Doralice, moça bonita, instruída. Tornou-se senhora das leis na Capital. Teve por decisão ir para o interior. Brogodó. Ao lá chegar, rapaz de nome Jesuíno (Cauã Reymond) deixou seu coração em sobressalto. O que a motivou a lutar por quem lhe causara ebulição de sentimentos. Já a esposa do moço de barba crescida, Açucena (Bianca Bin), foi ferida por dilacerante ciúme. Açucena não possui “os olhos verdes do ciúme”. Açucena possui “os olhos azuis do ciúme”. Assim, no meio da história em que a personagem de Nathalia Dill se viu envolvida é que percebemos a determinação que definiu de forma precisa o seu caráter. Determinação que não a demoveu de salvar Antônia (Luiza Valdetaro) dos maus-tratos do irmão Timóteo (Bruno Gagliasso). Determinação que a impeliu a se transformar no justiceiro Fubá, a fim de melhor se aproximar de Jesuíno. Já no que diz respeito à carreira desta atriz natural do Rio de Janeiro, podemos dizer sim que fora determinada em muitas situações. Afinal de contas, logo de imediato, após participação em episódio da série “Mandrake”, da HBO, interpretou por considerável tempo Débora Rios, papel de contornos acentuados de vilania em “Malhação”. O que vem a seguir? A incumbência de reviver Santinha, celebrizada por Cristina Mullins na primeira versão de “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. Nathalia surpreende a todos. Convence público e crítica. E todo este sucesso a levou a ser protagonista novamente. No caso em questão, mais um êxito: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Não sem antes ter emprestado o lindo rosto para o especial “Dó-Ré-Mi-Fábrica”. Todas produções da Rede Globo, como sabem. Ganhara merecidos prêmios pelas atuações. No cinema, esteve em “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, que trata dos relacionamentos dos jovens da “era MSN”. Fizera também a densa incursão de Selton Mello na direção, no melancólico e digno de reconhecimento fílmico e narrativo, “Feliz Natal”. Integra “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, cujo tema são a juventude e os seus dilemas de geração. No teatro, peças como “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain, e “A Agonia do Rei”, de Eugène Ionesco. Determinação, determinação. Não só a Doralice de “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, norteou-se por determinação. Nathalia Dill bem sabe o que é ser determinada. Tanto é verdade que esteve em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Débora, e em “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, como Silvia.
Categoria: Cinema
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Foto: Claudio Andrade/Revista Quem e Alex Paralea/AgNewsPode-se associar mais a carreira da filha do ator Jonas Bloch à comédia. É verdade, Débora é uma das melhores atrizes cômicas de sua geração. Haja vista suas inesquecíveis participações na própria estreia na Rede Globo, em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Era Lívia, filha de Jordana (Glória Menezes), e seu par romântico era Jerônimo (Mário Gomes). Assim como no humorístico “TV Pirata”; em “Cambalacho”, de Silvio de Abreu também, como a pouco feminina Ana Machadão; e nos folhetins de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, “Salsa e Merengue” e a “A Lua Me Disse”. E não muito distante, dividindo a cena com Wladimir Brichta em “Separação?!”, de Alexandre Machado e Fernanda Young. Além de ter feito vários episódios de “Comédia da Vida Privada”, programa baseado em crônicas de Luis Fernando Verissimo, e “Os Normais”, dos citados Alexandre Machado e Fernanda Young. Não deixemos de mencionar “A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes e Jorge Furtado. No teatro, tal faceta lhe é recorrente, como em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza, e “5 x Comédia”, espetáculo em esquetes. E onde fica o drama nesta história de Débora? Em várias memoráveis interpretações, como a Clara de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em que se apaixonava pelo surdo-mudo Abel (Tony Ramos); a Lena de “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral; e a Silvia Cadore de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Há ainda a minissérie de Doc Comparato e Antonio Calmon, ” A, E, I, O, … Urca”, a passagem pelo SBT, no “remake” de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, cuja