Arquivo de julho, 2014

Império
Foto: Alex Carvalho/TV Globo

José Alfredo (Alexandre Nero), um homem sério, poderoso e introspectivo, sobrevoa em seu moderno helicóptero, ao lado da filha Maria Clara (Andreia Horta), o exuberante e inacreditável Monte Roraima, com seus abissais desfiladeiros, véus de noiva inefáveis e vegetação típica (as locações ficam em Carrancas, município de Minas Gerais), o seu “império”, onde construiu a própria história de riqueza, conquistas e superação pessoal. Nas belíssimas tomadas aéreas, e após em terra, à beira do profundo sem fim, José Alfredo reaviva suas memórias, revolve suas reminiscências, busca todo o caminho que trilhou até o altaneiro posto que ocupa atualmente. Somos então transportados para a fase jovem do personagem (Chay Suede), que se passa no Rio de Janeiro. O rapaz, desempregado e sem guarida, procura o irmão Evaldo (Thiago Martins), tosco moço casado com a infeliz e passiva Eliane (Vanessa Giácomo), irmã da cruel, manipuladora e dissimulada Cora (Marjorie Estiano), desde já a grande vilã da trama. O casamento de Evaldo e Eliane está falido. Não há resquício de amor. O sexo é violento, obrigatório e “consentido” pela esposa. A partir do encontro entre Alfredo e Eliane, irrompe avassaladora e perigosa paixão. Uma imperiosa referência rodriguiana. Os meses passam e o risco recrudesce. Promessas do casal deitado na relva visto do alto são romanticamente feitas. Gritos de amor perdidos no ar são bradados. Juram um para outro fugir da vida que levam e desenhar uma nova. Cartas serão escrevinhadas com o propósito de que o traído seja informado de sua desgraça. Combinam se encontrar na rodoviária para escapar. Imprevisto decorre. Eliane se descobre grávida (a filha, papel de Leandra Leal, é de José, e ela lutará no futuro para provar a sua condição), e Cora entra em cena com seu calculismo. Vai até ao local da partida, diz ao enamorado que sua amada está grávida do marido e de que não mais deseja vê-lo. Alfredo jura de que nunca ouvirão falar de seu nome. A contragosto, a moça que trocou carícias com o namorado ao som da bonita “Aonde Quer Que Eu Vá”, dos Paralamas do Sucesso, mantém o casamento com Evaldo, que acredita na versão engendrada pela maquiavélica Cora. Toda a conversa entre Alfredo e Cora é escutada por misterioso senhor, Sebastião (Reginaldo Faria), que a princípio repreende o rapaz choroso e depois lhe promete um emprego, uma chance de vida se lhe contar uma história que o comova. A impressão que tivemos foi de que Sebastião estava à procura de um sucessor para comandar o seu negócio de garimpagem. A nova novela das 21h escrita por Aguinaldo Silva, “Império”, com direção geral de Rogério Gomes, Pedro Vasconcelos e André Felipe Binder, prossegue com a viagem dos recentes amigos, na verdade patrão e empregado (como guarda-costas) rumo ao local que pode “ser tanto o fim do mundo como apenas o começo deste”. Já em meio a suados garimpeiros, sabe-se por meio de bruto homem com dentes de ouro, Bigode (Ed Oliveira), de que houve assassinato (ele mesmo fora o autor do crime, motivado por cobiça, e as próximas vítimas, segundo Sebastião, serão ele e João Alfredo). Na calada da noite, um imprudente cochilo de José permite que o seu empregador seja morto. Um tiro desferido pelo herdeiro contra Bigode muda o entrecho. Por orientação anterior de Sebastião, o irmão de Evaldo viaja para Genève, na Suíça, com o intuito de conhecer Braga, uma circunspecta Regina Duarte. Inicia-se o “império” de José Alfredo, o Comendador. O texto de Aguinaldo Silva é bastante atraente e caprichado nos diálogos, apostando nos atores que escalou, num enredo no qual logo se testemunharam romance, adultério, acerto de contas com o passado, ambição e disputa pelo poder. Ferramentas infalíveis para se prender o olhar atento dos telespectadores. Rogério Gomes, com sua larga experiência na teledramaturgia, aprimora-se cada vez mais, escorado pela preciosa eficiência de sua equipe. Eles brincam com a câmera, com a velocidade do movimento das imagens, com a angulação das posições dos atores, dando uma roupagem interessante à narrativa visual. A trilha sonora é diversificada (incluindo o tema da elegante abertura, “Lucy In The Sky With Diamonds”, dos The Beatles, interpretado por Dan Torres), Cartola (“Preciso Me Encontrar”), Bread (“Everything My Own”) e Carla Bruni (“Quelqu’un m’a dit”). A direção musical é de Mariozinho Rocha. O primeiro capítulo não lograria o pleno êxito se não obtivesse em seu “cast” intérpretes de inquestionável competência e credibilidade que cumpriram demasiado bem a demanda do perfil de seus papéis, como Alexandre Nero, Marjorie Estiano, Vanessa Giácomo e Andreia Horta. Thiago Martins criou com verdade seu bronco Evaldo. As participações especialíssimas de Regina Duarte e Reginaldo Faria enobrecem qualquer obra em que estejam. E talvez a mais grata surpresa da estreia tenha sido a atuação segura de Chay Suede como José Alfredo na mocidade. Chay é bonito, firme, administra com eficiência suas emoções e gestual (sem excessos), faz adequado uso da voz (com o sotaque do personagem atendido com naturalidade), enfim, um artista que caminha para o sucesso. Ainda há um forte time de atores que está por vir, como Lilia Cabral (Maria Marta), José Mayer (como o homossexual enrustido, casado, pai de um filho homofóbico, que tem um caso com Leonardo, Klebber Toledo), Paulo Betti (um jornalista mal-intencionado e efeminado), Zezé Polessa, Drica Moraes (Cora), Malu Galli (Eliane), Jackson Antunes, Erom Cordeiro, Suzy Rego, Caio Blat, Daniel Rocha e Paulo Vilhena. Haverá as bem-vindas presenças de Nanda Costa, Rafael Cardoso, Maria Ribeiro, Rafael Losso, Juliana Boller, além de outros tão aguardados quanto. “Império” detém palpáveis instrumentos para consolidar uma boa audiência no horário nobre, apresentando-se como um folhetim instigante, provocativo e com intensa carga dramática, entremeada pela verve cômica notória de Aguinaldo Silva. Assistiremos a pessoas que sabem ou não se relacionar com um “império”, sendo amantes ou não umas das outras, abençoados ou não por Deus, com ou sem pecados, não importa. Entretanto, todos inapelavelmente membros de um mesmo “Império”.

