Certa vez, fui assistir a uma peça de um dos mais celebrados dramaturgos contemporâneos, o americano David Mamet. Chamava-se “Perversidade Sexual em Chicago”, e no elenco estavam José Mayer, Eliane Giardini, Paulo Betti e Vera Fajardo. Logo pensei como uma atriz como Eliane poderia ser desconhecida do grande público ao ostentar tamanho talento. Tempos depois, o diretor Luiz Fernando Carvalho, conhecido por apostar em novos rostos na TV, escalou a intérprete para viver a Dona Patroa, na segunda fase de “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa, em 1993, na Rede Globo. Porém, antes disso, Eliane já havia feito trabalhos na televisão. Eliane Giardini prosseguiu sua carreira, tornando-se assim uma das artistas mais respeitadas e requisitadas da atualidade. No momento, podemos nos deleitar com a sua presença cênica em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Muricy, a matriarca do núcleo central do folhetim. Trata-se de uma família abastada devido aos feitos como jogador de futebol de Tufão (Murilo Benício), seu filho. Eliane, como disse no título deste texto, lembra-me uma personagem “felliniana”. Bonita e voluptuosa como algumas atrizes escolhidas por Federico Fellini para protagonizarem seus filmes. Madura e sensual (basta olhar os vestidos justos e decotados que usa), longos cabelos provocativos, olhos verdes faiscantes, e um sorriso que nos cativa. Como as personagens de Fellini, fala alto ou baixo dependendo das circunstâncias. É engraçada ou séria de acordo com a ocasião, também. Nos capítulos passados, Muricy se viu em desconcertante situação e suas consequências envolvendo um espinheiro. Forma um ótimo par com Adauto (Juliano Cazarré), mas diverte da mesma forma quando está com Leleco (Marcos Caruso). É uma mãe agregadora, cuja intuição funcionou com Nina (Débora Falabella), ao achar que a moça tinha intenções diversas, contudo nunca funcionou com a nora Carminha (Adriana Esteves). Quanto à trajetória desta intérprete que nasceu em Sorocaba, SP, formou-se na Escola de Teatro da USP. Depois de algumas participações em “Ninho da Serpente” e “O Campeão”, na Rede Bandeirantes, além de outras produções, estreia na Rede Globo na minissérie de Gloria Perez, “Desejo”, como Lucinda. Seguiram-se as novelas “Felicidade”, de Manoel Carlos, e a já citada “Renascer”. Esteve em muitas histórias no formato de minissérie, como “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, de Leopoldo Serran baseado em folhetim de Nelson Rodrigues; “Hilda Furacão”, de Gloria Perez inspirada em romance de Roberto Drummond; “Os Maias”, de Maria Adelaide Amaral, baseada em livro de Eça de Queiroz; “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que interpretou Tarsila do Amaral; “A Casa das Sete Mulheres”, de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão baseados na obra de Letícia Wierzchowski, e “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que personificou Tarsila do Amaral novamente (veio a montar um espetáculo sobre a pintora modernista), e “Capitu”, com roteiro de Euclydes Marinho e texto final de Luiz Fernando Carvalho inspirado no romance de Machado de Assis, “Dom Casmurro”. Esteve em um sem número de novelas, como “Explode Coração”, de Gloria Perez, “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, “Andando nas Nuvens”, de Euclydes Marinho, “O Clone”, de Gloria Perez (ganhou o Prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista dos Críticos de Arte, pela Nazira), “América”, de Gloria Perez (fez enorme sucesso ao ter como par romântico o ator Murilo Rosa), “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil, além de várias outras produções de diferentes gêneros. No cinema, podemos destacar “O Amor Está no Ar”, de Amylton de Almeida, com o qual recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral, “Olga”, de Jayme Monjardim, dentre outros. No teatro, citemos “O Processo”, de Kafka, “A Vida é Sonho”, de Calderón de la Barca, “O Amigo da Onça”, de Chico Caruso, “Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Souza, “Com a Pulga Atrás da Orelha”, de George Feydeau, “A Fera na Selva”, de Henry James, “Querida Mamãe”, de Maria Adelaide Amaral, “A Dama do Cerrado”, de Mauro Rasi e “Memória da Água”, de Felipe Hirsch. Recebeu os prêmios Qualidade Brasil por “A Casa das Sete Mulheres” e “América”, incluindo outras láureas. Voltando a Muricy, esperemos que se recupere logo do que os espinhos lhe causaram. Isso que dá trair Dadauto com história de procissão só para mulheres. Dadauto é esperto. Logo, logo descobrirá que no meio dos espinhos pode haver um Leleco.
