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Blog do Paulo Ruch

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    junho 21st, 2015
    Foto: Paulo Ruch

    A mestra artesã da tribo Huni Kuin Ayani Kaxinawá no Fashion Rio em sua temporada Verão 2014/2015, na Marina da Glória.

    Ayani confeccionou guarda-chuvas para a marca Cantão se utilizando de pinturas sagradas.

    A marca doou centenas desses guarda-chuvas para a citada tribo (os índios, que se localizam no Estado do Acre, costumavam usar estes acessórios de origem paraguaia para se protegerem do sol e da chuva inclementes que se abatiam sobre eles durante as travessias de uma aldeia para outra).

    Obs: os índios da tribo Huni Kuin também habitam o Peru (segundo dados da FUNASA de 2010, somavam ao todo pouco mais de 7.500 integrantes no estado brasileiro, e de acordo com o INEI, Instituto Nacional de Estadística e Informática, havia no Peru em 2007 cerca de 2.400 membros; a família linguística da tribo é o pano).

    Agradecimento: R. Groove e TNG 

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    junho 19th, 2015
    Foto: Paulo Ruch

    Entre um desfile e outro do Fashion Rio, em sua temporada Verão 2014/2015, os convidados podiam se distrair assistindo a várias imagens que eram veiculadas pelos monitores espalhados na Marina da Glória.
    Na foto de uma dessas imagens, vemos a apresentadora e modelo Fernanda Lima num ensaio sensual, em que veste apenas um trench coat cortado em linhas retas sobre hot pants, ambos com tonalidade off-white, num ambiente desolador.

    Agradecimento: R. Groove e TNG 

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    junho 19th, 2015
    Foto: Paulo Ruch

    Uma das imagens que despertaram interesse em quem circulava pelas áreas comuns do Fashion Rio, em sua temporada Verão 2014/2015, na Marina da Glória, foi a deste “homem bala”, atração típica circense, dentro do “canhão”, com expressão facial peculiar antes de seu “lançamento”.

    Agradecimento: R. Groove e TNG 

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    junho 19th, 2015
    Foto original: Murillo Meirelles/Foto da exposição de Murillo Meirelles: Paulo Ruch

    No Fashion Rio, em sua edição Verão 2014/2015, havia no extenso corredor que ficava à beira da Baía de Guanabara, na Marina da Glória, uma exposição de fotos de Murillo Meirelles, distribuída em enormes painéis, que chamou a atenção do público por seu tema, “Na Floresta”, e bonitos modelos, incluindo a atriz Camila Pitanga.
    Na imagem, o close-up de um dos modelos da exposição.

    Agradecimento: R. Groove e TNG 

  • ” No book rosa da agência de modelos de ‘Verdades Secretas’, nova novela das 23h escrita por Walcyr Carrasco, você lerá entre uma foto e outra: ‘Não se iluda. Na vida tudo tem seu preço’. “

    junho 9th, 2015
    Alessandra Ambrosio e Rodrigo Lombardi em uma cena íntima de “Verdades Secretas”/Foto: Divulgação/TV Globo

