Há personagens que demandam demais dos atores no que tange às suas potencialidades dramáticas. Outros personagens são, por assim dizer, monocromáticos. O que não é o caso de Nina, papel que cabe a Débora Falabella em “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro. Na segunda fase do folhetim, e por conseguinte, nas cenas posteriores, Débora teve que alternar repetidas vezes reações diversas que denotassem doçura, determinação, fragilidade, força, insegurança, dissimulação, e tantos outros substantivos que indiquem estados emocionais do ser humano. Além disso, a atriz mineira teve que lançar mão de dois sentimentos opostos simultaneamente: amor e ódio. Nina dedicou o primeiro aos que lhe foram bons, como Lucinda (Vera Holtz), quem a criara por certo tempo; Jorginho (Cauã Reymond), a quem ama desde a infância; Betânia (Bianca Comparato), a amiga de todas as horas; e Begônia (Carol Abras), a irmã adotiva. E o segundo aos que lhe foram cruéis, como Carminha (Adriana Esteves), Max (Marcello Novaes) e Nilo (José de Abreu). Com a virada da novela, ou seja, com Nina afinal pondo o seu plano de vingança em prática, a intérprete Débora Falabella utilizou-se de recursos que fossem representativos da frieza, da arrogância e da insensibilidade. Se o telespectador se esquecer por alguns instantes das maldades de Carmen Lucia, poderá apiedar-se dela. Para cada pessoa que assiste à trama consiste o direito de achar se a amante de Max é ou não merecedora do que está passando. No entanto, algo me despertou a atenção: Nina não possui todo o seu plano armado, já que ainda não sabe o que fazer quando Tufão (Murilo Benício) e família chegarem de Cabo Frio. E não podemos nos esquecer de que se o jogo se inverter, Carminha ficará pior do que já era. Já no que concerne à carreira de Débora, começou cedo com peças teatrais como “Flicts”, de Ziraldo. Sua estreia na TV deu-se em “Malhação”, ficando por período curto. O trabalho que lhe deu a primeira projeção foi a produção infantil gravada na Argentina, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Retorna à Globo para viver Cuca, de “Um Anjo Caiu do Céu”. Depois de ter sido laureada em importantes festivais de cinema pelo curta “Françoise”, recebeu a incumbência de personificar em “O Clone”, de Gloria Perez, a dificílima personagem Mel, uma dependente química com problemas de reabilitação. O primeiro papel histórico foi Sarah Kubitschek, na minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral, “JK”. Na área dos remakes, protagonizou “Sinhá Moça”. Em seguida a “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, foi uma vilã em “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Estrelou ao lado de Selton Mello, Luana Piovani e Álamo Facó, o seriado adaptado do filme homônimo “A Mulher Invisível”. Participou do especial de fim de ano “Homens de Bem”, com Rodrigo Santoro. Como atriz de televisão, também integrou o elenco de outras produções, como séries, programa humorístico, e obras como “Agora É que São Elas”, “Senhora do Destino”, e as minisséries “Um Só Coração” e “Som & Fúria”. No cinema, merecem destaque “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de José Jofilly, “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, “A Dona da História” e “Primo Basílio”, ambos de Daniel Filho, e “Meu País”, de André Ristum, dentre outros longas e curtas-metragens. No teatro, encenou “A Serpente”, de Nelson Rodrigues, e “Noites Brancas”, de Dostoiévski, por exemplo. O que nos resta agora é saber até quando Nina achará ótimo ser uma anti-heroína. Sendo ou deixando de ser, Débora Falabella continuará sendo ótima.
