Um homem de bonita estampa que estava acostumado ao conforto promovido por sua família que em tempos idos era pertencente à alta sociedade carioca. O núcleo familiar é um tanto quanto desestruturado. O pai Arturo (Stênio Garcia) levou o clã à bancarrota ocasionada por investimentos mal feitos e inoportunos. A mãe Isaurinha (Nívea Maria) esconde um segredo do passado (provavelmente um caso de adultério com o falecido marido de Leonor, defendida por Nicette Bruno), e para complicar ainda mais a falta de um emprego que lhe apetecesse e um desgaste contínuo com sua até então mulher Antonia (Letícia Spiller). Com o suposto crescimento profissional da esposa, a deterioração matrimonial ganhou esboços cada vez mais perceptíveis. Brigas, brigas, brigas… Tudo aos olhos de uma criança, Larissa (Kíria Malheiros), fruto do enlace. A aproximação de Carlos (Dalton Vigh), antigo amigo de Celso, junto à bela loira só fez recrudescer o desmoronamento do casal com prazo estabelecido. O beijo existente entre ela e o falso enteado de Leonor foi a gota d’água para o epílogo drástico do casamento. Porém, uma questão desta triste história conjugal não deve ser descartada: Celso ainda ama perdidamente Antonia. E todas as suas atitudes (que acabam voltando-se contra ele mesmo) são motivadas por este pujante sentimento. O ciúme cega-lhe. E o faz infringir até a legalidade. Disputou com veemência a guarda da filha. Usou trunfos para tê-la só para si. A guarda compartilhada não se mostrou eficiente para a educação da menina. Um elemento que assombra muitos casais pelo mundo afora é abordado pela autora de “Salve Jorge”, Gloria Perez: a alienação parental (ocorre quando um dos responsáveis pela guarda do filho, seja o pai, seja a mãe, insufla a cabeça da criança com permanente campanha que leva à desmoralização do outro possuidor da benesse concedida pela lei). O tema fora até abordado no programa “Fantástico”. Celso tentou estabilizar a sua vida, apostando num namoro com Érica (Flávia Alessandra), entretanto como só falava de sua ex-mulher, o romance teve breve duração. Celso não é um mau homem. É apenas um indivíduo atormentado pela perda do amor, que antes poderia até não conseguir identificar o grau de sua amplitude. Quanto à carreira artística de Caco Ciocler, começou cedo no teatro amador, e cursou a EAD (Escola de Arte Dramática). Ao encenar a peça “Píramo e Tisbe” (premiado como melhor ator coadjuvante), assistido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho, recebeu o convite para participar da primeira fase de o “Rei do Gado”, como Jeremias Berdinazzi (prêmio APCA de Revelação Masculina). Um outro personagem na TV que lhe trouxe projeção fora o Bento Coutinho da minissérie épica “A Muralha”, da Rede Globo. Personificou um judeu na novela “Um Anjo Caiu do Céu”. Em outra minissérie de teor histórico escrita por Carlos Lombardi, todavia com bastante tom cômico, emprestou seu talento ao viver o irmão de D.Pedro I e filho de Carlota Joaquina. Mais um momento relevante da História do Brasil lhe apareceu à frente: A Revolução de 32 (no documentário para a TV Cultura “A Guerra dos Paulistas”). Fez par romântico com Deborah Secco em “América”, de Gloria Perez. Logrou solidez na sua popularidade. Foi dançarino de tango em “JK” e fotógrafo em “Páginas da Vida”, folhetim de Manoel Carlos. Contracenou com Marjorie Estiano por duas vezes: uma em “Duas Caras” e a outra em “Caminho das Índias”. Sob a batuta de João Emanuel Carneiro, esteve na intrigante série “A Cura”. Ainda na televisão, bastante participações especiais, além das já mencionadas. No teatro, merece destaque a estreia em “Ecos”. Percorreu as veredas elizabetanas do bardo inglês William Shakespeare em “Rei Lear” (Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator). Vivenciou uma experiência