Na semana passada, uma atriz muito querida do público, Natália Lage, foi entrevistada por Jô Soares, em seu talk show. A intérprete de Niterói, cuja primeira novela foi na Rede Globo, “O Salvador da Pátria”, de Lauro César Muniz, como Regina, filha dos personagens de José Wilker e Lucinha Lins, foi falar sobre sua atual peça, “JT – Um Conto de Fadas Punk”. A artista que mantém cabelos platinados, e trajava um cardigã preto vazado sobre uma também vazada blusa verde, junto a calças e escarpins escuros, após Jô ter mostrado o programa do espetáculo, conta-nos do que ele se trata. Mas antes o apresentador afirma que a história baseada em acontecimentos reais é tão famosa que rendeu até capítulo da série “Law & Order”. Natália então narra o que de fato ocorreu. Nos anos 2000, apareceu nos Estados Unidos um jovem escritor, JT LeRoy, que lançara um livro autobiográfico. E neste, relatava a infância difícil que tivera, morando nas ruas, envolvendo-se com drogas, tendo uma mãe que era prostituta… Com o lançamento do livro, segundo a artista, JT conseguiu por meio da literatura uma espécie de redenção, passou a ser reconhecido, badalado e famoso. Tempos depois, foi descoberto que JT LeRoy não existia, era um personagem, e quem na verdade escrevia os livros era Laura Albert, uma ex-cantora punk, que já trabalhara com disque-sexo. Entretanto, quem servia como figura pública era sua cunhada, Savannah Knoop, uma garçonete (papel de Natália). Savannah é homossexual, e JT, quem interpretava, também. Assim, para Natália, o desafio foi este: uma menina gay se fazendo passar por um menino gay. Savannah manteve a história com a imprensa por algum tempo. Houve a necessidade das aparições públicas (palestras, entrevistas…), e a cunhada foi incumbida desta missão, devidamente produzida com chapéu, peruca e óculos escuros. Como um dos elementos da trama é o disque-sexo, Débora Duboc, também atriz do elenco, emite sua opinião a respeito, e diz que Laura Albert (seu papel) afirmou em entrevista que muito do personagem que criara adveio das suas experiências no disque-sexo, por ter ouvido o que as pessoas tinham a lhe dizer. Laura, como curiosidade, fazia-se passar por mulheres de diferentes faixas etárias. Jô pergunta a Natália se teve dificuldades em criar o papel. Ela responde que no começo “ficou meio perdida de como começar a construção do personagem”, até que decidiu seguir o caminho de vivenciar o incômodo de algo que seria muito distante para uma pessoa. Afora, o “fascínio de estar ali, vivendo uma experiência louquíssima”. Natália assevera ainda que a função do espetáculo é mostrar como Laura Albert conseguiu agregar as pessoas em torno desta história tão insólita. Confirma que Savannah, com o passar dos anos, começou a se sentir confortável com o papel que desempenhava, a ponto de em certas ocasiões tirar o chapéu e os óculos. Tanto que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora da peça, Luciana Pessanha, e que participou do projeto com Natália desde o início, numa entrevista com JT, este já estava completamete relaxado, sem os disfarces que antes o acompanhavam. Quanto à ficha técnica da peça a direção é de Paulo José e Susana Ribeiro. E no elenco, além de Natália e Débora, estão Nina Morena, Hossen Minussi e Roberto Souza. Agora, fotos da peça são exibidas no telão. Jô indaga a Natália sobre a voz que usa. Ela respondeu que dá um tom mais grave, hesitante, “como alguém que ‘tá’ com medo de falar”. Em uma das fotos, aparece uma cena de briga que decorreu entre Asia Argento (Nina Moreno que a faz), filha do cineasta Dario Argento. Asia foi o pivô da briga entre Savannah e Laura. Asia Argento chegou a participar de um filme que se baseou no primeiro livro de JT, “Maldito Coração”. A entrevista está se aproximando do final, e um VT da novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi, em que Natália contracena com Mário Gomes é posto para que vejamos uma das passagens de sua precoce carreira. E assim ficamos sabendo um pouco mais desta extraordinária história irreal que nos fizeram crer que era real contada por uma atriz de real talento, Natália Lage.
