Os cariocas aplaudem o pôr-do-sol em Ipanema. Mas será que palmas estas não homenageiam o Vidigal, lá pelas paragens da Niemeyer sob os olhares severos dos Dois Irmãos? Porque não há quem desminta que no Vidigal uma tal de Arte lá se fez senhora em boa hora. Há palco. Há Guti Fraga. Guti que reuniu gente do bem. Gente que quer ser artista. Sonhadores aprendizes da senhora. Mostraram ao Brasil e ao mundo que a comunidade pode dar arte. Surgiu o “Nós do Morro”. Roberta Rodrigues é “nós”. Thiago Martins é “nós”. Mary Sheila é “nós”. Jonathan Haagensen é “nós”. E seu irmão Phellipe, também. Marcelo Mello Jr. é “nós”. Douglas Silva é “nós” e Leandro Firmino é “nós”. “É nós, ‘mermão’”! Somos todos “nós do morro”. Nós do asfalto, nós do asfalto e do morro. Todo mundo tem um Vidigal dentro de si. Sim! Somos todos iguais. “Tamo junto!”. Os aprendizes em suas raízes se fizeram artistas. Roberta Rodrigues é um dos exemplos. A popularíssima Maria Vanúbia de “Salve Jorge”, novela de Gloria Perez, exibida pela Rede Globo que está em reta final é prova das dedicação, disciplina e força de vontade da atriz em mostrar o que Deus lhe deu na “Cidade de Deus”. E na “Cidade dos Homens”. Apaixonou-se pelo “admirável mundo novo”, não o de Aldous Huxley, mas o de Manoel Carlos, quando de sua estreia em folhetins (“Mulheres Apaixonadas”). Na produção atual, consagrou-se com memoráveis bordões de inspiração única: “Sou Maria Vanúbia, não sou bagunça não”, “Quem gosta de pescoço é gravata”, “Pi Pi Pi Pi Pi Pi Pi, olha o recalque chegando!”, afora as alcunhas “Delzuitzzz” e “Percoço”, dentre tantos outros bem-humorados. Em capítulo recente, Roberta teve preciosa chance de exibir densidade de alto teor dramático ao se ver vítima do tráfico humano. Só que se esqueceram de que Maria Vanúbia “não é bagunça não”, e por não ser “bagunça” deu “sacode” em Wanda (Totia Meirelles). Ela sempre quis ser internacional. Preocupe-se não, Maria. “Salve Jorge” será vendida para os cinco continentes. Seus biquínis sensuais e megahair da cor do sol farão sucesso no estrangeiro. A moça de viseira que bronzeia-se na laje não é somente o que falam dela. Se é esnobe, provocativa, já demonstrou ser sensível também. Por baixo de Maria Vanúbia existe Roberta Rodrigues. Roberta que canta e encanta no grupo musical Melanina Carioca, com os seus amigos do Vidigal. Olha o Vidigal criando arte de novo. Na primeira versão de “Cabocla”, Nelson Gonçalves entoava: “Cabocla, seu olhar está me dizendo…”. No remake, Roberta soube o que dizer. Da mesma forma que soube dizer aos “Filhos do Carnaval”, sucesso da HBO. A intérprete é legitimamente tropical. Não poderia então ficar de fora de “Paraíso Tropical”. Após bater papo com as “Três Irmãs”, saiu do Vidigal e deu um pulo em Copacabana, e não se iludiu com “A Iludida de Copacabana”, episódio de “As Cariocas”. “Copacabana não me engana”. O coração “vale tudo” de Gilberto Braga não é insensato. E o papel de Fabíola fora dado à profissional em “Insensato Coração”. A personagem Dirce é “de menor”. Porém, Roberta Rodrigues é “de maior”. E daí? Ambas são brasileiras. Conexão Vidigal-Amazonas na história “A De Menor do Amazonas”, de “As Brasileiras”. Se bom filho à casa torna, a filha tornou. E bastante filmes saborearam a sua presença, sejam longas-metragens, sejam curta e documentário. Entre eles, estão: “Garrincha – Estrela Solitária”, “Noel – Poeta da Vila”, “Mulheres do Brasil” e “5 X Favela: Agora por nós mesmos” (apresentado no Festival de Cannes; indicação de melhor atriz para Roberta concedida pelo Grande Prêmio Brasileiro de Cinema). Não se enrolou em “Desenrola”. Quis fazer brinde em “Vamos Fazer Um Brinde”, e 10 anos depois como ela mesma esteve em “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”. Onde tudo começou. Entretanto para o público e Roberta não terminou. Há o que vier pela frente. Roberta Rodrigues foi aprendiz, hoje é querida atriz e não torce o nariz para os que ovacionam-na. Maria Vanúbia não é bagunça. Tampouco Roberta. Roberta é mulher e artista séria.
