Podia-se sim dizer que aquela ladeira no Jardim Botânico próxima ao Horto, na qual encontra-se a sede da Rede Globo, cujo nome é Rua Von Martius, e que serviu por muitos anos como passagem obrigatória para se chegar aos estúdios da TV carioca, nos quais eram gravadas cenas de grandes novelas e seriados das décadas de 70, 80 e 90, permitiria ser chamada de “Hollywood brasileira”. O prédio é imponente, e naquela época existia uma pequena porta frontal por onde entravam e saíam atores, atrizes e jornalistas no auge de seu sucesso. Hoje o prédio é dedicado exclusivamente ao Departamento de Telejornalismo. Já em outra entrada, esta bastante extensa, passavam carros de transportadoras, funcionários e afins. Por lá, estive algumas vezes, e testemunhei o vaivém frenético dos artistas em seus dias de trabalho. Defronte à sede, havia a sala pertencente a Guta Mattos, que fora diretora do Departamento de Elenco da Rede Globo durante vasto período. Era bastante querida por todos. Nas paredes onde realizava seu ofício encontravam-se várias fotos de atores e atrizes espalhadas com carinho. Era ali que os intérpretes pegavam seus textos para decorar. Na mesma ladeira, há a Panificadora Século XX e lanchonetes e lojinhas de decoração. Certa vez, Lucélia Santos confessou que não dispensava um pão saído do forno com manteiga derretida da citada padaria. E no mesmo lendário estabelecimento, era possível deparar-se com Beatriz Segall tomando um cafezinho. E na minha frente na fila do caixa uma paciente Isabela Garcia esperando. Arlete Salles e Beth Goulart desciam a ladeira. O jornalista Marcos Hummel, sentado em canteiro, batia descontraído papo com seus interlocutores. Giácomo Mancini, o repórter, estava azafamado. Tarcísio Meira, simpático e tranquilo, próximo à banca de jornais. O que se olhava nas capas de revistas era o que se olhava ali. Em direção ascendente, Christiane Torloni guiava seu Uno vermelho. Eduardo Lago era só sorrisos. Surgiam de um carro da empresa (naquele tempo não havia vans) Gianfrancesco Guarnieri, Irene Ravache e Carla Camuratti. Tony Ramos cercado por admiradores devido à popularidade de Quinzinho e João Victor de “Baila Comigo”. A citada Beth Goulart e Lauro Corona vinham de uma externa na praia com roupas esportivas. Reginaldo Faria compenetrado. Pepita Rodrigues com pressa. Lima Duarte andando sem pressa. Susana Vieira, terminado o labor, ia embora. Beatriz Lyra conversava com a menina Monique Curi. Lídia Brondi, parada, sozinha, observava o ambiente. Maurício Mattar e Alexandre Frota confabulavam em mesa de restaurante. Tereza Rachel já era adepta das bicicletas quando ainda nem se cogitava o veículo como meio de transporte aconselhável a fim de que se evite danos ao meio ambiente. Fernando Torres atendia a todos, e com placidez respondia a perguntas sobre sua esposa, Fernanda Montenegro. Regina Duarte, que no momento vivia a transgressora socióloga Malu de “Malu Mulher”, notou-se cercada de horda a adorá-la. Não havia câmeras digitais tampouco celulares com este aplicativo. Se houvesse… E os “paparazzi”? Nem existiam. Espera aí, olha Miguel Falabella. Yara Amaral concedia autógrafos. Lutero Luiz pegava um táxi. Miriam Pires atravessava rua adjacente. Tony Tornado na padaria. Uma linda Malu Mader chegando para gravar com seus cabelos molhados. Irving São Paulo com textos embaixo do braço. Gloria Pires falando com seu pai, o comediante Antônio Carlos. Aracy Balabanian (era a D. Armênia de “Rainha da Sucata”) voltava para casa. Kadu Moliterno, admito, esbanjando beleza em seu Puma conversível. Cristina Müllins, admito, esbanjando beleza aproximando-se da emissora. Os dois faziam par romântico na primeira versão de “Paraíso”. O ator prodígio Oberdan Júnior, acompanhado de moça vestida de branco, pois era bem criança, dirigia-se aos estúdios. Pois é, não tinha aquele famoso letreiro instalado em montanha de Los Angeles, muito menos uma Calçada da Fama, porém a Rua Von Martius em tempos “pré- Projac” era de fato a “Hollywood brasileira”. Não eram necessários tapete vermelho, Oscar e óculos escuros para que os artistas não fossem reconhecidos. Nem tomar um avião. Bastavam alguns passos para se chegar a “Hollywood brasileira”, e tomar um café acompanhado do pãozinho quente com manteiga que Lucélia Santos recomendou.
