Pai herói. Filho anti-herói. Conversa franca entre ambos. Não, com Léo (Gabriel Braga Nunes), em “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, nada é franco. Nem adianta, Raul (Antonio Fagundes). Tentar é perda de tempo. O rapaz está se recuperando de soco e coronhada que ele mesmo pediu para simular assalto. E com o dinheiro da venda do carro “roubado”, pagar dívidas. Por sinal, o que não faltam na vida de Léo são dívidas: a principal delas é a com ele próprio. O empresário diz desconhecer onde foi que errou para o filho ter se tornado o que é. Raul, você não errou em nada. Sim, Wanda (Natália do Vale) o mimou, protegeu-o em demasia, mas não a ponto de tê-lo transformado no que é. Seu olhar azul é frio, distante, sem emoção. Ele debocha. É cínico. Mente como respira. Engraçado que atrás de si havia quadro que me remete a “pop art”, no qual lia-se “Love You Live”. Parece piada. Léo viver o amor… Insensibilidade. Esta é a sua “arte”. Agora, não podemos negar que é intenso, determinado na prática de ignóbeis atos. O pai fala que o ama. Não acredita. O pai comunica-lhe que vai chamar Dimas (Bruno Gradim) para refazer os curativos. Léo solta um “idiota”. Léo, se há coisa a qual seu pai não pode ser chamado é idiota. Já em outra cena, Wanda, a mulher que afirma só ter os filhos na vida, vai informar ao ex-marido que não admitirá que lhe tire um dos filhos. Chegara ao absurdo de proclamar que não cederia(!) um deles. Wanda não está nada bem. Após ouvir uma série de acusações contra aquele a quem sempre acobertara, esbofeteia o pai herói. Deve ter doído. Porém, doerá muito mais nela quando souber quem na verdade é o “monstro”.
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Foto: Bob Wolfenson/Revista ALFASim, a atriz Christine Fernandes nasceu em Chicago, Illinnois, Estados Unidos. Ficou pouco tempo lá. Pois então, é mulher “brasileiríssima”. Toda a sua vida está presente no momento no país que adotara: família, profissão. E foi aqui que praticara por razoável período o vôlei. Das quadras, migrou para as lentes das máquinas fotográficas. Afinal, a beleza nata quase que a obrigava a seguir este ofício. Retorna ao país de origem (estudara em Fort Lauderdale, Flórida), mantém a carreira de modelo iniciada em terras brasileiras na seara internacional (incluindo campanhas em Taiwan, Suíça, Espanha e os próprios Estados Unidos). Começa assim, ao regressar ao Brasil, bem-sucedida carreira artística (cursara “O Tablado” e a Casa das Artes de Laranjeiras, além de cinema e filosofia). Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar minha impressão sobre Christine. A bela moça já ostentou cabelos negros, contudo quando os têm loiros, vislumbro-a como uma das “famosas loiras de Hitchcock”. Encaixaria-se perfeitamente em um dos papéis dos filmes do “mestre do suspense”. Citemos exemplos: Grace Kelly, em “Janela Indiscreta” (“Rear Window”), Tippi Hedren, em “Os Pássaros” (“The Birds”) e Kim Novak, em “Um Corpo Que Cai (“Vertigo”). E como a televisão surgiu em sua vida? A estreia ocorreu com participação em “Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi. Porém, o destaque se deu pelas mãos de Manoel Carlos, em “História de Amor” (1995), como Marininha. Após ter trabalhado na Rede Bandeirantes em “Perdidos de Amor”, feito minissérie de Gilberto Braga (“Labirinto”) e um “Você Decide”, Christine Fernandes ganhara grande chance: integrar o elenco da adorável minissérie de Lauro César Muniz, “Chiquinha Gonzaga”. O papel era o de Alzira. A partir daí, seguiram-se vários folhetins, como “Esplendor”, “Estrela-Guia”, “Kubanacan” e “Essas Mulheres” (importante contribuição à produção da Rede Record, que lhe rendeu reconhecimento por meio de alguns prêmios). Voltou a colaborar com Manoel Carlos, em “Páginas da Vida”. Integrou o “cast” da eletrizante “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, foi uma médica responsável e verdadeira “mãezona”, Ariane, em “Viver a Vida” (loira como nunca), e estivera no seriado “A Vida Alheia” e no especial “Diversão.com”. E o cinema? Citemos, por exemplo, “Duas Vezes Com Helena”, “O Xangô de Baker Street”, “Amores Possíveis” e “Mais Uma Vez Amor”. No teatro, nada mais nada menos, interpretara a própria Hedda Gabler, no clássico de Henrik Ibsen. Agora, pensando melhor. Illinois e as quadras de vôlei perderam Christine Fernandes. Mas nós com isso ganhamos, não é?
