No início da trama de “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, Kléber, personagem de Cassio Gabus Mendes, que demonstra uma vez mais ser um ator a quem devemos respeito, e que há muito tempo presenteia-nos com bons papéis e interpretações, mostrou logo ao que veio. Um jornalista separado, pai de filha adolescente, Olívia (Polliana Aleixo), impregnado de preconceitos da cabeça aos pés, ciumento e possessivo com relação a Daysi (Isabela Garcia), a ex-mulher, além de desrespeitoso e irascível no trato com Álvaro (Ricardo Rathsam), o editor do jornal onde trabalha. Na profissão, relutava o quanto fosse possível a dar notícias em primeira mão na versão on-line. Possuía o pensamento tacanho de que o “furo” perderia o seu impacto. Impacto este que inevitavelmente já não existiria se se esperasse o dia seguinte. Sua vida começou então a degringolar. As rédeas passam a escapar-lhe ao controle. Dívidas provocadas pelo vício no jogo provocam o não pagamento da pensão alimentícia da filha. As brigas com Daysi, o irmão Gabino (Guilherme Piva), e o editor só pioram. E os preconceitos também. Kléber assim não nos causava qualquer simpatia, mesmo sendo um profissional que buscasse as verdade e justiça. Até que em certa ocasião, chega ao local do trabalho bêbado. E dispara ofensas contra o superior. Demissão sumária. Reata de forma clandestina com a ex-mulher. Voltam o ciúme e o sentimento de posse, que motivam a perda de oportunidades de emprego daquela. Atinge o cume de roubar dinheiro de trabalhadora. A digna Haidê (Rosi Campos). É desmascarado e humilhado em praça pública. A filha por testemunha. Sem emprego, sem mulher, sem bússola e sem honra, está perto do escuro do fundo do poço. As portas para o sustento lhe foram fechadas a cadeado. E as chaves jogadas fora. Kléber está queimado. Porém, ao que parece liberto do jogo, em meio a tantos preconceitos, um foi dissipado. Dissipado por estar preso. Preso aos ideais de se fazer valer o que é justo em sociedade. Com a ajuda da filha que nunca lhe negou ajuda, cria um blog. Sim, um blog. Ele que sempre difamou o mundo virtual. Com o intuito de melhorar a imagem do país em que vive, o personagem Kléber assume outro personagem: Kléber Damasceno, o defensor dos blogs e oprimidos.
Categoria: TV
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Foto: Estevam Avellar/TV GloboÍcaro (Mateus Solano), um cientista em busca da mulher perdida. Cria Naomi (Flávia Alessandra), uma androide à imagem e semelhança de quem sempre amou. Naomi toca lindamente piano, e desperta o adormecido em Leandro (Caio Blat). Nem todos sabem de que não é humana. Surge então uma outra Naomi que o é. O mistério está estabelecido. Os sentimentos divididos. E como os mesmos serão cuidados somente Walcyr Carrasco, o autor da novela das 19h, decidirá. Enquanto isso, o público acompanha o desempenho desta atriz formada em Direito, e que chegara até a montar escritório, que por força da sinopse, vê-se obrigada a exibir habilidade ora em mostrar ora em ocultar sentimentos. E o início na profissão? Como se dera? Flávia, assim como Adriana Esteves e Gabriela Duarte, estreara na Rede Globo no folhetim de Walther Negrão e Antonio Calmon, “Top Model”, após ter participado de concurso no “Domingão do Faustão”. Depois de pequenas atuações em algumas produções da emissora, um papel de real destaque lhe é oferecido por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares em “A Indomada”. Fora Dorothy. Esta obra serviu como elemento desencadeante do processo de afirmação da carreira de Flávia. Volta a trabalhar assim com Ricardo Linhares em “Meu Bem Querer”, desta vez como vilã. Não demorou muito para que a intérprete ganhasse status de protagonista em “Porto dos Milagres”. Status este repetido em “O Beijo do Vampiro”, em que retoma parceria com Antonio Calmon. Sucesso arrebatador estava por vir. E aconteceu pelas mãos de Walcyr Carrasco. Seu prestígio só fez aumentar com “Alma Gêmea”. Posterior a “Pé na Jaca”, mais um êxito: a Alzira de “Duas Caras”, de Aguinaldo Silva. Alzira, como exímia dançarina de “pole dance”, causou interesse nacional por esta prática. A seguir, ao lado de Malvino Salvador, estrela “Caras & Bocas”. No cinema, integra o elenco de “De Pernas Pro Ar”. Por suas interpretações na televisão, fora agraciada com vários prêmios concedidos pela Revista Contigo!. Agora, como Naomi em “Morde & Assopra”, difícil não se lembrar das replicantes de Daryl Hannah e Sean Young no clássico da ficção-científica de 1982 dirigido por Ridley Scott, “Blade Runner – O Caçador de Androides”. Naomi, humana, ou não humana, com ou sem o lindo som que tira das teclas de um piano, é mulher capaz de mexer com os sentimentos masculinos que se exacerbam ou não.
