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Blog do Paulo Ruch

  • “Utilizando-se de sua ampla inventividade na criação de tipos populares, Rodrigo Sant’Anna, em ‘Segundo Turno de Risadas’, por meio de sua reconhecida vocação para o humor, revela, de forma subliminar ou ostensiva, amparando-se em uma crítica social, o perfil de indivíduos ou símbolos facilmente identificáveis em nosso cotidiano.”

    agosto 2nd, 2016

    Rodrigo-Santanna
    Foto: Reprodução

    Faltando exatos dois meses para as eleições municipais, dentro de um cenário político chamuscado por fatos recentes, Rodrigo Sant’Anna, que se notabilizou por seus personagens populares em programas de humor na televisão, reedita um outro texto seu levado aos palcos em 2009, “Comício Gargalhada”. “Segundo Turno de Risadas”, com dramaturgia de Rodrigo, Mariana Rebelo e Conrado Helt, com a direção do intérprete, é uma montagem leve e divertida, na qual o seu ator principal aposta com acerto no poder de seu carisma junto ao público, e em seu elevado nível de comunicabilidade, facilitado por sua boa, articulada e natural emissão de voz, e postura discreta e espontânea quando se apresenta como ele mesmo em cena. Trajando uma blusa preta de mangas compridas bem justa (e calças e boots da mesma cor), evidenciando a sua ótima forma física, o artista se desdobra em vários papéis, sendo que cada um deles ostenta uma clara ou subliminar crítica social, ao proferir seu particular discurso. Aproximando-se vez ou outra do gênero “stand-up”, somado aos distintos esquetes ou quadros, Rodrigo se vale de sua ampla capacidade de criação de tipos populares, privilegiando aqueles que provieram da região do subúrbio, para traçar as linhas dramatúrgicas de sua obra. São ao todo nove personagens, começando pelo impagável e ferino transexual Valéria Vasquez (grande sucesso do outrora chamado “Zorra Total”, na Rede Globo), com suas vestimentas multicoloridas e inusitadas (Valéria é, sem dúvida, uma das composições mais inspiradas do ator/comediante). Temos também Jurandir, um homem simples que desfaz da aparência física de sua esposa; Pop, uma moça afetada sempre conectada ao mundo virtual; Adelaide, conhecida como a “mendiga pedinte”, uma senhora engraçada e sem “papas na língua” que, de alguma maneira, denuncia a falta de planejamento familiar no Brasil, e a influência da cultura norte-americana em nosso país, inclusive nas classes menos favorecidas; Zé…, a simbolização do órgão sexual masculino, que nos confessa, sem pudor, todas as angústias por que passa ao assumir as suas funções no contexto de uma relação íntima; Regina Célia, uma idosa irritadiça defensora da liberdade sexual dos pertencentes à terceira idade; Soninha Sapatão, uma homossexual que tenta nos provar sua inexistente feminilidade; Carol Paixão, uma jovem supostamente sensual escravizada pelo culto obsessivo ao corpo perfeito e adepta peculiar do estilo de vida de certos frequentadores de academias de ginástica; e Admilson, um indivíduo notadamente vulgar em seu trato com as mulheres, sendo este perfil superdimensionado pela forma e conteúdo pobres de suas “cantadas”. No que concerne aos elementos técnicos da encenação, o cenário se resume a um “palanque” situado no centro do palco, tendo à sua frente um espaço no qual são inseridas figuras representativas dos personagens em ação por meio das imagens de seus corpos físicos revelados da cintura para baixo (este mesmo “palanque” é utilizado como biombo para troca de roupas). A trilha sonora se condensa em uma repetida (propositadamente) música incidental de caráter infantil e formato monossilábico que demarca a transição dos personagens para Rodrigo, além do hit da cantora Sia, “Chandelier”. Os figurinos atendem com coerência, buscando amiúde o exagero e a extravagância de uma caracterização, às personalidades dos tipos perfilados (deve-se ressaltar o elegante costume todo preto, já dito, de Rodrigo Sant’Anna, nos momentos de comunicação com a plateia). A luz se baseia na predominância de refletores de cor azul (presentes nos intervalos dos quadros), e nos focos sobre o artista solo, vistos em não poucas situações (a iluminação é acompanhada por um suave fog). “Segundo Turno de Risadas” é uma peça que se sedimenta em um humor que bebe nas fontes populares, e não há nenhum demérito nisso, sendo enaltecida pelo protagonismo de um ator reconhecidamente talentoso na esfera da comicidade, possuidor de um brilho pessoal indelével.

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    julho 24th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo Waleska Gorczevski na 20ª edição da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
    Waleska, que é natural de Santa Catarina, pertence ao cast da agência novaiorquina dna Model Management.
    Em 2012, com apenas 15 anos, vence um concurso de modelos, e passa a ser agenciada pela Ford Models.
    Em 2014, mudou-se para Nova York com a sua família, cidade na qual reside até hoje
    A jovem modelo nascida em Florianópolis bateu um recorde mundial recentemente, ao ter desfilado, durante a temporada de Inverno 2016, para 67 marcas importantes (há bastante tempo uma profissional brasileira não atinge este número).
    Atualmente com 18 anos, a mais nova top model tem se mantido como a modelo recordista de desfiles nacionais e internacionais (em 2014, participou de 170 desfiles).
    Esteve presente nas principais semanas de moda do mundo, como a de Nova York, a de Londres, a de Milão e a de Paris.
    Foi vista em campanhas de Marc Jacobs e Vera Wang, na capa da revista Elle, e em editoriais da Vogue brasileira, alemã, chinesa e japonesa, e de outras publicações, como “Interview”, “Love” e “Heroine” .
    Vestiu coleções de grandes marcas, como Chanel (inclusive no histórico desfile que simulou um supermercado), Dior, Hermès, Stella McCartney e Dolce & Gabbana.
    Ainda neste ano, foi a estrela da campanha “Collection” Verão 2016 da grife Versace.
    Waleska Gorczevski, considerada por muitos especialistas como a nova Gisele Bündchen, manteve, durante um período, um canal de vídeos no YouTube mostrando a sua rotina como modelo, a movimentação nos backstages e sua participação nos castings.

