Niko (Thiago Fragoso) é um profissional bem-sucedido, bonito, sensível e homossexual assumido. Mantinha uma união estável e feliz com Eron (Marcello Antony), um profissional bem-sucedido, bonito, sensível e homossexual mal resolvido. Desejavam constituir família. Recorreram à técnica da reprodução assistida a fim de que tivessem um filho. Todavia, as “barrigas solidárias” que a eles se apresentaram não os satisfizeram. “Solidárias” é tão somente um adjetivo plural simpático que deram para um procedimento que, em não poucos casos, envolve dinheiro alto. A até então amiga Amarylis (Danielle Winits), uma dermatologista do Hospital San Magno, que oferece aos seus pacientes hidradantes perfeitos para peles ressecadas, disponibiliza o seu ventre para gestar rebento do casal. Não exigiu nada. Porém, a todo o instante demonstrou veleidade de ser mãe, o que, de certo modo, já colocaria a situação pós-parto sob risco, no que tange a aspectos afetivos. Niko e Eron decidem de comum acordo doar cada um cota de material reprodutivo, com a condição de que nunca soubessem quem seria o pai biológico da criança. Amarylis sempre cultivou intenções escusas, haja vista que se ressentia intermitente pelo fato de não usufruir da maternidade. Aproveitou-se das ingenuidade e carência paternal de companheiros gays em casamento estruturado para saciar desejo íntimo. As tentativas de fertilização se mostraram infrutíferas. A médica, cujos cílios são “acusados” de postiços pelo mais novo vendedor de hot dogs da 25 de Março Félix (Mateus Solano), dá derradeiro golpe. Seduz o inseguro advogado, e o faz cometer adultério. A gravidez se consuma. Eis que surge “Império da Mentira”. Amarylis é o tipo de pessoa que entra nas vidas alheias com único propósito de destruí-las em causa própria. O que se sabe até então é que provável Fabrício, o bebê que nascera, não é filho legítimo da dupla de doutores, e sim fruto de bem realizada inseminação. A personagem de Danielle Winits assume com potente evidência o posto de vilã do núcleo. A loira (que revelou sua porção homofóbica) não poupou esforços para derribar, devastar relacionamento homoafetivo inacreditavelmente aceito pelo público (digo isso porque alguns pares românticos do sexo feminino foram banidos de enredos de folhetins por rejeição dos telespectadores). O que não se pode deixar de falar, dentro deste contexto, é que Niko e Eron, preocupados em não poder ter filhos como queriam, entraram com um pedido de adoção de um menino afrodescendente e crescido, Jaiminho (Kayky Gonzaga). Jaiminho, é duro afirmar, encontraria sérias dificuldades em ser adotado, pois percentagem considerável de potenciais pais se esquece de que vive num país com 50,7% de negros e pardos declarados (dados da Secretaria da Igualdade Racial e IBGE de 2013), e se julga habitante de nação europeia, dando prevalência a crianças brancas com olhos azuis para chamarem de suas. Não que estas não mereçam e devam ser também adotadas, simplesmente percebe-se distorção cultural e discriminatória. O carioca Thiago Fragoso, um jovem com larga experiência que iniciou sua trajetória nos palcos ainda infante no musical “Os Sinos da Candelária”, e que em momento algum deixara de se aperfeiçoar como artista, buscando lições de bons representantes do teatro como Amir Haddad, Juliana Carneiro da Cunha e Luis Melo, e feito inúmeros cursos de aprimoramento, inclusive no exterior, o que o levou a adquirir relevantes e indispensáveis aprendizados de interpretação, movimentos de corpo e colocação de voz, além da dança e canto, como o Niko de “Amor à Vida”, novela de Walcyr Carrasco exibida às 21h pela Rede Globo, um personagem “acima da lei”, amealha merecido destaque tomando-se por base as intensidade, honestidade e emoção com que vem burilando o seu papel. O ator, que contribuiu para que duas produções em que fora protagonista (“O Astro”, remake de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro da obra original de Janete Clair e “Lado a Lado”, de João Ximenes Braga e Claudia Lage) obtivessem o “Emmy Internacional de Melhor Novela”, ganhou a oportunidade do autor atual de ostentar distinta faceta do chef chamado de “carneirinho” pelo principal antagonista da trama, Félix, e que possivelmente poderá se redimir graças aos carinho, compreensão e atenção de que tanto necessita oferecidos por aquele. Com as maldades calculadas de Amarylis e a passividade de Eron, Niko vem revelando enormes forças na personalidade, determinação e percepção aguçada, e por fim, uma virilidade que talvez não se veja em muitos “homens”. Ardis como a super avaliação do imóvel cuja parte comprou, a traição em si e a perda da guarda provisória de Jaiminho o tornaram oponente