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Blog do Paulo Ruch

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016

    junho 18th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    O modelo Diego Fragoso, na São Paulo Fashion Week Verão 2016, em sua edição comemorativa pelos 20 anos de atividades prestadas à moda.
    Diego é alagoano, vive atualmente em Nova York, e pertence a duas agências internacionais importantes, a RE:Quest Model Management e a Elite Model Management Milano.
    Além de modelo, é empresário (dono da marca de roupas Maceyork e de uma gravadora de mesmo nome), rapper e DJ (em seu videoclipe “Black Everything”, gravado em Los Angeles, usou as roupas de sua própria grife).
    Foi visto nas publicações “Esquire” Rússia e Sérvia, e “Harper’s Bazaar” Brasil.
    Em 2012, Diego Fragoso, na Semana de Moda de Milão, desfilou para 12 grifes (dentre elas Dolce & Gabbana e Dirk Bikkembergs), e foi o único brasileiro escolhido para integrar o clipe “Taste.it”, dirigido por Luca Finotti para o site “Models.com” (o vídeo reuniu os rapazes que fizeram mais sucesso na temporada).
    Após ter desfilado de underwear para o estilista Philipp Plein em uma semana de moda masculina em Milão em 2013, foi considerado “o corpo da temporada” (Diego possui várias tatuagens por todo o corpo).
    Ainda na semana de moda de Milão, circulou pelas passarelas de Giorgio Armani, Emporio Armani, Vivienne Westwood, Carlo Pignatelli e Ermanno Scervino.
    Em junho de 2015, cada vez mais dedicado à carreira de músico, apresentou-se no Royal Club, em São Paulo, no qual mostrou as músicas de seu novo CD, “Fashion  Killa”, e seu clipe – gravado novamente em Los Angeles, “Five Star Hotel”.
    O modelo já desfilou com exclusividade para a marca francesa Givenchy, e participou de sua campanha Spring Summer 2016 .
    Na São Paulo Fashion Week Verão 2016, desfilou para Cavalera e Colcci.
    Na última edição da SPFW, Diego Fragoso atuou em outra função, repórter e vlogger, fazendo entrevistas para o VLOGdeCARAS, na TV UOL.

    Agradecimento: TNG

  • ” Em ‘Os Sonhadores’, com Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David, um espetáculo de Diogo Liberano baseado no romance de Gilbert Adair, três jovens extravasam as suas ideias e os seus mais intrínsecos anseios de liberdade e amor, em meio a um período político histórico, equilibrando-se numa fina e tênue corda tensionada pela poesia da palavra e pela pujante linguagem do corpo. “