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Um close-up do rosto do modelo com maquiagem tribal fotografado por Murillo Meirelles, com direção de arte de Alex Wink, na exposição “Na Floresta”, instalada na área comum do Fashion Rio Verão 2014/2015, na Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

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Na área comum do Fashion Rio, havia imensos painéis fotográficos decorativos cujo tema era “Na Floresta”.
As imagens foram registradas por Murillo Meirelles, com a direção de arte de Alex Wink.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

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A atriz Camila Pitanga, fotografada por Murillo Meirelles, com direção de arte de Alex Wink, tendo como tema “Na Floresta”, pôde ser vista em um painel fotográfico gigantesco que ornamentava a área comum do Fashion Rio Verão 2014/2015.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

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No charmoso deck montado defronte à Baía de Guanabara, a produção do Fashion Rio dispôs sofás de junco com estofados e almofadas brancas e pretas, ladeados por vasos com palmeiras naturais.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

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Pouco antes de iniciar a edição Verão 2014/2015 do Fashion Rio, que ocorreu desta vez na Marina da Glória, podia-se admirar no lado externo do evento que ao entardecer o céu estava nublado, porém belo.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

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Entrada da principal semana de moda carioca, o Fashion Rio, em sua edição Verão 2014/2015, realizada na Marina da Glória.