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Em tempos remotos, frequentei o mesmo lugar que Murilo. Ele era amigo de conhecidos meus. Nunca nos falamos, e desconhecia seu nome. Era quietíssimo, só observava. Exímio observador. Prestem atenção nos que observam. Não sabia que era ator. Diogo Vilela é outro que observa bastante. Até que um dia, certa amiga me disse que Benício estava atuando em peça teatral, e se saindo muito bem. Algumas primaveras decorreram, e alguém chegou até a mim, e me comunicou: – Murilo Benício vai fazer novela na Globo! A associação com o rapaz que já conhecia de vista não se dera. Pensara que poderia ser qualquer um que não tivesse longínqua ideia de ter sequer olhado. Foi quando o vi em “Fera Ferida”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. Seu papel (ajudante de limpeza politizado) possuía razoável destaque no folhetim. As cenas com a Ilka Tibiriçá de Cassia Kis Magro eram boas. Houve passagem na trama que fora “prova de fogo” para o intérprete: ele, diante de vários artistas consagrados, em plena praça pública, deveria fazer discurso longo. Isto para um estreante é intimidador. O rapaz dissera que ficara tenso com este momento. Não era para menos. Seguiram-se a partir daí um sem-número de “discursos” de Murilo, não em praça pública, mas para todo o Brasil. Como por exemplo, ao compor o personagem que antes pertencera a Emiliano Queiroz: o Juca Cipó de “Irmãos Coragem” (o “remake” da obra original de Janete Clair fora realizado por Dias Gomes e Marcílio Moraes); o Bráulio/ Dráuzio de “Vira-Lata”, de Carlos Lombardi (esbaldou-se na comicidade); o Léo, jovem retraído de “Por Amor”, de Manoel Carlos, desprezado pela mãe Branca (Susana Vieira); o antagonista Cristóvão, de “Esplendor”, de Ana Maria Moretzshon; o Diogo/Lucas/Léo, de “O Clone”, corajoso folhetim de Gloria Perez (acredito que este tenha sido o maior desafio da carreira de Murilo); o Danilo de “Chocolate com Pimenta”, de Walcyr Carrasco; o Tião de “América”, de Gloria Perez novamente; o Arthur de “Pé na Jaca”, de Carlos Lombardi; o Dodi de “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro (ao meu ver, o seu mais cativante desempenho na televisão); e por último o Ariclenes/Victor Valentim de “Ti-ti-ti”, de Maria Adelaide Amaral. Participara de diversos seriados, dentre os quais podemos destacar “Força-Tarefa”. No cinema, citemos alguns longas-metragens: “O Monge e a Filha do Carrasco”, de Walter Lima Jr.; “Os Matadores”, de Beto Brant; “Orfeu”, de Cacá Diegues; “Sabor da Paixão” (“Woman on Top”), de Fina Torres, filme no qual contracenou com Penélope Cruz, e que marcara primeira incursão no mercado internacional; “Amores Possíveis”, de Sandra Werneck; e “O Homem do Ano”, de José Henrique Fonseca (Murilo Benício pintara os cabelos de louro). No teatro, disse texto de Woody Allen na peça “Deus”; contracenou com Giovanna Antonelli em “Dois na Gangorra”, de William Gibson; e com Marisa Orth, em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza. E após o sucesso como o “estilista espanhol”, retomou o seriado “Força Tarefa”, e agora o ex-jogador de futebol Tufão em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, exibida pela Rede Globo.