adaptação do romance de Júlio Dinis coube a Bosco Brasil e Ismael Fernandes, e atuações em “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Agora, voltemos um pouco para sabermos como se dera o início da bem-sucedida trajetória artística de Débora Bloch. Pode soar evidente, e natural que o seja, que a figura paterna de Jonas Bloch tenha exercido influência primordial na escolha da profissão da filha. Porquanto, crescera em meio a “sets” e coxias. Após estudar em um Curso no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, teve a sua primeira experiência nos palcos, a qual considero sua “prova de fogo”. Explico: substituíra Lucélia Santos em uma obra clássica de Vianinha, “Rasga Coração”. Formara junto com Andréa Beltrão, Chico Diaz, Pedro Cardoso, dentre mais alguns, um dos grupos teatrais de maior relevância na cena carioca, o “Manhas e Manias”, que consistia precipuamente em criações coletivas. Diversos prêmios vieram. E quanto à contribuição que dera no campo cinematográfico? Bem, o que dizer do estrondoso sucesso “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues? Estivera em um longa-metragem com contextos políticos, ao lado de Walmor Chagas, “Pátria Amada”, de Tizuca Yamasaki. Após a parceria com cineastas importantes, como Walter Lima Jr. e Cacá Diegues, sua última aparição nas telas fora em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, em que contracenava com Vincent Cassel. No folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, viveu aprontando “das suas”, ao lado de Nicolau (Luiz Fernando Guimarães, amigo de longa data). Vítimas para ela não faltaram. Uma delas foi Maria Cesária (Lucy Ramos), que pela Duquesa foi humilhada ao ser flagrada aos beijos com o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). A nobre de fato não se conformou de ter perdido este amor. E nós lá íamos nos conformar se Débora Bloch não estivesse em “Cordel Encantado”, e agora em “Avenida Brasil”, como Verônica?
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Júlio. Júlio era o nome de seu personagem na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Júlio aproximava-se do que podemos chamar de um “cara normal”. O que seria um “cara normal”? Um homem casado, fiel à mulher, pai de duas moças, e trabalhador. Era correto. Cometera apenas um deslize que culminou na sua demissão da empresa de Raul (Antonio Fagundes). Deslize este cometido por influência do mestre dos deslizes: Léo (Gabriel Braga Nunes). Ele era de certo modo submisso à esposa Eunice (Deborah Evelyn). Todavia, já houve instantes em que sua voz soou mais alta. Em determinado momento, viu-se em uma situação complicadíssima para um pai, em que questões de cunho moral estavam implicadas. Júlio indignava-se ao ouvir as conversas regadas ao mais desprezível machismo havidas entre o designer André (Lázaro Ramos), William (Leonardo Carvalho) e Beto (Petrônio Gontijo). De fato era de se ficar indignado. E toda esta fase da trama possibilitou a Marcelo Valle a chance de realizar boas cenas no folhetim. Destaco a que Júlio flagrou a filha Leila (Bruna Linzmeyer) saindo do carro do designer. Naquela precisa ocasião, todas as fúria e revolta motivadas pelo sentimento de defesa da honra de quem cuidara por toda uma vida foram percebidas na interpretação de Marcelo. E não parou por aí. Houve um sério diálogo entre ele e a jovem de lindos olhos azuis que não terminou nada bem. Terminou em tapa na cara do pai, e expulsão da filha de casa. Difícil foi a resolução deste problema familiar. Um pai de uma filha que não correspondia aos seus anseios. E uma filha de um pai que julgava não entender as razões dos seus atos. Para mim, é delicado demais falar deste assunto, pois pode se correr o risco de se cair em julgamentos morais. O tempo se encarregou de clarificar as posições e pensamentos de cada um até que se chegasse a um consenso. Podemos agora comentar um pouco sobre a carreira do produtor, ator e diretor Marcelo Valle. Marcelo é do Rio de Janeiro e se formou como ator na Faculdade da Cidade, que à época estava sob a direção de Bia Lessa. Dedicou-se aos públicos adolescente e infantil por determinado período, chegando a ganhar o Prêmio Coca-Cola de Melhor Produção por “Os Três Mosqueteiros”, adaptação da obra de Alexandre Dumas. Lecionara em diversos lugares, inclusive na Casa de