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Blog do Paulo Ruch

  • “Diogo Vilela, um ator de muitas faces.”

    maio 10th, 2012

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    Foto: Revista Quem Acontece

    Primeiramente, contar-lhes-ei duas curiosidades envolvendo Diogo Vilela (que acabara de interpretar Felizardo em “Aquele Beijo”, de Miguel Falabella) e mim. Há tempos distantes, encontrei-o em um evento, e o abordei de forma natural. Sou assim mesmo. Diogo é educado, acessível, sem estrelismos, voz branda, e bastante observador, como já destacara em outro texto. Aliás, um bom ator deve ser de preferência um bom observador. Já nesta época, as chamadas da novela “Suave Veneno”, de Aguinaldo Silva, estavam no ar, na qual faria o sensitivo Uálber. Disse-lhe de modo próximo, então, baseando-me nas cenas que vira, e matérias acerca do personagem que interpretaria: – Diogo, acho que seu papel vai “acontecer”. Ele deu um meio sorriso. Queria só lhe dar este recado. E, para mim, de fato “aconteceu”. A atuação que tivera fora algum dos trunfos do folhetim, e uma das melhores performances da extensa carreira do artista, na minha opinião. Segunda curiosidade: fui lhe assistir na excelente peça “Solidão, A Comédia”, na qual se desdobrava em vários tipos. Todos feitos com requintes de composição. Após certa hora, cri que a mesma havia findado. O que fiz? Levantei para aplaudir. Silêncio. Nenhuma outra palma. A gafe se perfizera. O espetáculo não havia terminado. Diogo deve ter pensado: “Como esse rapaz está gostando da peça… Está me aplaudindo em cena aberta!”. Passou. Não fiquei traumatizado. Agora, aproveitemos que o assunto do dia é Diogo Vilela para falarmos um pouco de sua rica carreira. Começou cedo. Tanto na televisão, quanto no teatro. Na TV, a lista é grande, tendo participado de diversos segmentos: telenovelas, seriados (incluindo humorísticos), minisséries… Podemos citar algumas das obras (pois são inúmeras) as quais integrara: “Guerra dos Sexos” (1983), “Marquesa de Santos” (1984), “Padre Cícero” (1984), “O Tempo e o Vento” (1985), “Sassaricando” (fizera enorme sucesso ao lado de Cristina Pereira), de 1987, “TV Pirata” (ficara no elenco durante considerável temporada; o programa estreara em 1988); “Quatro por Quatro” (1994), e “Toma Lá Dá Cá” (a atração se iniciou em 2007). No teatro, dedicou-se a peças densas e clássicas. Tivera uma experiência inesquecível para qualquer intérprete: contracenou com Henriette Morineau em “Ensina-me a Viver”, de Colin Higgins, como Harold. Fez Shakespeare (“Hamlet” e “Otelo” – como Iago). Demonstrou toda a força dramática em “Diário de Um Louco”, de Nikolai Gogol. Estivera em “Tio Vânia”, de Anton Tchekhov e “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos. Interpretou expoentes da música popular brasileira, como Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto. Mas comédias não lhe faltaram no currículo: “5 x Comédia”, e “A Gaiola das Loucas”, de Jean Poiret (a adaptação e direção couberam a Miguel Falabella). Já no cinema, filmes como “Leila Diniz”, “O Grande Mentecapto”, e o “O Coronel e o Lobisomem”, dentre tantos mais em larga galeria. Este é Diogo Vilela, um ator de muitas faces.

  • “Thiago de Los Reyes, o Quim de ‘Insensato Coração’, é daqueles atores jovens que quando aparecem na novela, pensamos: – Vem cena boa, aí…”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Sergio Santoian/ego

