Realmente, Tiago Abravanel conheceu bem de perto e de forma retumbante o sucesso a partir do musical “Tim Maia – Vale Tudo”. O talento de Tiago possuidor de poderosa voz e dotes de dançarino juntos à estima e admiração que o povo brasileiro devota a um dos nossos maiores cantores, intérprete de grandes êxitos como “A Primavera”, “Não Quero Dinheiro”, “Vale Tudo”, “Azul da Cor do Mar” e “Dia de Domingo”, dentre vasta gama de melodias, sendo entoadas ao vivo por um jovem ator em musical só poderia resultar em aplausos acalorados tanto da crítica quanto do público. A bem-sucedida performance fora tão clamorosa que a autora Gloria Perez o convidou para viver o Demir de sua novela “Salve Jorge”. Demir é um bom sujeito, simples, que sustenta-se como vendedor no turco Grand Bazaar, em Istambul, e mora num tranquilo vilarejo da Capadócia, ambas regiões da Turquia. Nos capítulos iniciais do folhetim, sua história ficou a cargo das tentativas, algumas frustradas, de conquistar Tamar (Yanna Lavigne). Como no país citado, quebrar a garrafa com pedra no telhado de casa de mulher solteira significa pedido de casamento, Demir involutariamente viu-se envolvido em imbróglio provocado pelo menino Ekran (Frederico Volkmann) que alvejou o objeto de vidro errado. Ayla (Tânia Khallil) seria então sua esposa. Engano desfeito. Demir e Tamar decidem fugir, e casar-se. Tamar engravida. E apesar do ciúme por parte dela, mantêm estável relação. Até que uma morena de nome Morena (Nanda Costa) aparece em sua vida. Em visita à boate onde a filha de Lucimar (Dira Paes) trabalhava, compadeceu-se com o estado físico dela. Supõe que está grávida, e oferece-lhe um xarope medicinal, que lhe é levado em outra ocasião. Delineia-se entre eles um elo de amizade sem precedentes. Diversos acontecimentos envolvendo Zyah (Domingos Montagner), Mustafá (Antonio Calloni) e ele mesmo o fazem aproximar-se ainda mais de Morena. Escondida em caverna, o moço adepto das boinas típicas oferece-lhe cuidados e especial atenção. Coloca-se até em risco a pedido da brasileira. Deposita desconfiança na sua família e na da esposa. Tudo por Morena, que veio a dar à luz. Demir fora o primeiro a ver o filho de Théo (Rodrigo Lombardi), que nascera em condições inóspitas e periclitantes. Emociona-se. Por vezes, parece-me (posso estar enganado) que o rapaz sente algo por Morena superior à amizade. As cenas de Tiago dançando nas paisagens que causam-nos deslumbre na Capadócia merecem uma citação. Engana-se, porém, quem pensa que tudo começou para Tiago Abravanel com o musical que protagoniza. Tiago tem uma carreira antes disso. Iniciou sua profissão na adolescência. Fez várias peças, dentre elas uma de Jorge Amado, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”. Estuda interpretação na Universidade Anhembi Morumbi. Como voz bonita não passa despercebida, participou de grandiosas adaptações de musicais prestigiados da Broadway, como “Miss Saigon” e “Hairspray”. Antes de Demir, esteve em “Amor e Revolução”, no SBT. Emprestou o dom vocal à dublagem do filme de animação “Detona Ralph”. Esse é Tiago Abravanel. O Tiago que ganhou o prêmio “Revelação” dos “Melhores do Ano 2012” do “Domingão do Faustão”. E esse é Demir, para quem vale tudo salvar Morena a fim de que veja de novo o azul da cor do mar. Um dos sete, talvez.
