Quase alvorecer, estava eu na cama tentando cair em sono. Disse tentando. Caí? De modo algum. Veio-me “insight”. Por que não assistir à entrevista de Cesar Cielo a Marília Gabriela que tanto tenho postergado em fazê-lo? Cumpri o citado “insight” acima mencionado. Arrependimento não existiu. Sou avesso a ter ídolos. Mas admiro muitos. E Cesar está dentre aqueles por quem sinto admiração. Por que ele é campeão? Sim, tampouco face a isso, mas devido a tudo o que o levou a sê-lo. O “e” de seu Cielo não é aberto, o que poderia nos permitir comparar Cielo com o amarelo dos ouros que ganhara. Com o que combinaríamos o “e” fechado com a condição de atleta que possui? Fácil. Cielo combina com esmero. Esmero de suas braçadas que “dançam” nas águas. Desvelo também. Desvelo com o qual se dedica desde menino a levar vida de “peixe”. Um “peixe de olhos azuis”. Marília lhe faz perguntas ajuizadas como é próprio da profissional que é. O esportista, com seu jeito garoto, garoto alto com 23 anos, responde ao que é inquirido, enfrentando a propalada timidez que o acompanha. E cujo isolamento nas piscinas contribui. Porém, importa-nos nada que este brasileiro com “B” maiúsculo seja tímido. Isto é pequeno diante da suprema extroversão que impinge ao esporte que pratica. Está sempre pronto a dar um sorriso. Este gesto vale, perdão Cielo, do que o mais alto lugar do pódio. O filho de mãe formada em Educação Física e pai pediatra diz que seu sonho é atingir os objetivos que ainda lhe faltam. Como é jovem demais, compreendemos, a despeito de já o considerarmos um grande. Entretanto, sonhos existem para serem respeitados. E respeitaremos os de Cesar Cielo, o “peixe de olhos azuis”.
Categoria: TV
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Ao fitar as fotos de Cauã Reymond e Mayana Moura não logro escapar de uma questão objeto de celeuma que teve seu início num dia, está no meio, e que provavelmente não obterá o fim: a transição de modelos para a televisão. É vezeiro e não devemos ignorar. No caso de Mayana Moura e Cauã, ambos se destacaram de forma proveitosa em “Passione”, e folhetins posteriores, como é o caso também de Rodrigo Hilbert. E foi o “début” de Mayana em novelas! Há os que caem nas graças do público, e aqueles que esta condição não atingem. Alguns no veículo ficam, e outros têm passagens fugazes. O preconceito tanto por parte dos telespectadores quanto de profissionais de TV pode ser contrariado com a evolução clara dos que se firmaram como intérpretes, independente das formações primeiras, como por exemplo Alinne Moraes e Ana Paula Arósio (que resolveu se afastar do ramo). Citemos certos ex-representantes da “catwalk” que migraram para a telinha (há os que desfilam de modo esporádico): Rodrigo Hilbert (que conquista enorme e unânime sucesso de público e crítica com o programa que se destaca pelas despretensão e espontaneidade – raro de se ver – “Tempero de Família”, no qual coloca em prática e com inconteste habilidade receitas de suas avó e mãe, que está sendo exibido pela GNT), Reynaldo Gianecchini, Betty Lago, Mila Moreira, Ricardo Tozzi, Victor Pecoraro, Vitor Fasano…. Para mim se houver talento não importam suas origens.
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Vilão. São apenas cinco letras que fazem toda a diferença em uma novela. E como fazem. Muitos já abrilhantaram, por agora alguns abrilhantam, e virão outros. Os atores ficam na expectativa de ganhar um papel com esses contornos, pois se bem feito for, cairá nas graças do público. Werner Schünemann em “Passione” foi um belo exemplo em folhetim que ainda está no ar. Vamos então relembrarmos de personagens cujo cerne era a vilania, e que nos marcaram? Que tal irmos direto para 1976/1977? Quem era o grande malvado destes anos? Rubens de Falco. Sim, o próprio, que ficara famoso mundialmente com as suas iniquidades contra Isaura (Lucélia Santos), de “Escrava Isaura”. Nome? Leôncio. Em 1977/1978 coube a Edwin Luisi interpretar aquele que tirou a vida de Salomão Ayala (Dionísio Azevedo), em “O Astro”. 1978/1979. Uma mulher. Ótima atriz. Como se chama? Joana Fomm. Ela era Yolanda Pratini em “Dancin’ Days”. Como Júlia Matos (Sônia Braga) sofreu em suas mãos.. E tem mais: Flora (Patrícia Pillar), Perpétua (novamente Joana Fomm), Maria de Fátima (Glória Pires), Laurinha Figueroa (Glória Menezes) e… Odete Roitman (Beatriz Segall)!!!
