Estava sentindo falta de Cauã Reymond em “Passione”. Se assim senti, deduz-se que estava gostando da composição do ator em papel tão difícil e delicado, e que sucede ao ineditismo de Malhação ID em tratar do tema usando como personagem/instrumento João, interpretado por Carlos José Faria (filho mais novo de Reginaldo Faria), na teledramaturgia brasileira. Lamentei o decorrido com Reymond. Não será tão fácil para ele retomar Danilo passado pouco mais de um mês. Perde-se de forma diminuta a embocadura da construção que realizara. Nada grave, e que não leve parco tempo para que haja readaptação. O que se espera agora é o caminho que será dado ao filho de Stela (Maitê Proença). Em que estágio estará? Como reagirá ao crime contra o seu pai (Werner Schünemann), a despeito do que revistas especializadas andam divulgando? Até que ponto se dará a repercussão da funesta notícia no já combalido estado do ex-ciclista? Tarefa árdua coube, vale dizer, a Silvio de Abreu, que como todo autor, teve de estar preparado para caso imprevisto.
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Fernanda, filha de Fernanda, grande Fernanda, filha de Fernando, grande Fernando, irmã de Cláudio, grande Cláudio. Fernanda Torres só poderia ser grande. Todos juntos formavam “a casa dos talentos ditosos”. Fernanda é brilhante, prometera aos pais que assim o seria. Várias vezes, disse: – Eu prometo! E cumpriu. Certa vez, perguntaram-lhe: – Você vai mesmo ser atriz? No que respondeu: – Com licença, eu vou à luta. Bela resposta, sem inocência. Jamais se deixou intimidar com a “selva de pedra” na qual vivemos. Fernanda é tão guerreira, que para ela todos os dias são “o primeiro dia”. Temos sorte da moça branca de sorriso maroto não estar em terra estrangeira. E sim, aqui, não em uma “casa de areia”, mas no Brasil. Brasil dos Torres. Brasil da Montenegro. Seu irmão fez filme sobre mulher invisível. Engraçado, a arte em Fernanda é muito visível, está em sua carne, em sua pele, em sua alma. Caetano cantou que “de perto, ninguém é normal…”. E é verdade! Se fôssemos completamente normais, seríamos sem graça.
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Foto/Divulgação
Estávamos no início da década de 90, mais precisamente em 1992. No porão da Casa de Cultura Laura Alvim, situado em endereço nobre do Rio de Janeiro, estreava uma peça despretensiosa que em cujo elenco estavam quatro adolescentes que resolveram apostar no texto baseado nos escritos do diário de Maria Mariana. Esta havia iniciado sua trajetória televisiva em “Lua Cheia de Amor”. E após viera a integrar “Pedra sobre Pedra”. A última incursão dela na TV fora em episódio recente de “As Cariocas”. Carol Machado, “Top Model”, “Lua Cheia de Amor”, e “Vamp”. Patrícia Perrone, que tive o prazer de conhecer, hoje na área jurídica, atuara em “Despedida de Solteiro” e na ótima minissérie com Miguel Falabella, “As Noivas de Copacabana”. Já Ingrid Guimarães não possuía experiência na televisão. E hoje é presença constante na mesma. Domingos de Oliveira dera contribuição na direção. O sucesso da encenação tornara-se tão grandioso e surpreendente que acabara sendo transferida para lugar bem maior, o Teatro Casa Grande. Todos os temas muito caros às meninas em processo de transição eram abordados, o que causaram forte identificação com a plateia. Outras intérpretes chegaram a fazer parte do “cast” do espetáculo. Eu vi, era boa, e marcou época.
