“Um passo para a novela. Um grande salto para Cristiana Oliveira.”

Publicado: 10/05/2012 em Teatro, TV

 

Foto: ig

Uma bonita atriz. Um convite para fazer personagem complexa em obra de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Até aí nada que fugisse ao comum. Entretanto, Cristiana Oliveira (fará a temporada carioca da peça “Uma Mulher do Outro Mundo”, de Nöel Coward, traduzida por Miguel Paiva, e adaptada e dirigida por Alexandre Reinecke) quis ir mais longe. Acompanhar fisicamente a complexidade do papel ganho (Araci). Despiu-se de vaidades, e mergulhou fundo na composição daquele. Ganhou peso. E ao começar a gravar “Insensato Coração”, enfrentava exaustivas horas e horas para fazer as modificações nos cabelos, e pintar as diversas tatuagens pelo corpo. Tudo em nome da credibilidade de Araci. Nós, acostumados que estávamos a Cristiana de “Pantanal”, “Salsa e Merengue”, e tantos outros folhetins, estupefatos ficamos com a abnegação desta artista. O esforço não fora em vão. Houve aliança bem-sucedida entre as atuações de Cristiana e das atrizes com quem contracenava (Gloria Pires e Cristina Galvão, por exemplo), o texto dos autores, a direção das cenas cheias de tensão, e claro, a impressionante caracterização adotada. Nos momentos de Cristiana, a produção das 21h ganhava excelência no quesito “movimentação da trama”. Houve verdadeiros e ferozes embates entre ela e Gloria. Seja nas palavras sussurradas. Seja nos gritos trocados. Seja nos olhares ameaçadores. Seja no ataque, seja na defesa. Não podemos negar que houve por parte da intérprete de Araci uma bravura indômita, um profissionalismo incondicional, uma vontade extrema de colocar o seu ofício acima de qualquer elemento que influencie para que sejamos vaidosos. Ontem, testemunhamos algo bastante forte. Testemunhamos o lado maternal de Araci. Vimos Araci chorar quando achávamos não ser possível sair qualquer lágrima de seus olhos. Contudo, Norma (Gloria Pires) tinha que salvar a própria pele. E salvou ao seu modo. Teve a frieza que antes não possuía para atingir seus objetivos. Atingiu-os. Após, o pranto. Será o pranto da culpa, o pranto do alívio de se livrar da algoz, ou o pranto ao se dar conta de que não é mais a mesma? Um pranto ao som da arrepiante “Adagio in G Minor”, de Albinoni. A novela continua. Deu um passo. E Cristiana, um grande salto para a sua carreira.

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