O modelo Júlio Guerra no Fashion Rio Outono Inverno 2014, realizado no Píer Mauá.
Júlio, mineiro da cidade de Cataguases, foi agenciado pela Elian Gallardo Models.
A FCast Brasil o selecionou (com direito a perfil e ensaio no site), dentre inúmeros modelos, com o apoio das nove melhores agências do país, como uma das apostas para a temporada Outono Inverno 2014 (as fotos são de Felipe Gachido).
Fotografou para Muel Tsunamy, Guga Ribeiro (editorial Punk Apache com a modelo Ingrid Costa; beleza de Bárbara Erthal) e Junior Franch (para a marca João Pimenta, tendo Vitor Nunes como stylist).
Desfilou para Fabio Malheiros na Casa de Criadores, em São Paulo, e para a DN.
Com a colaboração da Gentiluomo Pure Premium Fashion, participou de uma campanha para a Patogê Jeans & Co.
O site World of Models publicou suas fotos num bonito ensaio.
Foi um dos vitoriosos de uma disputada seletiva para integrar o cast da agência internacional Just Models, de Rodrigo Milagres, para entrar no mercado de moda da Ásia.
Júlio Guerra Tavares atualmente reside em Miami, nos Estados Unidos, trabalhando como atleta profissional do jiu-jítsu (luta marcial que sempre praticou).
O modelo Iago Santibañez, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, promovido no Píer Mauá.
Iago é catarinense, sendo agenciado pela RE:Quest Model Management (Nova York) e Mega Model Brasil (São Paulo).
Fez campanha para S.S. Fifty Five, Bantam Winter Collection e Globe Coleção 2014.
Realizou editorial para o Caderno Ela de O Globo, por Gustavo Zylberztajn, e para a Bite Magazine.
Desfilou para a Triton, Lino Villaventura, Osklen e Colcci na São Paulo Fashion Week (SPFW) e R. Groove, Coca-Cola Jeans, TNG e British Colony no Fashion Rio.
Fotografou para Kris Lou, Gabriel Henrique, Vanessa Ring, Talles Bourges (House of Models), Marcelo Elídio e Adriano Damas.
Fez o lookbook U-ME, com Ellen Ollen.
Trabalhou com o stylist Alexandre Ornellas.
Recentemente, foi fotografado por Valentina Valdinoci, além de ter participado de uma campanha para a marca Sisley.
O modelo Reinaldo Berthoti no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
Reinaldo é catarinense da cidade de Brusque.
É agenciado por diversas e importantes agências, nacionais e internacionais: Divo Mgmt e JOY Model Management (ambas de São Paulo), Bananas Models (Paris), Francina Models (Barcelona), I Love Models Management (Milão), RE:Quest Model Management (Nova York) e Modelwerk (Alemanha).
Fez um ensaio chamado “The Mirror Has Two Faces” para o prestigiadíssimo fotógrafo americano Steven Klein; e outros como “Skate” (DIVO Mgmt.), por Victor Santiago; para as magazines HASHI Mag (Daniel Rodrigues fora o fotógrafo) e FY! Magazine, além de Henrique Ferrari Photography.
Realizou o editorial “Vagabond”, fotografado por Xi Sinsong.
Durante o processo de casting dos desfiles das semanas de moda brasileiras, como São Paulo Fashion Week e o Fashion Rio, Reinaldo era invariavelmente escalado.
Recentemente, alguns de seus trabalhos foram: um catálogo para a Farm Rio; fotos para a revista “Vanity Teen”, vestindo Igor Dadona; e campanha para a rede de lojas Renner.