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Foto: Mauricio Nahas para a Revista Joyce Pascowitch número 50Bem jovem, Alessandra teve que enfrentar “olho no olho” a “namoradinha do Brasil” em “Retratos de Mulher”. O posto de Regina nunca lhe será usurpado, mas Negrini ganhou talvez o dela: “a engraçadinha do Brasil”. Engraçadinha no sentido de graciosa ser. A moça de franjas e sorriso que pode nos dizer bastantes coisas resolveu apostar de vez na carreira de atriz. Pegou uma moeda. Escolheu “cara”. Deu “cara”. Porém, ser artista, ao contrário do que muitos pensam, não é só “glamour”. Alessandra teve que ser brava gente para romper uma grande muralha. Todos imaginam tratar-se de pequeno muro. Que nada. É muralha mesmo. Há os que podem vir a dizer que é uma celebridade. Acho não. Acho que é profissional. Profissional da arte. Celebridade qualquer um pode ser. A intérprete é mulher normal. Mulher com desejos de mulher. Mulher paulista que fará carioca. Problema? Nenhum. Fez duas mulheres que viviam em terras cariocas em novela tropical de Gilberto. Ela é mãe. Que tal fazer “Tal Filha, Tal Mãe”? Quem sabe um dia faça.
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Quem foi Ísis? Ísis foi uma deusa da mitologia egípcia que fora adorada pelos que habitavam os domínios greco romanos. Deusa da maternidade e da fertilidade. Quais serão as possíveis relações entre a Ísis deusa e a Isis atriz? Duas, posso lhes garantir: Isis Valverde é fértil em beleza que ofusca o que até belo é; Isis Valverde é “mãe” dos pobres carentes ciosos na busca do ideal feminino do que sabemos ser bonito. Grande ironia em sua estreia na “caixa de ilusões”. Havia véu a lhe cobrir a face. Nunca vira em minha vida véu tão invejoso. Ele sabia que não podia concorrer com os traços de doce mulher de Valverde. A moça já havia “acontecido” em “Sinhá Moça”. Mas o “acontecimento” real se dera em folhetim das 19h, “Beleza Pura”. Uma jovem cheia de sonhos, que para nós poderiam ser banais, porém para ela tinham significação especial. Nunca devemos questionar os sonhos dos outros. Sonho é direito legítimo. E não se paga por ele num mundo no qual tudo se compra. Não poderá haver ti ti ti sobre sua pessoa, pois é senhora de si.
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Há beleza em Bruna Marquezine. Mas não só beleza. Há graça, também. Graça, graciosidade. Menina graciosa. Façamos então viagem até tempos idos para encontrar Bruna em outros tempos. Inocentemente estivera em “Gente Inocente”. Ao se ver seu rostinho, o que invadia nossos pensamentos? Inocência. A época da inocência de Marquezine. Em “Mulheres Apaixonadas” fez com que nos apaixonássemos por Salete, filha amorosa da mãe que Vanessa Gerbelli compôs. Já em “América” fora Flor, Maria Flor. Haveria nome mais apropriado para uma flor que poderia não enxergar com os olhos, mas enxergava, com a bênção da Força, com suas pequeninas mãos, e coração grande? Não, não haveria. Aliás, “flor” é palavra que a acompanha. Na novela de Miguel, “Negócio da China”, a ainda menina era Flor de Lys. E o filme “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”? Flores no caminho da pequena flor. Piegas? Não, um carinho. A por agora moça passeara por “Amazônia…” até chegar ao “Araguaia”. Já imaginaram quantas flores Bruna Flor viu? Muitas.
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Há um tempo que não posso desprezar vim a conhecer um ator de teatro nascido em São Paulo que concedera divertidíssima entrevista no “Programa do Jô”. Nesta interpretou hilariantes personagens de sua peça “Cada Um Com Seus Pobrema“, como o mico-leão-dourado e a “smurfette”. Não era então de se surpreender que Marcelo seguisse caminho natural para a televisão. Foi assim que pude conferi-lo como Fladson, em “Belíssima”, o açougueiro que se apaixonava por uma bela Sheron Menezzes. A mãe dele quem era? Nada menos que Jussara Freire. No atual momento, novamente em parceria com Silvio de Abreu, Médici, o “postino” de antes, e agora mordomo europeu que “trabalhou para a nobreza europeia” (segundo a Clô de Irene Ravache, um “europeu da Europa”) à serviço da família de Olavo (Francisco Cuoco) tem nos proporcionado bastantes cenas engraçadas no folhetim das 21h, “Passione”, principalmente ao lado de Simone Gutierrez e Gabriela Duarte.
