A atriz Totia Meireles, a Wanda de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, ganhou desta a oportunidade que muitas intérpretes desejam: ser uma vilã da trama. Porém, só isto não basta. É necessário que a responsável pelas vilanias seja bem delineada na história pelo autor a ponto de causar repúdio no público. Gloria Perez fez a sua parte. A outra caberia a uma atriz que entendesse o perfil do papel, e fosse talentosa o suficiente para torná-lo crível. O fato de se escalar Totia para personificar Wanda configurou-se como uma novidade para os telespectadores. Afinal de contas, estávamos acostumados a ver Totia Meireles vivendo personagens boas, justas, sensatas e honestas. As suas beleza, simpatia e carisma contribuíram para que estas mesmas personagens fossem garantia de credibilidade. Quanto a Wanda, soube usar estas qualidades nos momentos de fingimento, cinismo e sedução da vilã. E deu certo. O que se vê é uma alternância de comportamentos ora desprezíveis ora amáveis, situações que exigem da intérprete habilidade, técnica e talento. E estes atributos Totia tem de sobra. A sua Wanda é uma mulher misteriosa, que não se sabe bem por que entrou para o mundo do crime. E o que a fez ser tão fria. O pouco que sabemos é que veio de Botucatu, lá namorou o Coronel Nunes (Oscar Magrini; comedido na medida certa), e que possui um primo. Há um sinal de que já existiu algo que se aproximasse da normalidade em sua vida. Tanto que ao reencontrar Nunes, ficou até balançada. Entretanto, em nome dos negócios escusos que pratica, sofreu repreensão de sua chefe Lívia (Claudia Raia). Insensível e vingativa, Wanda já foi presa, deu golpe no antigo namorado, chantageou Berna (Zezé Polessa), e deu fim a Santiago (Junno Andrade). Guarda sentimento de ódio por Morena (Nanda Costa). Wanda ainda exibirá o muito que sabe de maldade. Quanto a Totia, era uma atriz essencialmente de teatro, e por saber cantar bem, os musicais foram um ponto alto em sua carreira. Um de seus maiores sucessos foi “Noviças Rebeldes”, de Dan Goggin, dirigida por Wolf Maya. Em seu elenco estiveram Sylvia Massari, Rosa Marya Colin, Fafy Siqueira e Dhu Moraes. Totia Meireles, que também é bailarina, participou ao lado de Claudia Raia na mega produção “Chorus Line” Além desta, esteve em “Gipsy”, versão brasileira do grande êxito da Broadway (foi indicada ao Prêmio Shell). Incluem-se demais espetáculos em seu currículo. Na televisão fez inúmeras novelas, seriados, especiais e minissérie. Forma profícua parceria com Gloria Perez, que já contou com a sua presença em “O Clone”, “América”, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, “Caminho das Índias”, e agora “Salve Jorge”. Participou de três temporadas de “Malhação”. Experimentou os estúdios de gravação da extinta Rede Manchete e Rede Bandeirantes. Na seara do humor, deu seus préstimos a “Escolinha do Professor Raimundo” e “Chico e Amigos”. Com Aguinaldo Silva, trabalhou em “Suave Veneno”, “Duas Caras” e “Fina Estampa”. Impressionante, vale lembrar, que na última novela Totia interpretou Zambeze, uma hippie do século XXI, casada com um também hippie, dona de uma pensão habitada pelos mais diversos hóspedes, e um quiosque, e que aplaudia com um grupo o pôr-do-sol na praia. E do “Recanto da Zambeze” partiu direto para os recantos obscuros de Lívia. Que mudança. No tocante aos seriados, atuações em “Carga Pesada”, “Casos e Acasos” e “Divã”. Folhetins como o “remake” de “Mulheres de Areia”, “Fim do Mundo” e “Cobras & Lagartos” compõem sua trajetória na TV. Sinto sua falta no cinema. Daria enorme contribuição. Quanto a Wanda de “Salve Jorge”, considero um de seus melhores papéis até hoje. E, quando virem Wanda em cena, lembrem-se do título acima: “Onde tem Wanda, tem encrenca”.
