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Blog do Paulo Ruch

  • ” Na peça ‘Shirley Valentine’, a personagem de Betty Faria nos ensina a ‘usar’ a vida.”

    julho 6th, 2014
    Betty Faria no monólogo de Willy Russel/Foto: João Wainer

     

    Cozinha. Parede azulejada. Uma mulher madura com vestido simples preparando batatas e ovos fritos à espera de seu marido. Apesar de ser casada, sente-se só, muito só. A ponto de conversar não metaforicamente com as paredes. Possui filhos crescidos. Mas parece que não a entendem. Enquanto descasca uma batata e toma uma taça de vinho, desabafa para si mesma o que a aflige, quais são os ressentimentos, mágoas, sonhos, pretensões, frustrações etc. Tem a nítida impressão de que a vida não foi desfrutada como deveria. Surge-lhe oportunidade única proporcionada pela amiga Jane: uma viagem de duas semanas à Grécia. Seria a chance de um recomeço, um reinício. O que fazer? Como convencer o marido? Não seria mais confortável permanecer no mundo sem riscos no qual vive? Valeria a pena aventurar-se a esta altura dos acontecimentos em terra estranha, sujeita a todos os tipos de surpresas, agradáveis ou não, pertinentes a uma viagem? Shirley Valentine decide por se desafiar, e se abrir para um novo mundo. O bom texto de Willy Russel fia-se a este emaranhado de conflitos plausíveis a uma mulher da geração de Shirley. O teor é confessional mais voltado para o drama, contudo sem preterir as situações e ditos cômicos. Betty Faria encaixa-se com satisfação plena ao que se é exigido para que o papel ganhe a verossimilhança necessária. Betty utiliza-se de bastantes recursos para viabilizar a sua Shirley: variações nas inflexões de voz, posturas corporais diferenciadas… Ademais, trafega tanto quando se pretende fazer rir quando se pretende comover (Betty Faria foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro em São Paulo, e ao 3º Prêmio Contigo! de Teatro). A direção de Guilherme Leme é de maneira indubitável coerente. Soube aproveitar as potencialidades da atriz, o espaço cênico com inteligência, lançou mão de marcações adequadas e precisas, enfim, transformou em entretenimento indiscutível o que Willy Russel escreveu (a tradução foi de Euclydes Marinho, e a adaptação dos próprios Guilherme e Euclydes). O cenário de Aurora dos Campos corresponde aos ambientes da ação com congruência. A cozinha da casa de Shirley é propositalmente modesta, assim como a simplicidade da sua existência. Há um painel espelhado em certa ocasião de beleza irrefutável. Já na Grécia, aposta-se no minimalismo de uma mesa e cadeira de madeira. Devemos, entretanto, ressaltar que belo e impressionante efeito com areia é mostrado ao público. A iluminação de Wagner Freire procurou enfatizar a rotina, o dia a dia da dona de casa em sua cozinha no começo do espetáculo. Percebe-se notória correção neste intento. Já no tocante ao país mediterrâneo, Wagner premia-nos com cores vibrantes, fortes e alegres. Nas passagens de cena a outra, o azul prevalece. A trilha sonora e música incidental de Marcello H é cuidadosa, caprichada, e há um especial momento com a execução de “Zorba’s Dance (Sirtaki)”, de Mikis Theodorakis. O que podemos depreender, afinal, da peça “Shirley Valentine”, é que não devemos achar nem tampouco julgar que o recomeço de nossas vidas é algo inatíngivel. Que não devemos sucumbir ao poder da rotina, e nem nos deixarmos capitular pela ausência de sonhos. O que fica é a mensagem de que a vida está presente para ser “usada”, assim como Shirley Valentine o fez.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 25th, 2014
    Foto: Paulo Ruch