    Uma tomada aérea de um conjunto habitacional de classe média de uma cidade do interior de São Paulo. Uma bela jovem na janela numa imagem romântica e idílica. A mesma jovem, Arlete (Camila Queiroz, um rosto novo na TV) sonha em ser uma modelo de sucesso, e no seu quarto simples abarrotado de fotos se comunica com um booker de uma importante agência da capital. Seu pai, Rogério (Tarcisio Filho), um representante de concessionária, leva uma vida dupla. Uma conta em seu nome com outro endereço revela a traição à sua esposa, Carolina (Drica Moraes em bem-vindo retorno após a sua Cora de “Império”). Apenas 2,5 km são necessários para desmascará-lo com sua segunda mulher, Viviane, Laryssa Dias, com quem tem uma filha. Casamento desfeito, e o sonho de Arlete está só começando. Mãe e filha vão para São Paulo, capital, morar com a simpática Hilda (Ana Lucia Torre), a avó da futura modelo. A senhora consegue para a neta uma bolsa de estudos em uma tradicional escola na qual lecionou por anos. Arlete não parece muito animada com a ideia. Só deseja o glamour das passarelas e estúdios fotográficos. Darlene, Bel Kutner, locatária de um quarto no apartamento de Hilda, conduz a estudante ao colégio Werther em seu primeiro dia de aula, onde também atua como docente. A doce e ingênua interiorana se depara com um ambiente hostil. Em meio aos grafites e às cores da instituição de ensino se vê uma juventude arrogante, agressiva, debochada, que roga por nossa comiseração, fruto da má educação regada à dinheiro fácil oferecida por pais ausentes que fecham os olhos para os desmandos de seus filhos. No ambiente escolar o “bullying” é a regra. Quem não nos deixa mentir é o aluno Eziel, interpretado por Felipe Hintze, um talentoso ator vindo do teatro (estivera na série “Dupla Identidade”, como um ás da computação). Eziel sofre discriminação de seus colegas não somente por estar acima do peso, mas por pertencer a uma classe social menos favorecida. Logo, o moço se aproxima de Arlete (acabará se apaixonando pela recém amiga). Um grupo de meninas, lideradas por Giovanna (Agatha Moreira, que já foi modelo inclusive), cerca a estudante novata, disparando de uma só vez uma sequência de ditos preconceituosos, referentes à sua maneira de se vestir, ao seu cabelo, à sua origem e ao seu sotaque característico. Porém, nem tudo parece estar perdido. A aluna entra por acaso no banheiro masculino, e conhece um rapaz sedutor e gentil, Guilherme (Gabriel Leone, um ator que promete arrancar suspiros das jovens). Lógico que se interessa por sua colega distraída. Ainda na metrópole, um homem bonito, poderoso e mulherengo está em seu suntuoso e sofisticado escritório, o empresário da indústria têxtil Alexandre Ticiano (Rodrigo Lombardi). Ele conversa com o seu funcionário mais fiel, Robério (Gláucio Gomes), e afirma com convicção de que não teme a concorrência chinesa. Num bar charmoso, Alexandre se encontra com a namorada do momento, a sensual Samia (a top Alessandra Ambrosio em sua estreia em novelas). O casal divide tórridas cenas de sexo, e a nudez de seus corpos bem delineados compete com a visão de uma grande São Paulo noturna ao fundo. Samia quer um compromisso mais sério. O homem de negócios desconversa. Enfim, Arlete e sua mãe Carolina chegam à agência de modelos da qual faz parte o booker que se comunicava virtualmente com a aspirante à modelo (o local é frenético, dinâmico, ruidoso, com pessoas andando de um lado para o outro numa constante ebulição). Quem defende o booker é Rainer Cadete, que se destacou no folhetim anterior de Walcyr Carrasco, “Amor à Vida”, como o circunspecto e sensível advogado Rafael. Impressionou-nos a transformação não só física do intérprete brasiliense, mas a sua capacidade de compor um personagem diametralmente oposto ao que fizera. O booker Visky é assumidamente efeminado, com gestos afetados ao extremo, traja roupas escandalosas e seu penteado é exótico (um enorme desafio para Rainer Cadete, que em entrevistas disse ter emagrecido e se depilado para o papel, além de ter colocado megahair, aprendido a andar de salto alto, e a dançar stiletto – dança com salto alto). Visky recebe a sua aposta com entusiasmo. Ele acredita realmente que Arlete será uma top model. No entanto, sua mãe Carolina deixa bem claro de que não possui o valor suficiente para pagar o book necessário para que se dê o primeiro passo na profissão. Visky resolve então falar com a poderosíssima Fanny Richard (Marieta Severo voltando com força às telenovelas após mais de uma década de “A Grande Família”), proprietária da agência que leva o seu nome. Fanny, ao ser interrompida por seu afoito confidente, não está propriamente trabalhando, e sim trocando carícias com o ex-modelo Anthony Mariano (Reynaldo Gianecchini), que está falido e só mantém o romance por interesse (uma curiosidade: a estreia de Gianecchini na televisão fora ao lado de Marieta Severo em “Laços de Família”, de Manoel Carlos). Por trás da imagem ilibada da agência de modelos de Fanny se esconde um esquema perigoso de prostituição de luxo, do qual Arlete será vítima (o book rosa relaciona os nomes das modelos que se prestam a esse serviço). Fanny aprova os atributos de Arlete, que agora passa a se chamar Angel (uma possível alusão à personagem vivida por Luana Piovani em “Sex Appeal”, de Antonio Calmon, que abordava justamente o mundo das modelos). Seu book será pago, e o seu sonho (ou pesadelo) se iniciará. Desta forma instigante, tratando de um segmento que nos atrai por seu suposto glamour, sucesso espontâneo e dinheiro em profusão, a nova trama de Walcyr Carrasco, “Verdades Secretas” (pioneira história da faixa das 23h sem ser um remake, desde que o horário foi retomado para a teledramaturgia de novelas), escrita em parceria com Maria Elisa Berredo, com a colaboração de Bruno Lima Penido, foi exibida ao público em seu primeiro capítulo na Rede Globo. Com uma direção hábil e cautelosa de Allan Fiterman, André Barros e Mariana Richard, e direção geral de André Felipe Binder, Natalia Grimberg e Mauro Mendonça Filho (Direção de Núcleo de Mauro Mendonça Filho) centrada precipuamente nos texto e elenco (ótimo em seu conjunto), “Verdades Secretas” detém inúmeros elementos ao seu favor para garantir a audiência dos telespectadores assíduos por um enredo ousado, ainda mais em tempos sobejamente “corretos” e conservadores. Aguardemos até que o book rosa seja aberto. Vamos nos deixar levar pelas “ilusões” criativas de Walcyr Carrasco. Mas não se iludam. Na vida tudo tem seu preço.

