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Blog do Paulo Ruch

  • ” ‘O Caçador’ não quer ensinar ao padre a rezar a missa. Portanto senhores, divirtam-se. “

    abril 12th, 2014

    caua
    Foto: Divulgação/TV Globo

    Não é algo inédito na Rede Globo apostar em séries policiais, sejam elas ou não contextualizadas em suas características elementares que as definem. Durante o período que se inicia no ano de 1979 e findo em 1981, um grande sucesso escrito por Aguinaldo Silva e demais autores (Aguinaldo inclusive fora jornalista policial), “Plantão de Polícia”, dirigido por Marcos Paulo e outros, com a supervisão de Daniel Filho, já se posicionava como um clássico da TV no gênero. A trama se passava em externas, porém o núcleo central era estabelecido na redação de um jornal popular, no qual circulavam Valdomiro Pena (celebrizado por Hugo Carvana, e que ganhara até uma música tema homônima cantada por Jorge Ben – nome artístico adotado à época), o editor Serra (Marcos Paulo), as repórteres Bebel e Gisela (Denise Bandeira e Lucinha Lins, respectivamente) e o fotógrafo Gatto (Júlio Braga). Em 1997, Antonio Calmon criou “A Justiceira”, seriado protagonizado por Malu Mader, e tendo como companheiros de cena Nívea Maria, Danielle Winits e Leonardo Brício. A direção coube a Daniel Filho. Os enredos dos episódios continham infalíveis ingredientes natos a este segmento audiovisual, como um serviço de inteligência avançado para desvendar crimes de elucidação complexa, lutas corporais, tiros certeiros e a esmo, perseguições e explosões. Na ocasião, a TV Globo dispunha de know-how suficiente no que tange aos dublês contratados e aos efeitos especiais desenvolvidos, que não ficaram nada a dever aos similares americanos. Agora, no começo de 2014, na mesma emissora, acompanhamos “A Teia”, de Bráulio Mantovani e Carolina Kotscho, uma série conduzida por Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos, exibidora de uma intrincadíssima história (daí o título) propulsora de adrenalina pura, violência em estado bruto, conflitos familiares e tensão no grau máximo, que em cujo elenco estavam João Miguel, Paulo Vilhena e Andreia Horta. Nos Estados Unidos, há um “boom” de produtos que se enquadram nesta vertente policialesca, como “Criminal Minds” e “CSI: NY” e “CSI: Miami”. Na década de 70, naquele país e no mundo, Telly Savalas e seu indefectível pirulito fora um dos artistas mais prestigiados com o seu Kojak, da atração de mesmo nome. Nem bem nos recuperamos de “A Teia”, que bom, estreou no final da noite de ontem, sexta-feira, a série “O Caçador”, uma criação de Marçal Aquino, Fernando Bonassi e José Alvarenga, com redação final de Marçal Aquino e Fernando Bonassi e direção de José Alvarenga e a codireção de Heitor Dhalia. Cauã Reymond é André, um agente da Divisão Antissequestros da Polícia Militar, que no meio de uma investigação que envolve traficantes e milicianos na prática de um ato ilícito para o qual está treinado e que tem como vítima uma criança, com o intento não somente do montante em dinheiro do resgate exigido mas por disputas de território para efetuação de delitos, vê-se inesperadamente acusado de vazamento de informação da operação deflagrada pela instituição de segurança. O rapaz com tatuagens várias a ornar o corpo, pensamentos filosóficos próprios e que prefere cerveja a leite, é honesto, resoluto e nutre admiração inabalável pelo pai Saulo (Jackson Antunes), um policial que acabara de se aposentar. Tem como irmão o delegado Alexandre (Alejandro Claveaux), um de seus maiores oponentes, e que fará tudo para prejudicá-lo, bastante em decorrência pelo ciúme provocado por uma até então velada paixão entre sua esposa Kátia (Cleo Pires) e o parente consanguíneo. Após a armadilha em que caíra, André