Arquivo da categoria ‘Poema’

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Foto: Reprodução/Facebook

Ao assistir tardiamente à interpretação de Igor Cotrim como o travesti Madona no filme de Marcelo Laffitte, “Elvis & Madona”, ao lado de Simone Spoladore como Elvis, apercebi-me de que pouquíssimas vezes testemunhei atuação tão sutil e humanizada de homem que se traveste. Sem qualquer demérito a Cotrim, muito pelo contrário, algo similar às antológicas personificações de Dustin Hoffman em “Tootsie”, de Sydney Pollack, Terence Stamp em “Priscilla, A Rainha do Deserto”, de Stephan Elliot e Robin Williams em “Uma Babá Quase Perfeita”, de Chris Columbus. O paulista Igor, que além de intérprete é dramaturgo e poeta (já lançou o livro “Ali como Lá!”; e junto com Pedro Poeta faz shows frequentes com a banda Beep-Polares, nos quais poesia e rock’n roll se dão as mãos), vivencia no longa de Laffitte Madona, como já foi dito um travesti com sensibilidade única que nutre como maior sonho montar grande espetáculo. Nas eventualidades da existência encontra a “motogirl” Elvis, a lésbica personagem defendida com brilho por Simone (assim como Igor). Na primeira entrega de pizza a Madona (a tal pizza de palmito gigante que serve de inspiração para o título deste texto), visível empatia mútua ocorre. A seguir, a direção segura de Marcelo aliada ao seu inventivo roteiro, o na minha opinião não improvável casal da trama se envolve em problemas e intempéries que não escapam ao cotidiano de um par “normal”. É imperativo que não se omita que o mercado exibidor brasileiro não rendeu o devido crédito à filme premiadíssimo em festivais de cinema mundo afora. No tocante à seleção de profissionais para o “cast” há peculiaridade: Igor Cotrim disputou a chance de ser Madona com travestis reais. O rapaz formado pela EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP) iniciou sua carreira na atração infanto-juvenil “Sandy & Junior”, na Rede Globo, em que fora o “bad boy” Boca no decorrer das quatro temporadas. O papel lhe serviu para que solidificasse seu poder de interpretação perante o cenário nacional. Vieram-lhe oportunidades como incursões em novela de Manoel Carlos, “Mulheres Apaixonadas” e “Chamas da Vida”, da Rede Record, cuja autoria coube a Cristianne Fridman. Curiosamente, “Sandy & Junior” não foi isolada experiência com o público em fase de adolescência. A Rede Bandeirantes o convidou para integrar o elenco de “Floribella”. Já no teatro, bastaram três relevantes peças para que o palco lhe devotasse respeito: “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de José Saramago; “O Casamento”, de Nelson Rodrigues; e “A Cozinha”, de Arnold Wesker. Possui ainda porção filantrópica ao ter criado ONG, a “Voluntários da Pátria”, destinada a inserir poesia nas escolas com o intento de causar benéfica provocação nos alunos a fim de que construam apreço pessoal por rico gênero da Literatura. No momento, Igor empresta seu valor a dadivosa missão: ser repórter da “Revista do Cinema Brasileiro” na TV Brasil, acompanhando Natália Lage (não sendo o primeiro passo neste campo, haja vista que exercera ofício semelhante no Discovery Channel, em que cobrira o Fórum Mundial de Cultura em Barcelona, Espanha). Costumo em pensamento lhe atribuir o carinhoso aposto “o rei dos trocadilhos”, motivado pelo que escreve em sua página oficial no Facebook, seja na forma de poemas seja em frases de lavra própria. Acredito que se a “Revista do Cinema Brasileiro” tomar por decisão abordagem sobre “Elvis & Madona” se fariam necessárias no mínimo três edições, dada a significância da obra. Teríamos que pedir várias pizzas de palmito gigante a Elvis.

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Foto: Alexandro Adds

“Fernando”

