
Projeção de imagem no painel da fachada de entrada do Fashion Rio Primavera Verão 2011/2012, no Píer Mauá.
Foto: Paulo Ruch

Projeção de imagem no painel da fachada de entrada do Fashion Rio Primavera Verão 2011/2012, no Píer Mauá.
Foto: Paulo Ruch

Foto: Sergio Santoian/Revista Mensch
Há injustiça no mundo. A fidelidade está fora de moda. As famílias se desajustam, e o corrompido, corrompido está. À noite, em nobre hora, surgiu não ator qualquer na máquina de luz e som. Surgiu moço de nome Eriberto. Eriberto que a Pedro deu vida. Pedro que tocou a justiça. Pedro, leal ao amor prometido. Pedro que de muitos é amigo. Pedro que jamais será corrompido. Este foi o papel de Eriberto Leão na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Já em tempos idos, na casa que brota cultura, vi o artista em peça de Alcides Nogueira, dirigida por Gabriel Villela. Dia mágico, peça mágica. Um encontro com Elvis. Um encontro com Morrison. Ano passa, e reencontro em “O Amor Está No Ar”, do mesmo Alcides dos ventos. Depois, olhos azuis em “Serras Azuis”. Serras de Ana Maria Moretzsohn. Como intérprete apaixonado sempre deixa suas marcas. As marcas da paixão de Solange Castro Neves. Vimos e cremos o talento de Eriberto como o Tomé de “Cabocla”. A cabocla de Benedito Ruy Barbosa reinventada pelas filhas, Edmara e Edilene. Será que em toda a sua vida imaginou que faria César Camargo Mariano em homenagem a Elis? Em “Sinhá Moça”, Dimas ou Rafael? Os Ruy Barbosa sabem. Pelo verde, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Mostra o rosto em “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. Dentre casos e acasos, encontra as três irmãs. Irmãs criadas por Antonio Calmon. O tempo não ficou louco: Eriberto Leão é escalado para estrelar “Paraíso”. Sintonia com Benedito e suas meninas. A estrela ou astro, como bem queiram, firma-se. Luz que não se apaga. Luz perene que clareou as cariocas. E na ribalta? Além do sopro da ventania de Gabriel, “A Alma de Todos os Tempos”, de Gabriel, como Jesus. O Grande Mestre que por ele voltaria a ser personificado sob aberto céu, junto a multidão em procissão, na “Paixão de Cristo”. Um Cristo protetor que ainda o acompanharia em obra de Saramago adaptada para os palcos, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Falou baixo ou alto em “Fala Baixo Senão Eu Grito” com Ana Beatriz Nogueira, de Leilah Assumpção, dentre outros espetáculos. Nas telas da sala escura é sempre bem-vindo. Como assim o fora em “O Invasor”, de Paulo Fontenelle. E o diretor Caio Vecchio não quis ator qualquer para “Um Homem Qualquer”, que lhe valeu prêmio. Prêmio que ladeia outro, vindo da TV. Agora é chegado o momento de terminarmos. Como isto farei? Parte mais difícil. Vem-me ideia. Já sei. Acrescento uma palavra mais. Eriberto Leão, o nosso querido protagonista de “Insensato Coração”.
