“Tânia Khallil é dócil. Ayla é dócil. Espera aí, até que mexam com Zyah.”

Publicado: 31/03/2013 em Cinema, Moda, Teatro, TV

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Foto: Divulgação/TV Globo

Se em “Fina Estampa”, novela anterior de Aguinaldo Silva, Tânia Khallil interpretou Letícia, uma professora de Literatura, recatada, mãe de uma filha, que morava com esta e com a mãe, e era fechada para o amor (o que se resolveu em capítulos posteriores), em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, sua novela atual, Tânia é Ayla, uma aldeã, também recatada, que em grande parte da obra conviveu com a meia-irmã Tamar (Yanna Lavigne) e a madrasta que tem como mãe Sarila (Betty Gofman), e que nunca fora fechada para o amor. Muito pelo contrário. A doce Ayla sempre acalentou sentimento amoroso de caráter platônico pelo mais famoso guia turístico de Istambul e Capadócia, na Turquia, Zyah (Domingos Montagner). Como recitava Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra…”. A pedra no meio do caminho de Ayla é Bianca (Cleo Pires). Sempre se deixando levar pelo assédio das turistas que guiava, motivadas pela fantasia de sedução do homem rústico de país diferente, Zyah nos intervalos entre mostrar uma caverna ou um templo as convidava para lhes mostrar sua acolhedora caverna. Em certa ocasião, a turista da vez nada acidental Bianca (então se esqueçam de William Hurt e Geena Davis em êxito cinematográfico de Lawrence Kasdan), inebriou-se não só pelas maravilhas dos territórios turcos, mas pelas maravilhas de quem a guiava. Ayla, a moça apaixonada de bonitos cabelos ondulados, ora presos, vestida com trajes campesinos, viu que o vento levara o seu único amor para debaixo do tapete que tecia. Incompatibilidades (substantivo no plural que serve de justificativa costumeira para o término de vários romances) levaram à dissolução do relacionamento que se formou após sobrevoo no Atlântico. Com a interrupção do enlace de Ayla com rico comerciante de joias por Zyah, os dois se casam. E tudo ao som da belíssima canção do americano Jason Mraz, “93 Million Miles”. Passam a viver um amor digno de novela. Porém, a calmaria deu lugar à tempestade com a chegada de Bianca, que reviu seus conceitos. Decisão precipitada da eterna turista. Zyah está irredutível, embora confuso. O guia não tem quem o guie. O guia se perdeu no próprio mapa da sua vida. Se Vó Farid (Jandira Martini) não consegue aconselhá-lo… Bianca então começa a se utilizar de artifícios para a reconquista da paixão perdida. Calma, Bianca. Esqueceu-se de Ayla? Ela é dócil, todavia vão mexer com o seu marido… A sua docilidade muda algumas sílabas e vira ferocidade. Defende seu casamento com garras nunca antes vistas. Uma guerra particular sem armistícios. Enquanto isso, o perdido em pensamentos Zyah vive um dilema: manter o matrimônio tradicional com Ayla onde há amor e respeito ou apostar em paixão aventureira em que a permanência não possui certificado de garantia? Há os que torcem por Ayla e os que torcem por Bianca. A decisão é sua. Melhor dizendo, a decisão é da autora. Este é mais um papel de destaque da atriz paulistana Tânia Khallil, que também é bailarina, inclusive clássica (trabalhou em importantes companhias de dança), e psicóloga. É uma intérprete preparadíssima. Estudou a valer em inúmeros cursos: formou-se pela Cármina Escola de Atores, teve aulas com Wolf Maya, Beto Silveira, Magno Azevedo e Márcio Mehiel, além do Teatro Escola-Macunaíma e Oficina de Interpretação para Teatro Oswaldo Boaretto. Especializou-se em locução e apresentação para a TV. Foi modelo. Sua estreia com apelo nacional na televisão se deu pelas mãos do diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya, que a escalou para a produção de Aguinaldo Silva, “Senhora do Destino”, como a temperamental e obsessiva Nalva. A pilantragem a acompanhou em obra de João Emanuel Carneiro, “Cobras & Lagartos”, como Nikki. Deu o ar da graça em “Pé na Jaca” e alguns seriados. Duda, sua personagem em “Caminho das Índias”, fez parte de sexteto amoroso que teve de ser engendrado por modificações na história, e no qual estavam Rodrigo Lombardi, Márcio Garcia, Juliana Paes, Murilo Rosa e Thaila Ayala. No teatro, deixou sua marca em um dos mais bem-sucedidos textos de Naum Alves de Souza, “No Natal a Gente Vem te Buscar”, além de incorporar papéis criados tanto por Nelson Rodrigues quanto por Luis Fernando Verissimo e Larry Shue. Sentiu o doce sabor de ver um musical infantil para o qual colaborou como atriz, “Grandes Pequeninos”, baseado no livro/CD de seu marido Jair Oliveira, sendo indicado para o Grammy Latino. Esteve ainda com o parceiro de novela Dalton Vigh no espetáculo “Vamos?”. Na tela grande, juntou-se a Isaiah Washington e Murilo Rosa em filme “sci-fi”, Área Q”, dirigido por Gerson Sanginitto. Colaborou para alguns curtas (dentre eles, “Inocente” foi selecionado para o Festival Internacional do Cinema Latino, em Los Angeles). Falamos de Tãnia Khallil. A dócil e bela Tânia Khallil. E falamos de Ayla. A dócil e bela Ayla. Chega-se à conclusão de que 93 milhões de milhas de distância não seriam capazes de separar Ayla de Zyah. Mas, uma “distância” de nome Bianca.

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