Categoria: Cinema
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Sei que o capítulo de “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro, no qual Olenka (Fabiula Nascimento) pede perdão à amiga Monalisa (Heloísa Périssé) já aconteceu há algum tempo. Mas o tema “arrependimento” nos é muito caro, e não pode simplesmente passar despercebido. É tão difícil ver uma pessoa pedir desculpas à outra, arrepender-se por um erro cometido, que quando vemos isso ocorrer na nossa frente, espantamo-nos. Lógico que nem tudo é passível de arrependimento nem tampouco perdão. Mas no caso de Olenka, a situação é diferente. Mesmo sendo uma mulher bonita, com seus cabelos ondulados, roupas sensuais, com destaque para o macacão jeans bastante justo, parece que os homens do Divino não querem saber de compromisso sério. O negócio deles é “pegar geral”. Quem “pegar” mais fica com moral. Os encontros marcados com Darkson (José Loreto) e Iran (Bruno Gissoni) não se consumaram. Armação de quem? Da solteira Suelen (Isis Valverde). Não, porque ninguém se mete com ela agora pois é uma moça casada. Se bem que Darkson e Iran andam pensando em largar a vida de pegadores. O primeiro sonha com Tessália (Débora Nascimento) e o segundo com Débora (Nathalia Dill). Porém, no capítulo de ontem tiveram uma recaída. Os valores estão para lá de invertidos. E Olenka, como a maioria das mulheres, sente falta de um companheiro com quem possa dividir as coisas que uma harmoniosa parceria traz. Nesta ocasião, entra Silas (Ailton Graça). Depois de ter sido dispensado por Monalisa ao ser descoberto que mentira para ela só para que pudessem se casar, começa a se insinuar para a melhor amiga de anos, praticamente uma irmã de Olenka, a personagem de Heloísa Périssé. As duas juntas se uniram para construir a rede de salões “Monalisa Coiffeur” desde o início. Com o apoio de Tufão (Murilo Benício), é claro. O que não deveria, ou não podia acontecer, aconteceu. Olenka se deixou seduzir por Silas. E como fofoca corre solta, a mãe de Iran fica sabendo da traição. E uma bonita amizade acaba. Olenka vai para o olho da rua, óbvio. Enquanto Silas joga sinuca em seu bar, Olenka cozinha, passa, lava, faxina… E o que é pior, percebe que está sendo usada como objeto de vingança para provocar a sua ex-melhor amiga. Olenka chega à conclusão de que Silas gosta mesmo é de Monalisa. Resoluta, a cabeleireira decide procurar a companheira de tantos anos, e usando um dos mais nobres sentimentos, a humildade, pede perdão a Monalisa. Esta entende as suas razões, e ambas fazem as pazes. Tudo volta a ser como antes. Quer dizer, não tão como antes, pois as duas vão se mudar para Ipanema. Falemos um pouco da atriz curitibana Fabiula Nascimento. É bom ver esta artista no horário nobre, interpretando uma mulher alto-astral, com um jeito de falar todo descolado. E que reitero, pôs o bom senso em primeiro lugar. Fabiula despertou a atenção da crítica e do público quando filmou ao lado de João Miguel o longa “Estômago” (Prêmio Contigo! – Melhor Atriz Coadjuvante – Prêmio do Júri), de Marcos Jorge. Em seu currículo cinematográfico, ainda constam “Reflexões de Um Liquidificador”, de André Klotzel, “Não Se Pode Viver Sem Amor”, de Jorge Durán, “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini, “Corpos Celestes”, de Marcos Jorge, “Amor?”, de João Jardim e “Cilada.com”, de José Alvarenga Jr. Na televisão, fez uma série de participações em programas variados, como “Casos e Acasos”, a minissérie “Maysa – Quando Fala O Coração”, “Por Toda a Minha Vida”, dentre outros. O de maior destaque para a atriz foi “Força-Tarefa”. Voltando a Olenka. Vamos esperar como se sairá na Zona Sul. Não me surpreenderia se Olenka arrumasse um figurão da Vieira Souto. Afinal, Olenka agora é Olenka Estilo Zona Sul.