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A atriz e modelo Thamires Vasconcellos no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Thamires nasceu no Rio de Janeiro.
Participou do programa "Mais Você", da Rede Globo.
Fez comercial para a MasterCard.
Foi fotografada por Thiago Gaspary para a "8ª edição do Visão da Moda", realizada no Palácio Julieta de Serpa, RJ.
Estampou outdoor da Vivli moda feminina.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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O stylist Felipe Veloso no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Felipe é carioca e formado em Odontologia.
É um dos mais badalados stylists do mundo da moda.
Prestou consultoria para diversas grifes (Isabela Capeto, Patrícia Viera, Reserva e Ausländer) e editoriais, tanto no Brasil quanto no exterior.
Regina Casé (de quem é muito amigo) e Caetano Veloso estão entre seus famosos clientes.
Já deu cursos de styling no Instituto Rio Moda.
Criou um modelo exclusivo de sneaker para a Schutz.
Assinou os looks das campanhas da Daslu e Le Lis Blanc.
Foi curador do desfile Inverno 2013 do Fashion Mall (RJ), no qual apresentou 50 looks por ele assinados (os mesmos foram vistos pelo prestigiado fotógrafo americano Scott Schuman; Scott é criador do blog "The Sartorialist", que disseminou o "street style"; o citado blog possui em média 14 milhões de acessos e faturamento de 1 milhão de dólares por mês).Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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A modelo da MEGA MODEL BRASIL Alessandra Hohl no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Alessandra nasceu em Cianorte, PR.
Foi uma das oito finalistas da 1ª edição do quadro “Menina Fantástica” do programa dominical da Rede Globo, “Fantástico”.
Tal colocação proporcionou-lhe desfilar na SPFW para a marca OESTUDIO.
Sua estreia no Fashion Rio deu-se pela TNG, tendo ao lado os atores Rodrigo Lombardi e Juliana Paes.
Fotografou para Magú Marioto e Renan Pissolato.
A primeira oportunidade surgiu com convite da linha de sabonetes Albany.
Desfilou para Pierre Cardin e Gloria Coelho.
Fez campanha para a Dress to, e editoriais para a Vogue Portugal e Vogue Brasil, além de Claudia e L’Oficciel.
Estampou a capa da Debutantes e da Cool Magazine.
Em Milão, realizou trabalhos para Chloé e Just Cavalli.
Participou de catálogo da TNG.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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O modelo Raphael Lacchine no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Raphael nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES.
Sua primeira agência foi a 40º Models, pertencente a Sergio Mattos.
Fora após agenciado pela Independent Men Model Management.
Fez carreira internacional em Milão e Paris.
Posou para Diesel Underwear e Ellus 2nd Floor.
Dentre as campanhas de que participou estão a de sexywear verão 2011 do italiano Frankie Morello, a de Victor Dzenk e a da Armadillo.
Na SPFW, desfilou para Colcci, Cavalera, Reserva e Alexandre Herchcovitch.
Esteve na capa da revista francesa Têtu e da australiana DNA.
Vicente de Paulo já o fotografou.
Trabalhou para Kenzo, Benetton, Glamour e Adidas.
