Foto: Divulgação/TV Globo
Na sinopse original de “Salve Jorge”, de Gloria Perez, a personagem de Carolina Dieckmann não ficaria tanto tempo no ar. Decorridos alguns capítulos, ela seria eliminada pela quadrilha que a escravizava para fins de prostituição. Só que esta informação vazou. E a autora decidiu provavelmente estender a participação da atriz na novela. O que talvez Gloria Perez não esperasse era que Jéssica fosse cair de tal forma no gosto do público a ponto de haver uma torcida pela sua permanência na história, e que conseguisse escapar com êxito de seus malfeitores. A moça que apenas queria trabalhar numa pizzaria na Espanha foi submetida a todo tipo de agressão, tanto física quanto moral. Logo no começo da trama foi abusada sexualmente. Os tapas no rosto foram muitos. Tentou de todas as maneiras desvencilhar-se do horror no qual se envolvera. As tentativas no entanto eram sempre mal-sucedidas. Porém, Jéssica nunca desistiu. Ao lado de Morena (Nanda Costa) na Turquia obtém uma fiel aliada nos planos de fuga, e surge uma forte cumplicidade entre elas. As estratégias foram várias, dentre elas o fato de terem dopado um cliente no quarto da boate, e saírem pelo buraco onde antes havia um ar-condicionado. Rosângela (Paloma Bernardi) era um grande obstáculo a ser transposto, haja vista que estava sempre disposta a denunciá-las pelo que arquitetavam. Nas ocasiões em que a jovem loira procurava socorro numa delegacia policial em algumas de suas escapadas, o onipresente Russo (Adriano Garib) surgia. Quando foi presa, ele se dispôs a pagar a fiança. Quando seria deportada, o chefe da segurança se identificou como seu tio, dizendo que iria providenciar a regularização de sua estada no país. O que me intrigava (ao que eu me lembre) é que não fora cogitada a ida ao consulado brasileiro quando tiveram oportunidade para isso (claro que seria uma tarefa bem difícil de se executar). Com o retorno ao Brasil, arriscando as suas vidas, abriu-se um leque de possibilidades de se libertarem finalmente da armadilha em que foram colocadas. O fantasma das ameaças de Russo e Wanda (Totia Meirelles) não as intimidaram a procurar a delegada Helô (Giovanna Antonelli), que, intolerante, não acreditou naquilo que lhe contaram. Até o experiente Théo (Rodrigo Lombardi) julgou ser uma lenda o crime relatado por Morena, mas sem mencionar que era a vítima. É evidente que todos nós torcemos para que as situações se resolvam logo, e as personagens sejam vitoriosas em seus intentos. Todavia, trata-se de uma novela, formato da teledramaturgia de longa duração no qual os principais conflitos só são solucionados com a proximidade de seu término. Alguns podem até alegar que há ações que se repetem continuamente, contudo não há outro jeito na maioria dos casos. Se fosse uma microssérie ou um filme… Confesso que gostaria muito que Jéssica continuasse viva, entretanto acredito que Gloria Perez não quis abrir mão da realidade. Fiquei sabendo que Morena será levada de volta para a Turquia desacordada, o que afligirá ainda mais os telespectadores. No tocante à interpretação da atriz que iniciou sua profissão bastante menina na minissérie de Antonio Calmon, “Sex Appeal”, percebi um tom mais revoltoso logo ao descobrir que fora enganada, e após tantas decepções, traumas, fracassos e violência, Jéssica mostrava estar um tanto quanto cansada na luta por sua liberdade. Morena lhe deu o gás de que precisava para se fortalecer de novo. E, afinal, que frutos Jéssica rendeu para Carolina Dieckmann? Jéssica desde já entrou para a galeria de papéis marcantes da intérprete, como a Camila de “Laços de Família”, de Manoel Carlos. Carolina antes de atuar dedicava-se ao ofício de modelo, e depois da estreia em “Sex Appeal”, emendou nas novelas “Fera Ferida” e “Tropicaliente”, como Açucena. No ano seguinte, fez parte do elenco de “Malhação”. Vieram os folhetins “Vira-Lata” (estreando no horário das 19h) e “Por Amor”. Após o estrondoso sucesso como Camila, em “Laços de Família”, integrou “As Filhas da Mãe” e “Mulheres Apaixonadas”, em que fazia par romântico com Erik Marmo. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”. Ganha papel de destaque em “Senhora do Destino” (na verdade, foram duas personagens). O autor João Emanuel Carneiro lhe concede a chance de viver a sua primeira vilã, Leona, em “Cobras & Lagartos”. Assume um visual surfista em “Três Irmãs”. Na produção de Silvio de Abreu, “Passione”, foi Diana. E, em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, personificou uma jovem tida como “periguete” que demonstra ao público um forte instinto maternal. Sob as lentes de uma câmera de cinema, “Onde Andará Dulce Veiga?” e “Sexo com Amor?”. No teatro, o palco teve a sua presença em peças como “Banana Split”, “Peter Pan”, “Quarta Temporada”, “Confissões de Adolescente”, “A Tempestade” e “Cabaré Filosófico”. Em sua trajetória, foi laureada com prêmios como o “Faz Diferença”, do jornal O GLOBO, por sua atuação em “Cobras & Lagartos”. Terminando este texto com “Salve Jorge”, Jéssica se despediu dos telespectadores. A torcida para que a atriz/personagem continuasse na novela foi em vão, mas o trabalho digno da atriz não foi nada em vão.
