As filmagens coordenadas pelo diretor irlandês Steve Barron (que tem no currículo longas-metragens como “The Adventures of Pinocchio”, em que estão Martin Landau e Geneviève Bujold; “Coneheads”, com Dan Aykroyd, Adam Sandler e Ellen Degeneres; “Teenage Mutant Ninja Turtles”, com Elias Koteas (“As Tartarugas Ninja”); e clipes de Michael Jackson (“Billie Jean”), A-ha (“Take On Me”), e Dire Straits (“Money for Nothing”) foram realizadas em um dos mais míticos e representativos hotéis cinco estrelas do Rio de Janeiro, local onde já se hospedaram celebridades, reis e chefes de Estado. Hotel que ostenta suntuosa arquitetura neoclássica. Uma já não mais amiga me indicou para uma agência de elenco, pois precisavam de um ator com o meu “physique du rôle”. Ora, nunca havia pensado em trabalhar num filme inglês. O Reino Unido, do qual a Inglaterra é integrante nos deu exímios cineastas como Alfred Hitchcock, David Lean, Danny Boyle, John Boorman, Ken Loach e Jim Sheridan. Então, estar em produção britânica me era honra não discutível. No raiar do dia, fui um dos primeiros a lá chegar. Hotel vazio, ermo. Circulei estupefato por aqueles cômodos regados à luxo que tanta História guardavam. Hoje, o Hotel Glória será mais sofisticado, atinente aos tempos modernos, sem no entanto que se descaracterize sua imponente fachada. Após farto “breakfast” (sem chá, pois ainda não eram 17h), deram-me elegante figurino de garçom. Todo em “bordeaux”. Se me decepcionei com o papel? De modo algum. Considero servir a alguém um dos mais nobres ofícios a que tive notícia. E o curioso é que nos meus inocentes dezesseis anos fui balconista de lanchonete. Sem uniforme “bordeaux”. No estabelecimento, não só vendia salgadinhos, refrigerantes e chopes, mas “pegava no pesado”. Empunhava uma vassoura, lavava pilhas de pratos, e demovia a sujeira dos mal-educados e não adeptos da higiene. Devem-se se perguntar? – Momento infeliz de sua vida? Respondo: – Claro que não! Uma das melhores fases da minha existência, em que pude crescer e me divertir. Ganhei dinheiro? Qual nada! O que recebi fora tão pouco que o banco encerrou a minha conta pela falta do vil metal. Desculpem-me por ter fugido do assunto vigente. Um desabafo apenas. Voltemos ao filme. Chama-se “Mike Basset: England Manager”. No seu “cast”, um dos mais aclamados comediantes da nação da Família Real: Ricky Tomlinson. Os demais atores exalavam empáfia. Quanto ao figurino que me foi dado, poderia servir até de traje para o meu aniversário de trinta anos. Cabiam-me duas cenas. Detalhe: o ano era 2001, portanto anterior à Copa do Mundo de 2002, organizada pelo Japão e Coreia do Sul (que estranho assistir a jogos de madrugada). E o longa abordava justamente a guerra futebolística (não a das Malvinas ou Falklands) travada entre nossos “hermanos” e os conterrâneos de David Beckham. O intento destes era uma “vingança” contra os filhos do tango pelo “gol de mão” feito por Diego Maradona (apelidado de “A Mão de Deus”) na Copa do México, em 1986, contra os súditos da Rainha, em Campeonato Mundial sediado no Brasil (nesta época não se cogitava a hipótese do país tropical ser sede de uma Copa). Especulei que como havia participações especiais de mitos do futebol como Pelé e Ronaldo Fenômeno, o filme fosse lançado no Brasil por meio de inteligente estratégia de marketing. Enganei-me. Assim tive que vê-lo depois. E é ótimo! Muito engraçado, e com belas imagens da cidade do Rio. Falemos então de minhas únicas duas cenas: em uma delas deveria demonstrar naturalidade ao tomar conta do “american bar” enquanto assistia a uma das partidas; a outra era mais complexa. Faria as vezes de garçom sustentando uma pesada bandeja (seria de prata?) com drinks a servir aos protagonistas da trama em instante crucial. Acreditem, foram para mais de dez “takes”. Não tinha mais forças. Meus braço, antebraço, mão e cinco dedos pediam clemência. Agora, vejam a desconsideração que para comigo tiveram: em dado momento, já exangue, deixei a Lei da Gravidade vencer, e a bandeja (seria de prata mesmo?) cair. Veio-me afoita equipe a amparar-me. Estava molhado. O “bordeaux” já era. Todavia, a preocupação não me tinha como destino. E sim, o tapete. Por onde andará o tapete socorrido? E ainda tem mais: ao aproximar-me dos artistas lançaram mão do recurso cinematográfico nomeado “fade out” (a imagem vai aos poucos desaparecendo, então quando até eles cheguei era um “garçom fantasma”) A vida não é tão bela como tenta nos convencer o título do filme de Roberto Benigni, que em cujo Oscar no qual concorreu e ganhou, a nossa dama Fernanda Montenegro foi inacreditavelmente preterida por Gwyneth Paltrow. E Ronaldo? Não o vi. Mas Narcisa, vi. E não ouvi nenhum “Ai, que loucura!”. Pareceu-me tímida até. Steve Barron, o diretor do longa-metragem em pauta, era um indivídio acessível, calmo, tranquilo e com habilidades precisas para a orientação das tomadas. Agora, vejam que pretensão a minha. Fui pego de surpresa por um suposto jornalista que me pediu para ser o intérprete de uma entrevista com Steve Barron. Jornalista que não sabe Inglês? Fiz a minha parte. A equipe de produção nos perguntou se toparíamos filmar no dia seguinte porquanto haveria a presença luxuosa de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Em uníssono, aceitamos. Veríamos Pelé, e ganharíamos R$50,00. Na manhã seguinte, já estava a postos. De repente, burburinho. Pelé chegou. Um bando de repórteres pulou em cima dele como se quisessem evitar que finalizasse uma jogada que desse a vitória ao Brasil. Se alguém tiver alguma impressão equivocada do atleta, desconsidere-a. Pelé é educado, gentil, paciente, cumprimentou a todos, enfim, como deve proceder um ídolo. Terminadas as filmagens. Já havia para colocar no meu cofrinho R$100,00. E tinham destinação certa: R$50,00 para comprar um relógio despertador e os outros R$50,00 para um outro relógio, só que este para me despertar para a vida que de fácil não tem nada.