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Foto: Divulgação/TV Globo
Aqueles que apreciam histórias contadas tanto no cinema quanto na TV já presenciaram incontáveis vezes o relacionamento de um casal cujo “combustível” são discussões frequentes, provocações, ofensas, insinuações maliciosas, deboches e cinismos de ambos os lados. E que ao final, descobre-se que o que havia entre o par era sim, ainda que de forma escondida, um afeto, paixão, ou até mesmo, amor. Quanto à televisão, citarei dois exemplos que refrescarão nossas memórias. Primeiro, o seriado da ABC (no Brasil, foi exibido pela Rede Globo) que fez enorme sucesso nos anos 80, “A Gata e o Rato”. Um Bruce Willis em vias de tornar-se astro que vivia às turras com Cybill Shepherd. Tudo temperado com boas doses de humor inteligente. Já no campo das novelas, posso mencionar a divertida “A Gata Comeu”, de Ivani Ribeiro, que ocupou o horário das 18h da mesma Rede Globo em 1985. As brigas entremeadas por beijos, abraços, e um tapa aqui, outro acolá cujos protagonistas eram Jô Penteado (Christiane Torloni) e Fábio Coutinho (Nuno Leal Maia) despertaram as curiosidade e interesse do público. Aliás, Ivani Ribeiro fora uma de nossas grandes mestras da teledramaturgia indubitavelmente. Já no cinema, que tal algo não tão distante? Então, vamos de “Mr. & Mrs. Smith”, longa-metragem dirigido por Doug Liman em 2005. Um filme comercial, tendo no elenco duas estrelas de Hollywood, Brad Pitt e Angelina Jolie. Quem lhe assistiu, sabe que é representativo do que estou a lhes falar. Pode-se dizer que o tipo de situação explorada é puro clichê. Sim, concordo. Mas funciona, e em não poucas ocasiões diverte, e nos impele a até torcer pela união do casal. Na verdade, tudo isto discorro para melhor assimilarmos o que está acontecendo com Carol (Camila Pitanga) e Raul (Antônio Fagundes) no folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, “Insensato Coração”. Desde que o pai de Pedro (Eriberto Leão) “entrou pela janela” (segundo as próprias palavras de Carolina Miranda) na empresa de Vitória (Nathália Timberg), que foi quem o indicou, que o que não faltam são faíscas quando há entre eles um encontro. Raul Brandão teve condescendência com a moça a princípio, ainda que lhe fosse antipática. No entanto, face a sucessivos “foras”, frases acerbas e colocações ferinas, rebelou-se. E passou a trocar farpas quase que diárias com a sua superior hierárquica. Chegou a pedir demissão quando soube de que modo fora admitido. Demissão negada. Todavia, ocorre imprevisto. E a bela morena tem que ausentar-se. O homem maduro de cabelos encanecidos que agrada às telespectadoras apresenta a grupo italiano projeto de marketing importante pertencente à bela morena. Esta ao ser comunicada, furiosa fica. Em reunião, Raul é elogiado pela dona do conglomerado de shoppings na frente de Carolina, que fica um tanto quanto enciumada. Neste momento, o elogiado afirma que os méritos devem-se à excelência do projeto. Parece que houve pacificação. Parece. Por sinal, lembram-se da primeira vez que se encontraram? Camila Pitanga provável orientada pelos diretores, baseados no que os autores escreveram, portou-se de maneira como se tivesse ficado impressionada. Coloquialmente falando, “deu bandeira”. Haverá romance. Então, prova-se que não somente simpatia é quase amor, mas antipatia também. Será?