amarga três anos, alguns meses, semanas, horas e minutos no cárcere. Ao sair da penitenciária, renegado pela família, estigmatizado, vagando por terra árida, seca e com poeira a voar, num ambiente que remete a “Paris, Texas”, de Wim Wenders, dirige-se a uma parada de ônibus desoladora e esquecida pelo tempo, na qual se encontra um enigmático homem sem visão, andrajoso, com cabelos pintados de rubro, no entanto com visão aguçada da vida. E um olfato que identifica os que vêm da prisão (uma participação especialíssima de Milton Gonçalves). O colóquio entre ambos é interrompido de modo abrupto por riscos de projéteis de balas com direção certa: André. O recurso do “flashback” é usado a fim de que o público se situe com êxito diante dos fatos. Desiludido, sem promessas de conseguir emprego, o seu superior na operação malograda Lopes (Ailton Graça) o procura com o objetivo de lhe ofertar uma proposta que, se não é legal, também não é ilegal: André seria um caçador de recompensas, pois há muitos foragidos estrangeiros, em sua maioria no Rio de Janeiro, cuja captura não oficial interessaria a não poucas pessoas. Sua missão é tão vantajosa quanto periclitante. André, que de cordato com “mulheres da vida” não tem nada, depois de instantes de hesitação, assente. Sob uma condição: que lhe fossem dados uma pistola 45, um laptop e um celular. Lopes ainda não acredita na sua inocência. O que poderia libertar o ex-detento e desprovido de farda da culpabilidade, e o que é pior, da mancha moral, seria uma suposta gravação deixada por seu pai, que estava desenganado, e que se incumbira de incriminar o filho para se livrar da condenação, tomar para si a dinheirama obtida com o supracitado sequestro, e aproveitar o curto tempo que lhe resta. Há indícios de que Alexandre, o irmão com quem não gostaríamos de dividir o lar, tenha ocultado a importante prova. Todavia, o destino não fora cúmplice de Saulo, que morrera, tanto na miséria financeira quanto na humana. Desta forma, em seu primeiro capítulo, “O Caçador” nos mostra uma história atraente, que prende a nossa atenção, que faz com que esperemos o seu desfecho, sem que haja preterição da ação, suspense, drama, surpresas e alentadas cenas de nudez. A direção de José Alvarenga e Heitor Dhalia se baseia notadamente no dinamismo das imagens, uma movimentação constante com cortes rápidos e criativos, amparados por câmeras ansiosas e trepidantes. Angulações distintas nos transportam para o campo da ficção que aceitamos visitar. Há focos macros, como na cena em que observamos os olhos do personagem de Cauã num abrir e fechar lânguidos. A fotografia opta por textura intermediária, crua, seca, sem tintas fortes destoantes, com a exceção da beleza de um clarão ofuscante da luz do sol. A abertura de Alexandre Pit Ribeiro é um contraponto proposital à série, haja vista que serve como um refrigério, um alívio para a apreensão instalada. Com música de fundo entoada por Ney Matogrosso em sua fase “Secos & Molhados”, “O Patrão Nosso de Cada Dia”, admira-se as profundezas azuis de um oceano com um tubarão a desenhar o seu percurso, sendo o temido peixe uma clara alusão ao “caçador na procura de sua presa”. A nova série se estabelece como um programa convidativo para aqueles que apreciam uma opção inteligente, nada vezeira, com apuros estético e textual, interpretações em consonância legítima com a demanda qualitativa do projeto. Não faltarão clímax que nos prendam durante uma semana até o seguinte episódio. “O Caçador” não quer ensinar o padre a rezar a missa. “O Caçador” não ensina. Faz. Um mérito. Assim como André, do lado de cá, somos metaforicamente caça e caçador. Sairemos recompensados. Portanto senhores, divirtam-se… com “O Caçador”.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 12th, 2014