Categoria: TV
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Todas as vezes em que eu passava em frente ao suntuoso prédio envidraçado que se localiza na Rua do Russel, na Glória, Rio de Janeiro, e que serviu de sede para a Rede Manchete, inaugurada em 1983 e extinta em 1999, lembro-me com nostagia e uma certa tristeza de que aquele lugar, durante mais de uma década, foi palco de uma série de programas inesquecíveis e bem feitos que marcaram uma época. Novelas, minisséries, filmes antigos, telejornais com incontestável profissionalismo, cobertura ampla do esporte e do Carnaval, e atrações de outro gênero de igual qualidade. Uma emissora que apostou na competência de atores, jornalistas, autores e apresentadores, e muitos deles atualmente estão num alto patamar de realização. Foi na sua programação que testemunhamos importantes obras da teledramaturgia que retratavam fatos históricos do Brasil, como “Dona Beija”, “A Marquesa de Santos” e “Xica da Silva”. As duas primeiras credenciaram Maitê Proença como uma das atrizes mais comentadas naquele momento (as suas cenas sensuais arrebatavam o público), e a terceira lançou Taís Araújo, intérprete bastante requisitada nos dias de hoje. Walter Avancini, o diretor, fez questão absoluta que aquela jovem em início de carreira fosse a protagonista. Walcyr Carrasco, prestigiado autor da Rede Globo, escreveu a história. Alguns autores migraram para a nova emissora, como Benedito Ruy Barbosa, Wilson Aguiar Filho e Gloria Perez. Benedito foi responsável por um dos maiores sucessos já presenciados na televisão, a novela “Pantanal” (foto). Cristiana Oliveira foi outra atriz que passou a ser admirada e querida no país inteiro, com a sua Juma Marruá. No elenco, havia Cláudio Marzo, Marcos Winter, Marcos Palmeira, Carolina Ferraz (estreando em folhetins), Andrea Richa, Ângelo Antônio (sua estreia), Jussara Freire e Ingra Liberato. O diretor era ninguém menos que Jayme Monjardim, que com suas imagens panorâmicas de belas paisagens tropicais, exibidas ao som das composições de Marcos Viana, conquistou os telespectadores. Jayme atualmente é diretor de núcleo da Rede Globo, assim como Marcos Schechtman, que também dirigiu produções na Rede Manchete. Tizuka Yamazaki, renomada cineasta, comandou “Kananga do Japão”, com Christiane Torloni e Ana Beatriz Nogueira. Quanto a Gloria Perez, ficou encarregada de contar um enredo em “Carmem”, cuja personagem-título coube a Lucélia Santos. Outra novela de grande êxito foi “A História de Ana Raio e Zé Trovão”. Ana era defendida por Ingra Liberato (foto) e Zé por Almir Sater. Tamara Taxman destacou-se como Dolores Estrada. Houve outras atrações teledramatúrgicas, como “Santa Marta Fabril S.A”, “Corpo Santo”, “Tocaia Grande”, “Mandacaru” e “Amazônia”. No que concerne ao Carnaval, a emissora cobria os impagáveis e luxuosos desfiles de fantasias no Hotel Glória, e foi a única emissora a transmitir os dois dias de desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na inauguração do Sambódromo, no ano de 1984. O jornalismo era um dos carros-chefes da TV Manchete. Tinha-se como meta um aprofundamento maior das notícias. Comentaristas do naipe de Carlos Chagas e Villas-Bôas Corrêa emitiam suas precisas opiniões. Passamos a conhecer os âncoras Ronaldo Rosas, Carlos Bianchini e Leila Richers. Eliakim Araújo, Leila Cordeiro, Marcos Hummel e Marcia Peltier também assumiram a bancada do “Jornal da Manchete”, que possuía duas edições. Roberto D’Ávila conduziu com extrema habilidade o programa de entrevistas “Conexão Internacional”, no qual os convidados eram notáveis representantes dos cenários político, cultural etc. Na área dedicada ao cinema, o crítico Wilson Cunha apresentava o “Cinemania”, um deleite para os cinéfilos com todas as informações sobre a Sétima Arte. E como não mencionar “Acredite Se Quiser”, em que o ator americano Jack Palance narrava acontecimentos extraordinários? No campo infantil, afora desenhos clássicos como Manda-Chuva, o experiente diretor Maurício Shermann (diretor do “Zorra Total”) colocou uma até então modelo como apresentadora de uma produção voltada para o público mirim, “Clube da Criança”. Começava ali o fenômeno de apelo popular no qual se transformaria Xuxa. Com a sua ida para a Rede Globo, uma outra moça que iniciara a carreira ainda criança passou a animar o programa. Estamos falando de Angélica, que construiu sólida trajetória como apresentadora/entrevistadora, e mantém seu prestígio intacto. Assim como Xuxa Meneguel, rumou para a emissora carioca. Agora, o prédio suntuoso e envidraçado da Rua do Russel, na Glória, continua lá. Não há mais o logotipo marcante no seu topo. Que fim ele levou? A TV Manchete acabou. Teve o seu tempo. Tempo de glória. Um tempo de glória numa rua do Rio de Janeiro no bairro da Glória.