
O diretor explora principalmente trechos da obra definitiva de George Orwell, “1984”, a fim de questionar governos totalitários e outras mazelas contemporâneas
O cineasta haitiano Raoul Peck, indicado ao Oscar em 2017 pelo documentário “Eu Não Sou Seu Negro” (2016, “I Am Not Your Negro”), é um especialista em tocar o dedo nas feridas da sociedade global.
Se no filme citado, Raoul se vale das recordações do escritor James Baldwin sobre grandes ativistas de direitos civis dos Estados Unidos para denunciar o racismo deste país, no documentário “Orwell: 2 + 2 = 5” (2025, EUA, França), o diretor, também roteirista e coprodutor, bebe no inesgotável e profético manancial dos pensamentos políticos do escritor inglês George Orwell, principalmente explorando trechos de sua obra definitiva, o último livro de sua carreira, “1984” (1949), a fim de questionar o totalitarismo adotado em diversos governos mundo afora, a manipulação da verdade, as guerras injustificáveis, a divisão de classes e o poder exercido pelas redes sociais.
Um roteiro admiravelmente bem pesquisado cujo resultado audiovisual flerta com a linguagem pop
Para transformar seu roteiro admiravelmente bem pesquisado em realidade audiovisual, Peck se utilizou dos mais variados recursos, como imagens de arquivo e jornalísticas recentes, cenas de diferentes filmes, inclusive as duas versões de “1984” (de Michael Anderson, 1956, e de Michael Radford, de 1984), animações e criações em IA (certamente como uma ironia).
Dividido em capítulos, flertando com a linguagem pop e narrado com elegância pelo ator Damien Lewis, o doc “Orwell: 2 + 2 = 5” assume um compromisso com o espectador ao entrar no cinema: o de falar a verdade, somente a verdade.
Para Raoul Peck, 2 + 2 = 4.