Categoria: Cinema
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Foto: Fernando Torquatto para a Revista CrescerUltimamente, tenho assistido ao programa “Estrelas”, apresentado no início das tardes de sábado por Ana Furtado. Ana também é jornalista e atriz. Foi modelo de sucesso. A sua conduta como apresentadora/entrevistadora da atração despertou-me um olhar mais atento. Ana Furtado está sempre elegante, vestida de acordo com a ocasião. Nada de exageros, apenas aliando o bonito ao bom gosto. E os lugares nos quais realiza as entrevistas são os mais variados. Pode ser na Praia do Leme, conversando com Pedro Paulo Rangel e Louise Cardoso, e depois ir com os dois ao restaurante “La Fiorentina”. Pode ser na casa de um entrevistado, como fez no sábado passado ao visitar a ex-jogadora de basquete Hortência, e em outra ocasião o estilista Carlos Tufvesson. Ou presenciando a atriz Débora Nascimento praticando wakeboard na Lagoa. Há um quadro de gastronomia no “Estrelas” que é um dos que mais aprecio, no qual em uma cozinha improvisada um ator ou cantor prepara um prato, como ocorreu com Fabiula Nascimento ao nos ensinar a fazer um noque ao molho de linguiça, e com uma modelo estrangeira que é especialista em saltos em queda livre que cozinhou um spaguetti ao molho pesto. E quem pensa que de vez em quando Ana não põe a mão na massa? Põe! Volta e meia ela ajuda a mexer o que está na panela até atingir o ponto certo. As conversas fluem naturalmente, sem interferências impróprias por parte da apresentadora. Pelo contrário, tece comentários condizentes com a situação, e muitas vezes cheios de humor. Daí, a informalidade. Não se trata de um programa de entrevistas padronizado, que se resuma a perguntas e respostas. Tampouco há um viés de tietagem no contexto da produção, como o seu título poderia indicar. O que ocorre é um prazeroso bate-papo com pessoas famosas que possam ser interessantes aos olhos do público. Outra qualidade de Ana Furtado é saber manter um diálogo com celebridades que exercem as ocupações mais diversas, como decorreu com o jogador de futebol do Botafogo, Seedorf. É articulada, entende-se tudo o que fala, e possui voz suave. Sua estreia na televisão foi como modelo, dançando um ritmo cigano ao lado de outro modelo na abertura de “Explode Coração”, novela de Gloria Perez. Atualmente, também conduz o “Vídeo Show” (já foi repórter do semanal de variedades). Como atriz, esteve em “Caça Talentos”, o “remake” de “Pecado Capital”, “Vila Madalena”, “Páginas da Vida”, “Ciranda de Pedra” e “Caminho das Índias”. Além disso, ainda como atriz fez participações em vários seriados e programas como “Você Decide”. Os seriados foram “Os Normais”, “Minha Nada Mole Vida”, “Guerra e Paz” e “Louco por Elas”. Apresentou as atrações “Ponto a Ponto” e “Bossa Nova – 50 anos”, com algumas incursões no “Big Brother Brasil”. E um dado curioso: esteve presente como ela mesma nos folhetins “Ti-Ti-Ti” e “Cheias de Charme”. Atuou na tela grande em filmes como “A Dona da História” e “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”. Como podemos ver, Ana Furtado é bem versátil. Sua função no “Estrelas” irá até fevereiro, quando Angélica (também uma boa apresentadora) reassumirá seu antigo posto. Mas continuará a bater ponto no “Vídeo Show”. Até lá, curtamos as suas elegância e informalidade nas tardes de sábado, com direito a um quadro que inevitavelmente abre o nosso apetite.
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Antonia, a personagem de Letícia Spiller em “Salve Jorge”, de Gloria Perez, levava uma vida em família normal, convivia até certo ponto bem com o agora ex-marido Celso (Caco Ciocler), contava com o apoio dos sogros Arturo (Stênio Garcia) e Isaurinha (Nívea Maria), e como fruto de seu casamento, Raissa (Kiria Malheiros). A falência financeira do clã, entretanto, o desemprego de Celso e o tédio de não possuir uma ocupação profissional deixavam-na incomodada. Foi o momento apropriado para entrarem em cena Lívia (Claudia Raia) e Wanda (Totia Meireles), propondo-lhe um trabalho supostamente irrecusável. Mal sabia Antonia que era para ser “laranja” de um grande esquema criminoso. O machismo e a perspicácia de seu marido se misturaram , deixando o rapaz cada vez mais ensimesmado com a nova função da mulher. As cobranças a ela começaram. O fato da “empresária” ter assinado um documento para o aluguel de um escritório na Turquia que mal chegou a ver foi a gota d’água para o filho de Arturo se certificar de que a esposa possa ter entrado em uma “furada”. Talvez um dia, Antonia deva até lhe pedir desculpas por não ter lhe dado ouvidos. A situação esquentou. Os encontros casuais de Celso com Wanda são sempre estremecidos, com insinuações constantes do primeiro. E as brigas dele com a mãe de sua filha cada vez mais frequentes e violentas. O casamento estava perto do fim inevitável. E o acirramento da discórdia configurou-se com a aproximação de Carlos (Dalton Vigh), insatisfeito também com o seu matrimônio com Amanda (Lisandra Souto), que confessa à bela loira (Letícia Spiller está a cada novela mais bonita) uma paixão antiga desde os tempos em que ela era modelo. Antonia, carente, frágil, triste, deixa-se afeiçoar pelo falso enteado de Leonor (Nicette Bruno). Brigas físicas e discussões seguidas levam ao andamento de um processo de separação litigiosa, com a luta pela guarda da criança. A mãe perde o direito de cuidar da menina. Morando de favor no apart do ainda casado Carlos, a vida de Antonia está virada pelo avesso. E ainda nem sabe do erro cometido ao aceitar a proposta de Lívia e Wanda. No tocante à sua carreira, Letícia fez primeiramente teatro amador. Passou pela escola de Maria Clara Machado, “O Tablado”. Integrou grupo liderado por Roberto Bomtempo e Roney Vilella. Foi uma das paquitas da apresentadora Xuxa. Antes de ser a Babalu de “Quatro por Quatro”, de Carlos Lombardi, estudou com a companhia