    Houve uma cena divertidíssima envolvendo Deborah Evelyn (Eunice), Thiago e Giovana Lancellotti (Cecília), no folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Tudo se desenhou quando Eunice deu uma “incerta” no cursinho onde a filha Cecília estudava para flagrá-la com o namorado secreto. Rafa (Jonatas Faro), o tal namorado, não estava presente devido a um compromisso pessoal. Foi então que Quim se aproveitou da situação para tomar o lugar do amigo. E foram todos lanchar. Eunice pensa que o rapaz é riquíssimo e de família tradicional, baseando-se no seu sobrenome pomposo. Quim fez a festa. Pediu milk shake, um sanduíche gigantesco, chamou Cecília de Ciça (para espanto de Eunice, que confirmou que a jovem detesta que a chamem assim)… E a mãe de Cecília a fim de não desapontá-lo, acompanhou-o na pândega (Eunice praticamente “lutou” com o sanduíche). A moça estava constrangida. E Quim nem era com ele. Esta cena serviu para corroborar o talento deste jovem intérprete que desde o início do folhetim nos garante bons momentos, sendo que a maioria contextualizados no humor. Quim é um rapaz de modesta situação, avesso aos estudos (não possui a mais remota ideia do que queira ser), com ranzinzice que o leva a ser engraçado, cujo melhor amigo é Rafa. Quando percebe que o “perdera” para Cecília, passa a nutrir implicância total por ela (refere-se à moça como “a marrentinha do Sul”). Isto é bastante natural de acontecer. Além disso, as cantadas que dera em Natalie (Deborah Secco) foram impagáveis. Na verdade, tudo isto que narrei até aqui talvez não fosse passível de graça se não estivesse nas mãos de um ator certo. E Thiago abraça os requisitos necessários (inclusive a inflexão com que as falas são ditas) para fazer de Quim atraente para os telespectadores. Falemos então de sua carreira. Thiago é natural do Rio de Janeiro, e começou a atuar ainda criança. Estreou em “Esplendor”, de Ana Maria Moretzsohn. No ano seguinte, “Estrela-Guia”, da mesma autora. Daí, vieram “Malhação” e o especial “Clara e o Chuveiro do Tempo”. Fora o Príncipe Theo de “O Sítio do Picapau Amarelo”, e o Bruno de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin. Muda de emissora, sendo o tímido Guga de “Chamas da Vida”, de Cristianne Fridman, na Rede Record. No teatro, esteve em “O Despertar da Primavera”, e “No Círculo das Luzes” (direção de Ulysses Cruz), dentre outras peças. É experiente em cinema, tendo exercido as funções de diretor e assistente. Agora é o Quim, em “Insensato Coração”. Aquele personagem que quando aparece nós pensamos: – Vem cena boa, aí…

  • “Camila Alves é casada com Matthew McConaughey. Matthew McConaughey é casado com Camila Alves. Isto é fato. Camila Alves tem brilho próprio. Isto também é fato.”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Getty Images