    junho 3rd, 2016

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    Foto: Dalton Valério

    Em tempos de inconstâncias políticas nacionais que reverberaram de forma negativa na área cultural e artística, o espetáculo “Os Sonhadores”, de Diogo Liberano, baseado na obra do jornalista, crítico de cinema e poeta escocês Gilbert Adair, soa infinitamente atual e oportuno no panorama teatral brasileiro (o romance rendeu o longa-metragem homônimo do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, levado às telas em 2003, tendo em seu elenco Eva Green, Michael Pitt e Louis Garrel). Na peça dirigida por Viniciús Arneiro, protagonizada por Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David, também idealizadora do projeto, três jovens, Theo (Igor), Isabelle (Juliana) e Matthew (Bernardo), os dois primeiros irmãos franceses, e o terceiro um “imigrante” americano. O trio, na Paris de 1968, em plena efervescência do Movimento Estudantil que entrou para a História, e que até hoje serve de referência para manifestações populares espalhadas pelo mundo, decidem ir à Cinemateca da cidade francesa, e lá se deparam com a indesejada notícia de que o seu curador fora exonerado, o que impossibilitaria a exibição dos filmes programados. Ocasionalmente, o casal de irmãos conhece o rapaz vindo das Américas, e a partir deste encontro surge uma relação simbiótica progressiva que os absorve irreversivelmente, levando-os aos extremos comportamentais. Já que os jovens não mais podem se perder nos sonhos e fantasias cinematográficos, resolvem por eles mesmos criar os seus próprios filmes, expandindo as suas imaginações, e testando os limites de suas sensações. Precisam, de modo premente, inventar o seu filme. Invadem velozes e destemidos um importante museu de obras clássicas, e assinam as suas pinturas com tintas transgressoras nas grandes paredes dos longos corredores povoados de turistas curiosos não necessariamente interessados em Arte pura. Theo e Isabelle são filhos de um poeta ultraconservador para quem “a poesia é uma petição”, e de uma mãe que não se expressa verbalmente, representantes legítimos da alta classe burguesa. Estes mesmos irmãos possuem um relacionamento incestuoso, o que não lhes causa quaisquer vestígios de culpa, corroborando a sua face demolidora dos códigos de moral estabelecidos na sociedade. Em vista disso, Matthew, a princípio, vê-se um tanto confuso, aturdido e retraído com tantas novidades que lhe são apresentadas pelos seus parceiros. O americano, mesmo com o seu jeito mais recolhido, mas nem por isso menos rebelde nas ideias, seduz implacavelmente Theo e Isabelle. Os três formam um ser uno e inseparável no tocante ao sexo aberto, um sexo libertador, extasiante, sem regras, manuais ou convenções a serem seguidos. Um poliamor assumidamente subversivo, vertiginosamente sensorial e inegavelmente prazeroso. Um voyeurismo consentido do desejo masculino saciado solitariamente. A visão catártica do prazer do outro que lhe está tão próximo. Jogos caseiros de adivinhações de filmes servem como pretextos para que um jogue com o outro na busca teimosa de um autoconhecimento e conhecimento coletivos. Suas fragilidades são expostas como carne viva. O ser dominante e o ser dominado se justificam no ato sexual e na vida como condição indissociável da existência humana. Em meio a uma realidade dura e truculenta, com o Estado e seu sistema munidos de cassetetes como forma de linguagem possível para enfrentar seus oponentes à sua falta de ideias, os sonhos se tornam mais uma vez a única vereda de salvação genuína. A nudez dos gêneros, frontal, liberal, cotidiana e habitual, sublime em sua naturalidade, impõe-se como forma de expressão e afirmação válida. Enquanto vivem ou sobrevivem num universo onírico de emoções confinados no quarto de hóspedes de Matthew, entregando-se aos vícios da bebida e do fumo com a sua fumaça sempre a afrontá-los, “degustando” rações de gato, a realidade engendrada pelo poder estatal absoluto escorado no modelo irracional se materializa nas ruas amotinadas. A voz virgem do jovem clama pelos seus direitos e liberdades usurpadas. A cultura de uma geração profanada. Uma pedra vale como um livro. Ou o livro tem o peso de uma pedra arremessada na janela não discreta. Theo, Isabelle e Matthew travam diálogos eivados de ideologias individuais ou universais. Seus corpos nus e alvos se juntam num amálgama de peles e formas, num desejo compartilhado. Uma escultura viva e inebriante de linhas delgadas sequer pensadas pela mente mais fértil. A morte quando breve se assemelha a uma imagem de um filme criada pelo olho do amante em pranto. Vivencia-se o sonho, e se acorda com o real. Ouvem-se os sons de tiros, bombas e da turba, vislumbra-se o sangue do inocente escorrendo após o golpe sem misericórdia dos homens fardados e blindados. As paredes têm ouvidos, e os ouvidos têm paredes. A chuva e suas gotas testemunham o fim trágico/poético. O casal sentado passivamente assiste à destruição em fragmentos das forças de manipulação, e à revoada libertadora dos livros de educação. A dramaturgia de Diogo Liberano (codramaturgia de Dominique Arantes) sobressai-se pelo olhar cuidadoso e reverente com o qual se relaciona com as palavras, suas frases e proposições constituídas. Percebe-se, entre um silêncio e outro, que as falas dos personagens, sublinhadas pelos seus conflitos individualizados e com os seus pares, carregam uma riqueza desvelada em sua estruturação, no sentido de tornar o conceito de ideia e opinião emitidos por aqueles nas distintas situações valorizado em sua significância. Há quase uma permanente e constante troca de pensamentos, respeitando-se diferentes sintonias e frequências, entre os partícipes da história, que não raras vezes se embatem por defenderem posicionamentos opostos. Diogo e Dominique preservaram em seu texto cênico o frescor do ideário juvenil, com toda a sua inata contestação, e respectivas reflexão e visão particulares acerca do microcosmo que os cerca, e do grande mundo que está bem próximo, simplesmente do lado de fora. O texto flui com potente regularidade, sustentando a solidez de sua proposta primeira. A direção de Viniciús Arneiro privilegia com proeminência a associação harmoniosa e equilibrada entre o corpo, o seu movimento e a palavra, obtendo admiráveis resultados cênicos. Ficou-nos evidente a sua intenção de trabalhar com acuidade a infinita gama de possibilidades das movimentações corporais de seus atores, acompanhadas de diferenciadas gradações de velocidade e ritmo, exigindo por parte daqueles avolumado e complexo domínio sobre a sua matéria física. Já no prólogo da peça e em outras passagens, vemos Igor, Juliana e Bernardo adentrando o palco com movimentos em “slow motion” exemplarmente compassados, marcados e sintonizados. Num tempo próprio e específico, os personagens vão se estabelecendo como protagonistas de suas histórias. Viniciús teve a brilhante ideia de colocar uma tela cobrindo toda a extensão frontal da ribalta, próxima à invisibilidade, sobre a qual se projetam as mais diversas imagens em variados ângulos e contextos, como as de seus intérpretes, com destaque para o foco em áreas de suas anatomias, como os efeitos deslumbrantes de figuras com forte impacto visual, como os versos inspirados da poetisa polonesa Wislawa Szymborska. A tecnologia foi usada com indiscutível criatividade, à serviço do enriquecimento e embelezamento da montagem (vê-se a imagem etérea holográfica do ator Bernardo Marinho de costas observando a ação). O encenador buscou o humor e logrou êxito em uma das melhores cenas do espetáculo, na qual, em fila, o elenco, supostamente ao som de uma música que se repete impiedosamente, executa uma engraçadíssima coreografia marcada principalmente por estalos de dedos e pulos para a frente com movimentos pélvicos. O elenco formado por Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David se destaca uniformemente por compreender com agudeza e sabedoria interpretativas os sentimentos múltiplos com toda a sua notória complexidade e contraditoriedade que são característicos aos muito jovens. Igor, como Theo, transita com elegante desenvoltura por todas as fases emocionais por que passa o rapaz cheio de sonhos e ideologias. Em iguais níveis de qualidade nos demonstra os sentidos do desejo, do ciúme e do caráter contestatório. Bernardo Marinho compõe o seu personagem, o americano Matthew, amparado por sua boa voz grave, com finas nuances que demarcam com acentuada nitidez a personalidade retraída, conflituosa, por vezes insegura e incerta, mas provida de intensos anseios íntimos que conforme se desenrolam os fatos do entrecho vão se aflorando progressiva e abertamente. E Juliana David, como Isabelle, explora a sua sensibilidade com distinta convicção, respeitando as variações emotivas inerentes ao perfil da moça liberal, idealista, sonhadora, sem que em nenhum instante permita que a sua ternura se deixe sublimar pelos acontecimentos sucessivos. Todos os intérpretes dão a sua contribuição valorosa para o engrandecimento da montagem. Ademais, torna-se necessário reafirmar o primoroso trabalho corporal que o trio executa. A direção musical ficou ao encargo de Tato Taborda, que se esmerou em criar uma trilha que, além de bela, notabilizou-se pela inquestionável coerência ao se adequar à época histórica em que se desenvolve a sinopse. Lindas canções francesas são inseridas no cerne dos acontecimentos, inclusive um dos maiores clássicos do cancioneiro do país dos jovens Theo e Isabelle, “La Vie En Rose”, interpretado pela voz do ícone do trompete, o americano Louis Armstrong. Tato também se preocupou em demarcar certas passagens com sons instigantes e ruidosos. Todos os fatos buliçosos que ocorrem nas ruas parisienses são traduzidos por ele, com as sonoridades do falatório de uma multidão protestante e outras características, além de explosões e tiros concernentes a uma manifestação revoltosa. Aurora dos Campos, responsável pela cenografia, aposta na junção da neutralidade crua cinzenta com os muito bem aproveitados recursos tecnológicos visuais disponíveis, gerando um painel conjunto que de alguma maneira posiciona o ator em um patamar privilegiado no espetáculo. Observa-se uma espécie de caixa cênica com uma tela transparente vazada em sua frontalidade, como fora dito, tendo ao fundo uma abertura quadrada por onde entram e saem os personagens, dependendo das situações originadas. Há uma outra abertura com forma retangular (uma porta) no flanco esquerdo da ribalta. Usa-se em determinado momento algo semelhante a uma bancada. Os figurinos de Graziela Bastos abraçam o despojamento juvenil do final da década de 60 por meio de casacos, camisa e calça jeans, boots, camisa num tom azul forte, calça ocre, casaco chumbo, saia, blusa, xale, regata e underwear brancos. Há uma intencionada liberdade ao se misturar peças de distintos contextos com cores de larga paleta. Um detalhe neste setor que se destaca são os acessórios, na verdade, os óculos escuros utilizados por Igor e Juliana, em isoladas ocasiões. A iluminação de Rodrigo Belay/In Foco percorre com bastante meticulosidade caminhos que possam ocasionar uma ambiência peculiar, coerente, adequada e sedutora para cada cena. O fundo do palco, em não raras vezes, ganha a sua luz própria. Intentou-se com sucesso um plano aberto intermediário, possivelmente com o objetivo de se deslocar a ação para um período não atual. Uma cena delicadíssima envolvendo a nudez de Igor Angelkorte é iluminada com sábia discrição. E em outras em que a nudez do elenco se impõe necessária, a luz de Rodrigo pretende tão somente embelezar e suavizar as cores de suas peles e linhas de seus corpos, invariavelmente com bom gosto. A espetacular direção de imagens foi conduzida por Allan Ribeiro. Allan executou um trabalho visual riquíssimo, provando a sua inteira aptidão e sensibilidade em captar e inserir belas, insinuantes, autorais, psicodélicas e poéticas imagens sobre a tela em questão. O resultado é inegavelmente arrebatador. O visagismo de Nina Dutra soube com delicadeza realçar os atributos de cada ator, conferindo aos seus papéis um alcance maior em sua credibilidade junto ao público. “Os Sonhadores” é uma peça feita por jovens com a preciosa gana de fazer valer o seu nobre ofício da atuação, que fala de sonhos, de amor e sexo, de comportamentos e ideologias, com poesia, romance e humor. Feita por jovens, mas direcionada para o mundo. Não importa que sua trama se passe em um determinado período histórico, o turbulento ano de 1968. Não importa que tenha acontecido em Paris. Não importa que sejam dois franceses e um americano. “Os Sonhadores” é um espetáculo universal, humano e atemporal. O mesmo grito daqueles jovens do final da década de 60 pode ser ouvido hoje em outras ruas, algumas não tão glamorosas como as parisienses. Os conflitos e anseios afetivos e sexuais juvenis tiveram uma modificação ou outra, mais ainda são conflitos e anseios. A eterna busca pela liberdade, esta se mantém inalterada, independente dos tempos. Se no romance de Gilbert Adair a Cultura foi maculada com a exoneração de seu curador, o que impediu a exibição dos filmes na Cinemateca de Paris, não é necessário ir tão longe para se encontrar algo parecido. Igor Angelkorte, Bernardo Marinho e Juliana David são atores sonhadores, sonhadores atores. Sempre atores. Com eles sonhamos, sem jamais perdermos de vista a realidade sonhada.

     

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 19th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo da Ford Models Brasil Celina Locks esteve presente na temporada Verão 2016 da São Paulo Fashion Week, comemorativa de seus 20 anos, no Parque Cândido Portinari.
    Celina nasceu em Curitiba, Paraná, e foi descoberta em 2007, com apenas 16 anos, em um concurso realizado em sua cidade natal pela Ford Models Brasil.
    A partir de então, sua carreira como modelo ascendeu, estreando nas passarelas da importante semana de moda paulista, SPFW, no ano seguinte.
    Ganha projeção internacional, e passa a ser agenciada também pela Ford Paris, Ford Miami, Ford NYC, A2 e MGM Hamburg.
    Trabalhou com Yves Saint Laurent e o estilista italiano Stefano Pilati.
    Os compromissos no exterior se tornaram mais frequentes, o que fez com que viesse a morar por alguns períodos em Nova York, Milão e Londres (hoje, a modelo reside em Barcelona, na Espanha).
    Pertencente à agência Mega Model Brasil, desfilou pela Cavalera na São Paulo Fashion Week Verão 2016.
    Segundo a respeitada revista “Vogue Brasil”, a modelo foi considerada como “o corpo da temporada de verão da SPFW”, ao se apresentar pelas marcas Tryia, Amabilis, Isabela Capeto, UMA Raquel Davidowicz e Lilly Sarti na São Paulo Fashion Week Verão 2017, em abril passado (neste mesmo mês, Celina Locks, que é namorada do ex-jogador e empresário Ronaldo, participou de um ensaio fotográfico para a revista “Estilo”).

    Agradecimento: TNG

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 19th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    A modelo curitibana Celina Locks, agenciada pela Ford Models Brasil, despertou a atenção dos fotógrafos presentes na edição comemorativa dos 20 anos da São Paulo Fashion Week, em sua temporada Verão 2016, realizada no Parque Cândido Portinari, em abril do ano passado.
    Celina também é agenciada pela Ford Paris, Ford Miami, Ford NYC, A2 e MGM Hamburg.
    Foi descoberta quando tinha apenas 16 anos em um concurso promovido pela importante agência Ford Models Brasil no ano de 2007 (no ano seguinte, a mais nova profissional da moda já estava debutando nas passarelas da São Paulo Fashion Week).
    Serviu como modelo de prova do estilista italiano Stefano Pilati.
    Trabalhou com Yves Saint Laurent.
    Em decorrência das propostas vindas do exterior, viu-se obrigada a morar em Nova York, Milão e Londres (no momento, reside em Barcelona, na Espanha).
    Na edição Verão 2016 da semana de moda paulista, quando pertencia ao cast da Mega Model Brasil, desfilou para a marca Cavalera.
    Na última temporada da SPFW, promovida em abril passado, em sua edição Verão 2017, a modelo com projeção internacional foi considerada, de acordo com a respeitada revista “Vogue Brasil”, como “o corpo da temporada de verão da SPFW” (Celina Locks desfilou para Tryia, Amabilis, Isabela Capeto, UMA Raquel Davidowicz e Lilly Sarti).
    Celina Locks, namorada do ex-jogador e empresário Ronaldo, no mês passado fez um ensaio fotográfico para a revista “Estilo”.