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Ainda sob o pujante impacto de uma “sublevação” deflagrada por mim mesmo contra próprio relógio biológico, deparo-me com Larissa Maciel, mulher bela com olhos da cor do… Não, não cairei na armadilha da rima rasa. Aqueles possuem matiz inclassificável. Por momento fugidio, a despeito da gaúcha bem representar a Felícia de “Passione”, ouço quase como murmúrios aos pés de ouvidos meus cantiga francesa dos enamorados: “Ne me quitte pas / Il faut oublier / Tout peut s’ oublier / Qui s’enfuit déjà…”. Ao citar a doída música imortalizada na voz de Maysa, não quero com isso dizer que Larissa é atriz de um papel só. Muito pelo contrário. Na novela de Silvio de Abreu, “Passione”, tem nos mostrado o quanto é talentosa, pois migrara de um extremo a outro. A exuberância e temperamento forte da grande cantora deram lugares às simplicidade e delicadeza da atual personagem. Este motivo não se configurara para ela como intransponível desafio. Silvio quis que houvesse “desabrochamento”. Flores desabrocham fácil.
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Vendo fotos de Felipe Camargo, impossível é para mim não me transportar para os idos de 1986. Quando a minissérie era anunciada na TV, não me entusiasmei de pronto. Mas resolvi lhe assistir. Mal sabia eu que estava passando a acompanhar uma das melhores obras neste formato feitas até hoje, e uma das mais brilhantes histórias de Gilberto Braga. Quase nada me escapa da memória. A abertura na qual se via o Instituto de Educação na Tijuca, Rio de Janeiro, ora em “P & B, ora colorido, ao som da bela música de Tom Jobim, em que se destacavam os leves toques nas teclas de um piano. Era a estreia de Felipe. De cara, seria filho do grande Milton Moraes, e da estrela Betty Faria. Seus pais eram desquitados. Sim, eram os anos 50. Os dourados anos 50. Houve ainda a presença de honoráveis artistas, como José Lewgoy, Cláudio Corrêa e Castro, Yara Amaral e Norma Geraldy. Antonio Calloni fazia o divertido Claudionor. Taumaturgo Ferreira, o impagável Urubu. Isabela Garcia… Dourados foram os dias que vi “Anos Dourados”.
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Principio o texto sobre Marcella Valente do seguinte modo: “Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência”. Por que assim digo? Porque coincidentemente seu sobrenome Valente coincide com a valentia de Francesca, moça bonita e simples da Toscana, que por vicissitudes da vida abraçou profissão áspera, e que não temos direito de julgar, mas que nem por razão esta deixou de acalentar em próprio íntimo nobre sentimento por jovem camponês íntegro e de bom coração chamado Adamo (o ótimo Germano Pereira), e que por ele se sacrificou por real amor. Não fora covarde ao saber que iria sofrer. Palmas para Marcella. Palmas para Francesca. Quanto à doce intérprete curitibana que se dedica às artes desde pequena, tendo feito escolas de formação destacadas, e que muito dançara em sua história, posso lhes falar que a presença dela no vídeo me apraz. A “Malhação”, “Beleza Pura” e “Cama de Gato” emprestou potencial seu. Em ínterim, praticou aulas de canto? Não me espanta, porquanto é filha da cantora Maritza Fabiani.
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Estava sentindo falta de Cauã Reymond em “Passione”. Se assim senti, deduz-se que estava gostando da composição do ator em papel tão difícil e delicado, e que sucede ao ineditismo de Malhação ID em tratar do tema usando como personagem/instrumento João, interpretado por Carlos José Faria (filho mais novo de Reginaldo Faria), na teledramaturgia brasileira. Lamentei o decorrido com Reymond. Não será tão fácil para ele retomar Danilo passado pouco mais de um mês. Perde-se de forma diminuta a embocadura da construção que realizara. Nada grave, e que não leve parco tempo para que haja readaptação. O que se espera agora é o caminho que será dado ao filho de Stela (Maitê Proença). Em que estágio estará? Como reagirá ao crime contra o seu pai (Werner Schünemann), a despeito do que revistas especializadas andam divulgando? Até que ponto se dará a repercussão da funesta notícia no já combalido estado do ex-ciclista? Tarefa árdua coube, vale dizer, a Silvio de Abreu, que como todo autor, teve de estar preparado para caso imprevisto.