É ou não ousado fazer par romântico com uma das mais populares e prestigiadas atrizes brasileiras em um de seus papéis de destaque na televisão ainda na fase da adolescência? Caio Blat (que estará na próxima novela das 18h da Rede Globo, “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes) interpretara João Batista, jovem amor da célebre compositora Chiquinha Gonzaga, vivida por Regina Duarte, na minissérie homônima de Lauro César Muniz apresentada pela Rede Globo. Porém, Caio, que chegara a estudar Direito por certo tempo, iniciou sua carreira bem criança, emprestando a imagem a inúmeros comerciais. No setor teledramatúrgico, a estreia de fato se deu em um seriado da TV Cultura, chamado “O Mundo da Lua”. No SBT, participa de importantes remakes, como “Éramos Seis” e “As Pupilas do Senhor Reitor”. Além disso, estivera em “Fascinação”. Retorna à Rede Globo (atuara anteriormente em episódios de “Retratos de Mulher” e “Você Decide”), e após o sucesso como o João Batista, conhece o horário das 19h com “Andando nas Nuvens”. Depara-se com dois desafios para qualquer intérprete: um vilão (o Bruno de “Esplendor”), e o primeiro protagonista (o Anjo Gabriel de “Um Anjo Caiu do Céu”), que dividia com Tarcísio Meira ótimas cenas. Depois de “Coração de Estudante”, agrada ao público como Abelardo, filho sensível de Mamuska (Rosi Campos) que se dedica à maquiagem, e que se vê obrigado a conviver com os modos um tanto quanto toscos de seus irmãos, na novela de João Emanuel Carneiro, “Da Cor do Pecado”. Integra mais dois remakes: “Sinhá Moça” e “Ciranda de Pedra”. Não sem antes colaborar para a obra de Gloria Perez, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Ganha o papel de Ravi, um indiano que enfrenta as rigorosas tradições culturais da família ao se apaixonar e se casar com uma brasileira (Isis Valverde), na premiada “Caminho das Índias”. No teatro, Caio Blat vivenciou algo não usual. Mudou-se para uma comunidade típica do Rio de Janeiro (e lá morou por algum período) com o intuito de selecionar o elenco para o espetáculo que iria dirigir (“Êxtase”, de Walcyr Carrasco). É ou não ousado? Outras tantas encenações como ator estão em seu currículo, inclusive “Os Dois Cavalheiros de Verona”, de William Shakespeare, e “Liberdade para as Borboletas”, de Leonard Gersche. Partamos assim para a seara na qual Caio prosseguiu com a sua propalada ousadia como artista: o cinema. Sentiu na pele o virtuosismo de Luiz Fernando Carvalho na condução de uma história. Não uma história qualquer, mas sim, “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar. Um romance que muitos disseram não ser passível de adaptação cinematográfica. Caio Blat e colegas de cena ficaram isolados em uma propriedade rural a fim de assimilarem melhor seus personagens. Causou polêmica no longa-metragem realizado de forma experimental, “Cama de Gato”. Dissera o texto forte e impactante de “Carandiru”, sob a batuta do aclamado Hector Babenco. A trajetória nas telas é cada vez mais enriquecida ao ser convidado para trabalhar em produções comandadas por nomes consagrados, como Sérgio Bianchi, Cláudio Assis, Cao Hamburger, Jorge Durán, Helvécio Ratton, Glauber Filho e Joe Pimentel, Paulo Halm, Jeferson De, Laís Bodanski e Guel Arraes. Está em cartaz com dois longas-metragens: “Xingu – O Filme”, de Cao Hamburger, no qual dá vida a um dos irmãos sertanistas Villas-Bôas, e “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat. No folhetim das 19h, “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco, Caio Blat, o ator ousado, exibiu seu talento como Leandro, um jardineiro fiel aos seus sentimentos por uma moça bonita que precisa aprender a tê-los. Um jardineiro fiel que enxerga pureza, e nos fez enxergar igualmente, ao oferecer rosas à mulher amada.
A Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa cabem esta missão descrita no título acima. Ambas se desdobram em vários papéis, cada um mais tresloucado que o outro (sim, a proposta é esta). E para dar vida a todos eles, tanto Luciana quanto Renata usam e abusam de seus recursos cômicos indiscutíveis, apoiando-se em gestuais, esgares, e modulações de voz diversas. Logra-se êxito, comprovado pela efusiva resposta da plateia. As atrizes se firmam como legítimas integrantes da nova geração que se dedica ao humor no Brasil. O diretor Victor Garcia Peralta, ciente das ferramentas que à sua disposição estavam, compôs de modo admirável um espetáculo leve, divertido e ágil. Victor, que tem em mãos bastantes elementos para organizar, como esquetes e respectivos personagens, atinge a qualidade ao montar um arranjo condizente com as intenções do texto. Há claros dinamismo, “timing”, e uso coerente do espaço cênico. Com isso, o público em nenhum momento se entedia. Mérito que se perfaz. A encenação fora escrita por dramaturgos que ultimamente conquistaram justo lugar no nicho da visão própria de quem se pretende a provocar o riso. Bruno Mazzeo, Luciana Fregolente, Fábio Porchat, Elisa Palatnik, Maurício Rizzo e Rosana Ferrão desenharam um painel de situações que tangem o absurdo já citado. Um exagero permitido para que se pudesse alcançar a graça, baseado em experiências cotidianas do ser humano. Há variedade das mesmas. O stress ao qual ninguém está livre; a violência urbana associada aos serviços de “delivery”; a insistência descabida aliada à inconveniência das operadoras de telemarketing, que levam o potencial cliente/vítima à impaciência próxima ao surto (entende-se por irritação); a esperta adaptação das instruções de aeromoça como se em ônibus estivesse, tendo por inspiração a realidade em que vivemos; a abordagem quase “sacrílega” da finitude do homem; o quanto linhas cruzadas telefônicas podem acometer as pessoas de aborrecimento e perturbação psicológica; o bizarro encontro entre profetisa e consulente; as frustrações, recalques, e ressentimentos revelados por antigos ícones, como a Mulher Maravilha e a boneca Susie; e a Mãe Natureza rebelada face ao desrespeito dos que na Terra habitam. Tudo regado a pinceladas cáusticas, porém nunca fora de contexto. O cenário de Adriana Milhomem é de uma elegância frugal, dando oportunidade para que o palco em si fique disponível para as performances das intérpretes. Há dois cubos que servem de assentos deveras aproveitados por Luciana e Renata. Ao fundo, belos cubos dependurados por meio de fios que ora se acendem, ora se apagam. Uma visão deslumbrante. Sem contar que no início da peça, há um telão com clipe animado e música dançante composta por Leoni e Luciana Fregolente. Assim, o começo se dá em clima de alto astral. A parte musical criativa pertence a Leoni e Pedro Mamede. No tocante aos figurinos à cargo de Domingos Alcântara e Luciana Cardoso, uma contribuição primorosa. As atrizes estão bonitas, trajando calças pantalonas de cintura alta em tons acizentados, “bustiers” aveludados e/ou acamurçados negros sobre segunda pele “nude” de mangas longas. O visagismo procura a discrição. Funciona. As artistas estão com cabelos presos por coques, e maquiagem suave, realçando-se os olhos com lápis preto. A iluminação de Djalma Amaral impõe agradável sensação ao público, utilizando-se de focos, luzes gerais, além de oscilar conforme se exige. A principal atração neste segmento técnico são o acender e o apagar dos cubos já mencionados sitos no “background” da ribalta. A preparação corporal de Mariana Donner explora com eficiência as possibilidades indicadas nas histórias exibidas. Concluímos que “Alucinadas” é um entretenimento inteligente, e pensado com adequação ao risível. Ademais, “Alucinadas” corrobora os talento e intimidade com o tablado de Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa.