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Na sinopse original de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, a personagem de Carolina Dieckmann não ficaria tanto tempo no ar. Decorridos alguns capítulos, ela seria eliminada pela quadrilha que a escravizava para fins de prostituição. Só que esta informação vazou. E a autora decidiu provavelmente estender a participação da atriz na novela. O que talvez Gloria Perez não esperasse era que Jéssica fosse cair de tal forma no gosto do público a ponto de haver uma torcida pela sua permanência na história, e que conseguisse escapar com êxito de seus malfeitores. A moça que apenas queria trabalhar numa pizzaria na Espanha foi submetida a todo tipo de agressão, tanto física quanto moral. Logo no começo da trama foi abusada sexualmente. Os tapas no rosto foram muitos. Tentou de todas as maneiras desvencilhar-se do horror no qual se envolvera. As tentativas no entanto eram sempre mal-sucedidas. Porém, Jéssica nunca desistiu. Ao lado de Morena (Nanda Costa) na Turquia obtém uma fiel aliada nos planos de fuga, e surge uma forte cumplicidade entre elas. As estratégias foram várias, dentre elas o fato de terem dopado um cliente no quarto da boate, e saírem pelo buraco onde antes havia um ar-condicionado. Rosângela (Paloma Bernardi) era um grande obstáculo a ser transposto, haja vista que estava sempre disposta a denunciá-las pelo que arquitetavam. Nas ocasiões em que a jovem loira procurava socorro numa delegacia policial em algumas de suas escapadas, o onipresente Russo (Adriano Garib) surgia. Quando foi presa, ele se dispôs a pagar a fiança. Quando seria deportada, o chefe da segurança se identificou como seu tio, dizendo que iria providenciar a regularização de sua estada no país. O que me intrigava (ao que eu me lembre) é que não fora cogitada a ida ao consulado brasileiro quando tiveram oportunidade para isso (claro que seria uma tarefa bem difícil de se executar). Com o retorno ao Brasil, arriscando as suas vidas, abriu-se um leque de possibilidades de se libertarem finalmente da armadilha em que foram colocadas. O fantasma das ameaças de Russo e Wanda (Totia Meirelles) não as intimidaram a procurar a delegada Helô (Giovanna Antonelli), que, intolerante, não acreditou naquilo que lhe contaram. Até o experiente Théo (Rodrigo Lombardi) julgou ser uma lenda o crime relatado por Morena, mas sem mencionar que era a vítima. É evidente que todos nós torcemos para que as situações se resolvam logo, e as personagens sejam vitoriosas em seus intentos. Todavia, trata-se de uma novela, formato da teledramaturgia de longa duração no qual os principais conflitos só são solucionados com a proximidade de seu término. Alguns podem até alegar que há ações que se repetem continuamente, contudo não há outro jeito na maioria dos casos. Se fosse uma microssérie ou um filme… Confesso que gostaria muito que Jéssica continuasse viva, entretanto acredito que Gloria Perez não quis abrir mão da realidade. Fiquei sabendo que Morena será levada de volta para a Turquia desacordada, o que afligirá ainda mais os telespectadores. No tocante à interpretação da atriz que iniciou sua profissão bastante menina na minissérie de Antonio Calmon, “Sex Appeal”, percebi um tom mais revoltoso logo ao descobrir que fora enganada, e após tantas decepções, traumas, fracassos e violência, Jéssica mostrava estar um tanto quanto cansada na luta por sua liberdade. Morena lhe deu o gás de que precisava para se fortalecer de novo. E, afinal, que frutos Jéssica rendeu para Carolina Dieckmann? Jéssica desde já entrou para a galeria de papéis marcantes da intérprete, como a Camila de “Laços de Família”, de Manoel Carlos. Carolina antes de atuar dedicava-se ao ofício de modelo, e depois da estreia em “Sex Appeal”, emendou nas novelas “Fera Ferida” e “Tropicaliente”, como Açucena. No ano seguinte, fez parte do elenco de “Malhação”. Vieram os folhetins “Vira-Lata” (estreando no horário das 19h) e “Por Amor”. Após o estrondoso sucesso como Camila, em “Laços de Família”, integrou “As Filhas da Mãe” e “Mulheres Apaixonadas”, em que fazia par romântico com Erik Marmo. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”. Ganha papel de destaque em “Senhora do Destino” (na verdade, foram duas personagens). O autor João Emanuel Carneiro lhe concede a chance de viver a sua primeira vilã, Leona, em “Cobras & Lagartos”. Assume um visual surfista em “Três Irmãs”. Na produção de Silvio de Abreu, “Passione”, foi Diana. E, em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, personificou uma jovem tida como “periguete” que demonstra ao público um forte instinto maternal. Sob as lentes de uma câmera de cinema, “Onde Andará Dulce Veiga?” e “Sexo com Amor?”. No teatro, o palco teve a sua presença em peças como “Banana Split”, “Peter Pan”, “Quarta Temporada”, “Confissões de Adolescente”, “A Tempestade” e “Cabaré Filosófico”. Em sua trajetória, foi laureada com prêmios como o “Faz Diferença”, do jornal O GLOBO, por sua atuação em “Cobras & Lagartos”. Terminando este texto com “Salve Jorge”, Jéssica se despediu dos telespectadores. A torcida para que a atriz/personagem continuasse na novela foi em vão, mas o trabalho digno da atriz não foi nada em vão. -

Foto: Fernando Torquatto para a Revista CrescerUltimamente, tenho assistido ao programa “Estrelas”, apresentado no início das tardes de sábado por Ana Furtado. Ana também é jornalista e atriz. Foi modelo de sucesso. A sua conduta como apresentadora/entrevistadora da atração despertou-me um olhar mais atento. Ana Furtado está sempre elegante, vestida de acordo com a ocasião. Nada de exageros, apenas aliando o bonito ao bom gosto. E os lugares nos quais realiza as entrevistas são os mais variados. Pode ser na Praia do Leme, conversando com Pedro Paulo Rangel e Louise Cardoso, e depois ir com os dois ao restaurante “La Fiorentina”. Pode ser na casa de um entrevistado, como fez no sábado passado ao visitar a ex-jogadora de basquete Hortência, e em outra ocasião o estilista Carlos Tufvesson. Ou presenciando a atriz Débora Nascimento praticando wakeboard na Lagoa. Há um