Categoria: Teatro
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Foto: Divulgação/TV Globo
Em 1988, estreava na televisão brasileira uma das mais importantes novelas já feitas, “Vale Tudo”, cuja autoria coube a Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. E no elenco, havia um núcleo de jovens atores formado por Marcello Novaes, Renata Castro Barbosa, Edson Fieschi, Flávia Monteiro e Fábio Villa Verde. Os personagens de Marcello e Edson frequentavam um clube, e praticavam natação. André, papel de Marcello, tornou-se amigo de Tiago (Fábio Villa Verde), o que gerou a desconfiança preconceituosa do pai do último, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), pois o filho não tinha namorada, era sensível, apreciava música clássica e de ler boa literatura. Acabou que Fernanda (Flávia Monteiro), que antes namorava André, passou a namorar Tiago. A partir daí, o intérprete garotão Marcello, que cursou O Tablado, no Rio de Janeiro, iniciou uma bem-sucedida trajetória na TV, emendando inúmeros folhetins (sobre os quais falaremos depois), até chegar ao Max de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Aliás, o seu jeito tipicamente carioca não o atrapalhou na diversificação dos papéis para os quais fora escalado, que vão do escrachado, passando pelo caipira, e tangendo o histórico. Hoje somos brindados quase que todos os dias com excelentes cenas de Marcello Novaes como o golpista das 21h. O ator que ostenta ótima forma física personifica um malandro que não costuma acertar na execução de suas tramoias. Os telespectadores mais benevolentes poderiam justificar as faltas de ética e escrúpulos, e a inacreditável megalomania à infância dura que tivera, e ao pai amoral que possui, Nilo (José de Abreu). Mas aí cairíamos naquela velha questão sociológica de que o homem é um produto do meio. O fato é que Max é uma pessoa que não tem o caráter ilibado. Não fosse assim, não teria sido o parceiro de tantos anos de uma das vilãs mais abjetas já vistas na teledramaturgia, Carminha (Adriana Esteves). Para os norte-americanos, Max seria tachado de “loser”, ou seja, um perdedor. Perdedor para eles não é aquele que perde sempre, mas o que mesmo tendo a oportunidade de vencer, de alguma maneira desperdiça a chance por vontade própria, e perde. Um exemplo disso em “Avenida Brasil”: Max recebe R$100.000,00 de Nina (Débora Falabella), um dinheiro que não lhe pertence, e ao invés de usá-los num investimento seguro, numa aplicação financeira, ou qualquer coisa que garantisse o seu futuro, decide dar-lhes como sinal na compra de um iate avaliado em R$500.000,00 (e ainda sequer recebera os R$400.000,00 que faltam para pagar a embarcação!). E para comprovarmos a sua fama de mau golpista, citemos que nada recebera dos R$50.000,00 da venda da casa de Genésio (Tony Ramos), o forjado sequestro de Carmen Lucia em que tudo deu errado, e a atrapalhada tentativa de arrombamento do cofre do então cunhado Tufão (Murilo Benício). Agora, no que concerne à carreira de Marcello, após a estreia em “Vale Tudo”, vieram as novelas “Top Model”, “Rainha da Sucata”, como Geraldo, “uma das filhinhas da mamãe”, “Deus nos Acuda” (em que refez Geraldo), “Quatro por Quatro”, obra na qual estourou ao lado da Babalu de Letícia Spiller, como o mecânico Raí, “Vira-Lata”, “Zazá”, “Andando nas Nuvens”, “Uga Uga”, “O Clone”, “Chocolate com Pimenta”, “América”, “Sete Pecados”, “Três Irmãs” e “Cama de Gato”. Trabalhou em diversos especiais e seriados. Integrou as minisséries “Chiquinha Gonzaga”, em que fora o marido da compositora na primeira fase da história, o rígido Jacinto Ribeiro do Amaral, “A Casa das Sete Mulheres” e “Dercy de Verdade”. Esteve em três fases de “Malhação”. No cinema, atuou no
longa-metragem de Rosane Svartman, “Desenrola”. E no teatro, estivera no musical “Rock Horror Show”. E para terminar este texto, voltemos a Max. Não sei quantas vezes pilotará o seu iate ainda não quitado. Deixemos que ele se sinta o máximo. Afinal, não podemos nos esquecer de que Max é o máximo do mínimo. -
Na semana passada, uma atriz muito querida do público, Natália Lage, foi entrevistada por Jô Soares, em seu talk show. A intérprete de Niterói, cuja primeira novela foi na Rede Globo, “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz, como Regina, filha dos personagens de José Wilker e Lucinha Lins, foi falar sobre sua atual peça, “JT – Um Conto de Fadas Punk”. A artista que mantém cabelos platinados, e trajava um cardigã preto vazado sobre uma também vazada blusa verde, junto a calças e escarpins escuros, após Jô ter mostrado o programa do espetáculo, conta-nos do que ele se trata. Mas antes o apresentador afirma que a história baseada em acontecimentos reais é tão famosa que rendeu até capítulo da série “Law & Order”. Natália então narra o que de fato ocorreu. Nos anos 2000, apareceu nos Estados Unidos um jovem escritor, JT LeRoy, que lançara um livro autobiográfico. E neste, relatava