Doralice, moça bonita, instruída. Tornou-se senhora das leis na Capital. Teve por decisão ir para o interior. Brogodó. Ao lá chegar, rapaz de nome Jesuíno (Cauã Reymond) deixou seu coração em sobressalto. O que a motivou a lutar por quem lhe causara ebulição de sentimentos. Já a esposa do moço de barba crescida, Açucena (Bianca Bin), foi ferida por dilacerante ciúme. Açucena não possui “os olhos verdes do ciúme”. Açucena possui “os olhos azuis do ciúme”. Assim, no meio da história em que a personagem de Nathalia Dill se viu envolvida é que percebemos a determinação que definiu de forma precisa o seu caráter. Determinação que não a demoveu de salvar Antônia (Luiza Valdetaro) dos maus-tratos do irmão Timóteo (Bruno Gagliasso). Determinação que a impeliu a se transformar no justiceiro Fubá, a fim de melhor se aproximar de Jesuíno. Já no que diz respeito à carreira desta atriz natural do Rio de Janeiro, podemos dizer sim que fora determinada em muitas situações. Afinal de contas, logo de imediato, após participação em episódio da série “Mandrake”, da HBO, interpretou por considerável tempo Débora Rios, papel de contornos acentuados de vilania em “Malhação”. O que vem a seguir? A incumbência de reviver Santinha, celebrizada por Cristina Mullins na primeira versão de “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. Nathalia surpreende a todos. Convence público e crítica. E todo este sucesso a levou a ser protagonista novamente. No caso em questão, mais um êxito: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Não sem antes ter emprestado o lindo rosto para o especial “Dó-Ré-Mi-Fábrica”. Todas produções da Rede Globo, como sabem. Ganhara merecidos prêmios pelas atuações. No cinema, esteve em “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, que trata dos relacionamentos dos jovens da “era MSN”. Fizera também a densa incursão de Selton Mello na direção, no melancólico e digno de reconhecimento fílmico e narrativo, “Feliz Natal”. Integra “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, cujo tema são a juventude e os seus dilemas de geração. No teatro, peças como “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain, e “A Agonia do Rei”, de Eugène Ionesco. Determinação, determinação. Não só a Doralice de “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, norteou-se por determinação. Nathalia Dill bem sabe o que é ser determinada. Tanto é verdade que esteve em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Débora, e em “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, como Silvia.
O seriado, primeira coprodução da Rede Globo com a Conspiração Filmes, baseado no filme homônimo de sucesso dirigido por Claudio Torres (um dos sócios da Conspiração), estreou na terça-feira passada já com um ótimo cartão de apresentação. Intérpretes que participaram do longa-metragem, como Selton Mello e Luana Piovani, revivem seus personagens. O texto de Claudio Torres, Guel Arraes, Leandro Assis e Mauro Wilson, com redação final deste, é bem alinhavado, ágil, inteligente e espirituoso. Houve a adequação da enxuta e precisa história ao espaço de tempo da exibição do programa. A trama gravita em torno do publicitário Pedro (Selton Mello), em crise tanto profissional quanto no casamento com Clarisse (Débora Falabella), que também é dona da agência na qual o marido trabalha, e portanto, sua chefe. É mais voltada para a profissão. Praticamente uma “workaholic”. Pedro está perdido e confuso em meio às aparições tão inesperadas quanto tentadoras da “mulher invisível” Amanda (Luana Piovani). O rapaz causa habitualmente desconfiança nos outros com os seus diálogos com o “invisível”. O amigo Wilson (Álamo Facó) se entusiasma a cada vez que o colega dá a entender que a voluptuosa moça que não se deixa aparecer está presente. O elenco é um acerto só. Com destaque, óbvio, para as atuações de Selton Mello, Luana Piovani, Débora Falabella e Álamo Facó. Revezam-se em momentos de drama e comicidade. E é este salutar equilíbrio entre os gêneros que faz de “A Mulher Invisível” uma atração deliciosamente agradável de se assistir. O tarimbado diretor Claudio Torres, sabedor dos elementos de que dispõe, e vindo da bem-sucedida experiência anterior cinematográfica, congrega-os de forma harmoniosa e lúdica. Está acompanhado da bonita fotografia de Rodrigo Monte, que se utiliza de oscilações cromáticas, vistas, por exemplo, nos “flashbacks”. Os figurinos de Ana Avellar correspondem de modo eficiente ao perfil dos envolvidos na sinopse. Já a abertura é alegre, contagiante, moderna, esperta, lançando mão da linguagem pop dos videoclipes. Selton, Débora e Luana dançam com graça. A produção musical e trilha de Maurício Tagliari e Luca Raele contribuem sobremaneira para realçar as cenas, dando-lhes um clima de contemporaneidade. A direção de arte de Yurika Yamasaki e a cenografia de Emília Merhi são caprichadas. O material que Claudio e sua equipe têm à disposição permite que se elabore com tranquilidade os outros episódios a serem veiculados. A faixa escolhida para o seriado segue o bom senso, pois vem logo depois de “Tapas & Beijos”. O humor é diverso, havendo uma transição não brusca de um entretenimento para o outro. Com o que relatei, chego à conclusão auspiciosa que “A Mulher Invisível” rendeu sim bons frutos nas salas de cinema. Porém, quem disse que a colheita dos mesmos acabou? Claudio Torres tem a resposta. Claudio Torres sabe que Amanda é uma mulher invisível. E com certeza também sabe que os talentos de sua série são irremediavelmente visíveis.