quadro de gastronomia no “Estrelas” que é um dos que mais aprecio, no qual em uma cozinha improvisada um ator ou cantor prepara um prato, como ocorreu com Fabiula Nascimento ao nos ensinar a fazer um noque ao molho de linguiça, e com uma modelo estrangeira que é especialista em saltos em queda livre que cozinhou um spaguetti ao molho pesto. E quem pensa que de vez em quando Ana não põe a mão na massa? Põe! Volta e meia ela ajuda a mexer o que está na panela até atingir o ponto certo. As conversas fluem naturalmente, sem interferências impróprias por parte da apresentadora. Pelo contrário, tece comentários condizentes com a situação, e muitas vezes cheios de humor. Daí, a informalidade. Não se trata de um programa de entrevistas padronizado, que se resuma a perguntas e respostas. Tampouco há um viés de tietagem no contexto da produção, como o seu título poderia indicar. O que ocorre é um prazeroso bate-papo com pessoas famosas que possam ser interessantes aos olhos do público. Outra qualidade de Ana Furtado é saber manter um diálogo com celebridades que exercem as ocupações mais diversas, como decorreu com o jogador de futebol do Botafogo, Seedorf. É articulada, entende-se tudo o que fala, e possui voz suave. Sua estreia na televisão foi como modelo, dançando um ritmo cigano ao lado de outro modelo na abertura de “Explode Coração”, novela de Gloria Perez. Atualmente, também conduz o “Vídeo Show” (já foi repórter do semanal de variedades). Como atriz, esteve em “Caça Talentos”, o “remake” de “Pecado Capital”, “Vila Madalena”, “Páginas da Vida”, “Ciranda de Pedra” e “Caminho das Índias”. Além disso, ainda como atriz fez participações em vários seriados e programas como “Você Decide”. Os seriados foram “Os Normais”, “Minha Nada Mole Vida”, “Guerra e Paz” e “Louco por Elas”. Apresentou as atrações “Ponto a Ponto” e “Bossa Nova – 50 anos”, com algumas incursões no “Big Brother Brasil”. E um dado curioso: esteve presente como ela mesma nos folhetins “Ti-Ti-Ti” e “Cheias de Charme”. Atuou na tela grande em filmes como “A Dona da História” e “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”. Como podemos ver, Ana Furtado é bem versátil. Sua função no “Estrelas” irá até fevereiro, quando Angélica (também uma boa apresentadora) reassumirá seu antigo posto. Mas continuará a bater ponto no “Vídeo Show”. Até lá, curtamos as suas elegância e informalidade nas tardes de sábado, com direito a um quadro que inevitavelmente abre o nosso apetite.
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Antonia, a personagem de Letícia Spiller em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, levava uma vida em família normal, convivia até certo ponto bem com o agora ex-marido Celso (Caco Ciocler), contava com o apoio dos sogros Arturo (Stênio Garcia) e Isaurinha (Nívea Maria), e como fruto de seu casamento, Raissa (Kiria Malheiros). A falência financeira do clã, entretanto, o desemprego de Celso e o tédio de não possuir uma ocupação profissional deixavam-na incomodada. Foi o momento apropriado para entrarem em cena Lívia (Claudia Raia) e Wanda (Totia Meireles), propondo-lhe um trabalho supostamente irrecusável. Mal sabia Antonia que era para ser “laranja” de um grande esquema criminoso. O machismo e a perspicácia de seu marido se misturaram , deixando o rapaz cada vez mais ensimesmado com a nova função da mulher. As cobranças a ela começaram. O fato da “empresária” ter assinado um documento para o aluguel de um escritório na Turquia que mal chegou a ver foi a gota d’água para o filho de Arturo se certificar de que a esposa possa ter entrado em uma “furada”. Talvez um dia, Antonia deva até lhe pedir desculpas por não ter lhe dado ouvidos. A situação esquentou. Os encontros casuais de Celso com Wanda são sempre estremecidos, com insinuações constantes do primeiro. E as brigas dele com a mãe de sua filha cada vez mais frequentes e violentas. O casamento estava perto do fim inevitável. E o acirramento da discórdia configurou-se com a aproximação de Carlos (Dalton Vigh), insatisfeito também com o seu matrimônio com Amanda (Lisandra Souto), que confessa à bela loira (Letícia Spiller está a cada novela mais bonita) uma paixão antiga desde os tempos em que ela era modelo. Antonia, carente, frágil, triste, deixa-se afeiçoar pelo falso enteado de Leonor (Nicette Bruno). Brigas físicas e discussões seguidas levam ao andamento de um processo de separação litigiosa, com a luta pela guarda da criança. A mãe perde o direito de cuidar da menina. Morando de favor no apart do ainda casado Carlos, a vida de Antonia está virada pelo avesso. E ainda nem sabe do erro cometido ao aceitar a proposta de Lívia e Wanda. No tocante à sua carreira, Letícia fez primeiramente teatro amador. Passou pela escola de Maria Clara Machado, “O Tablado”. Integrou grupo liderado por Roberto Bomtempo e Roney Vilella. Foi uma das paquitas da apresentadora Xuxa. Antes de ser a Babalu de “Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi, estudou com a companhia teatral O Porão. Babalu tornou-se a personagem que surpreendeu a todos, proporcionado-lhe enorme popularidade junto ao público, e elogios da crítica. Mas a estreia em novelas ocorreu em “Despedida de Solteiro”, na mesma Rede Globo. Em “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, a atriz teve o privilégio de poder experimentar o apuro estético com que o diretor Luiz Fernando Carvalho dirige as suas produções. Esteve em “Zazá”. E seu papel