O ator de ofuscantes olhos azuis, cuja ascendência remete a terras sicilianas, estreara para valer na novela destinada aos bem jovens, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Por agora, vive Berilo em folhetim de Silvio de Abreu, “Passione”. Porém, esta não é a primeira vez que Bruno integra o elenco de uma obra do teledramaturgo. Estivera em “As Filhas da Mãe”. Participara a seguir de importante minissérie histórica da televisão brasileira sobre a Revolução Farroupilha, em que era o filho de Bento Gonçalves, interpretado pelo gaúcho Werner Schünemann. Convencera-nos como Inácio, rapaz enjeitado pela mãe (Deborah Evelyn) em “Celebridade”, do autor de “Dancin’ Days”, Gilberto Braga. O mesmo autor que lhe oferecera um de seus mais cativantes papéis, o Ivan de “Paraíso Tropical”, obra na qual pôde ter inolvidáveis embates com Wagner Moura. Novamente, um filho enjeitado. Não por Deborah, mas por Vera Holtz. Pelo menos, o enjeitamento se deu por meio do talento de duas ótimas atrizes. Contudo, antes disso, Bruno instigou o país como o Júnior de “América”, de Gloria Perez, inserido em um contexto que permitiu uma especulação que só foi respondida no último capítulo. E anterior ao italiano de “Passione”, já havia trilhado um caminho próximo à comicidade no “remake” de “Sinhá Moça”. À frente, outra readaptação, “Ciranda de Pedra”. No entanto, o algo de conteúdo desafiador da carreira de Gagliasso estava por vir: o Tarso de “Caminho das Índias”, também de Gloria Perez. Ali, o intérprete provou a todos (se é que ainda havia algo a ser provado) que detinha recursos dramáticos de sobra para personificar um “character” tão denso. Houve cumprimento de precípua função social. E a mencionada densidade fora mostrada em incursão no teatro, com o espetáculo “Um Certo Van Gogh”. Considero o artista sem pestanejar um adepto do visceral na composição de tipos que lhe são ofertados. Quanto a Berilo, se prestarmos a devida atenção, ele não é somente um homem dividido no tocante ao amor por duas mulheres, e que por situações folhetinescas faz-nos rir. É outrossim um ser humano que exibe sensibilidade ao não conseguir lidar com os próprios sentimentos, e que nos comove ao relacionar-se com aqueles a quem dera vida.
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Contar-lhes-ei uma história. Não é uma fábula. Pode parecer um conto de fadas. Ou seria o conto de um príncipe? Não, nada disso. É uma história real. Bem real. Era uma vez um rapaz filho de uma cabeleireira cujo trabalho era ser modelo. Estudara por um tempo na Casa das Artes de Laranjeiras, referência indiscutível na preparação de atores. A vida seguia para ele como para muitos segue. Por gostar de música, o moço provavelmente já teria ouvido “Material Girl” e “Express Yourself”. Até que um dia, a “popstar” que deu voz a estas canções foi ao Rio de Janeiro fazer show, e ser clicada por Steven Klein para um ensaio da revista “W”. Seria necessário que alguns jovens fossem selecionados para o mesmo. E dentre os jovens apresentados, estava Jesus. Escolheram Jesus. O que não estava nos planos iniciais é que a loira que cantara “Vogue”, e que interpretara Evita no cinema, pelo moreno de verdes olhos fosse se encantar. Daí, houve intermináveis rumores. Viajaram juntos. Os dois eram sempre fotografados. São notícia até hoje. Porém, cada um no seu lado. A carreira dele deslanchou. Inclusive como DJ. Aliás, interpretará a si mesmo em longa chamado “Not Alone”, de Alejandro Uboli. As luzes que por ora iluminam Jesus Luz não vêm somente dos “flashes” das máquinas fotográficas quando desfila ou posa, mas dos painéis de LED que por trás dele estão nas grandes festas em que toca.
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Foto: Divulgação do espetáculoFace ao que por mim foi lido a respeito da peça “A Garota do Biquíni Vermelho” temos muitos atrativos para conferi-la. Inicialmente por se tratar da estreia do jornalista Artur Xexéo como dramaturgo. Xexéo nos é conhecido pelos senso de humor, boa escrita e interesse, dentre tantos assuntos, por intérpretes, de uma forma geral. O fato de abordar vida de grande vedete e ótima comediante, Sônia Mamede, também assim contribui. Sua personagem Ofélia, mulher de Fernandinho (Lúcio Mauro), marcara-nos no humorístico “Balança Mas Não Cai” de modo definitivo. Como olvidar de Ofélia fumando uma cigarrilha, “disparando” asneiras, e que ao final do quadro dizia: “Eu só abro a boca quando tenho certeza.”? Engraçadíssimo. Atuara ainda na divertida novela de Silvio de Abreu “Jogo da Vida”. Outro aspecto convidativo é a presença da talentosa Regiane Alves. Sobretudo em um musical. E a direção de Marília Pêra, famosa por disciplina e seriedade ao comandar a encenação de um texto voltado para os palcos, motiva-nos sobremaneira. Enfim, o que não faltam são elementos para se sair de casa, e assistir ao que nos é proposto.
