“Pretty woman, walkin’ down the street. Pretty woman, the kind I like to meet…”

Publicado: 12/05/2012 em Cinema, TV

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Foto: Divulgação/TV Globo

Gilberto Braga e Ricardo Linhares, autores de “Insensato Coração”, utilizaram-se de um artifício sempre sedutor para os telespectadores de novela: a transformação de mulher simples, desprovida de vaidade, em alguém bonito, atraente, e capaz de surpreender aqueles que faziam ou passarão a fazer parte do seu núcleo de ação. É o que está se dando no momento com Norma Pimentel, interpretada de forma brilhante por Gloria Pires. Se antes, Norma desconhecia maquiagem no cotidiano, ora usava roupas da profissão ora roupas sem qualquer apelo estético, hoje nos impressiona com formosura outrora escondida. Os cabelos estão sedosos, cortados à altura dos ombros, e a pintura realça os delicados traços da face. Trajes de bom gosto. Com este visual moderno, consegue frequentar os melhores ambientes, como a academia de ginástica da moda ou um restaurante sofisticado. Até chegar o momento no qual arrebatará os sentimentos de Teodoro (Tarcísio Meira), homem aberto para o amor. Sim, a imagem abre portas, por mais que resistamos a esta verdade. E em nome da vingança, a agradável aparência que nos enternece servirá de meio para que se dê a sua meta de vida atual: a destruição de Léo (Gabriel Braga Nunes), que curiosamente algumas vezes lançou mão da boa estampa para atingir fins sórdidos. Há exemplos de folhetins que lançaram mão deste recurso por agora aproveitado na trama das 21h da Rede Globo. Sônia Braga, em “Dancin’ Days”, de Gilberto Braga, causou furor quando da aparição de Júlia Matos com madeixas volumosas, calça estilo sintética vermelha com listras laterais brancas, “bustier” ousadíssimo, e sandálias de salto alto, na boate de Hélio (Reginaldo Faria). A boate parou. A cena marcou. Em “Tieta”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, no início da história, a moça modesta de Claudia Ohana de mesmo nome do título da obra, é expulsa da cidade Santana do Agreste pelo pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos). Anos se passaram, e surge uma Betty Faria exuberante. Já em “Vereda Tropical”, de Carlos Lombardi, Cristina Mullins usava enchimentos para parecer obesa, aparelho ortodôntico, óculos, e tocava bateria com jeito um tanto quanto masculinizado. No desenrolar da trama, de baterista a “femme fatale”. Regina Duarte em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, após Raquel Accioli se tornar empresária bem-sucedida, o figurino é incrementado, acompanhando o novo status social. Em “Selva de Pedra”, de Janete Clair, só que na segunda versão de Regina Braga e Eloy Araújo de 1986, Fernanda Torres, antes Simone Marques, depois de um misterioso sumiço, retorna como a prestigiada escultora Rosana Reis, com direito a lentes de contato azuis. Como se pode notar, trata-se de um elemento teledramatúrgico a que se recorre largamente, e que possui êxito comprovado junto ao público. Saindo da seara da TV, e reportando ao cinema, inesquecível nos é Julia Roberts saindo de uma loja de luxo em Beverly Hills toda vestida de branco, com chapéu e luvas, esbanjando beleza ao som de “Pretty Woman”, do filme de mesmo nome de Garry Marshall.

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