    A atriz Luiza Valdetaro no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
    Luiza é carioca, e se formou em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
    Também fora modelo por um tempo.
    Estreou na TV, no caso a Rede Globo, em tramas escritas por Gilberto Braga e Gloria Perez: “Celebridade” e “América”, respectivamente.
    Curso natural dos jovens atores na emissora carioca, passou por “Malhação”, a novela “teen” exibida no fim da tarde, com uma personagem chamada Manu.
    Vieram outros folhetins de diferentes autores: “Pé na Jaca” (Carlos Lombardi); “Ciranda de Pedra” (adaptação de Alcides Nogueira da obra de Lygia Fagundes Telles; uma outra fora ao ar na mesma Rede Globo no ano de 1981, pelas mãos de Teixeira Filho) e “Viver a Vida”, de Manoel Carlos (o fato de estar no horário nobre, e de pertencer ao núcleo da família da Helena interpretada por Taís Araújo fez com que conhecêssemos melhor o seu trabalho).
    Contracenou com o humorista Renato Aragão em duas ocasiões: na minissérie “Deu a Louca no Tempo” e no programa dominical “A Turma do Didi”.
    A seguir, três folhetins lhe deram credibilidade e prestígio como intérprete: “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes (uma obra inovadora com narrativa em tom de cordel, como o próprio título indica); o “remake” de “Gabriela” (Luiza ganhou importante papel, Jerusa, vivido em 1975 por Nívea Maria) e “Joia Rara”, novamente de Duca Rachid e Thelma Guedes (telenovela que abordou com propriedade o tema Budismo, na qual defendeu a cantora Hilda).
    No cinema, participou de uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos, dirigida por Márcio Garcia, com Dean Cain, Juliana Paes, John Savage e Eric Roberts no elenco, “Bed & Breakfast” (“Amor por Acaso”); e “Like Sunday, Like Rain”, de Frank Whaley (com Leighton Meester, de “Gossip Girl”; Billie Joe Armstrong, vocalista da banda Green Day; e Debra Messing (de “Will & Grace” e “Smash”).

    Agradecimento: R. Groove e Rio Moda Hype 

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 25th, 2014
    Foto: Paulo Ruch

    O modelo Josef Lauvers no Fashion Rio Outono Inverno 2014, evento realizado no Píer Mauá.
    Josef é capixaba de Cariacica.
    Foi agenciado por outras agências, como a BRM Mgt.
    Passou temporadas em Milão, Cingapura, Hong Kong, Shanghai e Pequim.
    Estudou na Oficina de Atores Rosina Pagan.
    Foi fotografado por Cristiano Madureira para o site Made in Brazil.
    Josef, junto com outros modelos, inclusive a top Cintia Dicker, foi clicado por Rogério Mesquita, estampou as páginas da revista Quem Acontece (o site correspondente republicou a matéria; após, a foto foi capa da Marilyn Magazine).
    Fotografou para Aquila Bersont (projeto beneficente “FIZ PRA VOCÊ”), Nikolai DV, Ranner Vidal, Henrique Cesar, Roberto Trumpauskas (“Water Project”), Kiu Meireles, Marcos Duarte, Rafael Brocco, Leandro Ribeiro, Eduardo Bravin e Gustavo Braga.
    Protagonizou um ensaio para a Revista Junior, pelas lentes de Ulisses Fernandes (lookbook da marca Anjo da Guarda).
    Fez parte de campanhas para a Academia Levitas Centro de Bem-Estar, em São Paulo, Dafiti, Sgrima, Lei BSC e Revista Shopping Cidade.
    Desfilou para a Ausländer no Fashion Rio, em sua edição Outono Inverno 2014, com uma maquiagem especial que chamou a atenção do público; e para a Cobra D’Água e Konik no Vitória Moda 2013/2014.
    Seus mais recentes trabalhos foram campanhas para a Vidaativa Jeans (Coleção Outono Inverno 2018) e Cobra D’água, e ensaios para os fotógrafos Kaká Estrela e Brian Haider.
    Atualmente, é agenciado pela Ragazzo Model Management.

