Corpos nus. Suados. Desejo e sexo. Tiros e sangue. Violência. Adultério e conflitos familiares. Dinheiro, poder, prostituição. Com estes explosivos ingredientes, estreou ontem na Rede Globo a tão aguardada minissérie de George Moura, Sérgio Goldenberg, Flávio Araújo e Teresa Frota e supervisão de texto de Maria Adelaide Amaral, dirigida por José Luiz Villamarim, “Amores Roubados”. Ambientada na fictícia cidade de Sertão (as gravações foram feitas em Petrolina, Pernambuco, e Paulo Afonso, na Bahia), a história (baseada num romance escrito por Carneiro Vilela em capítulos por dois anos, “A Emparedada da Rua Nova”, para um jornal recifense no século XIX) conta a trajetória de um belo sommelier, Leandro Dantas (Cauã Reymond), que veio de São Paulo para mostrar o seu amplo conhecimento de vinhos na vinícola Vieira Braga, e praticar o seu perigoso jogo de sedução com as mulheres da região. A empresa, imponente em terreno desértico, porém onde nascem uvas, pertence ao todo-poderoso Jaime (Murilo Benício), a quem todos respeitam e obedecem, casado com Isabel (Patricia Pillar), uma mulher a princípio centrada e contemporizadora, ambos pais de Antônia (Isis Valverde), que estudara no exterior, e retorna à terra natal para auxiliar nos negócios do clã, mesmo que a contragosto. O jovem Leandro, filho de Carolina (Cassia Kis Magro), uma ex-prostituta que passou tempos presa e por aquele fora roubada na mesma metrópole e que decide em meio à sua amargura retomar a vida, crê que tanto os vinhos quanto as mulheres têm que ser “provados”. Ostenta um ideograma japonês tatuado na pele morena que significa “proteção”, mas não se exime de procurar o perigo. Mantém ardente caso com a lasciva Celeste (Dira Paes), esposa do rico exportador de mangas Roberto Cavalcanti (Osmar Prado). Em festa promovida por este, ocorre degustação de vinhos “às cegas”, ou seja, com os convivas de olhos vendados, comandada pelo sommelier. Carícias proibidas se misturam aos goles. Não só Celeste se verá “embriagada” pelos encantos de Leandro. Mãe e filha também serão vítimas. Atração física pela primeira e amor pela segunda. Os poros do rapaz exalam “bouquet” de erotismo. Um quarteto bonito e movido a riscos e adrenalina. O esfacelamento do mesmo é iminente, provocado por ciúme e vingança. Ficamos intrigados com a misteriosa figura do afilhado de Jaime, João (Irandhir Santos), que desde já demonstrou fidelidade ao padrinho, apreço por armas (que nos leva a pensar numa possível premeditação de algo ilícito) e uma paixão estranha por Antônia. Enfim, alguém a ser temido. Outros nomes importantes que vieram das telas de cinema, assim como Irandhir, são Jesuita Barbosa, que interpreta Fortunato, amigo e conselheiro de Leandro, e Cesar Ferrario, como Bigode de Arame. No primeiro capítulo, percebemos de pronto influências cinematográficas na narrativa, que vão do “western” (há sem quaisquer exageros uma lembrança a Sergio Leone), passando pela violência despudorada de um Tarantino e pelo “árido movie” brasileiro, até chegar ao consagrado “road movie”, tão explorado por diferentes e veneráveis cineastas. José Luiz Villamarim conduz a sinopse com a habilidade e a engenhosidade que nos é conhecida desde “Avenida Brasil” e “O Canto da Sereia”. José é hoje, sem discussões, um dos melhores diretores de TV no país. A abertura (concepção de Zé Luís e execução de Alexandre Pit Ribeiro e Flávio Mac) é magnífica, uma clara e óbvia ode aos fotógrafos, com o “congelamento” em P&B de momentos marcantes dos intérpretes na minissérie. A trilha sonora (direção musical do imbatível Mariozinho Rocha) permeia toda a ação, jamais deixando de ser congruente e explicativa da cena. A prosódia dos atores está em consonância com a ambiência do argumento. O elenco, sem exceção, expressou total entrosamento e intimidade com a rica psicologia de seus personagens. A meritória fotografia de Walter Carvalho realça em todos os seus detalhes o panorama desolador do espaço sertanejo, com sua vegetação retorcida, suas estradas de terra e poeira, montanhas barrentas e vastos campos infinitos onde se vê o nada. Pode-se esperar com “Amores Roubados” um entretenimento que não poupará os telespectadores com um enredo envolvente, tentador, excitante e provocativo. Um pacto do sexo com a violência. Um conjunto de emoções cabíveis em um “thriller” regado à nudez, sensualidade e suprema beleza dos “pecadores” para a ira dos “traídos”. Em meio a tudo isso, as uvas, e toda a “sexualidade” que nelas pode estar contida.