inusitada nos palcos ao apresentar o monólogo “45 Minutos”, cuja duração era a mesma do título. Consistia na interatividade constante com a plateia. Um enorme desafio. Conheceu bem de perto a dramaturgia de Bernard-Marie Koltés, ao dirigir “Na Solidão dos Campos de Algodão” (Prêmio Quem de Melhor Diretor). Continuou nas coxias, só que desta vez como intérprete, em “Casting”. Fora visto em “Mary Stuart”, “Salomé”, “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, “Antonio e Cleópatra”, “A Construção” e “O Desaparecimento do Elefante”. Na tela grande, já esteve ao lado de Elliot Gould. Vários filmes marcaram sua presença nos cinemas: “Bicho de Sete Cabeças”, “Minha Vida em Suas Mãos”, ” O Xangô de Baker Street”, “A Paixão de Jacobina” (com Letícia Spiller), “Avassaladoras”, Desmundo”, “Sexo, Amor e Traição”, “Vinícius” e “Meu Pé de Laranja Lima”. O curta “Limbo” também lhe enriquece o currículo (houve premiações para este gênero cinematográfico). As versões históricas parecem fazer parte de sua trajetória profissional, visto que deu vida a Luiz Carlos Prestes, ao lado da Olga de Camila Morgado, em filme cuja direção coube a Jayme Monjardim. As diferenças sociais entre dois amigos foram retratadas em “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat. Integrou também “Quanto Vale ou é por Quilo?, de Sergio Bianchi, um longa-metragem de contexto fortemente crítico. Caco Ciocler já fez as vezes de roteirista, ator, diretor e editor no curta “Trópico de Câncer”, exibido no Festival do Minuto (Tema Livre). Prêmio de Melhor Filme. No Cine Pernambuco, melhor ator em “Família Vende Tudo”. “Dois Coelhos”, obra inovadora de Afonso Poyart, focada na mistura do eficiente roteiro aos admiráveis efeitos visuais lhe conferiu frescor em vivência nova. Está no elenco de “Disparos”, com Dedina Bernardelli. Encarnou um rabino em “O Caminho dos Sonhos”. E para concluir, voltemos ao Celso de “Salve Jorge”. O que lhe resta, e há esperanças, constitui-se no ato de recolher os fragmentos espalhados pelas ruas vazias de suas relações amorosas, juntá-los, e aí sim vir a ter um amor completo e emoldurado. Desde que não falte um único fragmento qualquer.
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Uma rua chamada Adalberto Ferreira. Bairro: Leblon. Não chamava-se pecado. Então não era possível encontrar Marlon Brando tampouco Vivien Leigh. Mas era possível encontrar Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim, o excelso maestro e compositor brasileiro, autor de grandes clássicos da bossa nova e da MPB. “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade”, “Águas de Março” e “Samba do Avião” são apenas algumas canções deste músico incensado pelo mundo, e gente ilustre como Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e Stan Getz. O local onde se dera o encontro mágico fora a Churrascaria Plataforma. Local este vizinho à antiga Sendas, e que correspondia na década de 80 ao que atualmente é a Rua Dias Ferreira, na mesma área, por seu comparecimento constante e invariável de artistas e profissionais da cultura nacional. À espera dos deliciosos e fumegantes pãezinhos de queijo que serviam de entrada, e pareciam vir direto das Minas Gerais, e que emulavam com as saborosas carnes, podia-se sentar ao lado de atores, atrizes, produtores musicais, autores de novelas… e Tom Jobim. Ao chegar num belo dia de domingo ao restaurante, em seu Puma vermelho conversível, iam embora José Wilker e Renée de Vielmond, na época casados. Acreditem. Não havia “paparazzo”. Se houvesse, não faltariam pautas para um mês inteiro para as revistas deste gênero. Entre uma mordida e outra de pão de queijo, vislumbrava-se o simpático jornalista e produtor musical Nelson Motta. Na porta do estabelecimento, podia-se esbarrar em um contemplativo José