a infância difícil que tivera, morando nas ruas, envolvendo-se com drogas, tendo uma mãe que era prostituta… Com o lançamento do livro, segundo a artista, JT conseguiu por meio da literatura uma espécie de redenção, passou a ser reconhecido, badalado e famoso. Tempos depois, foi descoberto que JT LeRoy não existia, era um personagem, e quem na verdade escrevia os livros era Laura Albert, uma ex-cantora punk, que já trabalhara com disque-sexo. Entretanto, quem servia como figura pública era sua cunhada, Savannah Knoop, uma garçonete (papel de Natália). Savannah é homossexual, e JT, quem interpretava, também. Assim, para Natália, o desafio foi este: uma menina gay se fazendo passar por um menino gay. Savannah manteve a história com a imprensa por algum tempo. Houve a necessidade das aparições públicas (palestras, entrevistas…), e a cunhada foi incumbida desta missão, devidamente produzida com chapéu, peruca e óculos escuros. Como um dos elementos da trama é o disque-sexo, Débora Duboc, também atriz do elenco, emite sua opinião a respeito, e diz que Laura Albert (seu papel) afirmou em entrevista que muito do personagem que criara adveio das suas experiências no disque-sexo, por ter ouvido o que as pessoas tinham a lhe dizer. Laura, como curiosidade, fazia-se passar por mulheres de diferentes faixas etárias. Jô pergunta a Natália se teve dificuldades em criar o papel. Ela responde que no começo “ficou meio perdida de como começar a construção do personagem”, até que decidiu seguir o caminho de vivenciar o incômodo de algo que seria muito distante para uma pessoa. Afora, o “fascínio de estar ali, vivendo uma experiência louquíssima”. Natália assevera ainda que a função do espetáculo é mostrar como Laura Albert conseguiu agregar as pessoas em torno desta história tão insólita. Confirma que Savannah, com o passar dos anos, começou a se sentir confortável com o papel que desempenhava, a ponto de em certas ocasiões tirar o chapéu e os óculos. Tanto que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora da peça, Luciana Pessanha, e que participou do projeto com Natália desde o início, numa entrevista com JT, este já estava completamete relaxado, sem os disfarces que antes o acompanhavam. Quanto à ficha técnica da peça a direção é de Paulo José e Susana Ribeiro. E no elenco, além de Natália e Débora, estão Nina Morena, Hossen Minussi e Roberto Souza. Agora, fotos da peça são exibidas no telão. Jô indaga a Natália sobre a voz que usa. Ela respondeu que dá um tom mais grave, hesitante, “como alguém que ‘tá’ com medo de falar”. Em uma das fotos, aparece uma cena de briga que decorreu entre Asia Argento (Nina Moreno que a faz), filha do cineasta Dario Argento. Asia foi o pivô da briga entre Savannah e Laura. Asia Argento chegou a participar de um filme que se baseou no primeiro livro de JT, “Maldito Coração”. A entrevista está se aproximando do final, e um VT da novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi, em que Natália contracena com Mário Gomes é posto para que vejamos uma das passagens de sua precoce carreira. E assim ficamos sabendo um pouco mais desta extraordinária história irreal que nos fizeram crer que era real contada por uma atriz de real talento, Natália Lage.
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Foto: revistafashionnews.com
Leitores, finjamos que estamos circulando por um museu, e nos deparamos com um quadro no qual se vê pintado uma bonita mulher de cabelos curtos, e sorriso cativante com certo ar maroto. Ao lermos o que está escrito no informativo ao lado da pintura, somos comunicados que trata-se de Monalisa, e que é uma das principais personagens criadas pelo autor João Emanuel Carneiro para a novela das 21h da Rede Globo, “Avenida Brasil”. Quem acompanha o folhetim desde o início, já deve saber de cor e salteado definir esta pessoa por quem no limiar da trama Tufão (Murilo Benício) era apaixonado, e por ela correspondido. Mas o destino ou algo que não podemos precisar, colocou uma outra mulher dissimulada, ambiciosa, interesseira, esperta, malandra e mentirosa em suas vidas, Carminha (Adriana Esteves). Esta vil pessoa se utilizou dos piores estratagemas para lograr o que pretendia, ou seja, ter para si o ex-jogador de futebol. Para o contentamento de Muricy (Eliane Giardini), que nunca aprovou o romance, o noivado do casal acabou sendo desfeito. A dona do salão de beleza “Monalisa Coiffeur” resolve, decepcionada, retornar à sua terra natal, a Paraíba. Entretanto, sem antes ter recebido na época que estava para se casar um investimento maciço por parte de Tufão, que somado à sua fórmula bem-sucedida de alisamento dos cabelos, fez o negócio crescer com a abertura de diversas franquias, tornando-a uma mulher rica. Todavia, há uma questão importantíssima: Monalisa estava grávida do irmão de Ivana (Letícia Isnard), sua sócia e amiga, e não contou ao pai da criança. Na viagem de ônibus para o Nordeste, houve um