Amigos, leiam a entrevista reveladora que concedi ao jornalista Igor Martim. Nela, falo sobre os atores inexperientes que só buscam a fama, como e por que desisti da minha carreira de ator, o que fiz para que as minhas críticas teatrais se tornassem reconhecidas, digo quais são os prazeres e dissabores de se ter um blog, como eu conheci o trabalho do ator Renato Góes, como eu lidei com o meu ego ao ser admirado por parte da classe artística, se eu já feri alguém com uma crítica, como eu rebato os que consideram a moda como algo fútil, o que é tirar a foto de um ator ou modelo para mim, como eu recebo uma reação negativa a algo que escrevi, e na minha opinião, digo quando um ator “suicida” a sua arte. Espero que gostem. É uma entrevista por vezes forte e comovente. Acredito que não se arrependerão ao lê-la. Abraços. Paulo Ruch
Categoria: Cinema
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Ao som de um tango, Reynaldo Gianecchini é chamado por Jô Soares. O ator trajava bonito casaco de couro preto que se sobrepunha a uma camisa em tons claros. Calça escura e tênis moderno completavam o visual. A conversa se inicia com a abordagem de sua ascendência. Por parte de pai, italiana. Por parte de mãe, espanhola e alemã. Após, o assunto ruma para a peça que Reynaldo está fazendo, ao lado de Erik Marmo e Maria Manoella, sob a direção de Elias Andreato, “Cruel”, de August Strindberg. Dissera que a vontade de montar o texto surgiu de uma “ação entre amigos”, “de ser feliz na coxia”, “de fazer um processo que fosse de grande aprendizagem para eles”. A ideia lançada foi a de que o espetáculo fosse apresentado em dias alternativos (e assim ocorre, pois está em cartaz na FAAP, SP, às segundas e terças), a fim de que o elenco pudesse tocar outros projetos. Jô pergunta sobre as crueldades que dão título à encenação. E Reynaldo Gianecchini afirma que o seu personagem é o mais cruel, sendo vingativo e desejoso de destruir aqueles que o prejudicaram. A violência não é física, e sim, interna. Materializa-se nas palavras. O que na sua opinião, torna o trabalho mais difícil. Destaca a contribuição da preparadora corporal Vivian Buckup, porquanto a contenção de gestos com concentração nos olhar e verbo se configura como uma proposta cênica. Informa-nos que o diretor Elias lhes pediu que mostrassem a violência de cada um. Fala-se agora de Fred, seu último papel na TV, da novela “Passione”, de Silvio de Abreu. O artista revela que tanto ele quanto sua colega Mariana Ximenes, apesar das maldades que perpetravam, contavam com a torcida de uma fatia específica do público pela regeneração de ambos (provavelmente por terem feito papéis bondosos na carreira). A estreia do ator nos palcos aconteceu com “Cacilda!”, de José Celso Martinez Corrêa. A seguir, “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, dirigido também por José Celso. Fotos são exibidas no telão contando a sua trajetória na ribalta, com imagens da citada produção “Boca de Ouro”; “Peça Sobre o Bebê”, de Edward Albee, com Fúlvio Stefanini, cujo diretor fora Aderbal Freire-Filho; “Doce Deleite” (direção de Marília Pêra, com Camila Morgado); e “O Príncipe de Copacabana”, de Gerald Thomas. Cenas de “O Primo Basílio”, filme baseado na obra homônima de Eça de Queiroz, realizado por Daniel Filho, no qual contracenou com Débora Falabella, são exibidas da mesma forma no telão. Reynaldo cita ainda “Entre Lençóis”, de Gustavo Nieto Roa, em que atuou junto com Paola Oliveira. E asseverou que sempre estivera ladeado por atrizes bonitas. E a entrevista termina com a certeza de que além de bom ator, Reynaldo Gianecchini é bom de papo. Sem contar que dera seu famoso sorriso ao final.
Obs: A entrevista do ator Reynaldo Gianecchini ao “Programa do Jô”, na Rede Globo, foi exibida em julho de 2011, e à época o intérprete estava encenando, ao lado de Erik Marmo e Maria Manoella, a peça escrita por August Strindberg “Cruel” (a direção coube a Elias Andreato, e a temporada alternativa ocorreu no Teatro FAAP, em São Paulo).