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No círculo cinematográfico norte-americano, nos idos das décadas de 30, 40 e 50 (principalmente nestas duas últimas), atribuía-se às atrizes uma condição “sine qua non” para que despontassem no “establishment” industrial fílmico hollywoodiano: o “star quality”. “Star quality” significa tão somente possuir a qualidade de estrela, como o nome sugere. O talento nem era tão obrigatório, porém o binômio carisma/beleza era primordial, a ponto de levar multidões aos cinemas. Podemos citar algumas estrelas que obtinham não apenas o tal binômio, esbanjando também talento: as suecas Greta Garbo e Ingrid Bergman, a alemã Marlene Dietrich e as estadunidenses Lana Turner, Kim Novak e “a queridinha da América” Doris Day. É fácil perceber que não se exigia a nacionalidade ianque. Latinas eram exceções, como Carmen Miranda e Sarita Montiel. Em terras brasileiras, há intérpretes femininas que não fogem ao trinômio carisma/beleza/talento, como Paolla Oliveira, Patricia Pillar e Isis Valverde. A paulista Paolla, com lábios delgadamente desenhados e melenas castanhas em tons dourados, que ainda adolescente mostrou bonito rosto em campanhas publicitárias, e que se formou na Oficina Mazzaropi e na Escola de Atores Wolf Maya, conquistando o Brasil logo em sua estreia na Rede Globo, como a romântica Giovana de “Belíssima” (recebeu o Prêmio Qualidade Brasil como Atriz Revelação; fora indicada para outras láureas), de Silvio de Abreu, emociona e impressiona o público telespectador com sua destemida Paloma no folhetim de Walcyr Carrasco das 21h, “Amor à Vida”. A disciplinada pediatra e presidente do Hospital San Magno tem sofrido desde o início da trama reveses sequenciais. Conheceu o homem errado em país andino, Ninho (Juliano Cazarré), engravidou deste, descobrira de súbito ser adotada, sofrera com constância reprimendas da mãe adotiva Pilar (Susana Vieira), vira-se forçada a camuflar a gravidez, fora rechaçada pelo pai César (Antonio Fagundes) e expulsa da mansão dos Khoury, defrontara-se com o real caráter do amante Ninho, o “hippie chic” sombrio, e em fatídica noite dera à luz em podre banheiro de bar insalubre perdido no Centro da “selva das cidades”. Uma ex-chacrete parteira salva a sua criança, Márcia (Elizabeth Savalla). Entra em cena seu meio-irmão Félix (Mateus Solano), “o destruidor de skates que odeia ratinhas”, que se aproveitando do desfalecimento da moça em decorrência de hemorragias rouba a recém-nascida ainda suja de sangue e placenta, enrola-a em écharpe e a joga em caçamba de lixo nada “extraordinário”. Poucos dias depois, num emaranhado de acontecimentos arquitetados por outrem, Paloma pega no colo bebê de nome Paulinha, e sente intrigante sentimento maternal. Paulinha é a “filha” de Bruno (Malvino Salvador), o por agora bem-sucedido corretor de imóveis que faz as mulheres por ele se apaixonarem ao som de Bruno Mars. Um promissor cruzamento de olhares de homem para mulher ocorre. Um namoro se consuma. No entanto, um exame de DNA (muitos não gostam nem um pouco deste exame) muda toda a história anos após, e a irmã de Jonathan (Thalles Cabral) descobre ser a mãe biológica de Paula (Klara Castanho). Uma briga feroz de “progenitores” se desencadeia, com consequências jurídicas, até pacífico acordo. O pacifismo é curto. Alejandra (Maria Maya), que nunca foi santa, e Ninho, o “latin lover” inconformado sequestram a menina para quem não adianta dizer que a “conversa é de adulto”. Seguidas tantas intempéries, o casal se reúne e cuida da adolescente, até o instante em que o rapaz que produz obras de arte de gosto duvidoso decide lutar pela sua paternidade. O sombrio Ninho engendra série de artifícios para conquistar a neta de César, que coloca “dreads”, passa a “matar” aulas para patinar, ganha um tablet para combinação de encontros clandestinos e aprende a ser rebelde e desrespeitosa com o pai, chamado pelo oponente de “coxinha”, “burguês” e “careta”. No momento, a