Realizara editorial para a inglesa Attitude Magazine, e ensaios para a Forum e revista Collezione Uomo italiana.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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Um homem de bonita estampa que estava acostumado ao conforto promovido por sua família que em tempos idos era pertencente à alta sociedade carioca. O núcleo familiar é um tanto quanto desestruturado. O pai Arturo (Stênio Garcia) levou o clã à bancarrota ocasionada por investimentos mal feitos e inoportunos. A mãe Isaurinha (Nívea Maria) esconde um segredo do passado (provavelmente um caso de adultério com o falecido marido de Leonor, defendida por Nicette Bruno), e para complicar ainda mais a falta de um emprego que lhe apetecesse e um desgaste contínuo com sua até então mulher Antonia (Letícia Spiller). Com o suposto crescimento profissional da esposa, a deterioração matrimonial ganhou esboços cada vez mais perceptíveis. Brigas, brigas, brigas… Tudo aos olhos de uma criança, Larissa (Kíria Malheiros), fruto do enlace. A aproximação de Carlos (Dalton Vigh), antigo amigo de Celso, junto à bela loira só fez recrudescer o desmoronamento do casal com prazo estabelecido. O beijo existente entre ela e o falso enteado de Leonor foi a gota d’água para o epílogo drástico do casamento. Porém, uma questão desta triste história conjugal não deve ser descartada: Celso ainda ama perdidamente Antonia. E todas as suas atitudes (que acabam voltando-se contra ele mesmo) são motivadas por este pujante sentimento. O ciúme cega-lhe. E o faz infringir até a legalidade. Disputou com veemência a guarda da filha. Usou trunfos para tê-la só para si. A guarda compartilhada não se mostrou eficiente para a educação da menina. Um elemento que assombra muitos casais pelo mundo afora é abordado pela autora de “Salve Jorge”, Gloria Perez: a alienação parental (ocorre quando um dos responsáveis pela guarda do filho, seja o pai, seja a mãe, insufla a cabeça da criança com permanente campanha que leva à desmoralização do outro possuidor da benesse concedida pela lei). O tema fora até abordado no programa “Fantástico”. Celso tentou estabilizar a sua vida, apostando num namoro com Érica (Flávia Alessandra), entretanto como só falava de sua ex-mulher, o romance teve breve duração. Celso não é um mau homem. É apenas um indivíduo atormentado pela perda do amor, que antes poderia até não conseguir identificar o grau de sua amplitude. Quanto à carreira artística de Caco Ciocler, começou cedo no teatro amador, e cursou a EAD (Escola de Arte Dramática). Ao encenar a peça “Píramo e Tisbe” (premiado como melhor ator coadjuvante), assistido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, recebeu o convite para participar da primeira fase de o “Rei do Gado”, como Jeremias Berdinazzi (prêmio APCA de Revelação Masculina). Um outro personagem na TV que lhe trouxe projeção fora o Bento Coutinho da minissérie épica “A Muralha”, da Rede Globo. Personificou um judeu na novela “Um Anjo Caiu do Céu”. Em outra minissérie de teor histórico escrita por Carlos Lombardi, todavia com bastante tom cômico, emprestou seu talento ao viver o irmão de D.Pedro I e filho de Carlota Joaquina. Mais um momento relevante da História do Brasil lhe apareceu à frente: A Revolução de 32 (no documentário para a TV Cultura “A Guerra dos Paulistas”). Fez par romântico com Deborah Secco em “América”, de Gloria Perez. Logrou solidez na sua popularidade. Foi dançarino de tango em “JK” e fotógrafo em “Páginas da Vida”, folhetim de Manoel Carlos. Contracenou com Marjorie Estiano por duas vezes: uma em “Duas Caras” e a outra em “Caminho das Índias”. Sob a batuta de João Emanuel Carneiro, esteve na intrigante série “A Cura”. Ainda na televisão, bastante participações especiais, além das já mencionadas. No teatro, merece destaque a estreia em “Ecos”. Percorreu as veredas elizabetanas do bardo inglês William Shakespeare em “Rei