teatral O Porão. Babalu tornou-se a personagem que surpreendeu a todos, proporcionado-lhe enorme popularidade junto ao público, e elogios da crítica. Mas a estreia em novelas ocorreu em “Despedida de Solteiro”, na mesma Rede Globo. Em “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa, a atriz teve o privilégio de poder experimentar o apuro estético com que o diretor Luiz Fernando Carvalho dirige as suas produções. Esteve em “Zazá”. E seu papel seguinte, a Maria Regina de “Suave Veneno”, sofreu algumas restrições quanto à sua composição. Porém, Letícia, com o seu talento, soube reverter a situação, encontrando o tom correto da personagem. Protagonizou “Esplendor”. Volta a ser protagonista no mesmo horário das 18h em “Sabor da Paixão”. Após “Kubanacan”, forma par com Eduardo Moscovis em “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva, voltando a trabalhar com o autor em “Duas Caras”. Antes de “Salve Jorge”, atuou em “Viver a Vida”, de Manoel Carlos e em “Malhação”. Em minissérie, esteve no elenco de “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. No cinema, como a paquita Pituxa, participou de “Sonho de Verão”, “Lua de Cristal” e “Gaúcho Negro”. Esteve presente em “Oriundi”, ao lado de Anthony Quinn, “Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão”, “A Paixão de Jacobina”, “Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar”, dentre outros longas e curtas. No teatro, podemos destacar peças importantes, como “Isadora Duncan”, de Aguinaldo Silva; “O Falcão e o Imperador”, de Nikos Kazantzákis; e “Peer Gynt”, de Ibsen. E, por conclusão, voltando a falar sobre Antonia, resta saber até que ponto os apuros que a afligem perdurarão. Se Carlos for somente um arroubo de momento. Se a crise com Celso poderá ser contornada, e a união dos dois se restabelecer. Se a enrascada em que foi ingenuamente posta for esclarecida ao seu favor. Se irá conseguir voltar a morar com a filha. Só deste modo, o título deste texto poderia ser diferente.
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O escritor e poeta, além de teórico do surrealismo André Breton, o pintor Salvador Dalí e o cineasta Luis Buñuel (“O Discreto Charme da Burguesia” e “O Cão Andaluz”; Dalí também se aventurou no cinema) foram os grandes expoentes do movimento artístico citado acima. O surrealismo consistia basicamente na transgressão do real, no desafio de distorcer a realidade como a conhecemos. Quem não se lembra do relógio derretido em uma das mais famosas pinturas de Salvador Dalí? E, é claro, que como todo movimento artístico importante, as influências se dão até os dias atuais. No nosso país, provável que este movimento influiu o autor Dias Gomes. Sendo assim, o pioneirismo ficou ao seu cargo, que em 1976, com poucos recursos de efeitos especiais, realizou na Rede Globo a excelente novela “Saramandaia”, na qual para espanto do público, fatos bizarros ocorriam corriqueiramente na cidade de nome Bole-Bole. Casos como o de Zico Rosado (Castro Gonzaga), que quando menos era esperado, soltava formigas pelas narinas, assoando o nariz de forma a se livrar delas. Às vezes, apareciam no lenço que usava. Já Wilza Carla ficou marcada para sempre como a Dona Redonda, que de tanto comer acabou explodindo, derrubando portas e janelas ao redor, e deixando a população local em pânico. A cena da explosão foi até tosca, que como já disse não existia a viabilidade de se fazer algo mais elaborado. Porém, tornou-se uma das cenas da teledramaturgia mais lembradas até hoje por seu impacto. Vera Holtz será a nova intérprete, e pediu para que usasse enchimentos ao invés dos efeitos de computador que seriam utilizados para deixá-la obesa em excesso. Toda a explosão será entretanto computadorizada. Ary Fontoura era o Professor Aristóbulo, um homem acima de qualquer suspeita que em noites de lua cheia virava lobisomem. Sonia Braga, como Marcina, provocava incêndios onde tocava, assim como feria as pessoas ao fazer o mesmo. E Juca de Oliveira foi João Gibão, que possuía asas nas costas, e num determinado dia voou pela cidade. Atualmente, com a tecnologia avançada nos efeitos especiais que a emissora detém, o folhetim ganhará bastante neste campo em qualidade. O teledramaturgo Ricardo Linhares, responsável pelo “remake” é um expert no assunto. Este gênero passou a ser chamado de realismo fantástico. O escritor colombiano Gabriel García Márquez é um adepto do estilo, também denominado de “mágico”. Ricardo, junto com Aguinaldo Silva, deixaram bons exemplos em algumas novelas do elemento narrativo em pauta. Em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Ruy Rezende, o respeitado Professor Astromar Junqueira tinha como segredo o fato de se transformar em lobisomem quando a lua estava cheia. Em “Fera Ferida”, de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Arlete Salles, como Margarida, inundou o quarto de sua casa ao chorar em demasia. Já em “Pedra sobre Pedra”, também de Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, Osmar Prado, o Sérgio Cabeleira, mantinha forte ligação com a lua, a ponto de em certa noite ela se aproximar de modo impressionante da Terra. Não podemos nos esquecer que em 1973, Dias Gomes em “O Bem Amado” já dava sinais de sua influência ao fazer Milton Gonçalves (Zelão das Asas) voar a partir do alto de uma igreja sobre Sucupira. E, em “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Selton Mello (Emanuel) cria asas e voa livremente. A vilã Altiva, interpretada por Eva Wilma, após sumir misteriosamente na frente dos habitantes de Greenville, surge no céu em forma de estranha fumaça prometendo a sua volta. Retornando a “Saramandaia”, desde já configura-se como uma boa atração para este ano, proporcionando aos que já lhe assistiram a oportunidade de rever uma história cheia de criatividade e aspectos inusitados, e aos que não, deleitarem-se com esta trama tão bem urdida pelo consagrado Dias Gomes.