  • ” Com o humor cáustico e inclemente de Neil LaBute, ‘Razões Para Ser Bonita’, com Ingrid Guimarães, Erom Cordeiro, Aline Fanju e Gustavo Machado, serve-nos como um espelho metafórico que reflete com elevada propriedade a exacerbação de um vício da sociedade contemporânea: o excesso de vaidade na ditadura da beleza. “

    junho 4th, 2015
    Os atores Aline Fanju, Erom Cordeiro, Ingrid Guimarães e Gustavo Machado formam o elenco da peça de Neil LaBute/Foto: Divulgação

    Nada mais representativo da questão protagonista do espetáculo “Razões Para Ser Bonita”, do americano Neil LaBute (a ditadura da beleza e o consequente excesso de vaidade que a acompanha), que teve a precisa tradução e adaptação de Susana Garcia, do que os quatro vidros quadrangulares simuladores de espelhos (sendo que em cada um deles são escritos termos que permearão a narrativa com congruência: “sexo”, “por que”, “comum” e “espelho”). O espelho é o signo maior que ocupa a precípua função de ligar o homem à sua imagem. A história, um sucesso da Broadway, vencedora do Tony Awards para melhor peça, ator e atriz em 2009, que faz parte de uma trilogia do autor, incluindo “A Forma das Coisas” e “Gorda”, inicia-se com a altercação típica de um casal em crise, Steph (Ingrid Guimarães) e Greg/Gregório (Gustavo Machado) causada pelo supostamente inofensivo fato do parceiro masculino ter afirmado num colóquio informal de que a sua companheira possuía um rosto “comum”. Este episódio é o gatilho para uma sucessão de debates e levantamento de argumentações condensados em diálogos que envolvem com predominância dois interlocutores. Steph é uma mulher insegura, com autoestima baixa, fragilizada, potencial vítima da escravização imposta aos indivíduos por conceitos e preconceitos de uma beleza perfeita, narcísica, mas com índole de contestação, que a faz se impor contra aqueles que a defrontam. Greg é um rapaz, agente de uma firma de segurança, com personalidade à primeira vista “blasé”, compassivo, devotado a contemporizar as situações de conflito (seu comportamento obedece a uma não linearidade, dependendo das circunstâncias) e romântico (Steph também demonstra uma inclinação para a idealização do amor). Seu mais visível defeito talvez seja a impulsividade, que se caracteriza em dizer aquilo que lhe vem à mente sem medir os resultados adversos. Na briga que se avoluma entre ambos, percebe-se que o ciúme é um ponto destacado, exercendo seu papel desagregador. Um dos responsáveis diretos pelo desencadeamento deste processo de cobranças e desconfianças é o amigo próximo de Greg, o fanfarrão, machista e charmoso Leo (Erom Cordeiro), seu colega de firma e de time de futebol, que diz que a nova funcionária da empresa, com quem passaria a sair, é “gostosa” e bonita. Leo seria o símbolo do homem vaidoso, seguro, convicto de sua virilidade inabalável. Um adúltero sem culpas. Sua parceira, Clara (Aline Fanju), empregada da empresa de segurança citada, é da mesma forma vaidosa, e se vale de sua condição para se colocar num lugar virtualmente privilegiado na sociedade. Ao contrário de Steph, a sua autoestima acima de níveis razoáveis embota a visão realística de sua existência. Seus problemas são fabulosos. A força que nos passa por meio de seus dotes de sedução na verdade camufla um indivíduo com vulnerabilidades. O texto de LaBute se desenrola num ritmo fluido e ágil, em que se veem sequências coordenadas de passagens que não fogem ao contexto da dramaturgia proposta, como as conversas francas e sinceras de Greg e Leo no local de trabalho (há claro uma competitividade clarificada entre os homens, num sentindo mais vulgar, entre os machos propriamente ditos; e o espaço no qual labutam denota uma certa mediocrização que lhes sobrou, e neste exíguo universo e sua dilacerante monotonia, um microcosmo em que só eles mesmos possuem relevância, a ocupação de seus tempos intermináveis se perfaz com a vigilância da vida alheia e com a troca de opiniões acerca do que lhes é comum ). Existem nesses jovens atitudes infantilizadas como injustificados e caricatos enfrentamentos físicos que nos soam bastante reconhecíveis. O dramaturgo usa assim estes quatro personagens, cada um com a sua significação, e as interligações que neste restrito grupo decorrem, para falar com a acidez e o sarcasmo que lhe são natos, num tom denunciante, bem-humorado e inteligente, sobre aquilo que nos parece torto, deslocado, desvirtuado da normalidade, injusto, objeto de uma supervalorização das superficialidades e futilidades, que descamba para o detrimento do conteúdo e do intelecto em benefício da imagem estetizada, da beleza como atributo único de vantagem e liderança no coletivo. Prova-nos que a sustentação e subsistência de uma relação afetiva, social ou amistosa no mundo moderno pode depender, em não poucos casos, deste elemento suscetível a interpretações relativizadas. Neil, na verdade, corrobora uma verdade insofismável: o poder da palavra dita. O caráter com potencial destrutivo da palavra à qual nenhuma