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Divulgação/TV Globo
Duas mulheres, Sueli e Fátima (Andrea Beltrão e Fernanda Torres, respectivamente), vendedoras de típica loja de vestidos de noivas em Copacabana com seu comércio diversificado, que não conseguem se casar, ou manter o matrimônio. O argumento já é interessante (a redação final é de Cláudio Paiva), e de algum modo, engraçado por si só. O aspecto paradoxal da situação colabora sem dúvida para a construção de diálogos próprios de comédia. A vida sentimental de ambas é atribulada. Atribulada seria eufemismo. Vai de mal a pior, mesmo. Sueli, em tempo não muito distante, casou-se com Jurandir (um cômico Érico Brás). Ele retorna. E lhe telefona a cobrar (!). Fora preso por roubar o enxoval do casamento. Quer o divórcio. Sueli diz “não” retumbante. Já Fátima mantém relacionamento como amante com Armane (Wladimir Brichta, bastante à vontade). O trabalho dele também é de vendedor. Fátima defende-se afirmando que o rapaz pode ser casado fora de Copacabana, mas que neste bairro, ele é dela. Há bastante idas e vindas, provocações, brigas e reconciliações entre o casal. O dono do estabelecimento no qual as personagens das protagonistas laboram é interpretado pelo sempre bom Otávio Muller (Djalma), que é amasiado de Flavinha (Fernanda de Freitas, em convincente atuação), funcionária que se aproveita da privilegiada posição de caráter afetivo que ocupa para usar de autoridade com as colegas de ofício. Entretanto, não deseja que as mesmas sejam demitidas, pois tudo sobrará para ela. Flavinha é meio encostada. Há ainda a figura de S. Chalita (Flávio Migliaccio em presença que para nós é bem-vinda), proprietário de bar, que no início intenciona seduzir Sueli, e após a recusa desta, parte para cima de Fátima. Ela, já no desespero, chega a topar uma possível união. O texto de Cláudio Paiva nos é mostrado como se fosse um “bate-bola” com humor delicioso. Há impressionante “liga” entre as atrizes principais. Uma manda. A outra rebate. Não há descanso (no melhor sentido, é claro) para o telespectador. Tanto Andrea quanto Fernanda já haviam mostrado entrosamento no especial “Programa Piloto”. Se fossem escaladas intérpretes que não se entendessem em cena, a produção perderia largamente o apelo. A trilha sonora dá charme ao seriado, realçando-o com cancioneiro peculiar e adequado à proposta leve e jocosa da atração. A caracterização e figurinos a cargo de Luciene de Moraes e Antônio Medeiros são coerentes, destacando-se os usados por Andrea e Fernanda. E a cenografia de Luciane Nicolino merece menção elogiosa. Face aos que lhe informei, deduzimos que a direção coube a quem entende do riscado: Mauricio Farias (direção-geral). Sendo assim, ninguém pode reclamar que não há o que se fazer nas terças-feiras à noite ( agora com Fábio Assunção, Kiko Mascarenhas em outro papel, e Orã Figueiredo).