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Foto: Divulgação do espetáculo “A Loba de Ray-Ban”Christiane Torloni é uma atriz a quem podemos nos referir como atriz inteligente. Para mim, atriz inteligente é aquela que se faz detentora e dominante de suas emoções. Não basta tê-las, e usá-las. É preciso saber usá-las. E o mais importante: possuir um pleno entendimento do personagem. É o intérprete que traz para si a prerrogativa do controle da situação. Jamais o contrário. E quando se atinge este cobiçado patamar, deparamo-nos com atuação dignificante da arte a que pertence. Christiane compusera Melina, um papel bem escrito por Gloria Perez em “Caminho das Índias”. Lembro-me que a mãe de Tarso (Bruno Gagliasso) a princípio fora tachada de “perua, fútil, frívola”. Enfim, era “monocromática”. Nada disso. Apenas aquela mulher não havia se defrontado com realidades que fugissem ao mundo que criara para si. Os adultério e esquizofrenia de seu filho a fizeram mostrar face que sempre teve, só que omitida estava. Digo que Torloni é artista de porte. Com “ray-ban” ou sem “ray-ban’, é uma “loba” em cena.
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Existe novela perfeita ou não existe? Senão perfeita, a que mais se aproxime da perfeição? Em qualquer dos casos, “Vale Tudo” aí se insere. No primeiro capítulo, presenciamos a festa de aniversário de Maria de Fátima (Glória Pires), em que ela contrariada sopra as velinhas do bolo que lhe fora preparado. Na sua visão, uma festa de aniversário patética. Na sua visão. A mãe dela, Raquel (Regina Duarte), ingenuamente, está feliz com a efeméride. Fátima vai até a frente da simples casa, e apoia-se naquilo que a cinge. Raquel dirige-se ao encontro da personagem de Glória, e a moça plena em frustração de modo próximo fala a quem a criara que “aquela vida não era para ela”. Assim, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères iniciaram-nos para o real testemunho de uma das mais importantes obras da teledramaturgia brasileira. O esmero da produção foi desde a escalação do primoroso elenco passando pela cuidadosa trilha sonora. Houve “characters” e cenas inesquecíveis, como a de Heleninha Roitman (Renata Sorrah) dançando rumba ou similar em boate. Quem poderia se esquecer da emblemática definição dada por Helena ao gênero musical ao qual se referia? “Um mambo bem caliente!” Após, cai a mulher, e esta suplica ao amigo (Dennis Carvalho): “Me ajuda.”. Helena tornou-se então a “melhor” bêbada de todos os tempos na história da televisão. E, para completar, as dúvidas para mim se dissiparam: “Vale Tudo” foi perfeita sim.
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Milena Toscano não é “marinheira de primeira viagem”. A atriz, apresentadora e modelo antes de ser Manuela, a protagonista da novela de Walther Negrão, carrega atrás de si um “background” a que devemos relevar. Tivera aulas com Fátima Toledo, famosa por seus métodos personalíssimos na preparação de atores para filmes com mérito, como “Cidade de Deus” e “Cidade Baixa”. Fez cursos livres na Casa das Artes de Laranjeiras, como o de Celina Sodré, diretora teatral respeitada no “métier”. Estreou na Rede Globo em folhetim de Antônio Calmon e Elizabeth Jhin. Foi para outra emissora. Voltou para a anterior, e nesta trabalhou com Gloria Perez. Novamente esteve em produção de Elizabeth. Participou de alguns especiais e seriados. Tivera passagens pela “TV Globinho” e “Malhação”. E após experiências por mim citadas, escolhida foi para atuar em papel importante em “Araguaia”. Toscano tem nas mãos chance única de conquistar espaço definitivo como artista de sua geração. Ela diz ter personalidade forte. Isto ajuda.