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Há personagens que demandam demais dos atores no que tange às suas potencialidades dramáticas. Outros personagens são, por assim dizer, monocromáticos. O que não é o caso de Nina, papel que cabe a Débora Falabella em “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro. Na segunda fase do folhetim, e por conseguinte, nas cenas posteriores, Débora teve que alternar repetidas vezes reações diversas que denotassem doçura, determinação, fragilidade, força, insegurança, dissimulação, e tantos outros substantivos que indiquem estados emocionais do ser humano. Além disso, a atriz mineira teve que lançar mão de dois sentimentos opostos simultaneamente: amor e ódio. Nina dedicou o primeiro aos que lhe foram bons, como Lucinda (Vera Holtz), quem a criara por certo tempo; Jorginho (Cauã Reymond), a quem ama desde a infância; Betânia (Bianca Comparato), a amiga de todas as horas; e Begônia (Carol Abras), a irmã adotiva. E o segundo aos que lhe foram cruéis, como Carminha (Adriana Esteves), Max (Marcello Novaes) e Nilo (José de Abreu). Com a virada da novela, ou seja, com Nina afinal pondo o seu plano de vingança em prática, a intérprete Débora Falabella utilizou-se de recursos que fossem representativos da frieza, da arrogância e da insensibilidade. Se o telespectador se esquecer por alguns instantes das maldades de Carmen Lucia, poderá apiedar-se dela. Para cada pessoa que assiste à trama consiste o direito de achar se a amante de Max é ou não merecedora do que está passando. No entanto, algo me despertou a atenção: Nina não possui todo o seu plano armado, já que ainda não sabe o que fazer quando Tufão (Murilo Benício) e família chegarem de Cabo Frio. E não podemos nos esquecer de que se o jogo se inverter, Carminha ficará pior do que já era. Já no que concerne à carreira de Débora, começou cedo com peças teatrais como “Flicts”, de Ziraldo. Sua estreia na TV deu-se em “Malhação”, ficando por período curto. O trabalho que lhe deu a primeira projeção foi a produção infantil gravada na Argentina, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Retorna à Globo para viver Cuca, de “Um Anjo Caiu do Céu”. Depois de ter sido laureada em importantes festivais de cinema pelo curta “Françoise”, recebeu a incumbência de personificar em “O Clone”, de Gloria Perez, a dificílima personagem Mel, uma dependente química com problemas de reabilitação. O primeiro papel histórico foi Sarah Kubitschek, na minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral, “JK”. Na área dos remakes, protagonizou “Sinhá Moça”. Em seguida a “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, foi uma vilã em “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Estrelou ao lado de Selton Mello, Luana Piovani e Álamo Facó, o seriado adaptado do filme homônimo “A Mulher Invisível”. Participou do especial de fim de ano “Homens de Bem”, com Rodrigo Santoro. Como atriz de televisão, também integrou o elenco de outras produções, como séries, programa humorístico, e obras como “Agora É que São Elas”, “Senhora do Destino”, e as minisséries “Um Só Coração” e “Som & Fúria”. No cinema, merecem destaque “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de José Jofilly, “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, “A Dona da História” e “Primo Basílio”, ambos de Daniel Filho, e “Meu País”, de André Ristum, dentre outros longas e curtas-metragens. No teatro, encenou “A Serpente”, de Nelson Rodrigues, e “Noites Brancas”, de Dostoiévski, por exemplo. O que nos resta agora é saber até quando Nina achará ótimo ser uma anti-heroína. Sendo ou deixando de ser, Débora Falabella continuará sendo ótima.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Em 1988, estreava na televisão brasileira uma das mais importantes novelas já feitas, “Vale Tudo”, cuja autoria coube a Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. E no elenco, havia um núcleo de jovens atores formado por Marcello Novaes, Renata Castro Barbosa, Edson Fieschi, Flávia Monteiro e Fábio Villa Verde. Os personagens de Marcello e Edson frequentavam um clube, e praticavam natação. André, papel de Marcello, tornou-se amigo de Tiago (Fábio Villa Verde), o que gerou a desconfiança preconceituosa do pai do último, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), pois o filho não tinha namorada, era sensível, apreciava música clássica e de ler boa literatura. Acabou que Fernanda (Flávia Monteiro), que antes namorava André, passou a namorar Tiago. A partir daí, o intérprete garotão Marcello, que cursou O Tablado, no Rio de Janeiro, iniciou uma bem-sucedida trajetória na TV, emendando inúmeros folhetins (sobre os quais falaremos depois), até chegar ao Max de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Aliás, o seu jeito tipicamente carioca não o atrapalhou na diversificação dos papéis para os quais fora escalado, que vão do escrachado, passando pelo caipira, e tangendo o histórico. Hoje somos brindados quase que todos os dias com excelentes cenas de Marcello Novaes como o golpista das 21h. O ator que ostenta ótima forma física personifica um malandro que não costuma acertar na execução de suas tramoias. Os telespectadores mais benevolentes poderiam justificar as faltas de ética e escrúpulos, e a inacreditável megalomania à infância dura que tivera, e ao pai amoral que possui, Nilo (José de Abreu). Mas aí cairíamos naquela velha questão sociológica de que o homem é um produto do meio. O fato é que Max é uma pessoa que não tem o caráter ilibado. Não fosse assim, não teria sido o parceiro de tantos anos de uma das vilãs mais abjetas já vistas na teledramaturgia, Carminha (Adriana Esteves). Para os norte-americanos, Max seria tachado de “loser”, ou seja, um perdedor. Perdedor para eles não é aquele que perde sempre, mas o que mesmo tendo a oportunidade de vencer, de alguma maneira desperdiça a chance por vontade