É mesmo Marisa? Claro, Paulo, é Marisa. Esqueceu-se de que é atriz? São os “ossos do ofício”. Ou ofícios da arte, como bem quiserem. Confesso que estranho é, pois é uma de nossas rainhas, não da “sucata”, mas da exuberância. Ao isto fazer, junta-se a John Travolta, Eddie Murphy e Gwyneth Paltrow. Não é “vexame” algum, afinal, ser gorda não é vexame. A atriz cantora há tempos em palco da “terra da garoa”, ou “terra da não mais garoa”, estando em casa, quer dizer, no palco, fora achada por um certo Silvio de Abreu. Silvio que abriu suas portas. Não “as portas da percepção” de Aldous Huxley, mas as portas do sucesso. Divertida foi como a moça do museu apaixonada por personagem de Fagundes. Fez-nos rir, sem nos cobrar nada. Generosa. Tive prazer de vê-la em peça de Albee, “Três Mulheres Altas”. Por coincidência, eram todas “altas” em talento: Orth, Segall e Timberg. Atuara em “Fica Comigo Esta Noite”. Retrucamos: não deixe de ficar com a gente. Quando há trabalho seu, há a emergência de sua interpretação admirar.
Categoria: Teatro
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Foto/Divulgação
Estávamos no início da década de 90, mais precisamente em 1992. No porão da Casa de Cultura Laura Alvim, situado em endereço nobre do Rio de Janeiro, estreava uma peça despretensiosa que em cujo elenco estavam quatro adolescentes que resolveram apostar no texto baseado nos escritos do diário de Maria Mariana. Esta havia iniciado sua trajetória televisiva em “Lua Cheia de Amor”. E após viera a integrar “Pedra sobre Pedra”. A última incursão dela na TV fora em episódio recente de “As Cariocas”. Carol Machado, “Top Model”, “Lua Cheia de Amor”, e “Vamp”. Patrícia Perrone, que tive o prazer de conhecer, hoje na área jurídica, atuara em “Despedida de Solteiro” e na ótima minissérie com Miguel Falabella, “As Noivas de Copacabana”. Já Ingrid Guimarães não possuía experiência na televisão. E hoje é presença constante na mesma. Domingos de Oliveira dera contribuição na direção. O sucesso da encenação tornara-se tão grandioso e surpreendente que acabara sendo transferida para lugar bem maior, o Teatro Casa Grande. Todos os temas muito caros às meninas em processo de transição eram abordados, o que causaram forte identificação com a plateia. Outras intérpretes chegaram a fazer parte do “cast” do espetáculo. Eu vi, era boa, e marcou época.
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Há um tempo que não posso desprezar vim a conhecer um ator de teatro nascido em São Paulo que concedera divertidíssima entrevista no “Programa do Jô”. Nesta interpretou hilariantes personagens de sua peça “Cada Um Com Seus Pobrema“, como o mico-leão-dourado e a “smurfette”. Não era então de se surpreender que Marcelo seguisse caminho natural para a televisão. Foi assim que pude conferi-lo como Fladson, em “Belíssima”, o açougueiro que se apaixonava por uma bela Sheron Menezzes. A mãe dele quem era? Nada menos que Jussara Freire. No atual momento, novamente em parceria com Silvio de Abreu, Médici, o “postino” de antes, e agora mordomo europeu que “trabalhou para a nobreza europeia” (segundo a Clô de Irene Ravache, um “europeu da Europa”) à serviço da família de Olavo (Francisco Cuoco) tem nos proporcionado bastantes cenas engraçadas no folhetim das 21h, “Passione”, principalmente ao lado de Simone Gutierrez e Gabriela Duarte.