Cultura Laura Alvim e no O Tablado. Prosseguindo no campo teatral, é indispensável ressaltar que Marcelo Valle é integrante de uma conceituada companhia teatral, a Cia dos Atores. Além de atuar, produzira vários espetáculos na mesma. Ademais, o intérprete também trabalhou com outros diretores, inclusive Ernesto Piccolo, que o dirigiu nos mega sucessos “Divã” (com Lilia Cabral e Alexandra Richter) e “A História de Nós 2” (novamente com Alexandra, e que continua em cartaz com grande êxito comercial; há pouco tive o prazer de assistir, e lhes garanto que a encenação é ótima). Estivera ainda em “Um Certo Van Gogh”. No cinema, o artista é bastante lembrado pelo Capitão Oliveira de “Tropa de Elite”, de José Padilha. Já na televisão, participara de vasta gama de seriados, da minissérie “Incidente em Antares”, e das telenovelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical” e “Viver a Vida”, sendo que a primeira e a segunda são de autoria de Gilberto Braga e colaboradores. A terceira, como sabem, foi escrita por Manoel Carlos. Millôr Fernandes intitulou uma de suas montagens como “A História é uma História”. Pois esta é a história de um certo Marcelo Valle.
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Foto: Divulgação/TV GloboGilberto Braga e Ricardo Linhares, autores de “Insensato Coração”, utilizaram-se de um artifício sempre sedutor para os telespectadores de novela: a transformação de mulher simples, desprovida de vaidade, em alguém bonito, atraente, e capaz de surpreender aqueles que faziam ou passarão a fazer parte do seu núcleo de ação. É o que está se dando no momento com Norma Pimentel, interpretada de forma brilhante por Gloria Pires. Se antes, Norma desconhecia maquiagem no cotidiano, ora usava roupas da profissão ora roupas sem qualquer apelo estético, hoje nos impressiona com formosura outrora escondida. Os cabelos estão sedosos, cortados à altura dos ombros, e a pintura realça os delicados traços da face. Trajes de bom gosto. Com este visual moderno, consegue frequentar os melhores ambientes, como a academia de ginástica da moda ou um restaurante sofisticado. Até chegar o momento no qual arrebatará os sentimentos de Teodoro (Tarcísio Meira), homem aberto para o amor. Sim, a imagem abre portas, por mais que resistamos a esta verdade. E em nome da vingança, a agradável aparência que nos enternece servirá de meio para que se dê a sua meta de vida atual: a destruição de Léo (Gabriel Braga Nunes), que curiosamente algumas vezes lançou mão da boa estampa para atingir fins sórdidos. Há exemplos de folhetins que lançaram mão deste recurso por agora aproveitado na trama das 21h da Rede Globo. Sônia Braga, em “Dancin’ Days”, de Gilberto Braga, causou furor quando da aparição de Júlia Matos com madeixas volumosas, calça estilo sintética vermelha com listras laterais brancas, “bustier” ousadíssimo, e sandálias de salto alto, na boate de Hélio (Reginaldo Faria). A boate parou. A cena marcou. Em “Tieta”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, no início da história, a moça modesta de Claudia Ohana de mesmo nome do título da obra, é expulsa da cidade Santana do Agreste pelo pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos). Anos se passaram, e surge uma Betty Faria exuberante. Já em “Vereda Tropical”, de Carlos Lombardi, Cristina Mullins usava enchimentos para parecer obesa, aparelho ortodôntico, óculos, e tocava bateria com jeito um tanto quanto masculinizado. No desenrolar da trama, de baterista a “femme fatale”. Regina Duarte em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, após Raquel Accioli se tornar empresária bem-sucedida, o figurino é incrementado, acompanhando o novo status social. Em “Selva de Pedra”, de Janete Clair, só que na segunda versão de Regina Braga e Eloy Araújo de 1986, Fernanda Torres, antes Simone Marques, depois de um misterioso sumiço, retorna como a prestigiada escultora Rosana Reis, com direito a lentes de contato azuis. Como se pode notar, trata-se de um elemento teledramatúrgico a que se recorre largamente, e que possui êxito comprovado junto ao público. Saindo da seara da TV, e reportando ao cinema, inesquecível nos é Julia Roberts saindo de uma loja de luxo em Beverly Hills toda vestida de branco, com chapéu e luvas, esbanjando beleza ao som de “Pretty Woman”, do filme de mesmo nome de Garry Marshall.