Festa em Copa.
Modelos na “night”.
Gente bonita, descolada, antenada.
Som na caixa.
“Drink” na mão.
Bate-papo e “flashes”.
Muitos “flashes”…
Belas desfilando.
Encontro Fernando.
“Muito prazer, Fernando”, eu disse.
Garoto capricho sorri com capricho.
Não há colírio que lhe tire o brilho.
Seus olhos me fazem pensar: “O azul é isto!”
Cabelos cor de mel apontando para o céu.
O xadrez protegia do frio o menino que estava no Rio.
Quis ser seu amigo.
Até hoje sou.
Conheci outro Fernando.
Muito além do Fernando Ferrari.
Não é o Fernando do ABBA.
Nem o Ferrari da máquina que corre.
Se bem que Fernando corre.
E como corre… atrás dos seus sonhos.
Prestei atenção em cada palavra sua.
Seja ela nua seja ela crua.
Vi que era educado.
O único que escrevia: “Bom dia aos educados”
E sem pudor curtia.
Fernando é alto-astral.
Rapaz de moral.
Em fotos suas, sensual e intelectual.
Não possui humor qualquer.
Busquemos sentido nas entrelinhas.
Ele não se ressente de ser inteligente.
Fazer o quê, gente?
Fernando foi feito para se gostar ou se gostar.
Quem não gosta dele “tá” por fora.
Não é “da hora”.
Na moral, Fernando.
Pode sair cantando: “Sou menino, rapaz e homem. Se quiser gostar de mim o meu jeito é assim. Foi Deus quem me criou. Eu faço a minha parte. Na arte e com arte. Sou Fernando Ferrari. Procuro o que quero. Na terra ou “al mare”. Podem gostar de mim. Eu sou feliz assim.”

Paulo Ruch

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Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/TV Press

O personagem de Antonio Calloni, Mustafa, em “Salve Jorge”, novela das 21h da Rede Globo escrita por Gloria Perez, como o rico comerciante turco de suntuosos tapetes que é, seguindo à risca as antigas tradições de seu país, costuma dizer aos seus interlocutores que deve-se servir em loja chá bem quente aos fregueses para que possam permanecer largo tempo no estabelecimento, e comprar mais tapeçarias. Quando vejo Mustafa, uma das melhores criações da autora para a produção atual, lembro-me de papel defendido por José Wilker na primeira fase de “Renascer”, em que usava como bordão: “É justo, é muito justo, é justíssimo.” Pois desta forma contextualizo a personalidade do pai adotivo (e nem por isso menos pai) de Aisha (Dani Moreno) na trama das 21h da Rede Globo que está chegando ao fim. Um homem justo, muito justo, justíssimo. Em vários momentos do folhetim, o ex-marido de Berna (Zezé Polessa) revelou esta nobre faceta, que impinge dignidade e honradez à enredo que discute questões de dura aceitação pela sociedade civil. No tocante à busca infatigável da amiga de Zoe (Julia Mendes) por suas raízes biológicas, sempre apoiou-a, por mais que de algum modo isto machucasse-o. Contudo quem justo é sobrepuja dor pessoal. Hoje move moinhos de vento para estreitar a relação afetiva de quem com tanto amor criara e a família legítima. Está ao largo do preconceito socioeconomico. A riqueza material não obscurece a riqueza da alma. Ao deparar-se com situação degradante em que encontrava-se Morena (Nanda Costa), vítima do tráfico humano, foi capaz de “comprá-la” para que pudesse escapar do calvário. Alimentou-a, deu-lhe roupas e guarida. Alguns poderiam argumentar que o que cometera fora errado. Entretanto, o que é o errado diante da multiplicação deste? Quando o assunto é Berna, a configuração analítica é complicada. A prima de Deborah (Antonia Frering) engendrou repertório de crimes, abusando de mentiras, omissões, furtos, e cedendo a chantagens para acobertá-los. O casamento de anos com a elegante esposa não demoveu-o de pôr em prática sua sede de justiça. Berna sofrera forte repreensão e colocada contra a parede todas as vezes em que suas práticas penais eram desveladas pelo marido. Antonio Calloni é daqueles intérpretes que dão credibilidade e prestígio a quaisquer produções para as quais é escalado, e em “Salve Jorge” não está sendo diferente. Quantas vezes não percebemos seus faiscantes olhos azuis marejados de lágrimas com real emoção? Privilegiados são os artistas que com ele dividem a cena. Antonio estreou com garbo na minissérie de Gilberto Braga, “Anos Dourados”, com o seu inesquecível Claudionor. E a partir daí, em desenfreada evolução, Calloni, que também é respeitado escritor e poeta, construiu sólida carreira pontuada por personagens indiscutivelmente marcantes. Dentre tantas novelas de que participou, destaquemos o William de “O Dono do Mundo”, o cineasta Milton Dumont de “Zazá”, o mitológico Bartolo de “Terra Nostra”, o Mohamed de “O Clone” (inicia-se aí frutífera parceria com Gloria Perez), o divertido César de “Caminho das Índias”, e o romântico e severo contraventor Natalino de “O Astro”. Um elemento objeto de interesse em sua jornada artística é o fato de ter personificado, não raro com verossimilhança, papéis históricos, como o abolicionista Lopes Trovão de “Chiquinha Gonzaga”, o pioneiro das telecomunicações Assis Chateaubriand em “Um Só Coração”, o poeta modernista Augusto Frederico Schmidt, afora o médium Zé Arigó. Sobressaiu-se em diversos episódios de “A Vida Como Ela É”. Emprestou potencial à adaptação de obra de Machado de Assis em “O Alienista”, na “Terça Nobre”. Não faltaram-lhe humorísticos, seriados, infantil e especiais. Testemunhamos seu alvo rosto em minisséries relevantes como “Decadência”, “Os Maias” e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Seguiu a orientação de cineastas em filmes como “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil”, “Outras Estórias”, “A Paixão de Jacobina”, “Poeta das Sete Faces”, “Anjos do Sol” (com o qual recebeu o prêmio ACIE – Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil) e “Faroeste Caboclo”. Dublou Garfield. Retomando o tema láureas, fora agraciado com o Molière pelo Karl Marx do espetáculo “A Secreta Obscenidade de Cada Dia de Marco Antonio de la Parra”. E como autor revelação presentearam-no com o Prêmio Jorge de Lima pelo livro de poemas “Infantes de Dezembro”. Entre coxias, urdimentos e proscênios desbravou terrenos de Tchekhov, Jorge Amado, Sam Shepard, Harold Pinter, Tom Stoppard, Eugene O’Neil e Milan Kundera. Antonio Calloni é generoso e magnânimo com o público e as Artes, deixando por onde quer que passe marcas, vestígios e impressões de sua fonte inesgotável de talento nato. São por esses motivos que sugeri-lhes que sirvamos um chá bem quente a Antonio Calloni a fim de que fique mais tempo com a gente. Nem precisa ser o chá das 5, pode ser o das 18, 19, 21 ou 23h.