Categoria: Cinema
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Foto: revistafashionnews.com
Leitores, finjamos que estamos circulando por um museu, e nos deparamos com um quadro no qual se vê pintado uma bonita mulher de cabelos curtos, e sorriso cativante com certo ar maroto. Ao lermos o que está escrito no informativo ao lado da pintura, somos comunicados que trata-se de Monalisa, e que é uma das principais personagens criadas pelo autor João Emanuel Carneiro para a novela das 21h da Rede Globo, “Avenida Brasil”. Quem acompanha o folhetim desde o início, já deve saber de cor e salteado definir esta pessoa por quem no limiar da trama Tufão (Murilo Benício) era apaixonado, e por ela correspondido. Mas o destino ou algo que não podemos precisar, colocou uma outra mulher dissimulada, ambiciosa, interesseira, esperta, malandra e mentirosa em suas vidas, Carminha (Adriana Esteves). Esta vil pessoa se utilizou dos piores estratagemas para lograr o que pretendia, ou seja, ter para si o ex-jogador de futebol. Para o contentamento de Muricy (Eliane Giardini), que nunca aprovou o romance, o noivado do casal acabou sendo desfeito. A dona do salão de beleza “Monalisa Coiffeur” resolve, decepcionada, retornar à sua terra natal, a Paraíba. Entretanto, sem antes ter recebido na época que estava para se casar um investimento maciço por parte de Tufão, que somado à sua fórmula bem-sucedida de alisamento dos cabelos, fez o negócio crescer com a abertura de diversas franquias, tornando-a uma mulher rica. Todavia, há uma questão importantíssima: Monalisa estava grávida do irmão de Ivana (Letícia Isnard), sua sócia e amiga, e não contou ao pai da criança. Na viagem de ônibus para o Nordeste, houve um acidente com o veículo, e a dona dos salões perdeu o bebê. Resolveu adotar um menino que ficou sem ninguém, Iran, que já rapaz é interpretado por Bruno Gissoni. Como se percebe, Monalisa é uma mulher guerreira, trabalhadora, algumas situações demonstraram que não leva desaforo para casa, e honesta. Gosta de ter a sua casa, e em mãos o controle remoto a hora que bem entender. Diz-se independente. Afirmou que não prezaria voltar a se unir com ninguém. Talvez por trauma. No máximo, uns encontros sem compromisso. E estes aconteciam com Silas (Ailton Graça), que desejava justo o contrário: casamento, morar junto… Até uma mentira lhe contou para que com ela ficasse de forma permanente. Na lua de mel, Monalisa descobriu a farsa, e rompeu o relacionamento. Contudo, não soube lidar com a solidão, e a carência física. Silas parece não a querer mais. E para complicar as coisas, sua melhor amiga Olenka (Fabiula Nascimento) passa a ter um “affair” com ele. Com a mudança de Iran para o apartamento de Jorginho (Cauã Reymond) na Zona Sul, Monalisa demonstra ainda mais o medo de ficar sozinha, e confessa a Olenka que seria capaz de se unir ao pai de Darkson (José Loreto), e com ele adotar um filho. A culpa da amiga só aumenta. A independência financeira não se estende à emocional. Já no tocante à sua carreira, Heloísa Périssé nasceu no Rio de Janeiro, mas morou por um período da adolescência na Bahia. A popularidade veio com a “Escolinha do Professor Raimundo”. Lá fez muito sucesso como a adolescente Tati (criação sua originária do enorme sucesso teatral “Cócegas”), que virou filme (dirigido por Mauro Farias, e que estreará em breve), livro, e um gibi com desenhos do cartunista Ziraldo. Como suas performances em sua maioria estavam atreladas à comédia, integrou variados especiais, séries, e programas do gênero, sendo o principal deles “Sob Nova Direção”, protagonizado por ela e Ingrid Guimarães. Fez parte ainda de “Chico Total”, “Zorra Total”, “Os Normais”, e os “Caras de Pau”. Afora outras atrações, Heloísa estreou nas novelas em “Cama de Gato”, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Depois, “Cordel Encantado”, das mesmas autoras. Todavia, as maiores oportunidades estariam por vir. Personificou com extrema verossimilhança a comediante Dercy Gonçalves na minissérie de Maria Adelaide Amaral, “Dercy de Verdade”. A atriz pôde mostrar ao público o quanto é capaz de alternar drama com comédia. O mesmo se dando agora em “Avenida Brasil”. Heloísa fez bastante teatro, como a já citada “Cócegas” e “Advocacia Segundo os Irmãos Marx”. E no cinema, “Lisbela e o Prisioneiro”, “Xuxa Abracadabra”, “Sexo, Amor e Traição”, e “Muita Calma Nessa Hora”. Estará em “De Pernas Pro Ar 2”. E fez pela terceira vez a dublagem da animação “Madagascar” (“Madagascar 3: Os Procurados”). Chegamos à conclusão de que o talento de Heloísa Périssé está espalhado por todos os lados, e que talvez não caiba na moldura de um quadro. Mas mesmo assim, procurei fazer um retrato dela, e claro, um retrato de Monalisa.