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: Coca-Cola Jeans

Zorra Total
Foto: Blenda Gomes/TV Globo

Para mim, os personagens de Rodrigo Sant’Anna e Thalita Carauta chegaram aos poucos. O percebimento da repercussão daqueles no humorístico da Rede Globo, “Zorra Total”, deu-se ora por comentários e elogios nas redes sociais, ora por matérias veiculadas nas mídias especializadas. Era hora então de eu mesmo conferir o que Valéria Vasques e Janete tinham a me dizer. E o que vi me provocou gargalhadas que há muito não dava em se tratando de programas do gênero. Tudo se passa num lotado vagão de metrô. A transexual Valéria, cujo nome era Valdemar, abolido após operação de mudança de sexo, é sempre descoberta por sua amiga Janete, que cisma em chamá-la de início, e em alto e bom som, pela identificação de origem. O relacionamento de ambas é dúbio. Uma amizade que funciona à sua maneira. E talvez esteja aí o segredo do sucesso do quadro que se tornou a grande atração das noites de sábado. A caracterização de Valéria Vasques (roupas coloridíssimas e maquiagem carregada) é de maneira proposital “over”. E por esta causa risível. Janete não fica atrás, haja vista que ganhara peruca desproporcional à fragilidade de seu corpo, além da vestimenta simplória. Os tons e inflexões de vozes de Rodrigo e Thalita contribuem sobremaneira para alimentar o humor da situação. Há ainda outros elementos de comicidade singular que merecem citação. As cantorias inesperadas da transexual sejam em Inglês ou Português; o fato de Valéria comumente indicar a semelhança de alguém que lhe está próximo com alguma celebridade; e quando ordena às pessoas para que parem com a “palhaçada de baterem palmas pois não é seu aniversário”. Agora, quanto ao caráter dúbio sobre o qual falei “a priori” que sublinha a relação das duas (sim, no feminino), faz-se obrigatório mencionar a saraivada de impropérios (alguns poderão argumentar que são politicamente incorretos) que são dirigidos à moça de compleição franzina. Como pode uma amizade se sustentar desta forma? Suponho que por duplo motivo: Valéria alterna esta postura ofensiva e eivada de agressividade com outra na qual demonstra afeto; e a propalada inocência de Janete que a impele a crer que as desfeitas, em sua maioria estéticas, são frutos de brincadeira. E o que torna o papel de Thalita tão engraçado quanto o de Rodrigo? A jovem se acha sexy, sedutora, e discursa com palavras que beiram o pouco usual a impressão que tem acerca de seus desejos próprios, e a beleza que julga possuir. Ademais, um acontecimento corriqueiro quando elas invariavelmente se encontram garante riso certo nos telespectadores. Existe de modo infalível um homem que se posiciona por trás de Janete, e a bolina. A reação da assediada é hilariante. E a experiência termina com ela indignada reclamando com a parceira a respeito da tentativa de conquista. E Valéria decide tomar as dores da “vítima”. Só que sua carne é fraquíssima. E se deixa repetidas vezes se encantar pelos supostos atributos do bolinador. O percurso do metrô indica o destino final. Valéria e Janete aprontaram tudo o que tinham o que aprontar. Deram o seu recado. Um recado que transformou o quadro do “Zorra Total” em sucesso total. E já se pode falar na próxima semana sobre as últimas das passageiras de metrô mais famosas da atualidade.