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Foto: Karina Tavares/Revista ISTOÉ GenteEram meados de 1990. Abro o jornal. E vejo uma foto. Nela estava um jovem ator. Jovem ator de impressionantes olhos azuis. Com um violão debaixo do braço. Sim, Fabio também é músico. Já teve banda, e toca outros instrumentos. Fabio Assunção era uma das promessas da Rede Globo para a novela de Cassiano Gabus Mendes que iria estrear no horário nobre: “Meu Bem, Meu Mal”. A promessa deixou de ser promessa para se tornar realidade. E hoje Fabio é considerado um dos mais relevantes e talentosos intérpretes que possuímos. A despeito de sua juventude, a trajetória profissional é tão extensa quanto preciosa. Após a estreia bem-sucedida na TV, muitos e importantes papéis ficaram marcados em nossas lembranças. Foi Felipe no mundo criativo engendrado por Antonio Calmon em “Vamp”. Experimenta a vilania na faixa das 18h, em “Sonho Meu”, de Marcílio Moraes. Inicia gloriosa parceria com Gilberto Braga em “Pátria Minha”, como Rodrigo Laport. Com cabelos e barba crescidos, “encontra” Benedito Ruy Barbosa em “O Rei do Gado” (a cena na qual fica perdido em uma selva por dias é memorável). É disputado por Gabriela Duarte e Vivianne Pasmanter no folhetim do “Menestrel do Leblon” Manoel Carlos, “Por Amor”. Repete a dose com Gilberto Braga em uma minissérie cheia de ação e suspense, “Labirinto”. Veste roupa de época na caprichada “Força de um Desejo”, do mesmo Gilberto. Recebe convite irrecusável para integrar uma obra de Eça de Queiroz, “Os Maias”, adaptada por Maria Adelaide Amaral, e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. E honra o convite com garbo. Depois de passar por “Coração de Estudante”, de Emanuel Jacobina, em que fora o professor de Biologia Edu, torna-se ainda mais célebre por seu notável desempenho em “Celebridade”, de Gilberto Braga, como Renato Mendes, editor da revista “Fama” (Fabio ganhara distintos prêmios). Contribuiu com excelência para a minissérie de Benedito Ruy Barbosa, “Mad Maria”. Seriados, demais novelas, e minissérie pontuam sua história. Volta em grande estilo em meio às gêmeas de Alessandra Negrini na ótima trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Paraíso Tropical”, como Daniel. Surpreende o Brasil com sua incrível personificação de Herivelto Martins em “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”, de Maria Adelaide Amaral. Participações especiais sobrevieram. Esteve em um episódio de “As Brasileiras”, de Daniel Filho, e hoje faz parte do elenco fixo de “Tapas & Beijos”, como Jorge. No cinema, filmes como “Duas Vezes com Helena”, de Mauro Farias; o Bellini dos enredos detetivescos de Tony Bellotto, com direito à láurea em Los Angeles; a comédia “Sexo, Amor & Traição”, de Jorge Fernando; “Primo Basílio”, de Daniel Filho (reencontro com Eça de Queiroz); o belíssimo “Do Começo ao Fim”, de Aluizio Abranches; e no longa de Paulo Caldas, “O País do Desejo”. No teatro, a plateia ouviu de sua voz textos de Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Sam Shepard e Edward Albee. Isto sem contar “A Paixão de Cristo”. Fabio alcançou sucesso de público e crítica com a peça “Adultérios”, de Woody Allen (tradução de Rachel Ripani), e direção de Alexandre Reinecke. Interpretou Fred, um típico sem-teto, com aguçada inteligência, que ao se deparar com um afamado roteirista de cinema (Norival Rizzo) à beira do rio Hudson, em Nova York, enquanto aguarda a amante (Carol Mariottini) para dar fim ao relacionamento, reclama para si a autoria de recente roteiro de um filme de enorme êxito creditado ao homem que encontrara. O espetáculo se desenrola com intensos e divertidos diálogos. Como podemos ver, ouve-se o dedilhar das cordas do violão do nobre Fabio Assunção, seja no teatro, no cinema, ou na televisão.
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No começo do programa, ao anunciar Selton Mello, Jô brinca que se trata de um ator "que está começando agora a sua carreira brilhantemente", e finge se esquecer do nome dele, indagando ao garçom Alex como se chama. Alex, com o sotaque espanhol que lhe é característico, diz: "Selton Mello". Jô Soares brinca dizendo que Selton é conhecido até no Chile. Foi a "deixa" para uma entrevista promissora. Selton, vestido de forma casual e clássica (blazer, camisa de botão azul anil, calça com bainha dobrada e tênis preto com detalhe em branco), com suas simpatia e simplicidade habituais, é perguntado sobre o longa "O Palhaço", no qual, além de ter dirigido, e escrito o roteiro junto com Marcelo Vindicatto, atua. Foi-nos dito que a estreia acontecerá no dia 28 de outubro, que a produção já fora apresentada nos Festivais de Paulínia, Gramado, do Rio, e após na Mostra de São Paulo. Foram aproximadamente dois anos entre o momento de Selton e Marcelo iniciarem o roteiro até a exibição. A produtora é Vânia Catani. O entrevistado passa a nos contar sobre a história do filme: um palhaço chamado Benjamim (Selton Mello) que julga estar perdendo a graça, e que no decorrer da trama redescobre o deleite da sua profissão. Cita Paulo José, e discorre sobre o prazer que fora trabalhar com ele. Há ainda no elenco, Álamo Facó, que interpreta João Lorota. O artista afirma que é de Passos, Minas Gerais, mas que fora criado no Rio de Janeiro, e que frequentava sim circos quando era criança. Afirmara que a ideia de se contar este enredo de modo cinematográfico surgiu como uma maneira de se discutir acerca da vocação, da escolha de cada um para as suas vidas, só que sob os olhos de um palhaço. Explica o porquê do nome Benjamim para o personagem que interpreta. Surgiu de um livro intitulado "Circo-Teatro – Benjamim de Oliveira", de Erminia Silva. Benjamim, segundo Selton, foi um escravo negro, menino, que fugiu com um circo, por volta de 1860, nele crescido, e que depois veio a fundar o próprio. E há detalhe curioso: o nome completo do papel é Benjamim Savalla Gomes. Savalla Gomes foi dado em homenagem ao palhaço Carequinha, que tinha este sobrenome. E Valdemar (Paulo José) serviu para homenagear outro grande artista circence, o Arrelia. Jô pergunta se há circo-teatro no filme. Selton assevera que há "uma espécie de auto". São mostradas então cenas do longa-metragem, que por sinal tem bela fotografia de Adrian Teijido e caprichados figurinos de Kika Lopes. Aliás, o circo retratado é o circo de pau fincado (o mais antigo). O entrevistador compara a estética circense a "felliniana". O enredo é atemporal. Há personagens como Meio Quilo, interpretado por Tony Tonelada (artista de circo de fato), e Dona Zaira, defendida por Teuda Bara, do Grupo Galpão. O ator comentou sobre a troca de experiências que houve entre ele, Selton, diretor, e Paulo José, diretor. Pergunta interessante é feita: se fora a primeira vez que Selton Mello e Paulo José interpretaram palhaços em suas carreiras. O intérprete responde que no caso dele seria a microssérie "O Auto da Compadecida", de Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, baseada na peça homônima de Ariano Suassuna, e com relação a Paulo, teria sido "Shazam, Xerife & Cia", seriado de Walther Negrão. Para Selton, "eram palhaços, mas não oficialmente, não com nariz vermelho". Fala-se sobre os diversos tipos de palhaço, como o augusto, o esperto e o estúpido. Benjamim ora é esperto ora é ingênuo. Quanto ao gênero, é uma comédia que comove, e que aborda a identidade. Chega-se ao fim. Então, alô criançada, o circo chegou. E o circo chegou com "O Palhaço".
Obs: A entrevista do ator e diretor Selton Mello fora concedida a Jô Soares em seu programa, exibido pela Rede Globo, no ano de 2011.
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Foto: Christian Gaul/Revista TPMO ator português Paulo Rocha, nascido na cidade do Porto, foi pessoalmente convidado pelo autor Aguinaldo Silva da novela das 21h da Rede Globo, “Fina Estampa”, para interpretar Guaracy Martins, lusitano com nome de índio, proprietário de padaria bastante procurada pelos moradores do Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Guaracy é um personagem pitoresco. Torcemos por ele. Transita bem tanto no campo das situações cômicas quanto no das românticas. É um homem que orgulha-se das raízes. Aprecia contar a todos sua história de vida, e o porquê do nome possuir origem indígena. A generosidade, a amizade, a enorme disposição para a labuta sem dispensar rigor por vezes necessário para manter o bom funcionamento do seu negócio são características para nós evidentes. Porém, o que talvez mais chame a atenção no perfil do rapaz de cabelos encaracolados, barba aparada, e olhos azuis seja a intensa vontade de amar uma mulher. Por sinal, desde o início do folhetim, a eleita para as suas fantasias afetivas fora Griselda (Lilia Cabral), ou seja, desde o tempo no qual era o Pereirão, “o marido de aluguel”, a “faz-tudo” sem vaidade ainda assim bonita, que vestia macacão manchado de graxa, e empunhava chave de grifo. Entretanto, após reiteradas investidas que beiraram o fracasso de conquistar a mãe de Quinzé (Malvino Salvador), Guaracy, por conselho da funcionária Dagmar (Cris Vianna), decidiu cuidar melhor do visual. Calças de bainha curta, camisas pouco vistosas e sandálias foram substituídos por roupas sociais. Não adiantou. Griselda não demonstrou entusiasmo. A questão é que ela parecia ter se “fechado” para o amor. O português, meio confuso, em ocasiões diversas, chegou até a gracejar para o lado da moça que lhe prepara as famosas empadas. O ponto máximo da decepção com a agora milionária Griselda deu-se com o anúncio feito por ela mesma de que estava noiva dele. Era apenas um ardil para afugentar Pereirinha (José Mayer). Guaracy passou então a tratá-la com desprezo. E este de alguma forma provocou desconforto na ganhadora da loteria. E de uns capítulos para cá, tem-se notado crescente interesse do comerciante por Esther (Julia Lemmertz), em crise no casamento, e que viciou-se nas suas empadas. O carinho mútuo é notório, e o ciúme de Paulo (Dan Stulbach) e Griselda, também. Tudo leva a crer que haverá romance ou algo próximo. Já quanto ao intérprete Paulo Rocha, estudou na Escola Profissional de Teatro de Cascais. Integrou o Teatro Experimental de Cascais, tendo encenado Alexandre Dumas e Tennessee Williams, por exemplo. No currículo, há inúmeras participações na televisão, e incursões no cinema. Paulo Rocha merece respeito. Ou como Guaracy diz: “Respeitinho.”
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A nova série da Rede Globo, que estreou na última terça-feira, “A Teia”, de Bráulio Mantovani e Carolina Kotscho, com a colaboração de Lucas Paraízo, André Sirangelo, Stephanie Degreas e Fernando Garrido, tendo como diretores gerais Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos (a direção de núcleo é de Rogério Gomes), mostrou logo em seu primeiro episódio todos os elementos típicos de uma narrativa que se enquadra nos gêneros ação/policial, não deixando nada a dever aos similares americanos que “monopolizam” este segmento que atrai tantos espectadores. Em terras ianques, o que não faltam são bons exemplos deste modelo de filme. Na passagem dos anos 60 para os 70, tivemos grandes êxitos comerciais, como “Bullit” (1968), com Steve McQueen e “Dirty Harry” (1971), com Clint Eastwood (que prosseguiu com uma bem-sucedida franquia). No tocante especificamente ao roubo de cargas, dois ótimos longas-metragens merecem menção: “O Primeiro Assalto de Trem”, dirigido por Michael Crichton em 1979, em cujo elenco estão Sean Connery e Donald Sutherland e um dos maiores clássicos nacionais “Assalto ao Trem Pagador” (1962), inspirado em fatos reais, com a direção de Roberto Farias. No “cast”, Reginaldo Faria, Grande Otelo, Eliezer Gomes, Jorge Dória e Ruth de Souza. Ao sintonizarmos nossas TVs em “A Teia”, fomos “de uma levada só” a testemunhar ferozes e alucinadas perseguições de veículos, desvairados tiroteios, romance em meio a bandidagem, confrontos psicológicos e os bastidores de uma investigação de um crime de porte elevado. A história de Bráulio Mantovani e Carolina Kotscho (inspirada em acontecimentos verídicos) começa com uma caçada implacável por policiais à caminhonete na qual se encontram o casal protagonista Baroni (Paulo Vilhena, que dispensou muitas cenas de dublê em que a presença deste era necessária), Celeste (Andreia Horta), sua amante e ex-prostituta, e a filha desta, Tereza (Nathalia Costa), fruto de uma relação com um detento, Ney (Gustavo Machado), que Baroni conhecera na prisão, e dele se tornara inimigo. No decorrer do cerco inescapável, Baroni perde o controle do carro, e uma profunda e assustadora ribanceira o aguarda. O rapaz e a menina, com seu ursinho Bola, sobrevivem. Paira uma dúvida se o mesmo ocorreu com Celeste. Há um “flashback” de três meses, com a apresentação da execução de um audacioso, elaborado, complexo e arriscado roubo de uma carga de 60kg de ouro que seriam transportados por um avião no Aeroporto de Brasília. A quadrilha possui, em média, de 8 a 9 membros, e estavam fortemente armados. O delito penal, comandado por Baroni, obtém sucesso, o que causa incômodo e enorme rebuliço nos corredores e salas da Polícia Federal. O Superintendente Regional da Polícia Federal de Brasília Eudes Andrade (Luciano Chirolli) designa o delegado Jorge Macedo (João Miguel) para ser o responsável pelas investigações do roubo que estremeceu os alicerces e o brio da respeitada instituição policial. A princípio, Macedo recusa a missão. Decide, então, aceitá-la, sob a seguinte condição: que seja reconduzido ao posto que ocupara em Fortaleza, de onde fora, a pedido dos próprios companheiros de trabalho, transferido para a Capital Federal. Há um mistério que envolve a sua forçosa transferência. Na verdade, a razão pela qual o personagem de João Miguel pretende retornar à cidade nordestina é o fato de ficar mais próximo de sua família, a esposa Isabel (Ana Cecilia) e a filha Paula (Aline Peixoto). Macedo contará, para desbaratar a quadrilha de delinquentes, com a colaboração dos agentes Libânio (Fernando Alves Pinto) e Taborda (Michel Melamed). No entanto, o pujante esquema policial se deparará com o inesperado. O grupo criminoso não se resume a alguns poucos ladrões que não chegam a uma dezena. Políticos influentes e poderosos, mafiosos de diferentes países, policiais ligados à corrupção e prisioneiros de alta periculosidade estão envolvidos neste amplo “emaranhado”, nesta “teia” que deverá ser desmanchada. Uma situação pontual nos despertou curiosidade. A mãe de Jorge, Áurea (Denise Weinberg) inicia um romance com um ex-senador, Gama (Miele), antigo desafeto do filho que tentou denunciá-lo e prendê-lo por atos incompatíveis com o seu mandato. Mas a época política se caracterizava mais pela impunidade. Jorge deixa bem claro que quer o ex-senador longe de sua mãe. Mesmo com tantas cenas de se tirar o fôlego e que prenderam a nossa atenção, houve um momento de contemplação, com as belas paisagens dos desfiladeiros da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. O elenco, sem exceções, está em harmoniosa cumplicidade com a intenção do projeto da série. É quase inevitável não nos lembrarmos de Faye Dunaway e Warren Beatty, como Bonnie e Clyde, no memorável longa-metragem de Arthur Penn, “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas” (1967) ao vermos a dupla formada por Andreia Horta e Paulo Vilhena. A trilha sonora é eclética, “atravessando” estilos como o rock, o folk e o blues. A montagem é esperta, acelerada, dinâmica, trepidante, nervosa, quase não nos dando tempo para pensar, enfim, um acerto sem contestações. Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos merecem loas por aceitarem sem receios “embarcar” nesta aventura, na acepção literal do vocábulo, e realizarem com capricho, dedicação e “know-how” um episódio que nos dá abrangente visão do que teremos a seguir. Convém ressaltar que a quase totalidade das cenas fora gravada em externas, e que os diretores foram obrigados a lidar com um aparato tecnológico que exige experiência e noção precisa de seu manuseio. “Takes” com helicóptero, avião, veículos, armas e consequentes tiros não são nada fáceis de dirigir, é razoável que se ressalte. Bráulio Mantovani e Carolina Kotscho, incensados roteiristas de cinema, em sua estreia como parceiros profissionais, exibiram notória conjugação de ideias e objetivos dramatúrgicos, o que resultou em produto coeso, envolvente e instigante, sem, em nenhuma ocasião, terem se deixado levar pelos sorrateiros clichês. “A Teia”, com seus ótimos texto, elenco e direção nos “prendeu”. Difícil será nos desgarrarmos dela.
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Se para os atores em idade adulta dificultoso é se manter na profissão escolhida, numa ferrenha busca por papéis que a justifiquem, mais árduo ainda é para os intérpretes que brilharam na infância, estiveram em privilegiada berlinda, e foram obrigatoriamente impulsionados a ultrapassar a dolorosa fronteira que os separa da adolescência, fase esta na qual temos que nos esquecer, de modo imperante, das fantasia, ingenuidade, pureza, quase ausência de preocupações e problemas e salutar “alienação do mundo”. Esta etapa da vivência do homem, inevitável em si mesma na sua pouco ou nenhuma condescendência, dá-nos de “um dia para o outro” transformações no corpo e inescapável enfrentamento de questões atinentes à condição humana até então não debatidas. Digo isso a fim de corroborar que as vicissitudes por que passam as pessoas “comuns” passam os artistas do segmento cênico. Este peculiar fenômeno não é uma prerrogativa nossa, evidenciando-se em demais nações, inclusive na “Meca do Cinema”, os Estados Unidos. Se na terra ao norte do continente americano, deslumbramo-nos com as atuações de Jackie Coogan (“O Garoto”), Shirley Temple (“O Pássaro Azul”), Carl Switzer, como Espeto, e George “Spank” McFarland, como Batatinha (“Os Batutinhas”), Macaulay Culkin (“Esqueceram de Mim”) e Haley Joey Osment (“O Sexto Sentido”), tempos adiante não mais foram vistos com o realce que obtiveram. Há aqueles que pugnam para continuarem com mínima projeção, como Anna Paquin (“O Piano”), Heather Matarazzo (“Bem-vindo à Casa de Bonecas”) e Christina Ricci (“Família Addams”). No entanto, existem os que perpetuaram a glória, como Natalie Portman (“O Profissional”) e Christian Bale (“O Império do Sol”). No Brasil, bons exemplos são Gloria Pires, Isabela Garcia, os irmãos Selton e Danton Mello e… Klara Castanho. A atriz paulista de Santo André, que deu os seus primeiros e promissores passos na TV no seriado “Mothern”, no canal GNT, como Isabel, e na novela do SBT “Revelação”, como Daniela Mourão, logrou reconhecimento no país ao ser convidada pela Rede Globo para integrar o elenco da produção de Manoel Carlos, “Viver a Vida”, em que formou dupla irresistível com Giovanna Antonelli como mãe e filha, Dora e Rafaela (ganhara a láurea “Melhores do Ano” na categoria “Melhor Ator ou Atriz Mirim”, concedida pela TV Globo, e o “Prêmio Contigo! de TV de Melhor Atriz Infantil”), respectivamente. No momento, Klara se destaca como Paulinha na segunda trama de Walcyr Carrasco da qual participa, “Amor à Vida” (a primeira fora “Morde & Assopra”, levada ao ar às 19h na mesma emissora; nesta sinopse a atriz teve que mostrar a sua versatilidade ao defender Tonica, pois se tratava de uma personagem rural ou “caipira”, com direito a sotaque e gestual característicos). Paulinha é, sem resquícios de especulação, um dos membros precípuos do enredo criado por Walcyr, desencadeador de toda a dinâmica central da história, gerando densos conflitos, culpas, intrigas, armações, mentiras, fingimentos, ardis, dores e consequentes dissabores. A Paula de Klara Castanho, que antes se familiarizara com o universo espírita de Elizabeth Jhin na faixa das 18h em “Amor Eterno Amor”, como Clara, e gravara a décima primeira edição do DVD “Xuxa Só Para Baixinhos”, é um “character” espinhoso para qualquer ator, seja ele experiente ou não, cobrando-lhe alta carga dramática, sem cair no “overacting”, um dosado estoicismo perante as adversidades que lhe foram impostas, e acima de tudo, um sentimento visível de amor, afeto, emoção e sensibilidade, imiscuídos em radiante doçura. A dona do cãozinho Aladim se sobressai por sua integridade, caráter ilibado e uma inocência não perdida. Já nos primeiros capítulos, ficamos todos terrificados com o gesto sórdido de seu tio Félix (Mateus Solano), em processo de redenção, ao jogá-la em estado de recém-nascida em caçamba de lixo envelhecida, após ter sido arrebatada dos braços desfalecidos da mãe Paloma (Paolla Oliveira), deitada em “berço” nada “esplêndido” de local imundo ao qual não se pode tampouco nomear de banheiro, sito em bar cujo odor que reina é o “perfume” do álcool sorvido pelos desiludidos da selva urbana. Misturada aos detritos, com seus estridentes vagidos, despertam os aflitos ouvidos do “órfão” de esposa e filho Bruno (Malvino Salvador). A menina por ele fora criada ilegalmente, com o auxílio de cúmplices, sem a vigília indispensável dos olhos maternos. A dona desses olhos, Paloma, viveu longos anos “mergulhada na profundidade de um mar escuro” sem o fruto que gerara. O “Sr. Destino”, sempre misterioso em suas veleidades, encarregou-se, todavia, de que a bela doutora do Hospital San Magno, já afeiçoada a Paulinha desde quando era bebê, motivada por forte apego materno “inexplicável”, e companheira do pai de criação irmão de Gina (Carolina Kasting), diante de uma enfermidade que acometera a jovem de bonito e honesto sorriso, decide ser voluntária de um transplante urgente. Os exames de compatibilidade sanguínea não só atestaram que Paloma era a sua legítima mãe como negaram a paternidade do corretor de imóveis, forçado então a contar toda a verdade. O “posto” paterno é ocupado por Ninho (Juliano Cazarré), o “hippie chic” sombrio, que se outrora prometia à amada o mundo e as estrelas, no exato instante é aliado de Aline (Vanessa Giácomo), “expert” em “cupcakes” envenenados, num plano repugnante de destruir e depenar o patrimônio do preconceituoso César (Antonio Fagundes). Ninho, exímio patinador “indoor” de gelo, é autor de infinda galeria de tipos penais, que vão do sequestro e cárcere privado e terminam na formação de quadrilha e tortura. Os outros não convém comentar. Contudo, mesmo depois de ter sido sequestrada pelo pai, e sofrer o que os especialistas chamam de “Síndrome de Estocolmo” (quando a vítima constrói uma relação afetuosa com o algoz), fica dividida entre os dois “pais”. Vê-se num período de rebeldia compreensível, muito em decorrência das influências negativas do rapaz que se refere aos seus pares como “véio”. Defronta-se com Bruno e Paloma (o casal se reuniu ao término de disputas judiciais, subsequentes acordos e descoberta de ignóbil armadilha urdida pela “confeiteira malévola”). Em meio a isso, um tablet, que proporcionara encontros às escondidas de filha e pai. O que se percebe nesta reta final de “Amor à Vida” é que Paulinha começa a inquirir os que a cercam sobre o porquê da frieza de tratamento do tio Félix. “Por quê?”, ela diz. Ninguém lhe responde. Acredito que o autor não desperdiçará a rica oportunidade de pôr “tête-à-tête” dois ótimos atores, Mateus Solano e Klara Castanho, num aguardado e tenso acerto de contas. Se bem conhecemos Paulinha, com sua elevada alma e precoce sabedoria, a reação será surpreendente, ou seja, será capaz de perdoar o tio que ela considera elegante e charmoso. Concluímos que Klara Castanho “escreveu sua história” no enredo vigente do horário nobre. Aplausos para ela. E que todos sejam “bem-vindos à próxima ‘casa’ da ‘boneca’ Klara Castanho”.