harmonia preexistente sobrevive. Os relacionamentos amorosos são exibidos (na pele de seu quarteto de tipos inventados) como estados de união não permanentemente estáveis, sujeitos às influências externas que, em sua maioria, realçam as ações e atitudes comportamentais e sentimentos característicos dos membros formadores de um casal que levam à dissolução daqueles (e tudo é feito de maneira a não escapar de sua meta dramatúrgica). A solidão repentina que nos obriga a revermos a nossa colocação, e até mesmo a nossa estética, em um meio social que nos parece estranho, existente até então sem a nossa presença, merece uma atenção pontual. Por outro lado, a obra alimenta as nossas esperanças de que, a despeito dos reveses, uma reconciliação entre as partes sempre é viável. Vemos outrossim uma apropriadíssima crítica à exploração compulsiva de nossas próprias imagens e a dos outros, lançando-se mão da tecnologia dominante um dia impensada em nossas rotinas. A referência as “selfies” recebeu um tratamento hilariante por parte da personagem Steph (ela diz num momento, para a gargalhada geral do público que evidentemente se identifica, que se desdobra em soluções criativas para “sair bem na foto”, como ser quase sempre a “maluquinha” do grupo com gestos que a identifiquem como tal, e estratagemas como cobrir o rosto com os cabelos usando as “tags” adequadas, como “art” etc (as “tags” neste tresloucado ambiente virtual assumiram uma função sem precedentes no êxito ou não aos olhos alheios de um “flagrante” pessoal). Esta compulsividade da qual lhes falei resume uma urgência coletiva e individual de se criar uma espetacularidade de todo e qualquer acontecimento, por mais banal que seja, com o intuito de se adquirir a falsa sensação de fama, poder, prestígio, popularidade e aceitação de outrem, não se eximindo da ostentação por vezes insultuosa, se esta for necessária. Nas redes sociais todos são felizes, sorriem, celebram, a vida se impõe perfeita, o que gera olhares de ambos os lados não amigáveis, escorados em sensações negativas que afloram com intensidade significativa, estimulando uma desagregação, e não a sociabilidade que, “a priori”, a rede “social” se destina. A encenação aborda ainda as insanidades dos que se submetem às dietas restritivas e impositivas para se alcançar o corpo ideal, e a efemeridade com que alimentos são alçados ao posto de benéficos, e que em breve futuro já são tidos como vilões do bem-estar e saúde (o glúten se transformou no grande algoz da vez). E para finalizar, os contos de fada, que são frequentemente alicerçados nos conceitos de beleza e ausência desta. Nestes contos infantis, o belo é exaltado invariavelmente e a sua não posse pode gerar ações de vingança entre os personagens, e todo o desenvolvimento de suas histórias poderá se fundamentar apenas nesta “injusta” equação. João Fonseca, o diretor, encena habilmente o texto de Neil LaBute seguindo de modo fidedigno os aspectos que mais caracterizam a sua obra dramatúrgica: a ironia, a mordacidade, o tom denunciativo sobre o que julga preconceituoso e excludente, e a leveza e inteligência com que trata os assuntos de que dispõe. O uso de um tema maior, a ditadura do belo e a vaidade excessiva, é inserido com destreza e oportunidade num contexto de relações afetivas de dois casais (este quadro de situação proporciona a João Fonseca um leque amplo de possibilidades para se levantar as discussões que LaBute propôs). João se aproveita com excelência da vitalidade cênica, do carisma indiscutível, e dos talento diferenciado e juventude literal dos intérpretes para engendrar um jogo ágil de interligações entre os protagonistas do enredo, com as respectivas oscilações de emoção condizentes com cada conflito suscitado. A direção logrou o ótimo resultado de se levar ao público um espetáculo que é tanto um entretenimento quanto um debate sério e arrazoado acerca de circunstâncias que dizem respeito a cada um de nós. O elenco, formado por Ingrid Guimarães, Erom Cordeiro, Aline Fanju e Gustavo Machado, consubstancia-se em uma série de interpretações sólidas e harmoniosas entre si que contribuem sobejamente para a efetivação de uma grata empatia com a plateia. Com preparação vocal de Rose Gonçalves, todos os atores transitam com desenvoltura pelas searas cômica e dramática com que a narrativa de Neil LaBute tão notoriamente agrupa. Ingrid Guimarães se sobressai com brilho ao compor Steph no limiar do descontrole emocional face às vicissitudes por que passa. Há que se asseverar que a popular intérprete detém absoluto domínio sobre a graça, causando imediato envolvimento dos espectadores. Deduz-se que a personagem da atriz, a despeito de seus dilemas, enfrenta-os de modo chistoso, atingindo um equilíbrio bem-vindo que não torna o seu “character” apenas associado ao drama pessoal. Erom Cordeiro nos apresenta como Leo uma potente franqueza interpretativa ao desenhar com largo entendimento psicológico o perfil do sujeito que revela traços de personalidade fanfarrona, machista, com