Lewgoy, venerável vilão das chanchadas, e que tinha acabado de fazer enorme sucesso no folhetim de Gilberto Braga, “Água Viva”. Noutra mesa, uma certa Regina Dourado. Que beleza de atriz, esbanjando tanto carisma ao seu redor. Noutra mesa, uma das musas daquela geração, Tássia Camargo. Percebi um sério e introspectivo Manoel Carlos. As seriedade e introspecção deveriam ser motivadas pela estreia no dia seguinte de um de seus maiores êxitos televisivos, “Sol de Verão”. Criança, falei: – Manoel, amanhã estreia sua novela, “né”? Sentados com placidez à espera do almoço, alguém que atendia pelo nome de Carlos Zara ao lado de sua então esposa Eva Wilma (naqueles anos o verbo “esperar” era respeitado). E um de nossos notórios atores junto ao seu filho Maurício Gonçalves, Milton Gonçalves de cabeça raspada (claro que tudo se deu em ocasiões diferentes) conversava conosco como se fôssemos amigos de infância. Abria seu sorriso com extrema generosidade. Este é Milton Gonçalves. Maurício do Valle, astro do Cinema Novo, irrompia com suas fortaleza e imponência nos vastos salões. Meus olhos não sossegavam à procura de pessoas que me despertassem a atenção e reconhecimento por algo que tenham feito de relevante por nossa cultura. Lá dentro não choviam as “águas de março”, nem vi a “garota de Ipanema” entrar no banheiro, ninguém lá aparecia vindo de um avião cantarolando um samba, e a saudade era deixada do lado de fora, na rua chamada Adalberto Ferreira. A Adalberto Ferreira do Leblon de Manoel Carlos. A Adalberto Ferreira vizinha a Sendas. Apesar de tudo isso, foi com avolumada surpresa que me vi diante daquele que com sua pena escreveu obras do nosso cancioneiro que nos falam fundo ao coração: cercado de amigos, em extensa mesa, defronte a uma tulipa suada de chope, chapéu panamá na cabeça, e entre os dedos o indefectível charuto, um bonachão e falante Tom Jobim. Eu e os que comigo estavam aproximamo-nos dele, e lhe dissemos algo. Tom foi de uma afetividade que raro se identifica nos gênios. Aquele domingo não fora um domingo qualquer. Fora um domingo com Tom Jobim. Nesta hora demos chance à fantasia, e sobre nós caíram as “águas de março”, a “garota de Ipanema” entrou sim no banheiro, ouvimos o forte ruído de um avião chegando ao Rio de Janeiro ao som de um samba, e já estávamos com saudade daquele encontro. Esquecemos o “chega”. Voltamos ao nosso pãozinho de queijo. Ainda fumegante como antes. Como era infante, não podia beber um chopinho como Tom Jobim. Mas se o pudesse, com certeza levantaria o copo também suado e convocaria os que lá estavam que brindassem pela presença do brilhante maestro. Impressão que se tem é que todos por alguns minutos fomos garotos e garotas de Ipanema. Ao retornarmos para casa, não chovia. Não sei se era março. Porém, imaginemos que era março, e que chovia sim. Afinal, estivemos com Tom Jobim.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Moderna. Atual. Contemporânea. Descolada. Desencanada. Independente nas finanças e no amor. Elegante. Sensual e sedutora. Qualquer homem cai aos seus pés. E a hora de dar um “basta” cabe a ela. Inovadora comportamental. Ao chegar, em grande estilo, do exterior ao Brasil na novela “Salve Jorge”, de Gloria Perez, causou rebuliço ao promover o “descasamento” (uma cerimônia alegre que celebrava os anos felizes que passou ao lado de seu companheiro, vivido por Diego Cristo, apesar da separação). Bianca “causou”. Representava o sonho de consumo da maioria das mulheres defensoras do feminismo. É uma mulher do mundo. E Bianca é o tipo de mulher que o mundo recebe bem. Entretanto, não foi o caso ao fincar seus pés no país turco. Em viagem com seu novo “affair” Stenio (Alexandre Nero) deixou-se encantar pelo charme do guia turístico Zyah (Domingos Montagner). Este utilizava-se