Essencialmente, rir. -

Foto: editorial de moda da EverlastRafa é playboy? Se levarmos em conta que o filho de Cortez (Herson Capri) é abonado, frequenta os melhores lugares, e fica com as garotas mais bonitas, podemos pensar desta forma. Entretanto, Rafa não é só isso. Rafa é estudioso, preocupa-se com o futuro. Foi capaz de pedir transferência de Economia para Direito, e ao não isto conseguir, decidiu prestar vestibular novamente. Além disso, o rapaz respeita os pais. Sim, cometeu um erro. Colocou em sua própria casa menina que não conhecia, que acabou o traindo. Isto acontece nas melhores famílias. Conheceu Cecília (Giovanna Lancellotti). Ela foi dura. Não lhe deu mole. Cecília é assim. Possui uma visão bairrista do que é ser carioca. O tempo lhe dirá a verdade. A moça de Floripa desde que chegou de Londres tem se mostrado rígida em seus princípios. Em dado encontro com Rafa, duvidou de sua capacidade intelectual. Não “rolou”. Rafa simplesmente completou uma citação que ela fizera de Clarice Lispector. Pediu assim seu telefone. Não fora dado de pronto. Porém, a voz poderosa da consciência disse para que ela lhe desse. E deste modo o fez. Falemos, então, um pouco de Jonatas Faro, que vive no momento o advogado Conrado em “Cheias de Charme. Jonatas começou sua carreira criança ainda. Tudo iniciou-se em “Chiquititas”, no SBT. Após, fizera parte do folhetim de Antonio Calmon, “Um Anjo Caiu do Céu”. Seu papel era Kiko. Retornou ao SBT, e fez parte de “Marisol”. Passara temporada nos Estados Unidos, e lançara-se como modelo. Na volta ao Brasil, torna-se bastante conhecido pelo Peralta de “Malhação”. Demonstrou ao público saber dançar no “A Dança dos Famosos” no “Domingão do Faustão”. E por saber dançar e cantar, fora selecionado para estrelar o musical de Miguel Falabella, “Hairspray”. Este já fora levado às telas por duas vezes: a primeira em 1988 (direção de John Waters), e a segunda, em 2007 (direção de Adam Shankman). Sua incursão no cinema decorreu no ano passado, com “Aparecida – O Milagre”, de Tizuca Yamasaki. E para concluir, voltemos a “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Cecília pareceu não ser tão intolerante com Rafael. Melhor assim. Cecília conseguirá enxergar em Rafa um rapaz que tem, dentre tantas qualidades, não apenas completar um texto de Clarice Lispector. Mas inserir um texto de Clarice Lispector na própria vida.
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Nívea Maria e Gabriel Braga Nunes em uma cena de tensão de “Insensato Coração”/Foto: Estevam Avellar Ela, como Carmem, ao entrar na novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, começou devagarzinho. Uma bonita e simpática senhora de bem com a vida. Quer dizer, procurava estar de bem com a vida, pois havia passado por vicissitudes que a deixaram só no mundo. Refez-se, e seguia em frente. Dava as suas caminhadas pelo calçadão de Copacabana, tomava água de coco, conversava com a amiga Sueli (Louise Cardoso). E para aplacar a solitude, recorria a rapazes profissionais. Era mulher por assim dizer “desencanada” neste campo. Tudo virou ao conhecer Léo (Gabriel Braga Nunes). É aquela velha história. Temos um cotidiano traçado, e surge um alguém que modifica este cotidiano traçado. Para o bem, ou para o mal. Carmem, como Norma (Glória Pires), seres femininos com baixa autoestima, são alvos fáceis para seres masculinos como Léo. Ao contrário do que fez com Norma, o golpe a ser aplicado na personagem de Nívea demandaria mais tempo, e confiança dela. Mesmo porque aquele seria de proporções maiores. Então, foram várias noites de amor falsas, declarações de amor falsas, sorrisos falsos, e tudo o que de melhor se encaixar naquilo que entendemos por falsidade. A hora da falcatrua dá-se. O cúmplice Tonico/Marcondes a postos (Luca de Castro, experiente ator e diretor pai de Carol Castro). Só que quem também está a postos é Sueli. Sueli que entra em contato com o advogado do Grupo Drumond Nelson (Edson Fieschi, competente intérprete que estreou em “Vale Tudo”). O rapaz desvenda a armadilha. Sueli avisa à amiga. Esta entra em estado de choque. Polícia é acionada. Confusão. Léo e Carmem brigam pela bolsa com o dinheiro da discórdia. Ao ser aberta pela força da disputa, cédulas voam pelos ares, do mesmo modo que o plano de Leonardo. A querida Nívea sai de cena com dever cumprido. Dever que só uma ótima atriz como ela sabe cumprir. Nívea Maria (que fora Regina em “Aquele Beijo”) é artista nascida em São Paulo com carreira respeitável, com tantos papéis