própria, e perde. Um exemplo disso em “Avenida Brasil”: Max recebe R$100.000,00 de Nina (Débora Falabella), um dinheiro que não lhe pertence, e ao invés de usá-los num investimento seguro, numa aplicação financeira, ou qualquer coisa que garantisse o seu futuro, decide dar-lhes como sinal na compra de um iate avaliado em R$500.000,00 (e ainda sequer recebera os R$400.000,00 que faltam para pagar a embarcação!). E para comprovarmos a sua fama de mau golpista, citemos que nada recebera dos R$50.000,00 da venda da casa de Genésio (Tony Ramos), o forjado sequestro de Carmen Lucia em que tudo deu errado, e a atrapalhada tentativa de arrombamento do cofre do então cunhado Tufão (Murilo Benício). Agora, no que concerne à carreira de Marcello, após a estreia em “Vale Tudo”, vieram as novelas “Top Model”, “Rainha da Sucata”, como Geraldo, “uma das filhinhas da mamãe”, “Deus nos Acuda” (em que refez Geraldo), “Quatro por Quatro”, obra na qual estourou ao lado da Babalu de Letícia Spiller, como o mecânico Raí, “Vira-Lata”, “Zazá”, “Andando nas Nuvens”, “Uga Uga”, “O Clone”, “Chocolate com Pimenta”, “América”, “Sete Pecados”, “Três Irmãs” e “Cama de Gato”. Trabalhou em diversos especiais e seriados. Integrou as minisséries “Chiquinha Gonzaga”, em que fora o marido da compositora na primeira fase da história, o rígido Jacinto Ribeiro do Amaral, “A Casa das Sete Mulheres” e “Dercy de Verdade”. Esteve em três fases de “Malhação”. No cinema, atuou no
longa-metragem de Rosane Svartman, “Desenrola”. E no teatro, estivera no musical “Rock Horror Show”. E para terminar este texto, voltemos a Max. Não sei quantas vezes pilotará o seu iate ainda não quitado. Deixemos que ele se sinta o máximo. Afinal, não podemos nos esquecer de que Max é o máximo do mínimo. -
Na semana passada, uma atriz muito querida do público, Natália Lage, foi entrevistada por Jô Soares, em seu talk show. A intérprete de Niterói, cuja primeira novela foi na Rede Globo, “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz, como Regina, filha dos personagens de José Wilker e Lucinha Lins, foi falar sobre sua atual peça, “JT – Um Conto de Fadas Punk”. A artista que mantém cabelos platinados, e trajava um cardigã preto vazado sobre uma também vazada blusa verde, junto a calças e escarpins escuros, após Jô ter mostrado o programa do espetáculo, conta-nos do que ele se trata. Mas antes o apresentador afirma que a história baseada em acontecimentos reais é tão famosa que rendeu até capítulo da série “Law & Order”. Natália então narra o que de fato ocorreu. Nos anos 2000, apareceu nos Estados Unidos um jovem escritor, JT LeRoy, que lançara um livro autobiográfico. E neste, relatava a infância difícil que tivera, morando nas ruas, envolvendo-se com drogas, tendo uma mãe que era prostituta… Com o lançamento do livro, segundo a artista, JT conseguiu por meio da literatura uma espécie de redenção, passou a ser reconhecido, badalado e famoso. Tempos depois, foi descoberto que JT LeRoy não existia, era um personagem, e quem na verdade escrevia os livros era Laura Albert, uma ex-cantora punk, que já trabalhara com disque-sexo. Entretanto, quem servia como figura pública era sua cunhada, Savannah Knoop, uma garçonete (papel de Natália). Savannah é homossexual, e JT, quem interpretava, também. Assim, para Natália, o desafio foi este: uma menina gay se fazendo passar por um menino gay. Savannah manteve a história com a imprensa por algum tempo. Houve a necessidade das aparições públicas (palestras, entrevistas…), e a cunhada foi incumbida desta missão, devidamente produzida com chapéu, peruca e óculos escuros. Como um dos elementos da trama é o disque-sexo, Débora Duboc, também atriz do elenco, emite sua opinião a respeito, e diz que Laura Albert (seu papel) afirmou em entrevista que muito do personagem que criara adveio das suas experiências no disque-sexo, por ter ouvido o que as pessoas tinham a lhe dizer. Laura, como curiosidade, fazia-se passar por mulheres de diferentes faixas etárias. Jô pergunta a Natália se teve dificuldades em criar o papel. Ela responde que no começo “ficou meio perdida de como começar a construção do personagem”, até que decidiu seguir o caminho de vivenciar o incômodo de algo que seria muito distante para uma pessoa. Afora, o “fascínio de estar ali, vivendo uma experiência louquíssima”. Natália assevera ainda que a função do espetáculo é mostrar como Laura Albert conseguiu agregar as pessoas em torno desta história tão insólita. Confirma que Savannah, com o passar dos anos, começou a se sentir confortável com o papel que desempenhava, a ponto de em certas ocasiões tirar o chapéu e os óculos. Tanto que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora da peça, Luciana Pessanha, e que participou do projeto com Natália desde o início, numa entrevista com JT, este já estava completamete relaxado, sem os disfarces que antes o acompanhavam. Quanto à ficha técnica da peça a direção é de Paulo José e Susana Ribeiro. E no elenco, além de Natália e Débora, estão Nina Morena, Hossen Minussi e Roberto Souza. Agora, fotos da peça são exibidas no telão. Jô indaga a Natália sobre a voz que usa. Ela respondeu que dá um tom mais grave, hesitante, “como alguém que ‘tá’ com medo de falar”. Em uma das fotos, aparece uma cena de briga que decorreu entre Asia Argento (Nina Moreno que a faz), filha do cineasta Dario Argento. Asia foi o pivô da briga entre Savannah e Laura. Asia Argento chegou a participar de um filme que se baseou no primeiro livro de JT, “Maldito Coração”. A entrevista está se aproximando do final, e um VT da novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi, em que Natália contracena com Mário Gomes é posto para que vejamos uma das passagens de sua precoce carreira. E assim ficamos sabendo um pouco mais desta extraordinária história irreal que nos fizeram crer que era real contada por uma atriz de real talento, Natália Lage.