justamente do atributo para conquistar as estrangeiras e guiá-las para a… sua caverna. Stenio ficou a ver navios no Bósforo. E um ardente romance desenrola-se entre o casal. Suas cenas são tórridas. Zyah esquece-se até das turistas. Porém, quem nunca o esqueceu, amando-o sempre, fora Ayla (Tânia Khallil). Bianca começa a enfrentar o duro conflito cultural, e na região de costumes tradicionais da Capadócia sofre preconceitos por sua postura. E os embates obtêm contornos visíveis entre os dois. Ele a quer ao seu molde. Deseja que trate seu filho como se por ela fosse gerado. Bianca resiste a isto. Afinal, Bianca é amiga da liberdade. Compromissos definitivos passam ao largo de sua vida. Entretanto, cede. E vai morar com o guia. A caverna ficou para trás. Depois de alguns beliscões e ser chamada de “chilique, a amiga de Maitê (Cissa Guimarães) ao conviver com seu amado vê-se vítima de uma implacável perseguição de sua família. Não suportou. Tampouco Ayla com a solidão. Para aplacá-la, decide casar-se com um rico vendedor de joias. O ciúme bate à porta de Zyah. A relação de Bianca e do homem que aprecia cavernas torna-se inviável. Idas e vindas, e a bela moça decide de vez voltar para suas origens, retomando o que deixara. Passa a ser o que sempre fora. Decepcionado, Zyah impede o casamento de Ayla. E juntos ficam para o contentamento dos aldeões. O que talvez Bianca não imaginava junto com o público é que se percebeu “fisgada” para valer pelo moreno que traja coletes rústicos. A mulher desapegada a amores permanentes cai por terra. Bianca é mulher como qualquer outra. Apaixona-se de verdade, e quer quem lhe é objeto de paixão ao seu lado. A crise de identidade veio-lhe perturbar. Não tem mais sossego. Vive um dilema pessoal. Não se reconhece. Nem a amiga Maitê a reconhece. Onde está a mulher do século XXI? Onde estão seus dogmas? O amor é maior do que qualquer dogma. Num encontro por ela premeditado com Zyah defronta-se com a humilhação impingida pelo guia e sua esposa. Fica arrasada. Isso nunca havia lhe ocorrido. Contudo a fez crescer como representante do sexo feminino. Que dogmas que nada! Bianca quer é amar. E foi buscar o que julga ser seu de direito na terra dos tapetes e balões. Tudo pode acontecer se vier a reencontrar quem deseja. Se as paredes das cavernas tivessem ouvidos… E Cleo? Quanto a esta atriz que, apesar da vivência constante com o meio das Artes por seu parentesco, dúvidas comuns a qualquer jovem no tocante à escolha da sua profissão a cercavam. Temia cobranças se optasse por ser intérprete. Natural. Contudo, uma Monique Gardenberg apareceu em seu caminho, e a chamou para ser a protagonista de um filme baseado na obra homônina de Chico Buarque, “Benjamim (ganhara prêmio no Festival do Rio). O seu deleite ao fazê-lo, e a aceitação pronta da crítica eram o que faltavam para a decisão final de abraçar o ofício de servir a emoções várias. Antes, participara da minissérie da Rede Globo “Memorial de Maria Moura”, no mesmo papel defendido por sua mãe Gloria Pires. Provocou celeuma na novela “América”, ao personificar Lurdinha, que gostava mesmo era de homens mais maduros. Já interpretou o mito Cleópatra. Trabalhou com João Emanuel Carneiro em “Cobras & Lagartos”. Apresentou programa sobre a Sétima Arte, e experimentou um folhetim de época, o “remake” de “Ciranda de Pedra”. A vilania lhe surgiu com o nome de Surya em “Caminho das Índias”. Como Estela, visitou os cantões do norte nacional em obra de Walther Negrão, “Araguaia”. Como boa brasileira que é tinha que ser uma brasileira em “As Brasileiras”. Nas salas de cinema, pôde ainda ser vista em “Meu Nome Não é Johnny”, “Lula, o Filho do Brasil” e “Qualquer Gato Vira-Lata”. Terminamos tudo o que foi dito com Bianca. Bianca é moderna. Nunca deixou de ser moderna, atual e contemporânea. Continua a ser do mundo. Afinal, o amor é moderno e é do mundo. -