uma visão bastante particular dos relacionamentos afetivos associada a uma autoconfiança acima dos limites aceitáveis (no entanto, como mencionado, o papel exala um charme especial, o que muito se deve, claro, a Erom Cordeiro). Se fosse um ator menos experiente e talentoso, poderia facilmente cair na obviedade do arquétipo. Aline Fanju, a quem coube a personagem Clara, criou com acurada percepção a agente de segurança cheia de nuances e contradições. Sua composição interpretativa reúne camadas não necessariamente igualitárias de malícia, poder de sedução, doçura, autoestima elevada, vaidade, certo grau de ingenuidade diante de fato imprevisto, além de deturpada compreensão dos problemas factuais de sua vivência. Clara simboliza o tipo de mulher presente em nossa sociedade maculada por valores desviados que sustenta a sua identidade feminina tendo como esteio somente a sua bonita aparência física (algo cada vez mais corriqueiro no meio social). Gustavo Machado obtém resultado com glória ao defender com imbatível convicção o companheiro de Steph. Sendo partícipe direto das discordâncias do par outrora romântico, Gustavo decidiu impingir ao comportamento de Greg características que o aproximam do homem comum ocidental, que alternadamente se vê acometido por reações ora passivas, ora impulsivas. Devemos realçar todavia o seu olhar crítico defronte aos acontecimentos que o envolvem, e que merecem sim uma avaliação personalizada. Gustavo Machado é um artista que se destaca no palco por sua postura intuitiva, espontânea, o que proporciona junto a nós uma fé em sua interpretação. A cenografia de Fernando Mello da Costa mescla elementos atuais com o vintage, adaptando-se com funcionalidade e elegância visual à proposta da peça. Fernando optou por três ambientes que representam um cômodo de uma casa (onde moravam Steph e Greg), a sala no local de trabalho em que os vigilantes se reuniam, e um bar para encontros. No primeiro, há um sofá/cadeira, em cujo lado estão um pequeno móvel vertical onde há um delicado abajur e um pufe. A sala de funcionários é servida por uma mesa e três cadeiras de design apropriado. O ponto mais impactante de todo o panorama cenográfico é justamente um enorme painel com um relógio circular central que ocupa todo o espaço anterior do palco, de cima a baixo, no qual se vislumbra uma infinidade de fotos (insinua-se que sejam capas de revistas), como forma objetiva de demonstração da publicização da vaidade e beleza preponderantes (não nos esqueçamos da adoção criativa e coerente dos quatro vidros quadrangulares usados como espelhos). A iluminação de Daniela Sanchez assume tons prevalentes naturais, como se pretendesse dar uma ideia de universo cotidiano em que habitam os personagens. Mas Daniela também se utiliza das sombras, focos e meias-luzes (os focos valorizam os atores quando estes se dirigem ao proscênio, e proferem o seu texto no formato de monólogo; os sombreados podem ser vistos no momento em que os intérpretes ficam por detrás dos “espelhos” praticando atividades várias correspondentes ao exercício da vaidade). Os figurinos de Antônio Medeiros são adequados, eficientes e de bom gosto (algumas peças possuem evidente refinamento, como o conjunto assimétrico de saia e blusa usado por Ingrid Guimarães numa cena noturna – a palavra “assimétrico” rende uma leve brincadeira, que na verdade faz uma crítica aos cada vez mais fugazes e inusitados nomes ditados pela moda para nomear os costumes). Os mesmos correspondem claramente ao perfil de cada personagem e à situação na qual se encontra, como os uniformes de vigilante. A produção musical ficou a cargo de Ricardo Leão, mostrando-se agradável, divertida e criteriosa. As canções selecionadas nos são familiares, causando-nos uma empatia direta. São sucessos muito bem alocados no entrecho dramatúrgico. Ouvimos Peter Bjorn and John (“Young Folks”), “Por Enquanto” (eternizada na rouca voz de Cássia Eller), “Flores em Você” (Ira!), Britney Spears e Queen (“I Want To Break Free”). “Razões Para Ser Bonita” não é apenas uma comédia ácida inteligente e engraçada, um entretenimento cênico bem estruturado, mas um relevante instrumento artístico denunciativo contra valores individuais ou coletivos que se fundam nos preconceito e discriminação surgidos de uma dominância da beleza “perfeita” como vetor de aceitação do indivíduo por seus pares na sociedade. Não se faz uma defesa fácil daquilo que não é propriamente belo, e sim, como disse, um alerta acerca de que não devemos nos deixar levar por esta absurda e irreal ditadura (como todas as ditaduras, afinal), propalada em considerável parcela pelos meios de comunicação, mídia, campanhas publicitárias etc. A peça se traduz como uma poderosa arma contra a exclusão, o que lhe traz bastante valor. “Razões Para Ser Bonita”, com Ingrid Guimarães, Erom Cordeiro, Aline Fanju e Gustavo Machado cumpre com beleza a sua missão como espetáculo teatral. Há, portanto, muitas razões para ser… um privilegiado espectador desta obra de Neil LaBute.