Categoria: Cinema
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Sheila é meiga. Sheila é doce, sonhadora. Moça bonita que sobe e desce ladeiras, pega carona em garupa de moto e é verdadeira. A personagem de Lucy Ramos na novela de Gloria Perez, “Salve Jorge”, contribuiu de modo enobrecedor no sentido de alvejar o cerne da percepção avaliadora dos telespectadores. Lucy é boa atriz. Não porque ouvi: “É o que se diz.” Tenho provas que sublinham a máxima anterior a esta. No Direito, o ônus da prova cabe a quem acusa. Nas Artes, o ônus da prova cabe a quem atua. E Lucy Ramos saiu-se Defensora de primeira. Foi-lhe atribuída no folhetim das 21h a indispensável tarefa de no núcleo que acendeu acalorada discussão pintar fortes cores de credibilidade. As cenas que tivera abarcando o árido tema “tráfico humano” serviram para o desenvolvimento coerente da trama. Emprestou seus olhos ao susto e aos medo, aflição e angústia. Agradáveis às pupilas nossas foram os momentos que Lucy sorriu. Que Lucy dançou. Morena (Nanda Costa) confiou nela. Eu confiaria. Colaborou para que o público lavasse a alma dando oportunidade a Lucimar (Dira Paes) que esquentasse mão em rosto traidor de Wanda (Totia Meirelles). Não aceitem má interpretação, pois é ficção. Proferem que “tapinhas de amor não doem”, contudo “tapinhas de ódio” doem… E como doem. Que o diga Wanda. Que se arrebenta e não se emenda. A recifense Lucy Ramos fora peça-chave na elucidação e desbaratamento da quadrilha que assombrou o Brasil. A linda morena que não é a única “Morena” de “Salve Jorge” nos deu beijo de talento. Artista cumpridora de missão. Como libriana que é busca incansavelmente o equilíbrio da balança da vida e da profissão. A balança não se mexe. Sinal de equilíbrio. A também modelo iniciou carreira em fase que nos atordoa: a adolescência. Afinal quem dispensaria formoso rosto? Os deslumbrantes cabelos parecem moldura de valioso quadro renascentista do Louvre. E não é que a pelota se aproximou de seu delgado pé ao desejar ser jogadora de futebol? Lucy, você já marca seus gols. Os goleiros lhe temem. Aprendeu (ou só fez desabrochar) a capacidade de atuação no curso de teatro do SENAC. Estacionou seu carro na “Oficina de Atores” da Rede Globo. De lá, saiu tinindo, e disposta a brilhar. Matriculou-se em academia de “Malhação”. Suou, pegou peso, e a mesma toalha que usou para enxugar face própria, guardou em mochila, porquanto havia compromisso agendado: viajar no tempo e ser uma das moças de “Sinhá Moça”. Com esforço de atleta subiu em árvore, e saciando o apetite saboreou fruta de gosto peculiar, a jaca, em “Pé na Jaca”. Tão prazeroso conhecer o paraíso, e Lucy o conheceu em “Paraíso”. Deram-lhe cordel para ler. E o encantamento da sua leitura não nos decepcionou em “Cordel Encantado”. Ela, como já afirmei é do Recife. Recife é da terra de Cabral. Nada mais justo que sambar no episódio “A Sambista da BR-116” em “As Brasileiras”. Lucy surgiu em dimensões gigantescas ao ser vista em filmes como “Turistas”, “Um Dia de Ontem” e “Inocente”. Os paulistas comentaram: – A “mina” Lucy Ramos vai fazer Marina… da Silva. A atriz está em céu de diamantes porque é diamante. Nem precisa ser lapidado. Está pronto. Pronto para ser admirado.
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Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias/TV PressO personagem de Antonio Calloni, Mustafa, em “Salve Jorge”, novela das 21h da Rede Globo escrita por Gloria Perez, como o rico comerciante turco de suntuosos tapetes que é, seguindo à risca as antigas tradições de seu país, costuma dizer aos seus interlocutores que deve-se servir em loja chá bem quente aos fregueses para que possam permanecer largo tempo no estabelecimento, e comprar mais tapeçarias. Quando vejo Mustafa, uma das melhores criações da autora para a produção atual, lembro-me de papel defendido por José Wilker na primeira fase de “Renascer”, em que usava como bordão: “É justo, é muito justo, é justíssimo.” Pois desta forma contextualizo a personalidade do pai adotivo (e nem por isso menos pai) de Aisha (Dani Moreno) na trama das 21h da Rede Globo que está chegando ao fim. Um homem justo, muito justo, justíssimo. Em vários momentos do folhetim, o ex-marido de Berna (Zezé Polessa) revelou esta nobre faceta, que impinge dignidade e honradez à enredo que discute questões de dura aceitação pela sociedade civil. No tocante à busca infatigável da amiga de Zoe (Julia Mendes) por suas raízes biológicas, sempre apoiou-a, por mais que de algum modo isto machucasse-o. Contudo quem justo é sobrepuja dor pessoal. Hoje move moinhos de vento para estreitar a relação afetiva de quem com tanto amor criara e a família legítima. Está ao largo do preconceito socioeconomico. A riqueza material não obscurece a riqueza da alma. Ao deparar-se com situação degradante em que encontrava-se Morena (Nanda Costa), vítima do tráfico humano, foi capaz de “comprá-la” para que pudesse escapar do calvário. Alimentou-a, deu-lhe roupas e guarida. Alguns poderiam argumentar que o que cometera fora errado. Entretanto, o que é o errado diante da multiplicação deste? Quando o assunto é Berna, a configuração analítica é complicada. A prima de Deborah (Antonia Frering) engendrou repertório de crimes, abusando de mentiras, omissões, furtos, e cedendo a chantagens para acobertá-los. O casamento de anos com a elegante esposa não demoveu-o de pôr em prática sua sede de justiça. Berna sofrera forte repreensão e colocada contra a parede todas as vezes em que suas práticas penais eram desveladas pelo marido. Antonio Calloni é daqueles intérpretes que dão credibilidade e prestígio a quaisquer produções para as quais é escalado, e em “Salve Jorge” não está sendo diferente. Quantas vezes não percebemos seus faiscantes olhos azuis marejados de lágrimas com real emoção? Privilegiados são os artistas que com ele dividem a cena. Antonio estreou com garbo na minissérie de Gilberto Braga, “Anos Dourados”, com o seu inesquecível Claudionor. E a partir daí, em desenfreada evolução, Calloni, que também é respeitado escritor e poeta, construiu sólida carreira pontuada por personagens indiscutivelmente marcantes. Dentre tantas novelas de que participou, destaquemos o William de “O Dono do Mundo”, o cineasta Milton Dumont de “Zazá”, o mitológico Bartolo de “Terra Nostra”, o Mohamed de “O Clone” (inicia-se aí frutífera parceria com Gloria Perez), o divertido César de “Caminho das Índias”, e o romântico e severo contraventor Natalino de “O Astro”. Um elemento objeto de interesse em sua jornada artística é o fato de ter personificado, não raro com verossimilhança, papéis históricos, como o abolicionista Lopes Trovão de “Chiquinha Gonzaga”, o pioneiro das telecomunicações Assis Chateaubriand em “Um Só Coração”, o poeta modernista Augusto Frederico Schmidt, afora o médium Zé Arigó. Sobressaiu-se em diversos episódios de “A Vida Como Ela É”. Emprestou potencial à adaptação de obra de Machado de Assis em “O Alienista”, na “Terça Nobre”. Não faltaram-lhe humorísticos, seriados, infantil e especiais. Testemunhamos seu alvo rosto em minisséries relevantes como “Decadência”, “Os Maias” e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Seguiu a orientação de cineastas em filmes como “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil”, “Outras Estórias”, “A Paixão de Jacobina”, “Poeta das Sete Faces”, “Anjos do Sol” (com o qual recebeu o prêmio ACIE – Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil) e “Faroeste Caboclo”. Dublou Garfield. Retomando o tema láureas, fora agraciado com o Molière pelo Karl Marx do espetáculo “A Secreta Obscenidade de Cada Dia de Marco Antonio de la Parra”. E como autor revelação presentearam-no com o Prêmio Jorge de Lima pelo livro de poemas “Infantes de Dezembro”. Entre coxias, urdimentos e proscênios desbravou terrenos de Tchekhov, Jorge Amado, Sam Shepard, Harold Pinter, Tom Stoppard, Eugene O’Neil e Milan Kundera. Antonio Calloni é generoso e magnânimo com o público e as Artes, deixando por onde quer que passe marcas, vestígios e impressões de sua fonte inesgotável de talento nato. São por esses motivos que sugeri-lhes que sirvamos um chá bem quente a Antonio Calloni a fim de que fique mais tempo com a gente. Nem precisa ser o chá das 5, pode ser o das 18, 19, 21 ou 23h.
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Foto: Sergio Santoian para a Revista MENSCHCom passos largos e confiantes, proveio de cidade de nome Curitiba, lá pelos torrões do Sul do Brasil, jovem artista de braços dados com a Dona Arte. Eles não se desgrudavam. O “peregrino” é músico, compositor, arranjador, sonoplasta, diretor musical e… ator! Soltou branda voz em melodias de lavra própria por palcos com almas distintas. Caíram sobre suas merecidas mãos muitos prêmios. Nenhuma das múltiplas facetas que possui foi preterida. Deixou marcas dos pés pelos tablados da vida, em peças como “Os Leões”, “Agora é que são elas”, “O Processo”, “Pluft, o Fantasminha”, “A Bruxinha Que Era Boa”, e “Bolacha Maria: um punhado de neve que sobrou da tempestade”. Na tela mágica do cinema, frequentou os sets de filmes como “Corpos Celestes”, “Cilada.com” e “Novela das Oito”. E vem por aí “Super Crô – O Filme”. Dedilhou cordas de violão, cantou, juntou palavras esparsas em coesão. Nasceu música. E de bandas participou: Maquinaíma e Denorex 80. É fato que esteve de fato no grupo Fato. Lançou disco de relevância: “Vendo Amor Em Suas Mais Variadas Formas, Tamanhos e Posições”. Ouviu o chamado da televisão, a “grande fábrica dos sonhos”. Deram-lhe personagem doce. Vanderlei era tão doce que se tornou o favorito de Catarina (Lilia Cabral) em “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro. Quando pensou que chegara a hora de tirar sesta na cama e sonhar com o paraíso, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa o despertaram pois tinha compromisso com “Paraíso” (texto original de Benedito Ruy Barbosa). Terêncio foi parceiro do “leão” Eriberto Leão. Não me esqueci de “Casos e Acasos”, “Dó-Ré-Mi-Fábrica” e “Batendo Ponto”. Elizabeth Jhin escreveu em papel ou computador o que as estrelas lhe disseram: – Chame o Nero. E a Nero coube Gilmar. Tivera que cometer maldades no comecinho da noite. Recebeu então um convite de Aguinaldo Silva com estampa fina: o Baltazar de “Fina Estampa”. Serviu como importante ponte para que se denunciassem questões que amiúde entristecem segmentos da sociedade: a homofobia e a violência doméstica. Vítimas destas que só desejam respeito e cidadania. Alexandre conduziu volante de carro luxuoso pelo drama e pela comédia com o seu motorista. O destino e Gloria Perez quiseram porque quiseram que o ator se reencontrasse com a colega tão querida Dira Daes, com quem contracenou em folhetim anterior. Dos dedos rápidos e imaginativos de Gloria teclando máquina da informação surgiu Stenio de “Salve Jorge”. Ótimo advogado e sabedor das brechas das leis. Brechas que dão beijo no rosto da impunidade. Brechas do Brasil. Os brasileiros Drika (Mariana Rios), Pepeu (Ivan Mendes) e a turca Berna (Zezé Polessa) espocam garrafa de champanhe celebrando as brechas. No ombro alinhado de seu paletó há cheiro de bom perfume. Perfume de Helô (Giovanna Antonnelli), sua ex-mulher. O divórcio foi firmado em cartório. Contudo, não firmado em corações. Em corações apaixonados não há burocracia. Dentre tantas causas que ganhou ou perdeu, a mais desafiadora é reconquistar a bela mulher de cinto duplo. O que almeja o causídico é dela ouvir dentre um “hã hã” e outro “hã hã”, a frase “Eu te amo, Stenio.” A leitura de sentença que cultiva tanto em si mesmo escutar. Stenio se sentirá grande no prazer, atuante e cantante no amor. Não obstante, Stenio se refestelou em colo certo. No colo de Alexandre. Não há quem possa duvidar da intuição da Dona Arte.
