“A nossa torcida por Jéssica foi em vão.”

Publicado: 23/01/2013 em Cinema, Teatro, TV

Foto: Divulgação/TV Globojessica_pede_socorro Na sinopse original de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, a personagem de Carolina Dieckmann não ficaria tanto tempo no ar. Decorridos alguns capítulos, ela seria eliminada pela quadrilha que a escravizava para fins de prostituição. Só que esta informação vazou. E a autora decidiu provavelmente estender a participação da atriz na novela. O que talvez Gloria Perez não esperasse era que Jéssica fosse cair de tal forma no gosto do público a ponto de haver uma torcida pela sua permanência na história, e que conseguisse escapar com êxito de seus malfeitores. A moça que apenas queria trabalhar numa pizzaria na Espanha foi submetida a todo tipo de agressão, tanto física quanto moral. Logo no começo da trama foi abusada sexualmente. Os tapas no rosto foram muitos. Tentou de todas as maneiras desvencilhar-se do horror no qual se envolvera. As tentativas no entanto eram sempre mal-sucedidas. Porém, Jéssica nunca desistiu. Ao lado de Morena (Nanda Costa) na Turquia obtém uma fiel aliada nos planos de fuga, e surge uma forte cumplicidade entre elas. As estratégias foram várias, dentre elas o fato de terem dopado um cliente no quarto da boate, e saírem pelo buraco onde antes havia um ar-condicionado. Rosângela (Paloma Bernardi) era um grande obstáculo a ser transposto, haja vista que estava sempre disposta a denunciá-las pelo que arquitetavam. Nas ocasiões em que a jovem loira procurava socorro numa delegacia policial em algumas de suas escapadas, o onipresente Russo (Adriano Garib) surgia. Quando foi presa, ele se dispôs a pagar a fiança. Quando seria deportada, o chefe da segurança se identificou como seu tio, dizendo que iria providenciar a regularização de sua estada no país. O que me intrigava (ao que eu me lembre) é que não fora cogitada a ida ao consulado brasileiro quando tiveram oportunidade para isso (claro que seria uma tarefa bem difícil de se executar). Com o retorno ao Brasil, arriscando as suas vidas, abriu-se um leque de possibilidades de se libertarem finalmente da armadilha em que foram colocadas. O fantasma das ameaças de Russo e Wanda (Totia Meirelles) não as intimidaram a procurar a delegada Helô (Giovanna Antonelli), que, intolerante, não acreditou naquilo que lhe contaram. Até o experiente Théo (Rodrigo Lombardi) julgou ser uma lenda o crime relatado por Morena, mas sem mencionar que era a vítima. É evidente que todos nós torcemos para que as situações se resolvam logo, e as personagens sejam vitoriosas em seus intentos. Todavia, trata-se de uma novela, formato da teledramaturgia de longa duração no qual os principais conflitos só são solucionados com a proximidade de seu término. Alguns podem até alegar que há ações que se repetem continuamente, contudo não há outro jeito na maioria dos casos. Se fosse uma microssérie ou um filme… Confesso que gostaria muito que Jéssica continuasse viva, entretanto acredito que Gloria Perez não quis abrir mão da realidade. Fiquei sabendo que Morena será levada de volta para a Turquia desacordada, o que afligirá ainda mais os telespectadores. No tocante à interpretação da atriz que iniciou sua profissão bastante menina na minissérie de Antonio Calmon, “Sex Appeal”, percebi um tom mais revoltoso logo ao descobrir que fora enganada, e após tantas decepções, traumas, fracassos e violência, Jéssica mostrava estar um tanto quanto cansada na luta por sua liberdade. Morena lhe deu o gás de que precisava para se fortalecer de novo. E, afinal, que frutos Jéssica rendeu para Carolina Dieckmann? Jéssica desde já entrou para a galeria de papéis marcantes da intérprete, como a Camila de “Laços de Família”, de Manoel Carlos. Carolina antes de atuar dedicava-se ao ofício de modelo, e depois da estreia em “Sex Appeal”, emendou nas novelas “Fera Ferida” e “Tropicaliente”, como Açucena. No ano seguinte, fez parte do elenco de “Malhação”. Vieram os folhetins “Vira-Lata” (estreando no horário das 19h) e “Por Amor”. Após o estrondoso sucesso como Camila, em “Laços de Família”, integrou “As Filhas da Mãe” e “Mulheres Apaixonadas”, em que fazia par romântico com Erik Marmo. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”. Ganha papel de destaque em “Senhora do Destino” (na verdade, foram duas personagens). O autor João Emanuel Carneiro lhe concede a chance de viver a sua primeira vilã, Leona, em “Cobras & Lagartos”. Assume um visual surfista em “Três Irmãs”. Na produção de Silvio de Abreu, “Passione”, foi Diana. E, em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, personificou uma jovem tida como “periguete” que demonstra ao público um forte instinto maternal. Sob as lentes de uma câmera de cinema, “Onde Andará Dulce Veiga?” e “Sexo com Amor?”. No teatro, o palco teve a sua presença em peças como “Banana Split”, “Peter Pan”, “Quarta Temporada”, “Confissões de Adolescente”, “A Tempestade” e “Cabaré Filosófico”. Em sua trajetória, foi laureada com prêmios como o “Faz Diferença”, do jornal O GLOBO, por sua atuação em “Cobras & Lagartos”. Terminando este texto com “Salve Jorge”, Jéssica se despediu dos telespectadores. A torcida para que a atriz/personagem continuasse na novela foi em vão, mas o trabalho digno da atriz não foi nada em vão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s