    A bela mineira de Belo Horizonte, a modelo e apresentadora Camila Alves, foi a entrevistada de Jô Soares em um dos seus programas do ano passado. Estava muito bonita, com vestido em tom escuro com brilhos, alguns acessórios de cor dourada, além de “scarpins”. O apresentador após elogiar sua beleza, também o fez com relação ao seu marido. Pergunta-lhe se é ciumenta. Ela diz: “Se eu fosse ciumenta, não poderia nem sair na rua”. Jô Soares aproveita, e elogia o talento de Matthew McConaughey, inclusive no filme “Amistad”, de Steven Spielberg. A modelo anuncia que está para estrear um novo longa com a participação dele: “The Lincon Lawyer”, dirigido por Brad Furnan. Antes de começar a contar a história sobre a chegada aos Estados Unidos, pede tequila. Jô se anima com a ideia. Continuando. Fora para o país estadunidense disposta a não retornar ao Brasil. Momento de interrupção. Alex, o garçom, fica nervoso ao servir a bebida mexicana à moça. Eu ficaria da mesma forma. Pela expressão dos dois, a tequila era “das boas”. Prossigamos. Camila muda-se para Los Angeles. Antes fizera curso de modelo, o que na opinião dela não representa uma obrigatoriedade. O ator/comediante pede-lhe que desfile. Desfila. E bem. Na cidade citada, procura uma agência. Ocorre um impasse. Não podia exercer sua função enquanto o processo de visto não fosse regularizado. Enquanto não “modelava”, viu-se obrigada a se virar como pôde para se sustentar. Trabalhou como faxineira. Por não dominar o Inglês, empregou-se em um restaurante mexicano. Com direito a tequila de vez em quando, pois a rotina era dura. Concilia com um emprego em um estabelecimento italiano. Foi para Nova York. Bateu de porta em porta em várias agências de modelo, e a resposta era sempre igual: “Não.” Camila desanimou-se. Lágrimas na “Big Apple”. Até que a última à qual recorreu decidiu contratá-la. Fotos da morena são exibidas no telão. E o que se ouve? Os assobios de plantão. Inclusive uma de sua ida ao Oscar. O que me chamou a atenção precipuamente em Camila Alves foi a sua total falta de deslumbramento. E olha que isto é raro. Fala sobre a linha de bolsas que produz. Sabem para onde a conversa voltou? Para a tequila! Inicia-se o processo de preparo da bebida. Sai-se deste, e ruma para o fato da apresentadora e Matthew terem ido morar em um trailer (“airstream”). O assunto fica um tanto sério. Camila discorre sobre a fundação que mantém com o ator, chamada “After School Program”, que visa a fazer com que os adolescentes levem uma vida saudável, por meio de nutrição e exercícios, além de orientação profissional. Excelente iniciativa em um mundo de “glamour”. Finalizando, para alguns, Camila Alves é uma mulher de sorte por ser casada com um dos astros mais cobiçados de Hollywood. Vou além. Acho Matthew McConaughey um cara de sorte, também. Terminado o bloco, até senti vontade de tomar tequila. Brincadeira. Não gosto. É bastante forte. Como sou do Rio, vou de chopinho mesmo.

  • “Após breve pausa, o ‘gavião’ Cauã Reymond voltou à cena. Ele foi Jesuíno em ‘Cordel Encantado’, novela das 18h.”

    maio 8th, 2012


    Foto: editorial de moda para a GQ BRASIL/Daniel Klajmic

    Alguns podem estar se perguntando o porquê de eu me referir a Cauã Reymond (que vive o Jorginho de “Avenida Brasil”, e esteve nos filmes “Estamos Juntos”e “Meu País”) como “gavião”. Simples. Cauã, na língua indígena tupi, significa gavião. E sempre achei isto interessante. Aliás, ano passado, vi tardiamente “Ódiquê?”, filme dirigido por Felipe Joffily, no qual há elenco formado por jovens atores que muito se destacam. Além de Cauã, Dudu Azevedo, Alexandre Moretzsohn e Leonardo Carvalho. E com este seu primeiro longa, Cauã Reymond recebeu elogios da crítica. Recomendo-lhes. Saindo desta seara, e indo para a TV, há tempo não muito longo, fez o atormentado Danilo, em “Passione”, de Silvio de Abreu. E assim como Bruno Gagliasso, escalado foi em diminuto lapso para o folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”. O personagem foi Jesuíno, filho de Cláudia Ohana (Benvinda) e Domingos Montagner (Herculano), este uma espécie de liderança cangaceira em épocas passadas. E Benvinda não desejava que Jesuíno viesse a saber desse episódio. Ao contrário do pai, que almejava que no futuro o descendente fosse substituí-lo. O moço foi criado longe da família, e cresceu junto a Açucena (Bianca Bin), por quem se apaixonou. Este foi basicamente o enredo que envolveu o papel de Cauã. Agora, podemos desenhar um traçado de como se deu a trajetória do artista até o presente momento. A princípio, fora modelo, tendo experimentado temporada em Milão e Paris, e trabalhado com importantes estilistas, fotógrafos e modelos como ele. Só que Cauã já tinha em mente a vontade de ser ator, e assistiu a aulas de Susan Batson (“coach” de renomados intérpretes de Hollywood). A carreira na televisão começa bem, logo em duas temporadas de “Malhação”, atração para adolescentes na qual viveu Mau Mau. Caiu nas graças deste público. E o sucesso o levou a ser um dos rebentos de Mamuska (Rosi Campos), em “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro, fato que o tornou mais popular ainda, atingindo outras faixas de telespectadores. Participa de obra de Walther Negrão, “Como Uma Onda”. Mas o melhor estaria por vir, em termos de repercussão efetiva. Personifica garoto de programa (Mateus) que esconde esta condição de sua tradicional família de ascendência grega, em “Belíssima”, de Silvio de Abreu. Houve ótimas cenas com fiel cliente, Ornela (Vera Holtz). Todavia, uma em particular, chamou-me a atenção. Em refeição com os familiares, Cauã Reymond tivera que realizar forte cena dramática. E dela não me esqueci. E nesta mesma novela, nutria paixão por bela moça chamada Giovanna (Paola Oliveira). O epílogo ao lado de Bia Falcão (Fernanda Montenegro) causou polêmica. Para mim, boa sacada do autor. Depois de “Eterna Magia”, de Elizabeth Jhin, ótima chance irrompe: “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, que inovou pela abordagem dinâmica da trama. O personagem que lhe coube (Halley) no limiar da história possuía certas nuanças cômicas. Porém, no decorrer dos capítulos, a personalidade obteve um contexto mais sério, e que se adequou apropriadamente para o desenvolvimento do que nos era contado. Ganhara diversos prêmios. E ficara com a mocinha da história Lara (Mariana Ximenes). Quanto ao cinema, contribuíra para vários longas-metragens. Mérito para alguém tão jovem. Afora o citado “Ódiquê?”, destaquemos “Divã”, de José Alvarenga Jr., “À Deriva”, de Heitor Dhalia, dentre tantos. Agora, Cauã Reymond deparou-se com a missão de dar vida à rapaz bastante diverso, de caráter regional, criado por autoras com as quais nunca emprestara a imagem. Intimidade com o veículo, ele já tem. Então, tudo leva a crer que agradará aos que irão prestigiá-lo.