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Foto: Primo Tacca Neto e Brasilio WilleAssim como pode florescer lírio em meio à cinzenta lama, no depósito das traficadas de “Salve Jorge”, novela das 21h da Rede Globo, de Gloria Perez, que está nos seus capítulos finais, pode haver os talento e beleza de jovem atriz e bailarina paulistana, Laryssa Dias. Bem já no começo do folhetim, Laryssa despertou-me a atenção por suas personalidade, firmeza, segurança, compreensão da difícil personagem, e é claro, belo rosto e nítido potencial dramático. Seu papel é contextualmente complexo, espinhoso, o que não causou temor à intérprete. Muito pelo contrário. Teve e tem ótimas cenas com seus colegas de elenco com quem dividiu e divide o estúdio. Laryssa, que é formada em Publicidade e Marketing, permitiu que sua genuína vocação artística bradasse. E colocou-a em prática desde cedo, quando criança. A atriz defrontou-se durante todo o decorrer da trama com fortes momentos de tensão estrategicamente inseridos naquela. Não faltou espaço para agressões físicas e morais de caráter contínuo impingidas por mão pesada do algoz onipresente Russo (Adriano Garib), o que não deve ter sido nada fácil para a artista. Se o que vemos hoje é uma poderosa atuação de Laryssa deve-se sobretudo à solidez na bagagem de aprendizado colhida no passado. Na primeira ocasião que sentiu o aroma do tablado de um teatro estava em período adolescente. O circo cutucou-a também. Os ensinamentos que obtivera não lhe foram transmitidos por mãos quaisquer. Ligia Cortez deu-lhe aulas na Casa do Teatro e dirigiu-a em “Menina Moça”. A Escola de Atores – Wolf Maya passou-lhe importantes noções de como se portar defronte a uma, duas ou três câmeras, e submeter-se à rigidez das marcações natas à engrenagem industrial do veículo televisão. Laryssa é “menina moça” inquieta, ávida por aprender. Buscou em Fátima Toledo, José Eduardo Belmonte, Denise Weinberg, Wladimir Capella e o Grupo Tapa um tanto mais de ricos ensinamentos. E o fruto maduro nascido da boa semente que plantou vislumbra-se na personificação de Waleska. Uma personagem que lograra simpatia do público não somente pelo carisma da profissional, mas proporcionada pelas sensibilidade, altivez, determinação e senso de justiça com que fora composta. O fato de que já era prostituta antes de ser traficada em nenhum instante livrou-a da condição de vítima como as demais. Alguns dos pontos positivos de sua participação evidenciam-se nas bem-sucedidas parcerias com Nanda Costa (Morena) e Murilo Grossi (Almir). Fontes asseguram que Waleska terá envolvimento com o policial e se apaixonará por ele, o que denota oportuno e agradável desfecho, haja vista que torcemos por sua vitória pessoal. Destaca-se outrossim a postura de líder com os pares de infortúnio. Ciente de que sofrerá “tapas & tapas”, e nunca beijos do “carrasco da Turquia” Russo enfrenta-o com dignidade e valentia surpreendentes. O confronto com Lohana/Jô (Thammy Miranda) propositalmente por esta provocado irá diluir-se com a descoberta de real identidade da desafeta, o que renderá interessante situação. Deduzimos que para que uma atriz ganhe a oportunidade que Laryssa Dias conseguiu faz-se necessário que tenha-se estofo de estudos além dos que já aqui mencionei. E aquele adveio de experiência como protagonista em curta-metragem de Marcel Mallio, “Fui Comprar Cigarro”, e no seriado da Fox, “9MM SP”. Entre coxias teatrais, durante curso do diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya encenou Sam Shepard, “Oeste Verdadeiro”, e Ibsen, “Casa de Bonecas”. É de pronta conclusão de que nada caiu do céu no colo de Laryssa. Perseverança, dedicação e intento de aprender foram-lhe consistentes aliados. O destaque em “Salve Jorge” não veio-lhe por acaso. Há sim possibilidade de visar charme extra em Waleska dia a dia com Laryssa Dias. Laryssa é o lírio na lama. E onde há lírio há esperança.
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Somos inevitavelmente postos em conflito quando o conceito natural acerca de vilania que temos nos é subtraído, o que ocorre quando o mesmo se associa ao belo. A vilania sempre nos foi feia, hedionda, ignóbil. O belo é algo mítico, icônico, supremo, reverenciado em importantes períodos da História da Arte, como nas fases greco-romana e renascentista. Este introito serve apenas a fim de indicarmos apropriada abordagem sobre Rosângela, polêmico papel defendido com brilho por Paloma Bernardi na novela de Gloria Perez, “Salve Jorge”. Paloma, além de ostentar beleza clássica que para mim remete às das divas hollywoodianas das décadas de 40 e 50, é representante da geração jovem de talentos da TV. Talento que se evidencia aos brados ao ter como incumbência a missão de viver a moça sonhadora que deseja ser modelo, e que acaba caindo em nefasta armadilha, tornando-se escrava da prostituição. Não nos foge da memória que a atriz adveio de personagens dóceis, amigos, carinhosos, conciliadores, que adquiriam como saldo a conquista instantânea do público telespectador. A despeito de já ter experimentado a televisão em tempos de adolescência em folhetim como “Colégio Brasil”, no SBT, e anos após em “Mutantes – Caminhos do Coração”, na Rede Record, foi em “Viver a Vida”, obra de Manoel Carlos exibida pela Rede Globo, na qual interpretou Mia, que Paloma Bernardi veio a ser reconhecida pelo Brasil. E posteriormente a Alice de “Insensato Coração”, de Gilberto Braga. Coincidência ou não as duas eram irmãs amáveis, generosas, fiéis e boas conselheiras. Esperava-se então uma virada na carreira da intérprete. E a desconstrução