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Era gravação de um dos primeiros capítulos de “O Dono do Mundo”, novela de Gilberto Braga, na qual Glória Pires interpretava Stela, esposa do vilão Felipe Barreto (Antônio Fagundes). Cena importante. Muitos atores participariam. Estreia na Rede Globo de tantos outros. E eu lá, só observando. Glória não havia chegado. Chegou. Educadíssima, carregando um calhamaço de textos, cumprimentou a todos, e se sentou em uma cadeira. Estudou com extrema compenetração as suas falas. Hora de gravar. Em pouco tempo, Glória Pires grava o que tinha que gravar com brilhantismo. Uma aula de disciplina e seriedade para com o seu ofício. Achei válido falar sobre isto, mesmo que já saibam da grandeza dessa atriz, que foi Norma, mulher injustiçada em “Insensato Coração”. A intérprete que indignou o país como a Maria de Fátima em “Vale Tudo” trabalha com a precisão. Seja no olhar, seja na impostação da voz, seja em gestos. É econômica quando tem de ser, porém quando tem de abrir mão dessa economia, assim o faz. Ela consegue mostrar como Norma a plenitude de sua dor apenas estando parada, em silêncio. Isto é mérito. Norma é a continuação de uma carreira precoce repleta de excelentes trabalhos. O destaque real se iniciou em “Dancin’ Days”. Tão nova quanto pujante na atuação como Marisa. Com o sucesso, veio “Cabocla”. Junto com Nádia Lippi e Maitê Proença fizera “As Três Marias” (usava cabelos curtinhos e óculos de grau). Integrou o elenco do ótimo folhetim “Água Viva” (Sandra). Seguiram-se “Louco Amor” e “Partido Alto”, até personificar um dos papéis mais memoráveis de sua trajetória: a Ana Terra de “O Tempo e o Vento”, minissérie baseada na obra de Érico Veríssimo. Após “Direito de Amar”, o encontro com “Vale Tudo”. E mais encontros e reencontros se sucederam. O encontro com o humor em “Mico Preto”, como Sarita. O reencontro com Gilberto Braga em “O Dono do Mundo”. O encontro com ela mesma no remake de “Mulheres de Areia” (Ruth e Raquel). O encontro com Rachel de Queiroz em “Memorial de Maria Moura”. Mais algumas produções, e o reencontro com Regina Duarte em “Desejos de Mulher”. O encontro primeiro com Silvio de Abreu, em “Belíssima”. Depois dos filmes “Pequeno Dicionário Amoroso” e o blockbuster “Se Eu Fosse Você”, reencontra Tony Ramos em “Paraíso Tropical”. Dentre alguns longas-metragens, fora agraciada com prêmios por “O Quatrilho”, “O Primo Basílio” e “É Proibido Fumar”. Está escalada para o longa-metragem “Flores Raras”, de Bruno Barreto, que narra o romance da poeta americana Elizabeth Bishop e da arquiteta e urbanista Lota de Macedo Soares. Protagonizará a produção de Roberto Berliner, “Nise da Silveira – Senhora das Imagens”, que relata a trajetória da famosa psiquiatra, e integrará um dos próximos episódios de “As Brasileiras”, na Rede Globo.
