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Na semana passada, uma atriz muito querida do público, Natália Lage, foi entrevistada por Jô Soares, em seu talk show. A intérprete de Niterói, cuja primeira novela foi na Rede Globo, “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz, como Regina, filha dos personagens de José Wilker e Lucinha Lins, foi falar sobre sua atual peça, “JT – Um Conto de Fadas Punk”. A artista que mantém cabelos platinados, e trajava um cardigã preto vazado sobre uma também vazada blusa verde, junto a calças e escarpins escuros, após Jô ter mostrado o programa do espetáculo, conta-nos do que ele se trata. Mas antes o apresentador afirma que a história baseada em acontecimentos reais é tão famosa que rendeu até capítulo da série “Law & Order”. Natália então narra o que de fato ocorreu. Nos anos 2000, apareceu nos Estados Unidos um jovem escritor, JT LeRoy, que lançara um livro autobiográfico. E neste, relatava a infância difícil que tivera, morando nas ruas, envolvendo-se com drogas, tendo uma mãe que era prostituta… Com o lançamento do livro, segundo a artista, JT conseguiu por meio da literatura uma espécie de redenção, passou a ser reconhecido, badalado e famoso. Tempos depois, foi descoberto que JT LeRoy não existia, era um personagem, e quem na verdade escrevia os livros era Laura Albert, uma ex-cantora punk, que já trabalhara com disque-sexo. Entretanto, quem servia como figura pública era sua cunhada, Savannah Knoop, uma garçonete (papel de Natália). Savannah é homossexual, e JT, quem interpretava, também. Assim, para Natália, o desafio foi este: uma menina gay se fazendo passar por um menino gay. Savannah manteve a história com a imprensa por algum tempo. Houve a necessidade das aparições públicas (palestras, entrevistas…), e a cunhada foi incumbida desta missão, devidamente produzida com chapéu, peruca e óculos escuros. Como um dos elementos da trama é o disque-sexo, Débora Duboc, também atriz do elenco, emite sua opinião a respeito, e diz que Laura Albert (seu papel) afirmou em entrevista que muito do personagem que criara adveio das suas experiências no disque-sexo, por ter ouvido o que as pessoas tinham a lhe dizer. Laura, como curiosidade, fazia-se passar por mulheres de diferentes faixas etárias. Jô pergunta a Natália se teve dificuldades em criar o papel. Ela responde que no começo “ficou meio perdida de como começar a construção do personagem”, até que decidiu seguir o caminho de vivenciar o incômodo de algo que seria muito distante para uma pessoa. Afora, o “fascínio de estar ali, vivendo uma experiência louquíssima”. Natália assevera ainda que a função do espetáculo é mostrar como Laura Albert conseguiu agregar as pessoas em torno desta história tão insólita. Confirma que Savannah, com o passar dos anos, começou a se sentir confortável com o papel que desempenhava, a ponto de em certas ocasiões tirar o chapéu e os óculos. Tanto que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora da peça, Luciana Pessanha, e que participou do projeto com Natália desde o início, numa entrevista com JT, este já estava completamete relaxado, sem os disfarces que antes o acompanhavam. Quanto à ficha técnica da peça a direção é de Paulo José e Susana Ribeiro. E no elenco, além de Natália e Débora, estão Nina Morena, Hossen Minussi e Roberto Souza. Agora, fotos da peça são exibidas no telão. Jô indaga a Natália sobre a voz que usa. Ela respondeu que dá um tom mais grave, hesitante, “como alguém que ‘tá’ com medo de falar”. Em uma das fotos, aparece uma cena de briga que decorreu entre Asia Argento (Nina Moreno que a faz), filha do cineasta Dario Argento. Asia foi o pivô da briga entre Savannah e Laura. Asia Argento chegou a participar de um filme que se baseou no primeiro livro de JT, “Maldito Coração”. A entrevista está se aproximando do final, e um VT da novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi, em que Natália contracena com Mário Gomes é posto para que vejamos uma das passagens de sua precoce carreira. E assim ficamos sabendo um pouco mais desta extraordinária história irreal que nos fizeram crer que era real contada por uma atriz de real talento, Natália Lage.