    Agradecimento: R. Groove e Rio Moda Hype 

    Obs: Post atualizado em 24 de maio de 2018.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 24th, 2014

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    O modelo Tarcisio Cavalcanti no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
    Tarcisio nasceu em Fortaleza, Ceará.
    Foi agenciado pelas agências ELO Models e Romualdo Cassiano Casting Models.
    Tarcisio, na última edição do Fashion Rio (Verão 2014/2015), desfilou para a R. Groove.
    Fotografou para Flavio Kenji, Caio Ferreira e Priscila Lima.
    Esteve nas passarelas do Ceara Summer Fashion.
    Fez um ensaio chamado “Rap Boy”, fotografado por Nicolas Gondim.
    Participou de campanhas para as marcas Kokid (o fotógrafo fora Luis Moraes), Ferrovia (“eyewear”) Legião Rock e Mrs. Rob.
    Em matéria sobre moda, pôde ser visto na Revista Quem Acontece.
    O site Profissão Moda o convidou para protagonizar um editorial.
    Seus mais recentes trabalhos foram um ensaio para o fotógrafo Mathw Aires, campanha para a Privalia, e desfiles para a Cia Paulista de Moda (por Dudu Bertholini), em São Paulo, e para várias marcas no Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza.
    No momento, é agenciado pela RC Model Agency (Fortaleza) e pela Joy Model Management (São Paulo).

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

    Obs: Este post foi atualizado em 24 de maio de 2018.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 24th, 2014

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    O modelo Alexandre Kunz no Fashion Rio Outono Inverno 2014, no Píer Mauá.
    Alexandre é da cidade de Braço do Norte, em Santa Catarina.
    Foi agenciado pela Mega Models (São Paulo).
    Trabalhou para Carlos Ztt (Pazetto Events Consulting) e para a fotógrafa Karla Gironda.
    Desfilou nas principais semanas de moda brasileiras (São Paulo Fashion Week e Fashion Rio), representando grifes como Cavalera e TNG.
    Esteve também na Semana de Moda de Curitiba.
    Participou do lançamento da marca de t-shirts, polos e camisas sociais Domo Premium, em Recife, Pernambuco.
    Atualmente, Alexandre Kunz é gerente de produção da Amazon Logistics, e creative consultant da Fashion style.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

    Obs: Post atualizado em 24 de maio de 2018.

  • ” ‘A Vida da Gente’, a vida de Rodrigo, a vida de Ana, a vida de Manu… “

    junho 24th, 2014

    a-vida-da-gente-Ana (Fernanda Vasconcellos)
    Foto: Divulgação/TV Globo

    Iná (Nicette Bruno), avó de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano) desperta sobressaltada em função de pesadelo no qual havia as netas e água. Por telefone, Manu a acalma. Ela está assistindo à partida de sua irmã tenista Ana rumo a mais uma vitória, ao lado de Eva (Ana Beatriz Nogueira), mãe de ambas, que torce efusivamente pela filha. Ao que parece, prefere os troféus e medalhas ganhos em campeonatos a própria filha. O marido Jonas (Paulo Betti), que a ladeia, não se importa com o próximo êxito da enteada, tampouco com a esposa, e sim, com o trabalho sobre o qual trata no celular. Já em outra cena de “A Vida da Gente”, nova novela das 18h da Rede Globo, de Lícia Manzo, com direção de Jayme Monjardim, surge o personagem Rodrigo (Rafael Cardoso) que vê fascinado pela TV a competição da atleta que com ele fora criada desde criança. Porém, tenta disfarçar esta fascinação de quem dele se aproxima. Vimos ainda que Manu é uma boa moça, que sente profunda admiração pela irmã, e lhe oferece toda a amizade possível. Entretanto, essas qualidades não enchem os olhos da mãe Eva, que não lhe dá a mínima, talvez porque não possua medalhas e troféus. O desprezo é tanto que fora capaz de tirar foto de porta-retrato da filha para pôr em seu lugar uma da tenista consagrada. Testemunhamos o aniversário de Ana, e sob o olhar encantado de Rodrigo, na passagem de balões coloridos, o rapaz se lembra de festa semelhante na infância, em que estava junto com a menina que hoje lança pequena bola pelos ares. Há em seus olhos mais do que tenras memórias do passado. Surge então para a esportista a oportunidade de fugir da dura rotina movida a pressão. Uma pressão que é aumentada pela disciplina implacável da técnica Vitória (Gisele Fróes). Um nome que talvez a faça querer somente vitórias. Contudo será que a sua vida é uma vitória? Ana está cansada, precisa de um tempo, a despeito de amar o que faz. Recebe um “não” como resposta ao sugerir que deseja praticar trilha com os amigos. Voltemos a Eva. O marido Jonas, sim, aquele que gosta de falar sobre trabalho no celular, exercita-se com uma personal trainer chamada Cris (Regiane Alves), que não prima pela discrição. E há entre Cris e Jonas algo muito além do que série de exercícios. Eva os flagra em situação íntima. Fica a ginástica. Vai-se o casamento. Agora, vislumbra-se o ônibus que levará turma de jovens com o intuito de acampar. Rodrigo avista Ana. Alegra-se. Ela se senta ao seu lado. Ele está lendo “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger. Ana se interessa, e ele lhe dá de presente de aniversário. Atrasado, como diz. Quando já acampados, o moço que aprecia Salinger desfia provocações direcionadas a Ana, típicas de pessoa que gosta da outra. Magoada, retira-se, correndo até encontrar pequeno penhasco com riacho de águas verdes no fundo (imagens gravadas em Bonito, MS). É seguida, ameaça se jogar, e cumpre. Rodrigo repete o feito. O casal protagoniza lindos momentos embaixo d’água. Momentos que culminam em declarações de amor mútuas. Ficou-nos bem claro que Rodrigo e Ana querem viver a vida deles em “A Vida da Gente”. Resta saber se os outros vão deixar.