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    Menino que pertence ao Grupo Cultural AfroReggae faz malabares com uma argola, em uma das imagens transmitidas no visor instalado no lounge da loja de departamentos Riachuelo, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, que foi realizado no Píer Mauá.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 12th, 2014

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    Término de um dos desfiles do Rio Moda Hype, evento paralelo ao Fashion Rio (em sua edição Outono Inverno 2014, no Píer Mauá), que tem por objetivo lançar novas marcas no mercado.
    Desfilaram pelo Rio Moda Hype as grifes Oksa, Acolá, Taiana Miotto, Marie Raz e Wasabi.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 12th, 2014

    072
    Na edição Outono Inverno 2014 do Fashion Rio, promovida no Píer Mauá, podia-se admirar na área externa do local a deslumbrante paisagem em um lindo dia de sol da Baía de Guanabara com a Ponte Rio-Niterói ao fundo.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • ” Esther quer ter um filho. Paulo, não. Até aí, nenhuma novidade. A questão é como Esther quer ter este filho. “

    abril 12th, 2014

    paulo_esther
    Foto: Divulgação/TV Globo

    Lembro-me que ao analisar alguns personagens de “Fina Estampa” em seu primeiro capítulo, novela das 21h da Rede Globo, de Aguinaldo Silva, lembro-me que me referi ao casal Paulo (Dan Stulbach) e Esther (Julia Lemmertz) como um par bem-sucedido na profissão que parecia feliz, sendo que ele em certa cena mostrou-se completamente fiel à esposa, pois havia resistido ao assédio de uma modelo que participaria de um desfile da Fio Carioca, prestigiada empresa têxtil que ambos possuem. Não foi impressão errada, pois por muitos capítulos davam-se bem. Até que numa viagem dos dois, surge uma médica, Dra. Danielle Fraser (Renata Sorrah), especialista em reprodução artificial. É neste instante que começa o desabamento de um matrimônio até então sólido. Alguns assuntos não resolvidos para eles, e que estavam adormecidos, vêm à tona: a vontade de Esther de ser mãe e a impossibilidade de Paulo de ser pai, devido à sua esterilidade. O caráter estável do casamento fora minando aos poucos à medida que a personagem de Julia Lemmertz manifestou o desejo de se utilizar dos procedimentos médicos alternativos e avançados da Dra. Danielle, o que gerou antipatia imediata de seu cônjuge. De fato, a situação é demasiado complexa. Procuremos não cair de forma fácil em julgamentos morais. Tentemos ver as razões de cada um. Primeiro, Esther. É uma mulher madura, porém jovem, que como várias mulheres quer ter um filho. Só que descarta a adoção. Ela quer sentir as dores e os amores de se gerar alguém no próprio ventre. Já que não pode contar com a contribuição natural do marido, decide por aceitar um embrião fecundado por doadores anônimos. Está certa disso, e tudo leva a crer que não declinará desta ideia, nem que o seu enlace seja comprometido. O sócio e esposo não assentiu. Suas alegações partem do princípio de que terão um “intruso” na convivência. E este problema bastante particular e íntimo deles acaba em ouvidos indesejáveis, como os de Tereza Cristina (Christiane Torloni) e a jornalista Marcela Coutinho (Suzana Pires). As brigas passam a ser contínuas. E Paulo não consegue desvincular trabalho e vida pessoal. Esther continua frequentando a clínica de fertilização de Dra. Danielle, e mostrando-se disposta a levar adiante a decisiva tomada de atitude. E o que antes parecia improvável, decorreu. A traição do irmão de Tereza Cristina. E logo com quem. Com Marcela. Isto gerou desconforto e arrependimento nele. Mas aí já era tarde. Foi uma espécie de vingança e fraqueza, dois elementos que juntos servem para o aproveitamento dos mal-intencionados. Esther descobriu. Mulher sente essas coisas de longe. Agora, uma pergunta que me faço. Não seria o caso da Dra. Danielle esperar um acordo entre o casal, porquanto há uma vontade unilateral de se realizar algo que de brincadeira não tem nada? O que está em jogo é um casamento. Agora, falemos um pouco de Paulo. Convenhamos que não deva ser fácil para um marido acompanhar a gestação de um filho pela sua esposa, sendo que não servira de nenhum modo para isso. A adoção não seria a solução mais pacífica? Já estou num campo de julgamentos. E além de não ter direito a isso, mesmo em se tratando de ficção, sou avesso a qualquer tipo de julgamentos e pré-julgamentos que tangenciem o aspecto moral e, por que não, emocional. A conclusão a que chegamos é que o autor Aguinaldo Silva está abordando um tema dos dias atuais, o qual não podemos ignorar. E este tema carrega em si consequências de inegável magnitude. Haverá discussões, ofensas de lado a lado, crises conjugais e inevitável separação. Contudo, como boa novela, tudo leva a crer que Paulo e Esther terão um final feliz. Digo isto porque em nenhum momento o amor deles pareceu chegar ao fim. Pode estar balançado. Todavia, ao fim não chegou.