seguinte, a Maria Regina de “Suave Veneno”, sofreu algumas restrições quanto à sua composição. Porém, Letícia, com o seu talento, soube reverter a situação, encontrando o tom correto da personagem. Protagonizou “Esplendor”. Volta a ser protagonista no mesmo horário das 18h em “Sabor da Paixão”. Após “Kubanacan”, forma par com Eduardo Moscovis em “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva, voltando a trabalhar com o autor em “Duas Caras”. Antes de “Salve Jorge”, atuou em “Viver a Vida”, de Manoel Carlos e em “Malhação”. Em minissérie, esteve no elenco de “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. No cinema, como a paquita Pituxa, participou de “Sonho de Verão”, “Lua de Cristal” e “Gaúcho Negro”. Esteve presente em “Oriundi”, ao lado de Anthony Quinn, “Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão”, “A Paixão de Jacobina”, “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”, dentre outros longas e curtas. No teatro, podemos destacar peças importantes, como “Isadora Duncan”, de Aguinaldo Silva; “O Falcão e o Imperador”, de Nikos Kazantzákis; e “Peer Gynt”, de Ibsen. E, por conclusão, voltando a falar sobre Antonia, resta saber até que ponto os apuros que a afligem perdurarão. Se Carlos for somente um arroubo de momento. Se a crise com Celso poderá ser contornada, e a união dos dois se restabelecer. Se a enrascada em que foi ingenuamente posta for esclarecida ao seu favor. Se irá conseguir voltar a morar com a filha. Só deste modo, o título deste texto poderia ser diferente.
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O escritor e poeta, além de teórico do surrealismo André Breton, o pintor Salvador Dalí e o cineasta Luis Buñuel (“O Discreto Charme da Burguesia” e “O Cão Andaluz”; Dalí também se aventurou no cinema) foram os grandes expoentes do movimento artístico citado acima. O surrealismo consistia basicamente na transgressão do real, no desafio de distorcer a realidade como a conhecemos. Quem não se lembra do relógio derretido em uma das mais famosas pinturas de Salvador Dalí? E, é claro, que como todo movimento artístico importante, as influências se dão até os dias atuais. No nosso país, provável que este movimento influiu o autor Dias Gomes. Sendo assim, o pioneirismo ficou ao seu cargo, que em 1976, com poucos recursos de efeitos especiais, realizou na Rede Globo a excelente novela “Saramandaia”, na qual para espanto do público, fatos bizarros ocorriam corriqueiramente na cidade de nome Bole-Bole. Casos como o de Zico Rosado (Castro Gonzaga), que quando menos era esperado, soltava formigas pelas narinas, assoando o nariz de forma a se livrar delas. Às vezes, apareciam no lenço que usava. Já Wilza Carla ficou marcada para sempre como a Dona Redonda, que de tanto comer acabou explodindo, derrubando portas e janelas ao redor, e deixando a população local em pânico. A cena da explosão foi até tosca, que como já disse não existia a viabilidade de se fazer algo mais elaborado. Porém, tornou-se uma das cenas da teledramaturgia mais lembradas até hoje por seu impacto. Vera Holtz será a nova intérprete, e pediu para que usasse enchimentos ao invés dos efeitos de computador que seriam utilizados para deixá-la obesa em excesso. Toda a explosão será entretanto computadorizada. Ary Fontoura era o Professor Aristóbulo, um homem acima de qualquer suspeita que em noites de lua cheia virava lobisomem. Sonia Braga, como Marcina, provocava incêndios onde tocava, assim como feria as pessoas ao fazer o mesmo. E Juca de Oliveira foi João Gibão, que possuía asas nas costas, e num determinado dia voou pela cidade. Atualmente, com a tecnologia avançada nos efeitos especiais que a emissora detém, o folhetim ganhará bastante neste campo em qualidade. O teledramaturgo Ricardo Linhares, responsável pelo “remake” é um expert no assunto. Este gênero passou a ser chamado de realismo fantástico. O escritor colombiano Gabriel García Márquez é um adepto do estilo, também denominado de “mágico”. Ricardo, junto com Aguinaldo Silva, deixaram bons exemplos em algumas novelas do elemento narrativo em pauta. Em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Ruy Rezende, o respeitado Professor Astromar Junqueira tinha como segredo o fato de se transformar em lobisomem quando a lua estava cheia. Em “Fera Ferida”, de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Arlete Salles, como Margarida, inundou o quarto de sua casa ao chorar em demasia. Já em “Pedra sobre Pedra”, também de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Osmar Prado, o Sérgio Cabeleira, mantinha forte ligação com a lua, a ponto de em certa noite ela se aproximar de modo impressionante da Terra. Não podemos nos esquecer que em 1973, Dias Gomes em “O Bem Amado” já dava sinais de sua influência ao fazer Milton Gonçalves (Zelão das Asas) voar a partir do alto de uma igreja sobre Sucupira. E, em “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Selton Mello (Emanuel) cria asas e voa livremente. A vilã Altiva, interpretada por Eva Wilma, após sumir misteriosamente na frente dos habitantes de Greenville, surge no céu em forma de estranha fumaça prometendo a sua volta. Retornando a “Saramandaia”, desde já configura-se como uma boa atração para este ano, proporcionando aos que já lhe assistiram a oportunidade de rever uma história cheia de criatividade e aspectos inusitados, e aos que não, deleitarem-se com esta trama tão bem urdida pelo consagrado Dias Gomes.