“Ela”

Publicado: 17/05/2012 em Poema

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A minha homenagem às mães.

Nela, dormi

Não senti frio

Era quente

Acolhedor

E não senti fome

Que bom lugar para se ficar

Tive que sair

Sob a luz de um clarão

Chorei, chorei muito

Ouvi vozes

Não estava mais tão quente

Nem era mais tão acolhedor

Mas senti que era a hora

A hora de morar em outro lugar

Maior, diferente, cheio de coisas novas

Continuei a não sentir fome

E o frio passou de outra forma

Escutei sons que não entendia

Certo estava de que eram bonitos

E que serviriam para o meu bem

Sentia-me feliz

E todas as vezes que chorava

Aquele alguém que me guardou por longo tempo

Enxugava os meus olhos

E tudo ficava mais claro

Um claro parecido com o primeiro clarão

Depois, fiquei sabendo que quem me acolheu

E não me deixou sentir fome e frio

Além de me dar algo que chamam de amor

Tem um nome

Curto, bonito e forte

MÃE.

Paulo Ruch

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Foto: Divulgação do espetáculo “Equus”, com o qual Leonardo Miggiorin está em cartaz em São Paulo.

Na verdade, interpretar e cantar não são as duas vocações artísticas representativas na trajetória profissional de Leonardo Miggiorin, que está em cartaz em São Paulo com a peça “Equus”, de Peter Shaffer. Podemos incluir outrossim as Artes Plásticas (pintura e desenho), além de, em outro segmento, a Psicologia. Em “Insensato Coração”, como Roni, o empresário/agente de Natalie Lamour (Deborah Secco), Leonardo provou-nos, sob o meu ponto de vista, ser um dos destaques da trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Não somente por protagonizar momentos para lá de divertidos, mas por mostrar uma faceta séria e sensata quando a situação assim o pede. Qualificaríamos Roni como uma pessoa alto astral, “pra cima”, otimista, porém com os “pés no chão”. Algo que sua agenciada parece não possuir, muito em decorrência de seu olhar ingênuo sobre os fatos. Leonardo Miggiorin compôs seu papel com esmero, e o resultado é a aceitação clara do público. Contudo, até estar na produção das 21h da Rede Globo, há um pouco de história para lhes contar. O ator nasceu em Barbacena, Minas Gerais (ficara apenas alguns dias na cidade). Por causa da profissão do pai, levava uma vida de certa forma nômade. Rio de Janeiro, Brasília, Rio Grande do Sul… E nessas andanças, Leonardo formaria suas convicções pertinentes às Artes, seja no teatro, seja na música, seja na dança clássica. Tivera até experiência com o “butoh”. A estreia na televisão acontecera em “Flora Encantada”, com a apresentadora Angélica. Todavia, os sucesso e reconhecimento legítimos viriam com a ótima minissérie de Manoel Carlos (autor com quem Leonardo viria a trabalhar depois, e a quem considera como padrinho), “Presença de Anita”. Há uma bonita cena na obra em que Zezinho, seu personagem, mira-se no espelho, toca-se, como se estivesse “reconhecendo-se”. Ganhou prêmio. Passou um tempo fora. Aprimorou-se. Daí em diante, uma série de folhetins incrementou o seu currículo: “Mulheres Apaixonadas”, “Senhora do Destino”, “Essas Mulheres”, “Cobras & Lagartos” e “Viver a Vida”, além da boa minissérie de Fernando Meirelles, “Som & Fúria”. No cinema, agraciaram-no com o prêmio de Melhor Ator pelo curta-metragem “Em Nome do Pai”, de Julio Pessoa, no Festival de Gramado. Participara de longas-metragens como “O Casamento de Romeu e Julieta”, de Bruno Barreto, e “Rinha”, de Marcelo Galvão. Atuara em espetáculos teatrais, dentre eles, citemos “Peter Pan: Todos Podem Voar”, dirigido por Ariel del Mastro, no qual personificara o próprio, cantando e dançando, e “Dueto da Solidão”, de Sérgio Roveri. E o dom para o canto o levou a formar uma banda de pop rock com inserções de poesia chamada Vista. Face ao que lhes relatara, o “tudo” (seu personagem em “Insensato Coração” fala “tuda”) não está naquilo que Leonardo tem a nos apresentar? Creio que sim.