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O ator de ofuscantes olhos azuis, cuja ascendência remete a terras sicilianas, estreara para valer na novela destinada aos bem jovens, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Por agora, vive Berilo em folhetim de Silvio de Abreu, “Passione”. Porém, esta não é a primeira vez que Bruno integra o elenco de uma obra do teledramaturgo. Estivera em “As Filhas da Mãe”. Participara a seguir de importante minissérie histórica da televisão brasileira sobre a Revolução Farroupilha, em que era o filho de Bento Gonçalves, interpretado pelo gaúcho Werner Schünemann. Convencera-nos como Inácio, rapaz enjeitado pela mãe (Deborah Evelyn) em “Celebridade”, do autor de “Dancin’ Days”, Gilberto Braga. O mesmo autor que lhe oferecera um de seus mais cativantes papéis, o Ivan de “Paraíso Tropical”, obra na qual pôde ter inolvidáveis embates com Wagner Moura. Novamente, um filho enjeitado. Não por Deborah, mas por Vera Holtz. Pelo menos, o enjeitamento se deu por meio do talento de duas ótimas atrizes. Contudo, antes disso, Bruno instigou o país como o Júnior de “América”, de Gloria Perez, inserido em um contexto que permitiu uma especulação que só foi respondida no último capítulo. E anterior ao italiano de “Passione”, já havia trilhado um caminho próximo à comicidade no “remake” de “Sinhá Moça”. À frente, outra readaptação, “Ciranda de Pedra”. No entanto, o algo de conteúdo desafiador da carreira de Gagliasso estava por vir: o Tarso de “Caminho das Índias”, também de Gloria Perez. Ali, o intérprete provou a todos (se é que ainda havia algo a ser provado) que detinha recursos dramáticos de sobra para personificar um “character” tão denso. Houve cumprimento de precípua função social. E a mencionada densidade fora mostrada em incursão no teatro, com o espetáculo “Um Certo Van Gogh”. Considero o artista sem pestanejar um adepto do visceral na composição de tipos que lhe são ofertados. Quanto a Berilo, se prestarmos a devida atenção, ele não é somente um homem dividido no tocante ao amor por duas mulheres, e que por situações folhetinescas faz-nos rir. É outrossim um ser humano que exibe sensibilidade ao não conseguir lidar com os próprios sentimentos, e que nos comove ao relacionar-se com aqueles a quem dera vida.
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Foto: Divulgação do espetáculoFace ao que por mim foi lido a respeito da peça “A Garota do Biquíni Vermelho” temos muitos atrativos para conferi-la. Inicialmente por se tratar da estreia do jornalista Artur Xexéo como dramaturgo. Xexéo nos é conhecido pelos senso de humor, boa escrita e interesse, dentre tantos assuntos, por intérpretes, de uma forma geral. O fato de abordar vida de grande vedete e ótima comediante, Sônia Mamede, também assim contribui. Sua personagem Ofélia, mulher de Fernandinho (Lúcio Mauro), marcara-nos no humorístico “Balança Mas Não Cai” de modo definitivo. Como olvidar de Ofélia fumando uma cigarrilha, “disparando” asneiras, e que ao final do quadro dizia: “Eu só abro a boca quando tenho certeza.”? Engraçadíssimo. Atuara ainda na divertida novela de Silvio de Abreu “Jogo da Vida”. Outro aspecto convidativo é a presença da talentosa Regiane Alves. Sobretudo em um musical. E a direção de Marília Pêra, famosa por disciplina e seriedade ao comandar a encenação de um texto voltado para os palcos, motiva-nos sobremaneira. Enfim, o que não faltam são elementos para se sair de casa, e assistir ao que nos é proposto.
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Foto: Divulgação do espetáculo “A Loba de Ray-Ban”Christiane Torloni é uma atriz a quem podemos nos referir como atriz inteligente. Para mim, atriz inteligente é aquela que se faz detentora e dominante de suas emoções. Não basta tê-las, e usá-las. É preciso saber usá-las. E o mais importante: possuir um pleno entendimento do personagem. É o intérprete que traz para si a prerrogativa do controle da situação. Jamais o contrário. E quando se atinge este cobiçado patamar, deparamo-nos com atuação dignificante da arte a que pertence. Christiane compusera Melina, um papel bem escrito por Gloria Perez em “Caminho das Índias”. Lembro-me que a mãe de Tarso (Bruno Gagliasso) a princípio fora tachada de “perua, fútil, frívola”. Enfim, era “monocromática”. Nada disso. Apenas aquela mulher não havia se defrontado com realidades que fugissem ao mundo que criara para si. Os adultério e esquizofrenia de seu filho a fizeram mostrar face que sempre teve, só que omitida estava. Digo que Torloni é artista de porte. Com “ray-ban” ou sem “ray-ban’, é uma “loba” em cena.