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 19th, 2014

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    A atriz e apresentadora Jessika Alves no Fashion Rio Outono Inverno 2014, evento de moda realizado no Píer Mauá.
    Jessika é curitibana.
    Desde a adolescência, tem se dedicado aos estudos das Artes Cênicas.
    A popularidade veio com a sua primeira personagem de destaque na TV, a Norma Jean de “Malhação”, novela voltada para o público jovem exibida pela Rede Globo.
    Devido ao seu sucesso, permaneceu na mesma emissora, e fora convidada para ser uma das apresentadoras da “TV Globinho”.
    Integra o elenco de “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e após é vista em uma trama de Elizabeth Jhin, “Amor Eterno Amor”, na qual interpretou Laís.
    Participou da série criada por Patricia Andrade e William Vorhees, produzida pela Pindorama Filmes para a HBO Brasil, “Preamar”.
    No teatro, Jessika esteve em “Alice e Gabriel”, uma peça “teen” de Jaime Celiberto, com a direção de Felipe Fagundes, em que viveu a própria Alice (há outros espetáculos em seu currículo).
    Atualmente, Jessika Alves é Guiomar, papel criado por Manoel Carlos para “Em Família”, obra em que sua principal colega de cena é Vanessa Gerbelli.

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • Fashion Rio Outono Inverno 2014 – Píer Mauá

    junho 19th, 2014

    137
    O modelo Gabriel Perske no Fashion Rio Outono Inverno 2014 (Píer Mauá).
    Gabriel nasceu em Campo Verde, Mato Grosso.
    No momento, reside em São Paulo.
    Fez um “fashion film” para o estilista João Pimenta.
    Participou de uma campanha para a Jose Cuervo Platino, uma conhecida marca de tequila, que teve como locação o Hotel Santa Helena, no Rio de Janeiro.
    Além de desfilar para as principais semanas de moda nacionais, também marcou presença na importante Casa de Criadores (desfilou para Arnaldo Ventura e Felipe Fanaia).

