Fernanda Paes Leme se unirá a um “time de craques” na próxima novela de Gilberto Braga: Glória Pires, Rosi Campos, Eriberto Leão, Gabriel Braga Nunes e Norma Blum (escalação tão surpreendente quanto boa). Responsabilidade para a bonita e jovem Fernanda. Mas Paes Leme dará “conta do recado”. Na verdade, só passei mesmo a acompanhá-la a partir de “América”, apesar de já ter atuado em “Agora é que São Elas”, “Da Cor do Pecado”, e na minissérie “Um Só Coração”. Os públicos “teen” e infantil, respectivamente, já a haviam visto em “Sandy & Junior”, e “Sítio do Picapau Amarelo”. Há alguns meses, conferi Fernanda ao lado de Marcelo Faria e Jonas Torres, na peça clássica de Jorge Amado, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Fernanda, claro, era Dona Flor. Impressionou-me seus profissionalismo e força de vontade, pois no dia em que lhe assisti, estava a se recuperar de um resfriado. Porém, dignamente fora ao fim, seguindo a máxima: “Show Must Go On”. E na obra de Gilberto, a bola lhe fora posta na marca do pênalti. É só chutar.
Categoria: TV
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Desde que apareceu no primeiro capítulo de “Avenida Brasil”, novela das 21h da Rede Globo, escrita por João Emanuel Carneiro, uma menina de 7 anos, com longos cabelos e porte frágil, porém com pujante desembaraço chamou-nos a atenção. Seu nome é Mel Maia. Um talento precoce que não se deixou intimidar em dividir fortes e dramáticas cenas com Tony Ramos, Adriana Esteves, Marcello Novaes e José de Abreu. A ótima direção exigiu de Mel toda a carga emocional que de forma nata possui, inclusive em momentos de ação, como aquele no qual teve que fugir de Carminha (Adriana Esteves), mas acabou por esta sendo pega. Como se não bastasse, a pequena atriz teve o desafio de gravar em local inóspito e difícil para qualquer ator, como um aterro sanitário, popularmente conhecido como “lixão”. Teve ainda que demonstrar veracidade nos instantes em que recolhia o lixo. Mostrar decepção ao ser traída pela “amiga”, a qual ajudara, em troca de um par de sandálias. Mas aí veio a parte poética para a intérprete, quando lhe surgiu no caminho Batata, personificado pelo cativante Bernardo Simões. Os diálogos de ambos foram encantadores e puros. As juras de amor… Tudo realizado com bastante cuidado e delicadeza como convém. As cenas do fictício casamento de Rita e Batata foram belíssimas. Havia um certo clima barroco, onírico, um tom de fábula, um verdadeiro conto de fadas. Todavia, não quis o destino que Rita continuasse no “lixão”, e Lucinda (Vera Holtz), preocupada com a obsessão da filha de Genésio (Tony Ramos) em levar a cabo a sua vingança contra Carmen Lucia, decidiu por bem que fosse para a Argentina, a fim de que Martín (Jean Pierre Noher) a criasse. Rita e Batata têm que se separar. Mel Maia mais uma vez imersa em cena de emoção ao ter que se despedir da “família” que a acolhera. Já em terras portenhas, Rita pisa feliz sobre as uvas. E das mesmas uvas, aparece Rita/Nina já adulta (Débora Falabella). A bonita moça, bem de vida, chef de cozinha, não mudou o que acalenta desde criança: vingar-se de Carminha. Quanto à carreira de Mel Maia, já com 4 ou 5 anos, com a ajuda do produtor Marcelo Pires, aceitando um pedido da própria que queria ser atriz, resolveu lhe dar uma bolsa de estudos de interpretação, e em pouco tempo estava fazendo uma peça. Trabalhou em “O Relógio da Aventura”, especial da Rede Globo em 2010. Por pouco não entra em “Avenida Brasil” por causa de sua idade incompatível com o papel, que exigia entre 10 e 12 anos. Entretanto, João Emanuel Carneiro ao ver o seu vídeo, quis que a escolhida fosse ela. Sorte de princesa, ou melhor, sorte de princesinha.
