Blog do Paulo Ruch

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Foto: Paulo Ruch

A artista Letícia Novaes, egressa do extinto duo Letuce, agora liderando a banda Letrux, com sua multiplicidade de talentos condensados em originais canções, acompanhadas de caráter performático, realiza um show arrebatador que estremeceu as estruturas do tradicional Teatro da UFF, em maio de 2019

O Teatro da UFF, em Niterói, no Rio de Janeiro, estremeceu seus pilares na noite de 31 de maio do ano passado, com a presença magnética de uma artista múltipla, dotada de uma expressividade singular, bela, sensual, divertida, que deixou sua enorme legião de fãs, em sua grande maioria jovens, extasiados, hipnotizados, fiéis absolutos com suas vozes variadas aos versos de suas irresistíveis e originais canções. A responsável por essa sinergia artística memorável com o seu público é a carioca Letícia Novaes, da banda Letrux, também atriz, compositora, escritora e instrumentista, que passou a ser conhecida na primeira década dos anos 2000 com o duo Letuce, ao lado de Lucas Vasconcellos.

Razões não faltam para tecer elogios ao Letrux, que aposta no carisma de sua intérprete, possuidora de potente voz, e no ecletismo de suas influências musicais, dentre tantos outros predicados

A partir de 2017, quando lançou seu primeiro disco solo “Letrux em Noite de Climão” (elogiadíssimo pela crítica especializada), a ótima intérprete passou a construir com solidez e inegável personalidade a sua carreira, sustentada pelo seu arrebatador carisma, presença cênica impressionante, voz potente com trânsito espantoso entre notas distintas (o que lhe confere notória versatilidade) e um setlist eclético com influências do pop eletrônico (e seus synths em profusão) e de outros gêneros, como o funk e o rap, que se manifestam no fraseado conversado de algumas de suas composições.

Tendo como aliados excelentes músicos, Letrux, não se eximindo de sua aguda verve crítica, demonstrada entre um clássico de sua autoria e uma versão deliciosa de um hit, confirma-se como uma artista com grande personalidade, escapando de qualquer rótulo que enclausure seu exponencial talento

Vestindo um lindo macacão vermelho com decotes generosos, valorizando a sua esbelteza, Letrux realizou o seu show acompanhada de músicos excepcionais: Bruno Gafanhoto (bateria, substituindo Lourenço Vasconcellos), Arthur Braganti (teclado e sintetizador), Natália Carrera (guitarra), Martha V (guitarra) e Thiago Rebello (baixo). Majestosamente performática, crítica, política, sagaz, irreverente e sexy, Letrux sacudiu a todos com os seus já clássicos “Flerte Revival”, “Ninguém Perguntou por Você” e “Que Estrago”. Não faltaram ainda, para o deleite geral, competentíssimas releituras de “Unchained Melody”, dos Righteous Brothers, e “Human Nature”, de Madonna.
Letrux é uma artista com um brilho todo especial. Suas letras falam quase sempre sobre o amor, com espaços necessários para a liberdade de ser e de estar do indivíduo. Letrux não é indie, alternativa, tampouco cult. Letrux é do mundo e para o mundo. A noite histórica na UFF traduz bem isso.

Em 13 de março de 2020, Letrux lançou o seu tão aguardado segundo álbum, “Letrux aos Prantos”, tido como mais denso e intenso, segundo a própria, com a participação especial de Liniker e os Caramelows.

Assista ao novo clipe de Letrux, “Eu Estou aos Prantos”, com direção, edição e finalização de Júlio Parente:

Categorias: Show

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Foto: Caio Gallucci

Usando como inspiração para o seu texto uma das lendas mais universais de que se tem conhecimento, A Lenda do Rei Arthur, a dramaturga Marcia Zanelatto faz uma declarada celebração das variadas vertentes de liberdade do indivíduo, traçando um apropriado paralelo com a realidade política de nosso país 

Quando a arte, no caso cênica, presta, com proficiência e responsabilidade, um serviço ao público em que há um paralelo contundente com a realidade que nos cinge, testemunha-se um momento único indelével, ficando o mesmo resguardado e intocado em nossa memória mais afetiva. Este fenômeno se perfaz ao se assistir à arrebatadora superprodução musical “Merlin e Arthur, Um Sonho de Liberdade – Ao Som de Raul Seixas”. A celebrada dramarturga Marcia Zanelatto (texto original), conhecida por sua sensibilidade social, juntou-se a outra referência nos palcos, Guilherme Leme Garcia (concepção e direção) e a uma equipe de peso, associando contextualmente (mesmo que de forma elíptica), com visceralidade artística, a universalidade da lenda do Rei Arthur à conjuntura política, e seu viés comportamental, do Brasil, em prol de todas as vertentes de liberdade (de ser, de escolher, de decidir…).