de sua antiga imagem se deu pelas mãos de Gloria Perez, oferecendo-lhe Rosângela, que no decorrer da trama passa de vítima à condição de vilã. Uma bem-vinda chance para a artista nos convencer de modo crível da possibilidade de coexistência do belo e do delituoso. A outrora vítima “comprou” a ideia de se livrar de seu cárcere pessoal juntando-se aos seus algozes. Meticulosamente, passo a passo, conseguiu ultrapassar a fronteira que a separava da prisão da “liberdade vigiada”. Seus desvios de personalidade se iniciaram ao se sentir preterida por seus pares de infortúnio. Mostrou-nos ambiguidade ao “reconhecer” Morena (Nanda Costa) em corpo que não era o dela, com o intuito de lhe proteger da quadrilha. Viveu momentos de glamour ilusório como modelo até se “profissionalizar” como aliciadora de pessoas. O seu final é uma incógnita. Tanto pode ser redimida pela autora quanto sofrer severa punição. Paloma Bernardi é uma atriz que busca o aperfeiçoamento em todas as áreas, seja nas diversas peças teatrais de que fez parte, seja no cinema ou clipes musicais. Formou-se em faculdade de rádio e TV. Tive a satisfação de conferir o seu potencial cênico no espetáculo “O Grande Amor da Minha Vida”, ao lado de Thiago Martins. No término, chamei-a ao proscênio, e solícita como “lady” que é, agachou-se para ouvir o que tinha a lhe dizer. Comuniquei-lhe que havia lhe mandado um texto em rede social concernente à cena relevante decorrida em “Insensato Coração”, tendo como assunto em pauta o convencimento da irmã (Camila Pitanga) de que não realizasse aborto. O que assistimos nos fora tão tocante que intitulei o que escrevera como ” O Momento de Paloma Bernardi em ‘Insensato Coração’ “. Paloma é de fato linda, meiga e atenciosa, respondendo-me todas as vezes em que lhe enviei algo ao seu respeito colocado em palavras. Inclusive, falei-lhe que faria novo texto sobre a ótima impressão que tivera com o que acabara de ver. Para não espanto meu, agradeceu-me como de costume. Raro se deparar com artista tão nova com maturidade na postura em lidar com aqueles que dela se aproximam. Seus sorriso e olhos incrivelmente verdes ainda lhe darão, com certeza, outros tantos papéis no ofício que abraçara. Paloma já integrou o elenco de inúmeras produções teatrais, incluindo infantis e adultas, como “Galileu Galilei”, “Woyzec” e “A Vida é Sonho”. Antes de iniciadas as gravações de “Salve Jorge”, exibiu seus dotes de cantora e bailarina em musical oriundo da Broadway, “Fame – O Musical”. E voltando à novela, Gloria Perez deve estar jubilosa com sua interpretação, assim como nós. Uma atuação vilanesca permeada por dualidades. Rosângela já demonstra habilidade em exercer o tipo penal denominado aliciamento, usando como trunfos carisma e simpatia. E concluímos que estamos equivocados em aliar a beleza a tudo o que simbolize benevolência. Seríamos espécie de acólitos de preconceito estético. O que é bonito é bom, e o que é feio é mau. Patrícia Pillar já disso nos provou com a Constância de “Lado a Lado” e a Flora de “A Favorita”. A vez é de Paloma Bernardi que nos leva a crer sem quaisquer lacunas para contra-argumentos de que a vilania sim pode ser tão ou mais perigosa quando se esconde em belos rostos. Ainda mais quando se trata de rosto de Paloma.
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Foto: Gustavo Zylberstajn para a Revista Estilo
Tratamento de imagem: RG ImagemUma pergunta recorrente que se faz ao se assistir às cenas de Érica, a personagem de Flávia Alessandra em “Salve Jorge”, de Gloria Perez: uma mulher bonita, bem-sucedida na profissão (tenente médica veterinária no Regimento no qual trabalha), amiga, sensível, romântica, inteligente pode estar sozinha, sem amor? Resposta difícil à pergunta difícil. Até então, não podemos responder. A sua desdita talvez esteja no fato de continuar apaixonada pelo capitão Théo (Rodrigo Lombardi), o que faz com que, querendo ou não, feche-se para um novo relacionamento afetivo. Porém, quem somos nós para julgarmos Érica? Mandamos em nossos corações? Será que não teríamos as mesmas atitudes dela? Passaríamos por cima de nossos orgulho e autoestima somente para estarmos ao lado de quem amamos? Não estamos aqui para julgarmos ninguém. Somos todos “réus” do amor. Culpados por amar. Se formos correspondidos, a sentença final será a absolvição de não mais sofrer. Entre muitas idas e vindas, encontros e desencontros, términos e recomeços do romance com Théo, como estará o seu sofrido coração? Como deve ser para uma mulher enxergar no homem que ama os pensamentos em outra mulher? Théo também não tem culpa. É mais um “réu”, culpado por amar… Morena (Nanda Costa). Morena que sofre pela ausência do corpo do capitão encostado no seu. Este triângulo amoroso subverte as rígidas linhas da Geometria. Por quê? Porque trata-se da “geometria” humana. E em paralelo, há pessoas que dependem das decisões certas ou erradas dos três “réus” envolvidos: o filho Júnior (Luiz Felipe Mello), Lucimar (Dira Paes), Áurea (Suzana Faini) e as crianças que estão para nascer. Érica, em meio à avalanche de decepções de que fora vítima, até tentou “engatar” uma relação com Celso (Caco Ciocler). Não deu. Celso também é um “réu”, culpado por amar Antonia (Letícia Spiller). Deixou-se levar pela malícia do tenente Élcio (Murilo Rosa) pretendendo quem sabe uma “vingança”. Não deu certo. Agora, está pronta para casar-se com o capitão. Juntarão suas insígnias. Áurea faz campanha involuntária contra as mães dos filhos que enamorados estão. Áurea não representa a maioria das sogras. Há mães que sogras são maravilhosas. Contudo