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Foto: revistafashionnews.com
Leitores, finjamos que estamos circulando por um museu, e nos deparamos com um quadro no qual se vê pintado uma bonita mulher de cabelos curtos, e sorriso cativante com certo ar maroto. Ao lermos o que está escrito no informativo ao lado da pintura, somos comunicados que trata-se de Monalisa, e que é uma das principais personagens criadas pelo autor João Emanuel Carneiro para a novela das 21h da Rede Globo, “Avenida Brasil”. Quem acompanha o folhetim desde o início, já deve saber de cor e salteado definir esta pessoa por quem no limiar da trama Tufão (Murilo Benício) era apaixonado, e por ela correspondido. Mas o destino ou algo que não podemos precisar, colocou uma outra mulher dissimulada, ambiciosa, interesseira, esperta, malandra e mentirosa em suas vidas, Carminha (Adriana Esteves). Esta vil pessoa se utilizou dos piores estratagemas para lograr o que pretendia, ou seja, ter para si o ex-jogador de futebol. Para o contentamento de Muricy (Eliane Giardini), que nunca aprovou o romance, o noivado do casal acabou sendo desfeito. A dona do salão de beleza “Monalisa Coiffeur” resolve, decepcionada, retornar à sua terra natal, a Paraíba. Entretanto, sem antes ter recebido na época que estava para se casar um investimento maciço por parte de Tufão, que somado à sua fórmula bem-sucedida de alisamento dos cabelos, fez o negócio crescer com a abertura de diversas franquias, tornando-a uma mulher rica. Todavia, há uma questão importantíssima: Monalisa estava grávida do irmão de Ivana (Letícia Isnard), sua sócia e amiga, e não contou ao pai da criança. Na viagem de ônibus para o Nordeste, houve um acidente com o veículo, e a dona dos salões perdeu o bebê. Resolveu adotar um menino que ficou sem ninguém, Iran, que já rapaz é interpretado por Bruno Gissoni. Como se percebe, Monalisa é uma mulher guerreira, trabalhadora, algumas situações demonstraram que não leva desaforo para casa, e honesta. Gosta de ter a sua casa, e em mãos o controle remoto a hora que bem entender. Diz-se independente. Afirmou que não prezaria voltar a se unir com ninguém. Talvez por trauma. No máximo, uns encontros sem compromisso. E estes aconteciam com Silas (Ailton Graça), que desejava justo o contrário: casamento, morar junto… Até uma mentira lhe contou para que com ela ficasse de forma permanente. Na lua de mel, Monalisa descobriu a farsa, e rompeu o relacionamento. Contudo, não soube lidar com a solidão, e a carência física. Silas parece não a querer mais. E para complicar as coisas, sua melhor amiga Olenka (Fabiula Nascimento) passa a ter um “affair” com ele. Com a mudança de Iran para o apartamento de Jorginho (Cauã Reymond) na Zona Sul, Monalisa demonstra ainda mais o medo de ficar sozinha, e confessa a Olenka que seria capaz de se unir ao pai de Darkson (José Loreto), e com ele adotar um filho. A culpa da amiga só aumenta. A independência financeira não se estende à emocional. Já no tocante à sua carreira, Heloísa Périssé nasceu no Rio de Janeiro, mas morou por um período da adolescência na Bahia. A popularidade veio com a “Escolinha do Professor Raimundo”. Lá fez muito sucesso como a adolescente Tati (criação sua originária do enorme sucesso teatral “Cócegas”), que virou filme (dirigido por Mauro Farias, e que estreará em breve), livro, e um gibi com desenhos do cartunista Ziraldo. Como suas performances em sua maioria estavam atreladas à comédia, integrou variados especiais, séries, e programas do gênero, sendo o principal deles “Sob Nova Direção”, protagonizado por ela e Ingrid Guimarães. Fez parte ainda de “Chico Total”, “Zorra Total”, “Os Normais”, e os “Caras de Pau”. Afora outras atrações, Heloísa estreou nas novelas em “Cama de Gato”, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Depois, “Cordel Encantado”, das mesmas autoras. Todavia, as maiores oportunidades estariam por vir. Personificou com extrema verossimilhança a comediante Dercy Gonçalves na minissérie de Maria Adelaide Amaral, “Dercy de Verdade”. A atriz pôde mostrar ao público o quanto é capaz de alternar drama com comédia. O mesmo se dando agora em “Avenida Brasil”. Heloísa fez bastante teatro, como a já citada “Cócegas” e “Advocacia Segundo os Irmãos Marx”. E no cinema, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Xuxa Abracadabra”, “Sexo, Amor e Traição”, e “Muita Calma Nessa Hora”. Estará em “De Pernas Pro Ar 2”. E fez pela terceira vez a dublagem da animação “Madagascar” (“Madagascar 3: Os Procurados”). Chegamos à conclusão de que o talento de Heloísa Périssé está espalhado por todos os lados, e que talvez não caiba na moldura de um quadro. Mas mesmo assim, procurei fazer um retrato dela, e claro, um retrato de Monalisa.