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Fernanda, filha de Fernanda, grande Fernanda, filha de Fernando, grande Fernando, irmã de Cláudio, grande Cláudio. Fernanda Torres só poderia ser grande. Todos juntos formavam “a casa dos talentos ditosos”. Fernanda é brilhante, prometera aos pais que assim o seria. Várias vezes, disse: – Eu prometo! E cumpriu. Certa vez, perguntaram-lhe: – Você vai mesmo ser atriz? No que respondeu: – Com licença, eu vou à luta. Bela resposta, sem inocência. Jamais se deixou intimidar com a “selva de pedra” na qual vivemos. Fernanda é tão guerreira, que para ela todos os dias são “o primeiro dia”. Temos sorte da moça branca de sorriso maroto não estar em terra estrangeira. E sim, aqui, não em uma “casa de areia”, mas no Brasil. Brasil dos Torres. Brasil da Montenegro. Seu irmão fez filme sobre mulher invisível. Engraçado, a arte em Fernanda é muito visível, está em sua carne, em sua pele, em sua alma. Caetano cantou que “de perto, ninguém é normal…”. E é verdade! Se fôssemos completamente normais, seríamos sem graça.
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Foto/Divulgação
Estávamos no início da década de 90, mais precisamente em 1992. No porão da Casa de Cultura Laura Alvim, situado em endereço nobre do Rio de Janeiro, estreava uma peça despretensiosa que em cujo elenco estavam quatro adolescentes que resolveram apostar no texto baseado nos escritos do diário de Maria Mariana. Esta havia iniciado sua trajetória televisiva em “Lua Cheia de Amor”. E após viera a integrar “Pedra sobre Pedra”. A última incursão dela na TV fora em episódio recente de “As Cariocas”. Carol Machado, “Top Model”, “Lua Cheia de Amor”, e “Vamp”. Patrícia Perrone, que tive o prazer de conhecer, hoje na área jurídica, atuara em “Despedida de Solteiro” e na ótima minissérie com Miguel Falabella, “As Noivas de Copacabana”. Já Ingrid Guimarães não possuía experiência na televisão. E hoje é presença constante na mesma. Domingos de Oliveira dera contribuição na direção. O sucesso da encenação tornara-se tão grandioso e surpreendente que acabara sendo transferida para lugar bem maior, o Teatro Casa Grande. Todos os temas muito caros às meninas em processo de transição eram abordados, o que causaram forte identificação com a plateia. Outras intérpretes chegaram a fazer parte do “cast” do espetáculo. Eu vi, era boa, e marcou época.
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Foto: Mauricio Nahas para a Revista Joyce Pascowitch número 50Bem jovem, Alessandra teve que enfrentar “olho no olho” a “namoradinha do Brasil” em “Retratos de Mulher”. O posto de Regina nunca lhe será usurpado, mas Negrini ganhou talvez o dela: “a engraçadinha do Brasil”. Engraçadinha no sentido de graciosa ser. A moça de franjas e sorriso que pode nos dizer bastantes coisas resolveu apostar de vez na carreira de atriz. Pegou uma moeda. Escolheu “cara”. Deu “cara”. Porém, ser artista, ao contrário do que muitos pensam, não é só “glamour”. Alessandra teve que ser brava gente para romper uma grande muralha. Todos imaginam tratar-se de pequeno muro. Que nada. É muralha mesmo. Há os que podem vir a dizer que é uma celebridade. Acho não. Acho que é profissional. Profissional da arte. Celebridade qualquer um pode ser. A intérprete é mulher normal. Mulher com desejos de mulher. Mulher paulista que fará carioca. Problema? Nenhum. Fez duas mulheres que viviam em terras cariocas em novela tropical de Gilberto. Ela é mãe. Que tal fazer “Tal Filha, Tal Mãe”? Quem sabe um dia faça.








