
Um dos pôsteres publicitários da L’Oréal Paris que estavam em exibição em seu lounge no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória).
Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing
A feminilidade e suas condições, vantagens e supostas desvantagens, o casamento desmistificado como instituição (assegurado de modo errôneo como “termo de felicidade” definitivo para o casal), o surgimento do acaso e/ou destino nos caminhos nossos trilhados, a desconfortável ausência e respectivas cobranças da inclemente sociedade perante a falta de um “projeto de vida” (há que se ter um?), o “abismo existencial” que se abre defronte ao ser humano não poucas vezes no decorrer da jornada seguida, os incômodos tédios, rotina e subsequente tentativa de ruptura destes são abordados com inteligência por profissionais entendedores dos assuntos supracitados como Regiana Antonini, que de maneira exemplar e irretorquível adaptou o best-seller homônimo de Martha Medeiros, “Feliz por Nada”, Ernesto Piccolo (direção), Rogério Fabiano e Valéria Macedo (produção), e Cristiana Oliveira, Luísa Thiré e Gil Hernandez. Face ao que relatei podem naturalmente associar a peça a um drama. Não, trata-se de uma comédia romântica. E o enorme mérito deste espetáculo está justo nesta questão de gênero. Com acerto, duas bonitas, talentosas e carismáticas atrizes foram convidadas para protagonizarem a produção, além da participação essencial de Gil. Cristiana Oliveira é Laura, professora de Português, casada há 15 anos, mãe de duas filhas (duas meninas, uma criança e outra adolescente), 42 anos e completamente infeliz. Seu casamento com Joca (Gil Hernandez) está morno, em fogo brando, inexiste entendimento entre os cônjuges, só lhes restam bicotas, não mais “beijos em pé”. O desprezo sobrepuja o desrespeito, o que talvez seja até pior. Os famigerados “projetos de vida” estão engessados, estagnados por escassez plena de apoio, incentivo, que se escoram em insegurança, medo, inércia e receio de apostar no duvidoso. No tocante a Juliana (Luísa Thiré), fotógrafa, separada (já se casou mais de uma vez), uma filha, independente, bem resolvida e feliz. Feliz? Como assim, “feliz”? Feliz por nada (como ela mesma se define), feliz por estar viva, feliz por olhar para si mesma, por viver cada momento e valorizá-lo, seja ele grande ou pequeno. Duas mulheres opostas. Uma espécie de “yin-yang”. O comum perceptível entre as duas “vítimas” da Vida, não nos importando de que forma a encarem, são corridas cotidianas pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Todos os dias, a única comunicação que se nota é um banal e protocolar “Oi!”, com diferentes entonações, dependendo dos humores individuais. Num encontro proporcionado pelo acaso e/ou destino no Aeroporto de Tóquio, Japão, na volta ao Brasil, um incidente faz com que passem a se conhecer melhor. A força de uma inibe a fragilidade da outra, e a complementação irrompe, dando início à promitente amizade. Uma mão estranha enxuga lágrima ressentida que escorre em rosto alheio. O “Oi!” sem emoção ficou para trás. Os complexos, frustrações e o “sorriso 32” (aquele que costumamos dar para parecermos felizes) são compreendidos por Juliana, que tem por “projeto de vida” ajudar a recente amiga. No entanto, uma pergunta que nos rodeia perseverante: Juliana é de fato feliz? Ou se impõe a ser como muitas pessoas o fazem? Ser feliz é um estado de espírito atraente, sedutor ao semelhante. Ninguém quer saber de gente triste, macambúzia e sorumbática. Porém, o mundo com todas as suas belezas e efemérides é por si só triste, macambúzio e sorumbático. O que cometemos são esforços permanentes para arrancarmos daquele “migalhas” de alegria. Não teríamos excelsos filósofos e pensadores se não fossem as tristeza e pessimismo diante do que o planeta de nome Terra nos dá de presente, e nos surpreende a cada passo que damos. O companheirismo da professora e da fotógrafa se solidifica, todavia uma coincidência ou “rasteira do destino” abala o afeto de ambas. O que se vê após são situações, diálogos, enfrentamentos que nos levam à cognição