acidente com o veículo, e a dona dos salões perdeu o bebê. Resolveu adotar um menino que ficou sem ninguém, Iran, que já rapaz é interpretado por Bruno Gissoni. Como se percebe, Monalisa é uma mulher guerreira, trabalhadora, algumas situações demonstraram que não leva desaforo para casa, e honesta. Gosta de ter a sua casa, e em mãos o controle remoto a hora que bem entender. Diz-se independente. Afirmou que não prezaria voltar a se unir com ninguém. Talvez por trauma. No máximo, uns encontros sem compromisso. E estes aconteciam com Silas (Ailton Graça), que desejava justo o contrário: casamento, morar junto… Até uma mentira lhe contou para que com ela ficasse de forma permanente. Na lua de mel, Monalisa descobriu a farsa, e rompeu o relacionamento. Contudo, não soube lidar com a solidão, e a carência física. Silas parece não a querer mais. E para complicar as coisas, sua melhor amiga Olenka (Fabiula Nascimento) passa a ter um “affair” com ele. Com a mudança de Iran para o apartamento de Jorginho (Cauã Reymond) na Zona Sul, Monalisa demonstra ainda mais o medo de ficar sozinha, e confessa a Olenka que seria capaz de se unir ao pai de Darkson (José Loreto), e com ele adotar um filho. A culpa da amiga só aumenta. A independência financeira não se estende à emocional. Já no tocante à sua carreira, Heloísa Périssé nasceu no Rio de Janeiro, mas morou por um período da adolescência na Bahia. A popularidade veio com a “Escolinha do Professor Raimundo”. Lá fez muito sucesso como a adolescente Tati (criação sua originária do enorme sucesso teatral “Cócegas”), que virou filme (dirigido por Mauro Farias, e que estreará em breve), livro, e um gibi com desenhos do cartunista Ziraldo. Como suas performances em sua maioria estavam atreladas à comédia, integrou variados especiais, séries, e programas do gênero, sendo o principal deles “Sob Nova Direção”, protagonizado por ela e Ingrid Guimarães. Fez parte ainda de “Chico Total”, “Zorra Total”, “Os Normais”, e os “Caras de Pau”. Afora outras atrações, Heloísa estreou nas novelas em “Cama de Gato”, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Depois, “Cordel Encantado”, das mesmas autoras. Todavia, as maiores oportunidades estariam por vir. Personificou com extrema verossimilhança a comediante Dercy Gonçalves na minissérie de Maria Adelaide Amaral, “Dercy de Verdade”. A atriz pôde mostrar ao público o quanto é capaz de alternar drama com comédia. O mesmo se dando agora em “Avenida Brasil”. Heloísa fez bastante teatro, como a já citada “Cócegas” e “Advocacia Segundo os Irmãos Marx”. E no cinema, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Xuxa Abracadabra”, “Sexo, Amor e Traição”, e “Muita Calma Nessa Hora”. Estará em “De Pernas Pro Ar 2”. E fez pela terceira vez a dublagem da animação “Madagascar” (“Madagascar 3: Os Procurados”). Chegamos à conclusão de que o talento de Heloísa Périssé está espalhado por todos os lados, e que talvez não caiba na moldura de um quadro. Mas mesmo assim, procurei fazer um retrato dela, e claro, um retrato de Monalisa.

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No capítulo de ontem de “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro, houve uma cena comovente envolvendo a personagem de Letícia Isnard, Ivana. Ela havia faltado a uma reunião de fornecedores de xampu apenas para dedicar o dia a Max (Marcello Novaes), seu marido. Este, como sempre, estava à beira da piscina pegando um sol. A sócia da rede de salões de beleza havia mudado o visual para lhe agradar: prendeu os cabelos que estão sempre soltos e escovados, e pôs vestido novo. Aproximou-se de Max com tom de voz infantilizado, e após ter dito as suas intenções, somente ouviu ofensas, grosserias e maldades daquele de quem não se esperaria algo diverso. Deixou-a sozinha. Ela vira o rosto, e chora. Depois, dirige-se à cozinha, e bebe em hora imprópria, o que despertou a atenção de Nina (Débora Falabella), que apesar de tê-la usado para trabalhar na mansão, sente pela empresária verdadeiro carinho. Ivana desabafa, e confessa que nunca se achou bonita (o que não corresponde à verdade), e que o rapaz que Carminha (Adriana Esteves) lhe arrumou fora o primeiro e único de sua vida. Nina então a incentiva de todas as formas, apontando as suas qualidades. De fato, nada do que a chef dissera fora mentira. Ivana tem muitos predicados. Só não teve culpa, como quase todos da família, de ter caído na lábia de picaretas profissionais. A filha de Leleco (Marcos Caruso) e Muricy (Eliane Giardini) parece estar num conto de fadas criado por ela mesma. Mora em um palacete, é rica, e supostamente havia encontrado o seu príncipe encantado. Só que o seu príncipe encantado pertence a outro conto de fadas. Um conto de fadas no qual ele é o vilão. E tanto acordada quanto adormecida pelos calmantes dados pelo marido, não enxerga na vida tampouco nos sonhos a crua realidade. Letícia Isnard está compondo com bastante talento a sua personagem. Quanto à sua formação artística, além de intérprete, é bailarina, tendo frequentado festivais nacionais e internacionais. Conquistou o primeiro lugar no concurso Conselho Brasileiro de Dança. Uma curiosidade: cursou Ciências Sociais na PUC-RJ, e fez Mestrado na UFRJ. Ganhou bolsa de uma organização estrangeira. Voltando às artes, tornou-se conhecida do grande público da TV quando fora a recepcionista de hotel no seriado “Minha Nada Mole Vida”, com Luiz Fernando Guimarães. Contribuíra também com seu potencial para “Toma Lá Dá Cá”, “Sob Nova Direção”, “Tudo Junto e Misturado” e “Separação?!”