Lear” (Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator). Vivenciou uma experiência inusitada nos palcos ao apresentar o monólogo “45 Minutos”, cuja duração era a mesma do título. Consistia na interatividade constante com a plateia. Um enorme desafio. Conheceu bem de perto a dramaturgia de Bernard-Marie Koltés, ao dirigir “Na Solidão dos Campos de Algodão” (Prêmio Quem de Melhor Diretor). Continuou nas coxias, só que desta vez como intérprete, em “Casting”. Fora visto em “Mary Stuart”, “Salomé”, “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, “Antonio e Cleópatra”, “A Construção” e “O Desaparecimento do Elefante”. Na tela grande, já esteve ao lado de Elliot Gould. Vários filmes marcaram sua presença nos cinemas: “Bicho de Sete Cabeças”, “Minha Vida em Suas Mãos”, ” O Xangô de Baker Street”, “A Paixão de Jacobina” (com Letícia Spiller), “Avassaladoras”, Desmundo”, “Sexo, Amor e Traição”, “Vinícius” e “Meu Pé de Laranja Lima”. O curta “Limbo” também lhe enriquece o currículo (houve premiações para este gênero cinematográfico). As versões históricas parecem fazer parte de sua trajetória profissional, visto que deu vida a Luiz Carlos Prestes, ao lado da Olga de Camila Morgado, em filme cuja direção coube a Jayme Monjardim. As diferenças sociais entre dois amigos foram retratadas em “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat. Integrou também “Quanto Vale ou é por Quilo?, de Sergio Bianchi, um longa-metragem de contexto fortemente crítico. Caco Ciocler já fez as vezes de roteirista, ator, diretor e editor no curta “Trópico de Câncer”, exibido no Festival do Minuto (Tema Livre). Prêmio de Melhor Filme. No Cine Pernambuco, melhor ator em “Família Vende Tudo”. “Dois Coelhos”, obra inovadora de Afonso Poyart, focada na mistura do eficiente roteiro aos admiráveis efeitos visuais lhe conferiu frescor em vivência nova. Está no elenco de “Disparos”, com Dedina Bernardelli. Encarnou um rabino em “O Caminho dos Sonhos”. E para concluir, voltemos ao Celso de “Salve Jorge”. O que lhe resta, e há esperanças, constitui-se no ato de recolher os fragmentos espalhados pelas ruas vazias de suas relações amorosas, juntá-los, e aí sim vir a ter um amor completo e emoldurado. Desde que não falte um único fragmento qualquer.
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Uma rua chamada Adalberto Ferreira. Bairro: Leblon. Não chamava-se pecado. Então não era possível encontrar Marlon Brando tampouco Vivien Leigh. Mas era possível encontrar Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim, o excelso maestro e compositor brasileiro, autor de grandes clássicos da bossa nova e da MPB. “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Águas de Março” e “Samba do Avião” são apenas algumas canções deste músico incensado pelo mundo, e gente ilustre como Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e Stan Getz. O local onde se dera o encontro mágico fora a Churrascaria Plataforma. Local este vizinho à antiga Sendas, e que correspondia na década de 80 ao que atualmente é a Rua Dias Ferreira, na mesma área, por seu comparecimento constante e invariável de artistas e profissionais da cultura nacional. À espera dos deliciosos e fumegantes pãezinhos de queijo que serviam de entrada, e pareciam vir direto das Minas Gerais, e que emulavam com as saborosas carnes, podia-se sentar ao lado de atores, atrizes, produtores musicais, autores de novelas… e Tom Jobim. Ao chegar num belo dia de domingo ao restaurante, em seu Puma vermelho conversível, iam embora José Wilker e Renée de Vielmond, na época casados. Acreditem. Não havia “paparazzo”. Se houvesse, não faltariam pautas para um mês inteiro para as revistas deste gênero. Entre uma mordida e outra de pão de queijo, vislumbrava-se o simpático jornalista e produtor musical Nelson Motta. Na porta do estabelecimento, podia-se esbarrar em um contemplativo José Lewgoy, venerável vilão das chanchadas, e que tinha acabado