empreitada da Paloma de Paolla Oliveira, que foi a protagonista de dois “remakes” veiculados às 18h, “O Profeta” e “Ciranda de Pedra”, além de incorporar a vilania em “Cama de Gato”, como Verônica, é desmascarar a farsa de Aline (Vanessa Giácomo), a defensora da tese de que “a vingança é um cupcake que se come frio”, contra o seu severo pai. Ademais, terá que ouvir do algoz redimido Félix “coisas de que ela não vai gostar” (vale lembrar que numa das cenas mais impactantes da novela em questão – a revelação de que Paulinha fora deixada em uma caçamba de lixo, não só Mateus Solano brilhou, mas Paolla Oliveira também, com seus olhos esbugalhados em fúria, seus dentes trincados e grunhidos de mãe enganada, privada do crescimento da filha por largo tempo; o próprio Mateus disse em entrevista que sua interpretação elogiada só foi possível por causa da contrapartida dos colegas de elenco). Há um outro viés importante na personagem de Paolla, ou seja, o fato de ser uma médica exemplar, que se preocupa inclusive com questões sociais e pesquisas, algo com o qual não estamos muito acostumados. Num país onde o juramento a Hipócrates só tem validade e admiração nas portentosas formaturas, cujos futuros doutores esgarçam sorrisos brancos dignos de classes abastadas e lançam seus canudos rumo ao céu, e logo em seguida os dependuram emoldurados em sofisticados, confortáveis e bem refrigerados consultórios, cujas prepotentes secretárias só permitem a nossa entrada mediante pagamento adiantado. A Medicina virou um “mercado livre”. A agência de notícias Bloomberg analisou em 2013 o sistema de saúde de 48 países e chegou à triste conclusão de que o Brasil, “o país do futuro”, está em último lugar, ficando atrás de Romênia, Peru e República Dominicana. Os planos de saúde são caríssimos e não correspondem aos atendimentos. Os hospitais públicos estão sempre sucateados, com corredores lotados de pacientes tratados na base do improviso. Já os privados “cinco estrelas” servem aos ricos e poderosos. O desvio de verbas públicas para a saúde são rotineiros. Médicos faltam a plantões, e só vão aos hospitais assinar o ponto. Erros médicos. Médicos em páginas policiais. Consultas amparadas no “achômetro”. Exercício ilegal da Medicina. “Doutores” que se recusam a ir para o interior cuidar de populações carentes, a ponto do Governo lançar programa para “importar” médicos da ilha de Fidel, que ainda por cima são discriminados pelos “profissionais” elitistas e protecionistas com seus jalecos limpos com o melhor alvejante. Paloma é, sem quaisquer suspeitas, uma das personagens mais bem construídas da novela de Walcyr Carrasco, e para Paolla, uma de suas atuações mais consistentes. Na TV, a artista ainda participou de especiais, seriados e humorísticos. Emprestou sua face de pintura à série de Luiz Fernando Carvalho, “Afinal, O Que Querem as Mulheres”. Freud deve ter ficado satisfeito. Misturou-se à garotada de “Malhação”. Mesmo paulistana, foi uma das “As Cariocas”, no episódio “A Atormentada da Tijuca”. E daí? Ser carioca é ter alma de carioca. Honrou a heroína romântica Marina da produção de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Diante daqueles que vão aos cinemas, pôde ser vista em curtas-metragens, e nos longas “Rinha”, de Marcelo Galvão; o sensual “Entre Lençóis”, de Gustavo Nieto Roa, com Reynaldo Gianecchini; “Budapeste”, de Walter Carvalho (embrenha-se no universo literário de Chico Buarque); “Eu e Meu Guarda-Chuva”, de Toni Vanzolini; “Uma Professora Muito Maluquinha”, de André Alves Pinto (vai fundo na ambiência lúdica do escritor e cartunista Ziraldo) e “Trinta”, de Paulo Machline (uma cinebiografia de Joãosinho Trinta). E já que iniciamos este texto abordando o significado de “star quality”, terminemos da mesma forma. Paolla Oliveira, ao protagonizar “Amor à Vida”, consolidou irreversivelmente a sua posição de estrela talentosa. Um trabalho que abre novos caminhos para Paolla. Paolla Oliveira, uma “atriz sem fronteiras”.