Categoria: Teatro
-
Um homem de bonita estampa que estava acostumado ao conforto promovido por sua família que em tempos idos era pertencente à alta sociedade carioca. O núcleo familiar é um tanto quanto desestruturado. O pai Arturo (Stênio Garcia) levou o clã à bancarrota ocasionada por investimentos mal feitos e inoportunos. A mãe Isaurinha (Nívea Maria) esconde um segredo do passado (provavelmente um caso de adultério com o falecido marido de Leonor, defendida por Nicette Bruno), e para complicar ainda mais a falta de um emprego que lhe apetecesse e um desgaste contínuo com sua até então mulher Antonia (Letícia Spiller). Com o suposto crescimento profissional da esposa, a deterioração matrimonial ganhou esboços cada vez mais perceptíveis. Brigas, brigas, brigas… Tudo aos olhos de uma criança, Larissa (Kíria Malheiros), fruto do enlace. A aproximação de Carlos (Dalton Vigh), antigo amigo de Celso, junto à bela loira só fez recrudescer o desmoronamento do casal com prazo estabelecido. O beijo existente entre ela e o falso enteado de Leonor foi a gota d’água para o epílogo drástico do casamento. Porém, uma questão desta triste história conjugal não deve ser descartada: Celso ainda ama perdidamente Antonia. E todas as suas atitudes (que acabam voltando-se contra ele mesmo) são motivadas por este pujante sentimento. O ciúme cega-lhe. E o faz infringir até a legalidade. Disputou com veemência a guarda da filha. Usou trunfos para tê-la só para si. A guarda compartilhada não se mostrou eficiente para a educação da menina. Um elemento que assombra muitos casais pelo mundo afora é abordado pela autora de “Salve Jorge”, Gloria Perez: a alienação parental (ocorre quando um dos responsáveis pela guarda do filho, seja o pai, seja a mãe, insufla a cabeça da criança com permanente campanha que leva à desmoralização do outro possuidor da benesse concedida pela lei). O tema fora até abordado no programa “Fantástico”. Celso tentou estabilizar a sua vida, apostando num namoro com Érica (Flávia Alessandra), entretanto como só falava de sua ex-mulher, o romance teve breve duração. Celso não é um mau homem. É apenas um indivíduo atormentado pela perda do amor, que antes poderia até não conseguir identificar o grau de sua amplitude. Quanto à carreira artística de Caco Ciocler, começou cedo no teatro amador, e cursou a EAD (Escola de Arte Dramática). Ao encenar a peça “Píramo e Tisbe” (premiado como melhor ator coadjuvante), assistido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, recebeu o convite para participar da primeira fase de o “Rei do Gado”, como Jeremias Berdinazzi (prêmio APCA de Revelação Masculina). Um outro personagem na TV que lhe trouxe projeção fora o Bento Coutinho da minissérie épica “A Muralha”, da Rede Globo. Personificou um judeu na novela “Um Anjo Caiu do Céu”. Em outra minissérie de teor histórico escrita por Carlos Lombardi, todavia com bastante tom cômico, emprestou seu talento ao viver o irmão de D.Pedro I e filho de Carlota Joaquina. Mais um momento relevante da História do Brasil lhe apareceu à frente: A Revolução de 32 (no documentário para a TV Cultura “A Guerra dos Paulistas”). Fez par romântico com Deborah Secco em “América”, de Gloria Perez. Logrou solidez na sua popularidade. Foi dançarino de tango em “JK” e fotógrafo em “Páginas da Vida”, folhetim de Manoel Carlos. Contracenou com Marjorie Estiano por duas vezes: uma em “Duas Caras” e a outra em “Caminho das Índias”. Sob a batuta de João Emanuel Carneiro, esteve na intrigante série “A Cura”. Ainda na televisão, bastante participações especiais, além das já mencionadas. No teatro, merece destaque a estreia em “Ecos”. Percorreu as veredas elizabetanas do bardo inglês William Shakespeare em “Rei Lear” (Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator). Vivenciou uma experiência inusitada nos