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Foto: Pedro Paulo Figueiredo/CZNGostei da presença da atriz e dubladora Helena Fernandes (que está no ar como a advogada Vera no seriado “O Dentista Mascarado”) na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Sua interpretação foi “cool”, sóbria, sem excessos, elegante, na medida certa. Sem contar que Gilda era uma personagem agradável por vários motivos: uma ótima esposa e mãe; uma amiga sempre disposta a mostrar generosidade (isto pôde ser visto em certo momento numa cena com Clarice, papel defendido por Ana Beatriz Nogueira); demonstrou ser compreensiva com Eunice (Deborah Evelyn), que almejava pertencer a um meio social mais elevado; centrada, contemporizadora etc. Mas Gilda era uma mulher normal. Sentia ciúme do marido como qualquer outra quando via algum tipo de insinuação. Isto se deu quando Natalie (Deborah Secco) se aproximou de Oscar (Luigi Baricelli). Fora firme como era de se esperar. Houve ainda uma situação interessante em que tivera que se “segurar” para não envergonhar o filho Serginho (Vitor Novello) quando este se viu ameaçado pelos colegas de futebol ao perder um pênalti. Sendo assim, discorramos um pouco acerca de sua carreira. A estreia na televisão aconteceu de forma tímida em um folhetim de Carlos Lombardi, “Quatro por Quatro”. Só em “Quem é Você?”, de Ivani Ribeiro e Solange Castro Neves, escrita por Lauro César Muniz, que Helena obteve maior destaque. Destaque que a levara para a produção infantil “Caça Talentos”, na qual interpretara a vilã Silvana. Todavia, o reconhecimento enorme junto ao público para a atriz decorrera com a participação no seriado “A Diarista”, que era para ser curta, e se tornou fixa, face ao sucesso. Desdobrou-se em tipos diferentes em “Malhação”. Integrara o elenco de um sem número de seriados, como “Faça a Sua História” e “Separação?!”. E telenovelas como “Força de um Desejo”, “Roda da Vida”, “Kubanacan”, “Canavial de Paixões”, e “Beleza Pura”. No cinema, atuara em “Se Eu Fosse Você”, de Daniel Filho, e “À Deriva”, de Heitor Dhalia. E como dubladora, emprestara a voz a “Os Incríveis” e “Alice no País das Maravilhas”. Para concluir este texto, devo confessar que quando alguém diz “Gilda”, penso logo em Rita Hayworth em seu memorável filme. Entretanto se for por volta das 21h, penso em Helena Fernandes.
Obs: A atriz Helena Fernandes atualmente está no ar na novela “Malhação”, exibida na Rede Globo, como a professora de dança do espaço de Artes “Ribalta” Lucrécia.
A personagem de Helena, que é mãe de Jade (Anaju Dorigon), após uma consulta médica, recebe a notícia de que possa ter um nódulo no seio. A professora é aconselhada a fazer um autoexame, e a cena foi mostrada com todos os procedimentos, sem cortes, tornando-se um dos momentos mais emocionantes e esclarecedores da produção juvenil.
