
A consultora de moda Gloria Kalil sendo entrevistada antes do início de algum dos desfiles.
Foto: Paulo Ruch

A consultora de moda Gloria Kalil sendo entrevistada antes do início de algum dos desfiles.
Foto: Paulo Ruch
Há personagens que demandam demais dos atores no que tange às suas potencialidades dramáticas. Outros personagens são, por assim dizer, monocromáticos. O que não é o caso de Nina, papel que cabe a Débora Falabella em “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro. Na segunda fase do folhetim, e por conseguinte, nas cenas posteriores, Débora teve que alternar repetidas vezes reações diversas que denotassem doçura, determinação, fragilidade, força, insegurança, dissimulação, e tantos outros substantivos que indiquem estados emocionais do ser humano. Além disso, a atriz mineira teve que lançar mão de dois sentimentos opostos simultaneamente: amor e ódio. Nina dedicou o primeiro aos que lhe foram bons, como Lucinda (Vera Holtz), quem a criara por certo tempo; Jorginho (Cauã Reymond), a quem ama desde a infância; Betânia (Bianca Comparato), a amiga de todas as horas; e Begônia (Carol Abras), a irmã adotiva. E o segundo aos que lhe foram cruéis, como Carminha (Adriana Esteves), Max (Marcello Novaes) e Nilo (José de Abreu). Com a virada da novela, ou seja, com Nina afinal pondo o seu plano de vingança em prática, a intérprete Débora Falabella utilizou-se de recursos que fossem representativos da frieza, da arrogância e da insensibilidade. Se o telespectador se esquecer por alguns instantes das maldades de Carmen Lucia, poderá apiedar-se dela. Para cada pessoa que assiste à trama consiste o direito de achar se a amante de Max é ou não merecedora do que está passando. No entanto, algo me despertou a atenção: Nina não possui todo o seu plano armado, já que ainda não sabe o que fazer quando Tufão (Murilo Benício) e família chegarem de Cabo Frio. E não podemos nos esquecer de que se o jogo se inverter, Carminha ficará pior do que já era. Já no que concerne à carreira de Débora, começou cedo com peças teatrais como “Flicts”, de Ziraldo. Sua estreia na TV deu-se em “Malhação”, ficando por período curto. O trabalho que lhe deu a primeira projeção foi a produção infantil gravada na Argentina, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Retorna à Globo para viver Cuca, de “Um Anjo Caiu do Céu”. Depois de ter sido laureada em importantes festivais de cinema pelo curta “Françoise”, recebeu a incumbência de personificar em “O Clone”, de Gloria Perez, a dificílima personagem Mel, uma dependente química com problemas de reabilitação. O primeiro papel histórico foi Sarah Kubitschek, na minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral, “JK”. Na área dos remakes, protagonizou “Sinhá Moça”. Em seguida a “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, foi uma vilã em “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Estrelou ao lado de Selton Mello, Luana Piovani e Álamo Facó, o seriado adaptado do filme homônimo “A Mulher Invisível”. Participou do especial de fim de ano “Homens de Bem”, com Rodrigo Santoro. Como atriz de televisão, também integrou o elenco de outras produções, como séries, programa humorístico, e obras como “Agora É que São Elas”, “Senhora do Destino”, e as minisséries “Um Só Coração” e “Som & Fúria”. No cinema, merecem destaque “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de José Jofilly, “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, “A Dona da História” e “Primo Basílio”, ambos de Daniel Filho, e “Meu País”, de André Ristum, dentre outros longas e curtas-metragens. No teatro, encenou “A Serpente”, de Nelson Rodrigues, e “Noites Brancas”, de Dostoiévski, por exemplo. O que nos resta agora é saber até quando Nina achará ótimo ser uma anti-heroína. Sendo ou deixando de ser, Débora Falabella continuará sendo ótima.