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![Andressa-no-BBB-13-size-620[1]](https://blogdopauloruch.com/wp-content/uploads/2013/01/andressa-no-bbb-13-size-62011.jpg?w=614&h=345)
A participante do BBB13, Andressa.
Foto: Divulgação/TV GloboA casa começou com 8 participantes, entraram mais 6 (veteranos), e 2 da casa de vidro. Já saiu a mais explosiva de todas, Aline, uma moça que fala igual a Penha, a personagem de Taís Araújo em “Cheias de Charme”. Ela justificava seu controvertido comportamento ao fato de ser verdadeira. Isto, num “reality”, colocado de maneira incorreta, em que muitas questões estão em jogo, pode ser fatal, e o foi: Aline foi eliminada no primeiro paredão com um índice de rejeição considerável. Ela poderia ser até interessante para os telespectadores que gostam de uma acalorada discussão, entretanto, Ivan, seu oponente, um rapaz tranquilíssimo, venceu. Ivan, com tanta calma e discrição pode ser um hábil jogador. Quem vai saber? Dentre os moradores da “casa mais vigiada do Brasil” estão Marien (que só travou algumas conversas inofensivas até agora), Fernanda (talvez esteja se prejudicando por querer namorar André, e ficar o tempo todo falando ao seu respeito e ficando atrás dele, o que o insatisfaz), Aslan (é extrovertido, dá-se bem com as pessoas, tem personalidade forte, portanto é um concorrente com potencial para seguir adiante), André (sua postura é quieta, fala baixo, não é dado a exibicionismos), Nasser (adota um estilo alternativo na aparência, mostrou determinação, ao já vencer a primeira prova de resistência, e assim como Aslan sua personalidade forte se evidencia), Andressa (uma bonita jovem, simpática, educada, mostra-se amiga, porém ainda não vejo nela uma vontade irrefreável de vencer, o que poderá vir depois). Da casa de vidro, entraram o fortão Marcello (que até agora não mostrou ser vaidoso em excesso por seus dotes físicos, o que já é um ponto a seu favor; indica ser contemporizador, até um pouco reservado). A mulherada, com certeza, fará do “personal trainer” o alvo preferencial das investidas nas festas. E, por último, dos novatos, Kamilla (a jovem poderá irritar alguns dos moradores por gostar muito de cantar e ser falante e desinibida demais). Quanto aos veteranos, ainda paira o mistério sobre a saída de Kléber Bambam. Ele não nos deu nenhuma explicação plausível sobre a decisão de sair do programa. E nunca a saberemos. O erro de Bambam foi ter chegado ao “reality” com autoconfiança em demasia, e zombado do grupo rival em uma das provas em que acabou sendo o líder. A entrada de Yuri em seu lugar (mesmo tendo participado da edição passada) provável tenha se dado por ser temperamental, oscilante no que concerne a atitudes sensíveis, românticas e partir para a altercação quando for preciso. É um participante que não permite se passar por despercebido. Natália anda bem pensativa, o que denota não ter entrado ainda para valer no jogo (muito diferente da edição anterior; algumas pessoas podem mudar). Aliás, Bambam entrou diferente também. Quem entrou da mesma forma de antes foi Dhomini. Ele é esperto, astuto, calcula cada passo, e a sua meta é obter o prêmio mais do que qualquer outro confinado. A sua declaração assumida de ser um jogador poderá de alguma forma não favorecê-lo à vista dos outros. Elieser continua a mesma “figura” de sempre, todavia a impressão que me deu é que voltou mais maduro, e disposto a ter um um jeito de se comportar que implique em uma nova avaliação do público quanto a ele, que disse aproximadamente “que as coisas dessa vez seriam diferentes”. Por sinal, uma das qualidades de Elieser é não se deixar atemorizar por provocações, como vimos ao enfrentar Dhomini. Fani foi uma ótima escolha: é sensual, fala o que pensa, briga por aquilo que possa lhe trazer benefícios (sem prejuízos a alguém), e está focada no jogo. E Anamara, que é daquelas moradoras que garantem ocasiões engraçadíssimas ao “reality” (ela demonstra estar lá é para se divertir mesmo, contudo é claro que deseja o prêmio). A decoração da casa está bonita e inventiva como de costume. Pedro Bial permanece com o profissionalismo que lhe é nato, cujos trunfos são seus ditos espirituosos e “cutucadas” nos participantes. Quanto ao diretor Boninho, possui um mérito: procura sempre criar algo novo, apesar das 12 edições já realizadas. O programa está aí. Os dados estão lançados. Os moradores da casa, em sua maioria, dispostos a jogar. Cada dia será um dia, o que nos dirá se o BBB13 será um dos melhores dentre todos os outros “realities” anteriores, ou será apenas mais um que assistiremos, mas que não fora marcante o suficiente.