A repercussão foi grande, agradando ao público e à crítica. -
Quase sempre quando vejo Bianca Comparato em cena na novela das 21h da Rede Globo, de João Emanuel Carneiro, lembro-me da primeira vez que lhe assisti em uma produção do gênero. Fora em “Belíssima”, de Silvio de Abreu, cuja personagem Maria João tinha características masculinizadas, e nutria forte paixão pelo mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini). Ela era uma das filhas de Katina (Irene Ravache). Agora, como Betânia, interpreta a melhor amiga de Nina/Rita (Débora Falabella), com quem criara laços ao conviverem na infância. Depois, cada uma tomou seu rumo. Até que Nina volta da Argentina com o seu plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves) já todo arquitetado. E reencontra a amizade antiga como frentista de um posto de gasolina. Combinam entre si que Betânia assumiria a identidade da outra, adotando um visual rebelde. Carmen Lucia ao descobrir que a desafeta de tempos está morando em Copacabana, decide ir até lá. O encontro não foi dos melhores. As lembranças que vieram à tona foram desgastantes. A mulher de Tufão (Murilo Benício) propõe que uma não se meta na vida da outra. E assim fica temporariamente acordado. A mãe de Jorginho (Cauã Reymond) então descobre que o filho conhecera Rita no lixão, e que ambos já se viram. Resolve tirar satisfações, e por ironia, leva consigo Nina, que testemunha a amiga sofrer agressões físicas da vilã. Acontece uma série de desdobramentos na trama (chantagem de Nilo, papel de José de Abreu; rompimento do casal Jorginho/Nina etc.). Numa ocasião diversa, o jogador conversa com a mãe, e toma conhecimento que Rita usa um “piercing” no nariz, e associa os fatos. Deseja tirar tudo a limpo, e ao chegar ao apartamento da ex-namorada se surpreende ao se deparar com Nilo cheio de pose ao lado de Betânia, que por sinal fora a “madrinha” de seu noivado com Rita. Sua cabeça fica mais do que confusa. Toma a decisão de procurar a chef de cozinha, e colocá-la contra a parede. Resta saber o que a moça inventará dessa vez. Quanto à trajetória artística de Bianca Comparato, que é filha de Doc Comparato, tudo se iniciou quando perceberam que ela se destacou bastante no curso de teatro do colégio, a Escola Britânica do Rio de Janeiro. E ganhou uma bolsa para estudar em Londres na Royal Academy of Dramatic Arts. No retorno ao Brasil, formou-se em Cinema pela PUC-RJ. A estreia nos palcos foi em “O Ateneu”, de Raul Pompéia. E na televisão, dera os primeiros passos em “Carga Pesada” e “Senhora do Destino”. Veio “Belíssima”, que a projetou. Passou a colecionar um sem-número de participações na TV, como em “Cobras & Lagartos”, “Toma Lá Dá Cá”, “Antônia”, a minissérie “Amazônia, De Galvez a Chico Mendes”, “A Vida da Gente”, “Tapas & Beijos” e “As Brasileiras”. No teatro, fez parte do elenco de “Últimos Remorsos Antes do Esquecimento”, “A Fruta e a Casca”, montagem inspirada em “Dom Casmurro”, “Rock n’ Roll” e “A Escola do Escândalo”. Esteve presente em duas temporadas da série da HBO “Aline”, como Kelly. No cinema, emprestou seu talento a “Anjos do Sol” e a “Como Esquecer”. E, por fim, quanto a Betânia, não me parece que irá abandonar a amiga em seu irredutível plano de vingança. Nem que para isso tenha que levar uns tapas de Carminha, e receber Nilo em sua casa. Isso é que é parceira!
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Foto: Sergio Santoian/Revista MenschHá injustiça no mundo. A fidelidade está fora de moda. As famílias se desajustam, e o corrompido, corrompido está. À noite, em nobre hora, surgiu não ator qualquer na máquina de luz e som. Surgiu moço de nome Eriberto. Eriberto que a Pedro deu vida. Pedro que tocou a justiça. Pedro, leal ao amor prometido. Pedro que de muitos é amigo. Pedro que jamais será corrompido. Este foi o papel de Eriberto Leão na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Já em tempos idos, na casa que brota cultura, vi o artista em peça de Alcides Nogueira, dirigida por Gabriel Villela. Dia mágico, peça mágica. Um encontro com Elvis. Um encontro com Morrison. Ano passa, e reencontro em “O Amor Está No Ar”, do mesmo Alcides dos ventos. Depois, olhos azuis em “Serras Azuis”. Serras de Ana Maria Moretzsohn. Como intérprete apaixonado sempre deixa suas marcas. As marcas da paixão de Solange Castro Neves. Vimos e cremos o talento de Eriberto como o Tomé de “Cabocla”. A cabocla de Benedito Ruy Barbosa reinventada pelas filhas, Edmara e Edilene. Será que em toda a sua vida imaginou que faria César Camargo Mariano em homenagem a Elis? Em “Sinhá Moça”, Dimas ou Rafael? Os Ruy Barbosa sabem. Pelo verde, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Mostra o rosto em “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. Dentre casos e acasos, encontra as três irmãs. Irmãs criadas por Antonio Calmon. O tempo não ficou louco: Eriberto Leão é escalado para estrelar “Paraíso”. Sintonia com Benedito e suas meninas. A estrela ou astro, como bem queiram, firma-se. Luz que não se apaga. Luz perene que clareou as cariocas. E na ribalta? Além do sopro da ventania de Gabriel, “A Alma de Todos os Tempos”, de Gabriel, como Jesus. O Grande Mestre que por ele voltaria a ser personificado sob aberto céu, junto a multidão em procissão, na “Paixão de Cristo”. Um Cristo protetor que ainda o acompanharia em obra de Saramago adaptada para os palcos, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Falou baixo ou alto em “Fala Baixo Senão Eu Grito” com Ana Beatriz Nogueira, de Leilah Assumpção, dentre outros espetáculos. Nas telas da sala escura é sempre bem-vindo. Como assim o fora em “O Invasor”, de Paulo Fontenelle. E o diretor Caio Vecchio não quis ator qualquer para “Um Homem Qualquer”, que lhe valeu prêmio. Prêmio que ladeia outro, vindo da TV. Agora é chegado o momento de terminarmos. Como isto farei? Parte mais difícil. Vem-me ideia. Já sei. Acrescento uma palavra mais. Eriberto Leão, o nosso querido protagonista de “Insensato Coração”.