    Agradecimento: TNG

  • ” Em seu mais novo texto, ‘Enterro dos Ossos’, ambientado em um universo futurista, o dramaturgo Jô Bilac, acompanhado de seus ‘astronautas’ Erom Cordeiro, Pierre Baitelli, Hugo Bonemer, Lidiane Ribeiro e Júlia Marini, revela-nos, por meio de seu absoluto domínio das palavras, até que ponto vai a insana busca do homem pelo esclarecimento do desconhecido. “

    maio 10th, 2016

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    Foto: Douglas Shineidr

    Vê-se um homem suspenso no ar. Dele, ouve-se um aprazível assovio. O astronauta de branco (Hugo Bonemer) em sua delicada coreografia corporal, em seu balé sideral, revira-se, movimenta-se, brinca ou desafia a ausência sentida da força da gravidade. O mesmo astronauta canta belamente uma canção em inglês na esperança de se fazer ouvir onde o som não tem direito de existir (concluiu-se, segundo estudos, que no espaço há barulhos, mas os mesmos são extremamente sutis; quanto ao assovio do astronauta de branco, presume-se que seja uma referência à tradução do som das ondas gravitacionais que possuem a mesma frequência daquele). Também suspenso no ar um verdejante arbusto de folhas intocadas que nos faz lembrar de uma Terra utopicamente preservada. O prestigiado dramaturgo Jô Bilac se valeu de uma revelação científica recente importantíssima anunciada em fevereiro deste ano, comemorada com entusiasmo pela comunidade pesquisadora, de um fato já previsto há exatos cem anos pelo físico Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, a existência das ondas gravitacionais (em linguagem simples, são vibrações no espaço-tempo, o material do qual é feito o Universo, possivelmente geradas pela colisão de dois buracos negros, de acordo com os cientistas autores da descoberta), para criar com engenhosidade o seu mais novo texto, “Enterro dos Ossos”, com direção de Camila Gama e Sandro Pamponet. Em seu elenco, além de Hugo Bonemer, Pierre Baitelli, Erom Cordeiro, Júlia Marini e Lidiane Ribeiro. O espetáculo prossegue com Pierre descendo uma das escadas que intermedeiam a ampla plateia do Teatro de Arena do Espaço Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. Trajando apenas uma regata e um short boxer brancos, o intérprete, também astronauta, profere inflamado e minucioso discurso elucidativo acerca das atuais e impactantes descobertas da Ciência (colisão dos buracos negros com a formação de ondas gravitacionais, liberação de potentes energias, possíveis outros sinais que levem ao desvendamento de como se deu a origem do Universo etc). O homem do espaço (Pierre Baitelli), sentado em terreno arenoso, com pernas levemente dobradas, em sua peleja pessoal contra o vácuo, buscando honroso equilíbrio, compartilha com paixão suas ideias complexas sobre o Cosmos. Os astronautas mergulham em desmesurada audácia ao desejarem desbravar aquilo que lhes é desconhecido e misterioso, a casa onde habitam as galáxias. Alguns deles, num tom de oratória coloquial, discreta ironia, diálogo direto com o público, emissão de opinião pessoal ou percepção particular, discorrem sobre as suas convictas impressões acerca do globo azul distante e os seres vivos pensadores e pequenos que se julgam grandes e sós em sua inteligência na imensidão universal. Os homens, assolados nas coletivas derrotas como “criaturas” de um Deus que jamais vimos, vivem às custas de suas hipóteses, elucubrações, ilações, tendo somente a “certeza” de que a vida lhes é eterna. Preocupam-se em desvendar  o desconhecido sem ao menos conhecerem a si próprios. Hugo Bonemer, em um dos momentos da peça, representa o astronauta determinado, resoluto e decidido a subir aos céus, romper a atmosfera, ir ao encontro do escuro infinito rasgado por corpos sem rumo, mas que vivem em sua privada harmonia. Conta-se regressivamente. 4, 3, 2, 1! Pronto! O balão de gás atrás de si estoura. Segue assim a nave do homem superior rumo à obra mais enigmática do Criador. Como um Pilatos moderno, lavemos as nossas mãos face à empáfia humana de se querer descobrir com avidez segredos alheios. Em outra passagem de “Enterro dos Ossos”, a atriz Lidiane Ribeiro incorpora de modo ensandecido durante uma “conferência” a figura que dá voz a uma retórica assustadoramente definível como fascista, totalitária, arbitrária, longínqua do conceito legítimo de liberdade e democracia, cometendo paradoxos e deles se vangloriando. Defende a exploração do Planeta Vermelho, iniciando assim uma nova forma de civilização, dando ao ser humano a chance de se reinventar. Ao pronunciamento insano, assiste impávida, sentada em uma cadeira, a personagem de Júlia Marini. Esta mesma mulher se dispõe a falar num grau de vociferações, anunciando o fim das ideologias. Na verdade, trata-se de um gigantesco asteroide em rota de colisão com a Terra. Conhecemos a “mente” de um corpo celeste revoltoso disposto a destruir em sua plenitude o planeta terreno povoado por seres acólitos de sua discórdia atávica. Os humanos, naturalmente inimigos entre si, ao se verem na iminência de serem aniquilados, perdoam-se, confraternizam-se, unem-se pelo menos na hora do fim coletivo. A Terra está debaixo da terra. Um Cristo Redentor irreverente e suplicante (Erom Cordeiro vestido com bata e bermuda brancas), ressuscitado como um “iceberg” em meio à consumada hecatombe, emite-nos sua inesperada opinião. Com os braços estendidos, com a visão de uma Ipanema sumida e sua “Garota” agora desconhecida, Erom, como um Redentor modesto, ostentando leve sorriso sarcástico na face, e com certa vergonha do fracasso de sua Criação, no bairro soterrado que sempre o abrigou, iluminado pelas luzes das efemérides, revê a sua missão messiânica, e procura preservar a sua sobrevivência divina no seio do caos dominado por “aliens”. Pierre Baitelli, empunhando um microfone de pé (este recurso de som, também o de mão, são bastante usados por outros atores), irrompe simbolicamente como a forma de vida mais resistente da face da Terra, a bactéria. Sua bactéria, mesmo na microscopia de seu tamanho, gaba-se da sua condição de superioridade sobre o homem comum. Num mundo de humanos “inteligentes” já dizimados, a bactéria, cheia de si, soberba, esnobe, faz troça de nós, terráqueos. Ela é a primeira forma de vida, e não há quem possa contestá-la, pois argumentos sólidos não lhe faltam. Arqueólogos alienígenas, com suas cabeças ornadas com lanternas curiosas, escavam a devastação poeirenta de um lugar que um dia já pôde ser chamado de mundo. Ossadas largas, curtas, com formatos irregulares, e um crânio que em período não sabido pode ter sido pensante são descobertos. Não se sabe quem foi, quem é, e para onde foi. O dramaturgo carioca Jô Bilac, detentor de um sem número de peças de sucesso e merecidos prêmios (“Savana Glacial”, “Conselho de Classe” e “Beije Minha Lápide”), nesta montagem impingiu uma considerável dose de arrojo sustentado por notáveis inventividade e criatividade, subliminar humor, causticidade e consistente viés crítico. Adotando uma ambiência futurista com claras referências ao gênero da ficção científica (muito pouco utilizado no cenário teatral), Jô nos ofereceu um texto em que as palavras são demasiado valorizadas, corroborando o seu absoluto domínio sobre as mesmas, e o capricho com que constrói as falas de seus personagens. Mesmo com informações de cunho científico, o seu texto, formalizado sobre pilares de poesia em não poucas ocasiões, chega ao público de modo cenicamente atrativo e instigante. O que se percebe em sua dramaturgia é um bem urdido jogo de vocábulos apropriadamente costurados, o que permite aos seus atores a rica chance de saborear cada fala, cada conjunto de frases que lhes coube. A direção de Camila Gama e Sandro Pamponet é sensível, lírica e objetiva, sem perder em nenhum momento o seu foco narrativo, evidenciado na salutar fluidez da montagem. A dupla de encenadores soube com distinta proficiência não só aproveitar o espaço de arena com suas entradas laterais, como procurou, num exímio trabalho de direção de atuação de seus intérpretes, realçar o talento de cada um, valendo-se de seus imprescindíveis solilóquios. Notou-se também que houve uma apurada dedicação e atenção especial na maneira com que o elenco se desloca em cena, em seus posicionamentos estratégicos, nas mínimas e detalhistas movimentações de seus corpos (afinal, em várias passagens os personagens estão em uma situação de ausência da força da gravidade). Camila Gama e Sandro Pamponet complementaram com inegável êxito o seu espetáculo com o uso de luzes e som não apenas como elementos técnicos, mas como instrumentos indispensáveis para os espectadores se envolverem com a história que nos foi contada. Os atores todos, sem exceção, apresentam-nos excelente uniformidade artística. Cada um dos intérpretes contribui de modo irretorquivelmente precioso para que o espetáculo em questão atinja níveis de alta qualidade e credibilidade cênicas. Erom Cordeiro ostenta refinado e elogioso grau de ironia e contido sentimento de fragilidade sob a sua nova e desfavorável condição, como o Cristo Redentor sobrevivente da destruição plena da Terra. O ator, com sua voz firme, conhecimento de seu corpo, realiza com vitória a composição de seu sagrado personagem. Erom desenha brilhantemente o perfil deste Cristo agora “humanizado”, desprovido de sua intocabilidade sacra. Pierre Baitelli defende com singular nobreza e admirável e honrosa convicção de suas intenções o astronauta do início da peça que nos informa acerca dos muitos fatos de caráter científico que servirão como base para o desenvolvimento do entrecho. Na continuidade de sua atuação, demonstra surpreendente trabalho corporal e de equilíbrio ao se posicionar sobre o chão coberto de areia. Na sua inspirada personificação da “bactéria”, Pierre a compõe com irresistíveis camadas de cinismo, humor, petulância e soberba. Hugo Bonemer, também como um astronauta, exibe no entroito da montagem, numa lindíssima e inesquecível cena em que está dependurado por cabos que nos dão a precisa ideia de que está vagando pelo espaço sideral, uma soberba dominação de seu próprio corpo (ele, com movimentos delicados e concisos, explora suas aptidões físicas com sublime competência, numa coreografia acrobática de se encher os olhos). Além disso, Hugo cantarola maviosamente uma canção no idioma inglês, e assovia com harmoniosa afinação. Como o astronauta que reproduz o lançamento de um foguete (neste instante, o ator está em uma das escadas do teatro), ostenta apreciável segurança no falar, presença forte em cena, e indiscutível entendimento de sua parte quanto à missão de seu personagem na obra narrativa. Júlia Marini, como o ser representativo de um asteroide em rota irreversível de colisão com a Terra, comprova-nos a sua sobeja capacidade de interpretação ao ponto de nos convencer sobremaneira que um corpo celeste inanimado pode manifestar “vida” e se expressar ideologicamente (por sinal, o seu discurso pioneiro se coloca avesso às ideologias). Júlia é uma atriz segura, pujante em sua interpretação, com desenvoltura eminente no palco. E Lidiane Ribeiro, como a conferencista defensora da possibilidade de se promover a civilização em Marte, opta por um caminho inegavelmente acertado e cheio de nuances vocais e posturais na composição de sua personagem, cujas características mais evidentes são os seus autoritarismo, tirania e reacionarismo natos. Lidiane movimenta-se e fala de modo peculiar, procurando até mesmo a linha que beira o cômico, a fim de realçar as tintas de seu controvertido papel. Os bonitos figurinos de Camila Gama apontam para uma oportuna neutralidade, economicidade e assumido despojamento em que se sobressai soberano o branco. O branco astronauta. Vê-se esta cor sob diferentes cortes de roupas, como calças, regata, bata, blazers, saias e bermuda (como calçados, foram usados boots e tênis). Uma bela assepsia que transcende os limites do espaço-tempo. O cenário de Sandro Pamponet nos dá a noção perfeita da desolação espacial ou terrena (ou de Marte) com toda a arena coberta de ponta a ponta de areia, associada a um deslumbrante lirismo simbolizado pelo frondoso arbusto pendurado no centro daquela. Somam-se a este caprichado conjunto visual uma cadeira com design futurista e as ossadas semicobertas de areia de um esqueleto desconhecido. A luz de Renato Machado é arrebatadoramente deslumbrante. Nada passa despercebido aos olhos atentos do reconhecido profissional da iluminação. O arbusto recebe um foco especial que valoriza o seu esplendor, Marte ganha a sua acachapante vermelhidão, o astronauta suspenso é iluminado individualmente, e os demais atores outrossim em suas demais posições. Testemunhamos um azul ofuscante. Há bastantes pequenos refletores superiores que lançam cada um deles uma série de diminutos feixes que se “abrem”, causando um enternecedor efeito. O blecaute é rompido pelas lanternas dos arqueólogos alienígenas. Retângulos e círculos desenhados pela luz nos fazem lembrar de que as formas, todas elas, têm a sua Geometria finita ou “infinita”. Figuras coloridas com formatos indecifráveis e inebriantes são tracejados lindamente sobre a camada arenosa. O som que perpassa toda a peça é executado por Susana Guardado (posicionada na própria arena como se fosse mais uma personagem), que se utiliza de um sintetizador que produz as mais variadas sonoridades. Estas são intrigantes, sensoriais e efusivas (neste último caso, com o acompanhamento frenético das luzes). “Enterro dos Ossos” é um espetáculo teatral diferencialmente moderno. Moderno na atualidade da abordagem de seu tema. Moderno na construção de sua dramaturgia. Moderno na condução poderosa das palavras de nossa Língua, e no modo como elas se relacionam. Moderno ao fazer um teatro ousado, crítico e sem esquematismos, fugindo do lugar-comum e da mesmice. Sua modernidade também se expressa na escalação de ótimos atores com identidades e talentos próprios. “Enterro dos Ossos” fala, da mesma maneira, em linhas gerais, juntamente com as recentes descobertas científicas, como o homem, como astronauta, enxerga com o privilégio da distância o nosso planeta tão obscuro e indestrinçável em seus mistérios e enigmas, e a Humanidade, igualmente obscura e indestrinçável em seus mistérios, enigmas, intenções e verdades. “Enterro dos Ossos” serve para nos mostrar que o teatro está cada vez mais vivo e intenso. “Enterrados” estão somente os ossos de seu criativo título. O nosso teatro, este, nobres leitores, está vivíssimo, e o que é melhor, sempre renascendo. Neste caso, com a providencial ajuda de nossos extraordinários “astronautas”.