quem não irá perdoar os lindos olhos verdes de Áurea? Théo está imerso em abismo escuro onde estão pensamentos perturbadores chefiados por uma algoz chamada “indecisão”. Como sabe-se como novelas terminam, Théo acabará com Morena. Espera aí? E Érica? Iria-se contra as Leis da Natureza deixá-la só e triste. A felicidade baterá à sua porta, como nos filmes de Frank Capra. O amor está no ar. Não num balão da Capadócia. Bem próximo. A porta está muda. Três toques. Abre-se a porta, e com ela vem embrulhado o amor. Flávia já nos é bastante conhecida pelas novelas que fez. Vencedora de concurso no “Domingão do Faustão”, estreou em obra de Antonio Calmon, “Top Model”. Na faixa nobre da Rede Globo, com indomável talento, escalada foi para “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Para o nosso bem-querer, em seguida rumou para “Meu Bem Querer”, como a vilã Lívia. O ano de 2001 foi-lhe importante pois deram-lhe a protagonista Lívia desembarcando no “Porto dos Milagres”. Um vampiro tentou dar-lhe um beijo em “O Beijo do Vampiro”. O beijo em Lívia, a personagem principal. Três “Lívias” na vida de Flávia. As maldades pulularam da alma de Cristina (personagem que lhe valeu bastante elogios e vultosa repercussão), em “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco. A “pole dance” teve um “upgrade” quando Flávia Alessandra mostrou-nos toda a sua disciplina como atriz ao exibir a habilidade corporal em “Duas Caras”. Nunca havíamos visto na TV “Caras & Bocas” tão cheias de charme como a de Flávia em horário das 19h. Fomos assoprados, não mordidos, com a boa dupla interpretação da artista em “Morde & Assopra”. E um dos sopros fora robótico. Outras produções teledramatúrgicas valorizaram seu currículo, incluindo folhetins, seriados, minissérie e especial. Em “Ti-Ti-Ti” “personificou” Flávia Alessandra. Nas salas escuras dos cinemas, a tela grande iluminou-se com a presença desta intérprete em longas como “No Meio da Rua”, “Selvagem” e o “blockbuster” “De Pernas pro Ar”, dentre outros. Ganhou vários prêmios “Contigo!” em diversas categorias. Ficamos por aqui. Esperando a felicidade bater à porta de Érica. Pensei num jovem advogado que exerce seu ofício no escritório de Stenio (Alexandre Nero). Formariam belo casal. Quem sabe a sua mão não dá os três toques que mencionei nos meandros deste texto?
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As filmagens coordenadas pelo diretor irlandês Steve Barron (que tem no currículo longas-metragens como “The Adventures of Pinocchio”, em que estão Martin Landau e Geneviève Bujold; “Coneheads”, com Dan Aykroyd, Adam Sandler e Ellen Degeneres; “Teenage Mutant Ninja Turtles”, com Elias Koteas (“As Tartarugas Ninja”); e clipes de Michael Jackson (“Billie Jean”), A-ha (“Take On Me”), e Dire Straits (“Money for Nothing”) foram realizadas em um dos mais míticos e representativos hotéis cinco estrelas do Rio de Janeiro, local onde já se hospedaram celebridades, reis e chefes de Estado. Hotel que ostenta suntuosa arquitetura neoclássica. Uma já não mais amiga me indicou para uma agência de elenco, pois precisavam de um ator com o meu “physique du rôle”. Ora, nunca havia pensado em trabalhar num filme inglês. O Reino Unido, do qual a Inglaterra é integrante nos deu exímios cineastas como Alfred Hitchcock, David Lean, Danny Boyle, John Boorman, Ken Loach e Jim Sheridan. Então, estar em produção britânica me era honra não discutível. No raiar do dia, fui um dos primeiros a lá chegar. Hotel vazio, ermo. Circulei estupefato por aqueles cômodos regados à luxo que tanta História guardavam. Hoje, o Hotel Glória será mais sofisticado, atinente aos tempos modernos, sem no entanto que se descaracterize sua imponente fachada. Após farto “breakfast” (sem chá, pois ainda não eram 17h), deram-me elegante figurino de garçom. Todo em “bordeaux”. Se me decepcionei com o papel? De modo algum. Considero servir a alguém um dos mais nobres ofícios a que tive notícia. E o curioso é que nos meus inocentes dezesseis anos fui balconista de lanchonete. Sem uniforme “bordeaux”. No estabelecimento, não só vendia salgadinhos, refrigerantes e chopes, mas “pegava no pesado”. Empunhava uma vassoura, lavava pilhas de pratos, e demovia a sujeira dos mal-educados e não adeptos da higiene. Devem-se se perguntar? – Momento infeliz de sua vida? Respondo: – Claro que não! Uma das melhores fases da minha existência, em que pude crescer e me divertir. Ganhei dinheiro? Qual nada! O que recebi fora tão pouco que o banco encerrou a minha conta pela falta do vil metal. Desculpem-me por ter fugido do assunto vigente. Um desabafo apenas. Voltemos ao filme. Chama-se “Mike Basset: England Manager”. No seu “cast”, um dos mais aclamados comediantes da nação da Família Real: Ricky Tomlinson. Os demais atores exalavam empáfia. Quanto ao figurino que me foi dado, poderia servir até de traje para o meu aniversário de trinta anos. Cabiam-me duas cenas. Detalhe: o ano era 2001, portanto anterior à Copa do Mundo de 2002, organizada pelo Japão e Coreia do Sul (que estranho assistir a jogos de madrugada). E o longa abordava justamente a guerra futebolística (não a das Malvinas ou Falklands) travada entre nossos “hermanos” e os conterrâneos de David Beckham. O intento destes era uma “vingança” contra os filhos do tango pelo “gol de mão” feito por Diego Maradona (apelidado de “A Mão de Deus”) na Copa do México, em 1986, contra os súditos da Rainha, em Campeonato Mundial sediado no Brasil (nesta época não se cogitava a hipótese do país tropical ser sede de uma Copa). Especulei que como havia participações especiais de mitos