Disputas de poder, conflitos amorosos e maquinações palacianas são entremeados por interpretações impecáveis de seus atores de canções não menos impactantes de um de nossos maiores nomes da música, Raul Seixas 

A envolvente trama, questionando as noções de tempo, percorre a incrível trajetória do justo e democrático Arthur ainda jovem rumo ao poder da Bretanha (ameaçada pela invasão saxônica), em meio às guerras internas entre romanos e bretões. O Arthur rei (Paulinho Moska, brilhantemente altivo) se aconselha com o sábio Merlin (Vera Holtz, em audiovisual, transcende seu enorme talento). O rei que sonha com a divisão de poderes numa Távola Redonda, desde a juventude disputa o seu amor pela bela Duquesa Guinevere (Larissa Bracher perfeita nas angústias e paixões da mulher surpreendida pelo destino) com o amigo, o Cavalheiro Lancelot (Gustavo Machado, possante como o homem aguerrido). Este quarteto se soma aos pérfidos conselheiros Dreadmor e Anamorg (Patrick Amstalden e Kacau Gomes, impagáveis), e a um time de 17 atores/cantores pulsantes para montar este notável enredo embalado pelos hinos libertários de Raul Seixas (vigorosa direção musical e arranjos de Fabio Cardia e Jules Vandystadt, executados por seis músicos). O set design e a cenografia arrojada, a luz onírica e o belo e lisérgico videodesign são de Camila Schmidt, Anna Turra e Roger Velloso, os figurinos luxuosos (prata e brilho) são de João Pimenta, o deslumbrante visagismo coube a Fernando Torquatto, e as coreografias graciosas e robustas são de Toni Rodrigues.

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Foto: Divulgação

Monique Gardenberg participou de debate, em maio do ano passado, em cinema universitário de Niterói, no Rio de Janeiro, após a exibição especial de seu filme “Paraíso Perdido”, uma joia cinematográfica que exalta dentro de uma família o irresistível repertório musical “brega” do país

Em 16 de maio do ano passado, o Cine Arte UFF, que integra o Centro de Artes UFF, em Niterói, no Rio de Janeiro, contou com a presença da cineasta, diretora teatral, produtora e roteirista Monique Gardenberg no debate após a sessão especial de seu último filme, o encantador, sensível e poético “Paraíso Perdido” (2018). Monique, celebrada no cinema com obras como “Jenipapo” (1995), “Benjamim” (2004) e “Ó, Paí Ó” (2007), mergulha fundo, com nítida paixão pessoal, no fascinante universo do cancioneiro romântico do país, com pérolas musicais tachadas por muitos, de forma pejorativa, como bregas. 

Trilha sonora fascinante de Zeca Baleiro, elenco impecável encabeçado por Erasmo Carlos, roteiro bem estruturado da própria diretora centrado em múltiplos e peculiares personagens, além da fotografia do experiente Pedro Farkas valorizam sobremaneira o longa

Gardenberg, que também assina o roteiro (rico em costuras e desdobramentos narrativos) se vale desta abundante musicalidade (trilha fantástica de Zeca Baleiro, que inclui Márcio Greick , Reginaldo Rossi e Roberto Carlos) para alinhavar as intrincadas e surpreendentes ligações entre os seus adoráveis e diversificados personagens, os quais possuem, em sua maioria, como refúgio seguro das hostilidades urbanas, o clube noturno “Paraíso Perdido”.
O clube, que apresenta shows tão pitorescos quanto memoráveis (um dos pontos altos do filme), pertence ao patriarca José (Erasmo Carlos em atuação iluminada), pai de Ângelo (Julio Andrade, irresistível) e avô de Ímã, uma talentosa drag queen (Jaloo, vibrante) e Celeste (Julia Konrad, precisa na fragilidade). Ímã é filho da detenta Eva (Hermila Guedes, uma atriz de personalidade forte), que se apaixona pela colega Milene (Marjorie Estiano explorando a sua versatilidade).
O gatilho da história ocorre a partir do encontro, numa blitz, entre o policial Odair (Lee Taylor, seu domínio em cena impressiona) e o cantor Teylor (Seu Jorge, inspiradíssimo), que o convida para ir ao clube.
Odair é filho de Nádia (Malu Galli, soberba), uma cantora que sofreu uma agressão que a deixou surda. Humberto Carrão como Pedro, o amante de Ímã, defende com nobreza o seu trabalho mais desafiador, e Felipe Abib, como Joca, o pai do filho que Celeste está esperando, realiza uma elogiável composição.
Louvado pela fotografia inebriante de Pedro Farkas, “Paraíso Perdido” é um tesouro cinematográfico atual que revela o seu despudor em afirmar que o amor pode ser diverso e honesto, ao som de todas as canções, inclusive as mais “bregas”.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Divulgação