Foto: Renato Rocha Miranda/TV GloboHá algum tempo, fui assistir ao clássico de Jorge Amado nos palcos, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. A direção fora de Pedro Vasconcelos. E no elenco estavam Marcelo Faria como Vadinho e uma bela Fernanda Paes Leme como Dona Flor. Jonas Torres também estava lá na ribalta. Esbanjando brilho como Mirandão. Foi bom ver Jonas atuando, e pensar o quanto este intérprete ainda tem a nos oferecer. Na época, usava um bigode para dar mais credibilidade ao seu personagem. O espetáculo possuía a legítima ambiência baiana, com suas rodas de capoeira e prosódia local. Fiquei satisfeito com o que vira, e em maior nível ao poder dar os parabéns a Jonas Torres no final da peça pela filha que tivera recentemente. A sua amabilidade só fez aumentar minha admiração. Este ator a quem dedico este texto já começou a se destacar na tenra idade da infância, em um excelente filme de Hugo Carvana, sendo um dos melhores que testemunhei na cinematografia nacional: “Bar Esperança”. Era Yuri, filho do próprio Hugo e Marília Pêra. As intervenções do pequeno artista em suas cenas, fossem com Marília ou Hugo Carvana eram irretocáveis. Um ator nato. Credito a ele um dos fatores de sucesso do longa. Aliás, contribuir para o sucesso de uma atração, seja no cinema, teatro ou TV parece ser uma constante em sua jornada. É só nos lembrarmos do autêntico Zeca de “Vereda Tropical”, ótima novela das 19h escrita por Carlos Lombardi. Filho de Silvana (Lucélia Santos), mantinha uma relação também filial com o jogador de futebol Luca, defendido por Mário Gomes. As arengas com a tia Catarina (Marieta Severo) eram regadas por um humor irresistível. Gol de placa de Jonas, que antes havia feito alguns episódios de “Quarta Nobre”, na mesma Rede Globo. E este gol de placa o levou a fazer um gol talvez mais bonito, quando fora escalado para ser o Bacana de “Armação Ilimitada”, série de Antonio Calmon, dentre outros de igual importância. O que nós, telespectadores, pudemos vivenciar fora uma revolução estética, temática e musical como nunca havia sido mostrada na televisão. Um elenco totalmente entrosado com a proposta nova e jovial do programa. Kadu Moliterno, André di Biasi, Andréa Beltrão, Francisco Milani e Catarina Abdala proporcionaram-nos junto a Jonas momentos de pura e irreverente diversão. Entrou para a história da teledramaturgia não à toa. Vieram-lhe a seguir outros tantos trabalhos televisivos, como “O Dia Mais Quente do Ano” (telefilme), e os folhetins “Top Model” e “Vamp” (voltando a colaborar nestes dois últimos com Calmon). Foi aí que a vida de Jonas tomou outro rumo. Filho de um americano, migrou para os Estados Unidos, servindo ao Exército como paraquedista. Novos voos para Jonas. Voos que o trouxeram de volta ao Brasil. Participou de “Malhação”. Porém, Jonas precisava de mais voos. E no país ao norte das Américas, personificou os papéis de piloto e instrutor de voo. Como Jonas gosta de voar… Jonas, o aviador. O aviador ator. Ou seria o ator aviador? Não importa isso agora. O que importa é que Jonas Torres retomou sua carreira artística, e daí veio “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, na Rede Record. E depois “Malhação ID”. Na tela grande, voltou a saborear o doce gosto dos “sets” em “Super Xuxa Contra o Baixo Astral” e “Outras Estórias”, cuja direção coube a Pedro Bial. Dois “Pedros” em sua vereda tropical. Visto que Pedro Vasconcelos, como já foi dito, dirigiu-o em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Finalizo aqui, e convicto afirmo que Jonas é presença bem-vinda em qualquer área das Artes. Jonas Torres, o ator, o aviador, o ator aviador que nos palcos ou estúdios pelo mundo afora dá rasantes de talento.