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Foto: Valério Trabanco/Divulgação da coleção de joias Gio Antonelli para RommanelEm “Salve Jorge”, novela de Gloria Perez, dirigida por Marcos Schechtman, a bonita Giovanna Antonelli interpreta Helô, uma delegada atípica no sentido de ostentar uma indiscutível elegância nas roupas e acessórios que usa, o que só valoriza a sua beleza. Tudo isso associado ao carisma da atriz que impingiu à personalidade da personagem um modo firme e duro ao lidar com as questões delituosas que lhe chegam à mesa de ofício. Afora, Helô também possui seus reveses, apesar de ter uma vida confortável e independente, sofre compulsão em comprar de forma indiscriminada, toda vez que sente algum tipo de frustração ou está muito estressada. Só que ela procura ignorar o problema, para a preocupação de seu ex-marido Stenio (Alexandre Nero) e a divertida empregada doméstica Creusa (Luci Pereira). Há ainda a dificuldade de se encontrar um parceiro no campo afetivo pelo fato da ocupação profissional que exerce, causando-lhe uma enorme carência. Mas todos sabemos que a delegada não suprimiu a paixão pelo ex, e vice-versa. E não podemos nos esquecer que é mãe, e tem que lidar com Drika (Mariana Rios), uma filha alienada casada com Pepeu (Ivan Mendes), um rapaz alienado. No momento, Helô tenta destrinchar casos espinhosos, como o roubo da filha de Delzuite (Solange Badim), que tudo leva a crer que seja Wanda (Totia Meirelles) a autora do crime, e a vítima seja Aisha (a revelação Dani Moreno). A delegada parece estar cada vez mais perto de desvendar o drama que aflige Morena (Nanda Costa) e Jéssica (Carolina Dieckman), e desmantelar toda uma quadrilha. Grupo chefiado por Lívia (Claudia Raia), que já lhe gera suspeitas devido à câmera instalada no escritório de Haroldo (Otaviano Costa). Lívia não está nada satisfeita com a suspeição lançada sobre ela, e já planeja algo escabroso contra Helô. Falemos a partir de agora sobre a prolífica carreira de Giovanna Antonelli. O começo foi peculiar, como assistente de palco da apresentadora Angélica na extinta TV Manchete. Nesta mesma emissora, atuou nas novelas “Tocaia Grande” e “Xica da Silva”, a despeito de ter estreado neste tipo de produção na Rede Globo, em “Tropicaliente”. Seu segundo folhetim na emissora foi “Corpo Dourado”, de Antonio Calmon. Após, participou de “Força de um Desejo” e “Malhação”. O público inicia uma observação com mais acuidade da atriz quando Giovanna personificou Capitu, em “Laços de Família”, de Manoel Carlos, com quem voltaria a trabalhar em “Viver a Vida”. Caiu no gosto definitivo dos telespectadores, e ganhou até prêmio, dentre tantos que viria a receber pelo “O Clone”, como Atriz Revelação. Porém, o grande sucesso e reconhecimento da crítica e daqueles que assistem às novelas veio com a já citada “O Clone”, como Jade, escrita por Gloria Perez, onde pôde mostrar toda as suas sensualidade e talento. Está na reprise de “Da Cor do Pecado”, no “Vale a Pena Ver de Novo”, como Bárbara, sua primeira vilã. Integrou o elenco de “Sete Pecados”, “Três Irmãs” e “Aquele Beijo”. Em minisséries, citemos “A Casa das Sete Mulheres”, na qual foi Anita Garibaldi; e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Foi uma das brasileiras da série homônima. No cinema, há “Avassaladoras” (laureada em Miami), “Maria, Mãe do Filho de Deus”, “A Cartomante”, “Caixa Dois”, “The Heartbreaker”, “Budapeste” e “Chico Xavier”. E, para finalizar, nos palcos “Dois na Gangorra”, e as prestigiosas participações em “O Auto da Paixão de Cristo” e “Paixão de Cristo”. E, voltando a Helô, acho que somente Stenio poderá amenizar o seu estilo “linha dura”, com algumas briguinhas de vez em quando, é claro.