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Divulgação/TV Globo

Chove torrencialmente sobre nababesca mansão, na qual acontece uma grande festa. Convidados elegantes dançam, bebem, riem, seduzem e são seduzidos, sob múltiplas luzes a espocar de lado a outro, num ritual insano de luxúria e hedonismo. Lá fora, repousa de bruços na superfície de uma piscina de águas cristalinas um ponto negro. Um corpo. Morto, assassinado. Bruno Ferraz (Daniel de Oliveira), diretor de tecnologia da empreiteira Mahler Engenharia, cuja dona é a bela, poderosa e ambígua Angela (Patricia Pillar), herdeira do marido, que falecera junto com os seus dois filhos em um acidente. Bruno entrara na corporação a convite da própria Angela e da diretora jurídica Gilda (Cassia Kis Magro), uma mulher amarga, irascível, impulsiva, maliciosa e adúltera (manteve um caso com o ambicioso rapaz vítima do crime; seu marido, o inescrupuloso e antiético advogado Bernardo, interpretado por José de Abreu, executivo da Braga Engenharia, que pertence a Carlos Braga, defendido por Tony Ramos, que também não prima pela probidade, da mesma forma trai a esposa com Mirna, papel da atriz Bianca Müller). Elas lhe fizeram uma indecente proposta: espionar a concorrência. Cobiçoso, Bruno aceita com a condição de ter o seu salário supervalorizado. Por sinal, Bernardo e Carlos estão na iminência de serem desmascarados caso um dossiê que revela uma licitação fraudulenta venha à tona. Bruno, ao se tornar membro do alto escalão da empresa, provoca uma cadeia de relações que envolvem tanto a filha adotiva de Angela, a emotiva e depressiva Duda (Sophie Charlotte, com bonitos cabelos curtos), que se apraz em cantar de modo embargado “Sua Estupidez” em pleno palco do rega-bofe (torna-se de imediato alvo de numerosos comentários do circo das redes sociais) e Gilda, como já fora dito. Isto é tão somente parte do que vimos na interessantíssima estreia de “O Rebu”, nova novela das 23h da Rede Globo, escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, inspirada na obra homônima de Bráulio Pedroso que fora ao ar em 1974 na mesma emissora, com direção geral e de núcleo de José Luiz Villamarim. Uma história regada a muito suspense, traição, sensualidade, conflitos familiares, rivalidades figadais, onde parece não existir espaço para heróis. Com a sempre deslumbrante fotografia de Walter Carvalho, que agora aposta em matizes azulados e acinzentados, que imprimem uma apropriada sobriedade visual à trama, “O Rebu” nos promete expectativas e emoção numa sinopse que se passa em 24 horas (na verdade, são três fases: a festa em si, o dia seguinte com as investigações e flashbacks). Não faltarão ganchos, clímax e bastante mistério. Tendo em mãos um rico elenco, Villamarim, que desde “Avenida Brasil”, passando pelas minisséries “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados”, tem se firmado em definitivo como um dos expoentes da recente geração de talentosos e inventivos diretores da teledramaturgia, utilizou-se no primeiro capítulo de tomadas de cena, ângulos, passeios de câmera, “close-ups”, todos nitidamente diferenciados, o que de pronto conquista o público ávido por qualidade e inovação de linguagem. Assistimos a atores experientes e aqueles que a cada trabalho se estabilizam como bons intérpretes. Houve um desfile de excelentes atuações de Patricia Pillar (na versão anterior o seu posto era masculino, e coube a Ziembinski, ator polonês, ocupá-lo, como Conrad Mahler), Tony Ramos, Vera Holtz (Vic Garcez, endinheirada e ciumenta viúva, que se apaixona por Kiko, Pablo Sanábio, que por sua vez passa a viver um romance com a psicóloga Camila, personificada por Maria Flor, casada com o enigmático Oswaldo, personagem de Julio Andrade), Cassia Kis Magro, José de Abreu, Camila Morgado (Maria Angélica, a lasciva filha de Vic), Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Mariana Lima (Roberta Camargo, a promoter da festa) e uma das apostas jovens tanto da TV quanto do cinema, Jesuíta Barbosa, que faz o errante, delinquente e arrivista Alain. Tivemos as presenças bem-vindas de Jean Pierre Noher (como um prestigiado chef) e Cyria Coentro (mãe de Alain). Aguardemos as credibilidades dramáticas dos ótimos Marcos Palmeira, como o delegado Nuno Pedroso e Dira Paes, como a policial Rosa. Além de Michel Noher, que dará vida a um piloto campeão mundial de Fórmula 1, Antonio Gonzalez. Amparada numa larga rede de intrigas, conspirações, conluios, ajustes espúrios, ciúme, ressentimentos de diversos gêneros, romances e adultérios, com cada integrante do enredo sendo um potencial suspeito da morte de Bruno Ferraz, “O Rebu” não deixará de causar um certo rebuliço ao cair da noite. E se à primeira vista tivemos um corpo que caiu sobre a cristalina piscina dos Mahler, ao final o algoz deste mesmo corpo que boia cairá sobre o frio piso de uma cela. Ou quem sabe, em qualquer outro lugar sequer imaginado.