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Foto: Nathalia Fernandes/TV GloboQue Pedro Bial é um dos melhores jornalistas que temos não se discute. Ele que já foi por anos correspondente estrangeiro, e cobriu fatos históricos como a Queda do Muro de Berlim. Apresentou o “Fantástico”, e em 2002 lançou-se como uma espécie de comunicador, conduzindo o reality “BBB”. Muitos o criticaram, e muitos o apoiaram. Mas Bial nunca deu bola para isso. E lá se vão doze edições que o jornalista dá um incremento ao programa que acirra ânimos tanto dos participantes quanto dos telespectadores. Agora, Pedro Bial foi escalado para comandar uma produção que a cada semana tratará de um tema polêmico, com convidados especiais. Na quinta-feira, com a estreia, o que se viu foi um Bial seguro e confiante em meio a um cenário que mistura o pop, o clássico e o contemporâneo com plateia majoritariamente jovem, e três convidados: o professor e filósofo Luiz Felipe Pondé, a atriz e psicóloga Maria Paula e o jornalista Antônio Carlos Queiroz. O cantor e compositor Alexandre Pires atuou como DJ, e respondia sempre que solicitado a algumas perguntas de Pedro Bial. Este não se esquivou em criticar quando as respostas eram evasivas, ou fugiam do contexto. O tema escolhido foi o “politicamente correto”. Alguns eram contra, outros a favor. Antônio emitiu uma opinião, segundo Bial, macropolítica. Pondé já acha que não vivemos numa “ditadura do politicamente correto” pois o que é supostamente correto teria que ser legislado, e Maria Paula defende que tudo deve ser avaliado da forma como as palavras são ditas. É colocado em pauta se as velhas cantigas são corretas ou não em suas letras. A seguir, Pedro Bial assevera que situações que antes eram consideradas naturais e inofensivas hoje são crimes, como o assédio sexual no ambiente de trabalho. Um vídeo com depoimentos reais é mostrado. Para surpresa nossa, os envolvidos vão até ao palco. E surpresa maior ainda, hoje estão casados. Segundo o jornalista, 52% das mulheres economicamente ativas já foram assediadas. O assunto agora é assédio moral, que pode levar a vítima a ter consequências sérias em sua vida. Uma reconstituição com a atriz Adriana Lessa é exibida. E a personagem do episódio verídico surge no estúdio para dar esclarecimentos sobre o seu caso. O professor Roberto Eloani é chamado para esclarecer sobre a ética no trabalho. Aproveitando a presença de Alexandre Pires, debateu-se sobre o recente clipe do cantor que foi considerado preconceituoso, por diversas razões. Cada participante deu a sua opinião a respeito. O fato da mulher brasileira ser vista como símbolo sexual também é colocado na berlinda. Chega a hora em que Pedro Bial foi às ruas, levando em mãos a cartilha do “Politicamente Correto & Direitos”, de Antônio Carlos Queiroz. Houve uma discordância entre Bial e Antônio Carlos sobre os segmentos para quem o livro é direcionado. O programa está perto do fim, e Pedro Bial discursa sobre o que é para ele o “politicamente correto”. Encerra-se a atração com o anúncio do próximo tema: a privacidade. O que podemos deduzir da estreia de “Na Moral” é que o programa é enxuto, sem delongas, dá voz às pessoas (com a exceção da plateia), e os assuntos não ficam perdidos. E, na moral, é sempre bom dar uma espiadinha no Bial.
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Foto que exibia modelo desfilando, e que servia de ornamentação para o Fashion Rio.Foto: Paulo Ruch
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Nicho em que se via um exemplar da sandália Ipanema.
Foto: Paulo Ruch -

Lounge onde se reuniram os convidados do SESI-RJ, SENAI e Sistema FIRJAN.
Foto: Paulo Ruch -

Registro fotográfico que mostrava como as moças usavam a moda praia numa determinada época.
Foto: Paulo Ruch -

Painel que registrava página do jornal O GLOBO anunciando a despedida da marca de roupas Blu Blu.
Foto: Paulo Ruch



