“Glória Pires: uma atriz que conhece e se utiliza dos sentimentos humanos.”

Publicado: 10/05/2012 em Cinema, TV

gloria-pires
Foto: Divulgação

Era gravação de um dos primeiros capítulos de “O Dono do Mundo”, novela de Gilberto Braga, na qual Glória Pires interpretava Stela, esposa do vilão Felipe Barreto (Antônio Fagundes). Cena importante. Muitos atores participariam. Estreia na Rede Globo de tantos outros. E eu lá, só observando. Glória não havia chegado. Chegou. Educadíssima, carregando um calhamaço de textos, cumprimentou a todos, e se sentou em uma cadeira. Estudou com extrema compenetração as suas falas. Hora de gravar. Em pouco tempo, Glória Pires grava o que tinha que gravar com brilhantismo. Uma aula de disciplina e seriedade para com o seu ofício. Achei válido falar sobre isto, mesmo que já saibam da grandeza dessa atriz, que foi Norma, mulher injustiçada em “Insensato Coração”. A intérprete que indignou o país como a Maria de Fátima em “Vale Tudo” trabalha com a precisão. Seja no olhar, seja na impostação da voz, seja em gestos. É econômica quando tem de ser, porém quando tem de abrir mão dessa economia, assim o faz. Ela consegue mostrar como Norma a plenitude de sua dor apenas estando parada, em silêncio. Isto é mérito. Norma é a continuação de uma carreira precoce repleta de excelentes trabalhos. O destaque real se iniciou em “Dancin’ Days”. Tão nova quanto pujante na atuação como Marisa. Com o sucesso, veio “Cabocla”. Junto com Nádia Lippi e Maitê Proença fizera “As Três Marias” (usava cabelos curtinhos e óculos de grau). Integrou o elenco do ótimo folhetim “Água Viva” (Sandra). Seguiram-se “Louco Amor” e “Partido Alto”, até personificar um dos papéis mais memoráveis de sua trajetória: a Ana Terra de “O Tempo e o Vento”, minissérie baseada na obra de Érico Veríssimo. Após “Direito de Amar”, o encontro com “Vale Tudo”. E mais encontros e reencontros se sucederam. O encontro com o humor em “Mico Preto”, como Sarita. O reencontro com Gilberto Braga em “O Dono do Mundo”. O encontro com ela mesma no remake de “Mulheres de Areia” (Ruth e Raquel). O encontro com Rachel de Queiroz em “Memorial de Maria Moura”. Mais algumas produções, e o reencontro com Regina Duarte em “Desejos de Mulher”. O encontro primeiro com Silvio de Abreu, em “Belíssima”. Depois dos filmes “Pequeno Dicionário Amoroso” e o blockbuster “Se Eu Fosse Você”, reencontra Tony Ramos em “Paraíso Tropical”. Dentre alguns longas-metragens, fora agraciada com prêmios por “O Quatrilho”, “O Primo Basílio” e “É Proibido Fumar”. Está escalada para o longa-metragem “Flores Raras”, de Bruno Barreto, que narra o romance da poeta americana Elizabeth Bishop e da arquiteta e urbanista Lota de Macedo Soares. Protagonizará a produção de Roberto Berliner, “Nise da Silveira – Senhora das Imagens”, que relata a trajetória da famosa psiquiatra, e integrará um dos próximos episódios de “As Brasileiras”, na Rede Globo.

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