Painel representativo da moda no Rio de Janeiro dos anos 80.
Foto: Paulo Ruch

Painel do stand do Caderno Ela do jornal O GLOBO, que mostrava um desfile do Grupo Moda Rio de Janeiro.
Foto: Paulo Ruch

Painel com o slogan do evento.
Foto: Paulo Ruch
Diz o provérbio popular que “Um dia é da caça, o outro do caçador”. E na novela das 21h de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”, Nina (Débora Falabella) está aí para comprová-lo. Desde a infância, ela era constantemente maltratada pela madrasta Carminha (Adriana Esteves), e por causa dela perdera o pai Genésio (Tony Ramos), que transtornado por ter sido traído pela mulher com outro homem, no caso Max (Marcello Novaes), e que ainda por cima teria o dinheiro da venda da casa onde moravam roubado pelo casal, acabou sendo vítima de um atropelamento. A menina não teve direito sequer à parte da herança que lhe cabia, e fora abandonada em um lixão. Lá, fora criada por Lucinda (Vera Holtz), e depois adotada por um rico argentino (Jean Pierre Noher). Já adulta, formou-se em Gastronomia no país vizinho, e ao retornar ao Brasil conseguiu empregar-se como chef na mansão da desafeta, por meio de Ivana (Letícia Isnard), que conhecera pela internet. Conquistou a todos, menos Carmen Lucia e Zezé (Cacau Protasio). Porém, após alguns estratagemas para obter a confiança da patroa, esta passa a considerá-la como amiga e até certo ponto confidente. Apesar dos conselhos da mãe de criação Lucinda, de Betânia (Bianca Comparato) e da irmã adotiva Begônia (Carol Abras), Nina em momento algum desistiu do objetivo de vingar-se de quem tanto a castigara. Nem mesmo o amor que sente por Jorginho (Cauã Reymond), que conhecera no lixão, foi capaz de demovê-la da ideia. A trama começou a tomar um rumo em que Carminha descobriu que Rita (Mel Maia), que estava de volta, na verdade não era Betânia. Nina enganou a mulher de Tufão (Murilo Benício) várias vezes, até simular que a suposta ex-enteada era dependente química, e que precisaria viajar para ser cuidada. Muitos acontecimentos decorreram, até que a mãe de Ágata (Ana Karolina Lannes) uniu as peças de um intricado quebra-cabeça, e chegou a Nilo (José de Abreu). A sua vida confortável gerou-lhe desconfiança. A esta altura, Max já havia descoberto a verdadeira identidade de Nina, e esta passou a enganá-lo dizendo serem parceiros. Alguns fatos levaram Carminha a ter a certeza de que Nina era Rita: a confissão de Betânia forçada a falar pois seu namorado Valdo (João Henrique Gago) estava sendo espancado, os documentos com a identificação real da amiga na residência onde mora, e as foto (já com a aparência de Nina) e boneca de Rita no apart de Nilo. Tomada por indomável ódio, arquiteta um susto contra a moça, com a ajuda de Lúcio (Emiliano D’Ávila). Ao se recuperar, com a sede de vingança ainda maior, de posse das fotos comprometedoras que indicam que Carminha e Max têm um romance, Nina, aproveitando-se da ausência da ex-patroa, que fora a um club “bas-fond” com o amante, e dando um jeito de livrar-se do filho de Janaína (Claudia Missura), que estava na casa como vigia, consuma o seu plano, trocando as diversas fotos dos porta-retratos por aquelas que denunciariam o casal de golpistas. Carmen Lucia chega, e surpreende-se ao ver Nina. Fica mais surpresa ao se deparar com as fotos que levariam seu casamento ao fim. Não satisfeita, a chef repete com Carminha todas as humilhações que lhe foram impingidas. Lavar o chão molhado de vinho foi uma delas. Além de obrigá-la a esquentar a comida, vestir o avental, e posteriormente servi-la a vitela “fricassée” à francesa. Quando Max aparece (isto quando a sua cúmplice está limpando o assoalho do salão), não entende nada. Mas quando vir as fotos, entenderá tudo. E se fizer um exercício de memória, irá se lembrar do provérbio “Um dia é da caça, o outro é do caçador”. E dessa vez, a caçadora é Nina.