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Foto: Divulgação/TV GloboA menina Rita (Mel Maia) brinca como qualquer criança da sua idade. A sua voz incomoda a madrasta Carminha (Adriana Esteves). Já nos ficou claro que a mulher de Genésio (Tony Ramos) odeia a filha dele. As duas brigam. A boneca de Rita é destruída. Algo parecido com um mingau é jogado no rosto de Carminha. O pai chega, e ficamos sabendo o quanto a personagem de Adriana Esteves da nova novela das 21h da Rede Globo, “Avenida Brasil”, escrita por João Emanuel Carneiro, é dissimulada. O casal então conversa sobre a venda do imóvel em que vivem (que fora herdado por Rita de sua mãe), e a compra de um apartamento na Taquara. Na verdade, tudo não passa de um plano ardiloso arquitetado por Carminha e seu amante Max (Marcello Novaes). Genésio é convencido pela mulher a pegar na agência bancária o dinheiro objeto da transação em espécie, e levá-lo para casa. Um comparsa da dupla o roubaria na saída do banco. Só que tudo isto fora a tempo descoberto por Rita, após ter desistido de ir à escola, e ouvido um papo de Carmen com o amante no telefone. A garota corre até a obra na qual o pai trabalha para lhe avisar da armadilha. Alcança-o, e diz o que sabe. Ele parece não se convencer. Enquanto isso, outros personagens nos são apresentados. Como o jogador de futebol Tufão (Murilo Benício), filho de Leleco (Marcos Caruso) e Muricy (Eliane Giardini). Irmão de Ivana (Letícia Isnard), e namorado de Monalisa (Heloísa Périssé), a quem pede a mão em casamento. Monalisa é cabeleireira, e tem como amiga Olenka (Fabíula Nascimento). Tufão irá participar da final do Campeonato Carioca. Na hora do jogo, quem lhe assiste e torce é Cadinho (Alexandre Borges), amigo de infância do atleta e praticante da bigamia. Suas “esposas” são Verônica (Débora Bloch) e Noêmia (Camila Morgado). Ainda haverá uma terceira, Alexia (Carolina Ferraz), que será a amante. Caberá a Alexandre Borges uma parcela da comicidade reservada ao folhetim. Voltando a Genésio, este resolvera acreditar na filha. No lugar do dinheiro, papel picado. Está decidido a expulsar Carminha de casa. Quando lá chega, ela faz o “teatro” de praxe. Max liga para ela, e marca encontro numa laje. É seguida por Genésio, que antes instrui Rita a fechar as portas, além de lhe informar sobre o local onde o dinheiro está escondido. Ao chegar à laje, escuta toda a verdade revelada em briga dos amantes. Depois de Max ir embora, o pai da menina enfrenta a traidora, que lhe diz palavras duras. Tropeça, e cai, deixando-o atordoado. Carminha e Max vão à cata do dinheiro, porquanto aquela julga que o mesmo esteja na casa em que mora. Neste instante, Tufão está dirigindo, feliz com a vitória do seu time. Genésio, cambaleante, debaixo de chuva, anda pelo meio da rua. O carro do jogador o atinge. Ele não resiste. Suas últimas palavras são o nome completo da mulher. E foi assim, com muita ação, uma vilã bem construída, e boas fotografia, direção e texto que “Avenida Brasil” começou. Se quiser saber o que vai acontecer, “atravesse a passarela”.