    Agradecimento: TNG

  • Entrevista que eu, Paulo Ruch, concedi ao jornalista Igor Martim, em seu Blog CjMartim.

    julho 1st, 2016
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    Amigos, leiam a entrevista reveladora que concedi ao jornalista Igor Martim. Nela, falo sobre os atores inexperientes que só buscam a fama, como e por que desisti da minha carreira de ator, o que fiz para que as minhas críticas teatrais se tornassem reconhecidas, digo quais são os prazeres e dissabores de se ter um blog, como eu conheci o trabalho do ator Renato Góes, como eu lidei com o meu ego ao ser admirado por parte da classe artística, se eu já feri alguém com uma crítica, como eu rebato os que consideram a moda como algo fútil, o que é tirar a foto de um ator ou modelo para mim, como eu recebo uma reação negativa a algo que escrevi, e na minha opinião, digo quando um ator “suicida” a sua arte. Espero que gostem. É uma entrevista por vezes forte e comovente. Acredito que não se arrependerão ao lê-la. Abraços. Paulo Ruch

  • “O círculo da crítica teatral é bastante seletivo”

    julho 1st, 2016

    Amigos, leiam a entrevista reveladora que concedi ao jornalista Igor Martim. Nela, falo sobre os atores inexperientes que só buscam a fama, como e por que desisti da minha carreira de ator, o que fiz para que as minhas críticas teatrais se tornassem reconhecidas, digo quais são os prazeres e dissabores de se ter um blog, como eu conheci o trabalho do ator Renato Góes, como eu lidei com o meu ego ao ser admirado por parte da classe artística, se eu já feri alguém com uma crítica, como eu rebato os que consideram a moda como algo fútil, o que é tirar a foto de um ator ou modelo para mim, como eu recebo uma reação negativa a algo que escrevi, e na minha opinião, digo quando um ator “suicida” a sua arte. Espero que gostem. É uma entrevista por vezes forte e comovente. Acredito que não se arrependerão ao lê-la. Abraços. Paulo Ruch

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016

    junho 18th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    O modelo Diego Fragoso, na São Paulo Fashion Week Verão 2016, em sua edição comemorativa pelos 20 anos de atividades prestadas à moda.
    Diego é alagoano, vive atualmente em Nova York, e pertence a duas agências internacionais importantes, a RE:Quest Model Management e a Elite Model Management Milano.
    Além de modelo, é empresário (dono da marca de roupas Maceyork e de uma gravadora de mesmo nome), rapper e DJ (em seu videoclipe “Black Everything”, gravado em Los Angeles, usou as roupas de sua própria grife).
    Foi visto nas publicações “Esquire” Rússia e Sérvia, e “Harper’s Bazaar” Brasil.
    Em 2012, Diego Fragoso, na Semana de Moda de Milão, desfilou para 12 grifes (dentre elas Dolce & Gabbana e Dirk Bikkembergs), e foi o único brasileiro escolhido para integrar o clipe “Taste.it”, dirigido por Luca Finotti para o site “Models.com” (o vídeo reuniu os rapazes que fizeram mais sucesso na temporada).
    Após ter desfilado de underwear para o estilista Philipp Plein em uma semana de moda masculina em Milão em 2013, foi considerado “o corpo da temporada” (Diego possui várias tatuagens por todo o corpo).
    Ainda na semana de moda de Milão, circulou pelas passarelas de Giorgio Armani, Emporio Armani, Vivienne Westwood, Carlo Pignatelli e Ermanno Scervino.
    Em junho de 2015, cada vez mais dedicado à carreira de músico, apresentou-se no Royal Club, em São Paulo, no qual mostrou as músicas de seu novo CD, “Fashion  Killa”, e seu clipe – gravado novamente em Los Angeles, “Five Star Hotel”.
    O modelo já desfilou com exclusividade para a marca francesa Givenchy, e participou de sua campanha Spring Summer 2016 .
    Na São Paulo Fashion Week Verão 2016, desfilou para Cavalera e Colcci.
    Na última edição da SPFW, Diego Fragoso atuou em outra função, repórter e vlogger, fazendo entrevistas para o VLOGdeCARAS, na TV UOL.