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Na quinta-feira passada, estreou mais uma produção assinada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. Luiz é reconhecidamente talentoso e se destacou na televisão por impingir uma linguagem inovadora e rica nos detalhes, caracterizada por angulações nada convencionais da câmera, fotografia que causava deslumbre, e a exploração de um Brasil regional, muitas vezes idílico, afora adaptações literárias criadas com enorme capricho. Minisséries como “Os Maias”, “Hoje é Dia de Maria”, “Capitu”, e novelas como “Renascer” e “O Rei do Gado” comprovam sua desenvoltura e inventividade. Arriscou-se em transpor para as telas de cinema o livro de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”. Algo impensável. No momento, o diretor mostra com “Suburbia”, o novo seriado da Rede Globo, uma opção drástica de mudar o seu foco de comunicação com o público (há no entanto elementos que remetem à sua estética anterior). Isto se evidencia na história escrita pelo próprio Luiz Fernando e Paulo Lins. Fomos levados para terras miseráveis de algum longínquo torrão brasileiro. Conhecemos uma família que trabalha com carvão sob condições insalubres, e dela faz parte uma menina devota de Nossa Senhora Conceição Aparecida, e que se afeiçoa por um cavalo branco cercado de mistérios. O nome dela é Conceição (Débora Nascimento), e seu maior sonho é ver o Pão de Açúcar, registrado num recorte de uma publicação qualquer, guardado com carinho e zelo. Certo dia, Conceição decide ir atrás do sonho. Só que ao chegar ao Rio de Janeiro, percebe que a doçura no nome da montanha não se estende à realidade que enfrenta. Acaba sendo detida e conduzida a uma instituição de menores por um crime que não cometeu. Lá, sofre agruras que a impelem a fugir. Vai trabalhar como babá de duas crianças na casa de uma estudante que está terminando sua tese. Este fato ocorreu após um incidente. Conceição cresce, e torna-se uma bonita mulher. Uma bonita mulher que adora dançar. Entra em cena Erika Januza. Ganha uma amiga, Vera (Dani Ornellas). Aproveitando uma viagem da patroa, Conceição vai passar um final de semana onde mora a nova amizade. Os vizinhos de Vera são bastante animados, e têm a dança como diversão principal. Conceição encanta a todos com a graça dos movimentos que faz ao dançar. Passa a se chamar Suburbia. Jéssica (Ana Pérola) aparece e deixa claro que está disposta a rivalizar. Suburbia retorna ao trabalho. O namorado da patroa não tinha por que estar no local. Suburbia sofre uma tentativa de abuso. É o começo de uma trama que promete emoção, romance e disputas. Um dos diferenciais deste seriado é a escalação de não atores, como Erika Januza e tantos outros. O que deu um toque de realismo indispensável à proposta do diretor. Há também intérpretes experientes, como Haroldo Costa, Rosa Marya Colin e Fabrício Boliveira. Da direção, só poderíamos esperar excelência. A fotografia dá boa contribuição. O elenco está conectado ao enredo, e merece nosso reconhecimento. Nas vinhetas dos intervalos, uma ótima música: “Pra Swingar”, do grupo Som Nosso. E quando Fabrício Boliveira, como Cleiton, surgir, e conhecer Suburbia ficaremos o esperando lhe dizer que “Dentro dessa situação eu só posso convidar você ‘pra swingar’ comigo”.
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Na sexta-feira passada, o “Programa do Jô” foi todo dedicado à atriz Regina Duarte. Três motivos foram precípuos para que se desse esta celebração: a comemoração pelos 50 anos de carreira da intérprete; a exposição sobre as suas vida e trajetória artística, “Espelho da Arte – A Atriz e Seu Tempo”, em cartaz no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro; e a estreia na direção, além de atuar, do espetáculo “Raimunda, Raimunda”, adaptação de “Ramanda e Rudá” e “Raimunda Pinto”, de Francisco Pereira da Silva. Regina, que trajava um vestido preto com transparências e brocados coloridos sob um mantô “bordeaux”, é lembrada por Jô sobre o quanto ficara encantado com ela nas suas participações nas peças “A Megera Domada”, de William Shakespeare, e “Blackout”, de Frederick Knott, ambas dirigidas por Antunes Filho. Regina rememora que fora dirigida pelo apresentador em “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, no final dos anos 60. O assunto agora é a sua primeira direção com “Raimunda, Raimunda”. Regina disse que foi acumulando o aprendizado que teve ao ser dirigida por nomes como Flávio Rangel, Paulo José, Antunes Filho, Gabriel Villela e o próprio Jô Soares. E se viu