Juntam-se dois atores bonitos, carismáticos e talentosos em uma peça cujo tema principal é a existência da possibilidade de se existir ou não o grande amor das nossas vidas. Um tema, sem dúvida, que nos é muito caro. E que em pelo menos um momento nós nos flagramos pensando nele. O texto escrito por João Falcão, Guel Arraes e Karina Falcão toca em vários aspectos que remetem a uma reflexão sobre o assunto. Uma das frases que são ditas por mais de uma vez é “se já nos deparamos com o tal grande amor…”. É claro que isto nos faz refletir. Tanto João, Guel e Karina escreveram de forma que o que nos é dito é palatável, com humor, leve, mas sem que este relevante viés narrativo não nos reporte a um grau de discussão também relevante. Enfim, o citado texto é bem recebido pelo público, que se manifesta com alegria e a concentração necessários correspondentes à exigência da encenação. Agora, é importante frisar que a escolha dos intérpretes foi de suma significância para o sucesso do projeto. A atriz Paloma Bernardi é, além de linda moça, dotada de uma potencialidade artística nos palcos que desconhecia (e que bom, passei a conhecer), que só fez corroborar as minhas admiração e convicção de que esta jovem artista se sai bem em todas as áreas de atuação para a qual é convidada. E ela cumpre a missão de dar vida à sua personagem, Maria Helena, com demasiada galhardia. Já Thiago Martins, um ator que vimos ainda criança fazendo filme de sucesso, e depois outros trabalhos, usa de sua extroversão, simpatia e o já propalado talento para fazer de Luiz Eduardo um rapaz convincente. Ambos obedecem aos instantes de comicidade que a plateia assimila, e se aproxima ainda mais da história deste casal que não nos é distante. O diretor é Michel Bercovitch. Michel adota uma postura, como executor da “mise-en-scène”, que pretende dar agilidade, fluidez, as pausas que se fazem congruentes, em soluções criativas que não descambam para a mesmice, e tudo isto resulta em produto que nos agrada. Michel Bercovitch, que desde bastante jovem se dedica às artes cênicas, cumpre o objetivo que ele mesmo deve ter se imposto, ou seja, o de satisfazer a todos. Quanto aos aspectos técnicos, comecemos pela cenografia. Se a classificarmos com um substantivo, este é a praticidade, que funciona amiúde. Não haveria razões para mais elementos, pois o espetáculo se foca no tema e na interpretação de Paloma e Thiago. Por que o cenário é prático? Usam-se dois parlatórios que a princípio se posicionam à frente do palco, e atrás dos mesmos Maria Helena e Luiz Eduardo discorrem, digressionam, especulam sobre como se daria o encontro do grande amor. As dúvidas, vicissitudes, empecilhos de um relacionamento após este mesmo encontro não são deixados de lado. E os citados parlatórios acabam tendo outro uso. Vislumbramos criatividade em pufes e sofás transparentes infláveis. Há painéis gigantescos com as imagens de Thiago e Paloma. Painéis que podem não parecer, contudo terão papel precípuo definitivo. Há ainda telão com design gráfico inventivo de Mauro Ventura (Mauro também assiste a direção) que contribui para desenhar as situações vividas pelo par. Já a iluminação de Daniela Sanchez é o que se pode definir como coerente para uma comédia romântica com tintas juvenis: alegre, viva, colorida, contudo sem abrir mão de luzes menos intensas quando as ocasiões pediam. Os figurinos de Paloma Bernardi criados por Isabella Cardos são graciosos, bonitos, sensuais em algumas cenas, e os de Thiago, despojados, casuais, contemporâneos e até cômicos em certo acontecimento. Ao sair do teatro, tive uma certeza: a rosa vermelha de Paloma Bernadi e a gravata negra de Thiago Martins fortaleceram a minha fé de que existe sim o grande amor de nossas vidas.
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A apresentadora Chris Nicklas no Fashion Rio Outono Inverno 2014, em edição realizada no Píer Mauá.
Chris é carioca e também atuou como modelo por tempo considerável.
A estreia na televisão se deu na MTV Brasil no programa jornalístico “MTV no Ar”.
Novos desafios na mesma emissora sobrevieram: uma produção com auditório presente, o “Quiz MTV”, e outra cujo mote eram as viagens, o “Mochilão MTV” (gravado na Espanha).
No verão, Chris era incondicionalmente escalada para comandar o “Disk MTV” e o “Resposta MTV”.
Uma das características marcantes da apresentadora fora a desenvoltura para conduzir atrações com transmissão ao vivo, como “Radiola”, “Central MTV”, “Top 2000”, “Ano Rock”, “Semana Rock”, “Nonstop” e “Caixa Postal”, só para citar algumas.
Passamos a conhecer as suas facetas “VJ” e atriz (nos longas-metragens “Avassaladoras”, de Mara Mourão, e “Maria, Mãe do Filho de Deus”, de Moacyr Goes).
Muda de emissora (GNT) e encara um caminho diferente em sua carreira: falar sobre arquitetura, decoração e design em “+D”, uma realização da Giros Produtora.
O mundo da moda “invade” seu universo particular, e cobre as duas principais semanas do gênero do país: a São Paulo Fashion Week (SPFW) e o Fashion Rio (seu largo conhecimento acerca deste tema a levou inevitavelmente a apresentar o “Tamanho Único”, ainda no GNT).
Ao lado do crítico de cinema Rubens Ewald Filho, pelo canal TNT, comentou sobre os figurinos das celebridades que desfilavam pelo “red carpet” na entrega do Oscar.