do futebol como Pelé e Ronaldo Fenômeno, o filme fosse lançado no Brasil por meio de inteligente estratégia de marketing. Enganei-me. Assim tive que vê-lo depois. E é ótimo! Muito engraçado, e com belas imagens da cidade do Rio. Falemos então de minhas únicas duas cenas: em uma delas deveria demonstrar naturalidade ao tomar conta do “american bar” enquanto assistia a uma das partidas; a outra era mais complexa. Faria as vezes de garçom sustentando uma pesada bandeja (seria de prata?) com drinks a servir aos protagonistas da trama em instante crucial. Acreditem, foram para mais de dez “takes”. Não tinha mais forças. Meus braço, antebraço, mão e cinco dedos pediam clemência. Agora, vejam a desconsideração que para comigo tiveram: em dado momento, já exangue, deixei a Lei da Gravidade vencer, e a bandeja (seria de prata mesmo?) cair. Veio-me afoita equipe a amparar-me. Estava molhado. O “bordeaux” já era. Todavia, a preocupação não me tinha como destino. E sim, o tapete. Por onde andará o tapete socorrido? E ainda tem mais: ao aproximar-me dos artistas lançaram mão do recurso cinematográfico nomeado “fade out” (a imagem vai aos poucos desaparecendo, então quando até eles cheguei era um “garçom fantasma”) A vida não é tão bela como tenta nos convencer o título do filme de Roberto Benigni, que em cujo Oscar no qual concorreu e ganhou, a nossa dama Fernanda Montenegro foi inacreditavelmente preterida por Gwyneth Paltrow. E Ronaldo? Não o vi. Mas Narcisa, vi. E não ouvi nenhum “Ai, que loucura!”. Pareceu-me tímida até. Steve Barron, o diretor do longa-metragem em pauta, era um indivídio acessível, calmo, tranquilo e com habilidades precisas para a orientação das tomadas. Agora, vejam que pretensão a minha. Fui pego de surpresa por um suposto jornalista que me pediu para ser o intérprete de uma entrevista com Steve Barron. Jornalista que não sabe Inglês? Fiz a minha parte. A equipe de produção nos perguntou se toparíamos filmar no dia seguinte porquanto haveria a presença luxuosa de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Em uníssono, aceitamos. Veríamos Pelé, e ganharíamos R$50,00. Na manhã seguinte, já estava a postos. De repente, burburinho. Pelé chegou. Um bando de repórteres pulou em cima dele como se quisessem evitar que finalizasse uma jogada que desse a vitória ao Brasil. Se alguém tiver alguma impressão equivocada do atleta, desconsidere-a. Pelé é educado, gentil, paciente, cumprimentou a todos, enfim, como deve proceder um ídolo. Terminadas as filmagens. Já havia para colocar no meu cofrinho R$100,00. E tinham destinação certa: R$50,00 para comprar um relógio despertador e os outros R$50,00 para um outro relógio, só que este para me despertar para a vida que de fácil não tem nada.
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Se em “Fina Estampa”, novela anterior de Aguinaldo Silva, Tânia Khallil interpretou Letícia, uma professora de Literatura, recatada, mãe de uma filha, que morava com esta e com a mãe, e era fechada para o amor (o que se resolveu em capítulos posteriores), em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, sua novela atual, Tânia é Ayla, uma aldeã, também recatada, que em grande parte da obra conviveu com a meia-irmã Tamar (Yanna Lavigne) e a madrasta que tem como mãe Sarila (Betty Gofman), e que nunca fora fechada para o amor. Muito pelo contrário. A doce Ayla sempre acalentou sentimento amoroso de caráter platônico pelo mais famoso guia turístico de Istambul e Capadócia, na Turquia, Zyah (Domingos Montagner). Como recitava Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra…”. A pedra no meio do caminho de Ayla é Bianca (Cleo Pires). Sempre se deixando levar pelo assédio das turistas que guiava, motivadas pela fantasia de sedução do homem rústico de país diferente, Zyah nos intervalos entre mostrar uma caverna ou um templo as convidava para lhes mostrar sua acolhedora caverna. Em certa ocasião, a turista da vez nada acidental Bianca (então se esqueçam de William Hurt e Geena Davis em êxito cinematográfico de Lawrence Kasdan), inebriou-se não só pelas maravilhas dos territórios turcos, mas pelas maravilhas de quem a guiava. Ayla, a moça apaixonada de bonitos cabelos ondulados, ora presos, vestida com trajes campesinos, viu que o vento levara o seu único amor para debaixo do tapete que tecia. Incompatibilidades (substantivo no plural que serve de justificativa costumeira para o término de vários romances) levaram à dissolução do relacionamento que se formou após sobrevoo no Atlântico. Com a interrupção do enlace de Ayla com rico comerciante de joias por Zyah, os dois se casam. E tudo ao som da belíssima canção do americano Jason Mraz, “93 Million Miles”. Passam a viver um amor digno de novela. Porém, a calmaria deu lugar à tempestade com a chegada de Bianca, que reviu seus conceitos. Decisão precipitada da eterna turista. Zyah está irredutível, embora confuso. O guia não tem quem o guie. O guia se perdeu no próprio mapa da sua vida. Se Vó Farid (Jandira Martini) não consegue aconselhá-lo… Bianca então começa a se utilizar de artifícios para a reconquista da paixão perdida. Calma, Bianca. Esqueceu-se de Ayla? Ela é dócil, todavia vão mexer com o seu marido… A sua docilidade muda algumas sílabas e vira ferocidade. Defende seu casamento com garras nunca antes vistas. Uma guerra particular sem armistícios. Enquanto isso, o perdido em pensamentos Zyah vive um dilema: manter o matrimônio tradicional com Ayla onde há amor e respeito ou apostar em paixão aventureira em que a permanência não possui certificado de garantia? Há os que torcem por Ayla e os