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Até hoje tento descobrir dentre tantas galáxias que há no universo, em qual delas, e nesta, em qual estrela estava escrito que a vida traria sucesso a Nathalia. Uma estrela vista de longe pode ser que não exista mais, porém, a estrela Nathalia Dill é vista de perto, e o que se vê é bem vivo, causando deleite aos que a admiram, ou até mesmo fazendo como se sintam em um paraíso. Se é um “paraíso artificial”, não sei dizer. Marcos Prado, diretor de filme recente do qual fizera parte, saberia a isso responder melhor. Contudo, posso lhes garantir que é um paraíso metafórico, idílico, que penetra nas sensações humanas. Dhill estivera em novela jovem. Era vilã. Como pode beleza angelical ligada à vilania? Pode. Que o digam Patrícia Pillar e Mariana Ximenes. Seria o belo vilanesco, por nos deixar fragilizados? Se sim, fragilidade boa essa. Na foto, há mar azul, muitas cores, areia plana, e sorriso bonito que não nos engana. Ela está feliz em estar em dádiva da natureza. E a natureza em ter dádiva a ocupá-la. Em que direção vão seus pensamentos? Para onde o vento sopra.
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Após ter tido bom desempenho em concurso promovido pelo “Domingão do Faustão” em 1989, Adriana Esteves fora conduzida ao “cast” da ótima novela de Antonio Calmon, “Top Model”. Uma produção com um elemento praiano como é característico de muitas das obras de Calmon, tanto no cinema quanto na TV. E Adriana, bela, loira, um sorriso iluminado, encaixou-se perfeitamente no papel que lhe fora dado: Tininha. Em folhetim de Cassiano Gabus Mendes, “Meu Bem, Meu Mal”, um enorme desafio a ela impuseram: ser nada mais nada menos do que, ao lado de Edson Fieschi, filha de um de nossos maiores atores, Armando Bógus. E para completar, era o par romântico de José Mayer. Estivera junto a Bruno Garcia no especial “Marina”. Formou bonito casal com Maurício Mattar em “Pedra Sobre Pedra”. Dividiu opiniões em “Renascer”. Causou furor como a vilã Sandrinha e seu indefectível chiclete, em “Torre de Babel”. Conquistou o público das 18h com “O Cravo e a Rosa”. Em “Toma Lá Dá Cá”, esbaldou-se. E como Dalva atingiu seu ápice como atriz.
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Gostei da minissérie “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”. História picante, como é de se esperar vinda do grande Nelson Rodrigues. Uma direção da sempre competente Denise Saraceni, e um elenco heterogêneo que resultou em boas cenas. Alessandra Negrini no primeiro papel de destaque dela. Claudia Raia exibindo sua exuberância habitual em personagem dramática, imersa em conflitos emocionais. A narração (e participação) na voz bem articulada de Paulo Betti. Maria Luisa Mendonça em composição cheia de lascívia para a moça que se apaixona por Engraçadinha. Carmo Dalla Vecchia, muito jovem como Durval, filho de Raia, com quem viria a contracenar anos depois em “A Favorita”. Durval sente ciúme tanto da mãe quanto da irmã, interpretada por Mylla Christie, extremamente sensual. Destaca-se uma passagem em particular de grande beleza protagonizada por Claudia e Alexandre Borges. Era noite chuvosa. Entre ambos havia forte atração física. Tiveram ardentes momentos. Alguém poderia duvidar que é obra de Nelson Rodrigues?