palcos ao apresentar o monólogo “45 Minutos”, cuja duração era a mesma do título. Consistia na interatividade constante com a plateia. Um enorme desafio. Conheceu bem de perto a dramaturgia de Bernard-Marie Koltés, ao dirigir “Na Solidão dos Campos de Algodão” (Prêmio Quem de Melhor Diretor). Continuou nas coxias, só que desta vez como intérprete, em “Casting”. Fora visto em “Mary Stuart”, “Salomé”, “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, “Antonio e Cleópatra”, “A Construção” e “O Desaparecimento do Elefante”. Na tela grande, já esteve ao lado de Elliot Gould. Vários filmes marcaram sua presença nos cinemas: “Bicho de Sete Cabeças”, “Minha Vida em Suas Mãos”, ” O Xangô de Baker Street”, “A Paixão de Jacobina” (com Letícia Spiller), “Avassaladoras”, Desmundo”, “Sexo, Amor e Traição”, “Vinícius” e “Meu Pé de Laranja Lima”. O curta “Limbo” também lhe enriquece o currículo (houve premiações para este gênero cinematográfico). As versões históricas parecem fazer parte de sua trajetória profissional, visto que deu vida a Luiz Carlos Prestes, ao lado da Olga de Camila Morgado, em filme cuja direção coube a Jayme Monjardim. As diferenças sociais entre dois amigos foram retratadas em “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat. Integrou também “Quanto Vale ou é por Quilo?, de Sergio Bianchi, um longa-metragem de contexto fortemente crítico. Caco Ciocler já fez as vezes de roteirista, ator, diretor e editor no curta “Trópico de Câncer”, exibido no Festival do Minuto (Tema Livre). Prêmio de Melhor Filme. No Cine Pernambuco, melhor ator em “Família Vende Tudo”. “Dois Coelhos”, obra inovadora de Afonso Poyart, focada na mistura do eficiente roteiro aos admiráveis efeitos visuais lhe conferiu frescor em vivência nova. Está no elenco de “Disparos”, com Dedina Bernardelli. Encarnou um rabino em “O Caminho dos Sonhos”. E para concluir, voltemos ao Celso de “Salve Jorge”. O que lhe resta, e há esperanças, constitui-se no ato de recolher os fragmentos espalhados pelas ruas vazias de suas relações amorosas, juntá-los, e aí sim vir a ter um amor completo e emoldurado. Desde que não falte um único fragmento qualquer.
-

Foto: Renato Rocha Miranda/TV GloboHá algum tempo, fui assistir ao clássico de Jorge Amado nos palcos, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. A direção fora de Pedro Vasconcelos. E no elenco estavam Marcelo Faria como Vadinho e uma bela Fernanda Paes Leme como Dona Flor. Jonas Torres também estava lá na ribalta. Esbanjando brilho como Mirandão. Foi bom ver Jonas atuando, e pensar o quanto este intérprete ainda tem a nos oferecer. Na época, usava um bigode para dar mais credibilidade ao seu personagem. O espetáculo possuía a legítima ambiência baiana, com suas rodas de capoeira e prosódia local. Fiquei satisfeito com o que vira, e em maior nível ao poder dar os parabéns a Jonas Torres no final da peça pela filha que tivera recentemente. A sua amabilidade só fez aumentar minha admiração. Este ator a quem dedico este texto já começou a se destacar na tenra idade da infância, em um excelente filme de Hugo Carvana, sendo um dos melhores que testemunhei na cinematografia nacional: “Bar Esperança”. Era Yuri, filho do próprio Hugo e Marília Pêra. As intervenções do pequeno artista em suas cenas, fossem com Marília ou Hugo Carvana eram irretocáveis. Um ator nato. Credito a ele um dos fatores de sucesso do longa. Aliás, contribuir para o sucesso de uma atração, seja no cinema, teatro ou TV parece ser uma constante em sua jornada. É só nos lembrarmos do autêntico Zeca de “Vereda Tropical”, ótima novela das 19h escrita por Carlos Lombardi. Filho de Silvana (Lucélia Santos), mantinha uma relação também filial com o jogador de futebol Luca, defendido por Mário Gomes. As arengas com a tia Catarina (Marieta Severo) eram regadas por um humor