Atualmente, Chris Nicklas possui um importante site dedicado ao aleitamento materno, o “Amamentar é…” (mãe de dois gêmeos, seus conselhos e dicas não se restringem somente à amamentação, mas ao impacto que a maternidade pode vir a ter na vida das mulheres – seu site http://www.amamentareh.com.br está nas redes sociais Facebook, Twitter e Instagram, além de estar disponível via RSS).
O modelo Cristian Pfingstag no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
Cristian é gaúcho de Lajeado.
Foi agenciado por três importantes agências: Model Management Limited (Hong Kong), Urban model management (Índia), e Elo Management (São Paulo).
No momento, faz parte do cast da Mädchen Models Int. (Lajeado, Rio Grande do Sul).
Residiu durante um longo período na China, realizando inúmeros trabalhos em cidades como Beijing e Shanguai, onde estrelou desfiles, ensaios e editoriais.
Passou uma temporada em Milão, Itália.
Fotografou para Matheus Avlis e Lucas Menezes
No Fashion Rio, desfilou para marcas como R. Groove.
A modelo Thayná Santos, no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá (a semana de moda hoje foi substituída por outro grande evento, que é o Veste Rio).
Thayná, na época, era agenciada pela KeeMOD Agency, em São Paulo.
Atualmente morando em Nova York, é agenciada pela Marilyn Agency (Estados Unidos), Ford Models Brasil, Francina Models (Espanha), e Place Models (Alemanha).
Participou de um editorial chamado “Fresh and Sheer”, ao lado de Jamily Meurer e Caroline Kauer, fotografada por JR Franch para o o blog BLOGINVOGA.
A modelo, além disso, estampou no ano deste Fashion Rio a “PRE FALL DA CUSHNIE ET OCHS.
Desfilou para a VPL by Victoria Bartlett Outono Inverno 2014, em Nova York.
Possuidora de mais de 25.200 seguidores em sua conta no Instagram, Thayná Santos recentemente foi fotografada para a “Cake Magazine”, no ensaio “Come On, Angel”, clicada por Thiago Chediak.
O espaçoso e bem decorado lounge da Nativa SPA – O Boticário, com todos os seus serviços e produtos à disposição, fora bastante procurado pelos convidados interessados em conhecê-los nos dias do Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
Um bilhete premiado debaixo da cama de Quinzé (Malvino Salvador). Três amigas dispostas a encontrar um bilhete premiado de amiga indisposta e triste por tê-lo perdido. As três amigas, Vilma (Arlete Salles), Isolina (Guida Vianna) e Celeste (Dira Paes), encontram-no, e toda a história muda para a apostadora Griselda (Lilia Cabral), na novela das 21h da Rede Globo, “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva. Por mais que resista, o prêmio de R$50.000.000,00 que receberá transformará radicalmente a vida da mãe de Amália (Sophie Charlotte). E não só a dela. A dos outros, também. Pelo menos, esses “outros” assim o esperam. Há os que se incomodaram de forma clara ao saberem da notícia. A começar por sua inimiga óbvia, Tereza Cristina (Christiane Torloni), que em já esperado sinal de desvario, manda que Crô (Marcelo Serrado) enfrente a fila de uma lotérica, e faça uma aposta para ela. A insanidade está próxima de Tereza Cristina. Baltazar (Alexandre Nero), o motorista “que se dá bastante bem com o ódio”, com ódio ficou da vitória da comadre. Antenor (Caio Castro), o rapaz que gosta de iogurte “light” no café da manhã a ponto de tirar do próprio sobrinho, já está pensando que não foi boa coisa desmerecer do macacão cinza da mãe. Antenor, a esta altura, é capaz até de achá-lo elegante. Não será surpresa se aparecer com um desses na faculdade. E não perdeu tempo. Foi visitar sua progenitora, e com o maior dos cinismos, parabenizá-la. Temos ainda a tia Íris (Eva Wilma), que ao lado da assessora “não se sabe de que” Alice (Thaís de Campos) já ofereceu a “faz-tudo” (continuarão a chamá-la assim?) seus préstimos duvidosos de como melhor aplicar a fortuna ganha. Impossível não se esquecer de Teodora (Carolina Dieckmann), moça que liga pouco para dinheiro. Bondosa que só ela. Só foi capaz de abandonar o filho em troca de holofotes, luxo, um belo quarto de hotel com vista para o mar e cifrões, vários cifrões. O que o pai de seu filho Quinzé poderia lhe oferecer? As empadas de Dagmar (Cris Vianna)? Não, Teodora não aprecia empadas. São secas. Agora, com R$50.000.000,00 na conta da sogra, ela topa um empadão inteiro. E o rapaz da praia Ferdinand (Carlos Machado), que se gaba de ser dono das rede e bola de vôlei? Ele está preocupado com o cano d’água que poderá vir a furar. E Pereirão o consertará? Realmente, Ferdinand tem grandes questões com que se preocupar. Agora, há os que ficaram felizes com a novidade. René (Dalton Vigh) é um deles. Até quando o chef irá esconder de si mesmo de que gosta da mulher que pintou o Le Velmont de “bordeaux”? Já Guaracy (Paulo Rocha), o simpático e apaixonado português dono do Tupinambar, está inseguro. Acha que Griselda, por ter se tornado milionária, não lhe dará a mínima. Como podem perceber, do que são capazes R$50.000.000,00… Até mesmo em um folhetim. Aguardemos. Griselda terá muito o que nos contar daqui para a frente.