Categoria: Cinema
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Se em “Fina Estampa”, novela anterior de Aguinaldo Silva, Tânia Khallil interpretou Letícia, uma professora de Literatura, recatada, mãe de uma filha, que morava com esta e com a mãe, e era fechada para o amor (o que se resolveu em capítulos posteriores), em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, sua novela atual, Tânia é Ayla, uma aldeã, também recatada, que em grande parte da obra conviveu com a meia-irmã Tamar (Yanna Lavigne) e a madrasta que tem como mãe Sarila (Betty Gofman), e que nunca fora fechada para o amor. Muito pelo contrário. A doce Ayla sempre acalentou sentimento amoroso de caráter platônico pelo mais famoso guia turístico de Istambul e Capadócia, na Turquia, Zyah (Domingos Montagner). Como recitava Drummond: “No meio do caminho tinha uma pedra…”. A pedra no meio do caminho de Ayla é Bianca (Cleo Pires). Sempre se deixando levar pelo assédio das turistas que guiava, motivadas pela fantasia de sedução do homem rústico de país diferente, Zyah nos intervalos entre mostrar uma caverna ou um templo as convidava para lhes mostrar sua acolhedora caverna. Em certa ocasião, a turista da vez nada acidental Bianca (então se esqueçam de William Hurt e Geena Davis em êxito cinematográfico de Lawrence Kasdan), inebriou-se não só pelas maravilhas dos territórios turcos, mas pelas maravilhas de quem a guiava. Ayla, a moça apaixonada de bonitos cabelos ondulados, ora presos, vestida com trajes campesinos, viu que o vento levara o seu único amor para debaixo do tapete que tecia. Incompatibilidades (substantivo no plural que serve de justificativa costumeira para o término de vários romances) levaram à dissolução do relacionamento que se formou após sobrevoo no Atlântico. Com a interrupção do enlace de Ayla com rico comerciante de joias por Zyah, os dois se casam. E tudo ao som da belíssima canção do americano Jason Mraz, “93 Million Miles”. Passam a viver um amor digno de novela. Porém, a calmaria deu lugar à tempestade com a chegada de Bianca, que reviu seus conceitos. Decisão precipitada da eterna turista. Zyah está irredutível, embora confuso. O guia não tem quem o guie. O guia se perdeu no próprio mapa da sua vida. Se Vó Farid (Jandira Martini) não consegue aconselhá-lo… Bianca então começa a se utilizar de artifícios para a reconquista da paixão perdida. Calma, Bianca. Esqueceu-se de Ayla? Ela é dócil, todavia vão mexer com o seu marido… A sua docilidade muda algumas sílabas e vira ferocidade. Defende seu casamento com garras nunca antes vistas. Uma guerra particular sem armistícios. Enquanto isso, o perdido em pensamentos Zyah vive um dilema: manter o matrimônio tradicional com Ayla onde há amor e respeito ou apostar em paixão aventureira em que a permanência não possui certificado de garantia? Há os que torcem por Ayla e os que torcem por Bianca. A decisão é sua. Melhor dizendo, a decisão é da autora. Este é mais um papel de destaque da atriz paulistana Tânia Khallil, que também é bailarina, inclusive clássica (trabalhou em importantes companhias de dança), e psicóloga. É uma intérprete preparadíssima. Estudou a valer em inúmeros cursos: formou-se pela Cármina Escola de Atores, teve aulas com Wolf Maya, Beto Silveira, Magno Azevedo e Márcio Mehiel, além do Teatro Escola-Macunaíma e Oficina de Interpretação para Teatro Oswaldo Boaretto. Especializou-se em locução e apresentação para a TV. Foi modelo. Sua estreia com apelo nacional na televisão se deu pelas mãos do diretor de núcleo da Rede Globo Wolf Maya, que a escalou para a produção de Aguinaldo Silva, “Senhora do Destino”, como a temperamental e obsessiva Nalva. A pilantragem a acompanhou em obra de João Emanuel Carneiro, “Cobras & Lagartos”, como Nikki. Deu o ar da graça em “Pé na Jaca” e alguns seriados. Duda, sua personagem em “Caminho das Índias”, fez parte de sexteto amoroso que teve de ser engendrado por modificações na história, e no qual estavam Rodrigo Lombardi, Márcio Garcia, Juliana Paes, Murilo Rosa e Thaila Ayala. No teatro, deixou sua marca em um dos mais bem-sucedidos textos de Naum Alves de Souza, “No Natal a Gente Vem te Buscar”, além de incorporar papéis criados tanto por Nelson Rodrigues quanto por Luis Fernando Verissimo e Larry Shue. Sentiu o doce sabor de ver um musical infantil para o qual colaborou como atriz, “Grandes Pequeninos”, baseado no livro/CD de seu marido Jair Oliveira, sendo indicado para o Grammy Latino. Esteve ainda com o parceiro de novela Dalton Vigh no espetáculo “Vamos?”. Na tela grande, juntou-se a Isaiah Washington e Murilo Rosa em filme “sci-fi”, Área Q”, dirigido por Gerson Sanginitto. Colaborou para alguns curtas (dentre eles, “Inocente” foi selecionado para o Festival Internacional do Cinema Latino, em Los Angeles). Falamos de Tãnia Khallil. A dócil e bela Tânia Khallil. E falamos de Ayla. A dócil e bela Ayla. Chega-se à conclusão de que 93 milhões de milhas de distância não seriam capazes de separar Ayla de Zyah. Mas, uma “distância” de nome Bianca.