. Esteve nos elencos das novelas “Beleza Pura” e “Tempos Modernos”. Foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho em “Afinal, O Que Querem As Mulheres?”. No Multishow, ao lado de Luis Salém e Erika Mader, foi escalada para fazer “Na Fama e na Lama”. Como atriz de teatro, realizou peças com a companhia Os Dezequilibrados. Foi indicada ao Prêmio Shell pela comédia “A Estupidez”, de Rafael Spregelburd. Encenou desde jovens dramaturgos até autores notórios como Shakespeare, Ionesco, Nelson Rodrigues e Dias Gomes. Há ainda em seu currículo, espetáculos como “Cachorras Quentes”, “Terra do Nunca” (com apresentação até em Portugal), e “Dona Otília e Outras Estórias”. E para completar, quanto a Ivana, quando se der conta definitivamente de que não pertence a um conto de fadas, a despeito de morar num palacete, e de que todos nós vivemos uma “nada mole vida”, talvez, aí sim, enxergará as suas qualidades e conhecerá de vez a felicidade real.
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Quase sempre quando vejo Bianca Comparato em cena na novela das 21h da Rede Globo, de João Emanuel Carneiro, lembro-me da primeira vez que lhe assisti em uma produção do gênero. Fora em “Belíssima”, de Silvio de Abreu, cuja personagem Maria João tinha características masculinizadas, e nutria forte paixão pelo mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini). Ela era uma das filhas de Katina (Irene Ravache). Agora, como Betânia, interpreta a melhor amiga de Nina/Rita (Débora Falabella), com quem criara laços ao conviverem na infância. Depois, cada uma tomou seu rumo. Até que Nina volta da Argentina com o seu plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves) já todo arquitetado. E reencontra a amizade antiga como frentista de um posto de gasolina. Combinam entre si que Betânia assumiria a identidade da outra, adotando um visual rebelde. Carmen Lucia ao descobrir que a desafeta de tempos está morando em Copacabana, decide ir até lá. O encontro não foi dos melhores. As lembranças que vieram à tona foram desgastantes. A mulher de Tufão (Murilo Benício) propõe que uma não se meta na vida da outra. E assim fica temporariamente acordado. A mãe de Jorginho (Cauã Reymond) então descobre que o filho conhecera Rita no lixão, e que ambos já se viram. Resolve tirar satisfações, e por ironia, leva consigo Nina, que testemunha a amiga sofrer agressões físicas da vilã. Acontece uma série de desdobramentos na trama (chantagem de Nilo, papel de José de Abreu; rompimento do casal Jorginho/Nina etc.). Numa ocasião diversa, o jogador conversa com a mãe, e toma conhecimento que Rita usa um “piercing” no nariz, e associa os fatos. Deseja tirar tudo a limpo, e ao chegar ao apartamento da ex-namorada se surpreende ao se deparar com Nilo cheio de pose ao lado de Betânia, que por sinal fora a “madrinha” de seu noivado com Rita. Sua cabeça fica mais do que confusa. Toma a decisão de procurar a chef de cozinha, e colocá-la contra a parede. Resta saber o que a moça inventará dessa vez. Quanto à trajetória artística de Bianca Comparato, que é filha de Doc Comparato, tudo se iniciou quando perceberam que ela se destacou bastante no curso de teatro do colégio, a Escola Britânica do Rio de Janeiro. E ganhou uma bolsa para estudar em Londres na Royal Academy of Dramatic Arts. No retorno ao Brasil, formou-se em Cinema pela PUC-RJ. A estreia nos palcos foi em “O Ateneu”, de Raul Pompéia. E na televisão, dera os primeiros passos em “Carga Pesada” e “Senhora do Destino”. Veio “Belíssima”, que a projetou. Passou a colecionar um sem-número de participações na TV, como em “Cobras & Lagartos”, “Toma Lá Dá Cá”, “Antônia”, a minissérie “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes”, “A Vida da Gente”, “Tapas & Beijos” e “As Brasileiras”. No teatro, fez parte do elenco de “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, “A Fruta e a Casca”, montagem inspirada em “Dom Casmurro”, “Rock n’ Roll” e “A Escola do Escândalo”. Esteve presente em duas temporadas da série da HBO “Aline”, como Kelly. No cinema, emprestou seu talento a “Anjos do Sol” e a “Como Esquecer”. E, por fim, quanto a Betânia, não me parece que irá abandonar a amiga em seu irredutível plano de vingança. Nem que para isso tenha que levar uns tapas de Carminha, e receber Nilo em sua casa. Isso é que é parceira!