Obs: Atualmente, Murilo Benício vive o personagem Jonas Marra, na novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, “Geração Brasil”, exibida às 19h pela Rede Globo.
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Eu lia e relia críticas elogiosas ao espetáculo “A Máquina”, dirigido por João Falcão, e que no qual havia atores talentosos, como os baianos Wagner Moura e Lázaro Ramos (Gustavo Falcão é recifense). Porém, em meio aos conterrâneos de Bethânia tinha mineiro de Diamantina cujo nome é Paulo. Sim, Paulo Wladimir Brichta. Paulo, creio, é um dos artistas mais queridos do público em geral. Por quê? Pelos talento e simplicidade. Esta última virtude ficara evidente numa entrevista dele à qual assisti, no “Programa do Jô”. Bem, apesar de ter realizado outros trabalhos na TV, só vim a acompanhá-lo do início ao fim em “Belíssima”. O personagem Narciso (era tão vaidoso quanto a figura mitológica) possuía pujante comicidade, mas me lembro de cenas delicadas em que contracenava com Irene Ravache (Katina). Suas “performances” como modelo no folhetim eram ótimas. Ofereceram-lhe merecido programa próprio (“Faça Sua História”, em que era o motorista de táxi Oswaldir). Fora parceiro de excelente atriz (Debora Bloch), que se afinou bastante com ele, em “Separação?!”. Protagonizara a peça “Hamelim”, de Juan Mayorga. Agora, uma indagação: quando de fato Wladimir se fez notar? Chamara a atenção para si como o Ezequiel da novela “Porto dos Milagres” (2001), de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares (adaptação de obras de Jorge Amado). A seguir, vieram “Coração de Estudante”, “Kubanacan” e “Começar de Novo” (houve participações em seriados também). Como artista de teatro, coleciona renomadas encenações: “O Inspetor Geral”, de Nikolai Gogol, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa, “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams, “Calígula”, de Albert Camus, “Equus”, de Peter Shaffer, e o musical “Os Produtores”, de Mel Brooks e Thomas Meehan. No cinema, destacamos “A Máquina” (história baseada na mesma peça de Adriana Falcão que o lançou), “Fica Comigo Esta Noite”, “Romance” (gostei desse longa-metragem), “A Mulher Invisível” e “Quincas Berro D’Água”. No ano passado, Wladimir mostrara-nos convincente atuação, impingindo as doses certas de dramaticidade ao lado de Alinne Moraes em dois episódios de “Amor em 4 Atos”. O papel continha contornos nas angústias que remetiam ao movimento cinematográfico francês “Nouvelle Vague”. Como podemos perceber, Wladimir Brichta leva a sério a profissão escolhida. Leva a sério e nos faz rir como o Armani de “Tapas & Beijos”, seriado da Rede Globo.
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Aprecio bastante a atriz Debra Winger. Há tempo considerável me surpreendi com sua beleza no interessante filme “O Casamento de Rachel”, de Jonathan Demme, no qual faz a mãe da protagonista personificada por Anne Hathaway, que aliás fora indicada ao Oscar por este longa-metragem. O que me causaram impressão foram a ótima forma física de Debra e a permanência de seu talento dramático. A intérprete está em meu imaginário pela atuação em “A Força do Destino”, de Taylor Hackford, em que fez um lindo par com Richard Gere, e que contou com Louis Gossett, Jr., que recebera a estatueta dourada por esta produção cinematográfica. E a bela música “Up Where We Belong” é tão boa de se ouvir, que a cada vez que é tocada, paramos para escutá-la prazerosamente. Também fora agraciada com o citado prêmio. Há ainda a memorável parceria havida entre ela e a grande Shirley Mclaine em notório momento do cinema (“Laços de Ternura”, 1983). E uma curiosidade: para os que viram “ET: O Extraterrestre” sem que fosse dublado, a voz do simpático alienígena é a de Winger modificada de forma digital.