obrigada a ela mesma dirigir o texto porque nenhum diretor que solicitava demonstrava a empolgação que tinha em montá-lo. A peça possui 8 atores que se revezam em 24 personagens. Um cenário assinado por José Dias que se transforma em 22 outros. Os figurinos são de Regina Carvalho, com a colaboração de Beth Filipecki e Renaldo Machado. A trilha sonora é de Charles Kahn. A iluminação é de Djalma Amaral e Wilson Reiz. A direção de movimento é de Suely Guerra. A sua assistente de direção, Amanda Mendes, Regina conheceu nas leituras do filme de Rafael Primot, “Gata Velha Ainda Mia”. A atriz interpreta uma escritora que é entrevistada por uma jornalista (Bárbara Paz). Falemos da exposição “Espelho da Arte: A Atriz e Seu Tempo”, com a curadoria de Ivan Rizzo. Fotos da exposição são exibidas. Uma reprodução do figurino de “A Vida é Sonho”, de Calderón de la Barca; a seção “Anos 80”; a mesa de Malu e monitores com cenas do seriado “Malu Mulher”; “Anos 60”, no qual foi reproduzido um cenário todo em papelão por J. C. Serroni; e a seção “Anos 2000”, representados por Clô Hayalla e Chiquinha Gonzaga. Regina Duarte é surpresa em seguida por um link de Londres, no qual o jornalista Renato Machado (que já fora ator, e interpretou o Romeu que fazia par com a Julieta de Regina) pergunta-lhe sobre o que acha da possibilidade de se montar clássicos atualmente. Regina assevera que temos tudo para isso. Há um momento comovente em que a artista lê um trecho de “Romeu e Julieta”, em que o bardo inglês, nas palavras de Julieta, faz uma ode à noite, em detrimento do dia, pois na noite o casal apaixonado poderia se encontrar. Um outro link é colocado no ar. Dessa vez, com o ator e diretor Daniel Filho. Daniel então pergunta como é possível se manter como uma estrela tendo feito tantas personagens diferentes durante largo tempo. A resposta de Regina é a de que deve-se concentrar na personagem que se está fazendo naquele instante, com paixão e entusiasmo. Seu discurso denota enorme lição de humildade. Revela que um dos argumentos de Daniel Filho que a convenceram a fazer a Viúva Porcina foi de que ela era “operística”. Tapes de passagens de Regina na TV são veiculados: na novela “Irmãos Coragem”, de Janete Clair; um “Caso Especial” com Paulo Gracindo; “Selva de Pedra”, de Janete Clair; e “Carinhoso”, de Lauro César Muniz, com Cláudio Marzo. Segundo a intérprete, Cláudio foi o ator com quem mais contracenou. Ao ser indagada como e quando se descobriu atriz, afirmou que seus pais perceberam antes. Participava de todos os festejos da escola. Estudou balé clássico, declamação e violão. Mas o que de fato desencadeou nela o desejo de ser atriz foi a leitura da peça baseada em “O Diário de Anne Frank”. Fez o teste. Seria a irmã de Anne, Margot. A peça não chegou a estrear. Porém, o diretor Ademar Guerra a viu no teste, e avisou a Antunes Filho (Ademar era o seu assistente de direção) que uma moça de Campinas que estava começando a fazer televisão em São Paulo seria adequada para integrar o elenco de “A Megera Domada”, que seria montada por Antunes. Regina passou no teste, e ganhou o papel da irmã da megera, Bianca. Já quanto a uma personagem teatral que gostaria de personificar, cita a Martha de “Quem Tem Medo de Virginia Woof?”, de Edward Albee. Dos filhos, apenas Gabriela Duarte se interessou pela profissão da mãe (tomava o texto de Regina em “Malu Mulher”, e assistiu várias vezes a “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes). Novos tapes são mostrados: um especial chamado “Chanel Nº5”, com Marco Nanini; “Série Aplauso: O Santo Inquérito”; “Malu Mulher”, com Dennis Carvalho; “Sétimo Sentido”, com Francisco Cuoco; “Joana”, “Roque Santeiro”, com Lima Duarte; e “Vale Tudo”, com Daniel Filho. Chegou a fazer cinema, teatro e televisão ao mesmo tempo: o filme “Parada 88 – O Limite de Alerta”, de José de Anchieta, a peça “O Santo Inquérito”, e a novela “Nina”, de Walter George Durst. Falou sobre o sucesso de “Malu Mulher” na Inglaterra e na Suécia, por exemplo. Sofreu represália masculina devido à postura feminista de Malu. E os últimos tapes: “Retrato de Mulher”, com Gabriela Duarte; “Por Amor”, com Marcelo Serrado; e “Chiquinha Gonzaga”, com Fábio Junqueira. Será lançada ainda neste ano uma biografia sobre a atriz. E para fechar com chave de ouro, Regina Duarte lê um trecho de “Cartas a Um Jovem Poeta”, de Rilke. O escritor enaltece a humildade e a paciência na vida de um artista. Sem dúvida, as ideias de Rainer Maria Rilke ficaram mais belas na leitura de Regina Duarte. A nossa Regina da Arte.