irresistível. Gol de placa de Jonas, que antes havia feito alguns episódios de “Quarta Nobre”, na mesma Rede Globo. E este gol de placa o levou a fazer um gol talvez mais bonito, quando fora escalado para ser o Bacana de “Armação Ilimitada”, série de Antonio Calmon, dentre outros de igual importância. O que nós, telespectadores, pudemos vivenciar fora uma revolução estética, temática e musical como nunca havia sido mostrada na televisão. Um elenco totalmente entrosado com a proposta nova e jovial do programa. Kadu Moliterno, André di Biasi, Andréa Beltrão, Francisco Milani e Catarina Abdala proporcionaram-nos junto a Jonas momentos de pura e irreverente diversão. Entrou para a história da teledramaturgia não à toa. Vieram-lhe a seguir outros tantos trabalhos televisivos, como “O Dia Mais Quente do Ano” (telefilme), e os folhetins “Top Model” e “Vamp” (voltando a colaborar nestes dois últimos com Calmon). Foi aí que a vida de Jonas tomou outro rumo. Filho de um americano, migrou para os Estados Unidos, servindo ao Exército como paraquedista. Novos voos para Jonas. Voos que o trouxeram de volta ao Brasil. Participou de “Malhação”. Porém, Jonas precisava de mais voos. E no país ao norte das Américas, personificou os papéis de piloto e instrutor de voo. Como Jonas gosta de voar… Jonas, o aviador. O aviador ator. Ou seria o ator aviador? Não importa isso agora. O que importa é que Jonas Torres retomou sua carreira artística, e daí veio “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, na Rede Record. E depois “Malhação ID”. Na tela grande, voltou a saborear o doce gosto dos “sets” em “Super Xuxa Contra o Baixo Astral” e “Outras Estórias”, cuja direção coube a Pedro Bial. Dois “Pedros” em sua vereda tropical. Visto que Pedro Vasconcelos, como já foi dito, dirigiu-o em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Finalizo aqui, e convicto afirmo que Jonas é presença bem-vinda em qualquer área das Artes. Jonas Torres, o ator, o aviador, o ator aviador que nos palcos ou estúdios pelo mundo afora dá rasantes de talento.
Obs: No momento, em seu retorno às novelas, Jonas Torres vive o ex-catador de lixo Ismael na obra de Aguinaldo Silva “Império”, que vai ao ar pela Rede Globo às 21h.
Ismael ganhou a simpatia do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), após ter lhe devolvido o anel de esmeralda furtado por sua companheira Lorraine (Dani Barros, com quem tem feito ótimas cenas), passando a ocupar um posto na seção de almoxarifado da empresa de joias “Império”. -
Na teoria, uma “amizade”. Na prática, repete-se a “amizade”. Entretanto, este substantivo de indiscutível importância para o glossário universal serve apenas para esconder o grande amor que existe entre João Pedro, o JP (Daniel Rocha) e Catarina (Julia Faria). Cada um ao seu modo acovarda-se em assumir de fato o sentimento recíproco. Catarina até verbaliza o que sente. O que já não ocorre com João Pedro. Confusões, dúvidas, contradições de ideias, angústia e insegurança permeiam suas mentes de forma implacável. Como se não bastasse toda essa ebulição afetiva, surgem mais dois personagens em cena: Juliano (Fernando Roncato) e Ana (Mariana Molina). Ambos foram “roommates” em Nova York, e mantiveram uma “amizade colorida”. Por coincidência, Juliano recebe um convite e começa a trabalhar na mesma redação de um tabloide esportivo da jornalista Catarina. A diferença notória é que Juliano demonstra absoluta satisfação profissional, e Catarina está infeliz com o ofício, ou melhor, sobre o que escreve. Os quatro são envolvidos numa intricada teia de encontros, desencontros, mal-entendidos, e precipuamente o ciúme. Enfim, a vida como ela é. O amor em toda a sua amplitude de significações tratado pelos autores Anna Carolina Nogueira e Junior de Paula com o respaldo da modernidade que assolou o pesado e caótico cotidiano