  • “Carmo Dalla Vecchia. Que Rei foi Ele?”

    maio 8th, 2012


    Foto: Divulgação/TV Globo

    Há curiosidade na carreira de Carmo Dalla Vecchia (em “Amor Eterno Amor” é Fernando) que não deve ser preterida: um reencontro com uma atriz tempos depois em outra produção teledramatúrgica, mas em contexto completamente diverso. Na verdade, o que se deu é que Carmo, muito jovem mesmo, estreou na boa minissérie “Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados”, baseada na obra de Nelson Rodrigues. Ele era Durval, filho de Engraçadinha (Claudia Raia), e irmão de Silene (Mylla Christie). Sentia por ambas incontrolável ciúme. Passam-se anos , e Carmo reencontra Claudia Raia na novela de João Emanuel Carneiro, “A Favorita”, na qual interpreta o audaz jornalista Zé Bob, que forma par romântico com Donatela, papel de Claudia. Boas coincidências do mundo da televisão. Carmo esteve, como sabem, no folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”, como o Rei Augusto. Que rei foi ele? Um monarca de reino fictício chamado Seráfia do Norte, região em conflito com Seráfia do Sul, terra comandada pelo Rei Teobaldo (Thiago Lacerda). A fim de que se selasse a paz entre as partes, a princesa do Norte é prometida ao príncipe do Sul quando ainda eram bebês. Entretanto, ocorre viagem ao Brasil com o intuito de se descobrir tesouro escondido. O Rei Augusto perde a sua mulher, a Rainha Cristina (Alinne Moraes), que estava acompanhada da filha Aurora. Tudo armadilha da Duquesa Úrsula (Débora Bloch). Pensa-se que Aurora também tivera fim triste. O que não corresponde aos fatos. E dá-se incansável busca por Aurora. Esta foi por base a trama em que Carmo Dalla Vecchia esteve inserido. Já com relação à sua história profissional, possui experiência considerável na televisão. Após alguns trabalhos em diferentes emissoras, como Rede Bandeirantes, Rede Record e SBT, e na Rede Globo, ganha destaque em “A Casa das Sete Mulheres” (Batista). Outras participações, até surgir chance que mudaria o rumo da trajetória artística. É escalado para viver Luciano Botelho/Martim em “Cobras & Lagartos”, de João Emanuel Carneiro, com quem voltaria a colaborar em “A Cura”, seriado no qual o ator despiu-se de toda e qualquer vaidade. Fizera “JK”, “A Favorita”, e “Cama de Gato” antes. No teatro, esteve em “Eduardo ll”, de Christopher Marlowe, “A Paixão de Cristo”, dentre tantas mais. Atualmente está em cartaz com o espetáculo de Neil Simon, “Estranho Casal”, ao lado de Edson Fieschi. Este texto (“The Odd Couple”) fora levado às telas, e rendeu uma das melhores comédias a que já assisti. Jack Lemmon e Walter Matthau estão no elenco. No cinema, “Cronicamente Inviável” pode ser citado. Este afinal é o “reino” de Carmo Dalla Vecchia.