    Agradecimento: TNG

  • ” Em ‘Os Sonhadores’, com Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David, um espetáculo de Diogo Liberano baseado no romance de Gilbert Adair, três jovens extravasam as suas ideias e os seus mais intrínsecos anseios de liberdade e amor, em meio a um período político histórico, equilibrando-se numa fina e tênue corda tensionada pela poesia da palavra e pela pujante linguagem do corpo. “

    junho 3rd, 2016

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    Foto: Dalton Valério

    Em tempos de inconstâncias políticas nacionais que reverberaram de forma negativa na área cultural e artística, o espetáculo “Os Sonhadores”, de Diogo Liberano, baseado na obra do jornalista, crítico de cinema e poeta escocês Gilbert Adair, soa infinitamente atual e oportuno no panorama teatral brasileiro (o romance rendeu o longa-metragem homônimo do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, levado às telas em 2003, tendo em seu elenco Eva Green, Michael Pitt e Louis Garrel). Na peça dirigida por Viniciús Arneiro, protagonizada por Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David, também idealizadora do projeto, três jovens, Theo (Igor), Isabelle (Juliana) e Matthew (Bernardo), os dois primeiros irmãos franceses, e o terceiro um “imigrante” americano. O trio, na Paris de 1968, em plena efervescência do Movimento Estudantil que entrou para a História, e que até hoje serve de referência para manifestações populares espalhadas pelo mundo, decidem ir à Cinemateca da cidade francesa, e lá se deparam com a indesejada notícia de que o seu curador fora exonerado, o que impossibilitaria a exibição dos filmes programados. Ocasionalmente, o casal de irmãos conhece o rapaz vindo das Américas, e a partir deste encontro surge uma relação simbiótica progressiva que os absorve irreversivelmente, levando-os aos extremos comportamentais. Já que os jovens não mais podem se perder nos sonhos e fantasias cinematográficos, resolvem por eles mesmos criar os seus próprios filmes, expandindo as suas imaginações, e testando os limites de suas sensações. Precisam, de modo premente, inventar o seu filme. Invadem velozes e destemidos um importante museu de obras clássicas, e assinam as suas pinturas com tintas transgressoras nas grandes paredes dos longos corredores povoados de turistas curiosos não necessariamente interessados em Arte pura. Theo e Isabelle são filhos de um poeta ultraconservador para quem “a poesia é uma petição”, e de uma mãe que não se expressa verbalmente, representantes legítimos da alta classe burguesa. Estes mesmos irmãos possuem um relacionamento incestuoso, o que não lhes causa quaisquer vestígios de culpa, corroborando a sua face demolidora dos códigos de moral estabelecidos na sociedade. Em vista disso, Matthew, a princípio, vê-se um tanto confuso, aturdido e retraído com tantas novidades que lhe são apresentadas pelos seus parceiros. O americano, mesmo com o seu jeito mais recolhido, mas nem por isso menos rebelde nas ideias, seduz implacavelmente Theo e Isabelle. Os três formam um ser uno e inseparável no tocante ao sexo aberto, um sexo libertador, extasiante, sem regras, manuais ou convenções a serem seguidos. Um poliamor assumidamente subversivo, vertiginosamente sensorial e inegavelmente prazeroso. Um voyeurismo consentido do desejo masculino saciado solitariamente. A visão catártica do prazer do outro que lhe está tão próximo. Jogos caseiros de adivinhações de filmes servem como pretextos para que um jogue com o outro na busca teimosa de um autoconhecimento e conhecimento coletivos. Suas fragilidades são expostas como carne viva. O ser dominante e o ser dominado se justificam no ato sexual e na vida como condição indissociável da existência humana. Em meio a uma realidade dura e truculenta, com o Estado e seu sistema munidos de cassetetes como forma de linguagem possível para enfrentar seus oponentes à sua falta de ideias, os sonhos se tornam mais uma vez a única vereda de salvação genuína. A nudez dos gêneros, frontal, liberal, cotidiana e habitual, sublime em sua naturalidade, impõe-se como forma de expressão e afirmação válida. Enquanto vivem ou sobrevivem num universo onírico de emoções confinados no quarto de hóspedes de Matthew, entregando-se aos vícios da bebida e do fumo com a sua fumaça sempre a afrontá-los, “degustando” rações de gato, a realidade engendrada pelo poder estatal absoluto escorado no modelo irracional se materializa nas ruas amotinadas. A voz virgem do jovem clama pelos seus direitos e liberdades usurpadas. A cultura de uma geração profanada. Uma pedra vale como um livro. Ou o livro tem o peso de uma pedra arremessada na janela não discreta. Theo, Isabelle e Matthew travam diálogos eivados de ideologias individuais ou universais. Seus corpos nus e alvos se juntam num amálgama de peles e formas, num desejo compartilhado. Uma escultura viva e inebriante de linhas delgadas sequer pensadas pela mente mais fértil. A morte quando breve se assemelha a uma imagem de um filme criada pelo olho do amante em pranto. Vivencia-se o sonho, e se acorda com o real. Ouvem-se os sons de tiros, bombas e da turba, vislumbra-se o sangue do inocente escorrendo após o golpe sem misericórdia dos homens fardados e blindados. As paredes têm ouvidos, e os ouvidos têm paredes. A chuva e suas gotas testemunham o fim trágico/poético. O casal sentado passivamente assiste à destruição em fragmentos das forças de manipulação, e à revoada libertadora dos livros de educação. A dramaturgia de Diogo Liberano (codramaturgia de Dominique Arantes) sobressai-se pelo olhar cuidadoso e reverente com o qual se relaciona com as palavras, suas frases e proposições constituídas. Percebe-se, entre um silêncio e outro, que as falas dos personagens, sublinhadas pelos seus conflitos individualizados e com os seus pares, carregam uma riqueza desvelada em sua estruturação, no sentido de tornar o conceito de ideia e opinião emitidos por aqueles nas distintas situações valorizado em sua significância. Há quase uma permanente e constante troca de pensamentos, respeitando-se diferentes sintonias e frequências, entre os partícipes da história, que não raras vezes se embatem por defenderem posicionamentos opostos. Diogo e Dominique preservaram em seu texto cênico o frescor do ideário juvenil, com toda a sua inata contestação, e respectivas reflexão e visão particulares acerca do microcosmo que os cerca, e do grande mundo que está bem próximo, simplesmente do lado de fora. O texto flui com potente regularidade, sustentando a solidez de sua proposta primeira. A direção de Viniciús Arneiro privilegia com proeminência a associação harmoniosa e equilibrada entre o corpo, o seu movimento e a palavra, obtendo admiráveis resultados cênicos. Ficou-nos evidente a sua intenção de trabalhar com acuidade a infinita gama de possibilidades das movimentações corporais de seus atores, acompanhadas de diferenciadas