O grande sucesso literário de Louisa May Alcott, “Little Women”, trouxe a diretora de “Lady Bird”, Greta Gerwig, de volta às telas, resultando na indicação do filme a seis categorias do Oscar 2020

A pergunta que se faz ao assistirmos à nova adaptação cinematográfica de “Little Women” (1868), grande sucesso literário da americana Louisa May Alcott , “Adoráveis Mulheres” (“Little Women”, EUA, 2019), da diretora Greta Gerwig (“Lady Bird”), candidata a seis categorias do Oscar 2020 (Melhor Filme; Atriz, Saoirse Ronan; Atriz Coadjuvante, Florence Pugh; Melhor Roteiro Adaptado, Greta Gerwig; Melhor Figurino, Jacqueline Durran – vencedora; e Melhor Trilha Sonora Original, Alexandre Desplat) é o que o torna tão fascinante e atemporal para leitores do mundo inteiro, a despeito de se passar em um período específico da História norte-americana, a Guerra de Secessão (1861-1865). Possivelmente a desmedida força feminina e sua indissociável união e solidariedade (a sororidade de nossos tempos) de uma família, as March, confrontada com as intempéries da guerra (como a ausência de seu patriarca), formada por quatro irmãs, a escritora liberal e feminista Jo (a belíssima Saoirse; merecida indicação), a aspirante à atriz que sonha constituir uma família Meg (Emma Watson), a pianista Beth (Eliza Scanlen), e a exigente pintora Amy (Florence Pugh), lideradas pela generosa mãe Mary (a iluminada Laura Dern; que prazer vê-la em cena).

Greta Gerwig procurou não se arriscar em inovações estéticas e formais, preferindo reproduzir a linguagem convencional de um filme de época focado nas relações familiares, mantendo, a despeito disso, a sua relevância como obra cinematográfica

O roteiro de Greta, orgânico, soube entrelaçar os conflitos particulares e coletivos dessas mulheres com notada propriedade. Sua direção (esnobada pelo Oscar, o que gerou estranheza) não buscou inovações estéticas e formais arriscadas, preferindo os padrões convencionais infalíveis de um filme de época com foco no núcleo familiar, proporcionando-nos cenas lindamente coreografadas. Greta, uma jovem com seus 36 anos, sem dúvida é uma cineasta de inegável competência, sendo um nome forte na indústria do cinema estruturalmente dominada pelos homens. Merecem destaque a direção de arte de Jess Ronchor e os figurinos de Jacqueline Durran. O filme conta com a presença majestática de Meryl Streep, como a ranzinza Tia March, e os galãs da vez Timothée Chalamet e Louis Garrel. O longa talvez peque pelo excesso de diálogos que possam confundir a plateia e a trilha sonora bonita porém intermitente de Alexandre Desplat. No entanto, “Adoráveis Mulheres” mantém sua relevância. Louisa May Alcott está bem representada.