  • “Textos decorados. Refletores acesos. Diretores a postos. E uma atriz pronta. Pronta para brilhar. Ana Beatriz Nogueira.”

    maio 8th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Clarice, personagem de Ana Beatriz Nogueira em “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, com sua habitual fleuma, está no jardim. A governanta Lídia (Andréa Dantas) chega com encomenda. Uma encomenda indesejada. Trata-se de DVD. Não um DVD qualquer. O DVD da traição. Clarice ao vê-lo, desespera-se. Quebra o que está à frente. Aquela fleuma que lhes falei não existe mais. Clarice é outra mulher. Uma mulher despedaçada que quer se vingar. Uma mulher que ouviu que sua companhia “é boa para os negócios”. Uma mulher que ouviu o seu marido dizer que ama outra mulher como nunca amou outra. Desorientada, ruma para o lindo jardim de uma linda casa de um casamento feio. Mergulha em uma linda piscina. Molhada, cabelos molhados, sai em busca frenética dos documentos que possam incriminar o marido que a fez mergulhar na linda piscina. Tudo está em trancada gaveta. Falta a chave. A esta altura, não será simples chave que irá deter a fúria de mulher que perdera a fleuma que a fazia cuidar do lindo jardim. Clarice sai de sua pacata vida, com alguns eventos sociais, e se percebe em jornada ensandecida de purificação da própria dignidade. Em tempo curto, cópias daquilo que Cortez (Herson Capri) esconde são tiradas. E entregues ao homem da lei. Ela sabe que está se vingando. Não entende muito bem como, mas sabe. Há momento de beleza que só poderia vir de boa mãe que foge aos fatos sombrios que se sucedem: Clarice pega o porta-retrato com Rafa (Jonatas Faro) e o coloca na bolsa. Só uma boa mãe, em meio ao caos do desespero, seria capaz de ato assim. Busca refúgio na casa de Vitória (Nathália Timberg). Desabafa, brada, afirma que se vingou. Cortez aparece na mansão. O capítulo terminou. Os textos decorados foram ditos. Os refletores se apagaram. Os diretores ficaram satisfeitos, e foram embora para casa, ou dirigir outra cena. Mas uma coisa ficou. O brilho de uma atriz. O brilho de Ana Beatriz Nogueira.

  • “Em ‘Avenida Brasil’, Vera Holtz é a ‘mãe do lixão’. Já na vida profissional, é uma das ‘mães da atuação’. “

    maio 7th, 2012

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    Foto: Divulgação/TV Globo