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Certa vez, fui assistir a uma peça de um dos mais celebrados dramaturgos contemporâneos, o americano David Mamet. Chamava-se “Perversidade Sexual em Chicago”, e no elenco estavam José Mayer, Eliane Giardini, Paulo Betti e Vera Fajardo. Logo pensei como uma atriz como Eliane poderia ser desconhecida do grande público ao ostentar tamanho talento. Tempos depois, o diretor Luiz Fernando Carvalho, conhecido por apostar em novos rostos na TV, escalou a intérprete para viver a Dona Patroa, na segunda fase de “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa, em 1993, na Rede Globo. Porém, antes disso, Eliane já havia feito trabalhos na televisão. Eliane Giardini prosseguiu sua carreira, tornando-se assim uma das artistas mais respeitadas e requisitadas da atualidade. No momento, podemos nos deleitar com a sua presença cênica em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Muricy, a matriarca do núcleo central do folhetim. Trata-se de uma família abastada devido aos feitos como jogador de futebol de Tufão (Murilo Benício), seu filho. Eliane, como disse no título deste texto, lembra-me uma personagem “felliniana”. Bonita e voluptuosa como algumas atrizes escolhidas por Federico Fellini para protagonizarem seus filmes. Madura e sensual (basta olhar os vestidos justos e decotados que usa), longos cabelos provocativos, olhos verdes faiscantes, e um sorriso que nos cativa. Como as personagens de Fellini, fala alto ou baixo dependendo das circunstâncias. É engraçada ou séria de acordo com a ocasião, também. Nos capítulos passados, Muricy se viu em desconcertante situação e suas consequências envolvendo um espinheiro. Forma um ótimo par com Adauto (Juliano Cazarré), mas diverte da mesma forma quando está com Leleco (Marcos Caruso). É uma mãe agregadora, cuja intuição funcionou com Nina (Débora Falabella), ao achar que a moça tinha intenções diversas, contudo nunca funcionou com a nora Carminha (Adriana Esteves). Quanto à trajetória desta intérprete que nasceu em Sorocaba, SP, formou-se na Escola de Teatro da USP. Depois de algumas participações em “Ninho da Serpente” e “O Campeão”, na Rede Bandeirantes, além de outras produções, estreia na Rede Globo na minissérie de Gloria Perez, “Desejo”, como Lucinda. Seguiram-se as novelas “Felicidade”, de Manoel Carlos, e a já citada “Renascer”. Esteve em muitas histórias no formato de minissérie, como “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, de Leopoldo Serran baseado em folhetim de Nelson Rodrigues; “Hilda Furacão”, de Gloria Perez inspirada em romance de Roberto Drummond; “Os Maias”, de Maria Adelaide Amaral, baseada em livro de Eça de Queiroz; “Um Só Coração”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que interpretou Tarsila do Amaral; “A Casa das Sete Mulheres”, de Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão baseados na obra de Letícia Wierzchowski, e “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, em que personificou Tarsila do Amaral novamente (veio a montar um espetáculo sobre a pintora modernista), e “Capitu”, com roteiro de Euclydes Marinho e texto final de Luiz Fernando Carvalho inspirado no romance de Machado de Assis, “Dom Casmurro”. Esteve em um sem número de novelas, como “Explode Coração”, de Gloria Perez, “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, “Torre de Babel”, de Silvio de Abreu, “Andando nas Nuvens”, de Euclydes Marinho, “O Clone”, de Gloria Perez (ganhou o Prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista dos Críticos de Arte, pela Nazira), “América”, de Gloria Perez (fez enorme sucesso ao ter como par romântico o ator Murilo Rosa), “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, “Caminho das Índias”, de Gloria Perez, “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil, além de várias outras produções de diferentes gêneros. No cinema, podemos destacar “O Amor Está no Ar”, de Amylton de Almeida, com o qual recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral, “Olga”, de Jayme Monjardim, dentre outros. No teatro, citemos “O Processo”, de Kafka, “A Vida é Sonho”, de Calderón de la Barca, “O Amigo da Onça”, de Chico Caruso, “Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Souza, “Com a Pulga Atrás da Orelha”, de George Feydeau, “A Fera na Selva”, de Henry James, “Querida Mamãe”, de Maria Adelaide Amaral, “A Dama do Cerrado”, de Mauro Rasi e “Memória da Água”, de Felipe Hirsch. Recebeu os prêmios Qualidade Brasil por “A Casa das Sete Mulheres” e “América”, incluindo outras láureas. Voltando a Muricy, esperemos que se recupere logo do que os espinhos lhe causaram. Isso que dá trair Dadauto com história de procissão só para mulheres. Dadauto é esperto. Logo, logo descobrirá que no meio dos espinhos pode haver um Leleco.
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Sei que o capítulo de “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro, no qual Olenka (Fabiula Nascimento) pede perdão à amiga Monalisa (Heloísa Périssé) já aconteceu há algum tempo. Mas o tema “arrependimento” nos é muito caro, e não pode simplesmente passar despercebido. É tão difícil ver uma pessoa pedir desculpas à outra, arrepender-se por um erro cometido, que quando vemos isso ocorrer na nossa frente, espantamo-nos. Lógico que nem tudo é passível de arrependimento nem tampouco perdão. Mas no caso de Olenka, a situação é diferente. Mesmo sendo uma mulher bonita, com seus cabelos ondulados, roupas sensuais, com destaque para o macacão jeans bastante justo, parece que os homens do Divino não querem saber de compromisso sério. O negócio deles é “pegar geral”. Quem “pegar” mais fica com moral. Os encontros marcados com Darkson (José Loreto) e Iran (Bruno Gissoni) não se consumaram. Armação de quem? Da solteira Suelen (Isis Valverde). Não, porque ninguém se mete com ela agora pois é uma moça casada. Se bem que Darkson e Iran andam pensando em largar a vida de pegadores. O primeiro sonha com Tessália (Débora Nascimento) e o segundo com Débora (Nathalia Dill). Porém, no capítulo de ontem tiveram uma recaída. Os valores estão