não fácil de lutar. Assim, Thiago, que estreou nos cinemas em “A Partilha”, de Miguel Falabella e dublou filmes, como a animação “Ratatouille” e “A Origem dos Guardiões”, e surgiu na TV na série “Confissões de Adolescente”, emendando com “Malhação”, confirma a sua excelência como intérprete. Fragoso possui incontáveis participações nos veículos audiovisuais e teatro. Telenovelas como “Laços de Família”, “Perdidos de Amor”, “O Clone” (surpreendeu a todos como o dependente químico Nando, a ponto de receber o Prêmio Austregésilo de Athayde), “Agora É Que São Elas” (em que viveu um vilão), “Senhora do Destino” e “Araguaia”. Foi o Príncipe Rabicó do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Brilhou na minissérie “A Casa das Sete Mulheres” e emocionou como Pery Ribeiro em “Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor”. Envolveu-se nos dilemas e conflitos espíritas de Marcos na segunda versão de “O Profeta”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, que se inspiraram em Ivani Ribeiro. No seriado “Sexo Frágil”, dentre tantos dos quais participou, somando-se a humorísticos e especial, travestiu-se e se assemelhou a uma diva hollywoodiana. Jamais preteriu a ribalta, e reverenciou nomes como Shakespeare (“Romeu e Julieta”), Nelson Rodrigues (“Beijo no Asfalto”), Frank Wedekind (“O Despertar da Primavera”), Tom Stoppard (“Rock N’ Roll”), Sam Shepard (“Mente Mentira) e Jandira Martini e Marcos Caruso (“Sua Excelência, O Candidato”). Câmeras cinematográficas o focaram em “Xuxa e os Duendes – No Caminho das Fadas”, “Um Show de Verão”, “Trair e Coçar É Só Começar”, “Irma Vap – O Retorno”, “Caixa Dois” e “Ouro Negro – A Saga do Petróleo Brasileiro”. E no segmento da música, gravou um clipe com nova versão de faixa da trilha sonora de “High School Musical 2”. Thiago Fragoso, ao personificar Niko em “Amor à Vida”, não somente dá um importante passo em sua história, mas colabora de forma excelsa para que se dirima com sucesso, no todo ou em parte, alguns nefandos preconceitos que se arraigaram em conscientes coletivos. Se Niko é um chef de restaurante, e quer apenas ser um chefe de família, Thiago Fragoso é, sem dúvida, “chefe da sua interpretação”.
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A organização do Fashion Rio Outono Inverno 2014, que retornou ao Píer Mauá, como em todas as suas edições, montou o seu próprio restaurante, no caso o “Balneário Santa Fortuna”, que como o próprio nome já diz, inspirou-se em elementos marítimos, como vasos, garrafão de vidro, enfeites regionais, imagem de santo, pintura, cesto e estrela do mar, dentre tantos outros objetos.
O restaurante oferecia variedade de bebidas, como espumantes, água, refrigerantes e afins, além de sofisticados petiscos, como caprichadas tapas.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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Com esta imagem, tem-se a real dimensão do gigantismo dos painéis com nomes de diversos rios do estado do Rio de Janeiro inscritos, como o Macabu, o Tinguá, o Irajá e o Carioca, espalhados por toda a área de circulação interna do Píer Mauá, no Fashion Rio Outono Inverno 2014.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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A despeito de já ter participado da minissérie “Lara Com Z”, de Aguinaldo Silva, e que foi ao ar pela Rede Globo em abril de 2011, podemos considerar “Amor à Vida”, novela das 21h da mesma emissora, escrita por Walcyr Carrasco, como a legítima e popular estreia de Maria Casadevall na televisão, em que interpreta com enormes empatia e elegância a funcionária administrativa do Hospital San Magno, Patrícia. Engana-se quem imagina que Maria começou a se familiarizar com as câmeras por agora. Já na adolescência, fez sua primeira campanha publicitária, fato que a despertou para a possibilidade de seguir a carreira artística. Mais adiante, não pensou duas vezes, e procurou o diretor Fernando Leal, que lhe passou os ensinamentos precípuos de atuação tanto na TV quanto no cinema. Casadevall não parou por aí. Recorreu a cursos ministrados na Escola de Atores Wolf Maya. E em momento algum “fugiu dos ruídos de seus passos nos palcos”, dizendo os textos de Bernard-Marie Koltès (“Roberto Zucco”, a última peça do autor), Ivam Cabral e Rodolfo García Vazquez (“Hipóteses para o Amor e a Verdade”), além da criação coletiva “A Nossa Gata Preta e Branca”. Os dois últimos espetáculos foram encenados pela renomada Cia. Os Satyros. No que concerne ao folhetim de Walcyr, se antes Patrícia, com seu corte Chanel com franjas bem cortadas, atendia aos ditames convencionais da sociedade ao se casar com o investidor que aposta em ações