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Foto: Sergio Santoian/Revista MenschHá injustiça no mundo. A fidelidade está fora de moda. As famílias se desajustam, e o corrompido, corrompido está. À noite, em nobre hora, surgiu não ator qualquer na máquina de luz e som. Surgiu moço de nome Eriberto. Eriberto que a Pedro deu vida. Pedro que tocou a justiça. Pedro, leal ao amor prometido. Pedro que de muitos é amigo. Pedro que jamais será corrompido. Este foi o papel de Eriberto Leão na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Já em tempos idos, na casa que brota cultura, vi o artista em peça de Alcides Nogueira, dirigida por Gabriel Villela. Dia mágico, peça mágica. Um encontro com Elvis. Um encontro com Morrison. Ano passa, e reencontro em “O Amor Está No Ar”, do mesmo Alcides dos ventos. Depois, olhos azuis em “Serras Azuis”. Serras de Ana Maria Moretzsohn. Como intérprete apaixonado sempre deixa suas marcas. As marcas da paixão de Solange Castro Neves. Vimos e cremos o talento de Eriberto como o Tomé de “Cabocla”. A cabocla de Benedito Ruy Barbosa reinventada pelas filhas, Edmara e Edilene. Será que em toda a sua vida imaginou que faria César Camargo Mariano em homenagem a Elis? Em “Sinhá Moça”, Dimas ou Rafael? Os Ruy Barbosa sabem. Pelo verde, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Mostra o rosto em “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. Dentre casos e acasos, encontra as três irmãs. Irmãs criadas por Antonio Calmon. O tempo não ficou louco: Eriberto Leão é escalado para estrelar “Paraíso”. Sintonia com Benedito e suas meninas. A estrela ou astro, como bem queiram, firma-se. Luz que não se apaga. Luz perene que clareou as cariocas. E na ribalta? Além do sopro da ventania de Gabriel, “A Alma de Todos os Tempos”, de Gabriel, como Jesus. O Grande Mestre que por ele voltaria a ser personificado sob aberto céu, junto a multidão em procissão, na “Paixão de Cristo”. Um Cristo protetor que ainda o acompanharia em obra de Saramago adaptada para os palcos, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Falou baixo ou alto em “Fala Baixo Senão Eu Grito” com Ana Beatriz Nogueira, de Leilah Assumpção, dentre outros espetáculos. Nas telas da sala escura é sempre bem-vindo. Como assim o fora em “O Invasor”, de Paulo Fontenelle. E o diretor Caio Vecchio não quis ator qualquer para “Um Homem Qualquer”, que lhe valeu prêmio. Prêmio que ladeia outro, vindo da TV. Agora é chegado o momento de terminarmos. Como isto farei? Parte mais difícil. Vem-me ideia. Já sei. Acrescento uma palavra mais. Eriberto Leão, o nosso querido protagonista de “Insensato Coração”.
