Há beleza em Bruna Marquezine. Mas não só beleza. Há graça, também. Graça, graciosidade. Menina graciosa. Façamos então viagem até tempos idos para encontrar Bruna em outros tempos. Inocentemente estivera em “Gente Inocente”. Ao se ver seu rostinho, o que invadia nossos pensamentos? Inocência. A época da inocência de Marquezine. Em “Mulheres Apaixonadas” fez com que nos apaixonássemos por Salete, filha amorosa da mãe que Vanessa Gerbelli compôs. Já em “América” fora Flor, Maria Flor. Haveria nome mais apropriado para uma flor que poderia não enxergar com os olhos, mas enxergava, com a bênção da Força, com suas pequeninas mãos, e coração grande? Não, não haveria. Aliás, “flor” é palavra que a acompanha. Na novela de Miguel, “Negócio da China”, a ainda menina era Flor de Lys. E o filme “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”? Flores no caminho da pequena flor. Piegas? Não, um carinho. A por agora moça passeara por “Amazônia…” até chegar ao “Araguaia”. Já imaginaram quantas flores Bruna Flor viu? Muitas.
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Há um tempo que não posso desprezar vim a conhecer um ator de teatro nascido em São Paulo que concedera divertidíssima entrevista no “Programa do Jô”. Nesta interpretou hilariantes personagens de sua peça “Cada Um Com Seus Pobrema“, como o mico-leão-dourado e a “smurfette”. Não era então de se surpreender que Marcelo seguisse caminho natural para a televisão. Foi assim que pude conferi-lo como Fladson, em “Belíssima”, o açougueiro que se apaixonava por uma bela Sheron Menezzes. A mãe dele quem era? Nada menos que Jussara Freire. No atual momento, novamente em parceria com Silvio de Abreu, Médici, o “postino” de antes, e agora mordomo europeu que “trabalhou para a nobreza europeia” (segundo a Clô de Irene Ravache, um “europeu da Europa”) à serviço da família de Olavo (Francisco Cuoco) tem nos proporcionado bastantes cenas engraçadas no folhetim das 21h, “Passione”, principalmente ao lado de Simone Gutierrez e Gabriela Duarte.
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Até hoje tento descobrir dentre tantas galáxias que há no universo, em qual delas, e nesta, em qual estrela estava escrito que a vida traria sucesso a Nathalia. Uma estrela vista de longe pode ser que não exista mais, porém, a estrela Nathalia Dill é vista de perto, e o que se vê é bem vivo, causando deleite aos que a admiram, ou até mesmo fazendo como se sintam em um paraíso. Se é um “paraíso artificial”, não sei dizer. Marcos Prado, diretor de filme recente do qual fizera parte, saberia a isso responder melhor. Contudo, posso lhes garantir que é um paraíso metafórico, idílico, que penetra nas sensações humanas. Dhill estivera em novela jovem. Era vilã. Como pode beleza angelical ligada à vilania? Pode. Que o digam Patrícia Pillar e Mariana Ximenes. Seria o belo vilanesco, por nos deixar fragilizados? Se sim, fragilidade boa essa. Na foto, há mar azul, muitas cores, areia plana, e sorriso bonito que não nos engana. Ela está feliz em estar em dádiva da natureza. E a natureza em ter dádiva a ocupá-la. Em que direção vão seus pensamentos? Para onde o vento sopra.
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Após ter tido bom desempenho em concurso promovido pelo “Domingão do Faustão” em 1989, Adriana Esteves fora conduzida ao “cast” da ótima novela de Antonio Calmon, “Top Model”. Uma produção com um elemento praiano como é característico de muitas das obras de Calmon, tanto no cinema quanto na TV. E Adriana, bela, loira, um sorriso iluminado, encaixou-se perfeitamente no papel que lhe fora dado: Tininha. Em folhetim de Cassiano Gabus Mendes, “Meu Bem, Meu Mal”, um enorme desafio a ela impuseram: ser nada mais nada menos do que, ao lado de Edson Fieschi, filha de um de nossos maiores atores, Armando Bógus. E para completar, era o par romântico de José Mayer. Estivera junto a Bruno Garcia no especial “Marina”. Formou bonito casal com Maurício Mattar em “Pedra Sobre Pedra”. Dividiu opiniões em “Renascer”. Causou furor como a vilã Sandrinha e seu indefectível chiclete, em “Torre de Babel”. Conquistou o público das 18h com “O Cravo e a Rosa”. Em “Toma Lá Dá Cá”, esbaldou-se. E como Dalva atingiu seu ápice como atriz.