Assista ao trailer do filme:

 

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Foto: Divulgação

“O Farol” emula com outros filmes famosos que tiveram como mote a solidão e o confinamento experimentado por dois indivíduos, trazendo como “vítimas” dessa situação atores com trajetórias bem opostas, Willem Dafoe e Robert Pattinson 

A solidão compartilhada involuntária, experimentada por dois indivíduos, sempre foi nobremente explorada na cinematografia mundial. Seja numa ilha deserta com Lee Marvin e Toshiro Mifune durante a 2a Guerra Mundial (“Inferno no Pacífico, 1968), ou no interior de uma cela de prisão brasileira com William Hurt e Raul Julia (“O Beijo da Mulher Aranha”, 1985), numa chave dramática distinta. No caso do vencedor da Crítica Internacional da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2019, “O Farol” (“The Lighthouse”, EUA, Canadá, 2019), do americano Robert Eggers (“A Bruxa”), trata-se da convivência movida a tensão máxima entre o irascível e tirânico zelador de farol Thomas Wake (William Dafoe) e o novato faroleiro Ephraim Winslow (Robert Pattinson) confinados numa longínqua ilha no início do século XX. Enfrentando todas as espécies de revés, incluindo as intempéries naturais, esses dois homens, vítimas da situação opressora que lhes foi imposta, ficam sempre no perigoso limite entre a sanidade e a loucura. 

O formato em tela quadrada aumenta a sensação de claustrofobia, valorizada pela bela fotografia expressionista em p&b de Jarin Blaschke, indicada ao Oscar deste ano

Filmado com arrojo e apuro visual por Eggers, que preferiu lançá-lo em tela quadrada, aumentando a sensação de claustrofobia, o longa, cujo roteiro com diálogos afiados lhe pertence e ao irmão Max Eggers, reserva ao público uma espiral crescente de suspense e terror com pitadas de delírio psíquico. O veterano Dafoe e Pattinson (galã revelado na saga “Crepúsculo”) travam um inexorável duelo de titãs (ambos impressionam, mas Robert Pattinson nos surpreende como grande ator) na produção em preto e branco expressionista fotografada em instigantes locações por Jarin Blaschke (indicado ao Oscar deste ano) e musicada de modo perturbador por Mark Korven. 

O produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, emplaca mais um longa de qualidade no mercado externo, firmando o seu empenho em se engajar em obras com grande potencial artístico

“O Farol”, coproduzido pela RT Features de Rodrigo Teixeira, é um belo e pungente filme de arte (sem reducionismos) que faz com que nos defrontemos com a psiquê humana quando é levada aos extremos da sobrevivência e do convívio forçado. O que Wake e Ephraim não sabem é que não estão sós com o farol e as gaivotas. Nós estamos o tempo inteiro com eles.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Divulgação

Em 1992, Quentin Tarantino se revelava ao mundo com “Cães de Aluguel”. Após muitos anos e vários sucessos, hoje o diretor é considerado um dos mais inventivos do cinema, concorrendo com o seu filme atual a 10 categorias do Oscar, incluindo as principais, como Melhor Filme e Direção

Em 1992 era lançado um filme, “Cães de Aluguel”, de um jovem diretor norte-americano, Quentin Tarantino, que entraria de vez para a galeria dos cineastas mais inventivos da atualidade, criador de uma linguagem e estética particulares, que de tão pessoais se tornaram um adjetivo: um filme “tarantinesco”. Dois anos depois, Quentin se sagraria o grande vencedor do Festival de Cannes com “Pulp Fiction”. De lá para cá, vieram muitos prêmios para o também roteirista e produtor. Conhecido por sua narrativa iconoclasta, profusão de diálogos afiados e sarcásticos, montagem acelerada, hiperviolência, além de um bocado de referências pop, incluindo a música, cada novo filme de Tarantino é cercado de expectativas. E não foi diferente com “Era Uma Vez Em… Hollywood” (“Once Upon a Time in Hollywood”, EUA, 2019), vencedor do Palm Dog do Festival de Cannes (recentemente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os indicados ao Oscar, sendo que “Era Uma Vez Em… Hollywood” concorre em 10 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator – Leonardo DiCaprio, Melhor Ator Coadjuvante – Brad Pitt, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhor Roteiro Original – Quentin Tarantino).