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Primeiramente, contar-lhes-ei duas curiosidades envolvendo Diogo Vilela (que acabara de interpretar Felizardo em “Aquele Beijo”, de Miguel Falabella) e mim. Há tempos distantes, encontrei-o em um evento, e o abordei de forma natural. Sou assim mesmo. Diogo é educado, acessível, sem estrelismos, voz branda, e bastante observador, como já destacara em outro texto. Aliás, um bom ator deve ser de preferência um bom observador. Já nesta época, as chamadas da novela “Suave Veneno”, de Aguinaldo Silva, estavam no ar, na qual faria o sensitivo Uálber. Disse-lhe de modo próximo, então, baseando-me nas cenas que vira, e matérias acerca do personagem que interpretaria: – Diogo, acho que seu papel vai “acontecer”. Ele deu um meio sorriso. Queria só lhe dar este recado. E, para mim, de fato “aconteceu”. A atuação que tivera fora algum dos trunfos do folhetim, e uma das melhores performances da extensa carreira do artista, na minha opinião. Segunda curiosidade: fui lhe assistir na excelente peça “Solidão, A Comédia”, na qual se desdobrava em vários tipos. Todos feitos com requintes de composição. Após certa hora, cri que a mesma havia findado. O que fiz? Levantei para aplaudir. Silêncio. Nenhuma outra palma. A gafe se perfizera. O espetáculo não havia terminado. Diogo deve ter pensado: “Como esse rapaz está gostando da peça… Está me aplaudindo em cena aberta!”. Passou. Não fiquei traumatizado. Agora, aproveitemos que o assunto do dia é Diogo Vilela para falarmos um pouco de sua rica carreira. Começou cedo. Tanto na televisão, quanto no teatro. Na TV, a lista é grande, tendo participado de diversos segmentos: telenovelas, seriados (incluindo humorísticos), minisséries… Podemos citar algumas das obras (pois são inúmeras) as quais integrara: “Guerra dos Sexos” (1983), “Marquesa de Santos” (1984), “Padre Cícero” (1984), “O Tempo e o Vento” (1985), “Sassaricando” (fizera enorme sucesso ao lado de Cristina Pereira), de 1987, “TV Pirata” (ficara no elenco durante considerável temporada; o programa estreara em 1988); “Quatro por Quatro” (1994), e “Toma Lá Dá Cá” (a atração se iniciou em 2007). No teatro, dedicou-se a peças densas e clássicas. Tivera uma experiência inesquecível para qualquer intérprete: contracenou com Henriette Morineau em “Ensina-me a Viver”, de Colin Higgins, como Harold. Fez Shakespeare (“Hamlet” e “Otelo” – como Iago). Demonstrou toda a força dramática em “Diário de Um Louco”, de Nikolai Gogol. Estivera em “Tio Vânia”, de Anton Tchekhov e “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos. Interpretou expoentes da música popular brasileira, como Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto. Mas comédias não lhe faltaram no currículo: “5 x Comédia”, e “A Gaiola das Loucas”, de Jean Poiret (a adaptação e direção couberam a Miguel Falabella). Já no cinema, filmes como “Leila Diniz”, “O Grande Mentecapto”, e o “O Coronel e o Lobisomem”, dentre tantos mais em larga galeria. Este é Diogo Vilela, um ator de muitas faces.