gradações de velocidade e ritmo, exigindo por parte daqueles avolumado e complexo domínio sobre a sua matéria física. Já no prólogo da peça e em outras passagens, vemos Igor, Juliana e Bernardo adentrando o palco com movimentos em “slow motion” exemplarmente compassados, marcados e sintonizados. Num tempo próprio e específico, os personagens vão se estabelecendo como protagonistas de suas histórias. Viniciús teve a brilhante ideia de colocar uma tela cobrindo toda a extensão frontal da ribalta, próxima à invisibilidade, sobre a qual se projetam as mais diversas imagens em variados ângulos e contextos, como as de seus intérpretes, com destaque para o foco em áreas de suas anatomias, como os efeitos deslumbrantes de figuras com forte impacto visual, como os versos inspirados da poetisa polonesa Wislawa Szymborska. A tecnologia foi usada com indiscutível criatividade, à serviço do enriquecimento e embelezamento da montagem (vê-se a imagem etérea holográfica do ator Bernardo Marinho de costas observando a ação). O encenador buscou o humor e logrou êxito em uma das melhores cenas do espetáculo, na qual, em fila, o elenco, supostamente ao som de uma música que se repete impiedosamente, executa uma engraçadíssima coreografia marcada principalmente por estalos de dedos e pulos para a frente com movimentos pélvicos. O elenco formado por Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David se destaca uniformemente por compreender com agudeza e sabedoria interpretativas os sentimentos múltiplos com toda a sua notória complexidade e contraditoriedade que são característicos aos muito jovens. Igor, como Theo, transita com elegante desenvoltura por todas as fases emocionais por que passa o rapaz cheio de sonhos e ideologias. Em iguais níveis de qualidade nos demonstra os sentidos do desejo, do ciúme e do caráter contestatório. Bernardo Marinho compõe o seu personagem, o americano Matthew, amparado por sua boa voz grave, com finas nuances que demarcam com acentuada nitidez a personalidade retraída, conflituosa, por vezes insegura e incerta, mas provida de intensos anseios íntimos que conforme se desenrolam os fatos do entrecho vão se aflorando progressiva e abertamente. E Juliana David, como Isabelle, explora a sua sensibilidade com distinta convicção, respeitando as variações emotivas inerentes ao perfil da moça liberal, idealista, sonhadora, sem que em nenhum instante permita que a sua ternura se deixe sublimar pelos acontecimentos sucessivos. Todos os intérpretes dão a sua contribuição valorosa para o engrandecimento da montagem. Ademais, torna-se necessário reafirmar o primoroso trabalho corporal que o trio executa. A direção musical ficou ao encargo de Tato Taborda, que se esmerou em criar uma trilha que, além de bela, notabilizou-se pela inquestionável coerência ao se adequar à época histórica em que se desenvolve a sinopse. Lindas canções francesas são inseridas no cerne dos acontecimentos, inclusive um dos maiores clássicos do cancioneiro do país dos jovens Theo e Isabelle, “La Vie En Rose”, interpretado pela voz do ícone do trompete, o americano Louis Armstrong. Tato também se preocupou em demarcar certas passagens com sons instigantes e ruidosos. Todos os fatos buliçosos que ocorrem nas ruas parisienses são traduzidos por ele, com as sonoridades do falatório de uma multidão protestante e outras características, além de explosões e tiros concernentes a uma manifestação revoltosa. Aurora dos Campos, responsável pela cenografia, aposta na junção da neutralidade crua cinzenta com os muito bem aproveitados recursos tecnológicos visuais disponíveis, gerando um painel conjunto que de alguma maneira posiciona o ator em um patamar privilegiado no espetáculo. Observa-se uma espécie de caixa cênica com uma tela transparente vazada em sua frontalidade, como fora dito, tendo ao fundo uma abertura quadrada por onde entram e saem os personagens, dependendo das situações originadas. Há uma outra abertura com forma retangular (uma porta) no flanco esquerdo da ribalta. Usa-se em determinado momento algo semelhante a uma bancada. Os figurinos de Graziela Bastos abraçam o despojamento juvenil do final da década de 60 por meio de casacos, camisa e calça jeans, boots, camisa num tom azul forte, calça ocre, casaco chumbo, saia, blusa, xale, regata e underwear brancos. Há uma intencionada liberdade ao se misturar peças de distintos contextos com cores de larga paleta. Um detalhe neste setor que se destaca são os acessórios, na verdade, os óculos escuros utilizados por Igor e Juliana, em isoladas ocasiões. A iluminação de Rodrigo Belay/In Foco percorre com bastante meticulosidade caminhos que possam ocasionar uma ambiência peculiar, coerente, adequada e sedutora para cada cena. O fundo do palco, em não raras vezes, ganha a sua luz própria. Intentou-se com sucesso um plano aberto intermediário, possivelmente com o objetivo de se deslocar a ação para um período não atual. Uma cena delicadíssima envolvendo a nudez de Igor Angelkorte é iluminada com sábia discrição. E em outras em que a nudez do elenco se impõe necessária, a luz de Rodrigo pretende tão somente embelezar e suavizar as cores de suas peles e linhas de seus corpos, invariavelmente com bom gosto. A espetacular direção de imagens foi conduzida por Allan Ribeiro. Allan executou um trabalho visual riquíssimo, provando a sua inteira aptidão e sensibilidade em captar e inserir belas, insinuantes, autorais, psicodélicas e poéticas imagens sobre a tela em questão. O resultado é inegavelmente arrebatador. O visagismo de Nina Dutra soube com delicadeza realçar os atributos de cada ator, conferindo aos seus papéis um alcance maior em sua credibilidade junto ao público. “Os Sonhadores” é uma peça feita por jovens com a preciosa gana de fazer valer o seu nobre ofício da atuação, que fala de sonhos, de amor e sexo, de comportamentos e ideologias, com poesia, romance e humor. Feita por jovens, mas direcionada para o mundo. Não importa que sua trama se passe em um determinado período histórico, o turbulento ano de 1968. Não importa que tenha acontecido em Paris. Não importa que sejam dois franceses e um americano. “Os Sonhadores” é um espetáculo universal, humano e atemporal. O mesmo grito daqueles jovens do final da década de 60 pode ser ouvido hoje em outras ruas, algumas não tão glamorosas como as parisienses. Os conflitos e anseios afetivos e sexuais juvenis tiveram uma modificação ou outra, mais ainda são conflitos e anseios. A eterna busca pela liberdade, esta se mantém inalterada, independente dos tempos. Se no romance de Gilbert Adair a Cultura foi maculada com a exoneração de seu curador, o que impediu a exibição dos filmes na Cinemateca de Paris, não é necessário ir tão longe para se encontrar algo parecido. Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David são atores sonhadores, sonhadores atores. Sempre atores. Com eles sonhamos, sem jamais perdermos de vista a realidade sonhada.