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    maio 4th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    O modelo da Mega Model Brasil Lucas Lourenço, na São Paulo Fashion Week Verão 2016, no Parque Cândido Portinari.
    Também foi agenciado pela 40º Models, do Rio de Janeiro.
    O carioca Lucas, nesta edição da semana de moda paulista, foi considerado um dos destaques, tendo desfilado para marcas como Colcci, João Pimenta, TNG e UMA Raquel Davidowicz.
    Circulou pelas passarelas italianas mostrando as coleções de inverno 2016 da Dolce & Gabbana, e estampou catálogos da grife.
    Fotografou para Jeff Segenreich juntamente com o modelo Gabriel Loureiro para o editorial “We Never Go Out of Style” para a edição de julho de 2015 da “Attitude Magazine” (representados à época pela 40º Models).
    Atualmente, Lucas Lourenço está trabalhando em Shanghai, China.

    Agradecimento: TNG

  • “Tendo como cenário principal as barbaridades imperantes de uma guerra civil, somos apresentados pelo incensado autor libanês Wajdi Mouawad à realidade perturbadora de sua dramaturgia em “Incêndios”, com Marieta Severo e ótimo elenco, mostrando a pungente dor materna, que desconhece tempo e espaço, sendo-nos compreendida no futuro somente pelas causas do silêncio, da verdade e do amor incondicional.”