    Foto: Paulo Ruch

    Agradecimento: R. Groove
    Rio Moda Hype

  • ” E a ‘rainha’ chorou nos ombros do ‘escravo’ em ‘Fina Estampa’. “

    junho 19th, 2014

    griselda_tereza
    Foto: Divulgação/TV Globo

    No capítulo de ontem da novela de Aguinaldo Silva da Rede Globo, “Fina Estampa”, presenciamos mais uma das inúmeras maldades que a personagem de Christiane Torloni, Tereza Cristina, tem perpetrado contra os que de alguma forma fazem parte de sua vida, circunstancialmente ou não. A vítima foi talvez a que melhor lhe apraz em humilhar: Griselda (Lilia Cabral). Falou o impensável para a trabalhadora. Ofendeu-a. Diminuiu-a. Destruiu a autoestima da mãe de Antenor (Caio Castro), chamando-a de “nada”, “macacão ambulante”… Disse-lhe que não parecia mulher nem homem, e que deveria se olhar no espelho, além de dar razão ao filho dela por se sentir envergonhado pela mãe que possui. Griselda até tenta reagir, gritar, mas as barbaridades que ouve são tantas que de certo modo se fragiliza. Tereza Cristina parece ter vencido esta batalha. Porém, ao entrar no carro pomposo, a mulher que é sempre tratada por “rainha” por seu empregado Crô (Marcelo Serrado) cai em prantos, demonstrando que a força aparente é só aparente, e procura aconchego nos ombros do motorista Baltazar (Alexandre Nero), que para ela seria como se fosse apenas um outro “escravo” a integrar o “império” que “reina”. Ironia. A “rainha” chora nos ombros do “escravo”. Contudo, este momento é efêmero, e logo as coisas voltam a ser como antes. Tereza está pronta para humilhar o primeiro que aparecer na sua frente. Pode ser Crô, Vanessa (Milena Toscano), Marilda (Katia Moraes)… E está pronta para fraquejar. É dependente emocional do marido René (Dalton Vigh), que a esta altura fora consolar a “faz-tudo”, que está a chorar sentada no chão frio do banheiro da casa humilde. A dependência da irmã de Paulo (Dan Stulbach) é tão grande que a torna ciumenta ao extremo, e a impeliu a organizar festa despropositada de renovação de votos de casamento. Em vão. Os seus ciúme e tirania a levarão a contribuir para o desmoronamento de seu matrimônio. Seu marido, o chef que adora temperar os pratos que prepara com azeite, induz-nos a acreditar que se sente cada vez mais envolvido pela simplicidade da mulher que até pode não parecer mulher tampouco ser feminina, contudo lhe oferece atributos que a rica esposa não consegue lhe dar. E no meio disso tudo, há segredos. Muitos segredos que destemperam Tereza Cristina. O “fantasma” da tia Íris (Eva Wilma), que por várias vezes deixa no ar a possibilidade de revelar algo que poderá arruinar a sua imagem caso os caprichos que deseja não forem satisfeitos. Ademais, há a inescrupulosa jornalista Marcela Coutinho (Suzana Pires), cujo intuito é atazanar a vida dos outros em troca de benefícios. Bem, hoje Griselda chora no chão frio do banheiro. Amanhã, este frio poderá ficar no passado. E nunca mais ela se deixará humilhar por uma falsa rainha de vestido branco.

  • “Pode-se recorrer aos universos paralelos e aos seus labirínticos caminhos. Pode-se recorrer a ‘A Toca do Coelho’, com Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Selma Egrei, Simone Zucato e Felipe Hintze a fim de se enfrentar e superar a dor de uma perda.”