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Um diretor de teatro por quem tenho considerável estima certa vez me disse que Ana Beatriz, que fora sua aluna, era uma das mais tímidas da turma. Espantosamente, tempo depois, viria a ganhar o prêmio de melhor atriz por “Vera”, de Sérgio Toledo, em vários importantes festivais internacionais, como o de Berlim, o de Nantes, e o de Locarno. Isto corrobora o que alguns apregoam, ou seja, o fato de que muitos de nossos grandes intérpretes possuem timidez. Entretanto, não consolida-se como máxima absoluta. Porém, inexistente é de modo obrigatório elo entre talento e extroversão. Há pessoas, que por se acharem engraçadas e desembaraçadas, creem mesmo que detêm o citado talento e vocação para a dificílima arte da atuação. Então, que nos fique bem claro: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Ana é atriz a quem devemos pôr em patamar dos altaneiros do ofício. Que o diga Tchecov. Que o diga Gilberto Braga. Que o diga o público. Ela está em cartaz com “Tudo O Que Eu Queria Te Dizer”. Ana, tudo o que eu queria te dizer é que faz parte das artistas primeiras do país.
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“When the moon is in the Seventh House / And Jupiter aligns with Mars / Then peace will guide the planets / And love will steer the stars…” Quem nunca ouviu esta música? Música emblemática de uma época de transformações. “Hair”, um dos melhores e mais bem-sucedidos musicais de todos os tempos. Começou no off-Broadway, após Broadway, e em seguida, o mundo. A indústria cinematográfica não poderia desperdiçar este filão, e o adaptou merecidamente, sob a batuta magistral do tcheco Milos Forman. No elenco havia John Savage, Treat Williams, e Beverly D’Angelo. Grande sucesso. O Brasil ficaria de fora? Nem pensar. O diretor Ademar Guerra encenou o espetáculo, no qual havia polêmica cena de nudez. Vários atores importantes integraram o “cast”: Antonio Fagundes, Armando Bógus, Nuno Leal Maia e Sonia Braga. A atriz, cantora, e apresentadora (“TV Globinho”) Letícia Colin que fizera “Sandy & Junior”, “Malhação”, “Floribella”, Nelson Rodrigues no cinema, e Frank Wedekind no palco terá ótima oportunidade.
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Olhos verdes impressionantemente bonitos de se ver, uma exuberância que não nos é discutível (que o diga Fortunato, personagem de Flávio Migliaccio, em “Passione”), cabelos cuja cor não ficaria adequada em qualquer mulher, mas que em Alexandra ficou. Em várias cenas da obra de Silvio de Abreu a atriz traja roupas bastante justas, a fim de que se realcem as formas dela, para que os intentos da secretária (agora “ex”) que interpreta no folhetim, Jackie, sejam logrados. Richter está bem ladeada na novela, em especial quando contracena com Irene Ravache (em um de seus melhores papéis na carreira, e que acabara lhe rendendo o importante prêmio da APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte) e o mencionado Flávio (impagável como sempre). Os momentos com Francisco Cuoco (um dos ícones de nossa TV, e que como Olavo garante-nos instantes divertidos) e Simone Gutierrez (uma senhora artista que dignifica a loquaz Lurdinha; aliás, no começo da trama, o autor criou para Simone o mesmo que fizera com Eliane Costa, a Luzineide de “Torre de Babel”, parceira de Claudia Jimenez, e que vivia a ouvir: “Cala a boca, Luzineide!”) demandam também elogios. E para finalizar, Alexandra Richter é merecedora sim de todos os louros.
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Não dissertarei aqui sobre a ciência de Tales de Mileto. Mas inevitável é que lance mão de equações ficticiamente matemáticas: Vera Zimmerman = Divina Magda, e Divina Magda = Vera Zimmerman. Era apenas a sua segunda novela. Porém, uma segunda novela de Cassiano Gabus Mendes. Provável que fosse tão somente a amiga de Vitória (Lizandra Souto) no enredo de “Meu Bem, Meu Mal”, e que seria de forma constante assediada por Porfírio, interpretado pelo ótimo Guilherme Karan. Acredito que por caber a este talentoso ator a função de mordomo que fugia aos padrões convencionais, que a trama envolvendo Vera tornou-se um dos pontos altos do folhetim. Claro que isto não decorreria se Zimmerman não desse a Karan o muito almejado pelos artistas cênicos: o “feedback”. Como esquecermos da bela de ascendência germânica refestelada em espreguiçadeira à beira da piscina a ouvir o antológico bordão do empregado dos Venturini: ” Divina Magda…”? Todavia, gostaria de realçar que a atriz fez outros trabalhos relevantes: “O Profeta”, e o filme “Tônica Dominante”.