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Foto: Márcio Amaral/Revista Mensch
Tudo parecia calmo em Preciosa para Tiago (Andre Bankoff, que será Pedro no remake de “Saramandaia”, com previsão de estreia para junho na Rede Globo), pois estava exercendo a paixão de sua vida: a paleontologia. O pai Oséas (Luis Melo) era contra esta opção. Tiago não se importava. Sentia-se até colocado em segundo plano por ele. Achava que as atenções do patriarca dirigiam-se todas ao irmão Fernando (Rodrigo Hilbert). Grande descoberta por suas mãos foi feita: os restos de titanossauro. Até que espevitada loira a quem chamamos Júlia (Adriana Esteves) chega decidida à cidade onde se desenrolou a trama de Walcyr Carrasco, no horário das 19h da Rede Globo. Se antes havia certo sossego para o jovem amante das viagens e escavações nos campos profissional e afetivo, após o surgimento da colega de ofício, tudo mudou. A princípio, houve parceria, colaboração entre ambos. Em momento inesperado por Tiago, os olhos claros que possui passaram a enxergar Júlia com intenções ternas. Virou o jogo. As mesmas intenções ternas transformaram-se em ciúme, motivado pelo que há de amoroso entre a amada e Abner (Marcos Pasquim). Como se isto não bastasse, a equipe da qual fazia parte nas buscas paleontológicas começou a deixá-lo à margem. Natural que Tiago demonstrasse mudança de comportamento. No que concerne à composição do personagem, Andre Bankoff estudou e pesquisou bastante. Conversara com William Nava, em quem o papel fora inspirado, e tantos outros especialistas. William é escavador de Marília, interior de São Paulo, e reconhecido pelo que descobrira em suas empreitadas. Estágio no Museu Nacional do Rio de Janeiro o ajudou mais ainda. É por esta razão que digo: Andre estudou e pesquisou amiúde para que sentisse e entendesse a verdade do personagem que lhe fora dado. Falemos, agora, então, da trajetória deste jovem ator que trabalhara desde cedo como modelo, e tivera experiência como jogador de futebol, inclusive em terras estrangeiras. No teatro, integrara o elenco do espetáculo “Mulheres Alteradas”, adaptação de Andrea Maltarolli para os escritos da argentina Maitena. Já na TV, depois de aparições na minissérie “Mad Maria”, de Benedito Ruy Barbosa, e em “Bang Bang”, de Mário Prata e Carlos Lombardi, André ganha o primeiro protagonista, só que na Rede Record, como o Juba de “Bicho do Mato”, de Bosco Brasil e Cristianne Fridman. Daí, vieram “Alta Estação”, de Margareth Boury, “Amor e Intrigas”, de Gisele Joras, e “Poder Paralelo”, de Lauro César Muniz e Dora Castellar. E aparece a oportunidade para o artista de Americana de interpretar Tiago, logo em obra de autor, que segundo o próprio, sempre admirara: Walcyr Carrasco. Andre Bankoff ao estudar e pesquisar para dar vida ao paleontólogo da história segue máxima preciosa, sem qualquer trocadilho, de que ser ator é também estudar e pesquisar. Andre Bankoff é bom aluno.