  • ” Um texto ‘politicamente incorreto’ escrito com apropriada parcimônia, Marcelo Serrado inteiramente à vontade no palco, e Gigante Leo como o seu cúmplice na graça ‘É O Que Temos Pra Hoje!’.”

    abril 6th, 2014

    marcelo_serrado_e_gigante_leo_-_foto_divulgacao
    Foto: Divulgação do espetáculo

    Em seu segundo texto (o primeiro fora “Tudo é Tudo e Nada é Nada” e o mais recente é “A História dos Amantes”), Marcelo Serrado, que também é o diretor de “É O Que Temos Pra Hoje!”, resolve no formato de stand-up comedy (ou como ele mesmo prefere, um “stand-up comedy e meio”), em que contracena com o comediante Gigante Leo, em participação especial, digressionar sobre temas que nos são notadamente familiares, respeitando as linhas limítrofes que separam o “politicamente incorreto” aceitável do “politicamente incorreto” duvidoso e de mau gosto. O stand-up comedy, ao contrário do que alguns pensam, sempre existiu. Prática comum cênica tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Em terras nacionais, tivemos José Vasconcelos (um dos precursores), Chico Anysio, Costinha, além de Ary Toledo, Juca Chaves, Jô Soares e Sérgio Rabello. No país ianque, destacaram-se Woody Allen, Steve Martin, Chevy Chase e Steve Carrel. Nos anos 2000, houve um “boom” de humoristas ou candidatos a humoristas que se aventuraram neste gênero, que não se resume apenas a contar piadas para uma plateia de espectadores. Muitos tentaram. Poucos ficaram. Marcelo se enquadra, óbvio, no time dos bem-sucedidos nesta seara. E Gigante Leo (sucesso no fenômeno da web “Porta dos Fundos” e ganhador do Prêmio Multishow de Humor 2012) não é um “turista acidental” no humor de qualidade tampouco. Marcelo Serrado, que comprovou elevado poder cômico ao interpretar o sensível e divertido mordomo Crodoaldo Valério ou Crô na novela escrita para o horário nobre da Rede Globo por Aguinaldo Silva, “Fina Estampa”, vale-se daquele predicado para alinhavar o cerne do espetáculo que abrange questões extremamente contemporâneas, como a avassaladora invasão da Internet, seja ela deletéria ou benéfica em nossas vidas, e a complexidade das relações afetivas entre um homem e uma mulher, incluindo-se o sexo. O ator discorre sem pudicícia acerca da insanidade que tomou conta dos acólitos da tecnologia digital e móvel que recebem incontáveis vezes novos e cada vez mais modernos aplicativos. O indivíduo está deixando de ler um Machado de Assis para testar as suas habilidades em um game qualquer. Seria injusto não dizer que a Internet se somou às nossas existências como uma rica, fácil, proveitosa e fascinante ferramenta de busca de informações e notícias em tempo real e degrau para uma socialização de todos os tipos. Entretanto, o que se vê não raras vezes é um processo que ocorre pelo avesso, ou seja, inicia-se uma antissociabilidade que transcende até a tela do computador. Uma inversão de valores é identificada e nos preocupa. Hoje, as pessoas saem de suas casas para se divertirem já com a premeditação de tirar uma atrativa foto para logo em seguida ser postada em alguma rede social. Ficamos “reféns” dos “likes” e “comments”. Uma “curtida” ou “não curtida” pode decretar o fim ou o começo de uma “amizade”. Se o seu “friend” não curte o que posta, isto pode significar que não gosta de você, que sente inveja, não incentiva o que faz ou simplesmente nada disso. A rede social se divide em “panelinhas” e “excluídos”. Um “apartheid”. Para um segmento, curtir algo seu pode ser entendido “como lhe dar confiança”. Bastantes usuários leem o que escreve ou divisam uma foto de sua lavra, admiram ambos, mas não curtem para “não encherem a sua bola”. Um comportamento que demanda estudo psicológico apurado, pois há nele desvio e evidência de imaturidade e/ou infantilidade. A vaidade mostra a sua face mais feia. Algo destrutivo. Uns querem ser melhores do que outros, mais bonitos do que outros, mais inteligentes do que outros. Uma extensão do “capitalismo selvagem” ao qual estamos deveras acostumados com os seus individualismo, consumismo e competitividade exacerbados. O “olho no olho” se escafedeu. O teclado tomou o seu lugar. A câmera. O ser humano passou a ter dupla identidade: uma para a vida virtual e outra para a real. Não reconhecemos a nós mesmos se reunirmos estas duas esferas de comunicação. O que se fala covardemente usando como escudo uma tela de computador, não se diz “cara a cara”. Como asseverara o cantor e compositor Leo Jaime: ” Tem gente que te segue no … só pra te odiar bem de pertinho”. Estamos mais sozinhos. Não é difícil perceber. Roberto Carlos já cantava em linda canção: “Eu quero ter um milhão de amigos…”. Agora, é possível “tê-los”. Espantam-me os que se julgam por demais importantes e excelsos ao negarem a sua “amizade”. Eles deixarão de ser “importantes” e “excelsos” se você se tornar o seu “amigo”? A que ponto chegamos. E os que atingem a desconcertante e inacreditável indelicadeza