do homem como indivíduo. A era digital entra sem pedir licença na vida de todos os que interagem, por meio da comunicação em que são utilizados e-mails, conversas pelo computador e celulares. Discute-se a relação, a famosa “DR”, tirando-se proveito da invasora e hoje indispensável tecnologia. Anna Carolina Nogueira e Junior de Paula alinhavam com bastante inteligência o conjunto desses elementos num texto leve, sem no entanto jamais perder a seriedade do tema central abordado. Os atores Daniel Rocha, Julia Faria, Mariana Molina e Fernando Roncato “entraram fundo” em seus respectivos papéis, tornando-os em sua essência críveis aos olhos do público. A interpretação do quarteto merece aplausos nada tímidos. Suas vozes foram preparadas com eficácia por Rose Gonçalves. A direção de Michel Bercovitch (com a assistência de Flávio Pardal) atingiu o alvo exato para se lograr um espetáculo ágil, que se configura na movimentação quase permanente do elenco. Há instantes de monólogo bem-vindos. O resultato se desenha no interesse contínuo dos espectadores e sua resposta imediata à ação pretendida. Criou-se com aqueles desejável empatia. Destaco a preparação corporal dos intérpretes a cargo de Duda Maia, em especial no tocante à sincronia de gestos. Soa bonito como imagem. Um balé de corpos. A cenografia de Cristina Novaes atende com funcionalidade e charme o que lhe é proposto pela história. Dois apartamentos, um no Rio de Janeiro e outro em Manhattan ganham vida em cadeiras, mesas, luminárias, abajur, cabides e uma cama comum às duas moradias (solução engenhosa). A iluminação de Renato Machado encanta-nos com seus focos individuais, sombreados e prevalência das cores azul e laranja nos painéis que se localizam no fundo do palco. Painéis nos quais há lindíssimas projeções das cidades do Rio e Nova York, não preterindo o dia a dia turbulento a que somos inexoravelmente submetidos. Mérito de Mauro Ventura. Os figurinos de Bruno Perlatto entram na vasta lista de pontos altos da peça. Estilos “fashion”, “casual chic”, “hipster, “yuppie”, despojado e esportivo enriquecem com inegáveis elegância e coerência a encenação, e ajudam a traçar o perfil dos personagens. A trilha sonora montada por Anna Carolina Nogueira, Junior de Paula e Michel Bercovitch é atraente, passando pelo blues, jazz, “Empire State of Mind” ao piano, e pela MPB de Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos. Porém, temos que reconhecer que a pérola melódica cujo som inebria-nos e comove-nos vem do grupo Beirut, com sua emocionante e bela canção “Elephant Gun”. Como podem perceber, há para os que gostam de teatro um espetáculo com muitas qualidades e potencial dramatúrgico. O amor é discutido. É debatido. É mostrado. Confirma-se o quanto é complicado. É complicado amar e ser amado. Contudo, não seríamos humanos sem esta amável complicação.
-
Marcio Regaleira, modelo da 40º Models, no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Marcio também é ator e sócio-diretor do Coletivo Consciente, que se autodefine como “…artistas querendo fazer arte consciente de seus papéis de comunicadores entregando a verdade à liberdade. Um Coletivo ativo independente, disposto a simplificar o prazer.”
Como intérprete já se apresentou no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal), ao lado de Juliana Boller e André Ramiro, no Festival Cultural do Coletivo Consciente.
Atuou em Bonito, MS.
É defensor de um novo conceito de mobilidade urbana (sistema integrado de mobilidade urbana).
O Coletivo Consciente promoveu várias edições da mostra de curtas mais alternativa das Segundas-Feiras do Rio de Janeiro.
Trabalhou com as atrizes Manuela do Monte e Giordanna Forte.
Foi fotografado tanto por Sherolin Santos quanto por João Julio Mello.
Integrou o elenco do curta-metragem “Ponto de Vista”.
Fez ensaio para a Reserva.