Foto: Claudio Andrade/Revista Quem e Alex Paralea/AgNews
Pode-se associar mais a carreira da filha do ator Jonas Bloch à comédia. É verdade, Débora é uma das melhores atrizes cômicas de sua geração. Haja vista suas inesquecíveis participações na própria estreia na Rede Globo, em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Era Lívia, filha de Jordana (Glória Menezes), e seu par romântico era Jerônimo (Mário Gomes). Assim como no humorístico “TV Pirata”; em “Cambalacho”, de Silvio de Abreu também, como a pouco feminina Ana Machadão; e nos folhetins de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, “Salsa e Merengue” e a “A Lua Me Disse”. E não muito distante, dividindo a cena com Wladimir Brichta em “Separação?!”, de Alexandre Machado e Fernanda Young. Além de ter feito vários episódios de “Comédia da Vida Privada”, programa baseado em crônicas de Luis Fernando Verissimo, e “Os Normais”, dos citados Alexandre Machado e Fernanda Young. Não deixemos de mencionar “A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes e Jorge Furtado. No teatro, tal faceta lhe é recorrente, como em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza, e “5 x Comédia”, espetáculo em esquetes. E onde fica o drama nesta história de Débora? Em várias memoráveis interpretações, como a Clara de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em que se apaixonava pelo surdo-mudo Abel (Tony Ramos); a Lena de “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral; e a Silvia Cadore de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Há ainda a minissérie de Doc Comparato e Antonio Calmon, ” A, E, I, O, … Urca”, a passagem pelo SBT, no “remake” de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, cuja adaptação do romance de Júlio Dinis coube a Bosco Brasil e Ismael Fernandes, e atuações em “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Agora, voltemos um pouco para sabermos como se dera o início da bem-sucedida trajetória artística de Débora Bloch. Pode soar evidente, e natural que o seja, que a figura paterna de Jonas Bloch tenha exercido influência primordial na escolha da profissão da filha. Porquanto, crescera em meio a “sets” e coxias. Após estudar em um Curso no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, teve a sua primeira experiência nos palcos, a qual considero sua “prova de fogo”. Explico: substituíra Lucélia Santos em uma obra clássica de Vianinha, “Rasga Coração”. Formara junto com Andréa Beltrão, Chico Diaz, Pedro Cardoso, dentre mais alguns, um dos grupos teatrais de maior relevância na cena carioca, o “Manhas e Manias”, que consistia precipuamente em criações coletivas. Diversos prêmios vieram. E quanto à contribuição que dera no campo cinematográfico? Bem, o que dizer do estrondoso sucesso “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues? Estivera em um longa-metragem com contextos políticos, ao lado de Walmor Chagas, “Pátria Amada”, de Tizuca Yamasaki. Após a parceria com cineastas importantes, como Walter Lima Jr. e Cacá Diegues, sua última aparição nas telas fora em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, em que contracenava com Vincent Cassel. No folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, viveu aprontando “das suas”, ao lado de Nicolau (Luiz Fernando Guimarães, amigo de longa data). Vítimas para ela não faltaram. Uma delas foi Maria Cesária (Lucy Ramos), que pela Duquesa foi humilhada ao ser flagrada aos beijos com o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). A nobre de fato não se conformou de ter perdido este amor. E nós lá íamos nos conformar se Débora Bloch não estivesse em “Cordel Encantado”, e agora em “Avenida Brasil”, como Verônica?
A minha homenagem às mães.
Nela, dormi
Não senti frio
Era quente
Acolhedor
E não senti fome
Que bom lugar para se ficar
Tive que sair
Sob a luz de um clarão
Chorei, chorei muito
Ouvi vozes
Não estava mais tão quente
Nem era mais tão acolhedor
Mas senti que era a hora
A hora de morar em outro lugar
Maior, diferente, cheio de coisas novas
Continuei a não sentir fome
E o frio passou de outra forma
Escutei sons que não entendia
Certo estava de que eram bonitos
E que serviriam para o meu bem
Sentia-me feliz
E todas as vezes que chorava
Aquele alguém que me guardou por longo tempo
Enxugava os meus olhos
E tudo ficava mais claro
Um claro parecido com o primeiro clarão
Depois, fiquei sabendo que quem me acolheu
E não me deixou sentir fome e frio
Além de me dar algo que chamam de amor
Tem um nome
Curto, bonito e forte
MÃE.