inevitável, madura ao testemunharmos fatos constrangedores que sem cerimônia se apresentam. Regiana Antonini esmiúça com alma feminina estruturada e ciente dos dilemas próprios do nunca “sexo frágil” as ideias amplas, abertas, racionais, sensíveis, desprovidas de omissões, mentiras ou falsos pudores de Martha Medeiros. Ernesto Piccolo, excelente diretor com habilidade para encenar dramaturgias de origens diversas e abordagens várias, pôs na ribalta uma encenação sábia, aproveitadora do espaço cênico, reflexiva, intimista, e leve, sim, leve a despeito da sinopse, com toques de humor milimetricamente balanceados. Ernesto dirige “Feliz por Nada” realçando as qualidades do texto e atores. Tanto Cristiana Oliveira quanto Luísa Thiré, belas em cena, transmitem com prodígio e maravilha a vasta gama de sentimentos e oscilações adjacentes com posturas séria, equilibrada, por vezes divertida e noção concisa do que estão executando. Gil Hernandez se sai bem nos dois papéis: exibe naturalidade e perfil prático e objetivo como o corretor de imóveis Rodrigo, e a indiferença, o ar “blasé”, a impassibilidade do marido Joca; contudo escancara capacidade de paixão e desejo ao reencontrar amor do passado. O cenário de Clivia Cohen insiste no ambiente negro, cru e nu, ou seja, pretere elementos desnecessários, o que ao final das contas, convence-nos sobremaneira. Os adereços, como valises e cadeira, também são criações de Clivia. A história se preenche com este vazio proposital. Os figurinos de Helena Araújo são destaque na obra, com variedade de vestimentas de múltiplas cores e tendências que deixam até mesmo aqueles que não se apegam a este aspecto técnico impressionados. São “trench coats”, casacos, longos florais e estampados, acessórios, camisas sociais e esportivas, malhas, moletons, jeans, sapatilhas e anabelas. Tudo sob esfera de elegância e bom gosto. A trilha sonora de Rodrigo Penna (conhecedor de estilos musicais e suas vertentes) envereda por atalho no qual se sobressai a trilha incidental, demarcando as passagens, dando-lhes riqueza, o que nos fica clara a tangência com o coerente. Rodrigo nos acarinha sobretudo com a irresistível “Crazy”. A iluminação de Aurélio de Simoni deslumbra-nos. O encantamento e esplendor que nos são causados justificam-se por precisão e adequação. Os planos abertos são utilizados no cotidiano ou nos embates psicológicos dos envolvidos na trama. O foco é preponderante nas atuações confessionais dos intérpretes (aproveitando-se dos lados esquerdo e direito do proscênio; inclusive, podemos destacar um magnífico ato em que as atrizes se sentam à beira do palco, próximas ao público, o que desencadeia com que este se sinta inserido no enredo de algum jeito). “Feliz por Nada” é um sopro de vitalidade no panorama teatral carioca, com suas percepções sobre vida e relacionamentos, sexos masculino e feminino, e pujanças e vulnerabilidades humanas que se revezam escapando de nossas vontades. Uma peça que veio com o intuito de esclarecer, discutir, debater, sem pretensão de ser “dona da verdade”, sendo uma opinião a ser respeitada, seguida ou não, e por conseguinte nos tirando do marasmo intelectual. Martha, Regiana, Ernesto, Cristiana, Luísa e Gil cumprem missão social em formato de entretenimento. Estou feliz. Por tudo. O “nada” é “tudo” em “Feliz por Nada”. O “nada” pode ser revisto. Assistam a “Feliz por Nada”, e depois me digam se não tenho razão.
![3261[1]](https://blogdopauloruch.com/wp-content/uploads/2013/10/32611.jpg?w=614&h=435)
A cantora e compositora Fernanda Abreu no Fashion Rio Verão 13/14, na Marina da Glória.
Fernanda é carioca, e passou a ser conhecida no país com o estouro da banda Blitz no início da década de 80, ao lado de Evandro Mesquita e Marcia Bulcão, com o hit “Você Não Soube Me Amar”.
Após vários sucessos com a banda, Fernanda decide se lançar em carreira solo (o primeiro CD se chama “SLA Radical Dance Disco Club”, e a pioneira canção a ser tocada nas rádios foi “A Noite”).
A seguir, mais uma música bem-sucedida, “Você Pra Mim” (integrou a trilha sonora da novela de Cassiano Gabus Mendes, “Meu Bem, Meu Mal”).