Obs: No momento, em seu retorno às novelas, Jonas Torres vive o ex-catador de lixo Ismael na obra de Aguinaldo Silva “Império”, que vai ao ar pela Rede Globo às 21h.
Ismael ganhou a simpatia do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), após ter lhe devolvido o anel de esmeralda furtado por sua companheira Lorraine (Dani Barros, com quem tem feito ótimas cenas), passando a ocupar um posto na seção de almoxarifado da empresa de joias “Império”. -
Na teoria, uma “amizade”. Na prática, repete-se a “amizade”. Entretanto, este substantivo de indiscutível importância para o glossário universal serve apenas para esconder o grande amor que existe entre João Pedro, o JP (Daniel Rocha) e Catarina (Julia Faria). Cada um ao seu modo acovarda-se em assumir de fato o sentimento recíproco. Catarina até verbaliza o que sente. O que já não ocorre com João Pedro. Confusões, dúvidas, contradições de ideias, angústia e insegurança permeiam suas mentes de forma implacável. Como se não bastasse toda essa ebulição afetiva, surgem mais dois personagens em cena: Juliano (Fernando Roncato) e Ana (Mariana Molina). Ambos foram “roommates” em Nova York, e mantiveram uma “amizade colorida”. Por coincidência, Juliano recebe um convite e começa a trabalhar na mesma redação de um tabloide esportivo da jornalista Catarina. A diferença notória é que Juliano demonstra absoluta satisfação profissional, e Catarina está infeliz com o ofício, ou melhor, sobre o que escreve. Os quatro são envolvidos numa intricada teia de encontros, desencontros, mal-entendidos, e precipuamente o ciúme. Enfim, a vida como ela é. O amor em toda a sua amplitude de significações tratado pelos autores Anna Carolina Nogueira e Junior de Paula com o respaldo da modernidade que assolou o pesado e caótico cotidiano do homem como indivíduo. A era digital entra sem pedir licença na vida de todos os que interagem, por meio da comunicação em que são utilizados e-mails, conversas pelo computador e celulares. Discute-se a relação, a famosa “DR”, tirando-se proveito da invasora e hoje indispensável tecnologia. Anna Carolina Nogueira e Junior de Paula alinhavam com bastante inteligência o conjunto desses elementos num texto leve, sem no entanto jamais perder a seriedade do tema central abordado. Os atores Daniel Rocha, Julia Faria, Mariana Molina e Fernando Roncato “entraram fundo” em seus respectivos papéis, tornando-os em sua essência críveis aos olhos do público. A interpretação do quarteto merece aplausos nada tímidos. Suas vozes foram preparadas com eficácia por Rose Gonçalves. A direção de Michel Bercovitch (com a assistência de Flávio Pardal) atingiu o alvo exato para se lograr um espetáculo ágil, que se configura na movimentação quase permanente do elenco. Há instantes de monólogo bem-vindos. O resultato se desenha no interesse contínuo dos espectadores e sua resposta imediata à ação pretendida. Criou-se com aqueles desejável empatia. Destaco a preparação corporal dos intérpretes a cargo de Duda Maia, em especial no tocante à sincronia de gestos. Soa bonito como imagem. Um balé de corpos. A cenografia de Cristina Novaes atende com funcionalidade e charme o que lhe é proposto pela história. Dois apartamentos, um no Rio de Janeiro e outro em Manhattan ganham vida em cadeiras, mesas, luminárias, abajur, cabides e uma cama comum às duas moradias (solução engenhosa). A iluminação de Renato Machado encanta-nos com seus focos individuais, sombreados e prevalência das cores azul e laranja nos painéis que se localizam no fundo do palco. Painéis nos quais há lindíssimas projeções das cidades do Rio e Nova York, não preterindo o dia a dia turbulento a que somos inexoravelmente submetidos. Mérito de Mauro Ventura. Os figurinos de Bruno Perlatto entram na vasta lista de pontos altos da peça. Estilos “fashion”, “casual chic”, “hipster, “yuppie”, despojado e esportivo enriquecem com inegáveis elegância e coerência a encenação, e ajudam a traçar o perfil dos personagens. A trilha sonora montada por Anna Carolina Nogueira, Junior de Paula e Michel Bercovitch é atraente, passando pelo blues, jazz, “Empire State of Mind” ao piano, e pela MPB de Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos. Porém, temos que reconhecer que a pérola melódica cujo som inebria-nos e comove-nos vem do grupo Beirut, com sua emocionante e bela canção “Elephant Gun”. Como podem perceber, há para os que gostam de teatro um espetáculo com muitas qualidades e potencial dramatúrgico. O amor é discutido. É debatido. É mostrado. Confirma-se o quanto é complicado. É complicado amar e ser amado. Contudo, não seríamos humanos sem esta amável complicação.