    junho 10th, 2014

    tocadocoelho
    Foto: Jairo Goldflus

    Um vocábulo com apenas três letras. Porém, com som forte. E significado que ultrapassa a mais sensata compreensão. A dor. Conhecemo-na sob vários aspectos e derivações. Os doutores do corpo humano atestam que a física é um indicativo importante de que algo está em discordância com o correto funcionamento do organismo. Sempre questionamos sobre qual é a maior das dores. Muito se fala das dores do parto. Dar à luz com dor. Dar a vida a alguém implica necessariamente em sentir dor. O próprio recém-nascido a sente e a expressa com vagidos, pois seus frágeis e pequeninos pulmões não estão acostumados ao “novo” oxigênio. Ademais, existe a tão sofrida quanto temida dor moral. Assim como há a dor da culpa, do arrependimento, da traição, da ingratidão, do amor não correspondido e da solitude. Quando se discute a dor inevitável que surja alguém que avente a hipótese de se combatê-la com a superação. No entanto, sequer citamos talvez a mais devastadora delas: a dor pela morte. Indo além, a dor pela morte de um filho. Dentro deste contexto é que o escritor e letrista americano David Lindsay-Abaire construiu a dramaturgia de “A Toca do Coelho” (“Rabitt Hole” no original; vencedora do Prêmio Pulitzer de 2007; indicada a diversos Tony no ano seguinte, tendo como ganhadora a intérprete de Rebecca, Cynthia Nixon; levada às telas por Nicole Kidman, que concorreu ao Oscar na categoria de Melhor Atriz, em 2011), que se concentra em um núcleo familiar desmoronado após a morte trágica de um menino, Dani, de apenas quatro anos, vítima de um atropelamento porque estava correndo atrás de seu cachorro de estimação, e suas brutais consequências no cotidiano de cada um dos membros daquele (no Brasil, Simone Zucato foi a responsável pela tradução e Alessandra Pinho pela adaptação da peça teatral, ambas cumprindo suas missões de modo impecável, comprovando a universalidade do seu teor). Se antes a família era estruturada, feliz e “normal”, hoje está estraçalhada, pulverizada em múltiplos pedaços, buscando estratégias de enfrentamento para melhor suportar o sinistro. A configuração de seus sentimentos pessoais e interpessoais tivera que ser obrigatoriamente redesenhada. Cada indivíduo participante do clã, o pai, a mãe, a avó e a tia encaram e convivem com a sua dor de maneira distinta. Seja ela mais explícita ou escamoteada por detrás de uma couraça. A bonita e ampla casa onde moram é assombrada por fantasmas de culpabilidade. O “se” os persegue sem dó. Perguntam-se: “E se eu não tivesse deixado o portão aberto?”, “E se eu não tivesse ligado para falar de mamãe?” (reproduções próximas). O cachorro seria o real culpado na sua fiel irracionalidade? Se Deus é o Todo-Poderoso, por que tirar um anjo da Terra e não criar um outro qualquer para estar ao seu lado? Rebecca/Becca (Maria Fernanda Cândido), a mãe, em meio a arrumação das roupinhas infantis com listras e cores do seu rebento perdido, exibe alma esfacelada, transfigurada na composição original, um verde olhar absorto que contempla horizonte que não mais existe, vivenciando um luto permanente que a engessa e reprime o mais fugaz e imprevisto esboçar de um sorriso. O seu “ofício” é a lembrança, o passado, “o que podia ter sido”. O pai, Paulo (Reynaldo Gianecchini), que trabalha no mercado financeiro (investimento de risco), a princípio represa a lancinante dor de sua condição parental, com tentativas infrutíferas de se lograr uma sustentação viável das relações afetivo/familiares. Os seus bom humor e espirituosidade são fracos, pífios diante do quadro de desgraça que fora pintado não se sabe por quais mãos. Um muro o qual se deve transpor com intento de se atingir mínima razoabilidade de sobrevivência. Paulo tem momentos em que verdade íntima emerge, como quando assiste a vídeo em que seu filho Dani diz: “Papai, eu vou ficar invisível”. A avó Natália/Nat (Selma Egrei) observa a existência do homem com visão crítica, ácida, irônica, sem falsos moralismos ou hipocrisias, fazendo da autenticidade o leme seguro para singrar mares menos revoltos, e com sorte, conseguir paz idealizada. Para ela, também vítima da perda de um filho, a dor é algo perpétuo, que sofre tímidas mutações, como