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É ou não ousado fazer par romântico com uma das mais populares e prestigiadas atrizes brasileiras em um de seus papéis de destaque na televisão ainda na fase da adolescência? Caio Blat (que estará na próxima novela das 18h da Rede Globo, “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes) interpretara João Batista, jovem amor da célebre compositora Chiquinha Gonzaga, vivida por Regina Duarte, na minissérie homônima de Lauro César Muniz apresentada pela Rede Globo. Porém, Caio, que chegara a estudar Direito por certo tempo, iniciou sua carreira bem criança, emprestando a imagem a inúmeros comerciais. No setor teledramatúrgico, a estreia de fato se deu em um seriado da TV Cultura, chamado “O Mundo da Lua”. No SBT, participa de importantes remakes, como “Éramos Seis” e “As Pupilas do Senhor Reitor”. Além disso, estivera em “Fascinação”. Retorna à Rede Globo (atuara anteriormente em episódios de “Retratos de Mulher” e “Você Decide”), e após o sucesso como o João Batista, conhece o horário das 19h com “Andando nas Nuvens”. Depara-se com dois desafios para qualquer intérprete: um vilão (o Bruno de “Esplendor”), e o primeiro protagonista (o Anjo Gabriel de “Um Anjo Caiu do Céu”), que dividia com Tarcísio Meira ótimas cenas. Depois de “Coração de Estudante”, agrada ao público como Abelardo, filho sensível de Mamuska (Rosi Campos) que se dedica à maquiagem, e que se vê obrigado a conviver com os modos um tanto quanto toscos de seus irmãos, na novela de João Emanuel Carneiro, “Da Cor do Pecado”. Integra mais dois remakes: “Sinhá Moça” e “Ciranda de Pedra”. Não sem antes colaborar para a obra de Gloria Perez, “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. Ganha o papel de Ravi, um indiano que enfrenta as rigorosas tradições culturais da família ao se apaixonar e se casar com uma brasileira (Isis Valverde), na premiada “Caminho das Índias”. No teatro, Caio Blat vivenciou algo não usual. Mudou-se para uma comunidade típica do Rio de Janeiro (e lá morou por algum período) com o intuito de selecionar o elenco para o espetáculo que iria dirigir (“Êxtase”, de Walcyr Carrasco). É ou não ousado? Outras tantas encenações como ator estão em seu currículo, inclusive “Os Dois Cavalheiros de Verona”, de William Shakespeare, e “Liberdade para as Borboletas”, de Leonard Gersche. Partamos assim para a seara na qual Caio prosseguiu com a sua propalada ousadia como artista: o cinema. Sentiu na pele o virtuosismo de Luiz Fernando Carvalho na condução de uma história. Não uma história qualquer, mas sim, “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar. Um romance que muitos disseram não ser passível de adaptação cinematográfica. Caio Blat e colegas de cena ficaram isolados em uma propriedade rural a fim de assimilarem melhor seus personagens. Causou polêmica no longa-metragem realizado de forma experimental, “Cama de Gato”. Dissera o texto forte e impactante de “Carandiru”, sob a batuta do aclamado Hector Babenco. A trajetória nas telas é cada vez mais enriquecida ao ser convidado para trabalhar em produções comandadas por nomes consagrados, como Sérgio Bianchi, Cláudio Assis, Cao Hamburger, Jorge Durán, Helvécio Ratton, Glauber Filho e Joe Pimentel, Paulo Halm, Jeferson De, Laís Bodanski e Guel Arraes. Está em cartaz com dois longas-metragens: “Xingu – O Filme”, de Cao Hamburger, no qual dá vida a um dos irmãos sertanistas Villas-Bôas, e “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat. No folhetim das 19h, “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco, Caio Blat, o ator ousado, exibiu seu talento como Leandro, um jardineiro fiel aos seus sentimentos por uma moça bonita que precisa aprender a tê-los. Um jardineiro fiel que enxerga pureza, e nos fez enxergar igualmente, ao oferecer rosas à mulher amada.