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Foto: Divulgação do espetáculoNoite chuvosa. Noite para ver “Mais Uma Vez Amor”. Cheguei ao teatro. Havia um rapaz refestelado em meu assento. Firme, mas não deselegante, avisei-lhe de que aquele me pertencia. Começa a peça. Erom Cordeiro e Deborah Secco surgem pela plateia. Nunca havia assistido a ambos no teatro. Erom, encontrara uma vez, em uma festa no Rio de Janeiro. O ator estava sob a forte repercussão de seu papel em “América”. Cumprimentei-o cordialmente. O espetáculo já fora encenado em tempos idos por Marcos Palmeira e Luana Piovani. Após fazerem “tournée” pelo Brasil, Cordeiro e Secco apresentam-se em curta temporada em terras fluminenses. O que depreendi depois de ter visto a encenação? Dois intérpretes com forte sintonia em cena. Algo importante se levarmos em conta a proposta do texto de Rosane Svartman, Lulu Silva Telles e Ricardo Perroni. Em resumo, é uma trama sobre um casal que atravessa etapas, representadas por momentos simbólicos históricos, e que tem que lidar com inevitáveis mudanças externas e pessoais. Há instantes de drama e comicidade. De forma contextualizada, o sensual se faz existir. E esta sensualidade é cumprida pela beleza física da dupla. A direção do prolífico e competente Ernesto Piccolo é acertada. Ernesto possui compreensão cênica. A trilha sonora, selecionada com esmero, reporta-nos a épocas de outrora. Ficamos tomados por nostalgia. A cenografia é funcional, com biombos transparentes para a troca de figurinos. Destacam-se projeções de bom gosto. O saldo é favorável ao público, que parece se sentir feliz com o que testemunhara. Se houver uma palavra para definir “Mais Uma Vez Amor” é “leveza”. E ao fim, saímos leves. Aguardemos Erom Cordeiro em relevantes filmes, como o “O Palhaço” e “Paraísos Artificiais”. E Deborah, na novela “Insensato Coração”, e no longa “O Doce Veneno do Escorpião”.
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Foto: globo.com
Se fizermos um cotejo dos personagens de “Passione” chegamos indubitavelmente a uma conclusão: Sinval, interpretado pelo paulista Kayky Brito, é um dos que mais se aproximam do que poderíamos chamar de ser humano ajuizado, em que se pesando os “prós” e os “contras”, temos um rapaz sensível que se norteia pela justiça e pelo amor aos seus familiares. Sempre nos chamaram a atenção a admiração, respeito e preocupação com Danilo, seu irmão primogênito. Com relação à mãe, o jovem teve que tomar posições firmes, chegando a colocá-la em situação de escolher entre os filhos e o amado. Mostrou-se amigo de Lorena nos momentos conflituosos da linda moça. É dedicado ao esporte que pratica. Devotou sentimentos sinceros a Fátima, sendo-lhe compreensivo. Enfim, Sinval representa alguém por quem torcemos e que serve de espelho ideal no que diz respeito aos bons atos. Silvio de Abreu deu um presente a Kayky, que iniciara sua carreira muito cedo em “Chiquititas Brasil” e se destacara em “Chocolate com Pimenta”.
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Foto: Vicente de Paulo/Revista MymagEm tempos de “As Cariocas”, poderíamos então chamar Thiago Fragoso de “O Cantor da Tijuca”. Sim, porque nascera em terra visceralmente carioca, e desde cedo começara a cantar. E este “começara a cantar” o fez interpretar Pery Ribeiro na pérola teledramatúrgica “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”. Fragoso é jovem, bem jovem. Mas e daí? Já tem carreira larga em todas as plagas artísticas. E mesmo sendo moço, tão moço, vai ser papai. Que “lullabies” irá escolher para acalentar seu filho? É segredo. Só de Thiago e do filho. Por agora, é Vítor. Vilão de “Araguaia”. Tenho dúvida. Como pode artista com cabelos de querubim ser vilão? Pode. Pode porque Thiago é talentoso. Dizem que não se fazem atores. Estes já vêm ao mundo assim. Porém, o que custa uma lapidação? O rapaz viveu fora por um tempo. Bom que por apenas um tempo. Após, lapidou-se em mãos generosas. Mãos de Amir Haddad, Luís Mello, e Juliana Carneiro da Cunha, que trabalhara com o ícone Ariane Mnouchkine.