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É ou não ousado fazer par romântico com uma das mais populares e prestigiadas atrizes brasileiras em um de seus papéis de destaque na televisão ainda na fase da adolescência? Caio Blat (que estará na próxima novela das 18h da Rede Globo, “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes) interpretara João Batista, jovem amor da célebre compositora Chiquinha Gonzaga, vivida por Regina Duarte, na minissérie homônima de Lauro César Muniz apresentada pela Rede Globo. Porém, Caio, que chegara a estudar Direito por certo tempo, iniciou sua carreira bem criança, emprestando a imagem a inúmeros comerciais. No setor teledramatúrgico, a estreia de fato se deu em um seriado da TV Cultura, chamado “O Mundo da Lua”. No SBT, participa de importantes remakes, como “Éramos Seis” e “As Pupilas do Senhor Reitor”. Além disso, estivera em “Fascinação”. Retorna à Rede Globo (atuara anteriormente em episódios de “Retratos de Mulher” e “Você Decide”), e após o sucesso como o João Batista, conhece o horário das 19h com “Andando nas Nuvens”. Depara-se com dois desafios para qualquer intérprete: um vilão (o Bruno de “Esplendor”), e o primeiro protagonista (o Anjo Gabriel de “Um Anjo Caiu do Céu”), que dividia com Tarcísio Meira ótimas cenas. Depois de “Coração de Estudante”, agrada ao público como Abelardo, filho sensível de Mamuska (Rosi Campos) que se dedica à maquiagem, e que se vê obrigado a conviver com os modos um tanto quanto toscos de seus irmãos, na novela de João Emanuel Carneiro, “Da Cor do Pecado”. Integra mais dois remakes: “Sinhá Moça” e “Ciranda de Pedra”. Não sem antes colaborar para a obra de Gloria Perez, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Ganha o papel de Ravi, um indiano que enfrenta as rigorosas tradições culturais da família ao se apaixonar e se casar com uma brasileira (Isis Valverde), na premiada “Caminho das Índias”. No teatro, Caio Blat vivenciou algo não usual. Mudou-se para uma comunidade típica do Rio de Janeiro (e lá morou por algum período) com o intuito de selecionar o elenco para o espetáculo que iria dirigir (“Êxtase”, de Walcyr Carrasco). É ou não ousado? Outras tantas encenações como ator estão em seu currículo, inclusive “Os Dois Cavalheiros de Verona”, de William Shakespeare, e “Liberdade para as Borboletas”, de Leonard Gersche. Partamos assim para a seara na qual Caio prosseguiu com a sua propalada ousadia como artista: o cinema. Sentiu na pele o virtuosismo de Luiz Fernando Carvalho na condução de uma história. Não uma história qualquer, mas sim, “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar. Um romance que muitos disseram não ser passível de adaptação cinematográfica. Caio Blat e colegas de cena ficaram isolados em uma propriedade rural a fim de assimilarem melhor seus personagens. Causou polêmica no longa-metragem realizado de forma experimental, “Cama de Gato”. Dissera o texto forte e impactante de “Carandiru”, sob a batuta do aclamado Hector Babenco. A trajetória nas telas é cada vez mais enriquecida ao ser convidado para trabalhar em produções comandadas por nomes consagrados, como Sérgio Bianchi, Cláudio Assis, Cao Hamburger, Jorge Durán, Helvécio Ratton, Glauber Filho e Joe Pimentel, Paulo Halm, Jeferson De, Laís Bodanski e Guel Arraes. Está em cartaz com dois longas-metragens: “Xingu – O Filme”, de Cao Hamburger, no qual dá vida a um dos irmãos sertanistas Villas-Bôas, e “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat. No folhetim das 19h, “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco, Caio Blat, o ator ousado, exibiu seu talento como Leandro, um jardineiro fiel aos seus sentimentos por uma moça bonita que precisa aprender a tê-los. Um jardineiro fiel que enxerga pureza, e nos fez enxergar igualmente, ao oferecer rosas à mulher amada.
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A Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa cabem esta missão descrita no título acima. Ambas se desdobram em vários papéis, cada um mais tresloucado que o outro (sim, a proposta é esta). E para dar vida a todos eles, tanto Luciana quanto Renata usam e abusam de seus recursos cômicos indiscutíveis, apoiando-se em gestuais, esgares, e modulações de voz diversas. Logra-se êxito, comprovado pela efusiva resposta da plateia. As atrizes se firmam como legítimas integrantes da nova geração que se dedica ao humor no Brasil. O diretor Victor Garcia Peralta, ciente das ferramentas que à sua disposição estavam, compôs de modo admirável um espetáculo leve, divertido e ágil. Victor, que tem em mãos bastantes elementos para organizar, como esquetes e respectivos personagens, atinge a qualidade ao montar um arranjo condizente com as intenções do texto. Há claros dinamismo, “timing”, e uso coerente do espaço cênico. Com isso, o público em nenhum momento se entedia. Mérito que se perfaz. A encenação fora escrita por dramaturgos que ultimamente conquistaram justo lugar no nicho da visão própria de quem se pretende a provocar o riso. Bruno Mazzeo, Luciana Fregolente, Fábio Porchat, Elisa Palatnik, Maurício Rizzo e Rosana Ferrão desenharam um painel de situações que tangem o absurdo já citado. Um exagero