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Foto: Roberto Filho/Philippe Lima/AgNewsUma cena marcante que já decorrera há algum tempo em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, novela das 21h da Rede Globo, fora justamente a de Quinzé (Malvino Salvador) buscando o seu filho Quinzinho (Gabriel Pelícia) na escola, e ao levá-lo para casa, colocou-o sobre os ombros, como é de costume, e saiu a caminhar pela calçada. Em determinado momento, Malvino dirige o próprio olhar para cima, sorrindo, buscando uma cumplicidade daquele que com tanto zelo e carinho cuida. A cena nos foi mostrada em “slow motion”, o que só aumentou a preciosidade de cada gesto, de cada movimentação, de cada expressão no rosto. Tudo o que aqui narrei foi testemunhado pela personagem de Carolina Dieckmann, Teodora, que ao que parece, a partir dali, passou a se dar conta de que ainda poderia existir um sentimento de ternura não somente com relação a Quinzé, mas também ao filho que abandonou. O rapaz destaca-se na trama por sua incondicional dedicação a um menino fruto de um relacionamento no qual acreditava. E que, de forma abrupta, interrompeu-se pela decisão intempestiva de Teodora de preteri-los em prol de uma vida mais confortável. O ex-ajudante de bar, que hoje é gerente do negócio da mãe Griselda (Lilia Cabral), devotou-se de modo abnegado ao filho e ao trabalho. Abriu mão por razoável lapso dos compromissos amorosos. Chegou a se interessar por Dagmar (Cris Vianna), porém o romance não foi para a frente. Da parte dele o que havia era afeto associado a uma atração física, pois na verdade nunca deixou de gostar da mãe de seu rebento. Por mais conselhos que ouvisse, fossem de Griselda, fossem de Dagmar, o que sente por Teodora, a despeito de ter dito que se trata de “sua maior inimiga”, e dela ter feito tudo o que fez, é inabalável. Com a aproximação da moça com o intento de lutar pela guarda do garoto, tendo o apoio involuntário de Pereirinha (José Mayer), vítima de chantagem, as dúvidas e conflitos de Quinzé só tendem a aumentar. Agora, falemos um pouco sobre a carreira deste amazonense, nascido em Manaus, que partiu para São Paulo, capital, em busca de oportunidades profissionais a princípio como modelo. Em 2004, estreia na televisão (Rede Globo), já como ator, sendo Tobias, no “remake” de “Cabocla”, de Edmara e Edilene Barbosa, adaptado da obra de Benedito Ruy Barbosa. Em seguida, a primeira parceria com Walcyr Carrasco, em “Alma Gêmea”, folhetim no qual como o cozinheiro Vitório pôde provar que sabe fazer comédia. Surge a chance de interpretar um vilão, Camilo, dessa vez em texto de Ivani Ribeiro, “O Profeta”, cuja adaptação coube a Duca Rachid e Thelma Guedes. Atuou como boxeador, no papel de Régis, em “Sete Pecados”, de Walcyr Carrasco. Ganhou notoriedade em “A Favorita”, o grande sucesso de João Emanuel Carneiro como Damião, um trabalhador simples que se envolve com a primeira-dama da cidade (Helena Ranaldi), cujo marido é o seu melhor amigo (Leonardo Medeiros). Ganha o posto de protagonista em “Caras & Bocas”, de Walcyr Carrasco, como Gabriel. No cinema, deixou seu talento em filmes como “Qualquer Gato Vira-Lata”, baseado em texto de Juca de Oliveira, e dirigido por Tomás Portella, e “O Signo da Cidade”, de Carlos Alberto Riccelli. No teatro não fez por menos ao encenar espetáculos importantes como a “Paixão de Cristo” e “Mente Mentira”, de Sam Shepard. Quanto a Quinzé, independente do fato de como será o seu final com Teodora, torçamos para que os lindos e líricos instantes em que caminha nas calçadas com o filho sobre os ombros se repitam.
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É muito comum que personagens de uma trama teledramatúrgica, no caso uma novela, sofram alterações substanciais na personalidade no decorrer daquela, estejam previstas ou não na sinopse original. Foi o que ocorreu com a da carioca Danielle Winits, a dermatologista Amarylis da produção das 21h da Rede Globo, “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco. Se a princípio, a médica do Hospital San Magno se mostrava uma profissional competente, disciplinada e modelar que deixava os seus pacientes satisfeitos (fato que voltou a acontecer) e uma amiga disposta a ajudar e aconselhar seus próximos, como Paloma (Paolla Oliveira) e Niko (Thiago Fragoso), sendo simpática aos olhos do público, a vontade absoluta, imutável e determinada de ser mãe modificou todo o rumo de sua história. A Amarylis de Danielle Winits, que estreou na TV (estudou interpretação, dança e canto) na minissérie de Antonio Calmon “Sex Appeal” (que lançou outros tantos talentos femininos) na mesma emissora e nos palcos no musical “Band-Aid”, de Wolf Maya (aliás, a atriz é uma das artistas mais requisitadas para estrelar este gênero teatral), inicia um processo sem volta de busca dolorosa e traumática de não apenas constituir um núcleo familiar, mas gerar um filho, seja de que forma for. A pioneira ideia foi se aproximar do casal gay Niko e Eron (Marcello Antony), com situação financeira estável e estrutura emocional sólida, no entanto carente de um filho para completá-los. Oferece-se para ser a “barriga solidária” e gestar uma criança com o material reprodutivo de um deles, sem que nunca soubessem quem fosse o legítimo pai. Segundo os códigos médicos, a mãe biológica deverá ser mantida sempre no anonimato. Este