Gregório Duvivier se apresentando com o espetáculo “Uma Noite na Lua”/Foto: Renato Mangolin
Um artista não pode viver sem a sua obra. Um compositor não existiria sem a sua música. Um poeta não justificaria a sua função se não escrevesse algo para ser declamado. E um dramaturgo se veria em meio a um drama sem precedentes se não lograsse dispor em narrativa cênica as ideias que por ora pululavam em sua mente (ou ainda se aquelas simplesmente não surgissem). Tudo seria mais fácil, oportuno, conveniente e fluido para os potenciais artistas se não irrompessem vez por outra à sua frente barreiras a princípio intransponíveis: a maior delas sendo a temida e assustadora crise criativa. O padecimento progressivo e angustiante de um jovem escritor, colocado à margem pela mulher que ama, Berenice (interlocutora e confidente imaginária), que visa a criar uma peça teatral, é desencadeado irrefreavelmente por ausência absoluta de inventividade e inspiração, exceto pelo título já escolhido: “Um homem em cima de um palco pensando”. Este é o mote, o agente propulsor do excelente espetáculo de João Falcão, o monólogo conduzido com virtuosismo por Gregório Duvivier. Em um palco nu e negro, sob a interferência misteriosa e instigante de um fog, Gregório desvela o amplo, complexo e dilacerante conflito do inclemente lapso ideário. O estertor da contingência se materializa em elucubrações, sensação de culpabilidade e inadequação, questionamentos e pensamentos persecutórios individuais. O que teria motivado o desvanecimento da criação própria? Necessitar-se-ia ser um “outro alguém”? Uma mudança comportamental, filiada à transgressão, seria o bastante para acender a imaginação íntima e causar impressão positiva no próximo? Uma atitude audaz e ousada de se aproximar de um ator numa festa e lhe dizer que possui peça pronta, mesmo que não a tenha, já se configura como primeiro passo rumo à vitória de rompimento de suas limitações? O tempo é feroz, inimigo declarado do artista escravo das veleidades de sua mente. O que se determina como ideia lógica, passível de transmutação em produto artístico, no presente se espraia na aleatoriedade. Os dilemas e impasses da situação do escriba são indiferentes às suas súplicas e solicitações de resolução daqueles. Deve-se optar pelo drama ou pela comédia em um texto? O drama talvez não denunciasse a mediocridade do legado literário devido ao silêncio imperscrutável dos espectadores. E na comédia, as ruidosas gargalhadas seriam atestado comprobatório da excelência textual, quem sabe. E se a alternativa de se organizar uma sinopse e/ou enredo incompreensível, hermético, desprovido de sentido fosse o atalho cabível? A inclusão de uma música. Sim, uma música. Haveria a possibilidade de se dar um “clima” ao espetáculo, escamoteando as lacunas imaginativas. O homem das letras fugidias se encontra em convulsão de fantasmas indômitos. E se a adoção de um chapéu, um tardio e anacrônico furo na orelha, uma repentina paixão pelo futebol fizessem alguma diferença no “status quo”? O relacionamento com o cigarro, um falso amigo, seria irremediavelmente desfeito em nome de profícua ideia. Se hoje o candidato à literato é sectário do “não”, um átimo de imaginação o faria ser acólito do “sim”. O dramaturgo se convence de que tudo o que de genial e majestático fora criado ou inventado somente decorrera porque não era nascido. Beethoven só compôs a Nona Sinfonia porque nascera antes. As notas já estavam todas em sua mente. Apenas uma injustiça da ordem natural dos nascimentos. E Deus? Por que não o ajuda? Oferecer-lhe uma luz criativa não é nada diante do que a Humanidade lhe pede. Esses temas em seu conjunto foram dissecados com primor, sensibilidade e inteligência por João Falcão, um artista com pleno domínio de suas aptidões como dramaturgo e diretor, no difícil, delicado e arriscado formato de um monólogo. E em nenhum momento perceptível, João se priva de associar a “Uma Noite na Lua” elementos pensados e elaborados com prévias cautela e perícia, munidos