
Foto ampliada da atriz Alinne Moraes tirada por Fernando Torquatto, que ficou em exibição no Fashion Rio Outono Inverno 2012, que foi realizado no Píer Mauá.
Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
Em seu retorno ao “Estrelas”, programa de entrevistas exibido nas tardes de sábado na Rede Globo, que terá uma temporada toda gravada na cidade histórica do Sul Fluminense, a apresentadora Angélica já chegou com todo o gás, haja vista que ficou afastada da TV por meses em decorrência de sua licença-maternidade. Vestindo um conjunto de regata e calça metalizada em “degradée” cuja cor prevalente é o rosa, Angélica deu um agradável passeio pelas ruas de pedra e terra batida da bela região ao lado da protagonista de “Salve Jorge”, Nanda Costa. Em meio ao casario antigo em estilo colonial defrontado por postes característicos do período, Nanda (descalça como fazia como criança quando lá morou) contou-nos suas peripécias na infância, como assustar as pessoas que iam ao restaurante da mãe (local em que havia no segundo andar uma espécie de escolinha de teatro) com uma falsa cobra, e mostrou-nos como é boa com as bolinhas de gude. Seus amigos duvidavam que poderia se tornar uma atriz famosa, e ela simplesmente retrucava que “um dia eles seriam seus fãs”. Como Paraty é eleita como ótima locação para filmes e novelas, a diversão para a jovem era garantida, e a vontade de ser uma artista só aumentava quando ocorria uma filmagem ou gravação. Uma das propriedades de Nanda serviu de unidade da produção do folhetim “Da Cor do Pecado”. Debruçada na janela, um dos “cameramen” a flagrou, e depois exibiu a sua imagem no monitor. Brincadeira ou não, poderíamos considerar a estreia involuntária de Nanda Costa numa pequena tela. Anos se passaram, e a atriz já famosa reencontrou o “cameraman”. Os pais temiam pelo futuro profissional da moça, ao contrário do avô que a incentivava. Durante algum tempo, a intérprete ajudou a família em sua loja de tecidos, e demonstrou no “Estrelas” ainda possuir habilidade para o corte dos panos. No segundo bloco, o coordenador técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira foi convidado a preparar uma “paella”. Não uma “paella” qualquer, e sim enriquecida com ingredientes ao seu gosto. Angélica não se fez de rogada, e sempre com bom humor, procurava dar uma ajudazinha na preparação do conhecido prato espanhol. Nós, acostumados a ver o coordenador a dar entrevistas coletivas tecendo comentários sobre escalações de jogadores e desempenhos da seleção, também faz o seu gol na cozinha. O programa foi finalizado com o show da banda Aviões do Forró, cujo maior êxito comercial foi a música-tema de Suelen, personagem vivida por Isis Valverde em “Avenida Brasil”, “Correndo Atrás de Mim”. Se com Parreira, a apresentadora apostou na estamparia verde, no palco com o grupo citado colocou algo mais exuberante, como uma blusa rosa adornada com brilhos, e uma calça fluida e estampadíssima. No que concerne à sua carreira, Angélica a iniciou como modelo, tendo vencido por duas vezes o concurso “A Menina Mais Bonita do Brasil”, no programa de auditório de Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Já no “Boa Noite Brasil”, com Flávio Cavalcanti, foi jurada mirim. Como apresentadora, a estreia se deu na extinta Rede Manchete em “A Nave da Fantasia”. Após, passa a comandar o “Clube da Criança”. E, em seguida, o “Milk Shake”. Apostou no seu lado cantora, e fez o Brasil cantar “Vou de Táxi”. Outras de suas canções foram “Amor Amor” e “Algodão Doce e Guaraná”. Lançou disco. A apresentadora também esteve na emissora de Silvio Santos, em que conduziu “Casa da Angélica” (Otaviano Costa foi seu repórter), “Passa ou Repassa” e “TV Animal”. Já ganhou o Troféu Imprensa. Como atriz, destacou-se como Ceci em “O Guarani”, de José de Alencar, na Rede Manchete. Na Rede Globo, o primeiro programa foi “Angel Mix”. Veio a novelinha “Caça Talentos” (onde havia a série “Flora Encantada”). “Bambuluá” também foi uma novela infantil que protagonizou. No cinema, com Os Trapalhões, trabalhou em “Heróis Trapalhões, Uma Aventura na Selva”, “Os Trapalhões Monstros” e “Uma Escola Atrapalhada”. Arrisca-se na função de produtora, afora atuar, em “Zoando na TV”, tendo ao seu lado no elenco Márcio Garcia. A loira Angélica junta-se à loira Xuxa em dois longas- metragens, “Xuxa e os Duendes” e “Xuxa e o Mistério da Feiúrinha”. Há mais algumas produções nas quais atuou como apresentadora ou atriz, como “Vídeo Game”, “Fama”, “Um Anjo Caiu do Céu” e “As Cariocas”. Sim, Angélica já realizou muita coisa tanto na TV quanto no cinema. Inclusive dividir a mesa com Carlos Alberto Parreira e degustar uma “paella” feita pelo próprio.