de fazer enorme sucesso no folhetim de Gilberto Braga, “Água Viva”. Noutra mesa, uma certa Regina Dourado. Que beleza de atriz, esbanjando tanto carisma ao seu redor. Noutra mesa, uma das musas daquela geração, Tássia Camargo. Percebi um sério e introspectivo Manoel Carlos. As seriedade e introspecção deveriam ser motivadas pela estreia no dia seguinte de um de seus maiores êxitos televisivos, “Sol de Verão”. Criança, falei: – Manoel, amanhã estreia sua novela, “né”? Sentados com placidez à espera do almoço, alguém que atendia pelo nome de Carlos Zara ao lado de sua então esposa Eva Wilma (naqueles anos o verbo “esperar” era respeitado). E um de nossos notórios atores junto ao seu filho Maurício Gonçalves, Milton Gonçalves de cabeça raspada (claro que tudo se deu em ocasiões diferentes) conversava conosco como se fôssemos amigos de infância. Abria seu sorriso com extrema generosidade. Este é Milton Gonçalves. Maurício do Valle, astro do Cinema Novo, irrompia com suas fortaleza e imponência nos vastos salões. Meus olhos não sossegavam à procura de pessoas que me despertassem a atenção e reconhecimento por algo que tenham feito de relevante por nossa cultura. Lá dentro não choviam as “águas de março”, nem vi a “garota de Ipanema” entrar no banheiro, ninguém lá aparecia vindo de um avião cantarolando um samba, e a saudade era deixada do lado de fora, na rua chamada Adalberto Ferreira. A Adalberto Ferreira do Leblon de Manoel Carlos. A Adalberto Ferreira vizinha a Sendas. Apesar de tudo isso, foi com avolumada surpresa que me vi diante daquele que com sua pena escreveu obras do nosso cancioneiro que nos falam fundo ao coração: cercado de amigos, em extensa mesa, defronte a uma tulipa suada de chope, chapéu panamá na cabeça, e entre os dedos o indefectível charuto, um bonachão e falante Tom Jobim. Eu e os que comigo estavam aproximamo-nos dele, e lhe dissemos algo. Tom foi de uma afetividade que raro se identifica nos gênios. Aquele domingo não fora um domingo qualquer. Fora um domingo com Tom Jobim. Nesta hora demos chance à fantasia, e sobre nós caíram as “águas de março”, a “garota de Ipanema” entrou sim no banheiro, ouvimos o forte ruído de um avião chegando ao Rio de Janeiro ao som de um samba, e já estávamos com saudade daquele encontro. Esquecemos o “chega”. Voltamos ao nosso pãozinho de queijo. Ainda fumegante como antes. Como era infante, não podia beber um chopinho como Tom Jobim. Mas se o pudesse, com certeza levantaria o copo também suado e convocaria os que lá estavam que brindassem pela presença do brilhante maestro. Impressão que se tem é que todos por alguns minutos fomos garotos e garotas de Ipanema. Ao retornarmos para casa, não chovia. Não sei se era março. Porém, imaginemos que era março, e que chovia sim. Afinal, estivemos com Tom Jobim.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Moderna. Atual. Contemporânea. Descolada. Desencanada. Independente nas finanças e no amor. Elegante. Sensual e sedutora. Qualquer homem cai aos seus pés. E a hora de dar um “basta” cabe a ela. Inovadora comportamental. Ao chegar, em grande estilo, do exterior ao Brasil na novela “Salve Jorge”, de Gloria Perez, causou rebuliço ao promover o “descasamento” (uma cerimônia alegre que celebrava os anos felizes que passou ao lado de seu companheiro, vivido por Diego Cristo, apesar da separação). Bianca “causou”. Representava o sonho de consumo da maioria das mulheres defensoras do feminismo. É uma mulher do mundo. E Bianca é o tipo de mulher que o mundo recebe bem. Entretanto, não foi o caso ao fincar seus pés no país turco. Em viagem com seu novo “affair” Stenio (Alexandre Nero) deixou-se encantar pelo charme do guia turístico Zyah (Domingos Montagner). Este utilizava-se justamente do atributo para conquistar as estrangeiras e guiá-las para a… sua caverna. Stenio ficou a ver navios no Bósforo. E um ardente romance desenrola-se entre o casal. Suas cenas são tórridas. Zyah