Paulo Ruch
Júlio. Júlio era o nome de seu personagem na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Júlio aproximava-se do que podemos chamar de um “cara normal”. O que seria um “cara normal”? Um homem casado, fiel à mulher, pai de duas moças, e trabalhador. Era correto. Cometera apenas um deslize que culminou na sua demissão da empresa de Raul (Antonio Fagundes). Deslize este cometido por influência do mestre dos deslizes: Léo (Gabriel Braga Nunes). Ele era de certo modo submisso à esposa Eunice (Deborah Evelyn). Todavia, já houve instantes em que sua voz soou mais alta. Em determinado momento, viu-se em uma situação complicadíssima para um pai, em que questões de cunho moral estavam implicadas. Júlio indignava-se ao ouvir as conversas regadas ao mais desprezível machismo havidas entre o designer André (Lázaro Ramos), William (Leonardo Carvalho) e Beto (Petrônio Gontijo). De fato era de se ficar indignado. E toda esta fase da trama possibilitou a Marcelo Valle a chance de realizar boas cenas no folhetim. Destaco a que Júlio flagrou a filha Leila (Bruna Linzmeyer) saindo do carro do designer. Naquela precisa ocasião, todas as fúria e revolta motivadas pelo sentimento de defesa da honra de quem cuidara por toda uma vida foram percebidas na interpretação de Marcelo. E não parou por aí. Houve um sério diálogo entre ele e a jovem de lindos olhos azuis que não terminou nada bem. Terminou em tapa na cara do pai, e expulsão da filha de casa. Difícil foi a resolução deste problema familiar. Um pai de uma filha que não correspondia aos seus anseios. E uma filha de um pai que julgava não entender as razões dos seus atos. Para mim, é delicado demais falar deste assunto, pois pode se correr o risco de se cair em julgamentos morais. O tempo se encarregou de clarificar as posições e pensamentos de cada um até que se chegasse a um consenso. Podemos agora comentar um pouco sobre a carreira do produtor, ator e diretor Marcelo Valle. Marcelo é do Rio de Janeiro e se formou como ator na Faculdade da Cidade, que à época estava sob a direção de Bia Lessa. Dedicou-se aos públicos adolescente e infantil por determinado período, chegando a ganhar o Prêmio Coca-Cola de Melhor Produção por “Os Três Mosqueteiros”, adaptação da obra de Alexandre Dumas. Lecionara em diversos lugares, inclusive na Casa de Cultura Laura Alvim e no O Tablado. Prosseguindo no campo teatral, é indispensável ressaltar que Marcelo Valle é integrante de uma conceituada companhia teatral, a Cia dos Atores. Além de atuar, produzira vários espetáculos na mesma. Ademais, o intérprete também trabalhou com outros diretores, inclusive Ernesto Piccolo, que o dirigiu nos mega sucessos “Divã” (com Lilia Cabral e Alexandra Richter) e “A História de Nós 2” (novamente com Alexandra, e que continua em cartaz com grande êxito comercial; há pouco tive o prazer de assistir, e lhes garanto que a encenação é ótima). Estivera ainda em “Um Certo Van Gogh”. No cinema, o artista é bastante lembrado pelo Capitão Oliveira de “Tropa de Elite”, de José Padilha. Já na televisão, participara de vasta gama de seriados, da minissérie “Incidente em Antares”, e das telenovelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical” e “Viver a Vida”, sendo que a primeira e a segunda são de autoria de Gilberto Braga e colaboradores. A terceira, como sabem, foi escrita por Manoel Carlos. Millôr Fernandes intitulou uma de suas montagens como “A História é uma História”. Pois esta é a história de um certo Marcelo Valle.