A atriz Totia Meireles, a Wanda de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, ganhou desta a oportunidade que muitas intérpretes desejam: ser uma vilã da trama. Porém, só isto não basta. É necessário que a responsável pelas vilanias seja bem delineada na história pelo autor a ponto de causar repúdio no público. Gloria Perez fez a sua parte. A outra caberia a uma atriz que entendesse o perfil do papel, e fosse talentosa o suficiente para torná-lo crível. O fato de se escalar Totia para personificar Wanda configurou-se como uma novidade para os telespectadores. Afinal de contas, estávamos acostumados a ver Totia Meireles vivendo personagens boas, justas, sensatas e honestas. As suas beleza, simpatia e carisma contribuíram para que estas mesmas personagens fossem garantia de credibilidade. Quanto a Wanda, soube usar estas qualidades nos momentos de fingimento, cinismo e sedução da vilã. E deu certo. O que se vê é uma alternância de comportamentos ora desprezíveis ora amáveis, situações que exigem da intérprete habilidade, técnica e talento. E estes atributos Totia tem de sobra. A sua Wanda é uma mulher misteriosa, que não se sabe bem por que entrou para o mundo do crime. E o que a fez ser tão fria. O pouco que sabemos é que veio de Botucatu, lá namorou o Coronel Nunes (Oscar Magrini; comedido na medida certa), e que possui um primo. Há um sinal de que já existiu algo que se aproximasse da normalidade em sua vida. Tanto que ao reencontrar Nunes, ficou até balançada. Entretanto, em nome dos negócios escusos que pratica, sofreu repreensão de sua chefe Lívia (Claudia Raia). Insensível e vingativa, Wanda já foi presa, deu golpe no antigo namorado, chantageou Berna (Zezé Polessa), e deu fim a Santiago (Junno Andrade). Guarda sentimento de ódio por Morena (Nanda Costa). Wanda ainda exibirá o muito que sabe de maldade. Quanto a Totia, era uma atriz essencialmente de teatro, e por saber cantar bem, os musicais foram um ponto alto em sua carreira. Um de seus maiores sucessos foi “Noviças Rebeldes”, de Dan Goggin, dirigida por Wolf Maya. Em seu elenco estiveram Sylvia Massari, Rosa Marya Colin, Fafy Siqueira e Dhu Moraes. Totia Meireles, que também é bailarina, participou ao lado de Claudia Raia na mega produção “Chorus Line” Além desta, esteve em “Gipsy”, versão brasileira do grande êxito da Broadway (foi indicada ao Prêmio Shell). Incluem-se demais espetáculos em seu currículo. Na televisão fez inúmeras novelas, seriados, especiais e minissérie. Forma profícua parceria com Gloria Perez, que já contou com a sua presença em “O Clone”, “América”, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, “Caminho das Índias”, e agora “Salve Jorge”. Participou de três temporadas de “Malhação”. Experimentou os estúdios de gravação da extinta Rede Manchete e Rede Bandeirantes. Na seara do humor, deu seus préstimos a “Escolinha do Professor Raimundo” e “Chico e Amigos”. Com Aguinaldo Silva, trabalhou em “Suave Veneno”, “Duas Caras” e “Fina Estampa”. Impressionante, vale lembrar, que na última novela Totia interpretou Zambeze, uma hippie do século XXI, casada com um também hippie, dona de uma pensão habitada pelos mais diversos hóspedes, e um quiosque, e que aplaudia com um grupo o pôr-do-sol na praia. E do “Recanto da Zambeze” partiu direto para os recantos obscuros de Lívia. Que mudança. No tocante aos seriados, atuações em “Carga Pesada”, “Casos e Acasos” e “Divã”. Folhetins como o “remake” de “Mulheres de Areia”, “Fim do Mundo” e “Cobras & Lagartos” compõem sua trajetória na TV. Sinto sua falta no cinema. Daria enorme contribuição. Quanto a Wanda de “Salve Jorge”, considero um de seus melhores papéis até hoje. E, quando virem Wanda em cena, lembrem-se do título acima: “Onde tem Wanda, tem encrenca”.