de ler uma mensagem que enviara e não retornarem, dizerem ao menos um “obrigado”, um prosaico “olá”? E quando deseja um “Feliz Aniversário!” para as “paredes”? Vai entender. A loucura e a sanidade juntas no mesmo balaio. A “democracia” se instalou na Internet, na qual quase todas as estratificações sociais a utilizam. Ela é sem dúvida um instrumento extraordinário que, assim como nossa vontade, pode ser manipulada para o bem ou para o mal. Entristeço-me ao notar que o segundo leva alguma vantagem. Onde está o contato físico, o aperto de mão, o abraço? Tudo se aglutinou em uma “carinha sorrindo”. Divulga-se a miséria humana do mesmo modo que se divulga o hedonismo. Melhoramos ou pioramos como pessoas? Amigos reais se exibem como desafetos e os estranhos são os “amigos de infância”. Não à toa, especialistas e estudiosos têm se dedicado com afinco na pesquisa sobre essas peculiaridades comportamentais do século XXI. Todavia, a verdade é que não mais podemos viver sem a Internet e as redes sociais. Se bem aproveitadas, só temos a ganhar tanto no campo pessoal quanto no profissional. Antes de terminar este tópico, gostaria de lhes comunicar que não se trata de um julgamento ou condenação, apenas uma avalição factual do que observo consuetudinariamente. Eu mesmo faço parte disso, e procuro tirar proveito com honestidade do que me é oferecido. Noutro momento do stand-up, Marcelo elucubra sobre as diferenciações existentes entre o masculino e o feminino. Neste contexto, insere-se o sexo, como disse acima. Nada soa desrespeitoso. Ocorre o contrário. Identificamo-nos, rimos das situações e de nós mesmos. Referem-se humoristicamente às fatídicas tensões pré-menstruais, que de maneira potencial servem de desculpas ou justificações para a não aceitação de se fazer algo pedido por outrem. Brinca-se com a incontinência verbal das mulheres após o ato sexual e a indiferença e frieza dos homens depois daquele. Não há relacionamentos sexuais perfeitos, haja vista que não somos perfeitos. O homossexualismo é tratado com irreverência, diferentemente do que vemos vez por outra em quem não está preparado para fazer chiste do assunto. Renato Aragão e Os Trapalhões, Chico Anysio, Agildo Ribeiro e Jô Soares amiúde criaram tipos, personagens ou circunstâncias em que os gays não se sentiam ofendidos, e isto, o que é mais instigante, numa época sob a patrulha ostensiva da ditadura militar. O preconceito nunca recrudesceu com os seus trabalhos. Já não posso afirmar o mesmo quando ouvimos incômodas vozes dissonantes de políticos totalitários e “pastores” afundados em sua estupidez. A entrada de Gigante Leo em cena lança profícua luz sobre a discriminação que se faz contra os que estão abaixo da estatura média mundial. Gigante conclui que parcela da sociedade o trata como criança, com aspectos de curiosidade. Leo nos convence de que não há nada de diverso em ser anão. Sim, anão. É assim que Gigante Leo aprecia ser chamado. Não os hipócritas “pequeno” e “verticalmente prejudicado”. Este último eivado de deboche. Marcelo Serrado e Gigante Leo são inteligentes ao desmistificarem a figura do anão. Faz-se graça de suas limitações. Mas quem não as tem sejam elas quais forem? A interação dos artistas com o público é enriquecedora e prodigiosa. Ambos agem com naturalidade, despojamento e espontaneidade ao lançarem mão de jogos de palavras e frases que serão usadas para sessões de improvisação. Os cenário, iluminação e figurino são enxutos e objetivos. O primeiro se resume a dois bancos metálicos de distintos tamanhos (sendo que sobre um deles há uma caixa colorida no interior da qual estão as supracitadas frases), um microfone alto, um tamborete e uma tela para projeção de lúdicas imagens. A iluminação é correta, coerente, não se deixando levar acertadamente por excessos ou extravagâncias, com o funcional uso de onze refletores traseiros que possuem bonito alaranjado, dois outros de luz branca tanto à frente quanto atrás do palco, e um conjunto que adere ao recurso do plano geral, sem preterir os focos individuais nos intérpretes e a diminuição gradativa das tonalidades luminosas. Quanto ao figurino, Marcelo veste camisa social azul claro com t-shirt, calça de jeans lavado com pequenos rasgos e tênis com textura próxima ao jeans. E Gigante se traja de jeito similar, com a exceção dos calçados. “É O Que Temos Pra Hoje!” é um stand-up comedy leve, mordaz, sarcástico e espirituoso que ostenta dois talentosos atores que formam ótima parceria e que em consonância desfiam verdades e fatos que são indissociáveis de nossas vivências. Os espectadores se divertem e participam quando são solicitados. Um entretenimento em sua genuína essência. Válido na própria natureza. O que Marcelo Serrado e Gigante Leo prometeram, cumpriram com mérito. Bem, este texto no qual procurei imprimir a minha sinceridade “É O Que Temos Pra Hoje!”.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 6th, 2014