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Mayana Moura é o tipo de pessoa que tem a prerrogativa de “brincar” consigo mesma. Isto é para poucos. Usa e abusa de roupas que fogem ao senso comum. Muda a cor dos cabelos sem medo da nova identidade que passará a obter. Não se preocupa com o que os outros vão pensar. A isto damos o nome de “personalidade”. Às vezes, em “Passione”, Melina, sua personagem, aparece-nos com um figurino que contrariaria os mais conservadores, os adeptos do “clássico”. Em Mayana há postura cosmopolita. Seria fácil encontrá-la em uma rua de Nova York, Londres ou Tóquio. Ou mesmo na noite de São Paulo. Sim, porque Mayana Moura possui a “cara” da efervescente noite paulistana. Em uma situação, vislumbramos um casaco com uma série de “fechos éclair” dourados, um legging, e botas de cano longo também douradas, uma microssaia, e para rematar um chapéu (!). Ousado? Para Moura, não. Com as madeixas loiras, exibiu-nos faceta diversa de beleza que desconhecia. Após ver tudo isto, só posso concluir dizendo: Mayana Moura, rapte-me camaleoa.
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A TV aberta, especificamente a Rede Globo, ao apresentar “casos especiais”, “terças nobres”, minisséries, novelas também, e afins adaptados de romances consagrados da literatura nacional preenchia indiscutível lacuna no que diz respeito infelizmente ao pouco conhecimento que parte da população possui acerca de seus excelsos escritores. Afinal, Bernardo Guimarães chegaria a milhões de telespectadores se Gilberto Braga não o tivesse “transformado” em teledramaturgia como o fez em “Escrava Isaura”? E Jorge Amado, um homem das letras brasileiríssimo, que fora vertido com primor para as telas em obras como “Gabriela”, “Tieta”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Tereza Batista”? Rubem Fonseca em “Agosto”? Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn ao criarem “Fera Ferida” inspiraram-se em personagens e tramas de Lima Barreto. Todas essas produções tiveram êxito. O que há então? Deseja-se algo mais palatável? Talvez. Porém, ainda se veem bons e bem escritos programas teledramatúrgicos. Ganhamos nós.
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É mesmo Marisa? Claro, Paulo, é Marisa. Esqueceu-se de que é atriz? São os “ossos do ofício”. Ou ofícios da arte, como bem quiserem. Confesso que estranho é, pois é uma de nossas rainhas, não da “sucata”, mas da exuberância. Ao isto fazer, junta-se a John Travolta, Eddie Murphy e Gwyneth Paltrow. Não é “vexame” algum, afinal, ser gorda não é vexame. A atriz cantora há tempos em palco da “terra da garoa”, ou “terra da não mais garoa”, estando em casa, quer dizer, no palco, fora achada por um certo Silvio de Abreu. Silvio que abriu suas portas. Não “as portas da percepção” de Aldous Huxley, mas as portas do sucesso. Divertida foi como a moça do museu apaixonada por personagem de Fagundes. Fez-nos rir, sem nos cobrar nada. Generosa. Tive prazer de vê-la em peça de Albee, “Três Mulheres Altas”. Por coincidência, eram todas “altas” em talento: Orth, Segall e Timberg. Atuara em “Fica Comigo Esta Noite”. Retrucamos: não deixe de ficar com a gente. Quando há trabalho seu, há a emergência de sua interpretação admirar.
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Sim, Odete Roitman é uma das melhores personagens já construídas até hoje na teledramaturgia nacional. Falava o que pensava, doesse a quem doesse. Talvez por suas opiniões tão cruentas e magnífica interpretação de Beatriz Segall jamais nos esquecemos desta mulher muito especial da ficção. Houve cenas dela impactantes, como a primeira, na qual se via somente seus lábios tecendo proposições capazes de ferir a autoestima de qualquer cidadão brasileiro. Isto deveria ser mudado? Não, pois reacendia discussões sobre o país que habitamos. Houve momento em particular, que poderia até ser clichê, mas que sempre nos marca, e nos causa tensão: Fernanda (Flávia Monteiro), namorada de Thiago (Fábio Villaverde) é convidada para jantar na casa de Roitman. A moça simples não consegue se portar à mesa “comme il fault”. O incômodo em nós é inevitável. A matriarca se apraz. Triste? Sim. Porém, quantos já por isso não devem ter passado? Com “Vale Tudo”, o Brasil mostrou a sua cara, e soubemos “quem paga pra gente ficar assim”.