  • “ Nicette Bruno: uma majestosa atriz, descobridora de suas ‘asas’, ‘avoa’ sobre o palco com afeto e liberdade, contando a sua e a nossa história, no sensível e comovente monólogo adaptado da obra de Lya Luft por Beth Goulart, com a sua direção, ‘Perdas e Ganhos’. “

    maio 20th, 2015
    Nicette Bruno em cena no seu primeiro monólogo/Foto: Nana Moraes

    Do fundo do palco, em meio à ambiência de uma meia-luz, caminhando vagarosamente entre tecidos diáfanos, irrompe, até ser alumiada em todo o seu esplendor, alguém que nos é deveras especial e querido, uma cidadã das Artes, uma “operária da ribalta”, que atravessou com galhardia o tempo fugidio, multiplicando-se em faces distintas de variadas vidas em histórias contadas. Já com luz forte sobre si, de corpo inteiro e peito aberto, reconhecemos aquele sorriso honesto, os olhos faiscantes que outrossim sorriem e a voz que se faz ouvir com pia reverência. Nicette Bruno está só no piso sacro de um teatro, em seu primeiro monólogo,“Perdas e Ganhos”, da escritora gaúcha Lya Luft, adaptado e dirigido por Beth Goulart. A matriarca de um clã amado e admirado neste enorme Brasil propõe a nós, espectadores, um franco diálogo, uma conversa direta, uma especulação elevada sobre a existência da pessoa humana, seu ciclo natural, suas etapas, com as circunstâncias atinentes, as dores dos desencontros e os amores dos encontros, memórias escondidas, saudades sentidas, um presente que se sente, um passado lembrado e um futuro esperado. O espetáculo solo se utiliza não somente de uma interlocutora para se comunicar com o público, mas de três outras personagens oriundas do romance da mesma literata, “Silêncio dos Amantes”, buscando uma aproximação saudável e inspirada com aquele. Os temas de que trata a encenação são esmiuçados com sinceridade, emoção e nível substancial de sensibilidade. Beth Goulart, nas suas adaptação e direção (assistência de direção de Ana Paula Bouzas), destaca-se pela precisão e valorização de cada palavra, pausa e silêncio do texto, além da movimentação da intérprete em cena, funcionando exemplarmente como um símbolo oratório de nossos desabafos coletivos. A dramaturgia concisa e fluida se infiltra com congruência nas estratificações da vivência do homem, com as respectivas peculiaridades, elementos e sentimentos que a caracterizam. Na tenra infância, somos moldados, “esculpidos” em definitivo nas nossas personalidades (que conosco permanecerão por toda a vida) consoante as influências e ingerências que nos são transmitidas pelo núcleo familiar vigente ou fatores externos. Somos em quaisquer episódios, como indivíduos, defrontados com a livre escolha de nossos atos. Somos motivados a atingir a um estado de felicidade plena. Entretanto, não aquela que se funda em artificialidades, ilusões e pretensões megalômanas, mas a que se aproxima da que sentimos quando éramos infantes, capazes de enxergar nas diminutas coisas, imperceptíveis aos olhares azafamados, um legítimo valor e sentido para a experiência terrena. Nas íngremes veredas da vida pelas quais temos que obrigatoriamente trilhar devemos nos habituar, queiramos ou não, com as perdas e ganhos constantes. A perda de uma consolidada amizade, de um emprego estabelecido ou de um bem amado que nos é tão caro. Porém, entre uma perda e outra, ganha-se. Ganhamos força com a derrota. Descobrimos que a nossa essência, a parte intocada de nosso espírito, esta se mantém firme, pujante e inquebrantável. As perdas são necessárias, urgentes para o nosso crescimento. Podem parecer apenas fatídicas, “filhas da fortuna”, todavia seus surgimentos abruptos à nossa frente contêm uma lógica própria a princípio insondável. Talvez pela sua imprevisibilidade, estamos, mesmo que não saibamos, prontos e dispostos para nos soerguermos. O entrecho se vale também de uma mãe que no decorrer de sua condição dividiu suas atenções afetivas entre dois filhos de modo não equânime: um deles era alegre, jovial, otimista, sociável e bem-sucedido, e por esta razão recebia maior vigília materna, enquanto o outro se defendia em retraimentos, incomunicabilidade e dificuldade em demonstrar emoções. A decisão encontrada pelo segundo para pôr um termo a esta penosa contingência fora “mergulhar no desconhecido temerário”, escapando desta forma da angustiante obviedade de seu cotidiano. O corolário de desatino fora o esfacelamento emocional e psicológico de sua genitora, que para aplacar suas potenciais culpas e omissões pelo feito se lança em fantasias e imaginações. Na pele de diversa personagem, Nicette Bruno vivencia uma mulher afetada pela separação traumática de seu companheiro, que a traiu. Sente-se desiludida face ao que a sorte lhe reservou. Na outra ponta, encontra-se um homem de nome Benjamim, uma vítima viva de atroz perda sofrida, com feridas permanentemente abertas. Por incrível que possa nos parecer, as perdas podem ter o condão da aproximação, da complementação e da união dos pares, formando-se um amálgama no qual se insere uma força motriz provocadora de esperanças concretas de se reconquistar a felicidade que os “abandonou”. Quando se perde um alguém que nos fora tão amado, que conosco esteve presente nas vicissitudes e júbilos, que compartilhou risos e lágrimas, que estendeu a sua mão nas horas em que mais necessitamos, não podemos fraquejar e nos deixarmos cair em um abismo profundo, escuro e sem fim de desolação. Podemos sim encontrar o mínimo de felicidade que nos resta, e com perseverança e vontade, agarrando-se à luz da vida, e transformá-la em seu máximo possível. Aquele que partira, não partira de vez. Sua voz em espírito se faz escutar nos momentos oportunos. Em uma terceira representação do ser feminino, uma senhora desgostosa de sua rotina e de seus arraigados valores, aborrecida com as manias recorrentes de seu marido, vê-se num repente obrigada a olhar para dentro de si mesma, refletida em um espelho acidental, e enxergar a verdade de imagem duplicada, que lhe demonstra a traição da qual a sua matéria física foi vítima, invadida pelo poder destrutivo de um mal (algo que foge à mais racional compreensão humana, e nos afunda em ilações existencialistas e religiosas como vias explicativas do imprevisto infortúnio). Coube-lhe doravante ser responsável pela modificação desse estado de coisas propulsionado por medo, insegurança e incertezas, sob uma ótica personalíssima do caso dominante. Há que se lançar mão de uma eficaz ferramenta de enfrentamento do revés. Um modo de se lidar com uma questão penosa se alinhando com a fantasia, o sonho e a metáfora. Os volumes de seu dorso deixam assim de serem sinais indicativos de breve finitude para serem, quem sabe, polos nascentes de asas brancas que lhe permitam avoar por ares menos opressores e intolerantes aos quais se submetia, como todos nós, mortais. Antes de seu voo alegórico, dá-se ao direito inalienável a um derradeiro gozo particular e íntimo. A velhice não deve jamais ser mirada exclusivamente como um atestado das perdas gradativas (e sim, dolorosas) de nosso viço original e deleitoso, que nos faz sermos aceitos com mais facilidade pelo coletivo social. É