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Doralice, moça bonita, instruída. Tornou-se senhora das leis na Capital. Teve por decisão ir para o interior. Brogodó. Ao lá chegar, rapaz de nome Jesuíno (Cauã Reymond) deixou seu coração em sobressalto. O que a motivou a lutar por quem lhe causara ebulição de sentimentos. Já a esposa do moço de barba crescida, Açucena (Bianca Bin), foi ferida por dilacerante ciúme. Açucena não possui “os olhos verdes do ciúme”. Açucena possui “os olhos azuis do ciúme”. Assim, no meio da história em que a personagem de Nathalia Dill se viu envolvida é que percebemos a determinação que definiu de forma precisa o seu caráter. Determinação que não a demoveu de salvar Antônia (Luiza Valdetaro) dos maus-tratos do irmão Timóteo (Bruno Gagliasso). Determinação que a impeliu a se transformar no justiceiro Fubá, a fim de melhor se aproximar de Jesuíno. Já no que diz respeito à carreira desta atriz natural do Rio de Janeiro, podemos dizer sim que fora determinada em muitas situações. Afinal de contas, logo de imediato, após participação em episódio da série “Mandrake”, da HBO, interpretou por considerável tempo Débora Rios, papel de contornos acentuados de vilania em “Malhação”. O que vem a seguir? A incumbência de reviver Santinha, celebrizada por Cristina Mullins na primeira versão de “Paraíso”, de Benedito Ruy Barbosa. Nathalia surpreende a todos. Convence público e crítica. E todo este sucesso a levou a ser protagonista novamente. No caso em questão, mais um êxito: “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin. Não sem antes ter emprestado o lindo rosto para o especial “Dó-Ré-Mi-Fábrica”. Todas produções da Rede Globo, como sabem. Ganhara merecidos prêmios pelas atuações. No cinema, esteve em “Apenas o Fim”, de Matheus Souza, que trata dos relacionamentos dos jovens da “era MSN”. Fizera também a densa incursão de Selton Mello na direção, no melancólico e digno de reconhecimento fílmico e narrativo, “Feliz Natal”. Integra “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, cujo tema são a juventude e os seus dilemas de geração. No teatro, peças como “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, “As Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain, e “A Agonia do Rei”, de Eugène Ionesco. Determinação, determinação. Não só a Doralice de “Cordel Encantado”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, norteou-se por determinação. Nathalia Dill bem sabe o que é ser determinada. Tanto é verdade que esteve em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, como Débora, e em “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, como Silvia.
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Foto: Claudio Andrade/Revista Quem e Alex Paralea/AgNewsPode-se associar mais a carreira da filha do ator Jonas Bloch à comédia. É verdade, Débora é uma das melhores atrizes cômicas de sua geração. Haja vista suas inesquecíveis participações na própria estreia na Rede Globo, em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. Era Lívia, filha de Jordana (Glória Menezes), e seu par romântico era Jerônimo (Mário Gomes). Assim como no humorístico “TV Pirata”; em “Cambalacho”, de Silvio de Abreu também, como a pouco feminina Ana Machadão; e nos folhetins de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, “Salsa e Merengue” e a “A Lua Me Disse”. E não muito distante, dividindo a cena com Wladimir Brichta em “Separação?!”, de Alexandre Machado e Fernanda Young. Além de ter feito vários episódios de “Comédia da Vida Privada”, programa baseado em crônicas de Luis Fernando Verissimo, e “Os Normais”, dos citados Alexandre Machado e Fernanda Young. Não deixemos de mencionar “A Invenção do Brasil”, de Guel Arraes e Jorge Furtado. No teatro, tal faceta lhe é recorrente, como em “Fica Comigo Esta Noite”, de Flávio de Souza, e “5 x Comédia”, espetáculo em esquetes. E onde fica o drama nesta história de Débora? Em várias memoráveis interpretações, como a Clara de “Sol de Verão”, de Manoel Carlos, em que se apaixonava pelo surdo-mudo Abel (Tony Ramos); a Lena de “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral; e a Silvia Cadore de “Caminho das Índias”, de Gloria Perez. Há ainda a minissérie de Doc Comparato e Antonio Calmon, ” A, E, I, O, … Urca”, a passagem pelo SBT, no “remake” de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Lauro César Muniz, cuja adaptação do romance de Júlio Dinis coube a Bosco Brasil e Ismael Fernandes, e atuações em “JK”, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, e “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”, de Gloria Perez. Agora, voltemos um pouco para sabermos como se dera o início da bem-sucedida trajetória artística de Débora Bloch. Pode soar evidente, e natural que o seja, que a figura paterna de Jonas Bloch tenha exercido influência primordial na escolha da profissão da filha. Porquanto, crescera em meio a “sets” e coxias. Após estudar