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Houve uma cena divertidíssima envolvendo Deborah Evelyn (Eunice), Thiago e Giovana Lancellotti (Cecília), no folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Tudo se desenhou quando Eunice deu uma “incerta” no cursinho onde a filha Cecília estudava para flagrá-la com o namorado secreto. Rafa (Jonatas Faro), o tal namorado, não estava presente devido a um compromisso pessoal. Foi então que Quim se aproveitou da situação para tomar o lugar do amigo. E foram todos lanchar. Eunice pensa que o rapaz é riquíssimo e de família tradicional, baseando-se no seu sobrenome pomposo. Quim fez a festa. Pediu milk shake, um sanduíche gigantesco, chamou Cecília de Ciça (para espanto de Eunice, que confirmou que a jovem detesta que a chamem assim)… E a mãe de Cecília a fim de não desapontá-lo, acompanhou-o na pândega (Eunice praticamente “lutou” com o sanduíche). A moça estava constrangida. E Quim nem era com ele. Esta cena serviu para corroborar o talento deste jovem intérprete que desde o início do folhetim nos garante bons momentos, sendo que a maioria contextualizados no humor. Quim é um rapaz de modesta situação, avesso aos estudos (não possui a mais remota ideia do que queira ser), com ranzinzice que o leva a ser engraçado, cujo melhor amigo é Rafa. Quando percebe que o “perdera” para Cecília, passa a nutrir implicância total por ela (refere-se à moça como “a marrentinha do Sul”). Isto é bastante natural de acontecer. Além disso, as cantadas que dera em Natalie (Deborah Secco) foram impagáveis. Na verdade, tudo isto que narrei até aqui talvez não fosse passível de graça se não estivesse nas mãos de um ator certo. E Thiago abraça os requisitos necessários (inclusive a inflexão com que as falas são ditas) para fazer de Quim atraente para os telespectadores. Falemos então de sua carreira. Thiago é natural do Rio de Janeiro, e começou a atuar ainda criança. Estreou em “Esplendor”, de Ana Maria Moretzsohn. No ano seguinte, “Estrela-Guia”, da mesma autora. Daí, vieram “Malhação” e o especial “Clara e o Chuveiro do Tempo”. Fora o Príncipe Theo de “O Sítio do Picapau Amarelo”, e o Bruno de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin. Muda de emissora, sendo o tímido Guga de “Chamas da Vida”, de Cristianne Fridman, na Rede Record. No teatro, esteve em “O Despertar da Primavera”, e “No Círculo das Luzes” (direção de Ulysses Cruz), dentre outras peças. É experiente em cinema, tendo exercido as funções de diretor e assistente. Agora é o Quim, em “Insensato Coração”. Aquele personagem que quando aparece nós pensamos: – Vem cena boa, aí…
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A bela mineira de Belo Horizonte, a modelo e apresentadora Camila Alves, foi a entrevistada de Jô Soares em um dos seus programas do ano passado. Estava muito bonita, com vestido em tom escuro com brilhos, alguns acessórios de cor dourada, além de “scarpins”. O apresentador após elogiar sua beleza, também o fez com relação ao seu marido. Pergunta-lhe se é ciumenta. Ela diz: “Se eu fosse ciumenta, não poderia nem sair na rua”. Jô Soares aproveita, e elogia o talento de Matthew McConaughey, inclusive no filme “Amistad”, de Steven Spielberg. A modelo anuncia que está para estrear um novo longa com a participação dele: “The Lincon Lawyer”, dirigido por Brad Furnan. Antes de começar a contar a história sobre a chegada aos Estados Unidos, pede tequila. Jô se anima com a ideia. Continuando. Fora para o país estadunidense disposta a não retornar ao Brasil. Momento de interrupção. Alex, o garçom, fica nervoso ao servir a bebida mexicana à moça. Eu ficaria da mesma forma. Pela expressão dos dois, a tequila era “das boas”. Prossigamos. Camila muda-se para Los Angeles. Antes fizera curso de modelo, o que na opinião dela não representa uma obrigatoriedade. O ator/comediante pede-lhe que desfile. Desfila. E bem. Na cidade citada, procura uma agência. Ocorre um impasse. Não podia exercer sua função enquanto o processo de visto não fosse regularizado. Enquanto não “modelava”, viu-se obrigada a se virar como pôde para se sustentar. Trabalhou como faxineira. Por não dominar o Inglês, empregou-se em um restaurante mexicano. Com direito a tequila de vez em quando, pois a rotina era dura. Concilia com um emprego em um estabelecimento italiano. Foi para Nova York. Bateu de porta em porta em várias agências de modelo, e a resposta era sempre igual: “Não.” Camila desanimou-se. Lágrimas na “Big Apple”. Até que a última à qual recorreu decidiu contratá-la. Fotos da morena são exibidas no telão. E o que se ouve? Os assobios de plantão. Inclusive uma de sua ida ao Oscar. O que me chamou a atenção precipuamente em Camila Alves foi a sua total falta de deslumbramento. E olha que isto é raro. Fala sobre a linha de bolsas que produz. Sabem para onde a conversa voltou? Para a tequila! Inicia-se o processo de preparo da bebida. Sai-se deste, e ruma para o fato da apresentadora e Matthew terem ido morar em um trailer (“airstream”). O assunto fica um tanto sério. Camila discorre sobre a fundação que mantém com o ator, chamada “After School Program”, que visa a fazer com que os adolescentes levem uma vida saudável, por meio de nutrição e exercícios, além de orientação profissional. Excelente iniciativa em um mundo de “glamour”. Finalizando, para alguns, Camila Alves é uma mulher de sorte por ser casada com um dos astros mais cobiçados de Hollywood. Vou além. Acho Matthew McConaughey um cara de sorte, também. Terminado o bloco, até senti vontade de tomar tequila. Brincadeira. Não gosto. É bastante forte. Como sou do Rio, vou de chopinho mesmo.
