimos com este gênero nada fácil (o espetáculo foi apresentado em abril deste ano no Teatro Abel, em Niterói, no Rio de Janeiro, marcando a sua estreia em solo fluminense, importante vitrine cultural do país).

A história da peça gira em torno dos embates invariavelmente cômicos entre meios-irmãos envoltos nos emaranhados burocráticos típicos de uma partilha de bens deixados por um parente

A trama, uma escancarada crítica à acachapante burocracia brasileira, aborda uma questão universal, a disputa por irmãos, no caso meios-irmãos, num momento constrangedor e inevitável, a partilha de bens (fonte inesgotável para situações cômicas, se vistas por outro prisma, após o falecimento do patriarca endinheirado. Emilio vive José, o exasperado varejista têxtil em declínio financeiro, numa atuação desabusada, despudorada, liberta, recheada de distintas reações. Thelmo Fernandes esbanja graça e versatilidade na composição do melodramático português Miguel, um economista com TOCs (Transtornos Obsessivos Compulsivos). O ator angolano Omar Menezes aposta no gestual e na caracterização ao personificar o irmão desenhista especial Francisco (desenhos incríveis de Paulo Caruso). Silvio Guindane alinhava a sua dramaturgia sem pontas soltas, redonda, buscando com sua direção uma dinâmica própria, valorizando os embates interpretativos, confiando plenamente em seu elenco. “Ele Ainda Não Está Aqui” é uma comédia que tem como uma de suas principais qualidades a leveza, não se eximindo de ser despretensiosa, desejando tão somente deixar o público mais feliz depois de muitas risadas francas.

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Foto: Chico Couto/Gshow

Caio Castro repete a parceria com Walcyr Carrasco e faz sucesso como o boxeador de boa índole Rock

Há alguns personagens virtuosos em “A Dona do Pedaço”, novela das 21h da Rede Globo criada e escrita por Walcyr Carrasco, com direção artística de Amora Mautner. Esses personagens do bem, liderados pela irresistível Maria da Paz, Juliana Paes, têm feito um pujante contrapeso ao número nada pequeno daqueles que se dedicam às pequenas e grandes vilanias. Um deles é defendido pelo paulista de Praia Grande Caio Castro, vencedor em 2007 de um quadro do programa de Luciano Huck que o catapultaria direto para o protagonismo de “Malhação” e suas duas temporadas seguintes. Caio, que já havia trabalhado com Walcyr em “Amor à Vida” (2013), como o sedutor Michel, repete a dobradinha com brutal sucesso como o boxeador de boa índole Rock, que deseja incansavelmente ser o campeão dos octógonos.

O ator se livrou do rótulo de galã a partir de “I Love Paraisópolis”, o que lhe rendeu posteriormente interpretar o complexo D. Pedro I em “Novo Mundo”

Se antes ao intérprete lhe cabiam os papéis de mocinhos e galãs, não desmerecendo as suas atuações (“Ti Ti Ti”, 2010; “Fina Estampa”, 2011; e a própria “Amor à Vida”), tudo começa a mudar a partir de “I Love Paraisópolis” (2015), de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, ao encarnar um rapaz tosco, líder de comunidade com fraseado “paulistês”, o antagonista Grego. Caio se despe, assim, dos rótulos inevitáveis. A credibilidade alcançada lhe serviu para personificar com elogios a complexidade do homem histórico D. Pedro I em “Novo Mundo” (2017), de Thereza Falcão e Alessandro Marson.

Caio Castro contracena com estrelas como Betty Faria, Marco Nanini e Suely Franco, destacando-se no folhetim do horário nobre com sua composição que une doses de brutalidade com genuína delicadeza humana

No folhetim do horário nobre, Caio, ao compor Rock, impôs-lhe uma postura bronca, porém cercada de uma humanidade comovente. Sua fala, outrossim, é dominada por gírias e expressões da São Paulo periférica, mas a gentileza com a qual as profere não ofende o bom Português. O ator conseguiu seu lugar em um núcleo cômico tresloucado onde há estrelas como Betty Faria e Marco Nanini. O Rock de Caio Castro nunca discriminou a sexualidade de Agno, Malvino Salvador. Rock, que odeia mentiras e injustiças, quer namorar sério e ter filhos (inicia-se a torcida para que fique com a doce Joana, Bruna Hamú). Caio Castro, que formou uma linda contracena com a dama Suely Franco, garantiu a sua fatia de bolo mágico, sendo para o público um dos “donos do pedaço”.