se fosse um tijolo a ser carregado no bolso e que vez por outra sente-se o seu grande peso no decorrer do tempo. A irmã de Rebecca, Isa/Isabel (Simone Zucato) possui “a priori” sedutora irresponsabilidade jovem, com seu perfil transgressor, potencialmente rebelde, com exultação pouco corrompida ou adulterada pelos reveses nossos de cada dia. A gravidez inesperada que a leva inevitavelmente a sentir ebulição de emoções antecipou o amadurecimento. E, por último, o “agente” desencadeador de toda a miséria coletiva: Gabriel (Felipe Hintze). Um adolescente com inseparável moletom vermelho que almeja ser escritor. No volante do letal carro, havia suas alvas mãos desorientadas que ocasionaram o fenecimento da matéria vulnerável de criança desapercebida. Gabriel não sabe ao certo se é culpado ou não. Hesita quanto às circunstâncias factuais do acidente, e como atenuante para se redimir escreve um livro (e o dedica a Dani), chamado “A Toca do Coelho”, uma ficção científica em que o filho sai à procura do pai cientista que se perdeu em universos paralelos, buracos inexplorados ou até mesmo na toca de um coelho. Com o que se disse até agora, deduzimos que do prólogo em diante David Lindsay-Abaire põe em xeque a imprevisibilidade das nossas vidas, com inteligência apurada e refinado humor. O nosso confronto com a finitude, a impositiva aceitação da morte e o desejo desmesurado de se encontrar a chave da superação da dor, e por conseguinte a continuidade de nossas funções terrenas. Com este material fascinante e profuso em conteúdos emocionais de inegável apelo, o diretor Dan Stulbach (em sua estreia neste desafiador encargo) nos deixa claro, visível e patente o seu completo entendimento e cognição acerca da proposta dramatúrgica de Lindsay-Abaire. Dan, um intérprete reconhecido e prestigiado por sua rica trajetória artística, valeu-se precipuamente da supremacia da sensibilidade no seu mais altaneiro simbolismo (e a sua experiência contribuiu amiúde para o êxito final) para emoldurar um panorama cênico marcado por avassaladora dramaticidade e inexorável realismo. Percebe-se com nitidez que Dan Stulbach deu um enfoque especial ao trabalho de ator, utilizando-se de toda uma gama de recursos interpretativos disponibilizados com liberalidade pelo formidável elenco. O encenador apostou e logrou êxito nas possibilidades várias oferecidas pelas temática e ferramentas colaborativas para a construção de um espetáculo. Aproveitou-se dos dinamismo e agilidade dos diálogos (inteligentes em sua totalidade) carregados nas tensão e fina graça. Há instantes de legítimo e imperioso silêncio, pausas obrigatórias, como há também diversificação de movimentos dos artistas pelo amplo espaço do tablado. Os atores (com a bem-sucedida preparação corporal de Leandro Oliva) ostentam posturas específicas, naturais, complementares da personalidade de cada personagem. Quanto às atuações, um dos trunfos indiscutíveis de “A Toca do Coelho”, somos transportados irreversivelmente para um estado de enlevo sem comparação ao assistir a não apenas interpretações louváveis e magnas, mas performances que transcendem o vezeiro e o useiro, alcançando singularidade mais do que objetivada. Maria Fernanda Cândido se mostra inteira, entregue nas fragmentações emotivas de Rebecca. Maria nos faz crer em uma mãe mergulhada em infindas dores, feridas não cicatrizadas, em lágrimas da ausência sentida que ainda teimam em verter sobre delgada face. Uma atriz que nos convence de que seus lindos olhos verdes estão de fato tristes. Maria atinge, sem dúvida, um de seus mais sólidos e tocantes momentos na carreira. Reynaldo Gianecchini é um ator especial com uma história profissional igualmente especial. A superioridade e elevado nível de sua composição de Paulo é tão somente uma corroboração vívida, palpável da trajetória de um artista o qual acompanhamos desde razoável tempo, que não se deixou cair em tentações que irromperam à sua frente, como uma acomodação ao status no qual fora colocado, engajando-se corajosamente em seguidas e arriscadas experiências teatrais, com os mais renomados e distintos profissionais da área, amealhando uma respeitabilidade inabalável junto ao público e crítica. Paulo, desta forma, ratifica essa maravilhosa