Foto: editorial de moda dedicado ao Brasil da loja de departamentos americana Macy’s

Na novela de Walther Negrão, “Araguaia”, ele foi Fred, filho de Max (Lima Duarte), e  causou rebuliço junto ao público feminino. Porém, o destaque se deu, também, claro, devido à sua atuação. O teatro apareceu muito cedo em sua vida. Ainda estava no terceiro ano do ensino médio quando decidiu fazer curso teatral. Gostou. Em pouco tempo, era chamado para uma substituição em peça. Bom sinal. Resolveu seguir em frente. Formou-se por conceituada escola de Artes Cênicas do Rio de Janeiro, a Casa das Artes de Laranjeiras. Durante os estudos, trabalhou como modelo. Participara da Oficina de Atores da Rede Globo. E pelo desempenho exibido, quem lhe dera aulas, Renato Farias, convidou-o para integrar o elenco do espetáculo “Veridiana e Eu”. Passou a partir daí a ser membro da importante Companhia de Teatro Íntimo. Raphael não é ator de se acomodar (aliás, um dos “inimigos” do artista é a acomodação). E por possuir esta característica, experimentou a mímica com Paulo Trajano, além de outros cursos e “workshops”. Nos palcos (onde começara afinal) fora dirigido por João Fonseca em “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade. Sob a direção de Celina Sodré, esteve ainda em “A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht. Há momento interessante na carreira de Raphael no que tange à poesia (uma de suas predileções): dera contribuição à série de apresentações chamada “Degustação Poética”, na qual notáveis e sumos poetas eram celebrados: Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Exerce a função de produtor, e almeja montar “Bateia”. Na televisão, contracenou com Mônica Martelli em “Dilemas de Irene”, no GNT. Interpretou o índio Iru, em “Bicho do Mato”. Já no cinema, escalaram-no para curtas-metragens. Anseia estar mais presente na tela grande. Com a dedicação, o empenho e o sucesso obtidos em “Araguaia”, não tardará para que surjam convites. E surgiram. Como o Dr. Tadeu de “Morde & Assopra”, e o peão Josué de “Amor Eterno Amor”.

“O Rio de Estácio”

Publicado: 26/04/2012 em Poema

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Foto: site skyscrapercity

A minha homenagem à Cidade do Rio de Janeiro:

Estácio fundou

Sebastião abençoou

São Sebastião

Flechado foi

Assim como o Rio

Tem problema, não

O santo é adorado

A cidade também

Confundiram a baía com rio

No mês de janeiro

Podia ser em fevereiro

Fevereiro que é a “cara” do Rio

Não nos importa que seja baía ou rio

O que vale é que a água banha o pão

O Pão de Açúcar

O sal molhando o doce

Temos o verde na pedra

A pedra não reclama

Tampouco o verde

Há lugar “pra” todo mundo

Temos a “Princesinha do Mar”

Areias, areias, areias…

O Cristo a nos olhar

Parece sério

Só parece

Ele nos observa

Toma conta de nós

Ninguém nunca o viu zangado

Ele está sorrindo

Podem reparar

E o carioca?

Dizem tanto do carioca…

Mas todos amam os cariocas

O carioca da praia

O de terno da Rio Branco

E até o que à toa fica

Quem neste vasto mundo de Drummond

Não se deixaria resistir pelo charme do fraseado

Do gingado deste ser chamado…

Como é mesmo o nome?

CARIOCA!

Paulo Ruch