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Foto: Pedro Paulo Figueiredo/CZNGostei da presença da atriz e dubladora Helena Fernandes (que está no ar como a advogada Vera no seriado “O Dentista Mascarado”) na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Sua interpretação foi “cool”, sóbria, sem excessos, elegante, na medida certa. Sem contar que Gilda era uma personagem agradável por vários motivos: uma ótima esposa e mãe; uma amiga sempre disposta a mostrar generosidade (isto pôde ser visto em certo momento numa cena com Clarice, papel defendido por Ana Beatriz Nogueira); demonstrou ser compreensiva com Eunice (Deborah Evelyn), que almejava pertencer a um meio social mais elevado; centrada, contemporizadora etc. Mas Gilda era uma mulher normal. Sentia ciúme do marido como qualquer outra quando via algum tipo de insinuação. Isto se deu quando Natalie (Deborah Secco) se aproximou de Oscar (Luigi Baricelli). Fora firme como era de se esperar. Houve ainda uma situação interessante em que tivera que se “segurar” para não envergonhar o filho Serginho (Vitor Novello) quando este se viu ameaçado pelos colegas de futebol ao perder um pênalti. Sendo assim, discorramos um pouco acerca de sua carreira. A estreia na televisão aconteceu de forma tímida em um folhetim de Carlos Lombardi, “Quatro por Quatro”. Só em “Quem é Você?”, de Ivani Ribeiro e Solange Castro Neves, escrita por Lauro César Muniz, que Helena obteve maior destaque. Destaque que a levara para a produção infantil “Caça Talentos”, na qual interpretara a vilã Silvana. Todavia, o reconhecimento enorme junto ao público para a atriz decorrera com a participação no seriado “A Diarista”, que era para ser curta, e se tornou fixa, face ao sucesso. Desdobrou-se em tipos diferentes em “Malhação”. Integrara o elenco de um sem número de seriados, como “Faça a Sua História” e “Separação?!”. E telenovelas como “Força de um Desejo”, “Roda da Vida”, “Kubanacan”, “Canavial de Paixões”, e “Beleza Pura”. No cinema, atuara em “Se Eu Fosse Você”, de Daniel Filho, e “À Deriva”, de Heitor Dhalia. E como dubladora, emprestara a voz a “Os Incríveis” e “Alice no País das Maravilhas”. Para concluir este texto, devo confessar que quando alguém diz “Gilda”, penso logo em Rita Hayworth em seu memorável filme. Entretanto se for por volta das 21h, penso em Helena Fernandes.
Obs: A atriz Helena Fernandes atualmente está no ar na novela “Malhação”, exibida na Rede Globo, como a professora de dança do espaço de Artes “Ribalta” Lucrécia.
A personagem de Helena, que é mãe de Jade (Anaju Dorigon), após uma consulta médica, recebe a notícia de que possa ter um nódulo no seio. A professora é aconselhada a fazer um autoexame, e a cena foi mostrada com todos os procedimentos, sem cortes, tornando-se um dos momentos mais emocionantes e esclarecedores da produção juvenil.