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Ao entrar na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, o ótimo ator Herson Capri já nos exibiu como é, e por conseguinte, como será o seu personagem Horácio Cortez, em “Insensato Coração”. Trata-se de poderoso banqueiro, com família constituída, e afeito a relacionamentos extraconjugais. A amante da vez até o capítulo de sábado passado era Andressa (Nathália Rodrigues), que por sua vez era amante de Patrick (Leandro Lima), que por sua vez é companheiro de Bibi (Maria Clara Gueiros). Complicado? Não, para mim é um retrato da vida com pitadas de ficção. Mas, voltando a Horácio, esqueci-me de dizer que o empresário não gosta de ser desobedecido. Complicado? Sim, bastante complicado, pois nem todo mundo se mostrará disposto a lhe obedecer. Vocês provavelmente já ouviram falar no dito popular: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Horácio Cortez “pode”, Andressa não teve “juízo”. Consequência: foi ameaçada e terá que retornar à sua cidade natal. Até o momento, Clarice (Ana Beatriz Nogueira), Rafael (Jonatas Faro) e Paula (Tainá Müller) são “ajuizados”. Eles seguem de modo fiel a “cartilha” de Cortez. Até quando? Até quando uma pessoa consegue seguir a “cartilha” de alguém? Clarice é insegura, boa esposa, sabedora das infidelidades do marido (entretanto, silencia). Rafael cursa faculdade de Economia que o deixa infeliz, afinal ele desejaria cursar… Ele não sabe. O dinheiro talvez tenha causado nele esta dúvida. Paula é moça de caráter duvidoso, contraditório, que se “vende” em troca de presentinhos, como viagens, caso acoberte as “puladas de cerca” do pai. “Excelente” filha. E olha que garante gostar de Clarice (que é sua madrasta). Imagina se não gostasse? Na festa, o ricaço se interessa por Natalie (Deborah Secco). Logo por quem. Contudo, a “celebridade” de “Volúpia na Montanha” enxergou de longe aliança de casado. E como Natalie Lamour também possui a sua “cartilha”, segundo a mesma não se envolve com homem casado. Sei não, tenho a impressão que quando a exuberante jovem vir a conta bancária de Horácio Cortez, a sua “cartilha” será colocada na estante para pegar pó.
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O jovem ator Humberto Carrão interpretou Luti, responsável estudante de Belas Artes na novela de Maria Adelaide Amaral. Foi filho dos personagens de Murilo Benício (Ariclenes/Victor Valentim) e Malu Mader (Suzana). Em não poucas ocasiões, os papéis se inverteram, e coube a ele dar conselhos ao pai. Na versão original, Luti teve a interpretação de Cássio Gabus Mendes, que formou par romântico com Malu Mader. Humberto nem havia nascido na época. Porém, ao ser convidado para integrar “Ti-ti-ti” não quisera assistir a qualquer cena da versão original para não se influenciar (prática muito adotada pelos atores em geral, e que possui coerência. O rapaz é cônscio do sucesso que o folhetim de 1985 obtivera. Em certo momento da trama, viu-se apaixonado por Carol (Maria Helena Chira). Mas voltemos um pouco lá atrás, a fim de sabermos como se deu o início da carreira de Humberto Carrão. Tudo começara no ano de 2004 ao personificar Diogo na produção voltada para os adolescentes, “Malhação” (produção esta considerada como “escola” para a formação de artistas bem novos). E retornaria em 2009, só que com a missão de dar vida a Caio Lemgruber. Neste interregno, participara do folhetim de Mário Prata e Carlos Lombardi, “Bang Bang”, como Pablito, e do clássico programa infantil reformulado, “Sítio do Picapau Amarelo”. Humberto Carrão teve em suas mãos a ótima chance de com Luti solidificar ainda mais a simpatia que o público tem por ele. Agora, é Elano, o jovem advogado de “Cheias de Charme”, obra das 19h de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, na Rede Globo.