    abril 26th, 2016

    Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.
    Foto: Leo Aversa

    Em “Incêndios”, tudo se inicia com um testamento. Um inesperado testamento que servirá como agente desencadeador da trama admirável e impressionantemente bem estruturada por seu autor, o libanês radicado no Canadá Wajdi Mouawad (a história surgiu de um processo colaborativo de Wajdi com o coletivo teatral que dirige, Au carré de l’hipotenusa), tendo a escrito no não tão longínquo ano de 2003, e que rendeu um longa-metragem homônimo, lançado em 2010, dirigido por Dennis Villeneuve, e que fora indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No espetáculo, o circunspecto e resoluto tabelião Jean Lebel (Marcio Vito), no novo escritório do qual se gaba de sua aprazível vista, lê e explica solenemente para os filhos gêmeos de 22 anos, Jeanne e Simon (Keli Freitas e Felipe de Carolis, respectivamente) o que sua mãe, Nawall Marwan (Marieta Severo), manifestou de modo claro como suas derradeiras vontades. Na peça dirigida por Aderbal Freire-Filho, que estreara no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2013, e desde então tem recebido merecidos e importantes prêmios, com elogios unânimes de público e crítica, Jeanne é uma autocentrada e decidida professora universitária de Matemática (ela realiza complexas comparações entre o núcleo familiar e a Geometria, posicionando o primeiro no cerne de um polígono). Simon é um boxeador amador que extravasa a sua rebeldia e agressividade jovens nos treinos constantes com o seu preparador físico (Flávio Tolezani). Nawal determina aos seus descendentes incrédulos e confusos que saiam em busca de seus pai e irmão desconhecidos no Oriente Médio (em região não especificada na montagem), e lhes entregue dois simples envelopes. Deixou-lhes ainda uma camisa verde de enigmático número 72, um caderno de brochura vermelha, e exigências quanto ao seu enterro (que seja sepultada nua, de bruços, sem epitáfio e pedra sobre ela, permitindo somente as águas dos baldes jogadas em seu corpo inerte). Após cinco anos imersa em silêncio num quarto de hospital ocidental, vinda de terras árabes, amparada por fiel enfermeira (Fabianna de Mello e Souza) que grava suas ausências de sons em fitas cassetes, na volta ao lar, assevera: “Agora que estamos juntos, tudo ficará melhor”. Retornando ao desorientador testamento, Simon vilipendia sua progenitora com vocábulos ofensivos, afogado em infinita revolta, enquanto Jeanne resolve desvendar passo a passo a existência pretérita de quem lhe deu a vida (a enfermeira de sua mãe, hoje funcionária de um teatro, responde às suas urgentes inquirições). Com mochila nas costas, segue firme em peregrinação tortuosa na procura inglória pelos seus consanguíneos, comunicando-se algumas vezes com o seu irmão. A montagem não se submete a uma linearidade arbitrária de tempo e espaço, o que nos permite entender como se deu toda a aterrorizante jornada de Nawal. Moça, quase criança, aldeã, conhece o amor do rapaz de mesma aldeia (Isaac Bernat). O amor é proibido pela mãe da amante (Fabianna de Mello e Souza), e dele surge um filho, previsto pela velha senhora, sua sábia avó (Fabianna de Mello e Souza). Nunca mais se viu o rebento, que teve como pioneiro berço um velho balde. Também não se teve mais notícias de seu amado. A aldeia ficou vazia, e Nawall segue o seu destino incerto, incerta dos horrores que a esperam.  Em seu périplo, em meio a uma terrífica guerra civil, com as barbáries perpetradas por soldados, milicianos e tropas estrangeiras, encontra Sawda (Kelzy Ecard), uma boa mulher que se apraz em cantar com sua linda voz. No entanto, Sawda se adapta e corresponde em atitudes em grau similar às desgraças de um conflito bélico que a arrebatam. Unem-se na paz da aliança e nas temerárias batalhas que as espreitam. Na conjunção de presente e passado, Jeanne segue viagem, e se defronta com pessoas, como um camponês e um zelador de escola (Isaac Bernat), que podem ajudá-la a descobrir o paradeiro de seus familiares, enquanto que Nawall ensina à sua nobre parceira a arte das letras, na escrita e na leitura. A dupla escuta a orquestra dos tiros insanos. Nas loucuras de uma guerra injustificada como as demais guerras, as mulheres comuns empunham coronhas de armas, tornam-se guerrilheiras, o rosto é camuflado nas tintas, e os estampidos de seus disparos já não lhes soam tão assustadores. Mas crianças, idosos e mulheres carbonizados por chamas e incêndios criminosos num ônibus de civis inocentes ainda aterrorizam Nawall. A morte é banal. Sua mente explode em “incêndios”.  A marca da maldade humana se esprai em celas de prisão nos estupros contínuos e abomináveis e nas torturas contínuas e inomináveis. No deserto da destruição da paz, vê-se um aloucado franco-atirador (Flávio Tolezani) com o seu pesado fuzil sobre o ombro, um “sniper” cantando Supertramp, que usa as mãos frias de seus assassinados como microfone de suas frases desconexas ditas num inglês indigente. A verdade começa a aparecer para Jeanne por intermédio de um misterioso homem (Isaac Bernat). Nawall, “a mulher que canta”, que escreveu o epitáfio de sua avó profética, dilacerada pela dor que a acompanhou pelas estradas de sangue, trajada com vestido da cor da escuridão, depõe contra quem lhe fez o mal em um tribunal, num discurso frio e comovente que selará o seu final. A dramaturgia de Wajdi Mouawad, que teve a irrepreensível tradução de Angela Leite Lopes, causa-nos forte e marcante impressão pela forma com que foi brilhantemente estruturada. A peça, que se passa em várias fases da vida de Nawall, sendo que alguns desses tempos distintos que a definem se defrontam com os dias atuais, exigiu de seu autor uma ilimitada capacidade de composição, arranjo e posicionamento das etapas de sua rica história dentro das linhas exigíveis de um contexto teatral, sem que em nenhum momento se perdessem as suas lógica, coerência e fluidez narrativa. “Incêndios”, pode-se dizer, bebe na fonte das tragédias universais clássicas, que têm as mulheres como protagonistas de suas miserabilidades. O próprio Aderbal Freire-Filho, o diretor, afirmou que Nawall se assemelha a uma Medéia, uma Antígona ou Jocasta. Uma obra extremamente contemporânea, que faz um retrato fiel das desgraças da humanidade, como as guerras civis sem fim e sem motivação que nos convençam e o drama clamoroso dos refugiados, e as matanças dos que vivem na inocência. Aderbal, que teve como assistente Fernando Philbert, tomou para si um enorme desafio ao aceitar dirigir esta montagem de avolumada complexidade. O encenador com sua vasta experiência e conhecimentos prático e teórico da milenar arte não se intimidou, e conseguiu selecionar os elementos chaves para tornar a produção em algo cênico que fosse irreversivelmente atraente, instigante, inteligível e emocionante para o seu público. Apostou na ação continuada amparada por um crescente suspense. O diretor logrou prender a nossa atenção com o jeito altamente hábil com que conduziu os seus personagens em cena, sempre procurando atingir uma movimentação, uma dinâmica certeira e adequada dos intérpretes na ribalta, seja em suas marcações, deslocamentos no espaço, entradas e saídas, e ocorrências temporais concomitantes. Há uma linda cena, dentre tantas, em que os atores formam um círculo, e dentre eles estão os baldes, que possuem um alto valor simbólico no enredo. Todo o conjunto da encenação, que vai da atuação de seus atores, passando pela luz em consonância com o cenário, associado aos demais aspectos, torna a direção de Aderbal Freire-Filho exemplar. A Marieta Severo, como Nawal Marwan, coube o valioso, exigente e poderoso exercício artístico de imprimir uma infinita paleta de emoções às diferentes fases de sua vida no entrecho da montagem. Marieta estudou, pesquisou e definiu com apuro interpretativo a sutileza dos gestos, posturas, e consequentemente a voz oportuna, da jovem moça aldeã apaixonada, e depois, decepcionada, tanto com a perda de seu filho quanto com o desaparecimento de seu amado, da mulher aguerrida no seio dos conflitos bélicos, da mãe com sentimentos torturados pelas cruentas contingências, e novamente da mãe redentora e esperançosa de seus atos finais. Marieta, uma das atrizes mais respeitadas do país, evidencia-nos em cada fala, movimento, ação e reação o que a sua prodigiosa vivência como intérprete lhe proporcionou no decorrer de tão preciosa carreira, tornando a construção de sua personagem em outro momento memorável de sua trajetória como missionária das Artes. Felipe de Carolis, um talentoso ator de sua geração (idealizador do projeto, sendo um dos produtores da peça, juntamente com Marieta Severo e Maria Siman, tendo como produtor associado Pablo Sanábio) criou Simon com pujança e explosão dramática, demonstrando os níveis exatos de suas revolta, insatisfação e exasperação com a situação vigente dos acontecimentos narrados. Além disso, em outro episódio da encenação, ostenta sua visível aptidão e entendimento para nos convencer da sensibilidade genuína de seu papel, até então desconhecida, e o seu assombro incontornável ao se deparar com verdades substancialmente desconcertantes e avassaladoras. Keli Freitas, como a sua irmã gêmea Jeanne, agrupa suas cargas emotivas com precisão a fim de que possamos enxergar na moça que se vê de hora a outra com a árida missão de descobrir o paradeiro de seus entes queridos um caráter determinado pela sensatez, pela razão e por sua perseverança inquebrantável na conquista do encargo pesado que lhe foi passado pelas situações adversas (espantoso é o momento em que discursa acerca de teorias matemáticas com segurança e credibilidade). Marcio Vito defende com sobejas compreensão e inteligência artísticas a função do notário Jean Lebel, desenhando o seu papel, que possui elevada relevância no desenvolvimento da trama, com a sobriedade correta e o incisivo poder de convencimento que um homem de seu cargo deve ter, baseado na legalidade acompanhada de seus trâmites burocráticos. Kelzy Ecard compôs com esmero e sensibilidade as linhas da personalidade de Sawda com apreciáveis variações de interpretação, típicas de uma atriz experiente e sabedora de seu ofício, todas elas em perfeita harmonia com os fatos vivificados pela aldeã/camponesa que ecoa pelos cantos do deserto sua canora voz, associada ao desejo íntimo, em meio ao terror presente, de se familiarizar com a magia e o encanto das letras, ensinadas por sua amiga Nawal. Flávio Tolezani exibe em cada um dos papéis que defende uma notável, elogiosa e diferenciada visão acerca dos tipos característicos que personifica. Como o preparador físico de Simon, Flávio oferece-nos uma composição bem definida sustentada na energia determinante e incentivadora dos que se sujeitam a exercer esta profissão como meio de vida (funciona outrossim como uma espécie de confidente para o irmão gêmeo). Já como o ensandecido franco-atirador, Flávio Tolezani exerce um belo trabalho de modelagem artística de seu complexo papel. Ele cria com ostensiva intensidade dramática a figura de um ser patético, repulsivo, frio, desesperado no universo de suas próprias neuroses e perturbações mentais. O intérprete emite as suas falas e cantarola em diminutos intervalos, misturando os idiomas Inglês e Português, numa histeria agonizante. Todavia, em momento diverso, vemos o “sniper” com relativo nível de contrição, mas sem preterir jamais sua reconhecida gelidez. Isaac Bernat, que além de ator, possui uma trajetória bem-sucedida como diretor teatral, empenha-se com glória e obtém dignificante resultado na construção dos variados personagens que vivencia no entrecho cênico. A Isaac foi proposta uma tarefa não fácil de, por intermédio das pessoas significativamente opostas entre si a quem lhes dá vida, perpassar toda a história, servindo como um instrumento individualizado que situa os demais partícipes no contexto dos acontecimentos da obra contada. Seja como o puro, sonhador e romântico jovem que se enamora por Nawall, seja como o camponês típico e o simplório zelador de uma escola que trabalhara em uma prisão ambos esclarecedores das dúvidas de Jeanne, e por fim, como o homem cercado de enigmas que auxilia sobremaneira na elucidação do sedutor mistério, Isaac se revela um intérprete de inegável e indiscutível valor, provando-nos toda a sua inteligência sobre o que faz e realiza em prol de todo o conjunto cênico. Fabianna de Mello e Souza se desdobra com brilhante eficiência e desenvoltura interpretativa nos distintos papéis que lhe são ofertados. Convence-nos como a severa e implacável mãe de Nawall que não admite o seu namoro juvenil tampouco o fruto resultante deste; como a vetusta mulher, exponencialmente sábia, amorosa, misteriosa em suas previdências, avó de Nawall; e como a solícita e generosa enfermeira da progenitora dos gêmeos em seus longos tempos de hospital, depois funcionária de um teatro (quem sabe, uma homenagem de Wajdi Mouawad à sua Arte). A luz de Luiz Paulo Nenen é imensamente bela. Por mais dramáticos e desoladores que sejam os temas abordados pela obra de Mouawad, por mais árido que nos seja acompanhar as dores morais e físicas de Nawall, inclusive no ambiente de uma guerra, Luiz Paulo, com acentuado senso de apuro estético e sensível propósito de “colocar luz sobre o que é escuro”, logrou um incrível resultado cênico/visual ao direcionar sua iluminação, numa parcela considerável, sobre os gigantes painéis formados por um material vazado que nos remete a um metal oxidado/enferrujado pela passagem do tempo (deslumbrante cenografia de Fernando Mello da Costa). Pode-se afirmar que se intentou uma supremacia de tons terrosos em suas luzes (mesmos tons adotados em alguns figurinos). A cor da terra, a cor da terra do deserto. O mesmo deserto da guerra. Seus feixes luminosos são, sem exceção, estratégicos e potentes. Sem trocadilhos, logísticos, não abjurando os planos abertos (jamais exagerados), os focos sobre o intérprete, sem que haja luz à sua volta, e uma calculada gradação de tonalidades luminosas que perpassam todo o espetáculo. O cenário, como dito, e os objetos, ficaram ao encargo de Fernando Mello da Costa. Faz-se necessário que se fale um pouco mais dos painéis vazados com textura metálica (vislumbram-se por detrás deles poéticas e sugestivas silhuetas de arbustos e galhos secos e retorcidos, e a imagem e ação de alguns personagens). Os mesmos, que circundam o perímetro cênico, além de serem incontestavelmente funcionais (constituídos por portas, não percebidas a princípio por nós, até que sejam abertas e fechadas para o entra e sai dos personagens – o vaudeville e seu legado se manifestam até na contemporaneidade), são de modo inegável belos. A grandiloquência destes elementos implica em significações relativas, jamais absolutas. Sua exuberância “metálica, oxidada, enferrujada e dourada” traz em si o fluxo do tempo da narrativa, com o passado se imiscuindo ao presente, ou seja, não representa exatamente uma época específica, indicando, reitero, a irrefreável passagem temporal. O mesmo se pode dizer quanto à questão geográfica do entrecho. A não definição de espaços reconhecíveis no mundo (países, lugares…) justifica a “imparcialidade” do cenário. Fernando se utiliza ainda de objetos precípuos para a configuração temática da encenação, como uma bicicleta antiga, uma estante rústica com utensílios domésticos, uma mesa retangular de escritório com suas cadeiras modernas (e outras de madeira), tamboretes, bancada, guarda-chuva, armas, envelopes, papéis (há uma emblemática cena em que os intérpretes lançam para o ar vários destes, numa metafórica revoada de pássaros – Nawall cita algumas vezes o seu voo de liberdade), e os baldes de metal, signos imponentes e decisivos para os destinos dos participantes da história. Os figurinos de Antônio Medeiros são notavelmente coerentes, em perfeita sintonia com o perfil dos muitos personagens que passeiam por fases históricas diferenciadas e localidades com suas culturas particulares. Antônio se esmerou em precisar cada detalhe dos costumes usados, a fim de que melhor compreendamos o que se desenrola cenicamente. A congruência de seu trabalho é observada nas roupas modernas dos jovens irmãos gêmeos, com moletons e t-shirts despojados, na rusticidade e simplicidade dos trajes aldeões em tons terrosos e crus, no vestido bem cortado negro da Nawall enlutada, na composição caótica da vestimenta de um franco-atirador e seus acessórios (atendendo à sua mente caótica), e na sobriedade cinzenta do terno, colete e gravata do homem dos documentos, além de outras acertadas interveniências. A trilha sonora de Tato Taborda funciona com estimulante potência, provocando-nos incontida estupefação, assumindo a posição de peça chave para o incremento real e valorização legítima de cada sequência de ações da obra. Tato se utiliza dos acordes de um rock pesado, acelerado e pulsante nas cenas de maior tensão. Apropriadamente, ouvimos em árabe canções com notas tão bonitas quanto melancólicas. Há na trilha que acompanha o espetáculo sons incidentais, que nos posicionam num “thriller” bélico, dramático, trágico e familiar. O suspense na saga de Nawall e seus filhos é inato, congênito. Somos surpresos ainda por múltiplos ruídos, que vão dos estampidos ensurdecedores e aterrorizantes dos tiros disparados a esmo ou com intenção, até a poesia e ao idílio inerentes a uma brava chuva que se abate. A direção de movimento de Marcia Rubin empresta vasta sapiência à ação solicitante do texto de Mouawad. Os atores e seus corpos atendem às suas demandas com notada reverência. É visível a marca da conceituada coreógrafa no modo como o material físico de seus intérpretes (o corpo) é explorado. Muitas são as posturas, andanças e movimentações no palco. Dentre tantas, podemos destacar mais de uma passagem em que os gêmeos Simon e Jeanne se abraçam, unem-se, entrelaçam-se numa mistura de afeto e carência, como se ainda estivem “colados” no ventre materno, servindo como prova de que o caráter geminiano dos filhos permaneceu vivo e real, afora o aspecto biológico que os define. “Incêndios” é um espetáculo ao qual não se assiste impunemente. Não ficamos incólumes à ferocidade e contundência brutas de sua narrativa. Ademais, não deixamos de ser alvejados pelas emoções tão díspares e complexas dos seres humanos que nos são colocados à frente. O espetáculo dirigido por Aderbal Freire-Filho é uma flâmula incendiária que tremula ao sabor dos ventos do conhecimento minucioso da alma e do comportamento do homem moderno. Em “Incêndios”, conclui-se que, acima de quaisquer desvarios da humanidade, simbolizados por guerras sem términos, existe um amor, um silêncio e uma verdade que juntos são capazes de derrubar todo e qualquer exército de ignorância e intolerância.