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Gostei da minissérie “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”. História picante, como é de se esperar vinda do grande Nelson Rodrigues. Uma direção da sempre competente Denise Saraceni, e um elenco heterogêneo que resultou em boas cenas. Alessandra Negrini no primeiro papel de destaque dela. Claudia Raia exibindo sua exuberância habitual em personagem dramática, imersa em conflitos emocionais. A narração (e participação) na voz bem articulada de Paulo Betti. Maria Luisa Mendonça em composição cheia de lascívia para a moça que se apaixona por Engraçadinha. Carmo Dalla Vecchia, muito jovem como Durval, filho de Raia, com quem viria a contracenar anos depois em “A Favorita”. Durval sente ciúme tanto da mãe quanto da irmã, interpretada por Mylla Christie, extremamente sensual. Destaca-se uma passagem em particular de grande beleza protagonizada por Claudia e Alexandre Borges. Era noite chuvosa. Entre ambos havia forte atração física. Tiveram ardentes momentos. Alguém poderia duvidar que é obra de Nelson Rodrigues?
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O ator de ofuscantes olhos azuis, cuja ascendência remete a terras sicilianas, estreara para valer na novela destinada aos bem jovens, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Por agora, vive Berilo em folhetim de Silvio de Abreu, “Passione”. Porém, esta não é a primeira vez que Bruno integra o elenco de uma obra do teledramaturgo. Estivera em “As Filhas da Mãe”. Participara a seguir de importante minissérie histórica da televisão brasileira sobre a Revolução Farroupilha, em que era o filho de Bento Gonçalves, interpretado pelo gaúcho Werner Schünemann. Convencera-nos como Inácio, rapaz enjeitado pela mãe (Deborah Evelyn) em “Celebridade”, do autor de “Dancin’ Days”, Gilberto Braga. O mesmo autor que lhe oferecera um de seus mais cativantes papéis, o Ivan de “Paraíso Tropical”, obra na qual pôde ter inolvidáveis embates com Wagner Moura. Novamente, um filho enjeitado. Não por Deborah, mas por Vera Holtz. Pelo menos, o enjeitamento se deu por meio do talento de duas ótimas atrizes. Contudo, antes disso, Bruno instigou o país como o Júnior de “América”, de Gloria Perez, inserido em um contexto que permitiu uma especulação que só foi respondida no último capítulo. E anterior ao italiano de “Passione”, já havia trilhado um caminho próximo à comicidade no “remake” de “Sinhá Moça”. À frente, outra readaptação, “Ciranda de Pedra”. No entanto, o algo de conteúdo desafiador da carreira de Gagliasso estava por vir: o Tarso de “Caminho das Índias”, também de Gloria Perez. Ali, o intérprete provou a todos (se é que ainda havia algo a ser provado) que detinha recursos dramáticos de sobra para personificar um “character” tão denso. Houve cumprimento de precípua função social. E a mencionada densidade fora mostrada em incursão no teatro, com o espetáculo “Um Certo Van Gogh”. Considero o artista sem pestanejar um adepto do visceral na composição de tipos que lhe são ofertados. Quanto a Berilo, se prestarmos a devida atenção, ele não é somente um homem dividido no tocante ao amor por duas mulheres, e que por situações folhetinescas faz-nos rir. É outrossim um ser humano que exibe sensibilidade ao não conseguir lidar com os próprios sentimentos, e que nos comove ao relacionar-se com aqueles a quem dera vida.
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Contar-lhes-ei uma história. Não é uma fábula. Pode parecer um conto de fadas. Ou seria o conto de um príncipe? Não, nada disso. É uma história real. Bem real. Era uma vez um rapaz filho de uma cabeleireira cujo trabalho era ser modelo. Estudara por um tempo na Casa das Artes de Laranjeiras, referência indiscutível na preparação de atores. A vida seguia para ele como para muitos segue. Por gostar de música, o moço provavelmente já teria ouvido “Material Girl” e “Express Yourself”. Até que um dia, a “popstar” que deu voz a estas canções foi ao Rio de Janeiro fazer show, e ser clicada por Steven Klein para um ensaio da revista “W”. Seria necessário que alguns jovens fossem selecionados para o mesmo. E dentre os jovens apresentados, estava Jesus. Escolheram Jesus. O que não estava nos planos iniciais é que a loira que cantara “Vogue”, e que interpretara Evita no cinema, pelo moreno de verdes olhos fosse se encantar. Daí, houve intermináveis rumores. Viajaram juntos. Os dois eram sempre fotografados. São notícia até hoje. Porém, cada um no seu lado. A carreira dele deslanchou. Inclusive como DJ. Aliás, interpretará a si mesmo em longa chamado “Not Alone”, de Alejandro Uboli. As luzes que por ora iluminam Jesus Luz não vêm somente dos “flashes” das máquinas fotográficas quando desfila ou posa, mas dos painéis de LED que por trás dele estão nas grandes festas em que toca.