em um Curso no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, teve a sua primeira experiência nos palcos, a qual considero sua “prova de fogo”. Explico: substituíra Lucélia Santos em uma obra clássica de Vianinha, “Rasga Coração”. Formara junto com Andréa Beltrão, Chico Diaz, Pedro Cardoso, dentre mais alguns, um dos grupos teatrais de maior relevância na cena carioca, o “Manhas e Manias”, que consistia precipuamente em criações coletivas. Diversos prêmios vieram. E quanto à contribuição que dera no campo cinematográfico? Bem, o que dizer do estrondoso sucesso “Bete Balanço”, de Lael Rodrigues? Estivera em um longa-metragem com contextos políticos, ao lado de Walmor Chagas, “Pátria Amada”, de Tizuca Yamasaki. Após a parceria com cineastas importantes, como Walter Lima Jr. e Cacá Diegues, sua última aparição nas telas fora em “À Deriva”, de Heitor Dhalia, em que contracenava com Vincent Cassel. No folhetim de Duca Rachid e Thelma Guedes, viveu aprontando “das suas”, ao lado de Nicolau (Luiz Fernando Guimarães, amigo de longa data). Vítimas para ela não faltaram. Uma delas foi Maria Cesária (Lucy Ramos), que pela Duquesa foi humilhada ao ser flagrada aos beijos com o Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). A nobre de fato não se conformou de ter perdido este amor. E nós lá íamos nos conformar se Débora Bloch não estivesse em “Cordel Encantado”, e agora em “Avenida Brasil”, como Verônica?
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Júlio. Júlio era o nome de seu personagem na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Júlio aproximava-se do que podemos chamar de um “cara normal”. O que seria um “cara normal”? Um homem casado, fiel à mulher, pai de duas moças, e trabalhador. Era correto. Cometera apenas um deslize que culminou na sua demissão da empresa de Raul (Antonio Fagundes). Deslize este cometido por influência do mestre dos deslizes: Léo (Gabriel Braga Nunes). Ele era de certo modo submisso à esposa Eunice (Deborah Evelyn). Todavia, já houve instantes em que sua voz soou mais alta. Em determinado momento, viu-se em uma situação complicadíssima para um pai, em que questões de cunho moral estavam implicadas. Júlio indignava-se ao ouvir as conversas regadas ao mais desprezível machismo havidas entre o designer André (Lázaro Ramos), William (Leonardo Carvalho) e Beto (Petrônio Gontijo). De fato era de se ficar indignado. E toda esta fase da trama possibilitou a Marcelo Valle a chance de realizar boas cenas no folhetim. Destaco a que Júlio flagrou a filha Leila (Bruna Linzmeyer) saindo do carro do designer. Naquela precisa ocasião, todas as fúria e revolta motivadas pelo sentimento de defesa da honra de quem cuidara por toda uma vida foram percebidas na interpretação de Marcelo. E não parou por aí. Houve um sério diálogo entre ele e a jovem de lindos olhos azuis que não terminou nada bem. Terminou em tapa na cara do pai, e expulsão da filha de casa. Difícil foi a resolução deste problema familiar. Um pai de uma filha que não correspondia aos seus anseios. E uma filha de um pai que julgava não entender as razões dos seus atos. Para mim, é delicado demais falar deste assunto, pois pode se correr o risco de se cair em julgamentos morais. O tempo se encarregou de clarificar as posições e pensamentos de cada um até que se chegasse a um consenso. Podemos agora comentar um pouco sobre a carreira do produtor, ator e diretor Marcelo Valle. Marcelo é do Rio de Janeiro e se formou como ator na Faculdade da Cidade, que à época estava sob a direção de Bia Lessa. Dedicou-se aos públicos adolescente e infantil por determinado período, chegando a ganhar o Prêmio Coca-Cola de Melhor Produção por “Os Três Mosqueteiros”, adaptação da obra de Alexandre Dumas. Lecionara em diversos lugares, inclusive na Casa de Cultura Laura Alvim e no O Tablado. Prosseguindo no campo teatral, é indispensável ressaltar que Marcelo Valle é integrante de uma conceituada companhia teatral, a Cia dos Atores. Além de atuar, produzira vários espetáculos na mesma. Ademais, o intérprete também trabalhou com outros diretores, inclusive Ernesto Piccolo, que o dirigiu nos mega sucessos “Divã” (com Lilia Cabral e Alexandra Richter) e “A História de Nós 2” (novamente com Alexandra, e que continua em cartaz com grande êxito comercial; há pouco tive o prazer de assistir, e lhes garanto que a encenação é ótima). Estivera ainda em “Um Certo Van Gogh”. No cinema, o artista é bastante lembrado pelo Capitão Oliveira de “Tropa de Elite”, de José Padilha. Já na televisão, participara de vasta gama de seriados, da minissérie “Incidente em Antares”, e das telenovelas “Celebridade”, “Paraíso Tropical” e “Viver a Vida”, sendo que a primeira e a segunda são de autoria de Gilberto Braga e colaboradores. A terceira, como sabem, foi escrita por Manoel Carlos. Millôr Fernandes intitulou uma de suas montagens como “A História é uma História”. Pois esta é a história de um certo Marcelo Valle.