    Na sexta-feira passada, a atriz Vera Holtz, que interpreta Lucinda, “a mãe do lixão”, na novela de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”, teve a oportunidade de mostrar ao público toda a sua força cênica ao atuar ora com Nathalia Dill (Débora) ora com Débora Falabella (Nina). Em ambos os momentos, houve acaloradas discussões, e Vera, de nenhum modo, extrapolou os limites de uma performance considerada precisa. Não cometera o imperdoável erro do “overacting”. E, claro, isso a faz ser um dos destaques da trama das 21h, tendo o apoio de uma boa personagem. Lucinda é protetora, caridosa, cheia de generosidade, uma “mãezona” (ampara com alegria e prazer algumas crianças que trabalham no lixão), e brava (enfrenta Nilo, papel defendido por José de Abreu, a despeito das ameaças que sofre). O passado que carrega é nebuloso. Há muitos mistérios que o rondam. Nilo até já insinuou que ela pode ter tirado a vida de alguém em certa ocasião. Agora, depois de ter criado Nina/Rita (Mel Maia na fase infantil) e Batata/Jorginho (Bernardo Simões e Cauã Reymond, respectivamente), empenha-se pela união definitiva dos dois. Só que há a resistência da moça que criara quando menina, que não abre mão do plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves). Quanto à atriz, nasceu em Tatuí, interior de São Paulo. Cursou a EAD (Escola de Arte Dramática), e a UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). A estreia nos palcos foi em uma peça de Oduvaldo Vianna Filho, “Rasga Coração”. Integrou o respeitado Grupo Tapa. Bibi Ferreira a dirigira em texto de Maugnier, “E Agora, Hermínia”. Trabalhara também com Celina Sodré. O polêmico encenador Gerald Thomas a conduziu em “Eletra Com Creta”. Deu a sua contribuição ao espetáculo que narra a vida e obra do escritor irlandês James Joyce, “Ópera Joyce”, de Alcides Nogueira. Já na companhia teatral de Antonio Abujamra, foi uma das atrizes de “Um Certo Hamlet” (recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz), além de ter feito “Phaedra”, de Racine, e “O Retrato de Gertrude Stein Quando Homem”, de Alcides Nogueira. Esteve em “A Volta ao Lar”, de Harold Pinter. Juntou-se ao Bando de Teatro Olodum, e montou “Medeamaterial”, de Heiner Müller. Protagonizou e ganhou inúmeras láureas com “Pérola”, cujos texto e direção eram de Mauro Rasi. Estão no seu currículo ainda textos de Samuel Beckett, Bertolt Brecht e João Bethencourt. Na televisão, marcou-nos com diversas personagens: a Fanny de “Que Rei Sou Eu?”; a intrigante Angélica da minissérie “Desejo”; Quitéria, a mãe que vivia em busca do filho em “A Próxima Vítima”; Marta, a patroa que mantém tórrido romance com o empregado (o ator Taiguara), em “Presença de Anita”; a professora alcoólatra Santana de “Mulheres Apaixonadas”; a ricaça Ornela que pagava garotos de programa em “Belíssima”; Marion Novaes, mãe desnaturada em “Paraíso Tropical”; a vilã de “Três Irmãs”, Violeta Áquila; a humilde e trabalhadora Candê de “Passione”; e agora a Lucinda de “Avenida Brasil”. No cinema, podemos mencionar “O Menino Maluquinho”; o filme da Retomada, “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”; “Tônica Dominante”; “Apolônio Brasil, Campeão da Alegria”; “Bendito Fruto” e “Anjos do Sol”. Sendo assim, ao percebermos que a artista em questão possui carreira tão vasta e rica, e tido como parceiros de trabalho importantes nomes, sempre demonstrando seu inquestionável talento, já que na novela das 21h ela é a “mãe do lixão”, não seria exagero dizer que Vera Holtz é na vida profissional uma das “mães da atuação”.

  • “Adriana Esteves: atuar e nos agradar é só começar.”

    maio 7th, 2012

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    Foto: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