É um dos responsáveis pelo site Rio de Janeiro Cycle Chic (a ideia partiu do fotógrafo dinamarquês Mikael Colville Andersen, de quem é amigo. Mikael é fundador do movimento Cycle Chic).Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/
OESTUDIO -
Vendo o ator Bruno Gissoni (que já se dedicou à profissão de jogador de futebol) ao lado de seu irmão, o também ator Rodrigo Simas, no programa “Estrelas” de ontem, veio-me à cabeça a ideia de escrever um texto sobre este jovem intérprete que tanto se sobressaíra em sua última novela, “Avenida Brasil”, como Iran, justamente um atleta dos gramados. Neste caso, a arte imitou a vida. O que mais me chamava a atenção em Bruno no folhetim de João Emanuel Carneiro era a sua espontaneidade em atuar, uma forma natural de interpretação bastante difícil de se atingir, ainda mais levando-se em conta que trata-se de um dos pré-requisitos para se ter êxito na TV. Iran, a princípio, era um integrante do time de futebol do Divino, bairro fictício do subúrbio, que se deslumbrava com os deleites e maravilhas da Zona Sul carioca. Como sua mãe adotiva era endinheirada, o rapaz, após morar em um amplo apartamento de frente para o mar, passou a exibir uma postura “clean”, por sinal muito engraçada, no tocante às arquitetura, decoração, gastronomia e comportamento. E tal fato o colocava em conflito direto com sua mãe, que era o oposto de tudo o que defendia. Entretanto, Iran caiu em si, e com isso o amadurecimento como indivíduo, percebendo que a verdadeira felicidade estava em suas raízes. O envolvimento com Débora, papel de Nathalia Dill, foi uma conjunção de acertos que resultou em imediata empatia do público. Face ao sucesso obtido no horário das 21h, Walther Negrão o escalou de pronto para a novela “Flor do Caribe”, que estreará neste mês. Bruno Gissoni reencontrará amigos de “Avenida Brasil” como Aílton Graça, que será Quirino, seu pai, Débora Nascimento e José Loreto. Fará o pescador Juliano, cujo mote precípuo de sua história será a paixão por uma mulher bonita e madura, a bióloga Natália (Daniela Escobar). Polêmica à vista, porquanto preconceitos existem, e sempre existirão. E como se iniciou a carreira de Bruno? Também praticante de capoeira (não poderia ter mestre melhor, pois é enteado de Beto Simas), conheceu os estúdios de uma televisão ao ter participado de “Alta Estação”, na Rede Record. E na mesma emissora, assistiu às aulas ministradas por Roberto Bomtempo. Passou a ser de fato conhecido pelos telespectadores ao integrar como protagonista o elenco de “Malhação”, na Rede Globo. Logo após, experimentou o segmento de teledramaturgia da Rede Bandeirantes, na série “Julie e os Fantasmas”. A seguir, veio o fenômeno de audiência “Avenida Brasil”, em que podemos dizer brincando que Bruno marcou um pênalti e pôs a bola no canto direito da trave, deixando o goleiro desconcertado. Além disso, o ator também é um artista dos palcos, tendo “já de cara” estreado em espetáculo baseado em obra de Jorge Amado, “Capitães de Areia”, no qual a capoeira tem o seu destaque. A próxima peça foi “Os Melhores Anos das Nossas Vidas”, com Thiago de los Reyes e Rodrigo Simas, sob a direção de Bia Oliveira. E no ano passado, mesmo já com a participação garantida na novela das 18h, o que poderia causar-lhe uma acomodação, resolveu atuar em uma versão alternativa do clássico de William Shakespeare, “Romeu e Julieta”, chamada “Romeu na Roda” (a capoeira mais uma vez presente). A peça ainda está em cartaz. O irmão Felipe Simas e Beto Simas também compõem o “cast”. Quanto a “Flor do Caribe”, só posso afirmar que Bruno Gissoni trocará as chuteiras de Iran pelos pés descalços do pescador Juliano. “O mar está pra peixe” para Bruno.