imperioso que pensemos que o decurso inclemente dos anos nos ofereça um aprimoramento precioso de nossa sabedoria e percepção de mundo. As verdades, se antes estavam embaçadas na juventude e fase adulta, na velhice se escancaram. Portas que se mostravam fechadas para os nossos conhecimento e cognição, entreabrem-se. Passamos a descobrir o inexplorado, escondido nos recônditos misteriosos de nossa mente viva. A felicidade idealizada assume impensados contornos. As transformações são exteriores e internas, sendo que estas revelam um processo evolutivo de percepções que nos apresentam demais horizontes. Quanto à morte, não é ela quem nos espera. Somos nós que andamos com passos lentos ou lépidos em sua direção. E a felicidade tão sonhada, almejada, disputada, utópica ou viável, esta, para ser alcançada, há que se ter paciência. O texto de “Perdas e Ganhos”, uma adaptação da obra homônima de Lya Luft realizada por Beth Goulart, como dito, comprova-nos uma vez mais (a atriz e diretora já fizera o mesmo com o grande sucesso “Simplesmente eu, Clarice Lispector”) a sua irretocável capacidade para capturar a magia, a alma e o direcionamento narrativo coerente da dramaturgia. Com este dom, transmutou com habilidade os elementos históricos de que dispunha em algo concreto, palpável, cenicamente belo (e por essa razão com consistentes possibilidades de se chegar o mais próximo de seu público), a peça em si. O fato de possuir real domínio sobre o texto em mãos abriu um espaçoso caminho para uma execução próspera e exitosa como diretora da obra. A encenadora transitou com liberdade e conhecimento entre as fronteiras da teoria e da prática. Pode-se dizer que Beth Goulart tenha se pautado em uma tríade louvável em qualquer espetáculo: o ator/atriz, a palavra e a verdade. A comovente e sincera interpretação de Nicette Bruno associada à lapidação cuidadosa das palavras e vocábulos condensados em oração resultou em um produto teatral instigante, diferenciado e familiar (no sentido da identificação interpessoal). A peça detém um tempo particular necessário para que todas as questões existenciais colocadas em pauta sejam debatidas de maneira espontânea, sem esquematizações. A diretora não se limitou a posicionar a intérprete em uma única demarcação. Nicette Bruno passeia com elegância e discrição por todo o perímetro da ribalta, senta-se, vai ao proscênio e usa com equilíbrio os flancos daquela, o que evidencia um dinamismo bem-vindo à produção. Uma direção que adotou deliberadamente o tom confessional como ponte eficaz entre ator e plateia. Nicette Bruno, ao defender não somente a interlocutora principal, mas três outras personagens, desvela para os espectadores o que já nos era sabido, ou seja, em seu primeiro monólogo (o que configura de imediato um importante momento no cenário teatral), a atriz permite que sejam afloradas em medidas exatas a sua rica e prodigiosa carga dramática/emotiva em todas as fases da encenação. O que nos causa impressão é o desfile sequencial de intenções interpretativas que segue nuances muito distintas e tênues entre si. A consagrada atriz nos enternece ainda por sua postura corporal impecável (preparação corporal de Ana Paula Bouzas), sempre senhora da ação da qual é a protagonista. Usa sua elevada vitalidade em prol da construção de seus papéis. Não percebemos em nenhum instante nas suas composições traços de tecnicidades. O oposto a isso é revelado na visível exploração dos interiores de sua inteligência cênica. Uma bela artista que, com sua voz inconfundivelmente pujante e dócil ao mesmo tempo (preparação vocal de Rose Gonçalves), num tom grave feminino, torna legítima e viva cada palavra que emite. O cenário de Ronald Teixeira opta por uma quase ausência de elementos, indicando uma cativante “nudez” do palco. Esta valorização do espaço aberto é no entanto enriquecida por verticais painéis de tecidos translúcidos (capazes de se unir e de se dividir) nos quais são projetadas bonitas imagens (videografismo de Renato Vilarouca e Rico Vilarouca) da vida de Nicette Bruno e outras de contexto bucólico e natural, além de uma totalmente dedicada à história de uma personagem (filme “O Anjo” – produção e direção de vídeo de Rachel Couto e Rodrigo Benatti), que denotam uma imponência visual à montagem. Compõem ainda o cenário uma coluna com ornamentos clássicos, um tamborete de madeira e uma cadeira ladeada por dois pufes. A iluminação de Maneco Quinderé é virtuosa e poética. Seu olhar sempre arguto compreende as mensagens diretas, oblíquas e subliminares do texto. Sua luz, assim como a peça, carrega consigo uma intenção de verdade. Maneco, com acerto, direciona seu foco com predominância sobre a atriz, valorizando, desta forma, sua face, expressões, gestos, andanças, oferecendo-lhes o tom certo para cada emoção contígua. Vemos assim configurações de branco, azul, vermelho, com direito a um nível mais ou menos intenso de seus feixes luminosos, até que se chegue, em ocasião pertinente, a um blecaute. Os figurinos, que tiveram a produção de Beth Goulart, são refinados, conferindo uma elegância e sofisticação pertinentes à beleza natural da artista e ao contexto propositivo da encenação. Nicette Bruno nos encanta com um conjunto de três peças (duas blusas e uma calça de cor preta, que com a luz se aproxima de um grafite mais escuro) feitas com tecido sedoso, em cuja parte superior, na região do colo, vislumbra-se uma ornamentação de brilhos (ruptura do negro). Um fino xale com estampas serve como adereço para uma das personagens representadas. O visagismo de Vavá Torres e Graça Torres é adequadíssimo e caprichado, realçando ainda mais os atributos harmoniosos de Nicette Bruno. A direção musical de Alfredo Sertã se encaixa num apropriado patamar de intimismo, poesia e suavidade sonora. Delimita as cenas, e o espaço entre elas, com aguçada sensibilidade, tornando-se um indispensável suporte para o desenho emocional da peça (há inclusive uma versão de Diogo Carvalho para “Clair de Lune”, de Debussy). “Perdas e Ganhos” cumpre uma rica missão no quadro teatral contemporâneo: prova-nos a viabilidade de se construir uma obra cênica em que um de seus mais consolidados pilares de sustentação é algo que nos é valioso também na vida, a verdade. A verdade, todavia, de “Perdas e Ganhos”, não se mostra solitária. Uma verdade que se escora nas forças de uma atriz, suas palavra e emoção. Uma verdade que só veio à tona pela dedicação e confiança de uma diretora habilidosa e sensível. A peça protagonizada por Nicette Bruno, e dirigida por Beth Goulart é um libelo que se assume reverente ao amor, ao afeto e à nossa infinita capacidade de superação diante das perdas gerais. Estas, sejam diminutas ou avolumadas, dependendo de nossas veleidades e propósitos de espírito, podem se transformar sim em ganhos. Depreende-se que no jogo complexo da vida e das Artes, onde se aposta, arrisca-se, teme-se, brinca-se, perde-se e se ganha, “Perdas e “Ganhos”, desde o momento inicial em que Nicette Bruno entra em cena com seus olhos faiscantes que outrossim sorriem e sorriso que alumia, já mostrou ao que veio: ganhar. Ganhar… com a verdade.

