
Fachada do Jockey Club da Gávea, no Rio de Janeiro, durante o “Roça in Rio”, Arraial da Providência.
Foto: Paulo Ruch

Fachada do Jockey Club da Gávea, no Rio de Janeiro, durante o “Roça in Rio”, Arraial da Providência.
Foto: Paulo Ruch
Há alguns dias, o ator Marco Pigossi foi ao “Programa do Jô”. Vestido despojadamente com uma elegante jaqueta marrom sobre t-shirt preta, calça jeans e tênis cinza, seus olhos foram logo comparados aos do cantor, compositor e escritor Chico Buarque pelo apresentador. Marco acabou de encerrar temporada no Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro, com a peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e está neste final de semana em Vitória, e no próximo, em Curitiba, com o mesmo espetáculo. Jô Soares faz um adendo: seu primeiro papel numa montagem teatral fora justo em “O Auto da Compadecida”, numa remontagem de Agildo Ribeiro, como o Bispo, no Teatro de Bolso. Já na produção da qual Marco participa há a presença de 12 atores no elenco. Inclusive, quem personifica João Grilo é uma atriz, Gláucia Rodrigues. É a primeira vez que isso acontece no teatro brasileiro. Marco Pigossi já estivera em outra obra de Ariano nos palcos: “O Santo e a Porca”. Ficara por 3 anos em cartaz no Rio, e fora prestigiada pelo próprio dramaturgo em sessão fechada. Chega o momento em que o humorista indaga a Marco quais foram os seus personagens mais importantes tanto na TV quanto no teatro. O artista responde que na televisão fora no folhetim de Walcyr Carrasco, “Caras & Bocas”, em que interpretava Cássio, famoso pelos bordões “rosa chiclete” e “Cheguei, perua!. O assunto ruma para uma curiosidade que ocorreu quando o intérprete fora buscar patrocínio para uma peça de Joe Orton que pretende montar. Na época, atuava como o Rafa de “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, que aplicava o golpe do seguro (roubava motos, desmanchava-as, e requeria o pagamento). A empresa procurada para o apoio era de seguros, o que gerou o espanto dos seus representantes. Mas tudo acabou bem. Agora, Marco discorre sobre o personagem atual que defende no “remake” de “Gabriela”, adaptada por Walcyr Carrasco. Ele é um rapaz virgem de 22 anos chamado Juvenal, filho do Coronel Amâncio (Genésio de Barros). Quanto à naturalidade é paulista. E o engraçado é que sempre morou no mesmo apartamento, sendo que este pertenceu a Antonio Fagundes. O quarto de Marco ficava exatamente onde se localizava a biblioteca de Antonio, um conhecido leitor contumaz. Sua estreia na Rede Globo ocorreu na minissérie “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral. Era o revolucionário Dráusio. Tinha apenas 15 anos. No telão, a atriz Mika Lins lhe pergunta que personagem gostaria de fazer no teatro. Como resposta, não um personagem, mas uma peça, que seria “Seis Personagens à Procura de um Ator”, de Luigi Pirandello. Aliás, Marco Pigossi contou-nos o quanto fora difícil sua primeira cena na TV, e com a colega Mika Lins. E encerra-se a entrevista. Marco tem pressa, afinal o mundo de Ariano Suassuna e Jorge Amado o espera.

Uma visão do público presente no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, Jockey Club da Gávea, RJ
Foto: Paulo Ruch

O céu com a lua visto por meio das bandeirinhas no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, no Jockey Club da Gávea, RJ
Foto: Paulo Ruch

Refletores e bandeirinhas no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, no Jockey Club da Gávea, RJ
Foto: Paulo Ruch
A vingança de Nina (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) parece não ter fim. E teledramaturgicamente é para não ter fim mesmo, já que a desforra da ex-enteada é o mote principal da novela das 21h de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”. Se Nina der por encerrada a sua vingança, o folhetim poderá perder muito em apelo junto ao público, haja vista que as cenas de embate entre as personagens de Débora e Adriana são um dos trunfos do folhetim. É difícil imaginar o que o autor reserva de surpresa para os seus telespectadores, porquanto aspectos do desenrolar do seu enredo são mantidos sob sigilo, cujos sabedores são apenas aqueles que estão diretamente envolvidos na trama em questão. Não sabemos ainda se a meta vingativa de Nina só terminará com a revelação a Tufão (Murilo Benício) do caso que a sua mulher mantém (ou mantinha) por anos com o seu cunhado Max (Marcello Novaes). Se esta informação lhe for dada bem antes do desfecho da novela, e Carmen Lucia for expulsa de casa, provavelmente uma vingança gerará outra. Será que é isto que o autor pretende? Uma pergunta se impõe. Nina continuaria a merecer o amor de Jorginho (Cauã Reymond), apesar de tê-lo deixado em segundo plano? João Emanuel deverá escolher este casal para ficar junto, porque soaria incômodo que a cozinheira se interessasse pelo pai do seu antigo namorado. Estou falando de Tufão. Porém, isso é o de menos, visto que com a argúcia do escritor definir os casais será de menos importância, face o eixo central da história. No tocante à vingança em si, Nina já perpetrou uma gama infinda de humilhações à sua patroa. Fez-lhe exigências para que enunciasse promessas diante da família, e o que é pior, está arquitetando com que os seus parentes a tachem de maluca. E quem ficou encarregada de providenciar um psiquiatra? Nina! Tudo nos leva a crer que aquele seja um picareta, psiquiatra ou não, e que confirmará a insanidade de Carminha. Ontem, por exemplo, foi ao ar uma das cenas mais aguardadas pelos que assistem à novela: a descoberta por parte da vilã do caso (não consumado) entre a sua algoz e seu amante Max. O desespero dela só faz aumentar como uma bola de neve. Aliás, este é um dos maiores erros de ceder a uma chantagem. Esta não acabará nunca. Muitas vezes, o melhor a se fazer é permitir, por pior que seja, que o objeto das ameaças seja desvelado. Voltando a Max, em meio a tensa discussão entre Nina e Carmen, fora obrigado a escolher de que lado ficaria. Os argumentos da primeira foram mais convincentes. Depois, ele não teve tanta certeza disso. Sua ex-cúmplice foi embora, com o carro em alta velocidade. Colide com o mesmo, e passa a se embriagar com cachaça. Pega uma caminhonete velha (Carminha de caminhonete velha?), e vai para o lixão. A novela de João Emanuel Carneiro já nos deixou um aprendizado: jamais maltrate as criancinhas, afinal um dia elas deixarão de ser apenas criancinhas.

Doces sortidos à venda no “Roça in Rio”, Arraial da Providência, no Jockey Club da Gávea, RJ
Foto: Paulo Ruch

Placa indicando o evento no Jockey Club da Gávea, RJ, Arraial da Providência, “Roça in Rio”.
Foto: Paulo Ruch