erradas, Guto (Márcio Garcia), e que vê sua lua de mel transformada em “lua de fel” ao se perceber traída por loira “turbinada”, no presente a fiel e conselheira amiga de Pê/Perséfone (Fabiana Karla) adota postura “avant-garde”, moderna, independente, descompromissada e desprovida de vãs preocupações com o que a coletividade irá deduzir ao seu respeito. Houve mudança consistente na vida pessoal ao conhecer o endocrinologista Dr. Michel (Caio Castro), um atraente mancebo que aprecia Laurentino Gomes e seu best-seller “1889”. A princípio, fica-nos árido definir que tipo de relação é mantida pela dupla: pode ser irrefreável paixão; uma espécie de “body heat”, sem William Hurt e Kathleen Turner; ou quem sabe um “fragmentos de um discurso amoroso” posto em prática com muitas faíscas. Não existia consideração de ambas as partes acerca de local apropriado para toques suaves ou abruptos de lábios úmidos e consumação de desejos proibitivos para os puritanos a postos. Se para Alain Delon, o “sol já foi testemunha”, a sala de repouso dos médicos, a sala do próprio Michel, provadores de lojas e elevadores cujos únicos botões cabíveis eram o “stop” também ocuparam esta função “voyeur”. A química entre Maria Casadevall e Caio Castro superou todas as expectativas, e o público “embarcou” junto. Porém, como nada é perfeito para um par romântico de novela, obedecendo às regras da teledramaturgia e não às exceções, surgiram imponentes obstáculos. Michel é casado com a dedicada e respeitável advogada Dra. Silvia (Carol Castro). E Guto, o “ex” com a autoestima sempre elevada e que não dispensa de seu vocabulário o vocativo “Gata”, está de volta, aboletando-se na casa de Pat. Um improvável quarteto se forma. Vale lembrar que a jovem que decora seu apartamento com pôster de “Jules et Jim”, de Truffaut, mostrou-se sensível e solidária com a companheira de seu amado, que se viu na iminência de ter símbolo vital para o ser feminino sofrer adulteração devido à enfermidade. Patrícia é nobre ser humano. Abre mão de Michel. Após a recuperação da causídica (um relevante serviço social prestado pelo autor Walcyr Carrasco), o jogo muda. E peças de tabuleiro são trocadas literalmente. O médico que estima fazer visitas surpresas com buquê de flores defronte à região “objeto de estudo de Freud” não logra conter seus impulsos, tampouco quem procura, Patrícia. A “fila anda”, e o “homem da Bolsa” se envolve com a “mulher dos Códigos”. Perséfone e Daniel (Rodrigo Andrade) se tornam álibis involuntários para os “encontros às escuras” que se sucedem. Desculpas, mentiras e invencionices se incorporam aos colóquios dos quatro. Tardes e noites “apimentadas” no mesmo motel (!) são rotina em esquema de revezamento de “suíte master luxo” e champanhe francês para os casais em questão. Parece-me que Walcyr quis dar tom de “comédia de erros” à situação. Provável que o “flagra” geral que se espera tangenciará os drama e humor. Verdade é que Maria Casadevall se firma como atriz com potencial explícito para se manter no veículo, levando-se em conta a maneira carismática com que vem conduzindo o seu papel, irrepreensível domínio de cena, voz e acento sedutores, incontestes beleza e simpatia, e propensão adequada de absorver com coerência e entendimento o papel que lhe foi ofertado. Patrícia ou Pat continuará bela, descolada, antenada e inteligente. Agora, se quisermos encontrá-la na Liberdade comprando quimonos ou jogando sinuca, não tem jeito, é só dar uma passadinha por lá.
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![007[1]](https://blogdopauloruch.com/wp-content/uploads/2013/11/0071.jpg?w=614&h=473)
A cada edição, a organização do Fashion Rio apresenta uma novidade em seu décor aos convidados e profissionais da moda e imprensa em geral que comparecem à semana de moda.
Desta vez, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá, por toda a grande área de circulação interna do espaço, havia gigantescos painéis com tonalidades diferenciadas de azul e prata simulando ondas de um rio com os nomes dos vários existentes no Estado do Rio de Janeiro.
Muitas pessoas aproveitaram este cenário para serem fotografadas.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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Ao entrarmos na área de circulação interna do Fashion Rio Outono Inverno 2014, deparávamos com o espaço lounge da marca de calçados Melissa, no qual se podia descansar em “multi pallets” com futons coloridos estampados com o logo e iniciais da grife, além de assistir a vídeos e ouvir músicas dançantes.
Houve um momento em que a Melissa ofereceu brindes às pessoas, o que gerou enormes filas.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa