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Realmente, Tiago Abravanel conheceu bem de perto e de forma retumbante o sucesso a partir do musical “Tim Maia – Vale Tudo”. O talento de Tiago possuidor de poderosa voz e dotes de dançarino juntos à estima e admiração que o povo brasileiro devota a um dos nossos maiores cantores, intérprete de grandes êxitos como “A Primavera”, “Não Quero Dinheiro”, “Vale Tudo”, “Azul da Cor do Mar” e “Dia de Domingo”, dentre vasta gama de melodias, sendo entoadas ao vivo por um jovem ator em musical só poderia resultar em aplausos acalorados tanto da crítica quanto do público. A bem-sucedida performance fora tão clamorosa que a autora Gloria Perez o convidou para viver o Demir de sua novela “Salve Jorge”. Demir é um bom sujeito, simples, que sustenta-se como vendedor no turco Grand Bazaar, em Istambul, e mora num tranquilo vilarejo da Capadócia, ambas regiões da Turquia. Nos capítulos iniciais do folhetim, sua história ficou a cargo das tentativas, algumas frustradas, de conquistar Tamar (Yanna Lavigne). Como no país citado, quebrar a garrafa com pedra no telhado de casa de mulher solteira significa pedido de casamento, Demir involutariamente viu-se envolvido em imbróglio provocado pelo menino Ekran (Frederico Volkmann) que alvejou o objeto de vidro errado. Ayla (Tânia Khallil) seria então sua esposa. Engano desfeito. Demir e Tamar decidem fugir, e casar-se. Tamar engravida. E apesar do ciúme por parte dela, mantêm estável relação. Até que uma morena de nome Morena (Nanda Costa) aparece em sua vida. Em visita à boate onde a filha de Lucimar (Dira Paes) trabalhava, compadeceu-se com o estado físico dela. Supõe que está grávida, e oferece-lhe um xarope medicinal, que lhe é levado em outra ocasião. Delineia-se entre eles um elo de amizade sem precedentes. Diversos acontecimentos envolvendo Zyah (Domingos Montagner), Mustafá (Antonio Calloni) e ele mesmo o fazem aproximar-se ainda mais de Morena. Escondida em caverna, o moço adepto das boinas típicas oferece-lhe cuidados e especial atenção. Coloca-se até em risco a pedido da brasileira. Deposita desconfiança na sua família e na da esposa. Tudo por Morena, que veio a dar à luz. Demir fora o primeiro a ver o filho de Théo (Rodrigo Lombardi), que nascera em condições inóspitas e periclitantes. Emociona-se. Por vezes, parece-me (posso estar enganado) que o rapaz sente algo por Morena superior à amizade. As cenas de Tiago dançando nas paisagens que causam-nos deslumbre na Capadócia merecem uma citação. Engana-se, porém, quem pensa que tudo começou para Tiago Abravanel com o musical que protagoniza. Tiago tem uma carreira antes disso. Iniciou sua profissão na adolescência. Fez várias peças, dentre elas uma de Jorge Amado, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Estuda interpretação na Universidade Anhembi Morumbi. Como voz bonita não passa despercebida, participou de grandiosas adaptações de musicais prestigiados da Broadway, como “Miss Saigon” e “Hairspray”. Antes de Demir, esteve em “Amor e Revolução”, no SBT. Emprestou o dom vocal à dublagem do filme de animação “Detona Ralph”. Esse é Tiago Abravanel. O Tiago que ganhou o prêmio “Revelação” dos “Melhores do Ano 2012” do “Domingão do Faustão”. E esse é Demir, para quem vale tudo salvar Morena a fim de que veja de novo o azul da cor do mar. Um dos sete, talvez.