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    A Riachuelo, loja de departamentos “patrocinadora oficial da moda”, em seu elegante lounge no Fashion Rio, cuja edição Outono Inverno 2014 foi realizada no Píer Mauá, exibia no telão a imagem de um menino em meio a outras crianças no parque simulando um movimento da arte marcial tai chi chuan.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 6th, 2014

    066
    Um telão localizado no lounge da Nativa SPA – O Boticário, montado especialmente para o Fashion Rio em sua edição Outono Inverno 2014, no Píer Mauá, ostentava uma clara homenagem aos Blogs e aos que a eles se dedicam.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    abril 6th, 2014

    0621
    A imensidão de um oceano com águas de azul cristalino margeando um desfiladeiro, no qual há um solitário barco, foi uma das múltiplas imagens exibidas nos telões espalhados pelo Píer Mauá, em sua edição Outono Inverno 2014 do Fashion Rio.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Birthday Casting Party by Sergio Mattos – 7 anos da 40 Graus Models

    abril 6th, 2014

    DSC06556
    Beto Malfacini, modelo internacional, esteve presente na festa “Birthday Casting Party by Sergio Mattos – 7 anos da 40 Graus Models”, no Cais do Oriente, no Centro do Rio de Janeiro.
    Beto é carioca, fora militar e integrara a Brigada Paraquedista.
    Sempre se destacara nos esportes que praticara, como a natação e o surf.
    Também é lutador de jiu-jitsu.
    Estampou diversas capas de revista, como a “Men’s Health” e a “JUNIOR”, fotografado por Lucio Luna.
    Participou da sexta edição do “reality show” da Rede Record “A Fazenda”.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/

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