  • São Paulo Fashion Week Verão 2016 – Parque Cândido Portinari

    abril 20th, 2016

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    Foto: Paulo Ruch

    O modelo David Martins na temporada Verão 2016 da São Paulo Fashion Week, promovida no Parque Cândido Portinari.
    David nasceu em São Luís, no Maranhão.
    Foi descoberto pelo maquiador Edilson Ferreira em sua cidade natal.
    Apresentado à agência Mega Model Brasil, em São Paulo, fora contratado.
    Atualmente morando no Brooklyn, em Nova York, é agenciado pela RE:Quest Model Management (Nova York) e pela Mega Model Brasil.
    Já fez campanhas para a Calvin Klein e Rockstter, e desfilou tanto no Fashion Rio quanto na São Paulo Fashion Week, apresentando as coleções de diferentes marcas, como Colcci, Lino Villaventura, João Pimenta, Blue Man, Coca-Cola Clothing, Reserva, Alexandre Herchcovitch, Carlos Miele, R. Groove e Ricardo Almeida.
    No Fashion Rio Outono Inverno 2014, o modelo desfilou para três grifes.
    Passou uma temporada em Milão (participou da Semana de Moda Masculina de Milão).
    Fernando Torquatto, Greg Vaughan e Jr. Becker o fotografaram para ensaios.
    Participou de uma campanha internacional da Versace, que o fez conhecer vários países.
    Recentemente, David Martins desfilou na New York Fashion Week Men’s (Primavera Verão 2016) para as brands Parke & Ronen e Asaf Ganot.
    Em Paris, foi selecionado para integrar o cast do desfile do estilista Givenchy, apresentando a coleção Outono Inverno 2016.
    Nesta edição comemorativa dos 20 anos da SPFW, David Martins circulou pelas passarelas vestindo peças da marca Cavalera.