Se antes, a cantora flertava com a disco music, os ritmos brasileiros ganharam maior destaque em seu segundo álbum, “SLA – Be Sample” (nele estão faixas de enorme repercussão como “Jorge da Capadócia” e “Rio 40 Graus”; a artista começa a se aproximar do funk, com o qual se tornaria uma das mais respeitadas representantes, inclusive em terras cariocas).
O sucesso não para, e a intérprete lança seu terceiro disco, “Da Lata”, com mais quatro singles marcantes: “Garota Sangue Bom”, “Brasil é O País do Suingue”, “Veneno da Lata”, e a regravação do samba-enredo “É Hoje”, da escola de samba União da Ilha, corroborando a versatilidade e livre trânsito da artista por distintos gêneros.
No próximo CD, “Raio X Fernanda Abreu Revista e Ampliada”, faz o Brasil inteiro cantar “Kátia Flávia, A Godiva do Irajá” (a composição de Fausto Fawcett e Laufer inicialmente tomou conta das ruas em 1987, e foi ouvida também na trama de Aguinaldo Silva, “O Outro”; foi feito um clipe, bastante veiculado na MTV, em que a própria cantora interpretou a transgressora Kátia Flávia).
Em seu quarto disco de inéditas, “Entidade Urbana”, com a presença do sambalanço, a compositora realiza um estudo musical sobre as metrópoles, suas instituições, costumes e características.
Com sua voz com acento deliciosamente carioca e sensual, Fernanda Abreu lançou com o seu antigo grupo, a Blitz, os seguintes discos: “As Aventuras da Blitz 1” (1982), “Radioatividade” (1983) e “BLITZ 3” (1984).
Já como cantora solo, seus fãs e admiradores puderam escutar, além dos citados: “Na Paz” (2004), “MTV Ao Vivo” (2006) e “Perfil” (2010).
Em 2014, Fernanda Abreu percorreu o Brasil apresentando seus irresistíveis sucessos em inúmeros shows.
Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Nica Kessler
Coca-Cola Clothing

Damascos e castanhas estavam à disposição dos convidados do lounge do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória), numa decoração em que se destacavam bonitos e frondosos lírios.
Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: SEBRAE
Nica Kessler
Coca-Cola Clothing

No sofisticado e refinado “buffet” servido pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em seu lounge exclusivo, no Fashion Rio Verão 13/14 (Marina da Glória), aos seus convidados, estavam saborosos damascos.
Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: SEBRAE
Nica Kessler
Coca-Cola Clothing
Elizabeth Savalla é uma atriz de muitas personagens marcantes na TV, sem no entanto preterir o cinema tampouco o teatro. No ar, às 21h, pela Rede Globo, numa novela de Walcyr Carrasco, “Amor à Vida”, a intérprete que estudou na Escola de Artes Dramáticas de São Paulo, é a ex-chacrete Márcia do Espírito Santo, ou Tetê Parachoque ou Paralama, seu outrora nome artístico, uma mulher sofrida, trabalhadora, mãe solteira, porém assaz divertida. Não é a primeira vez que Elizabeth atua com brilho ao defender um tipo popular. A taxista Lili de “O Astro”, de Janete Clair, em 1977, com seus cabelos curtos encaracolados foi de certa forma uma transgressão aos ditames sexistas da época. A despeito da Revolução Feminista da década de 70 e dos sutiãs queimados em asfalto público sob os olhares atônitos dos conservadores, colocar uma moça simples, no auge da juventude, conduzindo um táxi (profissão dominada por homens até hoje) em pleno regime de exceção fora ousadia da teledramaturga, e uma prova de confiança da emissora em Janete. E se estamos falando em simplicidade nos é obrigatório mencionar o oposto: a recente Minerva de “Morde & Assopra” (também de Walcyr, o autor com quem mais trabalhou, sempre com êxito). Savalla, que esbanja beleza desde os tempos da rebelde Malvina de “Gabriela” (1975), de Walter George Durst, produção baseada no romance de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”, agora como a progenitora de Valdirene (Tatá Werneck), “inteligência pura”, faz-nos invariavelmente rir e nos comove com suas sequenciais agruras. A vendedora de “hot dogs” mais querida da 25 de Março não dispensa exuberantes flores de plástico coloridas presas às madeixas que combinam com as roupas que usa (em geral