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Um homem de bonita estampa que estava acostumado ao conforto promovido por sua família que em tempos idos era pertencente à alta sociedade carioca. O núcleo familiar é um tanto quanto desestruturado. O pai Arturo (Stênio Garcia) levou o clã à bancarrota ocasionada por investimentos mal feitos e inoportunos. A mãe Isaurinha (Nívea Maria) esconde um segredo do passado (provavelmente um caso de adultério com o falecido marido de Leonor, defendida por Nicette Bruno), e para complicar ainda mais a falta de um emprego que lhe apetecesse e um desgaste contínuo com sua até então mulher Antonia (Letícia Spiller). Com o suposto crescimento profissional da esposa, a deterioração matrimonial ganhou esboços cada vez mais perceptíveis. Brigas, brigas, brigas… Tudo aos olhos de uma criança, Larissa (Kíria Malheiros), fruto do enlace. A aproximação de Carlos (Dalton Vigh), antigo amigo de Celso, junto à bela loira só fez recrudescer o desmoronamento do casal com prazo estabelecido. O beijo existente entre ela e o falso enteado de Leonor foi a gota d’água para o epílogo drástico do casamento. Porém, uma questão desta triste história conjugal não deve ser descartada: Celso ainda ama perdidamente Antonia. E todas as suas atitudes (que acabam voltando-se contra ele mesmo) são motivadas por este pujante sentimento. O ciúme cega-lhe. E o faz infringir até a legalidade. Disputou com veemência a guarda da filha. Usou trunfos para tê-la só para si. A guarda compartilhada não se mostrou eficiente para a educação da menina. Um elemento que assombra muitos casais pelo mundo afora é abordado pela autora de “Salve Jorge”, Gloria Perez: a alienação parental (ocorre quando um dos responsáveis pela guarda do filho, seja o pai, seja a mãe, insufla a cabeça da criança com permanente campanha que leva à desmoralização do outro possuidor da benesse concedida pela lei). O tema fora até abordado no programa “Fantástico”. Celso tentou estabilizar a sua vida, apostando num namoro com Érica (Flávia Alessandra), entretanto como só falava de sua ex-mulher, o romance teve breve duração. Celso não é um mau homem. É apenas um indivíduo atormentado pela perda do amor, que antes poderia até não conseguir identificar o grau de sua amplitude. Quanto à carreira artística de Caco Ciocler, começou cedo no teatro amador, e cursou a EAD (Escola de Arte Dramática). Ao encenar a peça “Píramo e Tisbe” (premiado como melhor ator coadjuvante), assistido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, recebeu o convite para participar da primeira fase de o “Rei do Gado”, como Jeremias Berdinazzi (prêmio APCA de Revelação Masculina). Um outro personagem na TV que lhe trouxe projeção fora o Bento Coutinho da minissérie épica “A Muralha”, da Rede Globo. Personificou um judeu na novela “Um Anjo Caiu do Céu”. Em outra minissérie de teor histórico escrita por Carlos Lombardi, todavia com bastante tom cômico, emprestou seu talento ao viver o irmão de D.Pedro I e filho de Carlota Joaquina. Mais um momento relevante da História do Brasil lhe apareceu à frente: A Revolução de 32 (no documentário para a TV Cultura “A Guerra dos Paulistas”). Fez par romântico com Deborah Secco em “América”, de Gloria Perez. Logrou solidez na sua popularidade. Foi dançarino de tango em “JK” e fotógrafo em “Páginas da Vida”, folhetim de Manoel Carlos. Contracenou com Marjorie Estiano por duas vezes: uma em “Duas Caras” e a outra em “Caminho das Índias”. Sob a batuta de João Emanuel Carneiro, esteve na intrigante série “A Cura”. Ainda na televisão, bastante participações especiais, além das já mencionadas. No teatro, merece destaque a estreia em “Ecos”. Percorreu as veredas elizabetanas do bardo inglês William Shakespeare em “Rei Lear” (Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator). Vivenciou uma experiência inusitada nos palcos ao apresentar o monólogo “45 Minutos”, cuja duração era a mesma do título. Consistia na interatividade constante com a plateia. Um enorme desafio. Conheceu bem de perto a dramaturgia de Bernard-Marie Koltés, ao dirigir “Na Solidão dos Campos de Algodão” (Prêmio Quem de Melhor Diretor). Continuou nas coxias, só que desta vez como intérprete, em “Casting”. Fora visto em “Mary Stuart”, “Salomé”, “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, “Antonio e Cleópatra”, “A Construção” e “O Desaparecimento do Elefante”. Na tela grande, já esteve ao lado de Elliot Gould. Vários filmes marcaram sua presença nos cinemas: “Bicho de Sete Cabeças”, “Minha Vida em Suas Mãos”, ” O Xangô de Baker Street”, “A Paixão de Jacobina” (com Letícia Spiller), “Avassaladoras”, Desmundo”, “Sexo, Amor e Traição”, “Vinícius” e “Meu Pé de Laranja Lima”. O curta “Limbo” também lhe enriquece o currículo (houve premiações para este gênero cinematográfico). As versões históricas parecem fazer parte de sua trajetória profissional, visto que deu vida a Luiz Carlos Prestes, ao lado da Olga de Camila Morgado, em filme cuja direção coube a Jayme Monjardim. As diferenças sociais entre dois amigos foram retratadas em “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat. Integrou também “Quanto Vale ou é por Quilo?, de Sergio Bianchi, um longa-metragem de contexto fortemente crítico. Caco Ciocler já fez as vezes de roteirista, ator, diretor e editor no curta “Trópico de Câncer”, exibido no Festival do Minuto (Tema Livre). Prêmio de Melhor Filme. No Cine Pernambuco, melhor ator em “Família Vende Tudo”. “Dois Coelhos”, obra inovadora de Afonso Poyart, focada na mistura do eficiente roteiro aos admiráveis efeitos visuais lhe conferiu frescor em vivência nova. Está no elenco de “Disparos”, com Dedina Bernardelli. Encarnou um rabino em “O Caminho dos Sonhos”. E para concluir, voltemos ao Celso de “Salve Jorge”. O que lhe resta, e há esperanças, constitui-se no ato de recolher os fragmentos espalhados pelas ruas vazias de suas relações amorosas, juntá-los, e aí sim vir a ter um amor completo e emoldurado. Desde que não falte um único fragmento qualquer.