    Agradecimento: TNG

  • ” No meio de uma crise política sem precedentes no Brasil contemporâneo, a nova novela das 23h da Rede Globo, ‘Liberdade, Liberdade’, de Mario Teixeira, faz um oportuno resgate histórico do nosso período colonial, propiciando ao público um maior entendimento acerca dos muitos vícios que se perpetuaram na nação. “

    abril 12th, 2016

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    Foto: Pedro Carrilho/Gshow

    A frase célebre do poeta romano Virgílio “Liberdade ainda que tardia”, mostrada na primeira imagem da nova novela das 23h da Rede Globo “Liberdade, Liberdade”, de Mario Teixeira, com a colaboração de Sérgio Marques e Tarcísio Lara Puiati (baseada em argumento de Marcia Prates, que se inspirou livremente no livro de Maria José de Queiroz, “Joaquina, Filha do Tiradentes”), com direção artística de Vinícius Coimbra, já nos introduz, com propriedade, assim como o título do folhetim, no universo autoritário e perverso do Brasil Colonial do Século XVIII, onde se morria por se defender “o direito do povo à praça”. No insalubre Cais do Porto do Rio de Janeiro, temos a pioneira visão de um impoluto homem de farda escura e respectivos galões rubros mirando as embarcações na Baía de Guanabara. O Alferes Joaquim José da Silva Xavier (Thiago Lacerda), alcunhado Tiradentes, caminha no meio da desordem e do caos do local (a câmera da direção o acompanha por trás), mantendo o passo firme e ligeiro dentre mercadores de peixes, soldados, pessoas do povo e negros escravos aviltados por pesados grilhões que os unem, até encontrar e abraçar fortemente o jovem Vendek (Gabriel Chadan), que lhe entrega um livro redentor, o “Recueil”, no qual se pode ler “A Declaração da Independência da América”, que servirá como base precípua para o movimento inconfidente brasileiro. O rapaz entusiasmado é aconselhado pelo militar a não pronunciar a palavra “conspiração” e a “vigiar sua sombra”. No colóquio com o poeta Tomás Antônio Gonzaga (Jorge Emil), Tiradentes discorre sobre a falência de Portugal, e as toneladas de ouro que foram usurpadas pelos ingleses. Teme-se a vinda de toda a Família Real para o Brasil, o que impediria a libertação definitiva da população de seu jugo. Ambos são surpresos por um aliado da Corte, e o derramamento de sangue se inicia. A saída para o Alferes é levar o inspirador livro para o sertão mineiro. Lá, escreve com sua pena, em uma das folhas daquele, uma dedicatória para a sua filha Joaquina (Mel Maia, que será vivida posteriormente por Andreia Horta). Mateus Solano entra em cena como Rubião, um personagem ficcional. O cidadão de fino bigode, com suor a escorrer pelo rosto, vai à procura do Alferes. Brincando com uma moeda entre os dedos, conhece a menina Joaquina, para quem “querer é poder” (Joaquina se ressente da ausência de seu pai). Com o pretexto de extrair um dente, é recebido pela simplória e voluptuosa Antônia (Letícia Sabatella), mãe da esperta garota. Na verdade, Rubião fora lhe dar um saco de ouro, como auxílio para a “causa inconfidente”, o que não agrada a ex-amante do “conspirador” (Antônia não concorda com os atos revoltosos de Tiradentes, por achar que o seu fim será iminente, em outras palavras, a forca). Com belas tomadas aéreas do sertão das Minas Gerais, o inconfidente, com seu cavalo valente, é abordado pelo temido e perigoso salteador Mão de Luva (Marco Ricca) e seu bando. Mão de Luva, com sua voz peculiar, anuncia-se como um “súdito de Sua Majestade, a Rainha”. Os bandoleiros agridem Tiradentes. Após ajeitar sua grotesca peruca, Mão de Luva o rouba, inclusive o livro “Recueil”, que julga ser importante. O defensor da República e da liberdade geral reencontra com júbilo a sua única descendente. Em seguida, numa sala de audiências, é acusado por Antônia de assédio, promessas falsas de matrimônio, e “pudicícia” ofendida. O juiz o pune, obrigando-o a transmitir um de seus bens à mãe e a filha, e a reconhecer legalmente a última, registrando-a com o seu nome. Em outra passagem do entrecho, ao ver um artista de rua sendo espancado por um soldado por usar as suas marionetes como veículo indireto de oposição política, o Alferes profere um inflamado discurso em praça pública, em defesa da liberdade do povo perante o seu governo, asseverando que este tem o dever de zelá-lo, guardá-lo e protegê-lo. A população se atiça com os seus gritos repetidos de “A praça é do povo, senhores!”. Em Portugal, no palácio imperial, a Rainha Maria I (Lu Grimaldi), com seu vestido opulento com a cauda suspensa por serviçais, ao lado de um clérigo, toma ciência da formação de uma conspiração no país que coloniza contra o seu poder absoluto. Para Maria I, tudo se resolve com a execução de seus opositores e descendentes, pois, segundo ela, “um traidor não pode ficar para semente”. Ricardo Pereira interpreta o Capitão Tolentino, que leva Abreu Vieira (Rico Gonçalves), o padrinho de Joaquina, ao Visconde de Barbacena (Xando Graça), que o acusa de contrabando de diamantes e conspiração contra a Rainha. Silvério dos Reis (Ricardo Dantas), também presente, sofre agressão. Os nomes de todos os conspiradores são exigidos. Lilia Cabral vive a personagem Virgínia, a dona do bordel de Vila Rica, em Minas. Sempre com um cantil de bebida, Virgínia lamenta o roubo do livro, num encontro com o Alferes (ele defende o uso de armas, e não somente as ideias, para atacar o Império, e cita como exemplo a luta dos norte-americanos contra os ingleses). Tiradentes e Rubião se reúnem, e se dão conta de que estão sem recursos para prosseguir com a Inconfidência. O bordel é invadido pelo Capitão Tolentino e sua tropa. Enquanto os “conspiradores” se divertiam com prostitutas, recebem voz de prisão por crimes de conspiração e alta traição, em nome da Rainha. Os presos serão levados para o Rio de Janeiro. Antônia fica desolada com a captura de seu ex-amante. Nu, acorrentado, esbofeteado, com sangue a jorrar pela boca, Rubião é torturado, até que diga com quem está o livro da conspiração. Silvério dos Reis o convence a revelar, em troca da comutação de sua pena. Rubião ainda silencia, até que um ferro em forma de gancho é aproximado de seu corpo. Enfim, fala: – O Alferes. Tiradentes. O livro está com ele. O Alferes também é brutalmente espancado, mas não assume a liderança da Conjuração Mineira. Diz algo em tom profético: – Minha morte é só o começo. Escondida em uma carroça, Joaquina foge do campo, e chega à cidade iluminada por tochas para ver o seu pai. O último encontro é rápido, sem direito a choros. No centro citadino, com a população estrepitosa, Joaquina ouve a sentença condenatória de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e o detalhamento com requintes de crueldade do que será feito com o seu corpo morto. Tudo é testemunhado por um misterioso homem, Raposo, também um personagem fictício (Dalton Vigh), simpatizante dos inconfidentes (será o pai de criação de Joaquina, e seu tutor e conselheiro). Traído por Rubião e Silvério na ficção, a vida de Tiradentes é roubada pela corda impiedosa da Coroa. No primeiro capítulo de “Liberdade, Liberdade”, a direção de Vinícius Coimbra (diretor artístico), André Câmara, João Paulo Jabur, Pedro Brenelli e Bruno Safadi apostou na agilidade das cenas, no “timing” do enredo, na diversificação dos enquadramentos e ângulos, e na preocupação de tornar uma história com muitos elementos históricos em algo plenamente assimilável pelo grande público. Os coerentes figurinos de Paula Carneiro e a direção de arte impecável de Mário Monteiro impressionaram. O elenco foi um dos inquestionáveis trunfos deste primeiro capítulo, com todos os intérpretes ostentando perfeita sintonia e compreensão de seus papéis. Thiago Lacerda, destemido como Tiradentes. Mateus Solano, envolvente como Rubião. Letícia Sabatella, determinada como Antônia. Marco Ricca, cínico como o bandido Mão de Luva (ótima composição do sotaque). Lilia Cabral, charmosa e sábia como Virgínia. Lu Grimaldi, prepotente como Maria I. Mel Maia, comovente como a corajosa Joaquina. Ricardo Pereira, como o leal Capitão Tolentino. E Xando Graça, como o nobre glutão e sem meias palavras Visconde de Barbacena. Não houve quem não brilhasse, e se destacasse nesta instigante e oportuna trama. A novela “Liberdade, Liberdade” possui o indiscutível mérito de resgatar um período determinante de nossa História em uma época em que a política brasileira necessita de revisões profundas. Os telespectadores tem, assim, uma preciosa chance de assistir a uma abordagem ampla com elementos reais e ficcionais de um dos maiores valores da sociedade, a liberdade. Liberdade, vocábulo tão rico e útil para os legítimos funcionamento e engrenagem da democracia. Que todos nós, politizados ou não, lembremo-nos do que disse o Alferes para os seus pares num momento de paixão e inspirada oratória: – A praça é do povo, senhores!. E do pensador Virgílio, com sua frase. Tardia, breve, urgente, a genuína verdade é que precisamos sempre dela: a liberdade, liberdade.