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Milena Toscano não é “marinheira de primeira viagem”. A atriz, apresentadora e modelo antes de ser Manuela, a protagonista da novela de Walther Negrão, carrega atrás de si um “background” a que devemos relevar. Tivera aulas com Fátima Toledo, famosa por seus métodos personalíssimos na preparação de atores para filmes com mérito, como “Cidade de Deus” e “Cidade Baixa”. Fez cursos livres na Casa das Artes de Laranjeiras, como o de Celina Sodré, diretora teatral respeitada no “métier”. Estreou na Rede Globo em folhetim de Antônio Calmon e Elizabeth Jhin. Foi para outra emissora. Voltou para a anterior, e nesta trabalhou com Gloria Perez. Novamente esteve em produção de Elizabeth. Participou de alguns especiais e seriados. Tivera passagens pela “TV Globinho” e “Malhação”. E após experiências por mim citadas, escolhida foi para atuar em papel importante em “Araguaia”. Toscano tem nas mãos chance única de conquistar espaço definitivo como artista de sua geração. Ela diz ter personalidade forte. Isto ajuda.
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Um diretor de teatro por quem tenho considerável estima certa vez me disse que Ana Beatriz, que fora sua aluna, era uma das mais tímidas da turma. Espantosamente, tempo depois, viria a ganhar o prêmio de melhor atriz por “Vera”, de Sérgio Toledo, em vários importantes festivais internacionais, como o de Berlim, o de Nantes, e o de Locarno. Isto corrobora o que alguns apregoam, ou seja, o fato de que muitos de nossos grandes intérpretes possuem timidez. Entretanto, não consolida-se como máxima absoluta. Porém, inexistente é de modo obrigatório elo entre talento e extroversão. Há pessoas, que por se acharem engraçadas e desembaraçadas, creem mesmo que detêm o citado talento e vocação para a dificílima arte da atuação. Então, que nos fique bem claro: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Ana é atriz a quem devemos pôr em patamar dos altaneiros do ofício. Que o diga Tchecov. Que o diga Gilberto Braga. Que o diga o público. Ela está em cartaz com “Tudo O Que Eu Queria Te Dizer”. Ana, tudo o que eu queria te dizer é que faz parte das artistas primeiras do país.
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“When the moon is in the Seventh House / And Jupiter aligns with Mars / Then peace will guide the planets / And love will steer the stars…” Quem nunca ouviu esta música? Música emblemática de uma época de transformações. “Hair”, um dos melhores e mais bem-sucedidos musicais de todos os tempos. Começou no off-Broadway, após Broadway, e em seguida, o mundo. A indústria cinematográfica não poderia desperdiçar este filão, e o adaptou merecidamente, sob a batuta magistral do tcheco Milos Forman. No elenco havia John Savage, Treat Williams, e Beverly D’Angelo. Grande sucesso. O Brasil ficaria de fora? Nem pensar. O diretor Ademar Guerra encenou o espetáculo, no qual havia polêmica cena de nudez. Vários atores importantes integraram o “cast”: Antonio Fagundes, Armando Bógus, Nuno Leal Maia e Sonia Braga. A atriz, cantora, e apresentadora (“TV Globinho”) Letícia Colin que fizera “Sandy & Junior”, “Malhação”, “Floribella”, Nelson Rodrigues no cinema, e Frank Wedekind no palco terá ótima oportunidade.
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Vi Carol Castro pela primeira vez em novela de Manoel Carlos, “Mulheres Apaixonadas”. Gracinha era a sua personagem. Filha de funcionário de família rica, interpretado por quem fizera “Estúpido Cupido”, Tião D’Ávila. Creio que surpreendeu não só a mim, mas ao público em geral. Bela, sensual, com tatuagem a enfeitar o corpo. O objetivo dela na trama era seduzir Cláudio, papel que coube a Erik Marmo, que por conseguinte amava Edwiges (Carolina Dieckmann) ao som de “Velha Infância”, dos Tribalistas. Como cantei esta música que tanto nos toca… Voltemos ao folhetim de Maneco. A bonita morena usou de todos os meios para separar o casal formado por Erik e Dieckmann. Não queria estar na pele de Cláudio. Acontece algo que complica ainda mais a evolução do romance. Gracinha anuncia gravidez. Tudo isto nas mãos hábeis de Manoel serviu para apimentar o enredo. Enfim, Carolina chegou, e aos poucos conquistara merecido espaço. Em obra de Amado, é Flor. Devemos agradecer a alguém: seu pai, o artista Luca de Castro.