permitido para que se pudesse alcançar a graça, baseado em experiências cotidianas do ser humano. Há variedade das mesmas. O stress ao qual ninguém está livre; a violência urbana associada aos serviços de “delivery”; a insistência descabida aliada à inconveniência das operadoras de telemarketing, que levam o potencial cliente/vítima à impaciência próxima ao surto (entende-se por irritação); a esperta adaptação das instruções de aeromoça como se em ônibus estivesse, tendo por inspiração a realidade em que vivemos; a abordagem quase “sacrílega” da finitude do homem; o quanto linhas cruzadas telefônicas podem acometer as pessoas de aborrecimento e perturbação psicológica; o bizarro encontro entre profetisa e consulente; as frustrações, recalques, e ressentimentos revelados por antigos ícones, como a Mulher Maravilha e a boneca Susie; e a Mãe Natureza rebelada face ao desrespeito dos que na Terra habitam. Tudo regado a pinceladas cáusticas, porém nunca fora de contexto. O cenário de Adriana Milhomem é de uma elegância frugal, dando oportunidade para que o palco em si fique disponível para as performances das intérpretes. Há dois cubos que servem de assentos deveras aproveitados por Luciana e Renata. Ao fundo, belos cubos dependurados por meio de fios que ora se acendem, ora se apagam. Uma visão deslumbrante. Sem contar que no início da peça, há um telão com clipe animado e música dançante composta por Leoni e Luciana Fregolente. Assim, o começo se dá em clima de alto astral. A parte musical criativa pertence a Leoni e Pedro Mamede. No tocante aos figurinos à cargo de Domingos Alcântara e Luciana Cardoso, uma contribuição primorosa. As atrizes estão bonitas, trajando calças pantalonas de cintura alta em tons acizentados, “bustiers” aveludados e/ou acamurçados negros sobre segunda pele “nude” de mangas longas. O visagismo procura a discrição. Funciona. As artistas estão com cabelos presos por coques, e maquiagem suave, realçando-se os olhos com lápis preto. A iluminação de Djalma Amaral impõe agradável sensação ao público, utilizando-se de focos, luzes gerais, além de oscilar conforme se exige. A principal atração neste segmento técnico são o acender e o apagar dos cubos já mencionados sitos no “background” da ribalta. A preparação corporal de Mariana Donner explora com eficiência as possibilidades indicadas nas histórias exibidas. Concluímos que “Alucinadas” é um entretenimento inteligente, e pensado com adequação ao risível. Ademais, “Alucinadas” corrobora os talento e intimidade com o tablado de Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa.
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Doralice, moça bonita, instruída. Tornou-se senhora das leis na Capital. Teve por decisão ir para o interior. Brogodó. Ao lá chegar, rapaz de nome Jesuíno (Cauã Reymond) deixou seu coração em sobressalto. O que a motivou a lutar por quem lhe causara ebulição de sentimentos. Já a esposa do moço de barba crescida, Açucena (Bianca Bin), foi ferida por dilacerante ciúme. Açucena não possui “os olhos verdes do ciúme”. Açucena possui “os olhos azuis do ciúme”. Assim, no meio da história em que a personagem de Nathalia Dill se viu envolvida é que percebemos a determinação que definiu de forma precisa o seu caráter. Determinação que não a demoveu de salvar Antônia (Luiza Valdetaro) dos maus-tratos do irmão Timóteo (Bruno Gagliasso). Determinação que a impeliu a se transformar no justiceiro Fubá, a fim de melhor se aproximar de Jesuíno. Já no que diz respeito à carreira desta atriz natural do Rio de Janeiro, podemos dizer sim que fora determinada em muitas situações. Afinal de contas, logo de imediato, após participação em episódio da série “Mandrake”, da HBO, interpretou por considerável tempo Débora Rios, papel de contornos acentuados de vilania em “Malhação”. O que vem a seguir? A incumbência de reviver Santinha, celebrizada por Cristina Mullins na primeira versão de “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. Nathalia surpreende a todos. Convence público e crítica. E todo este sucesso a levou a ser protagonista novamente. No caso em questão, mais um êxito: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Não sem antes ter emprestado o lindo rosto para o especial “Dó-Ré-Mi-Fábrica”. Todas produções da Rede Globo, como sabem. Ganhara merecidos prêmios pelas atuações. No cinema, esteve em “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, que trata dos relacionamentos dos jovens da “era MSN”. Fizera também a densa incursão de Selton Mello na direção, no melancólico e digno de reconhecimento fílmico e narrativo, “Feliz Natal”. Integra “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, cujo tema são a juventude e os seus dilemas de geração. No teatro, peças como “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain, e “A Agonia do Rei”, de Eugène Ionesco. Determinação, determinação. Não só a Doralice de “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, norteou-se por determinação. Nathalia Dill bem sabe o que é ser determinada. Tanto é verdade que esteve em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Débora, e em “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, como Silvia.