bravura de um ator. Selma Egrei. É uma desafiadora responsabilidade falar a respeito de uma atriz da sua grandeza, credibilidade e prestígio. Selma entra em cena, e isso já nos é o bastante para nos asseverarmos de sua pujança espontânea e personalíssima, de sua cativante beleza, que com firme ou suave voz nos manipula saudavelmente pelas veredas trilhadas por sua emotividade. Não à toa a sua Natália nos conquista com jeito irremediável. Simone Zucato, uma bonita e talentosa atriz que nos surpreende, arrebata-nos, enternece-nos com vibrante atuação. Entende com absoluta verdade a evolução gradativa do comportamento de Isabel que, como já dissera, segue o caminho que começa na rebeldia e chega à maturidade de uma futura mãe. E o que dizer sobre Felipe Hintze? Como se descobre este jovem eminente ator em uma miríade de aspirantes de mesma faixa etária ao exercício das Artes Dramáticas? Felipe é, devo atestar, possuidor de unicidade poucas vezes testemunhada em um intérprete no alvorecer de sua vivência. Um artista que constrói o seu personagem escavando as minúcias, pormenores e elementos subliminares de seu perfil. Impressiona-nos que mesmo em posicionamento imóvel de corpo, destila o texto sob as mais vastas intenções. A lentidão propositada de suas marcações corresponde à velocidade com que identificamos a sua qualidade como ator, desde já uma das promessas de sua geração. O cenário de André Cortez é arrojado, prático e funcional, atingindo valoroso resultado. André montou uma confortável casa na qual reside a família, decorada com um sofá vintage de madeira com estofamento branco, mesa de jantar, duas banquetas e uma cadeira do mesmo estilo citado, uma cama de casal ao fundo, uma geladeira marrom, duas estantes altas brancas em cujas prateleiras estão brinquedos variados e bichinhos de pelúcia (representam o antigo quarto de Dani), um bloco divisório e um frondoso jardim de inverno. O diferencial é que os cômodos são divididos com sabedoria por armações vazadas, com respectivas entradas e saídas (estas mesmas armações detêm vitrais superiores que ora podem ser abertos ora podem ser fechados). Os figurinos de Adriana Hitoni são soberanamente objetivos e coerentes, optando tanto pela sobriedade dos tons neutros como o cinza e o creme, quanto pela alegria de uma estampa floral ou pela especificidade que reporta a um visual punk. O desenho de luz de Marisa Bentivegna explora intensa fileira de opções, concretizando-se como feliz e bem planejado conjunto enriquecedor da peça. Marisa decide por planos gerais (a luz aberta não é “estourada”, e sim tênue, agradável aos olhos), focos duplos e oblíquos, além dos verticais, um azul e suas oscilações, um verde que realça o jardim de inverno e uma solução inventiva ao fazer “percorrer” pelos elos das armações uma luz vermelha insinuante. As projeções de imagem (“video mapping”) executadas pela BiJari são comoventes (nelas pode-se ver Dani correndo, sem que se mostre o seu rosto). A preparação vocal é de Edi Montecchi e realiza um meritório trabalho. A trilha sonora original é composta por Daniel Maia (com design de som de Bruno dos Reis), e prima pelos sons instigantes, pontuais, marcadores das cenas, valorizadores do drama, embalados por instrumentos de cordas e piano. O grupo inglês Oasis deixa o seu legado na obra com “Wonderwall”. “A Toca do Coelho” apresenta um sem número de razões para ser montada: o registro do talento dramatúrgico de um jovem autor americano, a oportunidade que se deu a Dan Stulbach de ostentar outra vocação tão dignificante quanto a que já conhecíamos, o elenco uniforme em seus talento e brilho e a abordagem de um tema universal, doído sim, porém tratado com leveza e brandura, sem preterir de certa provocação ao integrar o indivíduo dentro de um contexto de adversidades. Segundo a peça, podemos encontrar a salvação, a solução para a nossa dor em “universos paralelos” e suas “rabitt holes”. “A Toca do Coelho” se consolida como um universo real onde saciamos nossas veleidades de se conferir um espetáculo teatral onde Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Selma Egrei, Simone Zucato e Felipe Hintze estão em entorpecedor estado de graça.

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