A repercussão foi grande, agradando ao público e à crítica. -
Quase sempre quando vejo Bianca Comparato em cena na novela das 21h da Rede Globo, de João Emanuel Carneiro, lembro-me da primeira vez que lhe assisti em uma produção do gênero. Fora em “Belíssima”, de Silvio de Abreu, cuja personagem Maria João tinha características masculinizadas, e nutria forte paixão pelo mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini). Ela era uma das filhas de Katina (Irene Ravache). Agora, como Betânia, interpreta a melhor amiga de Nina/Rita (Débora Falabella), com quem criara laços ao conviverem na infância. Depois, cada uma tomou seu rumo. Até que Nina volta da Argentina com o seu plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves) já todo arquitetado. E reencontra a amizade antiga como frentista de um posto de gasolina. Combinam entre si que Betânia assumiria a identidade da outra, adotando um visual rebelde. Carmen Lucia ao descobrir que a desafeta de tempos está morando em Copacabana, decide ir até lá. O encontro não foi dos melhores. As lembranças que vieram à tona foram desgastantes. A mulher de Tufão (Murilo Benício) propõe que uma não se meta na vida da outra. E assim fica temporariamente acordado. A mãe de Jorginho (Cauã Reymond) então descobre que o filho conhecera Rita no lixão, e que ambos já se viram. Resolve tirar satisfações, e por ironia, leva consigo Nina, que testemunha a amiga sofrer agressões físicas da vilã. Acontece uma série de desdobramentos na trama (chantagem de Nilo, papel de José de Abreu; rompimento do casal Jorginho/Nina etc.). Numa ocasião diversa, o jogador conversa com a mãe, e toma conhecimento que Rita usa um “piercing” no nariz, e associa os fatos. Deseja tirar tudo a limpo, e ao chegar ao apartamento da ex-namorada se surpreende ao se deparar com Nilo cheio de pose ao lado de Betânia, que por sinal fora a “madrinha” de seu noivado com Rita. Sua cabeça fica mais do que confusa. Toma a decisão de procurar a chef de cozinha, e colocá-la contra a parede. Resta saber o que a moça inventará dessa vez. Quanto à trajetória artística de Bianca Comparato, que é filha de Doc Comparato, tudo se iniciou quando perceberam que ela se destacou bastante no curso de teatro do colégio, a Escola Britânica do Rio de Janeiro. E ganhou uma bolsa para estudar em Londres na Royal Academy of Dramatic Arts. No retorno ao Brasil, formou-se em Cinema pela PUC-RJ. A estreia nos palcos foi em “O Ateneu”, de Raul Pompéia. E na televisão, dera os primeiros passos em “Carga Pesada” e “Senhora do Destino”. Veio “Belíssima”, que a projetou. Passou a colecionar um sem-número de participações na TV, como em “Cobras & Lagartos”, “Toma Lá Dá Cá”, “Antônia”, a minissérie “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes”, “A Vida da Gente”, “Tapas & Beijos” e “As Brasileiras”. No teatro, fez parte do elenco de “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, “A Fruta e a Casca”, montagem inspirada em “Dom Casmurro”, “Rock n’ Roll” e “A Escola do Escândalo”. Esteve presente em duas temporadas da série da HBO “Aline”, como Kelly. No cinema, emprestou seu talento a “Anjos do Sol” e a “Como Esquecer”. E, por fim, quanto a Betânia, não me parece que irá abandonar a amiga em seu irredutível plano de vingança. Nem que para isso tenha que levar uns tapas de Carminha, e receber Nilo em sua casa. Isso é que é parceira!
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Foto: Sergio Santoian/Revista MenschHá injustiça no mundo. A fidelidade está fora de moda. As famílias se desajustam, e o corrompido, corrompido está. À noite, em nobre hora, surgiu não ator qualquer na máquina de luz e som. Surgiu moço de nome Eriberto. Eriberto que a Pedro deu vida. Pedro que tocou a justiça. Pedro, leal ao amor prometido. Pedro que de muitos é amigo. Pedro que jamais será corrompido. Este foi o papel de Eriberto Leão na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Já em tempos idos, na casa que brota cultura, vi o artista em peça de Alcides Nogueira, dirigida por Gabriel Villela. Dia mágico, peça mágica. Um encontro com Elvis. Um encontro com Morrison. Ano passa, e reencontro em “O Amor Está No Ar”, do mesmo Alcides dos ventos. Depois, olhos azuis em “Serras Azuis”. Serras de Ana Maria Moretzsohn. Como intérprete apaixonado sempre deixa suas marcas. As marcas da paixão de Solange Castro Neves. Vimos e cremos o talento de Eriberto como o Tomé de “Cabocla”. A cabocla de Benedito Ruy Barbosa reinventada pelas filhas, Edmara e Edilene. Será que em toda a sua vida imaginou que faria César Camargo Mariano em homenagem a Elis? Em “Sinhá Moça”, Dimas ou Rafael? Os Ruy Barbosa sabem. Pelo verde, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Mostra o rosto em “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. Dentre casos e acasos, encontra as três irmãs. Irmãs criadas por Antonio Calmon. O tempo não ficou louco: Eriberto Leão é escalado para estrelar “Paraíso”. Sintonia com Benedito e suas meninas. A estrela ou astro, como bem queiram, firma-se. Luz que não se apaga. Luz perene que clareou as cariocas. E na ribalta? Além do sopro da ventania de Gabriel, “A Alma de Todos os Tempos”, de Gabriel, como Jesus. O Grande Mestre que por ele voltaria a ser personificado sob aberto céu, junto a multidão em procissão, na “Paixão de Cristo”. Um Cristo protetor que ainda o acompanharia em obra de Saramago adaptada para os palcos, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Falou baixo ou alto em “Fala Baixo Senão Eu Grito” com Ana Beatriz Nogueira, de Leilah Assumpção, dentre outros espetáculos. Nas telas da sala escura é sempre bem-vindo. Como assim o fora em “O Invasor”, de Paulo Fontenelle. E o diretor Caio Vecchio não quis ator qualquer para “Um Homem Qualquer”, que lhe valeu prêmio. Prêmio que ladeia outro, vindo da TV. Agora é chegado o momento de terminarmos. Como isto farei? Parte mais difícil. Vem-me ideia. Já sei. Acrescento uma palavra mais. Eriberto Leão, o nosso querido protagonista de “Insensato Coração”.