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![057[1]](https://blogdopauloruch.com/wp-content/uploads/2014/01/0571.jpg?w=564&h=445)
Uma cena da série “Três Teresas”, exibida pelo GNT, uma produção da Bossa Nova Films, dirigida por Luiz Villaça e Cláudia Alves, com Enrique Diaz e Denise Fraga, pôde ser conferida pelos convidados que visitaram o stand da Nativa SPA – O Boticário no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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A Nativa SPA – O Boticário não mediu esforços na decoração de seu stand no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá, como pode se ver, com a presença de um espelho vertical com iluminação interna, uma cômoda, prateleiras, vasos (alguns deles servindo de base para orquídeas), cortina etc.
As cores preponderantes do décor foram o lilás, o roxo e o vinho.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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Foto: Divulgação do espetáculo “Talvez”O título acima não fora por mim pensado casualmente. Álamo Facó tem feito sucesso, agradando tanto à crítica especializada quanto ao público, em todos os projetos artísticos para os quais fora escalado. Porém, todo esse êxito não viera à toa, num repente. É produto de muito estudo, prática que vem desde a pré-adolescência no O Tablado, experimentações diversas com nomes do mais alto relevo, como Maria Clara Machado, Amir Haddad, Domingos de Oliveira, Juliana Carneiro da Cunha e Hamilton Vaz Pereira. Uma prova desse sucesso pôde por nós ser apreciada na terça-feira no último episódio de “A Mulher Invisível”, seriado da Rede Globo inspirado no filme de Cláudio Torres. Álamo só fez corroborar, como o já fizera na temporada anterior e na atual, o talento que possui na pele de Wilson, o funcionário da agência de publicidade de Clarisse (Débora Falabella), que é o melhor amigo e confidente de Pedro (Selton Mello). As cenas que protagonizara demonstrando as crises de identidade de Wilson foram divertidíssimas. Já no teatro, após ter dividido a ribalta com Marco Nanini (com quem já trabalhara em “A Grande Família”), no espetáculo “Pterodátilos”, de Nicky Silver, dirigido por Felipe Hirsch, o ator está em cartaz no Rio de Janeiro com o monólogo “Talvez”, escrito por ele mesmo, cuja direção coube a César Augusto. No palco, Álamo Facó interpreta Dário, um homem com sentimentos que transitam pelo campo do amor beirando o da loucura. A trama se passa toda dentro de uma casa, na qual o indivíduo decide permanecer até que Rita, a mulher por quem se apaixonou, retorne de viagem. Enquanto isso, ambos comunicam-se exclusivamente por um notebook. Uma curiosidade: a plateia conhece Rita apenas por meio de vídeos, e claro, pelas mensagens que ela envia. Esta peça tange à contemporaneidade, apesar de ter sido escrita há sete anos, com apresentações desde 2008. Aliás, foi em uma destas que Marco Nanini convidou Álamo para integrar “Pterodátilos”. No cinema, o intérprete está no aclamado “O Palhaço”, de Selton Mello, ao lado do próprio Selton, Paulo José e Cadu Fávero. Seu papel é João Lorota. Todavia, a carreira nas telas é extensa. Dentre os longas-metragens dos quais participara, estão “Qualquer Gato Vira-Lata”, de Tomás Portella, “Tropa de Elite”, de José Padilha, “O Maior Amor do Mundo”, de Cacá Diegues, “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, “Mateus, o Balconista”, de Cavi Borges e Pedro Monteiro, “Não Se Pode Viver Sem Amor”, de Jorge Durán e “Carioca”, de Julio Secchin. Retornemos ao teatro. Dirigira, por exemplo, “Tribos e Farras”. E como ator, dentre tantas produções, “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse e “Entre Quatro Paredes”, de Jean-Paul Sartre. Ingressou na Companhia dos Atores, e por um tempo viajou com o projeto Auto-Peças. Agora, ainda no que concerne à sua formação, esteve na Inglaterra, onde na Hanley Castle School estudou Interpretação, Dança e Literatura Inglesa. Encenou “On The Edge”, de Hazel Hickling. Cursou Cinema, especializando-se em Roteiro. E na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Interpretação. Ganhou o Prêmio Sustain de Melhor Ator. Quanto ao próximo ano, Álamo está cheio de ideias, sejam a de encenar peças seja a de levar adiante o sonho de ver “Talvez” adaptado para o cinema. Como sabemos que Álamo Facó é um ator que atua com sucesso em todas as frentes…
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A Nativa SPA – O Boticário contava com um qualificado staff que atendia às convidadas com massagens, e caso quisessem make & hair, no Fashion Rio Outono Inverno 13/14 (Píer Mauá).
Os serviços oferecidos pela marca brasileira de cosméticos foram bastante solicitados.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: Alessa
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