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Uma rua chamada Adalberto Ferreira. Bairro: Leblon. Não chamava-se pecado. Então não era possível encontrar Marlon Brando tampouco Vivien Leigh. Mas era possível encontrar Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim, o excelso maestro e compositor brasileiro, autor de grandes clássicos da bossa nova e da MPB. “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Águas de Março” e “Samba do Avião” são apenas algumas canções deste músico incensado pelo mundo, e gente ilustre como Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e Stan Getz. O local onde se dera o encontro mágico fora a Churrascaria Plataforma. Local este vizinho à antiga Sendas, e que correspondia na década de 80 ao que atualmente é a Rua Dias Ferreira, na mesma área, por seu comparecimento constante e invariável de artistas e profissionais da cultura nacional. À espera dos deliciosos e fumegantes pãezinhos de queijo que serviam de entrada, e pareciam vir direto das Minas Gerais, e que emulavam com as saborosas carnes, podia-se sentar ao lado de atores, atrizes, produtores musicais, autores de novelas… e Tom Jobim. Ao chegar num belo dia de domingo ao restaurante, em seu Puma vermelho conversível, iam embora José Wilker e Renée de Vielmond, na época casados. Acreditem. Não havia “paparazzo”. Se houvesse, não faltariam pautas para um mês inteiro para as revistas deste gênero. Entre uma mordida e outra de pão de queijo, vislumbrava-se o simpático jornalista e produtor musical Nelson Motta. Na porta do estabelecimento, podia-se esbarrar em um contemplativo José Lewgoy, venerável vilão das chanchadas, e que tinha acabado de fazer enorme sucesso no folhetim de Gilberto Braga, “Água Viva”. Noutra mesa, uma certa Regina Dourado. Que beleza de atriz, esbanjando tanto carisma ao seu redor. Noutra mesa, uma das musas daquela geração, Tássia Camargo. Percebi um sério e introspectivo Manoel Carlos. As seriedade e introspecção deveriam ser motivadas pela estreia no dia seguinte de um de seus maiores êxitos televisivos, “Sol de Verão”. Criança, falei: – Manoel, amanhã estreia sua novela, “né”? Sentados com placidez à espera do almoço, alguém que atendia pelo nome de Carlos Zara ao lado de sua então esposa Eva Wilma (naqueles anos o verbo “esperar” era respeitado). E um de nossos notórios atores junto ao seu filho Maurício Gonçalves, Milton Gonçalves de cabeça raspada (claro que tudo se deu em ocasiões diferentes) conversava conosco como se fôssemos amigos de infância. Abria seu sorriso com extrema generosidade. Este é Milton Gonçalves. Maurício do Valle, astro do Cinema Novo, irrompia com suas fortaleza e imponência nos vastos salões. Meus olhos não sossegavam à procura de pessoas que me despertassem a atenção e reconhecimento por algo que tenham feito de relevante por nossa cultura. Lá dentro não choviam as “águas de março”, nem vi a “garota de Ipanema” entrar no banheiro, ninguém lá aparecia vindo de um avião cantarolando um samba, e a saudade era deixada do lado de fora, na rua chamada Adalberto Ferreira. A Adalberto Ferreira do Leblon de Manoel Carlos. A Adalberto Ferreira vizinha a Sendas. Apesar de tudo isso, foi com avolumada surpresa que me vi diante daquele que com sua pena escreveu obras do nosso cancioneiro que nos falam fundo ao coração: cercado de amigos, em extensa mesa, defronte a uma tulipa suada de chope, chapéu panamá na cabeça, e entre os dedos o indefectível charuto, um bonachão e falante Tom Jobim. Eu e os que comigo estavam aproximamo-nos dele, e lhe dissemos algo. Tom foi de uma afetividade que raro se identifica nos gênios. Aquele domingo não fora um domingo qualquer. Fora um domingo com Tom Jobim. Nesta hora demos chance à fantasia, e sobre nós caíram as “águas de março”, a “garota de Ipanema” entrou sim no banheiro, ouvimos o forte ruído de um avião chegando ao Rio de Janeiro ao som de um samba, e já estávamos com saudade daquele encontro. Esquecemos o “chega”. Voltamos ao nosso pãozinho de queijo. Ainda fumegante como antes. Como era infante, não podia beber um chopinho como Tom Jobim. Mas se o pudesse, com certeza levantaria o copo também suado e convocaria os que lá estavam que brindassem pela presença do brilhante maestro. Impressão que se tem é que todos por alguns minutos fomos garotos e garotas de Ipanema. Ao retornarmos para casa, não chovia. Não sei se era março. Porém, imaginemos que era março, e que chovia sim. Afinal, estivemos com Tom Jobim.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Moderna. Atual. Contemporânea. Descolada. Desencanada. Independente nas finanças e no amor. Elegante. Sensual e sedutora. Qualquer homem cai aos seus pés. E a hora de dar um “basta” cabe a ela. Inovadora comportamental. Ao chegar, em grande estilo, do exterior ao Brasil na novela “Salve Jorge”, de Gloria Perez, causou rebuliço ao promover o “descasamento” (uma cerimônia alegre que celebrava os anos felizes que passou ao lado de seu companheiro, vivido por Diego Cristo, apesar da separação). Bianca “causou”. Representava o sonho de consumo da maioria das mulheres defensoras do feminismo. É uma mulher do mundo. E Bianca é o tipo de mulher que o mundo recebe bem. Entretanto, não foi o caso ao fincar seus pés no país turco. Em viagem com seu novo “affair” Stenio (Alexandre Nero) deixou-se encantar pelo charme do guia turístico Zyah (Domingos Montagner). Este utilizava-se justamente do atributo para conquistar as estrangeiras e guiá-las para a… sua caverna. Stenio ficou a ver navios no Bósforo. E um ardente romance desenrola-se entre o casal. Suas cenas são tórridas. Zyah esquece-se até das turistas. Porém, quem nunca o esqueceu, amando-o sempre, fora Ayla (Tânia Khallil). Bianca começa a enfrentar o duro conflito cultural, e na região de costumes tradicionais da Capadócia sofre preconceitos por sua postura. E os embates obtêm contornos visíveis entre os dois. Ele a quer ao seu molde. Deseja que trate seu filho como se por ela fosse gerado. Bianca resiste a isto. Afinal, Bianca é amiga da liberdade. Compromissos definitivos passam ao largo de sua vida. Entretanto, cede. E vai morar com o guia. A caverna ficou para trás. Depois de alguns beliscões e ser chamada de “chilique, a amiga de Maitê (Cissa Guimarães) ao conviver com seu amado vê-se vítima de uma implacável perseguição de sua família. Não suportou. Tampouco Ayla com a solidão. Para aplacá-la, decide casar-se com um rico vendedor de joias. O ciúme bate à porta de Zyah. A relação de Bianca e do homem que aprecia cavernas torna-se inviável. Idas e vindas, e a bela moça decide de vez voltar para suas origens, retomando o que deixara. Passa a ser o que sempre fora. Decepcionado, Zyah impede o casamento de Ayla. E juntos ficam para o contentamento dos aldeões. O que talvez Bianca não imaginava junto com o público é que se percebeu “fisgada” para valer pelo moreno que traja coletes rústicos. A mulher desapegada a amores permanentes cai por terra. Bianca é mulher como qualquer outra. Apaixona-se de verdade, e quer quem lhe é objeto de paixão ao seu lado. A crise de identidade veio-lhe perturbar. Não tem mais sossego. Vive um dilema pessoal. Não se reconhece. Nem a amiga Maitê a reconhece. Onde está a mulher do século XXI? Onde estão seus dogmas? O amor é maior do que qualquer dogma. Num encontro por ela premeditado com Zyah defronta-se com a humilhação impingida pelo guia e sua esposa. Fica arrasada. Isso nunca havia lhe ocorrido. Contudo a fez crescer como representante do sexo feminino. Que dogmas que nada! Bianca quer é amar. E foi buscar o que julga ser seu de direito na terra dos tapetes e balões. Tudo pode acontecer se vier a reencontrar quem deseja. Se as paredes das cavernas tivessem ouvidos… E Cleo? Quanto a esta atriz que, apesar da vivência constante com o meio das Artes por seu parentesco, dúvidas comuns a qualquer jovem no tocante à escolha da sua profissão a cercavam. Temia cobranças se optasse por ser intérprete. Natural. Contudo, uma Monique Gardenberg apareceu em seu caminho, e a chamou para ser a protagonista de um filme baseado na obra homônina de Chico Buarque, “Benjamim (ganhara prêmio no Festival do Rio). O seu deleite ao fazê-lo, e a aceitação pronta da crítica eram o que faltavam para a decisão final de abraçar o ofício de servir a emoções várias. Antes, participara da minissérie da Rede Globo “Memorial de Maria Moura”, no mesmo papel defendido por sua mãe Gloria Pires. Provocou celeuma na novela “América”, ao personificar Lurdinha, que gostava mesmo era de homens mais maduros. Já interpretou o mito Cleópatra. Trabalhou com João Emanuel Carneiro em “Cobras & Lagartos”. Apresentou programa sobre a Sétima Arte, e experimentou um folhetim de época, o “remake” de “Ciranda de Pedra”. A vilania lhe surgiu com o nome de Surya em “Caminho das Índias”. Como Estela, visitou os cantões do norte nacional em obra de Walther Negrão, “Araguaia”. Como boa brasileira que é tinha que ser uma brasileira em “As Brasileiras”. Nas salas de cinema, pôde ainda ser vista em “Meu Nome Não é Johnny”, “Lula, o Filho do Brasil” e “Qualquer Gato Vira-Lata”. Terminamos tudo o que foi dito com Bianca. Bianca é moderna. Nunca deixou de ser moderna, atual e contemporânea. Continua a ser do mundo. Afinal, o amor é moderno e é do mundo. -

Foto: Renato Rocha Miranda/TV GloboHá algum tempo, fui assistir ao clássico de Jorge Amado nos palcos, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. A direção fora de Pedro Vasconcelos. E no elenco estavam Marcelo Faria como Vadinho e uma bela Fernanda Paes Leme como Dona Flor. Jonas Torres também estava lá na ribalta. Esbanjando brilho como Mirandão. Foi bom ver Jonas atuando, e pensar o quanto este intérprete ainda tem a nos oferecer. Na época, usava um bigode para dar mais credibilidade ao seu personagem. O espetáculo possuía a legítima ambiência baiana, com suas rodas de capoeira e prosódia local. Fiquei satisfeito com o que vira, e em maior nível ao poder dar os parabéns a Jonas Torres no final da peça pela filha que tivera recentemente. A sua amabilidade só fez aumentar minha admiração. Este ator a quem dedico este texto já começou a se destacar na tenra idade da infância, em um excelente filme de Hugo Carvana, sendo um dos melhores que testemunhei na cinematografia nacional: “Bar Esperança”. Era Yuri, filho do próprio Hugo e Marília Pêra. As intervenções do pequeno artista em suas cenas, fossem com Marília ou Hugo Carvana eram irretocáveis. Um ator nato. Credito a ele um dos fatores de sucesso do longa. Aliás, contribuir para o sucesso de uma atração, seja no cinema, teatro ou TV parece ser uma constante em sua jornada. É só nos lembrarmos do autêntico Zeca de “Vereda Tropical”, ótima novela das 19h escrita por Carlos Lombardi. Filho de Silvana (Lucélia Santos), mantinha uma relação também filial