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Foto: Divulgação/TV GloboGilberto Braga e Ricardo Linhares, autores de “Insensato Coração”, utilizaram-se de um artifício sempre sedutor para os telespectadores de novela: a transformação de mulher simples, desprovida de vaidade, em alguém bonito, atraente, e capaz de surpreender aqueles que faziam ou passarão a fazer parte do seu núcleo de ação. É o que está se dando no momento com Norma Pimentel, interpretada de forma brilhante por Gloria Pires. Se antes, Norma desconhecia maquiagem no cotidiano, ora usava roupas da profissão ora roupas sem qualquer apelo estético, hoje nos impressiona com formosura outrora escondida. Os cabelos estão sedosos, cortados à altura dos ombros, e a pintura realça os delicados traços da face. Trajes de bom gosto. Com este visual moderno, consegue frequentar os melhores ambientes, como a academia de ginástica da moda ou um restaurante sofisticado. Até chegar o momento no qual arrebatará os sentimentos de Teodoro (Tarcísio Meira), homem aberto para o amor. Sim, a imagem abre portas, por mais que resistamos a esta verdade. E em nome da vingança, a agradável aparência que nos enternece servirá de meio para que se dê a sua meta de vida atual: a destruição de Léo (Gabriel Braga Nunes), que curiosamente algumas vezes lançou mão da boa estampa para atingir fins sórdidos. Há exemplos de folhetins que lançaram mão deste recurso por agora aproveitado na trama das 21h da Rede Globo. Sônia Braga, em “Dancin’ Days”, de Gilberto Braga, causou furor quando da aparição de Júlia Matos com madeixas volumosas, calça estilo sintética vermelha com listras laterais brancas, “bustier” ousadíssimo, e sandálias de salto alto, na boate de Hélio (Reginaldo Faria). A boate parou. A cena marcou. Em “Tieta”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, no início da história, a moça modesta de Claudia Ohana de mesmo nome do título da obra, é expulsa da cidade Santana do Agreste pelo pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos). Anos se passaram, e surge uma Betty Faria exuberante. Já em “Vereda Tropical”, de Carlos Lombardi, Cristina Mullins usava enchimentos para parecer obesa, aparelho ortodôntico, óculos, e tocava bateria com jeito um tanto quanto masculinizado. No desenrolar da trama, de baterista a “femme fatale”. Regina Duarte em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, após Raquel Accioli se tornar empresária bem-sucedida, o figurino é incrementado, acompanhando o novo status social. Em “Selva de Pedra”, de Janete Clair, só que na segunda versão de Regina Braga e Eloy Araújo de 1986, Fernanda Torres, antes Simone Marques, depois de um misterioso sumiço, retorna como a prestigiada escultora Rosana Reis, com direito a lentes de contato azuis. Como se pode notar, trata-se de um elemento teledramatúrgico a que se recorre largamente, e que possui êxito comprovado junto ao público. Saindo da seara da TV, e reportando ao cinema, inesquecível nos é Julia Roberts saindo de uma loja de luxo em Beverly Hills toda vestida de branco, com chapéu e luvas, esbanjando beleza ao som de “Pretty Woman”, do filme de mesmo nome de Garry Marshall.