procedimento clínico açambarca questões complexas, éticas, morais, religiosas e polêmicas, sendo assim arriscado, pois envolve sentimentos e consequências psicológicas imprevistas que podem ser dadas como quase certas. Não são poucos os relatos e registros de que as “mães de aluguel” (como eram chamadas, a despeito de ser proibida a cobrança monetária pela cessão do ventre) ao darem à luz se recusarem a entregar os bebês aos pais contratantes, o que gerou acirradas disputas judiciais e desgastes psíquicos para ambas as partes. Hoje já existe jurisprudência acerca destes litígios. Não há que se contestar os benefícios do avanço da Medicina nesta área, contudo o preço a ser pago é alto. As duas primeiras inseminações artificiais não obtiveram êxito, o que levou o par homoafetivo a entrar com um pedido de adoção de uma criança (grande passo no campo jurisdicional da Infância e Juventude permitir que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, outrora abandonadas, tristes, desoladas e sem lar, acasteladas em abrigo, contrariando os insensíveis e hipócritas defensores da “moral e bons costumes”, que alegam inacreditavelmente que os pais influenciariam “perniciosamente” os adotados). Sou obrigado a lançar mão da velha e boa tese que se assim o fosse não haveria considerável número de gays filhos de heterossexuais. Há que se levar em consideração que o especialista em reprodução assistida Dr.Laerte (Pierre Baitelli) infringiu o código de conduta ética médica ao atender ao pedido da amiga Amarylis para que utilizasse os seus óvulos ao invés dos de uma doadora anônima. Na terceira tentativa de inseminação, um pequeno sangramento fez com que a doutora suspeitasse de que fracassara novamente como “barriga solidária”. E a dermatologista de Danielle, que participou de produções de Antonio Calmon como “Olho no Olho”, “Cara & Coroa” e “Corpo Dourado”, como Alicinha, e Carlos Lombardi (“Uga Uga” – Prêmio Qualidade Brasil, como Tati, “Kubanacan” e “O Quinto dos Infernos”) decidiu agir ao seu modo. Seduz Eron, o frágil, pouco assertivo e manipulável advogado, leva-o para a cama e supostamente dele engravida. Eron pode ser uma “águia” (como seu parceiro o chamava) nos tribunais e salas de audiência, mas na vida pessoal “suas asas se recolhem”, e de nenhum voo é capaz. Por obra do acaso, de Deus, do destino ou de Walcyr Carrasco, Fabrício, o bebê na berlinda, é filho do chef Niko. Dr.Vanderlei (Marcelo Argenta) não aproveitou os óvulos da profissional que cuida de peles faciais com esmero. Fabrício é entregue a Niko. A união entre Amarylis e Eron se dilui minuto a minuto, até o ponto em que a “águia adormecida” resolveu acordar e “abriu as suas asas”, revelando à esposa ser gay, deixando a “bissexualidade” de lado, de que não a amava e de que queria voltar a ter a vida de antes. A loira cuja veracidade de seus cílios é especulada pelo pretendente à redenção Félix (Mateus Solano) levará a cabo o seu plano de sequestro do “filho”. O irmão de Paloma auxiliará “carneirinho” (como Niko por ele é alcunhado) a recuperá-lo. Para nosso espanto (ótima solução do autor), Amarylis procurará outro casal gay e oferecerá seus “serviços” de “barriga solidária”. Danielle Winits possui extensa carreira na televisão, no teatro e no cinema. Novelas, seriados, especiais e minisséries constam de seu currículo. Na pequena tela, destacamos “A Próxima Vítima”; “Malhação” (voltaria em outra temporada); o seriado policial com inspiração nos similares americanos “A Justiceira”; a excelente minissérie histórica e biográfica “Chiquinha Gonzaga”, na qual viveu Suzette Fontan; “O Clone”; “Pastores da Noite”; “Páginas da Vida”, como a sedutora e impulsiva Sandra (Prêmio Contigo!); e “Cinquentinha”. Os projetores de cinema lançaram sua imagem em filmes como “Zoando na TV”, de José Alvarenga Jr.; “O Trapalhão e a Luz Azul”, de Paulo Aragão e Alexandre Boury; “Se Eu Fosse Você”, de Daniel Filho; “Sexo com Amor?”, de Wolf Maya; “Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas”, de José Alvarenga Jr.; “Até que a Sorte nos Separe”, de Roberto Santucci (está em cartaz com a sequência, ao lado do mesmo Leandro Hassun e com a inestimável presença de Jerry Lewis; é considerada uma das mais rentáveis estreias de 2014) e “Odeio o Dia dos Namorados”, de Roberto Santucci. Como dito, o forte de Danielle na ribalta são os musicais: “Cabaret Brazil”, de Wolf Maya; “Relax…It’s Sex”, de Wolf Maya; “Chicago”, uma adaptação de Claudio Botelho (composição de John Kander, letras de Fred Ebb e libreto de Fred Ebb e Bob Fosse);”Hairspray”, de Mark O’Donnell e Thomas Meehan, com direção e versão das letras de Miguel Falabella e “Xanadu”, adaptação do filme com Gene Kelly e Olivia Newton-John, de Robert Greenwald, dirigido por Miguel Falabella. Há ainda “Lancelot”, adaptada por Cláudio Althiery da lenda inglesa, como Guinevere. “Amor à Vida” chega ao seu final e a aposta em Danielle foi certeira. A atriz defendeu desde o prólogo com altivez e garbo a sua personagem, que dividiu opiniões e foi alvo de condenações. Danielle Winits pode dizer que na novela de Walcyr Carrasco “sentiu na pele” que “ser mãe solidária é padecer no paraíso”. Entretanto, este “padecimento” se transformou em crescimento como atriz para Danielle, atribuindo para si mais um importante papel para sua vasta galeria que orna bonita trajetória artística.