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Foto: Valério Trabanco/Divulgação da coleção de joias Gio Antonelli para RommanelEm “Salve Jorge”, novela de Gloria Perez, dirigida por Marcos Schechtman, a bonita Giovanna Antonelli interpreta Helô, uma delegada atípica no sentido de ostentar uma indiscutível elegância nas roupas e acessórios que usa, o que só valoriza a sua beleza. Tudo isso associado ao carisma da atriz que impingiu à personalidade da personagem um modo firme e duro ao lidar com as questões delituosas que lhe chegam à mesa de ofício. Afora, Helô também possui seus reveses, apesar de ter uma vida confortável e independente, sofre compulsão em comprar de forma indiscriminada, toda vez que sente algum tipo de frustração ou está muito estressada. Só que ela procura ignorar o problema, para a preocupação de seu ex-marido Stenio (Alexandre Nero) e a divertida empregada doméstica Creusa (Luci Pereira). Há ainda a dificuldade de se encontrar um parceiro no campo afetivo pelo fato da ocupação profissional que exerce, causando-lhe uma enorme carência. Mas todos sabemos que a delegada não suprimiu a paixão pelo ex, e vice-versa. E não podemos nos esquecer que é mãe, e tem que lidar com Drika (Mariana Rios), uma filha alienada casada com Pepeu (Ivan Mendes), um rapaz alienado. No momento, Helô tenta destrinchar casos espinhosos, como o roubo da filha de Delzuite (Solange Badim), que tudo leva a crer que seja Wanda (Totia Meirelles) a autora do crime, e a vítima seja Aisha (a revelação Dani Moreno). A delegada parece estar cada vez mais perto de desvendar o drama que aflige Morena (Nanda Costa) e Jéssica (Carolina Dieckman), e desmantelar toda uma quadrilha. Grupo chefiado por Lívia (Claudia Raia), que já lhe gera suspeitas devido à câmera instalada no escritório de Haroldo (Otaviano Costa). Lívia não está nada satisfeita com a suspeição lançada sobre ela, e já planeja algo escabroso contra Helô. Falemos a partir de agora sobre a prolífica carreira de Giovanna Antonelli. O começo foi peculiar, como assistente de palco da apresentadora Angélica na extinta TV Manchete. Nesta mesma emissora, atuou nas novelas “Tocaia Grande” e “Xica da Silva”, a despeito de ter estreado neste tipo de produção na Rede Globo, em “Tropicaliente”. Seu segundo folhetim na emissora foi “Corpo Dourado”, de Antonio Calmon. Após, participou de “Força de um Desejo” e “Malhação”. O público inicia uma observação com mais acuidade da atriz quando Giovanna personificou Capitu, em “Laços de Família”, de Manoel Carlos, com quem voltaria a trabalhar em “Viver a Vida”. Caiu no gosto definitivo dos telespectadores, e ganhou até prêmio, dentre tantos que viria a receber pelo “O Clone”, como Atriz Revelação. Porém, o grande sucesso e reconhecimento da crítica e daqueles que assistem às novelas veio com a já citada “O Clone”, como Jade, escrita por Gloria Perez, onde pôde mostrar toda as suas sensualidade e talento. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”, como Bárbara, sua primeira vilã. Integrou o elenco de “Sete Pecados”, “Três Irmãs” e “Aquele Beijo”. Em minisséries, citemos “A Casa das Sete Mulheres”, na qual foi Anita Garibaldi; e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Foi uma das brasileiras da série homônima. No cinema, há “Avassaladoras” (laureada em Miami), “Maria, Mãe do Filho de Deus”, “A Cartomante”, “Caixa Dois”, “The Heartbreaker”, “Budapeste” e “Chico Xavier”. E, para finalizar, nos palcos “Dois na Gangorra”, e as prestigiosas participações em “O Auto da Paixão de Cristo” e “Paixão de Cristo”. E, voltando a Helô, acho que somente Stenio poderá amenizar o seu estilo “linha dura”, com algumas briguinhas de vez em quando, é claro.