de legítimas poesia e emoção. A dramaturgia abraça harmonicamente tanto o viés cômico (fino e bem urdido) quanto o dramático (eivado de emotividade alocada em patamar superior e privilegiado). Como encenador, João Falcão, consubstanciado no alto grau de sua sabedoria cênica, ao contrário do personagem que imaginara, viu-se mergulhado em profusas ideias, detendo manancial infindo de contribuições inspiradoras e complementares da unicidade proveitosa da linguagem teatral transposta para um produto de entretenimento valoroso. Os protagonistas indiscutíveis são o ator e o texto. No entanto, seria leviano de minha parte não citar a rica colaboração dos demais aspectos técnicos. Como a iluminação da lavra do próprio João, deslumbrante, engenhosa e causadora de fascínio irremovível (há dez refletores anteriores providos de tênue e delgada luz em tom amarelado; algo semelhante a LED que desenha sobre o intérprete fabulosas linhas geométricas triangulares em suas distintas angulações; focos supremos nas face e corpo de Gregório; frenético e extasiante apagar e acender de luzes em locais diversos que nos proporcionam uma duplicação no interesse causada por propositada “desorientação” visual – um belo recurso que denota suposta onipresença do personagem; “blackouts” invasores e eloquentes em seu mar de negritude; o vermelho sanguíneo, o verde suave e o branco importante por si só têm a sua vez; e os feixes luminosos, sejam eles transversos ou cruzados, propiciadores do embelezamento geral. A direção musical (com canções originais lindas e melodiosas de João Falcão) de Dani Black e Maycon Ananias embala de modo literal e dá inestimável vida e frescor à encenação. Utilizam-se variados instrumentos que se completam em evidente harmonia e sugerem ambiência compatível com a montagem. O cenário se resume ao vazio, soberano na amplitude do preto do espaço aberto e livre para o ator e sua palavra. Os figurinos de Hugo Leão são porta-vozes indissociáveis do bom gosto, elegância e avassaladora coerência com o perfil do papel do escritor. Uma homenagem ao showbiz, ao instante de um único artista em cena (Hugo se vale de chapéu Fedora, capote, terno, camisa e calça em tons grafites, e boots pretos com meias lúdicas). Quanto à atuação de Gregório Duvivier, intencionalmente deixada para ser comentada no epílogo desta análise, se já bem conhecíamos o rico, vasto e relevante repertório deste consagrado jovem ator, deparamo-nos com um artista, sem qualquer brecha para suscitação de dúvidas, completo (sonho almejado por tantos que seguem este ofício). Gregório atua, dança, canta e se movimenta esplendorosamente (preparação corporal de Gilvan Gomes). Capacitações caras de um autêntico virtuose na arte da interpretação. Um performer, um showman, um signo chapliniano em tropicalíssimas terras nacionais, que transita para o nosso deleite por inúmeras veredas dos campos da emoção e graça. Sua matéria (incluindo-se a voz) se mostra como instrumento afinado. Cada gesto, diminuto ou extenso passo, um rodopio, incessantes “levantar-se” e “sentar-se”, um grito e um sussurro “bergmaniano”, um riso tímido ou risada deliberada, o falsete e o grave lado a lado, sem atritos, tornam a interpretação de Gregório ímpar, única, singular, memorável e desde logo inserida na galeria dos registros interpretativos marcantes do cenário contemporâneo teatral. “Uma Noite na Lua” se estabelece como espetáculo honroso e dignificante em seus precípuos propósitos, dentre os quais o de esmiuçar a alma humana, que poderia ou não ser a de um escritor, com todos os seus questionamentos, aflições, dúvidas, incertezas, reavaliações de vida e apropriação de novas visões que possam clarificar o nosso juízo por vezes recôndito e noção de bem viver na coletividade e no mundo em sua desmedida e assustadora grandeza que nos soa quase sempre estranho e temerário. Pode-se viver uma noite na lua sem estrelas. Pode-se viver uma noite na lua tão somente. Mas é muito melhor viver “Uma Noite na Lua” com Gregório Duvivier.