que torcem por Bianca. A decisão é sua. Melhor dizendo, a decisão é da autora. Este é mais um papel de destaque da atriz paulistana Tânia Khallil, que também é bailarina, inclusive clássica (trabalhou em importantes companhias de dança), e psicóloga. É uma intérprete preparadíssima. Estudou a valer em inúmeros cursos: formou-se pela Cármina Escola de Atores, teve aulas com Wolf Maya, Beto Silveira, Magno Azevedo e Márcio Mehiel, além do Teatro Escola-Macunaíma e Oficina de Interpretação para Teatro Oswaldo Boaretto. Especializou-se em locução e apresentação para a TV. Foi modelo. Sua estreia com apelo nacional na televisão se deu pelas mãos do diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya, que a escalou para a produção de Aguinaldo Silva, “Senhora do Destino”, como a temperamental e obsessiva Nalva. A pilantragem a acompanhou em obra de João Emanuel Carneiro, “Cobras & Lagartos”, como Nikki. Deu o ar da graça em “Pé na Jaca” e alguns seriados. Duda, sua personagem em “Caminho das Índias”, fez parte de sexteto amoroso que teve de ser engendrado por modificações na história, e no qual estavam Rodrigo Lombardi, Márcio Garcia, Juliana Paes, Murilo Rosa e Thaila Ayala. No teatro, deixou sua marca em um dos mais bem-sucedidos textos de Naum Alves de Souza, “No Natal a Gente Vem te Buscar”, além de incorporar papéis criados tanto por Nelson Rodrigues quanto por Luis Fernando Verissimo e Larry Shue. Sentiu o doce sabor de ver um musical infantil para o qual colaborou como atriz, “Grandes Pequeninos”, baseado no livro/CD de seu marido Jair Oliveira, sendo indicado para o Grammy Latino. Esteve ainda com o parceiro de novela Dalton Vigh no espetáculo “Vamos?”. Na tela grande, juntou-se a Isaiah Washington e Murilo Rosa em filme “sci-fi”, Área Q”, dirigido por Gerson Sanginitto. Colaborou para alguns curtas (dentre eles, “Inocente” foi selecionado para o Festival Internacional do Cinema Latino, em Los Angeles). Falamos de Tãnia Khallil. A dócil e bela Tânia Khallil. E falamos de Ayla. A dócil e bela Ayla. Chega-se à conclusão de que 93 milhões de milhas de distância não seriam capazes de separar Ayla de Zyah. Mas, uma “distância” de nome Bianca.
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Realmente, Tiago Abravanel conheceu bem de perto e de forma retumbante o sucesso a partir do musical “Tim Maia – Vale Tudo”. O talento de Tiago possuidor de poderosa voz e dotes de dançarino juntos à estima e admiração que o povo brasileiro devota a um dos nossos maiores cantores, intérprete de grandes êxitos como “A Primavera”, “Não Quero Dinheiro”, “Vale Tudo”, “Azul da Cor do Mar” e “Dia de Domingo”, dentre vasta gama de melodias, sendo entoadas ao vivo por um jovem ator em musical só poderia resultar em aplausos acalorados tanto da crítica quanto do público. A bem-sucedida performance fora tão clamorosa que a autora Gloria Perez o convidou para viver o Demir de sua novela “Salve Jorge”. Demir é um bom sujeito, simples, que sustenta-se como vendedor no turco Grand Bazaar, em Istambul, e mora num tranquilo vilarejo da Capadócia, ambas regiões da Turquia. Nos capítulos iniciais do folhetim, sua história ficou a cargo das tentativas, algumas frustradas, de conquistar Tamar (Yanna Lavigne). Como no país citado, quebrar a garrafa com pedra no telhado de casa de mulher solteira significa pedido de casamento, Demir involutariamente viu-se envolvido em imbróglio provocado pelo menino Ekran (Frederico Volkmann) que alvejou o objeto de vidro errado. Ayla (Tânia Khallil) seria então sua esposa. Engano desfeito. Demir e Tamar decidem fugir, e casar-se. Tamar engravida. E apesar do ciúme por parte dela, mantêm estável relação. Até que uma morena de nome Morena (Nanda Costa) aparece em sua vida. Em visita à boate onde a filha de Lucimar (Dira Paes) trabalhava, compadeceu-se com o estado físico dela. Supõe que está grávida, e oferece-lhe um xarope medicinal, que lhe é levado em outra ocasião. Delineia-se entre eles um elo de amizade sem precedentes. Diversos acontecimentos envolvendo Zyah (Domingos Montagner), Mustafá (Antonio Calloni) e ele mesmo o fazem aproximar-se ainda mais de Morena. Escondida em caverna, o moço adepto das boinas típicas oferece-lhe cuidados e especial atenção. Coloca-se até em risco a pedido da brasileira. Deposita desconfiança na sua família e na da esposa. Tudo por Morena, que veio a dar à luz. Demir fora o primeiro a ver o filho de Théo (Rodrigo Lombardi), que nascera em condições inóspitas e periclitantes. Emociona-se. Por vezes, parece-me (posso estar enganado) que o rapaz sente algo por Morena superior à amizade. As cenas de Tiago dançando nas paisagens que causam-nos deslumbre na Capadócia merecem uma citação. Engana-se, porém, quem pensa que tudo começou para Tiago Abravanel com o musical que protagoniza. Tiago tem uma carreira antes disso. Iniciou sua profissão na adolescência. Fez várias peças, dentre elas uma de Jorge Amado, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Estuda interpretação na Universidade Anhembi Morumbi. Como voz bonita não passa despercebida, participou de grandiosas adaptações de musicais prestigiados da Broadway, como “Miss Saigon” e “Hairspray”. Antes de Demir, esteve em “Amor e Revolução”, no SBT. Emprestou o dom vocal à dublagem do filme de animação “Detona Ralph”. Esse é Tiago Abravanel. O Tiago que ganhou o prêmio “Revelação” dos “Melhores do Ano 2012” do “Domingão do Faustão”. E esse é Demir, para quem vale tudo salvar Morena a fim de que veja de novo o azul da cor do mar. Um dos sete, talvez.





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