esquece-se até das turistas. Porém, quem nunca o esqueceu, amando-o sempre, fora Ayla (Tânia Khallil). Bianca começa a enfrentar o duro conflito cultural, e na região de costumes tradicionais da Capadócia sofre preconceitos por sua postura. E os embates obtêm contornos visíveis entre os dois. Ele a quer ao seu molde. Deseja que trate seu filho como se por ela fosse gerado. Bianca resiste a isto. Afinal, Bianca é amiga da liberdade. Compromissos definitivos passam ao largo de sua vida. Entretanto, cede. E vai morar com o guia. A caverna ficou para trás. Depois de alguns beliscões e ser chamada de “chilique, a amiga de Maitê (Cissa Guimarães) ao conviver com seu amado vê-se vítima de uma implacável perseguição de sua família. Não suportou. Tampouco Ayla com a solidão. Para aplacá-la, decide casar-se com um rico vendedor de joias. O ciúme bate à porta de Zyah. A relação de Bianca e do homem que aprecia cavernas torna-se inviável. Idas e vindas, e a bela moça decide de vez voltar para suas origens, retomando o que deixara. Passa a ser o que sempre fora. Decepcionado, Zyah impede o casamento de Ayla. E juntos ficam para o contentamento dos aldeões. O que talvez Bianca não imaginava junto com o público é que se percebeu “fisgada” para valer pelo moreno que traja coletes rústicos. A mulher desapegada a amores permanentes cai por terra. Bianca é mulher como qualquer outra. Apaixona-se de verdade, e quer quem lhe é objeto de paixão ao seu lado. A crise de identidade veio-lhe perturbar. Não tem mais sossego. Vive um dilema pessoal. Não se reconhece. Nem a amiga Maitê a reconhece. Onde está a mulher do século XXI? Onde estão seus dogmas? O amor é maior do que qualquer dogma. Num encontro por ela premeditado com Zyah defronta-se com a humilhação impingida pelo guia e sua esposa. Fica arrasada. Isso nunca havia lhe ocorrido. Contudo a fez crescer como representante do sexo feminino. Que dogmas que nada! Bianca quer é amar. E foi buscar o que julga ser seu de direito na terra dos tapetes e balões. Tudo pode acontecer se vier a reencontrar quem deseja. Se as paredes das cavernas tivessem ouvidos… E Cleo? Quanto a esta atriz que, apesar da vivência constante com o meio das Artes por seu parentesco, dúvidas comuns a qualquer jovem no tocante à escolha da sua profissão a cercavam. Temia cobranças se optasse por ser intérprete. Natural. Contudo, uma Monique Gardenberg apareceu em seu caminho, e a chamou para ser a protagonista de um filme baseado na obra homônina de Chico Buarque, “Benjamim (ganhara prêmio no Festival do Rio). O seu deleite ao fazê-lo, e a aceitação pronta da crítica eram o que faltavam para a decisão final de abraçar o ofício de servir a emoções várias. Antes, participara da minissérie da Rede Globo “Memorial de Maria Moura”, no mesmo papel defendido por sua mãe Gloria Pires. Provocou celeuma na novela “América”, ao personificar Lurdinha, que gostava mesmo era de homens mais maduros. Já interpretou o mito Cleópatra. Trabalhou com João Emanuel Carneiro em “Cobras & Lagartos”. Apresentou programa sobre a Sétima Arte, e experimentou um folhetim de época, o “remake” de “Ciranda de Pedra”. A vilania lhe surgiu com o nome de Surya em “Caminho das Índias”. Como Estela, visitou os cantões do norte nacional em obra de Walther Negrão, “Araguaia”. Como boa brasileira que é tinha que ser uma brasileira em “As Brasileiras”. Nas salas de cinema, pôde ainda ser vista em “Meu Nome Não é Johnny”, “Lula, o Filho do Brasil” e “Qualquer Gato Vira-Lata”. Terminamos tudo o que foi dito com Bianca. Bianca é moderna. Nunca deixou de ser moderna, atual e contemporânea. Continua a ser do mundo. Afinal, o amor é moderno e é do mundo. -