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Marcio Regaleira, modelo da 40º Models, no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Marcio também é ator e sócio-diretor do Coletivo Consciente, que se autodefine como “…artistas querendo fazer arte consciente de seus papéis de comunicadores entregando a verdade à liberdade. Um Coletivo ativo independente, disposto a simplificar o prazer.”
Como intérprete já se apresentou no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal), ao lado de Juliana Boller e André Ramiro, no Festival Cultural do Coletivo Consciente.
Atuou em Bonito, MS.
É defensor de um novo conceito de mobilidade urbana (sistema integrado de mobilidade urbana).
O Coletivo Consciente promoveu várias edições da mostra de curtas mais alternativa das Segundas-Feiras do Rio de Janeiro.
Trabalhou com as atrizes Manuela do Monte e Giordanna Forte.
Foi fotografado tanto por Sherolin Santos quanto por João Julio Mello.
Integrou o elenco do curta-metragem “Ponto de Vista”.
Fez ensaio para a Reserva.
É um dos responsáveis pelo site Rio de Janeiro Cycle Chic (a ideia partiu do fotógrafo dinamarquês Mikael Colville Andersen, de quem é amigo. Mikael é fundador do movimento Cycle Chic).Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/
OESTUDIO -

O modelo da 40º Models Eduardo Moreno no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
No Fashion Rio Verão 2013/2014, Eduardo desfilou para OESTUDIO.
No mesmo evento, em outras edições, integrara o “casting” da marca acima citada, além de R. Groove, British Colony e Armadillo.
Já participara do Rio-à-Porter, apresentação de coleções paralela à semana de moda carioca (atualmente o Rio-à-Porter juntou-se ao Fashion Business).
Eduardo Moreno mostrou seu trabalho na SPFW, representando a Osklen.
Em Niterói, RJ, foi a vez da Reserva.
Dentre ensaios realizados, pode-se citar o feito para o catálogo da revista “Be Fashion”.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: http://www.40grausmodels.com/
OESTUDIO -

A publicitária, colunista, radialista e escritora Cris Guerra, além de blogueira (Cris é fundadora do primeiro blog de looks diários do Brasil, o “Hoje Vou Assim”), no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Possui outros três blogs, “Amor e Ponto”, “Cartas para Francisco” e “Para Francisco” (o sucesso deste a levou a publicar livro em 2008).
É sócia proprietária da Partner at Cris Guerra Inc..
No rádio, dedica-se à coluna de moda diária na BandNews de Belo Horizonte, MG.
Escreve crônicas para a revista Veja BH quinzenalmente.
Atua como modelo de seu próprio blog de moda, para o qual posa todos os dias.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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A atriz, modelo e apresentadora Carla Lamarca no Fashion Rio Outono Inverno 2012, no Píer Mauá.
Carla é paulistana e formada em Publicidade pela FAAP, SP.
Foi vencedora em teste para ser VJ da MTV, e passou a comandar desde então programas como “Disk MTV”, “Top 20 Brasil”, “Sobe Som”, “VJs em Ação”, “Luau MTV” e “Jornal da MTV”.
No Fashion TV Brasil (hoje canal Glitz*) apresentou “FTV Mag”.