     

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 19th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo da Ford Models Brasil Celina Locks esteve presente na temporada Verão 2016 da São Paulo Fashion Week, comemorativa de seus 20 anos, no Parque Cândido Portinari.
    Celina nasceu em Curitiba, Paraná, e foi descoberta em 2007, com apenas 16 anos, em um concurso realizado em sua cidade natal pela Ford Models Brasil.
    A partir de então, sua carreira como modelo ascendeu, estreando nas passarelas da importante semana de moda paulista, SPFW, no ano seguinte.
    Ganha projeção internacional, e passa a ser agenciada também pela Ford Paris, Ford Miami, Ford NYC, A2 e MGM Hamburg.
    Trabalhou com Yves Saint Laurent e o estilista italiano Stefano Pilati.
    Os compromissos no exterior se tornaram mais frequentes, o que fez com que viesse a morar por alguns períodos em Nova York, Milão e Londres (hoje, a modelo reside em Barcelona, na Espanha).
    Pertencente à agência Mega Model Brasil, desfilou pela Cavalera na São Paulo Fashion Week Verão 2016.
    Segundo a respeitada revista “Vogue Brasil”, a modelo foi considerada como “o corpo da temporada de verão da SPFW”, ao se apresentar pelas marcas Tryia, Amabilis, Isabela Capeto, UMA Raquel Davidowicz e Lilly Sarti na São Paulo Fashion Week Verão 2017, em abril passado (neste mesmo mês, Celina Locks, que é namorada do ex-jogador e empresário Ronaldo, participou de um ensaio fotográfico para a revista “Estilo”).

    Agradecimento: TNG

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 19th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo curitibana Celina Locks, agenciada pela Ford Models Brasil, despertou a atenção dos fotógrafos presentes na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, realizada no Parque Cândido Portinari, em abril do ano passado.
    Celina também é agenciada pela Ford Paris, Ford Miami, Ford NYC, A2 e MGM Hamburg.
    Foi descoberta quando tinha apenas 16 anos em um concurso promovido pela importante agência Ford Models Brasil no ano de 2007 (no ano seguinte, a mais nova profissional da moda já estava debutando nas passarelas da São Paulo Fashion Week).
    Serviu como modelo de prova do estilista italiano Stefano Pilati.
    Trabalhou com Yves Saint Laurent.
    Em decorrência das propostas vindas do exterior, viu-se obrigada a morar em Nova York, Milão e Londres (no momento, reside em Barcelona, na Espanha).
    Na edição Verão 2016 da semana de moda paulista, quando pertencia ao cast da Mega Model Brasil, desfilou para a marca Cavalera.
    Na última temporada da SPFW, promovida em abril passado, em sua edição Verão 2017, a modelo com projeção internacional foi considerada, de acordo com a respeitada revista “Vogue Brasil”, como “o corpo da temporada de verão da SPFW” (Celina Locks desfilou para Tryia, Amabilis, Isabela Capeto, UMA Raquel Davidowicz e Lilly Sarti).
    Celina Locks, namorada do ex-jogador e empresário Ronaldo, no mês passado fez um ensaio fotográfico para a revista “Estilo”.

    Agradecimento: TNG

  • ” Em seu mais novo texto, ‘Enterro dos Ossos’, ambientado em um universo futurista, o dramaturgo Jô Bilac, acompanhado de seus ‘astronautas’ Erom Cordeiro, Pierre Baitelli, Hugo Bonemer, Lidiane Ribeiro e Júlia Marini, revela-nos, por meio de seu absoluto domínio das palavras, até que ponto vai a insana busca do homem pelo esclarecimento do desconhecido. “

    maio 10th, 2016

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    Foto: Douglas Shineidr

    Vê-se um homem suspenso no ar. Dele, ouve-se um aprazível assovio. O astronauta de branco (Hugo Bonemer) em sua delicada coreografia corporal, em seu balé sideral, revira-se, movimenta-se, brinca ou desafia a ausência sentida da força da gravidade. O mesmo astronauta canta belamente uma canção em inglês na esperança de se fazer ouvir onde o som não tem direito de existir (concluiu-se, segundo estudos, que no espaço há barulhos, mas os mesmos são extremamente sutis; quanto ao assovio do astronauta de branco, presume-se que seja uma referência à tradução do som das ondas gravitacionais que possuem a mesma frequência daquele). Também suspenso no ar um verdejante arbusto de folhas intocadas que nos faz lembrar de uma Terra utopicamente preservada. O prestigiado dramaturgo Jô Bilac se valeu de uma revelação científica recente importantíssima anunciada em fevereiro deste ano, comemorada com entusiasmo pela comunidade pesquisadora, de um fato já previsto há exatos cem anos pelo físico Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, a existência das ondas gravitacionais (em linguagem simples, são vibrações no espaço-tempo, o material do qual é feito o Universo, possivelmente geradas pela colisão de dois buracos negros, de acordo com os cientistas autores da descoberta), para criar com engenhosidade o seu mais novo texto, “Enterro dos Ossos”, com direção de Camila Gama e Sandro Pamponet. Em seu elenco, além de Hugo Bonemer, Pierre Baitelli, Erom Cordeiro, Júlia Marini e Lidiane Ribeiro. O espetáculo prossegue com Pierre descendo uma das escadas que intermedeiam a ampla plateia do Teatro de Arena do Espaço Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Trajando apenas uma regata e um short boxer brancos, o intérprete, também astronauta, profere inflamado e minucioso discurso elucidativo acerca das atuais e impactantes descobertas da Ciência (colisão dos buracos negros com a formação de ondas gravitacionais, liberação de potentes energias, possíveis outros sinais que levem ao desvendamento de como se deu a origem do Universo etc). O homem do espaço (Pierre Baitelli), sentado em terreno arenoso, com pernas levemente dobradas, em sua peleja pessoal contra o vácuo, buscando honroso equilíbrio, compartilha com paixão suas ideias complexas sobre o Cosmos. Os astronautas mergulham em desmesurada audácia ao desejarem desbravar aquilo que lhes é desconhecido e misterioso, a casa onde habitam as galáxias. Alguns deles, num tom de oratória coloquial, discreta ironia, diálogo direto com o público, emissão de opinião pessoal ou percepção particular, discorrem sobre as suas convictas impressões acerca do globo azul distante e os seres vivos pensadores e pequenos que se julgam grandes e sós em sua inteligência na imensidão universal. Os homens, assolados nas coletivas derrotas como “criaturas” de um Deus que jamais vimos, vivem às custas de suas hipóteses, elucubrações, ilações, tendo somente a “certeza” de que a vida lhes é eterna. Preocupam-se em desvendar  o desconhecido sem ao menos conhecerem a si próprios. Hugo Bonemer, em um dos momentos da peça, representa o astronauta determinado, resoluto e decidido a subir aos céus, romper a atmosfera, ir ao encontro do escuro infinito rasgado por corpos sem rumo, mas que vivem em sua privada harmonia. Conta-se regressivamente. 4, 3, 2, 1! Pronto! O balão de gás atrás de si estoura. Segue assim a nave do homem superior rumo à obra mais enigmática do Criador. Como um Pilatos moderno, lavemos as nossas mãos face à empáfia humana de se querer descobrir com avidez segredos alheios. Em outra passagem de “Enterro dos Ossos”, a atriz Lidiane Ribeiro incorpora de modo ensandecido durante uma “conferência” a figura que dá voz a uma retórica assustadoramente definível como fascista, totalitária, arbitrária, longínqua do conceito legítimo de liberdade e democracia, cometendo paradoxos e deles se vangloriando. Defende a exploração do Planeta Vermelho, iniciando assim uma nova forma de civilização, dando ao ser humano a chance de se reinventar. Ao pronunciamento insano, assiste impávida, sentada em uma cadeira, a personagem de Júlia Marini. Esta mesma mulher se dispõe a falar num grau de vociferações, anunciando o fim das ideologias. Na verdade, trata-se de um gigantesco asteroide em rota de colisão com a Terra. Conhecemos a “mente” de um corpo celeste revoltoso disposto a destruir em sua plenitude o planeta terreno povoado por seres acólitos de sua discórdia atávica. Os humanos, naturalmente inimigos entre si, ao se verem na iminência de serem aniquilados, perdoam-se, confraternizam-se, unem-se pelo menos na hora do fim coletivo. A Terra está debaixo da terra. Um Cristo Redentor irreverente e suplicante (Erom Cordeiro vestido com bata e bermuda brancas), ressuscitado como um “iceberg” em meio à consumada hecatombe, emite-nos sua inesperada opinião. Com os braços estendidos, com a visão de uma Ipanema sumida e sua “Garota” agora desconhecida, Erom, como um Redentor modesto, ostentando leve sorriso sarcástico na face, e com certa vergonha do fracasso de sua Criação, no bairro soterrado que sempre o abrigou, iluminado pelas luzes das efemérides, revê a sua missão messiânica, e procura preservar a sua sobrevivência divina no seio do caos dominado por “aliens”. Pierre Baitelli, empunhando um microfone de pé (este recurso de som, também o de mão, são bastante usados por outros atores), irrompe simbolicamente como a forma de vida mais resistente da face da Terra, a bactéria. Sua bactéria, mesmo na microscopia de seu tamanho, gaba-se da sua condição de superioridade sobre o homem comum. Num mundo de humanos “inteligentes” já dizimados, a bactéria, cheia de si, soberba, esnobe, faz troça de nós, terráqueos. Ela é a primeira forma de vida, e não há quem possa contestá-la, pois argumentos sólidos não lhe faltam. Arqueólogos alienígenas, com suas cabeças ornadas com lanternas curiosas, escavam a devastação poeirenta de um lugar que um dia já pôde ser chamado de mundo. Ossadas largas, curtas, com formatos irregulares, e um crânio que em período não sabido pode ter sido pensante são descobertos. Não se sabe quem foi, quem é, e para onde foi. O dramaturgo carioca Jô Bilac, detentor de um sem número de peças de sucesso e merecidos prêmios (“Savana Glacial”, “Conselho de Classe” e “Beije Minha Lápide”), nesta montagem impingiu uma considerável dose de arrojo sustentado por notáveis inventividade e criatividade, subliminar humor, causticidade e consistente viés crítico. Adotando uma ambiência futurista com claras referências ao gênero da ficção científica (muito pouco utilizado no cenário teatral), Jô nos ofereceu um texto em que as palavras são demasiado valorizadas, corroborando o seu absoluto domínio sobre as mesmas, e o capricho com que constrói as falas de seus personagens. Mesmo com informações de cunho científico, o seu texto, formalizado sobre pilares de poesia em não poucas ocasiões, chega ao público de modo cenicamente atrativo e instigante. O que se percebe em sua dramaturgia é um bem urdido jogo de vocábulos apropriadamente costurados, o que permite aos seus atores a rica chance de saborear cada fala, cada conjunto de frases que lhes coube. A direção de Camila Gama e Sandro Pamponet é sensível, lírica e objetiva, sem perder em nenhum momento o seu foco narrativo, evidenciado na salutar fluidez da montagem. A dupla de encenadores soube com distinta proficiência não só aproveitar o espaço de arena com suas entradas laterais, como procurou, num exímio trabalho de direção de atuação de seus intérpretes, realçar o talento de cada um, valendo-se de seus imprescindíveis solilóquios. Notou-se também que houve uma apurada dedicação e atenção especial na maneira com que o elenco se desloca em cena, em seus posicionamentos estratégicos, nas mínimas e detalhistas movimentações de seus corpos (afinal, em várias passagens os personagens estão em uma situação de ausência da força da gravidade). Camila Gama e Sandro Pamponet complementaram com inegável êxito o seu espetáculo com o uso de luzes e som não apenas como elementos técnicos, mas como instrumentos indispensáveis para os espectadores se envolverem com a história que nos foi contada. Os atores todos, sem exceção, apresentam-nos excelente uniformidade artística. Cada um dos intérpretes contribui de modo irretorquivelmente precioso para que o espetáculo em questão atinja níveis de alta qualidade e credibilidade cênicas. Erom Cordeiro ostenta refinado e elogioso grau de ironia e contido sentimento de fragilidade sob a sua nova e desfavorável condição, como o Cristo Redentor sobrevivente da destruição plena da Terra. O ator, com sua voz firme, conhecimento de seu corpo, realiza com vitória a composição de seu sagrado personagem. Erom desenha brilhantemente o perfil deste Cristo agora “humanizado”, desprovido de sua intocabilidade sacra. Pierre Baitelli defende com singular nobreza e admirável e honrosa convicção de suas intenções o astronauta do início da peça que nos informa acerca dos muitos fatos de caráter científico que servirão como base para o desenvolvimento do entrecho. Na continuidade de sua atuação, demonstra surpreendente trabalho corporal e de equilíbrio ao se posicionar sobre o chão coberto de areia. Na sua inspirada personificação da “bactéria”, Pierre a compõe com irresistíveis camadas de cinismo, humor, petulância e soberba. Hugo Bonemer, também como um astronauta, exibe no entroito da montagem, numa lindíssima e inesquecível cena em que está dependurado por cabos que nos dão a precisa ideia de que está vagando pelo espaço sideral, uma soberba dominação de seu próprio corpo (ele, com movimentos delicados e concisos, explora suas aptidões físicas com sublime competência, numa coreografia acrobática de se encher os olhos). Além disso, Hugo cantarola maviosamente uma canção no idioma inglês, e assovia com harmoniosa afinação. Como o astronauta que reproduz o lançamento de um foguete (neste instante, o ator está em uma das escadas do teatro), ostenta apreciável segurança no falar, presença forte em cena, e indiscutível entendimento de sua parte quanto à missão de seu personagem na obra narrativa. Júlia Marini, como o ser representativo de um asteroide em rota irreversível de colisão com a Terra, comprova-nos a sua sobeja capacidade de interpretação ao ponto de nos convencer sobremaneira que um corpo celeste inanimado pode manifestar “vida” e se expressar ideologicamente (por sinal, o seu discurso pioneiro se coloca avesso às ideologias). Júlia é uma atriz segura, pujante em sua interpretação, com desenvoltura eminente no palco. E Lidiane Ribeiro, como a conferencista defensora da possibilidade de se promover a civilização em Marte, opta por um caminho inegavelmente acertado e cheio de nuances vocais e posturais na composição de sua personagem, cujas características mais evidentes são os seus autoritarismo, tirania e reacionarismo natos. Lidiane movimenta-se e fala de modo peculiar, procurando até mesmo a linha que beira o cômico, a fim de realçar as tintas de seu controvertido papel. Os bonitos figurinos de Camila Gama apontam para uma oportuna neutralidade, economicidade e assumido despojamento em que se sobressai soberano o branco. O branco astronauta. Vê-se esta cor sob diferentes cortes de roupas, como calças, regata, bata, blazers, saias e bermuda (como calçados, foram usados boots e tênis). Uma bela assepsia que transcende os limites do espaço-tempo. O cenário de Sandro Pamponet nos dá a noção perfeita da desolação espacial ou terrena (ou de Marte) com toda a arena coberta de ponta a ponta de areia, associada a um deslumbrante lirismo simbolizado pelo frondoso arbusto pendurado no centro daquela. Somam-se a este caprichado conjunto visual uma cadeira com design futurista e as ossadas semicobertas de areia de um esqueleto desconhecido. A luz de Renato Machado é arrebatadoramente deslumbrante. Nada passa despercebido aos olhos atentos do reconhecido profissional da iluminação. O arbusto recebe um foco especial que valoriza o seu esplendor, Marte ganha a sua acachapante vermelhidão, o astronauta suspenso é iluminado individualmente, e os demais atores outrossim em suas demais posições. Testemunhamos um azul ofuscante. Há bastantes pequenos refletores superiores que lançam cada um deles uma série de diminutos feixes que se “abrem”, causando um enternecedor efeito. O blecaute é rompido pelas lanternas dos arqueólogos alienígenas. Retângulos e círculos desenhados pela luz nos fazem lembrar de que as formas, todas elas, têm a sua Geometria finita ou “infinita”. Figuras coloridas com formatos indecifráveis e inebriantes são tracejados lindamente sobre a camada arenosa. O som que perpassa toda a peça é executado por Susana Guardado (posicionada na própria arena como se fosse mais uma personagem), que se utiliza de um sintetizador que produz as mais variadas sonoridades. Estas são intrigantes, sensoriais e efusivas (neste último caso, com o acompanhamento frenético das luzes). “Enterro dos Ossos” é um espetáculo teatral diferencialmente moderno. Moderno na atualidade da abordagem de seu tema. Moderno na construção de sua dramaturgia. Moderno na condução poderosa das palavras de nossa Língua, e no modo como elas se relacionam. Moderno ao fazer um teatro ousado, crítico e sem esquematismos, fugindo do lugar-comum e da mesmice. Sua modernidade também se expressa na escalação de ótimos atores com identidades e talentos próprios. “Enterro dos Ossos” fala, da mesma maneira, em linhas gerais, juntamente com as recentes descobertas científicas, como o homem, como astronauta, enxerga com o privilégio da distância o nosso planeta tão obscuro e indestrinçável em seus mistérios e enigmas, e a Humanidade, igualmente obscura e indestrinçável em seus mistérios, enigmas, intenções e verdades. “Enterro dos Ossos” serve para nos mostrar que o teatro está cada vez mais vivo e intenso. “Enterrados” estão somente os ossos de seu criativo título. O nosso teatro, este, nobres leitores, está vivíssimo, e o que é melhor, sempre renascendo. Neste caso, com a providencial ajuda de nossos extraordinários “astronautas”.

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 4th, 2016

    173.JPG
    Foto: Paulo Ruch

    O modelo da Mega Model Brasil Lucas Lourenço, na São Paulo Fashion Week Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
    Também foi agenciado pela 40º Models, do Rio de Janeiro.
    O carioca Lucas, nesta edição da semana de moda paulista, foi considerado um dos destaques, tendo desfilado para marcas como Colcci, João Pimenta, TNG e UMA Raquel Davidowicz.
    Circulou pelas passarelas italianas mostrando as coleções de inverno 2016 da Dolce & Gabbana, e estampou catálogos da grife.
    Fotografou para Jeff Segenreich juntamente com o modelo Gabriel Loureiro para o editorial “We Never Go Out of Style” para a edição de julho de 2015 da “Attitude Magazine” (representados à época pela 40º Models).
    Atualmente, Lucas Lourenço está trabalhando em Shanghai, China.

    Agradecimento: TNG

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