O longa, que reúne dois dos maiores astros surgidos no início dos anos 90, Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, é passado no final da década de 60 em uma Los Angeles imersa no glamour e no desbunde, onde um ator em declínio e o seu dublê enfrentam os reveses dos bastidores de uma filmagem, enquanto se prenuncia um fato trágico que marcaria o cinema para sempre

Tendo como pano de fundo uma Los Angeles de 1969 tomada pela cultura hippie, pelo desbunde do glamour hollywoodiano e pelos momentos antecedentes à tragédia envolvendo a atriz Sharon Tate (a belíssima Margot Robbie, esfuziante), “Era Uma Vez…” nos conta a jornada de um astro em direção ao ostracismo, o angustiado e conflituoso Rick Dalton (Leonardo DiCaprio dono de seu papel) e seu fiel dublê, o bonachão e charmoso Cliff Booth (Brad Pitt esbanja talento com sua beleza madura), pelos bastidores das filmagens de uma produção em que não é mais o centro das atenções. Com as presenças ilustres de Al Pacino, Bruce Dern e Kurt Russel, esta obra escrita por Tarantino, que poderia ser um pouco menor do que as suas 2h40min, ganha com a sintonia perfeita de dois dos maiores intérpretes/galãs surgidos no início da década de 90 e com a trilha sonora recheada de bons rocks e baladas da época. Um filme valoroso. Talvez um pouco mais do que isso para os fãs do autor de “Pulp Fiction”.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Divulgação

“Dois Papas”, que marca o retorno de Fernando Meirelles à direção de filmes, junta-se à irresistível galeria de obras cinematográficas que abordaram a vida instigante e misteriosa dos Sumos Pontífices

Filmes sobre papas sempre despertam a curiosidade do público cinéfilo, provavelmente devido aos mistérios e transcendência atinentes ao cargo de Sumo Pontífice, sua potencial intangibilidade e o alcance político de suas decisões no mundo. Caso contrário, obras como “As Sandálias do Pescador” (1966), com Anthony Quinn, e “Habemus Papam” (2011), de Nanni Moretti, sendo drama ou comédia, não teriam feito tanto sucesso. Após um hiato de cinco anos, o consagrado Fernando Meirelles retoma a batuta de cineasta com louvor máximo ao conduzir com elegância, ironia refinada e profunda pesquisa histórica seu mais novo longa, “Dois Papas” (“The Two Popes”, Reino Unido, ITA, ARG e EUA, 2019), roteirizado por Anthony McCarten (Roteirista do Ano no Hollywood Film Awards 2019), que elaborou um enredo lapidar, cujo memorável jogo dinâmico de diálogos se impõe como um dos elementos fundamentais da produção da Netflix.

O longa, cuja trama compreende o período da morte do Papa João Paulo II em 2005, e a renúncia de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, mostra-nos com humor e inteligência o encontro com rico debate de ideias entre Ratzinger e o novo eleito para assumir a liderança da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio

Baseado em fatos reais, “Dois Papas” esmiúça o período entre 2005, com a morte de João Paulo II e a controvertida eleição do alemão Joseph Ratzinger, Bento XVI, e 2013, com sua inesperada renúncia, motivada pela prisão de seu secretário especial, omissão de abusos sexuais e escândalos financeiros, e a eleição do argentino Jorge Bergoglio, o Papa Francisco. Neste lapso de tempo, Fernando explora magistralmente o encontro desses dois homens emblemáticos para a história recente do Catolicismo, marcados por ideias, posições e personalidades tão diversas. O que se vê entre a figura conservadora e elitista de Bento XVI e a simbolização da simplicidade de Bergoglio é a materialização de um embate interpessoal sem tréguas em que são discutidos com inteligência temas como a fé, Deus e os dogmas católicos, sem que o tom leve e bem-humorado seja preterido. Sir Anthony Hopkins e Jonathan Pryce , como Bento e Francisco, respectivamente, estão magníficos, atingindo o ponto da perfeição interpretativa. Titãs absolutos em cena. Como Francisco jovem, o argentino Juan Minujín.
se destaca. A fotografia do uruguaio radicado no Brasil Cesar Charlone é exuberante.

A obra de Meirelles, que nos leva à vasta reflexão, recebeu três importantes indicações ao Oscar 2020

“Dois Papas”, com três importantes indicações ao Oscar 2020 (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator para Jonathan Pryce e Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Hopkins) é um filme fenomenal, obrigatório e imparcial, destinado à vasta reflexão.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Divulgação

Karim Aïnouz foi um dos nomes do cinema nacional mais comentados em 2019, tendo sido o responsável por catapultar, e consolidar o seu talento, o ator Lázaro Ramos para o gênero ao lhe dar o papel de Madame Satã no filme homônimo  

Em 2002, o cineasta cearense Karim Aïnouz despertou as atenções para o seu trabalho com o lançamento de “Madame Satã”, filme que consolidou o talento artístico de Lázaro Ramos para o grande público. Depois de outras obras de sucesso, Karim, que também é roteirista, chegou a 2019 como um dos nomes mais comentados do cinema nacional ao ter o seu mais recente longa, “A Vida Invisível”, baseado no romance homônimo de Martha Batalha, reconhecido na Mostra Um Certo Olhar/”Un Certain Regard” do Festival de Cannes 2019, sagrando-se vencedor.