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Foto: Divulgação do espetáculoFace ao que por mim foi lido a respeito da peça “A Garota do Biquíni Vermelho” temos muitos atrativos para conferi-la. Inicialmente por se tratar da estreia do jornalista Artur Xexéo como dramaturgo. Xexéo nos é conhecido pelos senso de humor, boa escrita e interesse, dentre tantos assuntos, por intérpretes, de uma forma geral. O fato de abordar vida de grande vedete e ótima comediante, Sônia Mamede, também assim contribui. Sua personagem Ofélia, mulher de Fernandinho (Lúcio Mauro), marcara-nos no humorístico “Balança Mas Não Cai” de modo definitivo. Como olvidar de Ofélia fumando uma cigarrilha, “disparando” asneiras, e que ao final do quadro dizia: “Eu só abro a boca quando tenho certeza.”? Engraçadíssimo. Atuara ainda na divertida novela de Silvio de Abreu “Jogo da Vida”. Outro aspecto convidativo é a presença da talentosa Regiane Alves. Sobretudo em um musical. E a direção de Marília Pêra, famosa por disciplina e seriedade ao comandar a encenação de um texto voltado para os palcos, motiva-nos sobremaneira. Enfim, o que não faltam são elementos para se sair de casa, e assistir ao que nos é proposto.
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Foto: Divulgação do espetáculo “A Loba de Ray-Ban”Christiane Torloni é uma atriz a quem podemos nos referir como atriz inteligente. Para mim, atriz inteligente é aquela que se faz detentora e dominante de suas emoções. Não basta tê-las, e usá-las. É preciso saber usá-las. E o mais importante: possuir um pleno entendimento do personagem. É o intérprete que traz para si a prerrogativa do controle da situação. Jamais o contrário. E quando se atinge este cobiçado patamar, deparamo-nos com atuação dignificante da arte a que pertence. Christiane compusera Melina, um papel bem escrito por Gloria Perez em “Caminho das Índias”. Lembro-me que a mãe de Tarso (Bruno Gagliasso) a princípio fora tachada de “perua, fútil, frívola”. Enfim, era “monocromática”. Nada disso. Apenas aquela mulher não havia se defrontado com realidades que fugissem ao mundo que criara para si. Os adultério e esquizofrenia de seu filho a fizeram mostrar face que sempre teve, só que omitida estava. Digo que Torloni é artista de porte. Com “ray-ban” ou sem “ray-ban’, é uma “loba” em cena.
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Existe novela perfeita ou não existe? Senão perfeita, a que mais se aproxime da perfeição? Em qualquer dos casos, “Vale Tudo” aí se insere. No primeiro capítulo, presenciamos a festa de aniversário de Maria de Fátima (Glória Pires), em que ela contrariada sopra as velinhas do bolo que lhe fora preparado. Na sua visão, uma festa de aniversário patética. Na sua visão. A mãe dela, Raquel (Regina Duarte), ingenuamente, está feliz com a efeméride. Fátima vai até a frente da simples casa, e apoia-se naquilo que a cinge. Raquel dirige-se ao encontro da personagem de Glória, e a moça plena em frustração de modo próximo fala a quem a criara que “aquela vida não era para ela”. Assim, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères iniciaram-nos para o real testemunho de uma das mais importantes obras da teledramaturgia brasileira. O esmero da produção foi desde a escalação do primoroso elenco passando pela cuidadosa trilha sonora. Houve “characters” e cenas inesquecíveis, como a de Heleninha Roitman (Renata Sorrah) dançando rumba ou similar em boate. Quem poderia se esquecer da emblemática definição dada por Helena ao gênero musical ao qual se referia? “Um mambo bem caliente!” Após, cai a mulher, e esta suplica ao amigo (Dennis Carvalho): “Me ajuda.”. Helena tornou-se então a “melhor” bêbada de todos os tempos na história da televisão. E, para completar, as dúvidas para mim se dissiparam: “Vale Tudo” foi perfeita sim.