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Foto: Paulo Ruch

A atriz Lucy Ramos na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
Lucy nasceu em Recife, Pernambuco, mas ainda criança se mudou para São Paulo.
Adolescente, torna-se modelo.
Frequentou cursos de teatro do Senac, além da Oficina de Atores da Rede Globo.
Sua estreia em novelas foi na própria Globo, em “Começar de Novo”, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin.
Na 12ª temporada de “Malhação”, numa participação especial, interpretou Valéria, irmã do personagem de Rocco Pitanga, Rico.
Em seguida, ganha um papel, a dama de companhia Adelaide, no remake de “Sinhá Moça”, de Benedito Ruy Barbosa, em 2006 (20 anos antes, o mesmo Benedito lançava o folhetim de época protagonizado por Lucélia Santos; nesta versão, Débora Falabella ocupou o posto principal).
A intérprete, no mesmo ano, só que na faixa das 19h, emenda em “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi, produção em que defendeu Guguta.
Foi convidada pela equipe do programa “Domingão do Faustão” a testar os seus limites como patinadora na competição “Dança no Gelo”.
Dois anos depois, em 2008, retorna às tramas de época, e novamente em um remake, “Ciranda de Pedra”, de Alcides Nogueira, no qual encarnou a vilã Luciana (a história, baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles, foi exibida pela primeira vez em 1981, tendo sido adaptada por Teixeira Filho).
Lucy participa de outro remake, “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa, como Cleusinha (a sua primeira versão, também escrita pelo autor, foi ao ar em 1982).
Em 2011, a artista esteve no elenco do sucesso das seis horas “Cordel Encantado”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, como uma de suas protagonistas, Maria Cesária.
Esteve no episódio “A Sambista da BR 116”, da série “As Brasileiras”, como Dagmar (esta atração foi inspirada em outra série exibida pelo canal, “As Cariocas”, que teve como fonte o livro homônimo de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta).
Foi vista em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, em 2012, como Sheila, a melhor amiga de Morena, Nanda Costa.
Em “I Love Paraisópolis”, de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, representou a psicóloga Patrícia.
No ano posterior, em 2016, integra uma trama ambientada no momento histórico das confabulações da Inconfidência Mineira, a novela das 23h de Mário Teixeira “Liberdade, Liberdade” (a intérprete deu vida a Malena, uma escrava maldosa que entrava em conflito direto com Branca Farto, Nathalia Dill).
Em “A Força do Querer”, uma novela de enorme repercussão de Gloria Perez veiculada na faixa nobre, Lucy, atuando como a advogada Leila, disputou por um período com Bibi, Juliana Paes, o amor do também advogado Caio, Rodrigo Lombardi.
Pela primeira vez experimenta a dramaturgia de uma emissora fechada, o GNT, na série escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, “Edifício Paraíso”, que contava a história de cinco casais que viviam no mesmo prédio, cujos desentendimentos acabavam sendo compartilhados pelos outros moradores (seu par, neste seriado, foi representado por Ícaro Silva).
Em seu próximo folhetim, que foi ao ar no ano passado, terminando no início deste, “O Tempo Não Para”, uma trama bastante original pensada por Mário Teixeira, defendeu a rigorosa advogada Vanda, mais conhecida, devido a esta característica, como Vandeca Pitbull.
No cinema, esteve em uma produção internacional, um filme do gênero terror, “Turistas”, de John Stockwell, e os nacionais “Um Dia de Ontem”, de Thiago Luciano e Beto Schultz, no qual contracenou com Caco Ciocler, e “Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer”, do mesmo Thiago Luciano, voltando a trabalhar com Caco Ciocler (também pudemos lhe assistir no curta-metragem “Inocente”).
Em novembro de 2018, estreou no longa de ação e suspense de Gustavo Bonafé, “O Doutrinador” (o filme, com Kiko Pissolato, foi transformado em seriado com o nome “O Doutrinador – A Série”, podendo ser acompanhado no momento pelos telespectadores no Canal Space).
Além disso, atualmente, a atriz Lucy Ramos representa uma personagem de destaque, a professora de inglês e futura digital influencer Sílvia, na novela das 21h da Rede Globo “A Dona do Pedaço”, de Walcyr Carrasco, com direção artística de Amora Mautner (Sílvia, entre idas e vindas, num contexto de humor, disputou com a agente de influenciadores digitais Kim, Monica Iozzi, a companhia do indeciso e volúvel Márcio, Anderson Di Rizzi, no entanto, após ter sido “usada” por Chiclete, Sérgio Guizé, para despertar ciúme em Vivi, Paolla Oliveira, assim como o treinador de boxe Abdias, Felipe Titto, também o fora pela digital influencer, ambos, com a mesma sensação de engano, carência e desmerecimento, decidiram “engatar” um romance; dramaticamente, a professora de inglês foi agredida com um tapa no rosto por um aluno, Merlin, Cadu Libonati, em uma escola de classe alta de São Paulo, e nada pôde fazer para não perder o seu emprego; e testemunhou a negligência pessoal de sua irmã Gilda, Heloísa Jorge, quanto à sua saúde, levando-a à derrota fatal, em nome de um casamento sustentado apenas por comiseração e gratidão por parte de seu marido, o advogado Amadeu, Marcos Palmeira).