para lá de invertidos. E Olenka, como a maioria das mulheres, sente falta de um companheiro com quem possa dividir as coisas que uma harmoniosa parceria traz. Nesta ocasião, entra Silas (Ailton Graça). Depois de ter sido dispensado por Monalisa ao ser descoberto que mentira para ela só para que pudessem se casar, começa a se insinuar para a melhor amiga de anos, praticamente uma irmã de Olenka, a personagem de Heloísa Périssé. As duas juntas se uniram para construir a rede de salões “Monalisa Coiffeur” desde o início. Com o apoio de Tufão (Murilo Benício), é claro. O que não deveria, ou não podia acontecer, aconteceu. Olenka se deixou seduzir por Silas. E como fofoca corre solta, a mãe de Iran fica sabendo da traição. E uma bonita amizade acaba. Olenka vai para o olho da rua, óbvio. Enquanto Silas joga sinuca em seu bar, Olenka cozinha, passa, lava, faxina… E o que é pior, percebe que está sendo usada como objeto de vingança para provocar a sua ex-melhor amiga. Olenka chega à conclusão de que Silas gosta mesmo é de Monalisa. Resoluta, a cabeleireira decide procurar a companheira de tantos anos, e usando um dos mais nobres sentimentos, a humildade, pede perdão a Monalisa. Esta entende as suas razões, e ambas fazem as pazes. Tudo volta a ser como antes. Quer dizer, não tão como antes, pois as duas vão se mudar para Ipanema. Falemos um pouco da atriz curitibana Fabiula Nascimento. É bom ver esta artista no horário nobre, interpretando uma mulher alto-astral, com um jeito de falar todo descolado. E que reitero, pôs o bom senso em primeiro lugar. Fabiula despertou a atenção da crítica e do público quando filmou ao lado de João Miguel o longa “Estômago” (Prêmio Contigo! – Melhor Atriz Coadjuvante – Prêmio do Júri), de Marcos Jorge. Em seu currículo cinematográfico, ainda constam “Reflexões de Um Liquidificador”, de André Klotzel, “Não Se Pode Viver Sem Amor”, de Jorge Durán, “Bruna Surfistinha”, de Marcus Baldini, “Corpos Celestes”, de Marcos Jorge, “Amor?”, de João Jardim e “Cilada.com”, de José Alvarenga Jr. Na televisão, fez uma série de participações em programas variados, como “Casos e Acasos”, a minissérie “Maysa – Quando Fala O Coração”, “Por Toda a Minha Vida”, dentre outros. O de maior destaque para a atriz foi “Força-Tarefa”. Voltando a Olenka. Vamos esperar como se sairá na Zona Sul. Não me surpreenderia se Olenka arrumasse um figurão da Vieira Souto. Afinal, Olenka agora é Olenka Estilo Zona Sul.
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Há personagens que demandam demais dos atores no que tange às suas potencialidades dramáticas. Outros personagens são, por assim dizer, monocromáticos. O que não é o caso de Nina, papel que cabe a Débora Falabella em “Avenida Brasil”, novela das 21h de João Emanuel Carneiro. Na segunda fase do folhetim, e por conseguinte, nas cenas posteriores, Débora teve que alternar repetidas vezes reações diversas que denotassem doçura, determinação, fragilidade, força, insegurança, dissimulação, e tantos outros substantivos que indiquem estados emocionais do ser humano. Além disso, a atriz mineira teve que lançar mão de dois sentimentos opostos simultaneamente: amor e ódio. Nina dedicou o primeiro aos que lhe foram bons, como Lucinda (Vera Holtz), quem a criara por certo tempo; Jorginho (Cauã Reymond), a quem ama desde a infância; Betânia (Bianca Comparato), a amiga de todas as horas; e Begônia (Carol Abras), a irmã adotiva. E o segundo aos que lhe foram cruéis, como Carminha (Adriana Esteves), Max (Marcello Novaes) e Nilo (José de Abreu). Com a virada da novela, ou seja, com Nina afinal pondo o seu plano de vingança em prática, a intérprete Débora Falabella utilizou-se de recursos que fossem representativos da frieza, da arrogância e da insensibilidade. Se o telespectador se esquecer por alguns instantes das maldades de Carmen Lucia, poderá apiedar-se dela. Para cada pessoa que assiste à trama consiste o direito de achar se a amante de Max é ou não merecedora do que está passando. No entanto, algo me despertou a atenção: Nina não possui todo o seu plano armado, já que ainda não sabe o que fazer quando Tufão (Murilo Benício) e família chegarem de Cabo Frio. E não podemos nos esquecer de que se o jogo se inverter, Carminha ficará pior do que já era. Já no que concerne à carreira de Débora, começou cedo com peças teatrais como “Flicts”, de Ziraldo. Sua estreia na TV deu-se em “Malhação”, ficando por período curto. O trabalho que lhe deu a primeira projeção foi a produção infantil gravada na Argentina, “Chiquititas”, exibida pelo SBT. Retorna à Globo para viver Cuca, de “Um Anjo Caiu do Céu”. Depois de ter sido laureada em importantes festivais de cinema pelo curta “Françoise”, recebeu a incumbência de personificar em “O Clone”, de Gloria Perez, a dificílima personagem Mel, uma dependente química com problemas de reabilitação. O primeiro papel histórico foi Sarah Kubitschek, na minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral, “JK”. Na área dos remakes, protagonizou “Sinhá Moça”. Em seguida a “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva, foi uma vilã em “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Estrelou ao lado de Selton Mello, Luana Piovani e Álamo Facó, o seriado adaptado do filme homônimo “A Mulher Invisível”. Participou do especial de fim de ano “Homens de Bem”, com Rodrigo Santoro. Como atriz de televisão, também integrou o elenco de outras produções, como séries, programa humorístico, e obras como “Agora É que São Elas”, “Senhora do Destino”, e as minisséries “Um Só Coração” e “Som & Fúria”. No cinema, merecem destaque “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de José Jofilly, “Lisbela e o Prisioneiro”, de Guel Arraes, “A Dona da História” e “Primo Basílio”, ambos de Daniel Filho, e “Meu País”, de André Ristum, dentre outros longas e curtas-metragens. No teatro, encenou “A Serpente”, de Nelson Rodrigues, e “Noites Brancas”, de Dostoiévski, por exemplo. O que nos resta agora é saber até quando Nina achará ótimo ser uma anti-heroína. Sendo ou deixando de ser, Débora Falabella continuará sendo ótima.