-
Copa do Mundo da França de 1998. Noite. Vitória do Brasil. Comemoração nas ruas. Encontro em meio ao mar de gente um amigo. Acreditem. Ele havia acabado de conhecer o neto de Zilka Salaberry, uma de nossas grandes intérpretes que faz parte do imaginário de toda uma geração que a acompanhou por anos como a adorável Dona Benta, personagem de Monteiro Lobato, em “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”. A princípio, duvidei da veracidade da situação. No meu juízo, poderia ser somente uma brincadeira de festa. Foi aí que o neto para me provar o legítimo parentesco, mostrou-me a sua carteira de identidade. E lá estava bem visível o sobrenome Salaberry. Fiquei alegre em apenas dialogar com alguém tão próximo de uma senhora que um dia todos nós desejamos ter como avó. Uma avó que se sentava em sua indefectível cadeira de balanço, e tendo ao redor seus netos, a cozinheira, o boneco feito de espiga de milho, e uma boneca de pano narrava as mais incríveis histórias. Tudo isso com direito às pipocas preparadas pela querida Tia Nastácia, interpretada brilhantemente por Jacyra Sampaio. Porém, o que lhes conto não parou na amostra da carteira de identidade. O neto, bastante gentil e orgulhoso de quem era a sua avó, perguntou-me se queria falar com ela ao telefone. Em segundos, exclamei esfuziante algo como: – Claro!. Ele ligou, e me deu o aparelho. No turbilhão de vozes dissonantes próprias de um aglomerado de pessoas eufóricas, consegui ouvir o “alô” doce e inesquecível de Dona Benta, quer dizer, Zilka Salaberry. Foi amável por aqueles poucos minutos em que pude expressar todas as minhas sinceridade e admiração. Evidente que lhe falei que estava com o seu neto ao meu lado. E aproveitei para lhe dizer que era uma de nossas maiores atrizes, e não uma artista de um papel só. Tomado por emoção e certa dose de nervosismo, citei outras admiráveis atuações de sua notável e prolífica carreira, como na minissérie “Memórias de Um Gigolô”, e como a cigana de “O Outro”. Com a humildade que só existe nos grandes, disse-me: – Muito obrigada. Ao chegar em casa, a primeira coisa que disse à minha mãe foi: – Eu falei com a Dona Benta!. E Dona Benta foi assunto para toda uma madrugada. A avó do seriado infantil foi sim a personagem que tornou Zilka popular e amada em todo o país, todavia como não se lembrar da Sinhana , a mãe dos “irmãos coragem”, na novela homônima de Janete Clair? E a Donana Medrado, a delegada severa de “O Bem Amado”, de Dias Gomes? Quanto ao início de sua trajetória artística, deu-se ao se casar com o também ator Mario Salaberry. A estreia da irmã da também atriz Lourdes Mayer ocorreu no Teatro Municipal de Niterói. Ingressou em tempos distintos em duas das mais conceituadas companhias de teatro brasileiras. A pertencente a Procópio Ferreira e a outra a Dulcina de Moraes. Na televisão, a primeira emissora na qual trabalhou foi a TV Tupi. Esteve no famoso programa dedicado às crianças “Teatrinho Trol”, e antes disso estreou no folhetim “A Canção de Bernardete”. Passou também pela TV Rio. Na Rede Globo, começou em “A Rainha Louca”. E a partir daí, não parou mais. Foram inúmeras novelas, tais como “A Ponte dos Suspiros”, “Véu de Noiva”, “O Bofe”, “Supermanoela”, “Corrida do Ouro” (Gilberto Braga estreando como autor deste gênero da teledramaturgia), “O Casarão”, “Araponga” (produção em que personificava Dona Marocas, a mãe que mimava o filho adulto a ponto de niná-lo em seu colo; o filho foi defendido por um divertidíssimo Tarcísio Meira). Já nas minisséries, marcou presença em “O Primo Basílio”, Tereza Batista” e “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”. Fez alguns seriados além do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. A Pandora de “Pluft, o Fantasminha”, de Maria Clara Machado, foi memorável. Ainda mais por ter contracenado com Dirce Migliaccio, que era o Pluft. Não dá para se esquecer. No teatro, dramaturgos reconhecidos foram por ela encenados, como William Somerset Maughan (“Adorável Júlia”), Arthur Azevedo (“O Mambembe”), George Feydeau (“Com a Pulga Atrás da Orelha”) e Nelson Rodrigues (“Beijo no Asfalto), dentre outros espetáculos. No cinema, trabalhou com o pioneiro desta arte no Brasil, Humberto Mauro, em “Cidade-Mulher”. Chegou a participar de filmes com a apresentadora Xuxa, tais como “Xuxa e os Duendes” e “Xuxa e os Duendes 2 – No Caminho das Fadas”. Como podem ver, não foi pouca coisa conversar com esta maravilhosa atriz. Claro que fiquei triste porque a seleção brasileira não venceu aquela longínqua Copa, mas em compensação eu levantei a taça da vitória por falar ao telefone com a minha, a nossa Dona Benta.
