“Eriberto Leão: inteligência e emoção em sincronicidade.”

Publicado: 08/04/2012 em Teatro, TV

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Foto/Divulgação TV Globo

Morrison Hotel. Era isso o que estava escrito na camisa de Eriberto Leão no dia em que fora entrevistado no “Programa do Jô”. Uma homenagem implícita ao vocalista Jim Morrison, da banda The Doors, ídolo do rock confesso do ator. A conversa se inicia com Jô Soares falando a respeito da quantidade de personagens religiosos que constam da galeria dos tipos pelo artista interpretados. Eriberto menciona que o último fora no Auto da Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém, Pernambuco, em que personificava o próprio Jesus Cristo, e que o papel de Nossa Senhora cabia a Susana Vieira. Fora a sua segunda vez. Citou que 15.000 pessoas acompanham o espetáculo diariamente. Refere-se também à sua participação como protagonista no “remake” da novela “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. O assunto agora é a peça na qual está no momento, “A Mecânica das Borboletas”, de Walter Daguerre, e direção de Paulo de Moraes. No elenco, além dele, estão Suzana Faini, Otto Jr. e Ana Kutner. O apresentador lhe pergunta “o que que a mecânica tem a ver com as borboletas”. Responde que “a borboleta é o significado, o símbolo de sincronicidade de Jung”. Discorre sobre Rômulo, seu personagem. Fugira de casa quando tinha 15 anos, e regressara 20 anos depois. Havia se tornado um célebre escritor de ficção-científica, que acaba perdendo toda a inspiração, fato que o deixara desesperado. “Encontra a sua identidade quase esfarelada com a chave de casa que ele havia levado sem querer 20 anos atrás grudada nela”. Cita Lewis Carrol: “Follow the white rabbit”. Ou seja, “seguir a sincronicidade”. Cita também o filme dos irmãos Wachowski, “Matrix”. Para Eriberto Leão, “sincronicidade é você seguir uma coincidência significativa.” Após elogiar Walter Daguerre, afirma que a peça é “uma mistura de Sam Shepard e Arthur Miller brasileiro”. Prosseguindo então com a história. Rômulo retorna à casa, e descobre que o pai não mais vive. Eriberto assim percebe que o enredo lhe traz tantas coincidências que tangenciam a sua vida pessoal, que para ele não havia como deixar de participar desta encenação. Mais sobre Rômulo: ele é fã dos “beatniks”, e recebera a criação de um hippie que morava num trailer localizado no bosque da cidade. Leu “On The Road”, de Jack Kerouac. Pega todo o dinheiro da oficina mecânica da família e “põe o pé na estrada”. Esta oficina possui um jardim cuidado com carinho pela mãe. E o pai costumava dizer: “A gente não tem que buscar as borboletas. A gente tem que cuidar do jardim que elas aparecem.” Revela-nos que os índios e outras culturas veem os espíritos em forma de borboleta. E o tema da sincronicidade é de novo abordado. O ator aprecia Física, e conta-nos que os fatores pós-Big Bang estavam numa sintonia tão fina que seria impossível que a formação do Universo fosse uma coincidência. Segundo os físicos quânticos, existe uma lei misteriosa que explica como houve a expansão do Universo, que seria a Lei da Sincronicidade. E o intérprete comunica que a Alquimia assevera em sua primeira lei proximamente que “Assim como é em cima é embaixo”. Ou seja, “a mesma lei que rege o macro rege o micro”. Conclui-se que a mesma lei que rege o Universo rege a Terra. Este tópico é encerrado, e Jô indaga sobre o escrito na camisa do ator. Este lembra-se que na outra entrevista cantara “Light My Fire”, dos The Doors. E revela que Rômulo numa cena da peça canta “People Are Strange” (“When you’re strange, no one remembers your name…”). Rômulo sente-se um estranho na própria casa, após os fracassos literários. O “rock n’ roll” e a literatura permeiam a peça. E falando um pouco ainda sobre Rômulo, este fora o primeiro namorado da personagem de Ana Kutner, Lisa, que depois se casou com seu irmão gêmeo Remo, defendido por Otto Jr. Ocorre um embate entre os irmãos. E por fim, Eriberto diz que Jack Kerouac sentenciou que “ele era ‘beat’ porque ele acreditava na beatitude”. Eriberto dá a sua opinião: “o movimento ‘beatnik’ é uma busca espiritual se rebelando contra o ‘status quo’ “. Como se pode notar, houve uma sincronicidade. Ao assistir à excelente entrevista de Eriberto Leão no “Programa do Jô”, houve em mim a vontade irrefreável de escrever um texto baseado na sua narrativa inteligente e emotiva. Uma coisa desencadeou outra. Eriberto tem toda a razão.

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