Já no GNT, cobriu as semanas de moda carioca e paulista Fashion Rio e SPFW, respectivamente.
Como atriz de teatro, atuou em peças como “Amor Extremo” (em montagem do grupo Célia Helena) e “Bruta Flor do Querer”.
Fez participação na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”, e na minissérie “O Brado Retumbante”, de Euclydes Marinho (com a colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e Guilherme Fiuza), ambas na Rede Globo.Foto: Paulo Ruch
Agradecimento: OESTUDIO
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Foto: Álvaro Villarubia para Schön #12 magazineEstava eu em plena madrugada de domingo numa das festas mais badaladas do Rio de Janeiro, na qual se vislumbravam novas tendências, tanto no que concerne à moda, quanto à música eletrônica (com destaque para a “house music”) e comportamento de modo geral. Era lugar comum esbarrar em celebridades. Márcio Garcia, Camila Pitanga, Daniela Mercury, Maria Maya e Rafaela Fischer puderam ser vistos na prestigiada “party” em diferentes ocasiões. A minha presença era confirmada sempre que havia uma de suas edições, pois era um evento esporádico. E foi naquela madrugada que me deparei com a figura feminina de traços faciais cubistas que remetem às obras de seu conterrâneo, o espanhol Pablo Picasso, Rossy de Palma. Rossy, que é tida como uma das atrizes fetiche do cineasta também espanhol Pedro Almodóvar, assim como Carmem Maura, Marisa Paredes, Penélope Cruz, Victoria Abril e Veronica Forqué, participou de muitos de seus filmes, alguns sucesso de público e crítica. São eles: “A Lei do Desejo”, “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, “Tie Me Up! Tie Me Down!”, “Kika” e “A Flor do Meu Segredo”. Mas vocês devem estar se perguntando como Rossy foi parar no mesmo lugar para o qual fui. Alguém deve tê-la levado. Sim, levaram-na. Simplesmente Caetano Veloso e Paula Lavigne. Todos sabem que Caetano é amigo de Almodóvar. Claro que não perdi a chance de conversar com um dos ícones do Tropicalismo. Caetano Veloso, com sua voz melodiosa, foi bastante amável. Voltemos a Rossy de Palma. Pensei algo próximo: “Tenho que falar com Rossy, pois nunca fiz algo parecido com uma artista internacional”. Fui em sua direção. Ela estava de costas. Cutuquei-a, e quase sussurrando, chamei-a: “Rossy, Rossy, Rossy querida”. Ao se virar arregalou seus olhos com o semblante admirado devido ao assédio que não se esperava de um brasileiro para lá de extrovertido. Prefiro este adjetivo, abandonando os demais. Teria então naquele momento que pronunciar no mínimo algumas palavras (em espanhol!) a fim de que se justificasse a abordagem. Soltei: “Bienvenida, bienvenida querida!”. E apontando para a minha bochecha, disse-lhe com ares de pedido: “Beso, Beso”. Ganhei dois beijos como os cariocas e seus vizinhos costumam fazer. Despedi-me da atriz que ganhou prêmio especial no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça. Saí satisfeito com o objetivo atingido. Havia falado e ganhado dois beijos de uma atriz internacionalmente famosa. Já tinha assunto para contar em casa e para os amigos. Cultivo a esperança de que a intérprete originária de Palma de Mallorca, e que já desfilou para Jean-Paul Gaultier e Thierry Mugler, possa ter pensado: “Como o povo brasileiro é simpático…”. Procuro não pensar o contrário. Perguntada certa vez se os contornos de seu rosto pouco comuns a incomodavam, Rossy afirmou que não. Que se achava bonita como era. E posso lhes garantir que de fato é bonita. Uma beleza diferente que pode até se sobressair mais que uma beleza padrão. Este é o fim de um peculiar episódio da minha vida. Lembrando-me do aclamado longa-metragem “A Rosa Púrpura do Cairo”, de Woody Allen, senti-me como se tivesse adentrado na tela grande de um cinema, e num filme qualquer de Almodóvar contracenado com Rossy de Palma. E com direito a dois “besos”!