com o jogador de futebol Luca, defendido por Mário Gomes. As arengas com a tia Catarina (Marieta Severo) eram regadas por um humor irresistível. Gol de placa de Jonas, que antes havia feito alguns episódios de “Quarta Nobre”, na mesma Rede Globo. E este gol de placa o levou a fazer um gol talvez mais bonito, quando fora escalado para ser o Bacana de “Armação Ilimitada”, série de Antonio Calmon, dentre outros de igual importância. O que nós, telespectadores, pudemos vivenciar fora uma revolução estética, temática e musical como nunca havia sido mostrada na televisão. Um elenco totalmente entrosado com a proposta nova e jovial do programa. Kadu Moliterno, André di Biasi, Andréa Beltrão, Francisco Milani e Catarina Abdala proporcionaram-nos junto a Jonas momentos de pura e irreverente diversão. Entrou para a história da teledramaturgia não à toa. Vieram-lhe a seguir outros tantos trabalhos televisivos, como “O Dia Mais Quente do Ano” (telefilme), e os folhetins “Top Model” e “Vamp” (voltando a colaborar nestes dois últimos com Calmon). Foi aí que a vida de Jonas tomou outro rumo. Filho de um americano, migrou para os Estados Unidos, servindo ao Exército como paraquedista. Novos voos para Jonas. Voos que o trouxeram de volta ao Brasil. Participou de “Malhação”. Porém, Jonas precisava de mais voos. E no país ao norte das Américas, personificou os papéis de piloto e instrutor de voo. Como Jonas gosta de voar… Jonas, o aviador. O aviador ator. Ou seria o ator aviador? Não importa isso agora. O que importa é que Jonas Torres retomou sua carreira artística, e daí veio “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, na Rede Record. E depois “Malhação ID”. Na tela grande, voltou a saborear o doce gosto dos “sets” em “Super Xuxa Contra o Baixo Astral” e “Outras Estórias”, cuja direção coube a Pedro Bial. Dois “Pedros” em sua vereda tropical. Visto que Pedro Vasconcelos, como já foi dito, dirigiu-o em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Finalizo aqui, e convicto afirmo que Jonas é presença bem-vinda em qualquer área das Artes. Jonas Torres, o ator, o aviador, o ator aviador que nos palcos ou estúdios pelo mundo afora dá rasantes de talento.
Obs: No momento, em seu retorno às novelas, Jonas Torres vive o ex-catador de lixo Ismael na obra de Aguinaldo Silva “Império”, que vai ao ar pela Rede Globo às 21h.
Ismael ganhou a simpatia do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), após ter lhe devolvido o anel de esmeralda furtado por sua companheira Lorraine (Dani Barros, com quem tem feito ótimas cenas), passando a ocupar um posto na seção de almoxarifado da empresa de joias “Império”. -
Marcio Regaleira, modelo da 40º Models, no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Marcio também é ator e sócio-diretor do Coletivo Consciente, que se autodefine como “…artistas querendo fazer arte consciente de seus papéis de comunicadores entregando a verdade à liberdade. Um Coletivo ativo independente, disposto a simplificar o prazer.”
Como intérprete já se apresentou no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal), ao lado de Juliana Boller e André Ramiro, no Festival Cultural do Coletivo Consciente.
Atuou em Bonito, MS.
É defensor de um novo conceito de mobilidade urbana (sistema integrado de mobilidade urbana).
O Coletivo Consciente promoveu várias edições da mostra de curtas mais alternativa das Segundas-Feiras do Rio de Janeiro.
Trabalhou com as atrizes Manuela do Monte e Giordanna Forte.
Foi fotografado tanto por Sherolin Santos quanto por João Julio Mello.
Integrou o elenco do curta-metragem “Ponto de Vista”.
Fez ensaio para a Reserva.
É um dos responsáveis pelo site Rio de Janeiro Cycle Chic (a ideia partiu do fotógrafo dinamarquês Mikael Colville Andersen, de quem é amigo. Mikael é fundador do movimento Cycle Chic).Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/
OESTUDIO -

Foto: Álvaro Villarubia para Schön #12 magazineEstava eu em plena madrugada de domingo numa das festas mais badaladas do Rio de Janeiro, na qual se vislumbravam novas tendências, tanto no que concerne à moda, quanto à música eletrônica (com destaque para a “house music”) e comportamento de modo geral. Era lugar comum esbarrar em celebridades. Márcio Garcia, Camila Pitanga, Daniela Mercury, Maria Maya e Rafaela Fischer puderam ser vistos na prestigiada “party” em diferentes ocasiões. A minha presença era confirmada sempre que havia uma de suas edições, pois era um evento esporádico. E foi naquela madrugada que me deparei com a figura feminina de traços faciais cubistas que remetem às obras de seu conterrâneo, o espanhol Pablo Picasso, Rossy de Palma. Rossy, que é tida como uma das atrizes fetiche do cineasta também espanhol Pedro Almodóvar, assim como Carmem Maura, Marisa Paredes, Penélope Cruz, Victoria Abril e Veronica Forqué, participou de muitos de seus filmes, alguns sucesso de público e crítica. São eles: “A Lei do Desejo”, “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, “Tie Me Up! Tie Me Down!”, “Kika” e “A Flor do Meu Segredo”. Mas vocês devem estar se perguntando como Rossy foi parar no mesmo lugar para o qual fui. Alguém deve tê-la levado. Sim, levaram-na. Simplesmente Caetano Veloso e Paula Lavigne. Todos sabem que Caetano é amigo de Almodóvar. Claro que não perdi a chance de conversar com um dos ícones do Tropicalismo. Caetano Veloso, com sua voz melodiosa, foi bastante amável. Voltemos a Rossy de Palma. Pensei algo próximo: “Tenho que falar com Rossy, pois nunca fiz algo parecido com uma artista internacional”. Fui em sua direção. Ela estava de costas. Cutuquei-a, e quase sussurrando, chamei-a: “Rossy, Rossy, Rossy querida”. Ao se virar arregalou seus olhos com o semblante admirado devido ao assédio que não se esperava de um brasileiro para lá de extrovertido. Prefiro este adjetivo, abandonando os demais. Teria então naquele momento que pronunciar no mínimo algumas palavras (em espanhol!) a fim de que se justificasse a abordagem. Soltei: “Bienvenida, bienvenida querida!”