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Na quinta-feira passada, estreou mais uma produção assinada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. Luiz é reconhecidamente talentoso e se destacou na televisão por impingir uma linguagem inovadora e rica nos detalhes, caracterizada por angulações nada convencionais da câmera, fotografia que causava deslumbre, e a exploração de um Brasil regional, muitas vezes idílico, afora adaptações literárias criadas com enorme capricho. Minisséries como “Os Maias”, “Hoje é Dia de Maria”, “Capitu”, e novelas como “Renascer” e “O Rei do Gado” comprovam sua desenvoltura e inventividade. Arriscou-se em transpor para as telas de cinema o livro de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”. Algo impensável. No momento, o diretor mostra com “Suburbia”, o novo seriado da Rede Globo, uma opção drástica de mudar o seu foco de comunicação com o público (há no entanto elementos que remetem à sua estética anterior). Isto se evidencia na história escrita pelo próprio Luiz Fernando e Paulo Lins. Fomos levados para terras miseráveis de algum longínquo torrão brasileiro. Conhecemos uma família que trabalha com carvão sob condições insalubres, e dela faz parte uma menina devota de Nossa Senhora Conceição Aparecida, e que se afeiçoa por um cavalo branco cercado de mistérios. O nome dela é Conceição (Débora Nascimento), e seu maior sonho é ver o Pão de Açúcar, registrado num recorte de uma publicação qualquer, guardado com carinho e zelo. Certo dia, Conceição decide ir atrás do sonho. Só que ao chegar ao Rio de Janeiro, percebe que a doçura no nome da montanha não se estende à realidade que enfrenta. Acaba sendo detida e conduzida a uma instituição de menores por um crime que não cometeu. Lá, sofre agruras que a impelem a fugir. Vai trabalhar como babá de duas crianças na casa de uma estudante que está terminando sua tese. Este fato ocorreu após um incidente. Conceição cresce, e torna-se uma bonita mulher. Uma bonita mulher que adora dançar. Entra em cena Erika Januza. Ganha uma amiga, Vera (Dani Ornellas). Aproveitando uma viagem da patroa, Conceição vai passar um final de semana onde mora a nova amizade. Os vizinhos de Vera são bastante animados, e têm a dança como diversão principal. Conceição encanta a todos com a graça dos movimentos que faz ao dançar. Passa a se chamar Suburbia. Jéssica (Ana Pérola) aparece e deixa claro que está disposta a rivalizar. Suburbia retorna ao trabalho. O namorado da patroa não tinha por que estar no local. Suburbia sofre uma tentativa de abuso. É o começo de uma trama que promete emoção, romance e disputas. Um dos diferenciais deste seriado é a escalação de não atores, como Erika Januza e tantos outros. O que deu um toque de realismo indispensável à proposta do diretor. Há também intérpretes experientes, como Haroldo Costa, Rosa Marya Colin e Fabrício Boliveira. Da direção, só poderíamos esperar excelência. A fotografia dá boa contribuição. O elenco está conectado ao enredo, e merece nosso reconhecimento. Nas vinhetas dos intervalos, uma ótima música: “Pra Swingar”, do grupo Som Nosso. E quando Fabrício Boliveira, como Cleiton, surgir, e conhecer Suburbia ficaremos o esperando lhe dizer que “Dentro dessa situação eu só posso convidar você ‘pra swingar’ comigo”.
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A disciplina no dia a dia de um Regimento do Exército, a vida e as particularidades dos moradores de uma grande comunidade do Rio de Janeiro, cobiças familiares, o sonho desfeito de mulheres que desejavam progredir fora do país, romances, belas imagens, diferenças de culturas (no caso, Brasil e Turquia)… Esses foram apenas alguns dos elementos apresentados nos primeiros capítulos da nova novela das 21h da Rede Globo, “Salve Jorge”, de Gloria Perez, com direção geral de Marcos Schechtman e Fred Mayrink, que corroboraram a eficiência que lhes é própria na condução das cenas. Na história, no Regimento citado, conhecemos o destemido Capitão Théo (Rodrigo Lombardi). Théo é filho único, exímio cavaleiro, e devoto de São Jorge. Suas aptidões e prestígio provocam a inveja do também oficial da Cavalaria, Élcio (Murilo Rosa). Depois de encontros, desencontros, mal-entendidos, diálogos ásperos, Théo acaba se envolvendo afetivamente com Morena (Nanda Costa), uma moça trabalhadora, mãe solteira, e que chama a atenção pelo gênio forte. Sendo assim, o Capitão termina o relacionamento que mantinha com a Tenente Veterinária do Exército, Érica (Flávia Alessandra.). Há também uma Delegada que prima tanto pela ética quanto pela beleza, Heloisa (Giovanna Antonelli). Ela vive às turras com o ex-marido Stenio (Alexandre Nero). A filha de ambos, Drika (Mariana Rios), irá se casar na Turquia com o irresponsável Pepeu (Ivan Mendes). Carolina Dieckmann interpreta Jéssica, uma jovem que foi enganada por um grupo que leva mulheres para o exterior com o fim de se prostituírem. Pensava que fosse trabalhar numa pizzaria. A organização é chefiada pela insuspeita Livia (Claudia Raia), com a colaboração de Wanda (Totia Meirelles) e Irina (Vera Fischer). Aliás, interessante assistir à boa atriz Totia Meirelles defender uma personagem vilanesca, já que estamos acostumados a vê-la na TV em papéis opostos. Quanto a Letícia Spiller, possui a missão de ser Antonia, que faz parte da falida família formada por seu marido Celso (Caco Ciocler), os sogros Arturo (Stênio Garcia), Isaurinha (Nívea Maria), e a filha pequena Raissa (Kiria Malheiros). Antonia será mais uma vítima de Livia, ao ser convidada para trabalhar para ela. O elenco está entrosado. Nanda Costa não decepcionou como a protagonista romântica do folhetim. O retorno de Lisandra Souto (Amanda) evidenciou que a atriz está mais bonita e não perdeu o “timing” para a atuação. A trilha sonora é diversificada e coerente. A abertura usa os recursos disponíveis da computação gráfica atingindo ótimo resultado. Há muita cor e dinamismo em referências à Turquia, como os balões, os tapetes, a arquitetura, e o que há de típico em uma comunidade. Tudo embalado por uma animada música cheia de suingue que nos chega na voz de Seu Jorge. Concluímos que a produção de Gloria Perez tem estofo para desenvolver bons conflitos. Salve Jorge!