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    maio 11th, 2015
    Os atores Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini e Tainá Müller foram as estrelas convidadas do desfile da TNG/Foto: Paulo Ruch

    A grande sensação do desfile da marca TNG, que apresentou a sua coleção Verão 2014/2015 no Fashion Rio, promovido na Marina da Glória, foi a presença, como estrelas principais, dos atores Reynaldo Gianecchini, Giovanna Antonelli e Tainá Müller (na época, Reynaldo, Giovanna e Tainá eram uma das atrações da novela da Rede Globo “Em Família”, de Manoel Carlos, em que protagonizavam um triângulo amoroso que não se adequava, aos olhos de alguns, aos padrões convencionais da sociedade).

    Os intérpretes foram aclamados pelo público presente com seus charme, simpatia e popularidade.

    Como podemos ver, reproduzindo o tema da grife “Botânico”, Giovanna Antonelli vestiu um conjunto de blusa cropped jeans, short curto e justo e sandálias gladiadoras; já Reynaldo Gianecchini exibiu um terno off-white que lembra o antigo summer, sob o qual havia uma camisa social florida com bastantes cores e como calçados mocassins estampados; e por último, Tainá Müller, que trajou uma composição de top com rendas, bordados e transparências na cor verde musgo, uma calça também off-white e escarpins.

    Agradecimento: TNG 

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    maio 8th, 2015
    Foto: Paulo Ruch

    A TNG, seguindo o seu tema “Botânico”, apresentou-nos com sua coleção Verão 2014/2015 no Fashion Rio, promovido na Marina da Glória, direcionada para o público feminino, este vestido vaporoso frente única estampado com flores marcado por um cinto.
    Leve e despojada, a peça se encaixa bem na estação, não preterindo a praticidade e o conforto.
    Aposta-se no movimento do tecido.
    Como complementação, sandálias gladiadoras com muitas tiras e uma gola que se iguala a uma corda.

    Agradecimento: TNG 

  • Fashion Rio Verão 2014/2015 – Marina da Glória

    maio 8th, 2015
    Foto: Paulo Ruch

    O uso do terno tradicional masculino numa tonalidade neutra, no caso o cinza, com o incremento de um colete bem justo na cor marrom, amparados por detalhes como gola da camisa, gravata e lenço floridos foi uma opção da TNG para a sua coleção Verão 2014/2015, exibida nas passarelas do Fashion Rio, que se realizou na Marina da Glória.
    O cinto é estilizado, como já vimos em outros conjuntos, aproximando-se do desenho de uma corda, e os sapatos estampados.
    O contraste se evidencia, e nos comprova que se utilizado de modo coerente pode ser uma forma elegante, harmoniosa e certeira de se vestir apropriadamente.

    Agradecimento: TNG 

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