Uma história envolvente e sensível narra o desencontro entre duas irmãs quando ainda eram muito jovens, mostrando que apesar de todas as mudanças de suas vidas, jamais se esqueceram uma da outra 

Corroteirizada por Murilo Hauser, Karim Aïnouz e Inès Bortagaray, a envolvente e sensível produção é estrelada por Carol Duarte e Julia Stockler (soberbas, foram as vencedoras do APCA-SP/Associação Paulista dos Críticos de Arte de São Paulo), que interpretam, respectivamente, no Rio de Janeiro da década de 40, as irmãs Eurídice e Guida Gusmão. Bastante unidas, Eurídice, mais introvertida, sonha em crescer como pianista em Viena, Áustria, enquanto Guida, avançada no comportamento, apraz-se com os namoros. Os rumos são redesenhados quando Guida resolve fugir para a Grécia com o marinheiro Yorgos (Nikolas Antunes), deixando sua irmã desolada. Num cenário patriarcal, Eurídice casa-se com o machista e abusivo Antenor (Gregório Duvivier). As vidas dessas duas irmãs marcadas por uma separação que as corrói, são objetos de todos os tipos de opressão, humilhações, sofrimentos que sua identidade de gênero possa lhes permitir. A intransigência do pai Manuel (António Fonseca) e a submissão da mãe Ana (Flávia Gusmão) acentuam o desencontro fraternal.

“A Vida Invisível” se torna um filme necessário em um momento em que se discute com maior abrangência e profundidade a posição da mulher na sociedade contemporânea

Com a música original de Benedict Shiefer pontuando boa parte da trama, iluminada ora com sobriedade ora com vivacidade pela fotografia de Hélène Louvart, “A Vida Invisível”, sem ser panfletário, cumpre um papel importante ao nos deixar claro do quão é necessário falar da condição feminina, independente de épocas, afastando toda e qualquer ação de preservação da repressão estrutural masculina. O elenco brilha e se destaca sem exceções (inclusive Maria Manoella como Zélia), tendo a participação especial comovente de Fernanda Montenegro como Eurídice. Ao final, pressupõe-se que uma vida inteira pode ser invisível, mas as cartas jamais o serão.

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Divulgação

Não é de hoje que o cinema oriental vem nos surpreendendo com a sua qualidade, mostrando ao mundo a inventividade de seus roteiros, a mão firme ou sensível de seus diretores e a beleza pictórica de suas imagens. Em 1954, o clássico de Akira Kurosawa, “Os Sete Samurais”, serviu de referência formal para outros cineastas. “Lanternas Vermelhas” (1991) impressionou com a sua estética inebriante. E “Oldboy” (2003) conquistou um séquito de fãs pelo seu caráter subversivo. O mais novo representante da cinematografia asiática a se destacar no circuito mundial, “Parasita” (“Parasite”/”Gisaengchung”, Coreia do Sul, 2019), de Bong Joon-ho, já se tornou o favorito absoluto para amealhar o Oscar 2020 de Melhor Filme Internacional (no último dia 5 ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro). O grande vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano, além de outros importantes prêmios estrangeiros, revela-nos uma Coreia do Sul apartada entre os miseráveis e os abastados, distante do cartão postal de nação rica e moderna que nos é vendido. O engenhoso roteiro de Joon-ho e Han Jin-won, com ácida crítica social, vale-se de um atalho narrativo que unirá os dois núcleos símbolos da chocante desigualdade econômica. Uma família depauperada, cuja moradia é um subterrâneo urbano, irá se infiltrar, um a um, de forma ardilosa, como funcionários, no seio do rico clã, protegido em sua portentosa mansão. O combate latente entre as classes díspares, a discriminação velada, as mentiras crescentes e a ambição sem freios culminarão em um cenário devastador de hiperviolência e insanidade. O elenco formado por Song Kang-ho, Lee Jung-eun, Choi Woo chik, Park So-dam, Lee Sun Gyun, Cho Yeo-jeong e Jeong Ji-so se sai uniformemente bem (Melhor Elenco no SAG Awards). “Parasita”, de modo original e extremado, partindo de seu microcosmo, denuncia com ferocidade o abismo socioeconômico sistêmico no planeta, provando-nos que toda sociedade em maior ou menor grau é parasitária de si mesma. 