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Foto: editorial de moda para a GQ BRASIL/Daniel KlajmicAlguns podem estar se perguntando o porquê de eu me referir a Cauã Reymond (que vive o Jorginho de “Avenida Brasil”, e esteve nos filmes “Estamos Juntos”e “Meu País”) como “gavião”. Simples. Cauã, na língua indígena tupi, significa gavião. E sempre achei isto interessante. Aliás, ano passado, vi tardiamente “Ódiquê?”, filme dirigido por Felipe Joffily, no qual há elenco formado por jovens atores que muito se destacam. Além de Cauã, Dudu Azevedo, Alexandre Moretzsohn e Leonardo Carvalho. E com este seu primeiro longa, Cauã Reymond recebeu elogios da crítica. Recomendo-lhes. Saindo desta seara, e indo para a TV, há tempo não muito longo, fez o atormentado Danilo, em “Passione”, de Silvio de Abreu. E assim como Bruno Gagliasso, escalado foi em diminuto lapso para o folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”. O personagem foi Jesuíno, filho de Cláudia Ohana (Benvinda) e Domingos Montagner (Herculano), este uma espécie de liderança cangaceira em épocas passadas. E Benvinda não desejava que Jesuíno viesse a saber desse episódio. Ao contrário do pai, que almejava que no futuro o descendente fosse substituí-lo. O moço foi criado longe da família, e cresceu junto a Açucena (Bianca Bin), por quem se apaixonou. Este foi basicamente o enredo que envolveu o papel de Cauã. Agora, podemos desenhar um traçado de como se deu a trajetória do artista até o presente momento. A princípio, fora modelo, tendo experimentado temporada em Milão e Paris, e trabalhado com importantes estilistas, fotógrafos e modelos como ele. Só que Cauã já tinha em mente a vontade de ser ator, e assistiu a aulas de Susan Batson (“coach” de renomados intérpretes de Hollywood). A carreira na televisão começa bem, logo em duas temporadas de “Malhação”, atração para adolescentes na qual viveu Mau Mau. Caiu nas graças deste público. E o sucesso o levou a ser um dos rebentos de Mamuska (Rosi Campos), em “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro, fato que o tornou mais popular ainda, atingindo outras faixas de telespectadores. Participa de obra de Walther Negrão, “Como Uma Onda”. Mas o melhor estaria por vir, em termos de repercussão efetiva. Personifica garoto de programa (Mateus) que esconde esta condição de sua tradicional família de ascendência grega, em “Belíssima”, de Silvio de Abreu. Houve ótimas cenas com fiel cliente, Ornela (Vera Holtz). Todavia, uma em particular, chamou-me a atenção. Em refeição com os familiares, Cauã Reymond tivera que realizar forte cena dramática. E dela não me esqueci. E nesta mesma novela, nutria paixão por bela moça chamada Giovanna (Paola Oliveira). O epílogo ao lado de Bia Falcão (Fernanda Montenegro) causou polêmica. Para mim, boa sacada do autor. Depois de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, ótima chance irrompe: “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, que inovou pela abordagem dinâmica da trama. O personagem que lhe coube (Halley) no limiar da história possuía certas nuanças cômicas. Porém, no decorrer dos capítulos, a personalidade obteve um contexto mais sério, e que se adequou apropriadamente para o desenvolvimento do que nos era contado. Ganhara diversos prêmios. E ficara com a mocinha da história Lara (Mariana Ximenes). Quanto ao cinema, contribuíra para vários longas-metragens. Mérito para alguém tão jovem. Afora o citado “Ódiquê?”, destaquemos “Divã”, de José Alvarenga Jr., “À Deriva”, de Heitor Dhalia, dentre tantos. Agora, Cauã Reymond deparou-se com a missão de dar vida à rapaz bastante diverso, de caráter regional, criado por autoras com as quais nunca emprestara a imagem. Intimidade com o veículo, ele já tem. Então, tudo leva a crer que agradará aos que irão prestigiá-lo.