    Adriana, moça bonita, cabelos longos e loiros, quer ser atriz. Participa de quadro no “Domingão do Faustão” em busca de chance. A chance é dada. Foi Tininha em “Top Model”, de Walther Negrão e Antonio Calmon. No ano posterior, 1990, é filha de um de nossos melhores atores, Armando Bógus, em folhetim de Cassiano Gabus Mendes. Na trama, tem romance com personagem de José Mayer. Compõe Marina para o especial homônimo, ao lado de Bruno Garcia. Desafio irrompe: primeira protagonista em novelas. E o desafio se dá em “Pedra sobre Pedra”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. No enredo, ela (Marina) empenha-se em conquistar o amor de Leonardo (Maurício Mattar), a despeito da rivalidade das famílias de ambos. Em 1993, “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa. Adriana está com visual diferente. Entretanto, visual que não esconde a sua beleza. Madeixas bem curtas. Vestidos bem curtos. Causou paixão em pai e filho (Antonio Fagundes e Marcos Palmeira). Estreia em minisséries, no caso, “Decadência”, de Dias Gomes, mas não sem antes ter feito “Comédia da Vida Privada”. Experimenta a teledramaturgia em outra emissora (“Razão de Viver”, no SBT). Volta a trabalhar com Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, em “A Indomada”. Oferecem-lhe grande vilã em “Torre de Babel”. Grande vilã, grande atuação. A Sandrinha de Silvio de Abreu, com seus cachos e chiclete indefectível, conquistou irremediavelmente público e crítica. E com isso, muitos e merecidos prêmios. No horário das 18h, mais um reconhecimento como a feminista Catarina de “O Cravo e a Rosa”, de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira. Faz a seguir “Coração de Estudante” e “Kubanacan”. Ganha papel principal na divertida “A Lua Me Disse”, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. Contracena com Wagner Moura e Marcos Pasquim. Depois de alguns especiais, exibe todo o talento para a comicidade como a Celinha de “Toma Lá Dá Cá”. Impressiona os telespectadores ao personificar de modo brilhante Dalva de Oliveira, em “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor” (para mim, a prova cabal da solidez da capacidade interpretativa de Adriana). Ano retrasado, destacou-se em um dos episódios de “As Cariocas” (“A Vingativa do Méier”). No cinema, privilégio em ser uma das meninas do longa de Emiliano Ribeiro, “As Meninas”, baseado na obra de Lygia Fagundes Telles. E domina o humor rasgado em “Trair e Coçar é Só Começar”, sob a direção de Moacyr Góes. A dama Adriana fora a Dama em “A Dama e o Vagabundo” nos palcos. Ainda na ribalta, dissera textos de Nelson Rodrigues, e divide cena com Marcos Palmeira. Foi Júlia, uma paleontóloga apaixonada pelo que faz em “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco. Pelo que faz, e por Abner (Marcos Pasquim). Agora, faz enorme sucesso como a Carminha de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Percebemos então que quando a novela começou, Adriana também começou. Começou a atuar, e a nos agradar. Afinal, para nós, atuar e nos agradar é só começar é com Adriana mesmo.

  • “Era uma vez uma graciosa alemãzinha, nascida em Hamburgo, que veio para o Brasil, tornou-se atriz, e está sendo cogitada para participar de filme americano. Sophie Charlotte (Programa do Jô 2011).”

    maio 7th, 2012


    Foto: Divulgação/TV Globo

    Sophie (que fora a Amália em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, e será a protagonista de um dos episódios de “As Brasileiras”) foi entrevistada no “Programa do Jô”, e ao ser convidada pelo próprio para sentar no famoso sofá, já nos ficou claro que a jovem que acabara de ser a inescrupulosa Stéfany de “Ti-ti-ti” caprichou no visual (jaqueta de couro, calça, blusa de renda, e botas de cano longo pretas). Jô Soares de imediato fez-lhe elogio: – Que moça linda! A mãe da intérprete foi mostrada, e se viu beleza nela, que é alemã de origem. Os elogios de Jô prosseguem, e Sophie, bastante simpática, solta deliciosas gargalhadas por todo o bate-papo. Ela de fato nascera em Hamburgo, Alemanha, e viera para o Brasil bem criança. O pai é brasileiro. Começa a falar sobre o filme de produção americana que será feito no Rio de Janeiro. O longa-metragem chama-se “The Blind Bastard Club”, que terá a direção de Ash Cohen-Baron, e contará com Lenny Kravitz no elenco. Segundo ela, sua participação não está totalmente confirmada, a despeito da aprovação em quatro testes, todos em Inglês. Sophie afirmou que o fato de saber Alemão facilitou na hora de decorar os textos, haja vista que quando se domina mais de uma língua o aprendizado de outra é mais fácil. O assunto agora é peculiar: a entrevistada foi cantora de casamento. Dissera que a carreira fora breve. O apresentador não perdeu a chance, indagando-lhe se nenhum noivo fugira com ela. Charlotte continuou. Informou que após alguns matrimônios nos quais tudo decorrera como o esperado, houve um, em particular, em dia frio, com o evento a céu aberto, que sua voz sumiu. Não de todo, mas sumia vez por outra. A carreira de cantora de casamento estava encerrada. Mas não no talk show. Jô Soares pediu-lhe que cantasse algo “a capella”. Decide entoar canção de Kurt Weill, que demonstrava em espetáculo de Domingos de Oliveira, “Cabaré Filosófico”. Foi agradável e bonito de se assistir. Passa então a discorrer sobre o desafio que lhe foi imposto pela produção do “Domingão do Faustão” de desfilar em todas as Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro e de São Paulo em único Carnaval. Charlotte confessou que após a maratona momesca, durante uma semana, sonhava que ainda desfilava. Cogita que poderia entrar para o “Guinness”, pois nunca ninguém havia realizado isto antes. Rumando para pauta diversa, relata-nos que praticou por considerável tempo balé clássico (tanto na Alemanha quanto no Brasil), e depois, jazz e sapateado. Por pedido dela, iniciou os estudos de forma precoce. Consegue. Os pais são chamados à escola. Motivo: Sophie liderava uma gangue (!); ela quem decidia as brincadeiras, a hora de se mudar os jogos etc. A conversa caminha para o fim. Foi divertido. Sophie Charlotte agradou à plateia. À moda brasileira ou… alemã.