Assista ao trailer do filme:

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Foto: Paulo Ruch

A atriz Manuela do Monte na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
Gaúcha de Santa Maria, seus primeiros passos na vida artística se deram no teatro (os estudos foram aperfeiçoados no futuro, ao ingressar em escolas especializadas de renome, ambas no Rio de Janeiro, a CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, e O Tablado).
No entanto, iniciou a sua carreira profissional nos cinemas ao ser selecionada em um teste para o filme “Manhã Transfigurada”, de Sérgio de Assis Brasil, para viver a personagem Camila (o longa foi baseado no romance homônimo de Luís Antônio de Assis Brasil; a despeito de ter sido realizado em 2002, a produção só foi lançada nas telas em 2009).
Estreou na televisão em 2003, em uma minissérie dirigida por Jayme Monjardim para a Rede Globo, de autoria de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão, “A Casa das Sete Mulheres” (na trama, baseada no livro de mesmo nome de Letícia Wierzchowski, a intérprete defendeu Joana, a filha bastarda de um coronel, José de Abreu, enviada a um convento ainda na infância).
Neste mesmo ano, emenda com outro trabalho que lhe traria popularidade, a protagonista da 10ª temporada de “Malhação”, como Luísa, uma estudante de fotografia (formou par romântico com Sérgio Marone).
Após ter experimentado uma minissérie e uma novela teen, Manuela é convidada para interpretar um papel, Branca das Neves, em uma história escrita por Antonio Calmon em parceria com Elizabeth Jhin, “Começar de Novo”, levada ao ar às 19h na emissora.
No ano de 2006, a artista fez uma participação especial na minissérie “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, como Amália Brant, a primeira namorada de Juscelino Kubitschek (Wagner Moura/José Wilker), e ganhou um papel na telenovela de Manoel Carlos, veiculada no horário nobre, “Páginas da Vida”, como Nina, contracenando com Tarcísio Meira, que fazia o seu avô, e Helena Ranaldi, a sua mãe.
Posterior a um episódio no seriado “Casos e Acasos”, integrou o elenco do remake de “Paraíso” (2009), de Benedito Ruy Barbosa, na faixa das seis horas, encarnando Tonha (a primeira versão de “Paraíso”, também escrita por Benedito, foi apresentada em 1982).
Mais três folhetins constam de seu currículo na Rede Globo, de 2010 a 2012: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin, “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e “A Vida da Gente”, de Lícia Manzo (nessas duas últimas, foram participações).
Por mais de dois anos (2013 a 2015), protagonizou a nova adaptação de “Chiquititas”, no SBT, desta vez feita por Íris Abravanel (a versão anterior do original argentino de Cris Morena, assinada pela própria Cris e colaboradores brasileiros, também exibida pelo SBT, teve como protagonista Flávia Monteiro, no papel da diretora do orfanato Raio de Luz Carol).
Sua ida para a RecordTV foi marcada inicialmente pelas suas personagens em folhetins bíblicos: em “Apocalipse”, de Vivian de Oliveira, no qual representou uma vilã, a judia ortodoxa Débora, na 1ª fase; e “Jesus”, de Paula Richard, onde encarnou Laila, uma mulher que, por cometer adultério, passa a ser condenada por todos.
No cinema, atuou no filme dirigido e roteirizado por Jose Posadas, “Estado de Exceção” (2012).
E no teatro, deu vida a Salomé, neta de Herodes, o Grande, na Paixão de Cristo de Piauí.
No próximo dia 10, Manuela do Monte estará na nova novela das 19h da RecordTV, “Amor Sem Igual”, de Cristianne Fridman, com direção de Rudi Lagemann, como Fabiana, a assessora de imprensa de uma agência de jogadores de futebol, namorada de Leandro, um vilão interpretado por Gabriel Gracindo, que trabalha no setor jurídico da mesma empresa, e a trai com Fernanda, papel de Bárbara França.

Agradecimento: TNG