Agradecimento: TNG

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Foto: Victor Jucá/Divulgação

Consagrado no Festival de Cannes deste ano “Bacurau” se vale de diversos gêneros cinematográficos, como o western e a ficção científica, para nos contar uma história perturbadora, sem deixar de lado seu tom denunciativo nos campos social e político 

O ano de 2019, a despeito de sucessivas tentativas de desmonte cultural, tem sido gratificante para o Brasil, considerando-se o reconhecimento internacional de dois longas-metragens, “Bacurau” (Brasil, França), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, ao saírem vencedores, respectivamente, com o Prêmio do Júri, e com a láurea máxima da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes. “Bacurau” (também consagrado em Munique – Melhor Filme do Festival de Munique, e Lima – Melhor Filme, Prêmio da Crítica e Melhor Direção do Festival de Lima 2019), que resgata a parceria de Kleber com Sonia Braga (“Aquarius”, 2016), traz ao público uma narrativa tão peculiar quanto perturbadora, açambarcando gêneros diversos, como o western, a ficção científica e o suspense, não se intimidando em ostentar uma violência crua e sanguinária, tampouco em denunciar política e socialmente mazelas enraizadas em nosso país.

O filme, escrito por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é centrado em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, que vê a sua normalidade cotidiana, em meio à miséria e à tecnologia, interrompida com a chegada misteriosa de um grupo heterogêneo de pessoas que traz consigo uma série de acontecimentos inexplicáveis 

A trama se passa num futuro próximo em uma região fictícia do oeste de Pernambuco, Bacurau, um local distópico onde a miséria e a desolação se misturam à tecnologia, havendo um espírito de coletividade entre os seus habitantes. A comunidade entra em estado de alerta a partir do momento em que Bacurau não está mais no mapa, e fatos estranhos decorrem em sequência. “Invasores” estrangeiros, liderados por um lunático racista, Michael (Udo Kier, inexorável), ameaçam, sem razão aparente, a existência do povoado, motivando a reação geral.

Trazendo de volta aos cinemas uma de suas maiores estrelas, Sonia Braga, “Bacurau”, antes de tudo, reafirma a importância do cinema brasileiro, servindo de instrumento de resistência às tentativas históricas de silenciá-lo

Sonia Braga, como a médica Domingas, arrebata-nos com o amálgama de brutalidade e ternura de sua personagem. Outros nomes se destacam no elenco brilhante que prima pela diversidade, como Bárbara Colen, Silvero Pereira, Karine Teles, Antonio Saboia e Thomás Aquino. “Bacurau”, com sua estética própria e corajosa, reafirma o alto valor de seus diretores, que ressignificaram o importante cinema brasileiro, respeitando toda a sua história de glórias, lutas e resistência.

Assista ao trailer do filme: