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Blog do Paulo Ruch

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    outubro 10th, 2014

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo e atriz Dani Vieira, mais conhecida como a “Mulher Pupunha” de “Sangue Bom”, de Maria Adelaide Amaral, e como a Ellen de “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco (namorada de Murilinho, personagem de Emílio Orciollo Netto, e que se candidatou a uma vaga no “Big Brother Brasil” na trama), ambas as novelas veiculadas pela Rede Globo, ao chegar à sala de desfiles na qual se apresentaria a marca Coca-Cola Jeans, foi bastante assediada pela imprensa, sendo entrevistada e fotografada.
    Dani, com seu corpo inacreditavelmente exuberante, trajou um macaquinho preto brilhoso, com um acentuado decote, calçando scarpins gladiadores night pretos, e como acessório de mão uma bolsa de couro negra.

    Agradecimento: Coca-Cola Jeans

  • ” Reynaldo Gianecchini está fazendo “Cruel” no teatro, mas o bom ator mostrou no ‘Programa do Jô’ ser bom de papo.”

    outubro 10th, 2014

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Ao som de um tango, Reynaldo Gianecchini é chamado por Jô Soares. O ator trajava bonito casaco de couro preto que se sobrepunha a uma camisa em tons claros. Calça escura e tênis moderno completavam o visual. A conversa se inicia com a abordagem de sua ascendência. Por parte de pai, italiana. Por parte de mãe, espanhola e alemã. Após, o assunto ruma para a peça que Reynaldo está fazendo, ao lado de Erik Marmo e Maria Manoella, sob a direção de Elias Andreato, “Cruel”, de August Strindberg. Dissera que a vontade de montar o texto surgiu de uma “ação entre amigos”, “de ser feliz na coxia”, “de fazer um processo que fosse de grande aprendizagem para eles”. A ideia lançada foi a de que o espetáculo fosse apresentado em dias alternativos (e assim ocorre, pois está em cartaz na FAAP, SP, às segundas e terças), a fim de que o elenco pudesse tocar outros projetos. Jô pergunta sobre as crueldades que dão título à encenação. E Reynaldo Gianecchini afirma que o seu personagem é o mais cruel, sendo vingativo e desejoso de destruir aqueles que o prejudicaram. A violência não é física, e sim, interna. Materializa-se nas palavras. O que na sua opinião, torna o trabalho mais difícil. Destaca a contribuição da preparadora corporal Vivian Buckup, porquanto a contenção de gestos com concentração nos olhar e verbo se configura como uma proposta cênica. Informa-nos que o diretor Elias lhes pediu que mostrassem a violência de cada um. Fala-se agora de Fred, seu último papel na TV, da novela “Passione”, de Silvio de Abreu. O artista revela que tanto ele quanto sua colega Mariana Ximenes, apesar das maldades que perpetravam, contavam com a torcida de uma fatia específica do público pela regeneração de ambos (provavelmente por terem feito papéis bondosos na carreira). A estreia do ator nos palcos aconteceu com “Cacilda!”, de José Celso Martinez Corrêa. A seguir, “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, dirigido também por José Celso. Fotos são exibidas no telão contando a sua trajetória na ribalta, com imagens da citada produção “Boca de Ouro”; “Peça Sobre o Bebê”, de Edward Albee, com Fúlvio Stefanini, cujo diretor fora Aderbal Freire-Filho; “Doce Deleite” (direção de Marília Pêra, com Camila Morgado); e “O Príncipe de Copacabana”, de Gerald Thomas. Cenas de “O Primo Basílio”, filme baseado na obra homônima de Eça de Queiroz, realizado por Daniel Filho, no qual contracenou com Débora Falabella, são exibidas da mesma forma no telão. Reynaldo cita ainda “Entre Lençóis”, de Gustavo Nieto Roa, em que atuou junto com Paola Oliveira. E asseverou que sempre estivera ladeado por atrizes bonitas. E a entrevista termina com a certeza de que além de bom ator, Reynaldo Gianecchini é bom de papo. Sem contar que dera seu famoso sorriso ao final.

    Obs: A entrevista do ator Reynaldo Gianecchini ao “Programa do Jô”, na Rede Globo, foi exibida em julho de 2011, e à época o intérprete estava encenando, ao lado de Erik Marmo e Maria Manoella, a peça escrita por August Strindberg “Cruel” (a direção coube a Elias Andreato, e a temporada alternativa ocorreu no Teatro FAAP, em São Paulo).

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    outubro 6th, 2014

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    Foto: Paulo Ruch

    A atriz Marcella Valente no Fashion Rio, em sua edição Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
    Curitibana, a intérprete, desde a infância, já demonstrara interesse pelas Artes Cênicas.
    Sua estreia na TV, ainda criança, ocorreu na versão infantil da “Escolinha do Professor Raimundo”, defendendo o papel de D. Teresinha, na Rede Globo.
    Adolescente, passa a se dedicar à dança, como o jazz e o balé, e no seu retorno a Curitiba integra grupos de street dance.
    Aperfeiçoou-se como atriz estudando na famosa escola carioca de teatro, fundada por Maria Clara Machado, O Tablado, e após fez o Curso de Artes Dramáticas na UniverCidade, no mesmo município.
    Estreou em novelas em uma trama escrita por Silvio de Abreu para o horário nobre da TV Globo, “Belíssima”, com a personagem Cristina.
    A seguir, ofereceram-lhe uma participação especial em “Malhação”.
    Ganhou uma função importante na produção das 18h de Elizabeth Jhin, “Eterna Magia”, na qual viveu Joyce.
    No ano seguinte, 2008, Marcella pôde ser vista em uma história contada por Andrea Maltarolli, “Beleza Pura”.
    Seu folhetim posterior foi o remake de “Ciranda de Pedra” assinado por Alcides Nogueira, em que encarnou Hortência (a primeira versão da telenovela baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles foi ao ar em 1981, tendo como seu autor Teixeira Filho).
    Esteve no universo fictício de uma obra da dupla Thelma Guedes e Duca Rachid, “Cama de Gato”, em que personificara Susana.
    Com direito a sotaque italiano (havia um núcleo de italianos moradores da região da Toscana), a atriz, desta vez, dá vida a Francesca, que acaba se envolvendo afetivamente com Adamo (Germano Pereira), um dos quatro filhos de Totó (Tony Ramos), em “Passione”, de Silvio de Abreu.
    No frenético e divertido enredo criado por João Emanuel Carneiro para “Avenida Brasil”, uma produção em que se percebiam doses de vingança, paixão, traição e uma abordagem da emergência de uma nova classe social brasileira, interpretara, numa participação especial, Renata (a novela de João Emanuel está sendo reprisada com boa repercussão no “Vale a Pena Ver de Novo”).
    Em “Além do Horizonte”, telenovela das 19h escrita em conjunto por Carlos Gregório e Marcos Bernstein, ganhou um papel de destaque, Julia.
    No ano de 2015, retorna a “Malhação”, “Malhação: Seu Lugar no Mundo”, como Carmem.
    Sua última novela foi exibida na faixa das sete horas, “Haja Coração”, de Daniel Ortiz, reboot de um sucesso de Silvio de Abreu lançado em 1987, “Sassaricando”, na Rede Globo (na história, Marcella viveu Larissa).

    Agradecimento: Coca-Cola Jeans

    Obs: Post atualizado em 26/12/2019

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    outubro 6th, 2014

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    Foto: Paulo Ruch

    O jornalista Leo Dias no Fashion Rio, em sua edição Verão 2014/2015, onde fora fazer a cobertura para os veículos de comunicação para os quais trabalha.
    Leo é repórter do “TV Fama”, exibido na Rede TV! (antes fazia entrevistas para um programa comandado por Adriane Galisteu na Band), e assina uma coluna no jornal carioca “O Dia”, especializada em notícias sobre celebridades.
    Segundo o perfil do profissional no site do impresso, ele se define como “um jornalista que conta todos os bastidores do mundo das celebridades sem censura”. E segue dizendo que “aqui (no site) você vai saber o que ninguém tem coragem de contar sobre famosos, artistas e atletas.”

    Agradecimento: Coca-Cola Jeans

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    outubro 6th, 2014

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    Foto: Paulo Ruch

    O modelo Luciano Feruck, no Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.
    Catarinense do município de Seara, Luciano foi agenciado pela OCA Models, com sede em São Paulo, onde reside atualmente.
    Na edição de Verão da São Paulo Fashion Week, realizada nesta mesma época, e na do Fashion Rio, desfilou respectivamente para a Colcci (junto com a top Gisele Bündchen) e Coca-Cola Jeans.
    Fotografou para uma gama de fotógrafos, dentre os quais podemos citar Max Weber, Kenedy Jun (para o site “Absolutto Mag”), Ranner Vidal, Cristiano Madureira, Vitor Mereu, Pedro Henrique, Rodrigo Marconatto, Maressa Andrioli, Juliette Vecchi, Roberto Trumpauskas, Camila Araújo, Guilherme Godoy, Gael Oliveira e Fernando Louza (Revista “Constance Zahn”).
    Fez campanhas para importantes marcas, como Levi’s, Dafiti e M. Officer.
    Estrelou a campanha da marca paulista de roupas Eagle Rock.

    Agradecimento: Coca-Cola Jeans

    Obs: Post atualizado em 22/09/2019

  • O modelo da 40º Models Raul Bavia

    outubro 5th, 2014

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    Foto: Jeff Segenreich

    Raul Bavia nasceu em Umuarama, mas fora criado em Londrina, no Paraná.
    Mudou-se para o Rio de Janeiro, e passou a integrar o cast da agência 40º Models.
    Estudou na Universidade Norte do Paraná.
    Fotografou para vários nomes, dentre os quais se destacam Sergio Baia, Fer Stein (editorial “Sail”), Hamid Bechiri, Jeff Segenreich, Ber Sardi, Gabriel Zachi, Sergio Melo (com a modelo da mesma agência da qual faz parte Laura Fernnandez), Anna Theodora e Gustavo Carneiro.
    Fez um editorial para a Revista Trend.
    Participou do Projeto Experimental 2013 UEL (“Nature Boy”), cujas fotografias couberam a Marcelo Macedo.
    Desfilou no Maringá Moda Mix 2013.
    Ao lado do ator Rafael Cardoso, esteve no “Fashion Day”, realizado na cidade de Cascavel, localizada também no Estado do Paraná.
    Junto com o modelo Victor Cava, marcou presença no “Puramania Inverno 2013”.
    Foi fotografado para uma campanha da Levi’s, durante a Copa do Mundo de 2014.

  • ” Herculano Quintanilha previu que ‘O Astro’ teria um primeiro capítulo bem movimentado. Ele acertou.”

    outubro 5th, 2014

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    Foto: João Miguel Júnior/TV Globo

    Ontem, estreou o tão aguardado “remake” de “O Astro”, um dos maiores sucessos da mestra da teledramaturgia brasileira, Janete Clair. A ideia de fazer outra versão de uma obra consagrada, em comemoração ao cinquentenário das telenovelas no Brasil, foi no mínimo arriscada. Mas a incumbência temerária fora entregue a profissionais que entendem amplamente os seus ofícios: Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro na adaptação do texto, e Mauro Mendonça Filho na direção geral. O elenco foi apropriadamente escolhido. A história começa em uma cidade interiorana, Bom Jesus do Rio Claro. Herculano (Rodrigo Lombardi) e Neco (Humberto Martins) aplicam um golpe na população local (uma falsa restauração da igreja). E Neco aplica um golpe em Herculano. Este é então de forma voraz perseguido por uma turba ensandecida. Foi preso. E na cela, conhece Ferragus (participação luxuosa de Francisco Cuoco – o Herculano do folhetim original). Ferragus lhe ensina poderes mágicos e misteriosos, além de segredos da telepatia. Herculano passa a viver de shows de adivinhação, dentre outras atrações. A arquiteta Amanda (Carolina Ferraz) vai a um deles. E se surpreende ao ter seus pensamentos descobertos. A moça fora fisgada pelo olhar sedutor do homem enigmático. Conheçamos agora Márcio Hayalla (Thiago Fragoso). Márcio é um jovem desapegado dos bens materiais, apesar de pertencer a uma família abastada, que costuma tocar saxofone em lugares públicos, como a estação do metrô. E é nesta mesma estação que se depara com a linda e simples Lili (Alinne Moraes). Houve entre eles um olhar promissor. Lili é trabalhadora e altiva, já demonstrando ser forte o bastante para resistir e enfrentar os dissabores da vida, como um assédio sexual. Rumemos para a inauguração de um grande supermercado do Grupo Hayalla, comandado por mãos de ferro por Salomão (Daniel Filho). Márcio, seu rebento, transgressor no cerne, oferece dinheiro aos oprimidos para que façam compras no estabelecimento do pai. O assombro dos presentes é geral. Clô (Regina Duarte), mulher de Salomão e mãe de Márcio, tempos depois, resolve organizar uma pomposa festa em sua mansão. E nela está Felipe (Henri Castelli), um rapaz encalacrado por não pagar dívidas. Percebe uma charmosa Clô dançando na pista. Aproxima-se, e joga todo o charme que possui. É visível que Clô fica mexida. Até aí achamos que o evento correria sem maiores imprevistos. No entanto, do alto de uma ostentosa escada, surge Márcio Hayalla tirando peça de roupa por peça de roupa de seu corpo. Márcio está nu. Não o rei. Márcio desce degrau por degrau. Despido de roupa, não de alma. Todos ficam atônitos. Não conseguem compreender a dimensão de seu ato. E termina o primeiro capítulo de “O Astro”. Herculano Quintanilha tinha razão ao prever que o mesmo seria bem movimentado.

    Obs: Análise do primeiro capítulo do “remake” de “O Astro”, de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, que fora ao ar no horário das 23h da Rede Globo, a partir do dia 12 de julho de 2011.
    A adaptação fora feita da obra original de Janete Clair, exibida em 1977 e 1978.

  • ” ‘Mais Uma Vez Amor”, com Deborah Secco e Marcos Mion, põe em pauta as mudanças históricas do Brasil e comportamentais da sua sociedade num contexto de comédia romântica. Até mesmo Lia e Rodrigo mudam. Porém, o amor de ambos e a bela voz de Caetano, estes, permanecem imutáveis. “

    setembro 28th, 2014

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    Foto: Reprodução/Instagram

    Pensem em dois artistas pródigos em carisma. Os dois são essencialmente atores. No entanto, cada um tomou um rumo distinto em suas carreiras. Ela, Deborah Secco, acompanhamo-la desde a tenra idade, passando pelas adolescência e fase adulta, em diferentes segmentos audiovisuais, como o cinema, a TV e o teatro. Testemunhamos o seu crescente progresso interpretativo até alcançar a reconhecida e prestigiada maturidade artística. Ele, Marcos Mion, um ator com largo potencial mas que, por seus forte poder de comunicação, desenvoltura nata e capacidade ímpar de improvisação, acabou trilhando um caminho diverso não menos meritório, a apresentação com enorme êxito de programas de televisão. Agora, imaginem um texto deliciosamente alegre, romântico, informativo, referencial e charmoso escrito em parceria por Rosane Svartman, Lulu Silva Telles e Ricardo Perroni (o mesmo já fora levado aos palcos com outros elencos, inclusive Deborah, em 2010 e 2011, dividiu a cena com Erom Cordeiro). E, para completar, somem a este promissor conjunto um diretor experiente, com ampla ciência da salutar relação que deve haver entre o teatro e seu público e que seja um profissional convicto de suas opções cênicas: Ernesto Piccolo. Assim nasceu “Mais Uma Vez Amor”. A trama é centralizada em um casal, Lia e Rodrigo, que se conheceram quando adolescentes na época em que eram estudantes, com seus típicos e tradicionais uniformes em branco e azul, no ano de 1970, um período no qual o Brasil vivia um temerário sentimento de ufanismo, sob a égide dos desmandos militaristas de uma ditadura. As inseguranças, fragilidades e anseios de autoafirmação dos jovens, a descoberta da sexualidade, a perda da virgindade e consequências que a cingem e a massacrante pressão exercida sobre “a primeira vez” são discutidos com propriedade. Vê-se desde logo uma propensão de Lia para a adoção de uma postura mais libertária, ao contrário de Rodrigo, que se evidencia levemente conservador. Em 1976, o longa-metragem de Bruno Barreto “Dona Flor e seus Dois Maridos” faz grande sucesso, e os conflitos previstos do casal ganham contornos com maior visibilidade. Os sonhos de Lia de se libertar individualmente se elevam, indo de encontro com o pensamento médio coletivo. Rodrigo se engaja no “Projeto Rondon”, vai para a Amazônia, e chega a uma definitiva e surpreendente conclusão, ou seja, a de que lá tudo é verde. O amor entre ambos existe, é fato, todavia há sempre o fantasma de uma terceira pessoa para desestabilizar o relacionamento. Somos transportados para o ano de 1978, em que Lia satisfaz seus desejos mais íntimos de liberdade. Ela quer ler todos os livros, escutar todas as músicas, ir a todos os lugares, “alimentar-se da cultura do mundo”. Está em Londres, “a cidade onde tudo acontece”. A moça com rescaldos do “Movimento Hippie” e da “Liberdade Sexual” vivencia um desbunde comportamental, com direito à experimentação das drogas, lisérgicas ou não. Contudo, uma avassaladora saudade da terra natal, uma espécie de banzo a abala. Enquanto isso, Rodrigo torna reais seus planos “pequenos burgueses”. Após 1981, chegamos a 1984, e vemos e ouvimos nas ruas pessoas reunidas em multidões e seus brados clamando pelo retorno da democracia que nos fora usurpada pelas armas e pelo direito legítimo de escolhermos de forma direta por meio do voto o nosso Presidente da República, no movimento conhecido como “Diretas Já”. Rodrigo por ora está casado, exerce a função de bancário e o resultado natural desta conjuntura é ter filhos. Os desencontros e contrastes entre Lia e Rodrigo recrudescem, a despeito do persistente amor que os une. Um amor que por vezes é velado e em outras ocasiões se escancara em um quarto de motel com luzes de néon. As mudanças ocorrem não só nas personalidades dos personagens, mas de modo negativo nos costumes. Se antes podíamos namorar nas salas escuras de cinema com Dona Flor nas telas, o que vieram a seguir foram os filmes pornográficos e o seu “sexo profissional” (o filme em cartaz se chama, sujeito à gama de interpretações, “Bububu no Bobobó”; esta situação atesta o limiar da falência dos clássicos cinemas de rua; a direção de Ernesto Piccolo se aproveita deste episódio para criar uma divertida e inventiva cena de plateia). No presente, muitos desses espaços são ocupados por grupos religiosos. Ainda no que concerne aos movimentos, Lia invariavelmente foi a participativa, e Rodrigo, o apolítico. Em 1986, somos assaltados pelos planos econômicos “milagrosos” com o intuito de se combalir a hiperinflação. Não foram poucos aqueles que fecharam portas de supermercados e impediram o barulho das máquinas de marcar preços. Lia foi um deles. Em 1989, é alçada ao Poder uma equipe que promete mudar o Brasil. Sua política econômica cruel acaba com os sonhos de toda (ou quase toda) uma nação. Inclusive o de Rodrigo, que almejava comprar uma casa própria. Algum tempo depois, a juventude colore o seu rosto com tintas de indignação, no movimento “Caras Pintadas”, e há uma renovação política. Em 1994, o Brasil é “tetra”. Já em 2010, o casal se reencontra e suas diferenças se avolumaram. O elo que os liga, entretanto, parece-nos inquebrantável, mesmo com o passar das décadas. O “pequeno burguês” Rodrigo nem é tão pequeno nem é tão burguês. Ele repensa a sua vida, não mais acredita na fidelidade matrimonial e avalia a possibilidade de ter tomado outras decisões no passado. Como ir com Lia para Bora Bora, por exemplo, que atualmente é massagista e tem uma filha que “é a cara dele”. Os anos se sucedem e afirmações otimistas sobre os vindouros são ditas, amparadas no humor. A velhice chega para todos nós, e se tivermos sorte, o amor do outro a acompanha. Todo este atraente e interessante conteúdo narrativo contextualizado na comédia romântica, com as “idas e vindas”, encontros e desencontros de um casal empático na própria natureza, fora apresentado ao público pelos autores com desenhos sensíveis, agudeza de espírito e emoção. O diretor Ernesto Piccolo se utiliza de um prodigioso material para lhe impingir acertados dinamismo e leveza. Esta agilidade é provada em cena não só pela fluidez do texto, mas fisicamente também, com a movimentação constante dos atores e o aproveitamento profícuo da cenografia, inteligente e prática, que inclui dois biombos divididos em quatro partes, transparentes, dobráveis, que se transformam de acordo com a ambiência sugerida (percebem-se outrossim uma armação vazada e corrediça que serve como cama, uma outra diminuta, penteadeiras e três gigantes panos dependurados que são usados para a projeção de imagens marcantes que nos remetem à fase história retratada com seus símbolos e signos, ou alusões poéticas, como uma chuva em Londres). Ernesto aposta no patente e inquestionável entrosamento entre Deborah Secco e Marcos Mion, o que faz com que torçamos inabalavelmente pela felicidade de seus personagens. As músicas, selecionadas com apuro, posicionam-nos na História. Ouvimos Novos Baianos, Chico Buarque, Gal Costa… Caetano, e sua maviosa voz, reina soberano na maior parte da encenação. O diretor explora ao máximo de seus atores as notórias potencialidades interpretativas e de comunicabilidade com os espectadores. É obrigatório que se destaque a bela plasticidade de corpos quando se simula o amor do casal. Deborah Secco está irradiante em cena, exibindo com generosidade todo o seu já conhecido talento, vivacidade e aptidões cômicas e dramáticas. Marcos Mion é absoluto nas suas extroversão e naturalidade no palco, esbanjando, é claro, a graça que lhe é habitual. Marcos, sempre que puder, deveria conciliar suas atividades como apresentador e ator (o seu berço). Os dois exibem incrível perfeição na forma física (seus corpos são mostrados dentro de um contexto). Tanto Deborah quanto Marcos devem dar prosseguimento às suas experiências teatrais. Suas popularidades e sucesso alcançados na TV e demais áreas são justificados. O carisma que detêm transcende o senso comum. A iluminação é bonita e coerente com o propósito da peça. São percebidos gradações (quase “fade outs”), focos pontuais, sejam eles frontais ou laterais, sombras, meias-luzes e plano aberto (num tom suave, jamais “estourado”). Em determinados instantes, notam-se texturas luminosas azuis, lilases e alaranjadas. Os figurinos são tão ecléticos quanto elegantes, que se distribuem em vestidos estampados, com relevos, fluidos, “de noiva”, camisas sociais, polo e regata, terno e gravata, jaqueta estilo militar, calças jeans e social, “underwear” (roupas íntimas em geral), e calçados como sandálias, botas de cano longo, coturnos, tamancos, tênis e mocassins. Com produção de Deborah Secco e Léo Fuchs, “Mais Uma Vez Amor” é um espetáculo, uma comédia romântica, que se vale de um bem estruturado texto para abordar o amor e a sua resistência à implacabilidade da passagem do tempo, com ênfase na História recente e na mudança das pessoas e costumes da sociedade. Aprende-se que o amor nunca é demais. Que sempre há lugar para um “mais uma vez”. Mais uma vez… amor. Mais uma vez… Deborah Secco e Marcos Mion.

  • ” ‘Sexo, Drogas & Rock’n’Roll’ é um espetáculo rascante, impiedoso e corrosivo, que se utiliza da comédia como veículo para contar a sua verdade. Um doloroso, mas necessário ‘punch’ na nossa inércia, descontruída pela atuação soberba de Bruno Mazzeo. “

    setembro 23rd, 2014

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    Foto: Paula Kossatz

    As palavras “sexo”, “drogas” e “rock’n’roll” sempre foram associadas umas às outras como se constituíssem uma tríade “sagrada”. Como se juntas representassem um protesto desabrido contra todo e qualquer tipo de conservadorismo e ortodoxia, um grito de libertação das convenções sociais e uma reafirmação de cada uma delas no que tange à sua força transformadora sobre os indivíduos. O sexo é um consolidado tabu, que sofre avaliações sob distintos prismas, sejam eles progressistas ou reacionários. A prática sexual e suas amplas possibilidades são tão julgadas que são levadas inevitavelmente a um “aprisionamento” a estigmas, pudores, condenações e regras que preconizam o que é normal ou não. As drogas se integraram ao mundo de modo implacável, avassalador e definitivo. O homem teve e tem ao seu dispor, em variados períodos históricos, vasta gama de entorpecentes. Discute-se em independentes esferas do Poder e da sociedade civil a viabilidade de sua descriminalização. O consenso é longínquo. Se em épocas passadas, as drogas simbolizavam sinal de “status” e “glamour”, hoje pululam campanhas de conscientização acerca de seus males e prejuízos à saúde, no entanto há também os seus defensores ferrenhos, que apregoam o seu direito de consumi-las por meio de manifestações coletivas ou mesmo artísticas. O “rock’n’roll”, gênero musical surgido com potência na década de 50 nos Estados Unidos, influenciado precipuamente pelos blues, jazz e country (existem outros entendimentos no que se refere à sua criação), mostrou-se pujante e consistente instrumento de denúncias ou insatisfações individuais ou em grupos ao atravessar décadas. Atualmente, a sua solidez denunciatória revelou um visível abalo tanto política quanto artisticamente. Esta trinca polêmica e controversa serviu de inspiração para o dramaturgo americano Eric Bogosian escrever “Sexo, Drogas & Rock’n’Roll” nos anos 90, que se tornou um enorme sucesso no circuito Off-Broadway, sendo montado em muitos países e ganhado o Obie Awards de Nova York. Como o ator, dramaturgo e roteirista Bruno Mazzeo cultivava o desejo de retornar aos palcos, mas com uma dramaturgia que não fosse de sua lavra, para, segundo ele, “sair do seu lugar comum de interpretar seus próprios textos e fazer assim um exercício como ator”, o prestigiado e prolífico diretor Victor Garcia Peralta lhe apresentou a obra de Bogosian, que logo o conquistou. O enredo escrito pelo autor, e traduzido aqui no Brasil por Maria Clara Mattos de modo sagaz e com uma certa liberdade para adaptá-lo melhor às nossas realidades, possui um humor crítico, feroz, iconoclasta, cru e ácido. Ou como Victor o definira: “uma comédia cruel”. As características deste mesmo humor estão presentes em níveis diferenciados nos seis personagens vividos por Mazzeo. Trajando apenas funcionais e básicos t-shirt preta, calça jeans e tênis (figurinos de Bruno Mazzeo), o artista, em seu primeiro monólogo, e nos minutos iniciais do espetáculo defende um morador de rua, “ex-dependente químico”, fragilizado emocionalmente, com patentes sequelas de seu vício “abandonado”, que assume para si um papel de vítima da desoladora situação na qual se encontra. Necessitando de dinheiro para custear o seu tratamento, pois o serviço público de saúde sucateado se descuida de suas obrigações, suplica aos seus pares para que contribuam, dentro de seus limites, para salvá-lo. Nota-se elipticamente uma alusão à falta de hábito do ser humano em prestar a caridade, em auxiliar o próximo. O “ex-dependente” lança sobre nós uma corresponsabilidade acerca de sua miséria pessoal. De forma ou outra, calamo-nos e nada fazemos para tirá-lo de sua desgraça. Não somos caridosos e sim assumidamente egoístas e individualistas. Não perderemos tempo com um desvalido “cheirador”. Que ele fique só. Ele e seu pó. Após, somos defrontados com um hiperativo líder de uma banda de rock com seus indefectíveis óculos escuros sendo entrevistado por um famoso apresentador de TV, um “rockstar”. Também adicto, em seu colóquio com o entrevistador, ostenta personalidade ególatra, exagerada autoconfiança e seus desvarios e cognição comprometida pelo abuso das drogas. Para o roqueiro, cuja fama lhe fez mal, a droga é um catalisador, uma peça fundamental para a potencialização da sua inspiração. Narra com jactância e fanfarronice os excessos cometidos por seu grupo musical durante as turnês. O artista de rock é o signo de uma perigosa e temerária cultura que acredita equivocadamente na união indissociável entre a música e as drogas. Uma cultura “assassina” que ceifou muitos talentos. A despeito disso, mantém-se firme, em não poucas ocasiões, no “mainstream”. Há ainda a figura do endinheirado pomposo que “chafurda na própria lama de alienação consumista”, um arquétipo cada vez mais presente na elite econômica brasileira. Seus valores são distorcidos, a sua ética é claudicante e os seus anseios descabidos, afrontosos e incompatíveis com a realidade social vigente. Fumando compulsivamente um charuto cubano, o abonado homem se vê em meio a conceitos de competitividade absurdos e tortos. Seu comportamento evidencia aspectos autodestrutivos, porquanto o percebemos em um progressivo e dilacerante círculo vicioso em que a concorrência com seus semelhantes na prodigalidade, no perdularismo e na ostentação assume proporções inqualificáveis. As marcas e grifes internacionais asseguram o seu “status”. A sua sobrevivência como ser social depende da falsa noção de superioridade perante os outros de acordo com os bens que possui. Não se dá conta de que está agrilhoado a um constante descontentamento íntimo que o direcionará irreversivelmente para um abismo moral. A seguir, testemunhamos um jovem prestes a se casar em sua tresloucada despedida de solteiro, bebendo a cada palavra que profere, acompanhado de seus amigos e uma obrigatória garota de programa. O que nos constrange é sabermos que o rapaz e sua generalizada idiotia é compartilhada por significativa parcela de nossa juventude. Suas vidas são precárias, pobres e indigentes. O consumo desenfreado das drogas e do álcool somado a uma educação deficitária no núcleo familiar os tornaram imbecis, infantilizados, com altíssimo grau de estouvamento em seus perfis. Apalermados na essência, ostentam diminuta ou quase nenhuma inteligência. Exibem posturas corporais que beiram ao ridículo e entonações vocais esdrúxulas. “Morou?” é uma palavra de ordem. “Leke” é um pronome de tratamento. O vocabulário é raso, limitado, pleno em reiterações e gírias. Para os jovens contemporâneos “tudo é muito, mas muito maneiro”. Vão à igreja e depois “entornam na cerveja”. Veem graça no fato de alguém vomitar, nos vídeos pornográficos bizarros, em um incêndio acidental e numa possível “overdose”. Frases sem nexo ditas por outrem são consideradas sensacionais. Fatos banais, brincadeiras tolas e confrontos físicos com “pitboys” sem motivação justificada ganham vultosa relevância. Um retrato triste de uma geração perdida, sem sonhos, sem futuro e garantias de evolução. Em outro personagem, um empresário de artistas obscuros porém “fabricantes de dinheiro”, com sua ganância desmedida e apreço pelo lucro puro e simples, vislumbramos a face mais vadia do capitalismo. A ausência de emoção e sensibilidade o transformou em um sujeito irascível, estressado, arrogante e autoritário. A deficiência emocional permite que mantenha sem culpas mais de um relacionamento potencialmente afetivo. E, por último, um artista desacreditado, incrédulo, desiludido que, padecendo de uma paranoia coerente com a implacabilidade vigilante moderna à qual somos consuetudinariamente submetidos, crê em “teorias da conspiração” engendradas pelas grandes corporações. O “Sistema”. Um “Sistema” que nos “devora”, “antropofágico”. Defende que o contrariemos como saída mais eficaz para salvarmos nossas ideias e identidade. As máquinas se conectam, são solidárias entre si, uma “quadrilha autômata”, e os alvos preferenciais somos nós. Insistem em desvendar nossos gostos e predileções com o único e exclusivo propósito de vender. Ao ligarmos a TV, somos “assaltados” com anúncios e propagandas em série. Sofremos uma “lavagem cerebral publicitária” contínua. Para existirmos temos que comprar um determinado micro-ondas. Cuidado com o supercomputador que estão construindo sem que saibamos! Lembram-se do “kubrickiano” HAL 9000? A nossa individualidade foi usurpada por interesses escusos com objetivos rentáveis. A nossa sagrada privacidade “escoou pelo ralo”, confirmando as afirmações premonitórias de George Orwell e seu “1984”. Vivemos uma era apocalíptica onde a computação é tirana, controla tudo e todos. Os artistas precavidos devem esconder as suas Artes nas mentes para que não sejam roubadas pelo “Sistema”. A direção sempre vitoriosa de Victor Garcia Peralta (com a assistência de direção de Guilherme Siman) privilegia intencionalmente o trabalho de ator de Bruno, auxiliando-o na busca nada fácil da identificação dos seis personagens exibidos, com suas diferenciações bem marcadas e delimitadas, logrando incontestável êxito. Victor, já parceiro de Bruno Mazzeo nos palcos (o primeiro como diretor e o segundo como autor), conhece com exatidão as amplas aptidões dramáticas e cômicas do artista, e as eleva ao seu grau máximo. O diretor, além disso, atingiu uma velocidade narrativa saudável, com a passagem de um quadro para o outro intermediado por belas projeções com contextos psicodélicos e pictóricos (vídeos de Rico e Renato Vilarouca) sobre cinco painéis verticais corrediços com ripas brancas maiores e pretas menores, que se posicionam em diversos locais da ribalta, valorizando o desenho cênico; o cenário que aposta na praticidade é de Dina Levy; usa-se também uma moderna cadeira giratória). Não há resquícios de estagnação no que diz respeito à ocupação do palco, com Bruno se movimentando todo o tempo, e aproveitando ambos os lados daquele, os seus centro e proscênio. Bruno Mazzeo (um dos vencedores da láurea de “Melhor Ator” na 3ª edição do “Prêmio FITA de Teatro”, na Festa Internacional de Teatro de Angra de 2013) nos proporciona a nítida sensação de que as interpretação e composição de cada “character” lhe causam imensurável prazer. Ele expõe com pujança irrefreável uma maturidade artística que justifica a conferência de sua atuação. Ainda lhe cabe, com disposição física impressionante, aliar a acrimônia do texto de Bogosian com a sua verdade como ator. O artista brinca com seus corpo e voz com detalhismo e versatilidade. A iluminação de Dani Sanchez em cumplicidade com a direção, foca-se sobremaneira na figura de Mazzeo, não abjurando os planos abertos. Uma luz com propósitos e intenções largamente pensados e calculados. A trilha sonora de Plínio Profeta é um precioso regalo para os amantes do rock, encaixando-se com perfeição no universo da peça. As músicas selecionadas, todas legítimos clássicos, como “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, corroboram a total e absoluta compreensão acerca da dramaturgia encenada. “Sexo, Drogas & Rock’n’Roll” não só satisfez a Bruno Mazzeo ao dar vida a personagens que não vieram de sua privilegiada mente, mas provocou em nós, espectadores, um movimento com frequências variadas, que nos tirou de incômoda e desconfortável inércia. “Sexo, Drogas & Rock’n’Roll” é um espetáculo viciante. O único vício que realmente vale a pena, pois nos deixa mais vivos do que antes.

  • ” A selvageria do ‘serial killer’ Edu se duplica nos inebriantes olhos azuis de Bruno Gagliasso, em ‘Dupla Identidade’.”

    setembro 20th, 2014

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    Foto: Dupla Identidade / TV Globo

    Aparentemente, Edu Borges é um homem perfeito. Ele é educado, bonito e culto. Deixa rastros de charme e sedução por onde quer que passe. O jovem elegante, além de ser bem-sucedido na carreira de advogado, estuda Psicologia. No entanto, apesar de toda esta miríade de qualidades, Edu é um “serial killer”. No atraente, instigante e interessantíssimo primeiro capítulo da nova série da Rede Globo, exibida na noite de ontem, escrita por Gloria Perez, e dirigida por Mauro Mendonça Filho e René Sampaio, “Dupla Identidade”, com direção de núcleo de Mauro Mendonça Filho, fomos logo apresentados a uma galeria de personagens, seus perfis, objetivos, dramas e conflitos, e ao tema central da produção, o assassinato brutal em série de mulheres e a subsequente e difícil descoberta de seu autor. Edu faz parte de uma equipe que apoia o senador Oto (Aderbal Freire Filho), que em época de eleições, visa a um cargo político. O rapaz inteligente que ostenta barba semicerrada propõe, numa reunião de correligionários, ideias que parecem brilhantes e infalíveis para o êxito da campanha do político, como a defesa e o apoio às mulheres face ao desenfreado crescimento da violência da qual são vítimas. O candidato é aliado do Governador, sendo assim seria incômodo atacar a política de segurança vigente. Todavia, Edu, com a sua argúcia, convence Oto de que este é um caminho certeiro e vitorioso no que diz respeito à conquista de eleitores, principalmente os femininos. Enquanto isso, os assassinatos em série prosseguem. E a mais recente vítima é Mariana (Yanna Lavigne), uma garota de programa amante do senador, que momentos antes de sua execução com requintes de crueldade, é convidada pela produtora de moda Ray (Débora Falabella) para ser modelo de um desfile. O seu romance com o político é desvendado por sua esposa Silvia (Marisa Orth), que decide inapelavelmente pelo divórcio, o que atrapalharia as pretensões eleitorais de seu marido. Silvia e Oto são pais de Júnior (Bernardo Mendes), um rapaz que acabara de vir da França onde, por dois anos, fora estudar Artes. A seguir, Júnior, devido a um celular achado em seu apartamento, é apontado pela polícia como suspeito do crime cometido contra Mariana. As investigações policiais são capitaneadas pelo delegado Dias (Marcello Novaes), que almeja ocupar o importante cargo de Secretário de Segurança Pública do Estado, e a elucidação das mortes colaboraria para a sua indicação. Contudo, o retorno de Vera (Luana Piovani), uma psiquiatra forense que acabara de fazer um curso de especialização no FBI (Federal Bureau of Investigation), nos Estados Unidos, atrapalha os intentos de Dias. Ambos possuem uma mal resolvida história no passado. Para alguns, a presença de Vera no caso é uma estratégia de marketing. A dupla de policiais terá pela frente uma penosa e árida tarefa, a começar pela explicação da morte bárbara de Mariana, que numa área coberta por folhas secas, foi amordaçada, algemada e ferida. De um de seus olhos escorreu um rímel negro que se misturou a uma, duas gotas de sangue espalhadas pelo local da tragédia. Acompanhamos o passo a passo frio de Edu em direção à sua realização pessoal. O seu maior prazer, segundo Vera, seria o inacreditável sentimento de poder ao manipular sua vítima, e no instante em que percebesse que ela pressente a proximidade de sua morte, sentir-se um Deus. Mata-se tão somente para satisfazer um interesse individual. Impossível não nos lembrarmos da expressão cunhada pela filósofa alemã naturalizada americana Hannah Arendt, a “banalidade do mal”. O “serial killer” é calculista, premedita todas as etapas, desde a conquista de sua “presa” até os seus momentos finais. Os procedimentos brutais são os mesmos. Controla a situação. Brinca com a polícia, apostando em sua superioridade intelectual e autoconfiança desmedida. “Planta” potenciais provas para confundir os investigadores. E está invariavelmente pensando em seu próximo crime. E uma de suas vítimas poderá ser Ray, a produtora de moda. Ela é mãe de uma menina, Larissa (Maria Eduarda Miliante), separada e sofre de “borderline” (um transtorno de personalidade limítrofe que se caracteriza pelas oscilações de humor, impulsividade e dificuldades de relacionamento; vive-se no limite entre a normalidade e os surtos psicóticos). Num encontro “casual” na praia, Edu, que também é esportista, pois joga “altinho” com os amigos (nota-se a boa forma física do ator, que disse em entrevista sobre a sua decisão de se exercitar com mais afinco, privilegiando os antebraços, a fim de conferir maior credibilidade ao criminoso), conquista Ray (ao lado de sua confidente Dina, defendida por Mariana Nunes), que acredita ter encontrado o homem ideal. Ele a convida para comer uma pizza margherita e tomar um chope sem “colarinho”. Edu nos convence, se não soubéssemos de sua face monstruosa, de que é um sujeito normal, como todos nós. A trama pensada por Gloria Perez, que estudou muitos casos semelhantes na historiografia do crime mundial, mostra-se corajosa e indômita ao abordar um assunto tão escabroso, mas que se insere não só na atualidade, mas em períodos passados. Os diálogos e pensamentos em “off” de Vera demonstraram ao público de que houve cuidadosa e aprofundada pesquisa acerca dos comportamentos e motivações dos assassinos em série. A direção de Mauro Mendonça Filho e René Sampaio atingiu com precisão o difícil equilíbrio entre as cenas de avolumadas tensão e violência que cingem os fatos relativos aos crimes em si e os dramas paralelos que completam o desenho teledramatúrgico de “Dupla Identidade”. A ambiência de um thriller investigativo/policial é primorosamente retratada. Os atores, de reconhecido naipe, representam indiscutivelmente um dos méritos da atração que irá ao ar nas próximas sextas-feiras. Bruno Gagliasso, um intérprete talentoso, intenso e disciplinado, que sabiamente fugiu ao estigma de galã, procurando e aceitando papéis que o desafiassem sobremaneira, como o homossexual Júnior de “América, o esquizofrênico Tarso de “Caminho das Índias”, o vilão Teodoro de “Cordel Encantado” e o Van Gogh nos palcos teatrais, construiu Edu com uma “visceralidade contida”, uma “intensidade represada”, ou seja, temos a impressão de que a sua ultraviolência nata só eclodirá nos instantes da prática de seus delitos. Débora Falabella compôs Ray com a riqueza de detalhes que é própria da atriz, convencendo-nos de que é uma mulher ativa, independente, sonhadora e mãe dedicada. Também, assim como Bruno, habituada a personagens espinhosas, como a dependente química Mel de “O Clone” e a vingativa Nina de “Avenida Brasil”, Débora, certamente, irá nos surpreender mais uma vez, em especial nos episódios em que Ray manifestar seus surtos. Tanto Luana Piovani quanto Marcello Novaes estão de maneira irrefutável “infiltrados” na “alma” de seus “characters”, impingindo-lhes firmeza, resolução e sobriedade dignos de autoridades policiais. Poderão ainda exibir outro lado emocional de Vera e Dias concernente ao conflito que lhes é comum. Marisa Orth realçou Silvia com a dignidade de uma artista com o seu valor, legitimando a indignação imaginada de uma esposa traída não uma única vez, com a disposição feroz de pôr um termo a esta inglória condição. Bernardo Mendes nos prova de que é detentor de largo potencial artístico ao assumir, como Júnior, uma postura ao mesmo tempo frágil e rebelde. Um papel que se “casou” bem com o jovem ator. Aderbal Freire Filho, um consagrado diretor de teatro, oferece-nos a feliz oportunidade de conferirmos a sua porção ator, e a composição de Oto, um político ambicioso, indiferente aos sentimentos alheios e um tanto inescrupuloso corrobora a sua potencialidade e maturidade interpretativas. Ainda no elenco, teremos Dedina Bernardelli, Rogério Fabiano, Igor Angelkorte, Felipe Hintze, Henrique Taxman, dentre outros de igual relevância. A trilha sonora de Andreas Kisser se vale de um som pesado, com suas potentes interferências vocais. A abertura de Flavio Mac é refinada, com nuances fantasmagóricas e referências claras e objetivas ao movimento cinematográfico expressionista alemão, cujos alguns de seus notáveis representantes foram F. W. Murnau, Fritz Lang, Carl Dreyer e G. W. Pabst. Veem-se sombras, silhuetas escuras de pessoas nas ruas em preto e branco das cidades, com suprema valorização das formas geométricas, como linhas e círculos, amparados por texturas azul e vermelha (provável que a última seja uma menção ao vermelho sangue das vítimas de Edu). “Dupla Identidade” tem a missão nada fácil de “segurar” o telespectador por uma semana até o seu epílogo, mas pelo que assistimos em seu pioneiro capítulo a série não encontrará obstáculos para lograr o sucesso esperado, visto que a sua excelência se espraia no texto, no elenco, na direção e na produção. Ademais, conhecer mais a fundo a interioridade da mente perturbada, perturbadora e complexa de um “serial killer” é, por incrível que possa nos parecer, fascinante dentro de seu contexto aterrador. A selvageria é algo nato ao ser humano. Pode permanecer latente, quieta ou nunca se manifestar. Entretanto, pode se duplicar quando adentra e lá escancara o seu poder, nos inebriantes olhos azuis de Edu. “Dupla Identidade” é uma série imperdível. Duplamente ou mais.

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