A atriz Debora Bloch no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
Debora nasceu em Belo Horizonte, MG, e muito jovem frequentou um curso ministrado pelos atores e diretores Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque e pelo diretor Amir Haddad, no Teatro Ipanema, RJ, fundado pelos dois primeiros e cenário de montagens históricas, fato que fez com que não tivesse mais dúvidas quanto à escolha de sua profissão.
A estreia teatral de Debora ocorreu em grande estilo, na peça “Rasga Coração”, de Vianinha.
Junto com Chico Diaz, Andréa Beltrão e Pedro Cardoso cria um dos grupos de maior sucesso no panorama cênico da década de 80, o “Manhas e Manias” (receberam bastantes prêmios).
Já na televisão, no caso a Rede Globo, sua interpretação pôde ser conferida e aplaudida na novela de Silvio de Abreu, que ia ao ar às 19h, “Jogo da Vida” (sua personagem se chamava Lívia, era filha de Jordana, Glória Menezes, e namorada de Jerônimo, Mário Gomes, e por esta atuação recebeu a láurea de “Atriz Revelação” concedida pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Logo no ano seguinte, 1982, integrou o elenco de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, no horário nobre, folhetim em que viveu um lindo romance com Abel, um deficiente auditivo defendido por Tony Ramos.
Após incursões em “Casos Especiais” e no seriado “Armação Ilimitada”, ganha um de seus mais marcantes papéis, na produção escrita por Silvio de Abreu, “Cambalacho”, em que personificou a mecânica masculinizada porém romântica Ana Machadão.
Dois anos depois, em 1988, Debora Bloch simplesmente fez parte de um dos programas de humor mais revolucionários da TV brasileira, que rompeu com uma série de padrões preestabelecidos, “TV Pirata”.
Faltava-lhe uma minissérie, e lhe surgiu o convite para ser a protagonista de “A, E, I, O… Urca” (como o próprio nome diz abordava os tempos áureos do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro).
Toma uma decisão significativa, ao resolver mudar de emissora, o SBT, e ser uma das atrizes principais de “As Pupilas do Senhor Reitor”, telenovela baseada no romance homônimo de Júlio Diniz, dirigida por Nilton Travesso.
Entre 1995 e 1996, a artista teve um belo momento em sua trajetória ao ser escalada para vários episódios de “Comédia da Vida Privada” (inspirados nas crônicas de Luis Fernando Verissimo) e “A Vida Como Ela É” (as crônicas de Nelson Rodrigues serviram de base para as tramas).
Seu pioneiro encontro com os autores Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa aconteceu em “Salsa e Merengue”, como Teodora.
Em “Andando nas Nuvens”, de Euclydes Marinho, foi uma jornalista, Júlia Montana.
Nas comemorações pelos 500 anos do Descobrimento do Brasil, esteve na minissérie “A Invenção do Brasil”.
Antes da Madô de “A Lua Me Disse” (novamente de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa), Debora contribuiu com sua conhecida verve cômica para diversas produções humorísticas, como “Doris para Maiores”, “A Grande Família”, “As 50 Leis do Amor” e a “Vida ao Vivo Show”.
Retorna às minisséries, como “JFK”, “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes” e “Queridos Amigos”.
Em “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, foi vítima da psicopata Yvone, interpretada com verossimilhança por Letícia Sabatella.
Fez uma divertida dupla com Wladimir Brichta em “Separação?!”.
Foi uma nobre, a Duquesa Úrsula, na novela que encantou o público, “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes.
Lutou pelo amor de Cadinho (Alexandre Borges), ao lado de Carolina Ferraz e Camila Morgado, no fenômeno de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”.
No “remake” de “Saramandaia”, apaixonou-se pelo lobisomem Professor Aristóbulo de Gabriel Braga Nunes.
No cinema, o seu “début” não poderia ter sido mais avassalador: protagonizou “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues (tornou-se musa do cinema nacional; ganhou o Prêmio Air France).
Vieram demais longas metragens, como “Noites do Sertão”, de Carlos Alberto Prates Correia (prêmios em Brasília, Gramado e Cartagena, Colômbia); “Veja Esta Canção”, de Cacá Diegues (premiada nos EUA e novamente pela APCA); “Patriamada”, de Tizuca Yamasaki; “O Grande Mentecapto”, de Oswaldo Caldeira; “A Ostra e o Vento”, de Walter Lima Jr.; “Bossa Nova”, de Bruno Barreto; “Caramuru – A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes, e “À Deriva”, de Heitor Dhalia, dentre outros.
Na ribalta, com o grupo “Manhas e Manias”, encenou “Brincando com Fogo” e “Recordações do Futuro” (além de produções infantis).
Fora vista nos espetáculos, êxitos de público e crítica, “Fica Comigo Esta Noite”, “5 x Comédia”, “Duas Mulheres e um Cadáver”, “Tio Vanya” e “Brincando em Cima Daquilo”.
No momento, Debora Bloch é uma das protagonistas da novela das 18h escrita por Lícia Manzo, “Sete Vidas”, que está em sua penúltima semana (Debora interpreta uma jornalista conceituada, Lígia, irmã da publicitária Irene, Malu Galli, que nutre uma forte paixão pelo ambientalista Miguel, interpretado por Domingos Montagner, o que acaba atrapalhando os seus planos iniciais de constituir uma família completa; a filha de Dália, Selma Egrei, é uma mulher magnânima e sensata, e num gesto admirável aceita e recebe com afeto os irmãos biológicos de seu filho Bruno).
Debora Bloch tem em vista, após o fim de “Sete Vidas”, a montagem de um texto teatral, cujos direitos da obra foram comprados por ela (trata-se de uma coletânea de contos da autora inglesa vencedora do Nobel de Literatura Doris Lessing; o espetáculo, que abordará o universo feminino, terá o nome “Hábito de Amar”).

Foto: Paulo Ruch

Agradecimento: R. Groove
Rio Moda Hype