Foto: Divulgação/TV Globo
Ao ver uma cena entre Betty Faria e Carolina Ferraz (foto), como Pilar e Alexia, mãe e filha respectivamente em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, lembrei-me de que estava diante de duas “Lucinhas”. Explico melhor: em 1975, após a censura à primeira versão de “Roque Santeiro”, de Dias Gomes, e sucessiva reprise de “Selva de Pedra” (para que desse tempo de produzir outro folhetim), de Janete Clair, que foi assistida em 1972, a Rede Globo encomendou a esta mesma grande teledramaturga uma outra novela para ser veiculada no horário nobre. E “Pecado Capital” estreou, sendo um enorme sucesso. No elenco, Francisco Cuoco (Carlão), Betty Faria (Lucinha) e Lima Duarte (Salviano Lisboa). Lucinha trabalhava na fábrica de Salviano, e era noiva do taxista Carlão. Foi descoberta por um agente, e tornou-se modelo. O ano agora é 1998. A emissora carioca decide realizar um remake de “Pecado Capital” para as 18h, cuja adaptação ficou por conta de Gloria Perez. E como Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis haviam tido grande êxito como par romântico em “Por Amor” (1997), de Manoel Carlos, ambos foram escalados para viverem Lucinha e Carlão. Como Salviano, Francisco Cuoco. Vamos às outras curiosidades da obra de João Emanuel Carneiro. Nota-se que o autor tem uma afeição pela Argentina em geral. Em “A Favorita” (2008), a ótima abertura possuía como tema a música “Pa’ Bailar”, do grupo de tango eletrônico, formado por argentinos e uruguaios, Bajofondo. Na atual trama, nos momentos de clímax, a trilha incidental usa acordes que remetem ao gênero musical do país citado. Nina (Débora Falabella), quando foi adotada, fora por um casal argentino. E o pai era interpretado por Jean Pierre Noher, que é franco-argentino. E em “A Favorita”, coube-lhe Pepe, dono de um bar que ajudou a esconder Donatela (Claudia Raia) da perseguição implacável de Flora (Patrícia Pillar). Algumas cenas da produção atual foram gravadas em Mendoza, na Argentina. Já Claudia Missura, que personificou a irmã de Dodi (Murilo Benício), em “A Favorita”, hoje é Janaína, a sua empregada doméstica em “Avenida Brasil”. O cachorro de Betânia (Bianca Comparato) chamava-se Dodi numa clara referência ao papel de Murilo na produção anterior. Ainda há Alexandre Borges (Cadinho) e Débora Bloch (Verônica), que foram Raul e Silvia Cadore em “Caminho das Índias” (2009), de Gloria Perez. E na novela de João Emanuel Carneiro foram supostamente casados. Alexandre foi ainda o estilista Jacques Léclair, e Murilo Benício, seu concorrente no ramo, Victor Valentim, no remake de Maria Adelaide Amaral, “Ti-Ti-Ti” (2010). E há Marcello Novaes, que atuou como Xande, o namorado de Mel (Débora Falabella), em “O Clone” (2001), de Gloria Perez. Marcello foi também o irmão de Tião (Murilo Benício), em “América”, da mesma autora, em 2005. Nathalia Dill (Débora), como Doralice, a filha do Prefeito Patácio Peixoto (Marcos Caruso), era apaixonada por Jesuíno (Cauã Reymond), em “Cordel Encantado” (2011), de Thelma Guedes e Duca Rachid. Chegou a se disfarçar de homem para ficar mais perto do amado. Em “Avenida Brasil”, nutre amor por Jorginho, papel de Cauã. Uma das mais interessantes curiosidades envolve Vera Holtz (Lucinda) e de novo Cauã Reymond. Em 2005, em “Belíssima”, de Silvio de Abreu, Cauã era um garoto de programa que tinha justo como sua principal cliente Ornela, que era defendida por Vera. E assim, dando um passeio descompromissado em “Avenida Brasil” encontramos algumas curiosidades.

Painel com fotos de modelos em momento de desfile.
Foto: Paulo Ruch

Ampliação de foto do modelo Paulo Zulu exposta no Fashion Rio.
Foto: Paulo Ruch