blusas largas com um ombro à mostra e calças “fuseau”), e de modo heroico logra tirar graça da própria tragédia particular. Se um dia foi famosa com seus rebolados e caras e bocas amparada pelo “Velho Guerreiro”, no presente o anonimato “cumprimenta” o desamparo. Falta-lhe comida no prato. Sobram-lhe salsichas. Uma “mortandela” dada por caridade é um ágape. Atílio/Gentil (Luis Melo), o “administrador financeiro sem-teto” seria ou será o bote salva-vidas de que necessita para não se “afogar”. Deposita na descendente (como várias mães o fazem) a realização de seus sonhos. Os telespectadores podem avaliar Márcia como ambiciosa, interesseira. Não, ela é apenas uma sobrevivente, agindo em “estado de necessidade”, buscando atalhos, caminhos alternativos, que dirimam a miséria pessoal que a assombra, sem quaisquer apegos a falsos moralismos. A vizinhança da “dona da van” a trata cruelmente e a humilha sem dó nem piedade, chamando-a de “periguetona”, e Valdirene de “periguete”, além de brega pela atual sogra de sua filha, Eudóxia, vivida por Ângela Rabello (breguice são “pecadores atacando pedras em pecadores”). Deve-se ter o mínimo de respeito à cidadã que cuidou sozinha de rebenta, praticou o “strip-tease” para alimentar menina faminta (talvez até tenha se prostituído, e daí?; o que mais se vê no Brasil são modos outros de “prostituição”), nunca furtou ou roubou (sim, não paga impostos, é verdade; os poderosos pagam?), é obrigada a fugir do “RAPA” em meio a potes de ketchup, mostarda e maionese e o que de mais edificante cometeu: foi parteira em banheiro fétido de boteco insalubre cheirando a cachaça, “dando à luz” Paulinha (Klara Castanho). A avó da “palhacinha” Mary Jane lembra-me uma Cabíria de Fellini nas “Noites de Márcia”, que somente procura dignidade e afeto perdidos. Uma Giuletta Masina no horário nobre. Elizabeth Savalla estreou na TV Cultura em episódio de teleteatro dirigido por Antunes Filho, “A Casa Fechada”, de Roberto Gomes. Sua permanência no veículo de massas se consolidou após a bem-sucedida Malvina já citada, e que lhe rendeu merecidos prêmios. Importantes folhetins sobrevieram: “O Grito”, “Estúpido Cupido” (irmã Angélica), “O Astro” (dito acima), “Pai Herói” (a lindíssima bailarina Carina), “Plumas e Paetês” (Marcela, que se vê obrigada a trocar de identidade em virtude das circunstâncias em trama de Cassiano Gabus Mendes), “O Homem Proibido” (a “rodriguiana” Sônia), “Pão, Pão, Beijo, Beijo” (uma irmã que disputa com outra irmã, Maria Cláudia, o amor de mesmo homem, Cláudio Marzo), “Quatro por Quatro” (uma das quatro mulheres que se voltam contra o sexo oposto em história de Carlos Lombardi), “Chocolate com Pimenta” (a excentricidade foi o norte da Jezebel que personificara), e demais folhetins, seriados e minisséries (“Meu Marido” e “Sex Appeal”). Nunca se afastou dos palcos, associando-se inclusive a Camilo Áttila na fundação de uma produtora, a ESCA (Elizabeth Savalla & Camilo Áttila), que originou espetáculos como “Ações Ordinárias”, de Jerry Sterner, “Mimi, Uma Adorável Doidivanas”, de Camilo Áttila, “É…”, de Millôr Fernandes e para comemorar os seus 30 anos de carreira o monólogo “Frizileia – Uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos”, também de Camilo Áttila, em 2004. Antes, encenou “Pigmaleoa”, de Millôr Fernandes e “Lua Nua”, de Leilah Assumpção. Exerceu um cargo social como Coordenadora de Eventos Teatrais para a Zona Oeste do Rio de Janeiro. Sua relevância como artista fez com que o Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, Minas Gerais, desse o seu nome a um troféu. No cinema, junto a Reginaldo Faria, novamente no período da ditadura militar, colaborou com o diretor Roberto Farias na exploração de tema árido e doído munido de torturas e paus de arara, em “Pra Frente Brasil”. Tivemos e temos Elizabeth Savalla em nossas vidas enriquecendo a cultura nacional. Não foram horas, dias, e sim, anos. Como Márcia de “Amor à Vida”, já se passaram meses. Minutos multiplicados em meses. Antigamente era “um minuto de comercial”. Hoje é um pouco mais. É justo então que exijamos muitos minutos para Elizabeth Savalla.