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Há curiosidade na carreira de Carmo Dalla Vecchia (em “Amor Eterno Amor” é Fernando) que não deve ser preterida: um reencontro com uma atriz tempos depois em outra produção teledramatúrgica, mas em contexto completamente diverso. Na verdade, o que se deu é que Carmo, muito jovem mesmo, estreou na boa minissérie “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Ele era Durval, filho de Engraçadinha (Claudia Raia), e irmão de Silene (Mylla Christie). Sentia por ambas incontrolável ciúme. Passam-se anos , e Carmo reencontra Claudia Raia na novela de João Emanuel Carneiro, “A Favorita”, na qual interpreta o audaz jornalista Zé Bob, que forma par romântico com Donatela, papel de Claudia. Boas coincidências do mundo da televisão. Carmo esteve, como sabem, no folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”, como o Rei Augusto. Que rei foi ele? Um monarca de reino fictício chamado Seráfia do Norte, região em conflito com Seráfia do Sul, terra comandada pelo Rei Teobaldo (Thiago Lacerda). A fim de que se selasse a paz entre as partes, a princesa do Norte é prometida ao príncipe do Sul quando ainda eram bebês. Entretanto, ocorre viagem ao Brasil com o intuito de se descobrir tesouro escondido. O Rei Augusto perde a sua mulher, a Rainha Cristina (Alinne Moraes), que estava acompanhada da filha Aurora. Tudo armadilha da Duquesa Úrsula (Débora Bloch). Pensa-se que Aurora também tivera fim triste. O que não corresponde aos fatos. E dá-se incansável busca por Aurora. Esta foi por base a trama em que Carmo Dalla Vecchia esteve inserido. Já com relação à sua história profissional, possui experiência considerável na televisão. Após alguns trabalhos em diferentes emissoras, como Rede Bandeirantes, Rede Record e SBT, e na Rede Globo, ganha destaque em “A Casa das Sete Mulheres” (Batista). Outras participações, até surgir chance que mudaria o rumo da trajetória artística. É escalado para viver Luciano Botelho/Martim em “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, com quem voltaria a colaborar em “A Cura”, seriado no qual o ator despiu-se de toda e qualquer vaidade. Fizera “JK”, “A Favorita”, e “Cama de Gato” antes. No teatro, esteve em “Eduardo ll”, de Christopher Marlowe, “A Paixão de Cristo”, dentre tantas mais. Atualmente está em cartaz com o espetáculo de Neil Simon, “Estranho Casal”, ao lado de Edson Fieschi. Este texto (“The Odd Couple”) fora levado às telas, e rendeu uma das melhores comédias a que já assisti. Jack Lemmon e Walter Matthau estão no elenco. No cinema, “Cronicamente Inviável” pode ser citado. Este afinal é o “reino” de Carmo Dalla Vecchia.