-
Pelo menos por enquanto, a vida de Morena, personagem de Nanda Costa em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, parece ter um momento colorido como os balões cheios de cor que sobrevoam a Capadócia, lendária região da Turquia, graças à generosidade de Mustafá (Antonio Calloni) e Ziah (Domingos Montagner). Por sinal, dois ótimos atores, assim como Nanda. A cena de Morena correndo sob os citados balões e tendo ao fundo as famosas cavernas, celebrando a tão sonhada liberdade que lhe foi usurpada por largo tempo foi linda, corroborando a eficiência do diretor Marcos Schechtman. Grávida, a filha de Lucimar (Dira Paes) permanecerá na Capadócia até que a sua gravidez termine. Conseguiu um emprego no estabelecimento de Cyla (Walderez de Barros). Após, terá o seu destino definido. Nanda Costa é uma atriz guerreira assim como o papel que defende, tendo em vista a persistência com que empreendeu até chegar aonde está. A sua escalação para ser a protagonista da novela das 21h pegou a todos de surpresa, inclusive a própria intérprete. A autora Gloria Perez anunciou a decisão por uma rede social. Nanda confessou que custou a acreditar. E alguns questionaram o fato de uma atriz que nunca havia protagonizado uma novela (vale lembrar que fora protagonista de uma produção de outro gênero teledramatúrgico em que personificou uma de nossas maiores cantoras, Dolores Duran, em “Por Toda a Minha Vida”, numa atuação elogiada) ter recebido tal incumbência. Contudo, Gloria é conhecida por não temer riscos e apostas na escalação do seu elenco. Quem não se lembra de Tereza Seiblitz em “Explode Coração” e Juliana Paes em “Caminho das Índias”? Nanda abraçou o papel com garra. Um papel difícil, polêmico, que envolve traumas da sociedade civil. Sua participação em “Salve Jorge” resume-se quase a todo o tempo a sensações de medo, sofrimento, privações, torturas psicológicas, agressões e sonhos roubados. Não usei a expressão “sonhos roubados” à toa, pois foi com o filme cujo título é o mesmo daquela que foi laureada com importantes prêmios cinematográficos, como os concedidos pelo Festival do Rio, Festival do Cinema Brasileiro de Paris, Brazilian Film Festival of Miami e Festival de Biarritz. A diretora foi Sandra Werneck. Ainda no cinema, destacou-se em “Febre do Rato”, de Cláudio Assis, que também lhe rendeu prêmio no Festival de Paulínia. Mas sua trajetória nos sets não para por aí. Esteve em “Sexo com Amor?”, “Bezerra de Menezes”, “Carmo”, “Um Homem Qualquer” e “Gonzaga – De Pai pra Filho”. No teatro, integrou o musical “O Cravo e a Rosa”, de Xico Abreu. E na TV, lembramo-nos muito bem de suas boas atuações em “Viver a Vida” e “Cordel Encantado”. Há outras obras relevantes das quais fez parte, como “Ó, Paí, Ó”, “Clandestinos – O Sonho Começou” e “Amor em 4 Atos”. Finalizo meu texto aqui, e a esta hora, quem sabe, Morena deve estar degustando um doce figo, pensando no inefável sentimento de liberdade que teve ao correr sob os balões coloridos da Capadócia.
-
-
![Tim%20Maia%20peça%20Vale%20Tudo[1]](https://blogdopauloruch.com/wp-content/uploads/2013/03/tim20maia20pec3a7a20vale20tudo1.jpg?w=555&h=346)