  • ” Renato Góes, o santo forte de ‘Velho Chico’. “

    abril 8th, 2016

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    Foto: Caiuá Franco/Rede Globo

    Com a exibição da primeira fase de “Velho Chico”, novela das 21h de Benedito Ruy Barbosa, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa Luperi (com supervisão de texto de Duca Rachid), confirmamos não somente a excelência estética e visual, e a ousadia e o arrojo na condução de suas cenas por parte de seu diretor artístico Luiz Fernando Carvalho. Luiz Fernando, que também é diretor de núcleo da Rede Globo, possui a vocação inata de revelar novos nomes, em particular jovens atores, para o grande público que acompanha os folhetins do horário nobre. Não foram poucos os casos em que tal fato decorreu. Na pioneira fase da história de “Renascer”, que foi ao ar pela citada Rede Globo em 1993, criada pelo autor da produção atual, fomos apresentados com maior realce ao casal Patrícia França (a atriz já havia estreado em uma minissérie) e Leonardo Vieira, como Maria Santa e Coronelzinho, respectivamente. Não fora distinto com a obra seguinte que reeditou com similar grau de sucesso a profícua colaboração entre o diretor e o teledramaturgo, com a novela “O Rei do Gado” (1996). Nesta atração, novamente em sua primeira fase, os intérpretes Marcello Antony e Caco Ciocler tiveram a sua real oportunidade na TV, e ambos se mantêm como artistas respeitados até hoje. E para concluirmos esta introdução, não podemos deixar de mencionar a premiada minissérie “Hoje é Dia de Maria”, que nos mostrou uma Carolina Oliveira, como Maria, encantadora. Nas semanas que marcaram os capítulos iniciais de “Velho Chico”, e que serviram primordialmente para nos familiarizarmos com a gênese do enredo a ser desenvolvido no futuro, deparamo-nos com um time excelso de intérpretes do calibre de Tarcísio Meira, Selma Egrei, Umberto Magnani, Chico Diaz, Cyria Coentro, Rodrigo Lombardi e Fabiula Nascimento. Rodrigo Santoro retornou às novelas, gênero onde começou, com enorme maturidade conquistada por anos nos cinemas. Carol Castro iluminou a “gitana” Iolanda. Barbara Reis foi uma agradável surpresa. Julio Machado nos atemorizou com a sua soturna capa preta. Marina Nery, estreante, fascinou-nos com sua beleza selvagem. Dentre os jovens que substituíram as crianças (todos convincentes em suas construções dos perfis e intenções de seus papéis, como a doce Maria Tereza, Julia Dalavia, o arisco Ciço, Pablo Morais, a maldosa Luzia, Larissa Góes, e o acanhado e justiceiro Bento, Dyio Coêlho) está o ator pernambucano Renato Góes, que interpreta o bravo, indômito, viril, romântico e probo Santo dos Anjos, um dos filhos de Belmiro (Chico Diaz). No entanto, engana-se quem pensa que o artista nascido no Recife, e que se formara na Escola Sesc de Teatro – PE, e estudado na Casa das Artes de Laranjeiras, não conhece bem o veículo da televisão. Após participações nos folhetins da TV Globo “Pé na Jaca” e “Cama de Gato”, defendendo curiosamente os papéis de Marcos Pasquim, Lance, e Marcos Palmeira, Gustavo, só que em uma fase mais jovem, e “Água na Boca”, na Band, o intérprete, que também foi apresentador do programa “Comentário Geral”, da TV Brasil, destacou-se com mérito na telenovela imaginada por Duca Rachid e Thelma Guedes, “Cordel Encantado”, como Fausto Peixoto. Voltou a trabalhar com as autoras, na mesma faixa da grade, em “Joia Rara”, desta vez personificando Nuno. Depois de uma passagem pelo quadro do “Fantástico” “Eu Que Amo Tanto”, o ator, que detém vasta experiência teatral, colecionando inúmeros espetáculos (dentre os quais, a “Paixão de Cristo” de Nova Jerusalém, “Cachorro Quente” e “Fazendo História”) ganha a ótima chance de participar da caprichada minissérie de Manuela Dias, exibida no início deste ano, “Ligações Perigosas” (na folhetinesca história baseada no livro homônimo de Choderlos de Laclos, Renato interpretou Vicente, o melhor amigo de Augusto de Valmont, Selton Mello). Não tardou para que Renato Góes já estivesse em locações impressionantemente belas do Nordeste brasileiro compondo com todas as minúcias necessárias um dos protagonistas da primeira fase de “Velho Chico”. Assim que vimos o ator de barba espessa e negra entrar em cena, logo percebemos que estávamos diante de um artista seguro, firme, convicto e plenamente consciente da psicologia do seu personagem Santo. Uma das cenas que de imediato chamou a atenção do público por sua beleza plástica fora a dos recém amantes Santo e Maria Tereza trocando carícias e beijos molhados nas águas régias do Rio São Francisco. Com precisa iluminação a valorizar seus corpos, transformando-os em silhuetas apaixonadas, os enamorados, como crianças efusivas com suas descobertas, selam ali o seu amor. Mas, como a novela assume as suas inspirações no clássico shakespeariano “Romeu e Julieta”, os obstáculos e oposições eram iminentes. Seguiram-se tensos confrontos entre o Coronel Afrânio (Rodrigo Santoro) e Santo. O rapaz que usa um escapulário e um lenço vermelho preso à cabeça que o faz lembrar um cigano, em cima de um lépido cavalo, livrou-se de uma emboscada de Ciço (Santo exigiu de Renato Góes acentuado preparo físico, pois muitas foram as cenas de cavalgadas e ação). O amor de Santo e Maria Tereza teve um preço. A morte de seu pai Belmiro, que se pôs à frente do filho, a fim de salvá-lo de um tiro, disparado por Ciço, aquele que o chama de “mardito”. Em um dos momentos mais impactantes de “Velho Chico”, Santo leva o seu pai, banhado em sangue inocente, sob o som do trote de seu cavalo, ao encontro de sua família pranteada. Santo se torna assim o prócer dos plantadores oprimidos de algodão de Grotas do São Francisco. Herdou os ideais de mudança e justiça do Capitão Rosa (Rodrigo Lombardi) e seu ascendente. Com o apoio dos olhos emocionados de Eulália (Fabiula Nascimento), Santo decide transformar a região, irrigando-a e plantando novos frutos. Seu amor moreno selado no rio lhe foi arrancado do peito, e trancafiado em um convento. Cartas de amor de Tereza jamais chegavam às suas mãos, pois antes, pelas mãos de Luzia, viravam cinzas de ciúme. Acusado de um crime que não cometeu, assediado pela pérfida irmã de criação, Santo, um cavaleiro quixotesco do agreste, sente-se cada vez mais acuado e desiludido. Desconhece que Maria carrega um filho seu. Fugida da casa de seu pai em Salvador, a filha do Coronel flagra o amado num beijo roubado. Iolanda, a “gitana”, lê a sua mão, e não vê algo bom. O pai lhe arranja um casamento com o jovem ambicioso Carlos Eduardo (Rafael Vitti), que sonha em ser Governador. O encontro definitivo entre Santo e Maria Tereza está por vir, e o seu amor se redefinirá. Renato Góes, que também já integrou o cast de filmes, como “Pequeno Dicionário Amoroso 2”, encerra a sua participação na primeira fase de “Velho Chico” no próximo sábado (caberá a Domingos Montagner viver o mesmo papel na semana seguinte). Todavia, os telespectadores não irão se esquecer do olhar firme e da voz segura com acento genuíno brasileiro de Renato. De seu sorriso largo e branco. De seu rosto suado pela labuta no sertão. De seus braços estendidos em êxtase sob a chuva brava. Renato Góes despede-se de “Velho Chico”, “um rio que passou em sua vida”. Aguardam-se outros, novos, para que Renato Góes, o santo forte, possa neles navegar.

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