Obs: No momento, Humberto Carrão está em uma nova novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, “Geração Brasil”, exibida às 19h pela Rede Globo. Seu personagem se chama Davi, considerado por muitos um gênio da ONG “Plugar”, que deseja transmitir aos mais jovens os seus conhecimentos sobre programas de computadores.
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O que dizer deste ator cujo nome nos soa tão forte, e que tanto divertira os telespectadores no seriado da Rede Globo, “S.O.S Emergência”, como o Dr. Solano? As primeiras imagens que surgem ao pensar nele remetem a “Estúpido Cupido”, um estrondoso sucesso de Mário Prata, que retratava os anos 60. A canção da abertura fora imortalizada por Celly Campello, e no elenco estavam uma bonita Françoise Forton, João Carlos Barroso, Tião D’Ávila, Ricardo Blat e Djenane Machado com seus belos olhos verdes. O curioso é que após Latorraca fez um programa ao lado de Djenane, dirigido por Augusto César Vannucci, chamado “Saudade não tem idade”. O artista em questão destacou-se em minisséries também, como “Anarquistas, Graças a Deus” e “Rabo de Saia”, dentre outras. Fez vários personagens em um único folhetim, “Um Sonho a Mais”. Contribuiu para a renovação do humor na televisão com “TV Pirata” (criara bordão que ficara conhecido no Brasil inteiro: “Barbooosa…”). E suas entrevistas são sempre imbuídas de graça e autenticidade.
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Recomendo aos que não assistiram o filme “Ensaio sobre a Cegueira”. O longa-metragem de Fernando Meirelles adaptado de obra de José Saramago, com ótimas fotografia e edição de César Charlone e Daniel Rezende, respectivamente, fora uma feliz realização do diretor de “O Jardineiro Fiel”. O elenco é dos melhores, contando com Julianne Moore, Danny Glover e Gael García Bernal. A atriz Alice Braga também participa. O que nos é mostrado nos provoca tensão, desconforto e apreensão. O ambiente no qual a história transcorre é da mais absoluta desolação.Tornamo-nos cúmplices dos personagens em sua busca pela salvação. Quanto a Fernando, ficara bastante ansioso no que diz respeito à receptividade do grande escritor português à transposição de seu livro para as telas. Muitos diziam que se tratava de enredo não passível de ser filmado. Meirelles provou o contrário. No dia em que Saramago viu suas ideias projetadas, seus olhos marejaram, e em gesto bonito e humilde agradeceu ao cineasta.
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Norma, assim como Florinda (Tamara Taxman), eu vou apostar, porque sei que fará tudo para recuperar o que “arrancaram” de você. Desde o começo, só tem sido humilhada, maltratada e enganada. Sim, Norma, entendo as suas palavras fortes. Está coberta de razão. Silveira (Hugo Carvana) gritava e a desrespeitava. Tratava-a como se escrava fosse. Léo (Gabriel Braga Nunes) a ludibriou o tempo todo com charme e sedução. Charme e sedução que julga baratos agora. Concordo. Deu-lhe aliança. Deu-lhe esperança. Abusou de sua confiança. Usou-a como mulher. Deu-lhe nome falso. Fez acreditar de que tudo iria melhorar para você. Fez o que ninguém tem o direito de fazer com o próximo: brincar com os sonhos e sentimentos alheios. Em desabafo, falara a Florinda que ele ao beijá-la deveria pensar nos dólares. É verdade, Norma, estava pensando mesmo. Imagino como deve ser difícil servir de instrumento apenas para que dinheiro fosse furtado, e depois ser ofendida, “calcada aos pés”, enxotada com ignomínia. Ser presa injustamente. Ser traída por quem se dizia ser sua amiga (Susana Ribeiro). “Amiga” amásia de golpista (Marcelo Várzea) que se fez de advogado, e que juntos “limparam” a sua aposentadoria. Norma, que humanidade é essa? Você não acredita, não é? Eu também custo a acreditar. E por ter sofrido desta forma, vou apostar em você, vou apostar que as coisas vão mudar, que você vai mudar, que você vai ter de volta tudo na sua vida, tudo que arrancaram de você. Parabéns, Glória Pires.