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“Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, novela das 21h da Rede Globo, apresenta-nos desde o início de sua trama uma extensa galeria de personagens ambíguos e ambivalentes, retos, éticos e morais e vilões convictos, alguns destes em busca da redenção de si mesmos. Um painel racional, embora provindo de ficção, do retrato do ser humano e suas diferenciações. Leila, o papel defendido com irrepreensíveis dignidade e talento, e doses equânimes de iniquidade e humor negro e politicamente incorreto pela paranaense de Maringá Fernanda Machado, é um tipo frequentador da história que merece cuidadosa abordagem. Algumas perguntas se fazem a seu respeito: por que ela é assim?; por que age de forma tão vil?; por que é fria e insensível ao extremo?; por que rejeita a família?; e por que sente tamanhos ódio e desprezo pela irmã com necessidades especiais? No entanto, a bonita morena de lisos cabelos sobre a qual continuaremos a falar interpretada por Fernanda, que estreou na televisão no folhetim das 19h da mesma emissora, “Começar de Novo”, de Antonio Calmon e Elizabeth Jhin, é capaz sim de nutrir certo tipo de sentimento pelo vulnerável, frágil, dúbio e manipulável escritor Thales (Ricardo Tozzi), que vive mergulhado em crises com sua própria consciência. Se é apenas atração física, paixão, obsessão ou até amor, nunca saberemos. O casal, que troca abruptos e resfolegantes afagos e beijos no “moquifo” do escriba defronte ao Minhocão de São Paulo, no qual há em seu interior pôsteres de “Citizen Kane” e “Le Quatre Cents Coups”, dedicou o seu tempo ocioso na maquinação de planos que fariam Machiavel “reescrever” “O Príncipe” a fim de obter vantagens financeiras sem demandar esforço mútuo. Se no mundo capitalista, na montagem de um negócio, uns entram com o capital e outros com o trabalho, em “Amor à Vida” Leila “entrou” com as ideias e Thales, o escritor de um livro só, “entrou” com a sedução. A primeira vítima foi a ruiva Nicole (Marina Ruy Barbosa), pobre menina rica que “vendia” ingenuidade e romantismo, e que parecia ter saído de um filme de James Ivory, moradora de mansão “perdida” no século XIX. Educada e doce, Nicole possuía imensurável fortuna. Uma “presa” fácil para os golpistas. Infelizmente, a jovem sofria de uma enfermidade que não lhe deixaria viver muito tempo. Cuidada com zelo pela governanta Dirce (Angela Rebello), circunspecta e formal funcionária, chamada pela filha de Neide (Sandra Corveloni) de “urubu sem asa”, a moça se deixou levar pelo charme do “intelectual”, aceitando com ele se casar (o objetivo, óbvio, do rapaz, era herdar o dinheiro deixado). Thales se dizia estar apaixonado pela futura esposa, mas “dividia o lençol” com a amante e cúmplice. Que amor é esse? Que escritor é esse tão calculista e desprovido de sensibilidade? Tudo denotava estar dando certo para o “literato” que degustava chá de hortelã no calor da metrópole e para a sua parceira, até que no dia do casório, Nicole descobre a dura verdade na frente do padre. Ela morre “vestida de noiva” “rodriguianamente”. Com a morte daquela que seria sua cônjuge, Thales, que não sabemos de onde vem, se tem pai, mãe, irmãos ou é filho de César (Antonio Fagundes), vivencia seus dias de Haley Joey Osment, e passa a querer dizer: “Eu vejo gente morta”. O malogrado vestido de noiva foi propositalmente colocado no corrimão da escada, e a Leila de Fernanda Machado, que personificou a ludibriada Joana de “Paraíso Tropical”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares (ganhou o prêmio “Melhores do Ano Atriz Coadjuvante 2007”), assustada, sofre grave queda, que a leva a longo período de recuperação, o que a deixou mais revoltada e ferina em suas ofensas. Os dinheiros disponíveis foram gastos em caros tratamentos, e o par começou a ter dificuldades para se sustentar, pois o inventário não estava concluído. Enquanto isso, Leila maltrata sua irmã autista (um termo que estigmatiza essas pessoas que requerem tanto amor) Linda (Bruna Linzmeyer), como chamar a sua atenção quanto à urina que fez na cama e destruir a sua árvore de Natal feita com carinho pelo adorável advogado Rafael (Rainer Cadete), que em breve será objeto das armações da irmã de Daniel (Rodrigo Andrade). Ele será denunciado tanto por Neide quanto por sua filha por “sedução de incapaz”. Não me espanta que Linda seja tratada desta maneira, visto que seja fato comum em não poucos grupos familiares. Durante a estagnação do processo de inventário (no Brasil a Justiça é célere?), surge a ruiva (!) Natasha (Sophia Abrahão), herdeira de parte do legado do pai de Nicole, fruto do relacionamento deste com Dirce. Dirce também tem as suas fraquezas. Natasha contesta sua cota na partilha dos bens, para desagrado da dupla, que volta a admirar da janela do “moquifo” o “silencioso” e “despoluído” Minhocão. Nem Cidadão Kane e “Os Incompreendidos” salvam a penúria deles. Um novo ardil é pensado, e Thales, o escrevinhador que estima blusas xadrezes, seduz a nova ruiva, objetivando o seu patrimônio. A ambiguidade que o acompanha é evidenciada mais uma vez. Natasha se apaixona, todavia a mãe está alerta. A saída encontrada pela ardilosa personagem de Fernanda, que já deu vida a duas vilãs em produções de Walcyr Carrasco que no seu término acabaram se redimindo (“Alma Gêmea” e “Caras & Bocas”), será dar cabo da namorada de Rogério (Daniel Rocha). A mansão “do século XIX” será incendiada. Natasha se salvará, e Leila não escapará das chamas. Fernanda coleciona na TV participações especiais em seriados, minissérie (“Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral) e outra novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”, na qual fora a ambiciosa Luciana, que morrera num sinistro. Atuou como apresentadora do “Superbonita”, do GNT. Nos cinemas, foi focada pelas lentes de Paulo Sérgio de Almeida (“Inesquecível”), José Padilha (“Tropa de Elite”), Marco Antônio Ferraz e Anderson Corrêa (“Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”), Tadeu Jungle (“Amanhã Nunca Mais”) e Michel Thikomiroff (“Confia em Mim”), além de um curta-metragem. Tem para si o privilégio de encenar um dos mais prestigiados dramaturgos modernos norte-americanos, Sam Shepard, em “Mente Mentira”, ao lado de Malvino Salvador. Fernanda Machado fez exponencial diferença na produção das 21h ao assumir papel difícil, condenável, complexo e polêmico em sua natureza. Fernanda é uma bela, jovem e talentosa atriz a quem devemos respeitar. Leila “aprontou”. Fernanda “aprontou” também com sua qualidade de atriz. Para terminar, só um aviso às ruivas: se agora encontrarem Leila na calçada, sejam cautelosas, atravessem a rua.