. E apontando para a minha bochecha, disse-lhe com ares de pedido: “Beso, Beso”. Ganhei dois beijos como os cariocas e seus vizinhos costumam fazer. Despedi-me da atriz que ganhou prêmio especial no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. Saí satisfeito com o objetivo atingido. Havia falado e ganhado dois beijos de uma atriz internacionalmente famosa. Já tinha assunto para contar em casa e para os amigos. Cultivo a esperança de que a intérprete originária de Palma de Mallorca, e que já desfilou para Jean-Paul Gaultier e Thierry Mugler, possa ter pensado: “Como o povo brasileiro é simpático…”. Procuro não pensar o contrário. Perguntada certa vez se os contornos de seu rosto pouco comuns a incomodavam, Rossy afirmou que não. Que se achava bonita como era. E posso lhes garantir que de fato é bonita. Uma beleza diferente que pode até se sobressair mais que uma beleza padrão. Este é o fim de um peculiar episódio da minha vida. Lembrando-me do aclamado longa-metragem “A Rosa Púrpura do Cairo”, de Woody Allen, senti-me como se tivesse adentrado na tela grande de um cinema, e num filme qualquer de Almodóvar contracenado com Rossy de Palma. E com direito a dois “besos”!
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Em certa época, poderíamos considerar Dira Paes uma atriz exclusivamente de cinema, dada à incalculável quantidade de filmes dos quais participou, muitos deles de suma importância para a cinematografia nacional. Hoje, o “poderíamos” ficou para trás, pois a TV juntamente com o público a abraçaram com enorme carinho. Isto não a fez perder o título de uma das musas do nosso cinema, tendo em vista que continua em plena e merecida atividade nesta área. E pensar que tudo começou com as suas beleza e simpatia brasileiras que conquistaram o diretor britânico John Boorman, que a escalou para ” A Floresta das Esmeraldas” (” The Emerald Forest”), filmado no Brasil em 1985. Interrompendo por ora esta fascinante seara da carreira de Dira, falemos um pouco de sua personagem atual na televisão, a Lucimar de “Salve Jorge”, de Gloria Perez. Na última semana, e no capítulo de ontem, a intérprete mostrou toda a intensidade do seu talento em várias cenas que foram exibidas. Lucimar comoveu-nos com seu pranto dilacerante ao saber que a filha Morena (Nanda Costa) não estava mais viva, sob os olhares atônitos e compungidos dos que a cercavam. O desespero estampado no rosto e o grito de dor constituíram um todo pungente. Dira Paes tivera ótimas cenas com seus colegas de elenco, como Giovanna Antonelli, Totia Meireles, Odilon Wagner, Lucy Ramos, Paula Pereira e o adorável Luiz Felipe Mello, o neto Júnior. A sede de vingança ou justiça maternal materializada na surra que dera em Wanda (Totia Meireles) em conjunto com série de xingamentos lhe lavou a alma, e ratificou a ampla entrega da atriz ao papel que lhe foi conferido pela autora. Lucimar, dentre um numeroso “cast”, com seu modo expansivo, verdadeiro, justo e sensível conquistou desde já os telespectadores. Dira coleciona sucessos na TV como a índia Potira no “remake” de “Irmãos Coragem” (na primeira versão o papel fora defendido por Lúcia Alves); a Solineuza de “A Diarista”, em que pôde provar sua verve cômica; a divertida e lasciva Norminha, que garantia um dos melhores momentos de “Caminho das Índias”; e a Celeste de “Fina Estampa”, uma mulher que sofreu com a violência doméstica, e que acabou dando a volta por cima. Outras novelas também fazem parte de seu vasto currículo, como “Araponga”, “Força de um Desejo” e “Ti-Ti-Ti”. E minisséries: “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “Chiquinha Gonzaga” e “Um Só Coração”. Foi uma das atrizes escolhidas para estrelar um episódio de “As Brasileiras”. No cinema, a sua filmografia é impressionante, e com ela vieram diversos prêmios e indicações. Os longas “Corisco & Dadá”, “Anahy de las Misiones”, “O Casamento de Louise”, “Ele, o Boto”, “Amarelo Manga”, “Noite de São João” e “2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano” estão entre aqueles que lhe proporcionaram as láureas e as citadas indicações. Integrou o elenco de outros filmes, como “Cronicamente Inviável”, “Meu Tio Matou Um Cara”, “Celeste e Estrela”, “Ó, Paí, Ó”, e alguns de inegável apelo comercial, como “A Grande Família – O Filme” e “E Aí… Comeu?”. O último que fizera fora “À Beira do Caminho”. Dira é uma intérprete que se destaca no meio artístico por seu engajamento social, seja promovendo um festival de cinema em Belém, no seu estado natal, seja por demais causas humanitárias. E quanto a Lucimar, ainda veremos a ferocidade desencadeada por profundo amor de mãe sobrepujando todas as barreiras que lhe sobrevierem. Afinal de contas, além de ser mãe, Lucimar é brava. Brava gente brasileira.


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