  • “A humilhação não pede licença, nem por favor. Ela pode invadir nossas vidas quando bem entender. Simples assim. A não ser que a impeçamos.”

    maio 7th, 2012

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    Foto: Fábio Rocha/TV Globo

    Uma cena em particular em “Insensato Coração” merece observação mais aprofundada. Trata-se do momento no qual Eunice (Deborah Evelyn), motivada por vingança pessoal, resolve ir à casa de Clarice (Ana Beatriz Nogueira) mostrar-lhe a revista onde aparece a foto em que Natalie (Deborah Secco) e Cortez (Herson Capri) estão lado a lado em porta-retrato. Eunice disse-lhe que foi prestar solidariedade (!) pelo que deveria estar passando. Clarice não sabia até então. O que se viu foi um conjunto que reuniu boas interpretações e direção. A personagem de Ana Beatriz teve que atuar, exibir naturalidade diante do fato, o que deixou a mulher de Júlio (Marcelo Valle) desapontada e frustrada. Pareceu-me que houve espécie de metalinguagem: Ana Beatriz Nogueira interpretou dentro de sua interpretação. E após a saída de Eunice, toda a falsa imagem desconstruiu-se, e Clarice desabou em sofrido pranto. Um pranto que há muito está interno, e que apenas se externou. Foram duas fortes humilhações sofridas. E a seguir, veio outra. Natalie telefona lhe avisando da publicação. Entretanto, Clarice, que é ótima pessoa, boas esposa e mãe, acovarda-se face à possibilidade de se separar do marido. Ela é ciente das traições dele, porém as julga pouco sérias, e que não afetariam o matrimônio que possui. Em conversa com Vitória (Nathália Timberg) e Gilda (Helena Fernandes) afirmou que se sente convicta de que é amada pelo banqueiro, que um dia ele irá se cansar dessa vida etc. Vitória e Gilda ficam atônitas. Clarice procura criar um mosaico de fantasias e desculpas que justifiquem o seu casamento que está todo errado. Não há no que escrevo qualquer julgamento moral de suas atitudes, e sim, análise do perfil. Agora, ela falou coisa certa: sempre existirão homens como Cortez, e sempre existirão mulheres como Natalie. Infelizmente. Aliás, Natalie é bastante contraditória. Aparentava ingenuidade em alguns aspectos, todavia foi capaz de sordidez como essa. Até o fiel amigo Roni (Leonardo Miggiorin), em tom de brincadeira, mencionou o caráter sórdido do ato. O que quero demonstrar com este texto, aproveitando-me de situação da novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, é que as humilhações estão sempre prontas para nos machucar, pois o que não faltam são seres humanos dispostos a isso. Clarice, que pena, prefere ou não consegue fugir da humilhação. E como esta é bastante mal-educada, não pede licença, nem por favor, não lhe abro a porta. Espero que vá embora o mais rápido possível.

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