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É ou não ousado fazer par romântico com uma das mais populares e prestigiadas atrizes brasileiras em um de seus papéis de destaque na televisão ainda na fase da adolescência? Caio Blat (que estará na próxima novela das 18h da Rede Globo, “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes) interpretara João Batista, jovem amor da célebre compositora Chiquinha Gonzaga, vivida por Regina Duarte, na minissérie homônima de Lauro César Muniz apresentada pela Rede Globo. Porém, Caio, que chegara a estudar Direito por certo tempo, iniciou sua carreira bem criança, emprestando a imagem a inúmeros comerciais. No setor teledramatúrgico, a estreia de fato se deu em um seriado da TV Cultura, chamado “O Mundo da Lua”. No SBT, participa de importantes remakes, como “Éramos Seis” e “As Pupilas do Senhor Reitor”. Além disso, estivera em “Fascinação”. Retorna à Rede Globo (atuara anteriormente em episódios de “Retratos de Mulher” e “Você Decide”), e após o sucesso como o João Batista, conhece o horário das 19h com “Andando nas Nuvens”. Depara-se com dois desafios para qualquer intérprete: um vilão (o Bruno de “Esplendor”), e o primeiro protagonista (o Anjo Gabriel de “Um Anjo Caiu do Céu”), que dividia com Tarcísio Meira ótimas cenas. Depois de “Coração de Estudante”, agrada ao público como Abelardo, filho sensível de Mamuska (Rosi Campos) que se dedica à maquiagem, e que se vê obrigado a conviver com os modos um tanto quanto toscos de seus irmãos, na novela de João Emanuel Carneiro, “Da Cor do Pecado”. Integra mais dois remakes: “Sinhá Moça” e “Ciranda de Pedra”. Não sem antes colaborar para a obra de Gloria Perez, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Ganha o papel de Ravi, um indiano que enfrenta as rigorosas tradições culturais da família ao se apaixonar e se casar com uma brasileira (Isis Valverde), na premiada “Caminho das Índias”. No teatro, Caio Blat vivenciou algo não usual. Mudou-se para uma comunidade típica do Rio de Janeiro (e lá morou por algum período) com o intuito de selecionar o elenco para o espetáculo que iria dirigir (“Êxtase”, de Walcyr Carrasco). É ou não ousado? Outras tantas encenações como ator estão em seu currículo, inclusive “Os Dois Cavalheiros de Verona”, de William Shakespeare, e “Liberdade para as Borboletas”, de Leonard Gersche. Partamos assim para a seara na qual Caio prosseguiu com a sua propalada ousadia como artista: o cinema. Sentiu na pele o virtuosismo de Luiz Fernando Carvalho na condução de uma história. Não uma história qualquer, mas sim, “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar. Um romance que muitos disseram não ser passível de adaptação cinematográfica. Caio Blat e colegas de cena ficaram isolados em uma propriedade rural a fim de assimilarem melhor seus personagens. Causou polêmica no longa-metragem realizado de forma experimental, “Cama de Gato”. Dissera o texto forte e impactante de “Carandiru”, sob a batuta do aclamado Hector Babenco. A trajetória nas telas é cada vez mais enriquecida ao ser convidado para trabalhar em produções comandadas por nomes consagrados, como Sérgio Bianchi, Cláudio Assis, Cao Hamburger, Jorge Durán, Helvécio Ratton, Glauber Filho e Joe Pimentel, Paulo Halm, Jeferson De, Laís Bodanski e Guel Arraes. Está em cartaz com dois longas-metragens: “Xingu – O Filme”, de Cao Hamburger, no qual dá vida a um dos irmãos sertanistas Villas-Bôas, e “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat. No folhetim das 19h, “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco, Caio Blat, o ator ousado, exibiu seu talento como Leandro, um jardineiro fiel aos seus sentimentos por uma moça bonita que precisa aprender a tê-los. Um jardineiro fiel que enxerga pureza, e nos fez enxergar igualmente, ao oferecer rosas à mulher amada.