Foto: Renato Rocha Miranda/TV GloboHá algum tempo, fui assistir ao clássico de Jorge Amado nos palcos, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. A direção fora de Pedro Vasconcelos. E no elenco estavam Marcelo Faria como Vadinho e uma bela Fernanda Paes Leme como Dona Flor. Jonas Torres também estava lá na ribalta. Esbanjando brilho como Mirandão. Foi bom ver Jonas atuando, e pensar o quanto este intérprete ainda tem a nos oferecer. Na época, usava um bigode para dar mais credibilidade ao seu personagem. O espetáculo possuía a legítima ambiência baiana, com suas rodas de capoeira e prosódia local. Fiquei satisfeito com o que vira, e em maior nível ao poder dar os parabéns a Jonas Torres no final da peça pela filha que tivera recentemente. A sua amabilidade só fez aumentar minha admiração. Este ator a quem dedico este texto já começou a se destacar na tenra idade da infância, em um excelente filme de Hugo Carvana, sendo um dos melhores que testemunhei na cinematografia nacional: “Bar Esperança”. Era Yuri, filho do próprio Hugo e Marília Pêra. As intervenções do pequeno artista em suas cenas, fossem com Marília ou Hugo Carvana eram irretocáveis. Um ator nato. Credito a ele um dos fatores de sucesso do longa. Aliás, contribuir para o sucesso de uma atração, seja no cinema, teatro ou TV parece ser uma constante em sua jornada. É só nos lembrarmos do autêntico Zeca de “Vereda Tropical”, ótima novela das 19h escrita por Carlos Lombardi. Filho de Silvana (Lucélia Santos), mantinha uma relação também filial com o jogador de futebol Luca, defendido por Mário Gomes. As arengas com a tia Catarina (Marieta Severo) eram regadas por um humor irresistível. Gol de placa de Jonas, que antes havia feito alguns episódios de “Quarta Nobre”, na mesma Rede Globo. E este gol de placa o levou a fazer um gol talvez mais bonito, quando fora escalado para ser o Bacana de “Armação Ilimitada”, série de Antonio Calmon, dentre outros de igual importância. O que nós, telespectadores, pudemos vivenciar fora uma revolução estética, temática e musical como nunca havia sido mostrada na televisão. Um elenco totalmente entrosado com a proposta nova e jovial do programa. Kadu Moliterno, André di Biasi, Andréa Beltrão, Francisco Milani e Catarina Abdala proporcionaram-nos junto a Jonas momentos de pura e irreverente diversão. Entrou para a história da teledramaturgia não à toa. Vieram-lhe a seguir outros tantos trabalhos televisivos, como “O Dia Mais Quente do Ano” (telefilme), e os folhetins “Top Model” e “Vamp” (voltando a colaborar nestes dois últimos com Calmon). Foi aí que a vida de Jonas tomou outro rumo. Filho de um americano, migrou para os Estados Unidos, servindo ao Exército como paraquedista. Novos voos para Jonas. Voos que o trouxeram de volta ao Brasil. Participou de “Malhação”. Porém, Jonas precisava de mais voos. E no país ao norte das Américas, personificou os papéis de piloto e instrutor de voo. Como Jonas gosta de voar… Jonas, o aviador. O aviador ator. Ou seria o ator aviador? Não importa isso agora. O que importa é que Jonas Torres retomou sua carreira artística, e daí veio “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, na Rede Record. E depois “Malhação ID”. Na tela grande, voltou a saborear o doce gosto dos “sets” em “Super Xuxa Contra o Baixo Astral” e “Outras Estórias”, cuja direção coube a Pedro Bial. Dois “Pedros” em sua vereda tropical. Visto que Pedro Vasconcelos, como já foi dito, dirigiu-o em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Finalizo aqui, e convicto afirmo que Jonas é presença bem-vinda em qualquer área das Artes. Jonas Torres, o ator, o aviador, o ator aviador que nos palcos ou estúdios pelo mundo afora dá rasantes de talento.
Obs: No momento, em seu retorno às novelas, Jonas Torres vive o ex-catador de lixo Ismael na obra de Aguinaldo Silva “Império”, que vai ao ar pela Rede Globo às 21h.
Ismael ganhou a simpatia do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), após ter lhe devolvido o anel de esmeralda furtado por sua companheira Lorraine (Dani Barros, com quem tem feito ótimas cenas), passando a ocupar um posto na seção de almoxarifado da empresa de joias “Império”.