inesquecíveis, que podemos citar apenas alguns, sem que se desmereçam os demais. Vamos a eles: a Jerusa de “Gabriela” (1975), a Carolina de “A Moreninha” (1975), a Rosália de “Dona Xepa” (1977), as Maria Alves/Maria Dusá de “Maria, Maria” (1978), a Beatriz de “Anos Dourados” (1986), a Berenice de “Meu Bem Meu Mal” (1990), a Augusta de “A Justiceira” (1997), a Edna de “O Clone” (2001), a D. Maria Gonçalves de “A Casa das Sete Mulheres” (2003), a Mazé de “América” (2005), a Kochi de “Caminho das Índias” (2009), e a Margarida de “A Cura” (2010). Haveria bastante o que mencionar ainda. Concluo que, face a tudo isto, pensando em Nívea, poderia haver nos créditos de abertura de um folhetim o seguinte escrito: “Participação Especialíssima de…”
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Talvez nunca se tenha visto em uma novela um sequestro com tantas reviravoltas como as que se deram com o de Carminha (Adriana Esteves), em “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro, cujo desfecho ocorreu no capítulo de ontem. Quando tudo estava pronto para que se “estourasse” o cativeiro, e a mulher de Tufão (Murilo Benício) fosse finalmente libertada, após Zezé (Cacau Protásio) ter comunicado a todos onde a patroa se encontrava, Max (Marcello Novaes) vai até ao seu quarto telefonar para os bandidos, e lhes informar da decisão da família, e surpreende-se ao perceber que o celular não está funcionando. Na verdade, foi uma volta que Nina (Débora Falabella) lhe deu, a primeira, ao deixar o aparelho mergulhado por um tempo dentro de um copo de água. Noutro instante, o grupo formado por Leleco (Marcos Caruso), seu filho, o amigo policial aposentado Zenon (Mário Hermeto), orientados pela empregada doméstica, chegam ao local do cativeiro. Claro que Max também fora. Só que municiado para qualquer eventualidade. O rapaz ficou encarregado de levar o resgate. Logo quem. E esconde a sua parte com a da amante no fundo de uma caçamba. Nina, disfarçada, que havia o seguido, vê. Depois, o filho de Nilo (José de Abreu) dá um disparo como alerta para os criminosos ficarem cientes de que a casa está cercada. O clima fica tenso. Não se chega a um acordo. O personagem de Marcello Novaes se oferece para tentar uma negociação. Assentimento geral. Zenon decide invadir a área, e ao entrar com os companheiros, depara-se com Carmen Lucia amarrada, e Max ferido. Os meliantes estavam no alçapão. Um ardil. Contudo, quando Moreira (Rodrigo Rangel) e seus asseclas estavam fugindo, Zenon os repreende. E ao indagar a Carminha se eram os praticantes do delito, ouve que não. A segunda volta que Nina dá em Max acontece. Ela pega a dinheirama “malocada”, e a põe na mochila. Carminha é recebida em casa com comoção (Nina já está lá). Tufão faz até discurso, e cita um poeta: “O que importa é o que interessa. O resto, tanto faz.” Quando Max retorna ao esconderijo para buscar o dinheiro, nada encontra, e fica atônito. De volta à mansão, conta na sauna para a sua cúmplice o que decorrera, e escuta série implacável de impropérios. Algo do tipo: “Tu ‘é’ um nada! Ou: “Se não fosse eu onde que tu “tava” ainda? Limpando os ‘porco’ do Nilo!” As ofensas continuam a ponto de Carmen ser quase agredida. Os dois rompem. No tocante a Nina, não sabe o que fazer com a fortuna. Não quer guardá-la, e ao pedir a Lucinda (Vera Holtz) que o faça, a mãe de criação se recusa. O marido de Ivana (Letícia Isnard) sai de casa embriagado, e se envolve num acidente com o carro perto do lixão. A chef corre até lá, e ao ser perguntada pelo outro envolvido na colisão de quem se tratava, ela responde que era a mulher de Max. Surge aí uma nova aliança. São as voltas que a Nina dá.
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Foto: Claudia Raia no espetáculo “Cabaret”/Ernesto Rodrigues/AEClaudia Raia é uma atriz de musicais. Ela está atualmente se apresentando em São Paulo com o espetáculo “Cabaret”, baseado na peça original de Joe Masteroff, que se inspirou em outra peça, “Eu Sou Uma Câmera”, de John Van Druten. E esta por sua vez foi inspirada no livro de Christopher Isherwood, “Adeus, Berlim”. As músicas originais de John Kander e Fred Ebb foram adaptadas por Miguel Falabella, além dos textos. A direção ficou a cargo de José Possi Neto. De início, assisti a Claudia na TV em sua estreia, no humorístico “Viva o Gordo”, no qual ao lado de Jô Soares e Eliezer Motta, protagonizou o quadro “Vamos malhar?”. Era bem divertido. Eu ficava de fato impressionado com a plenitude da esbelteza daquela mulher bastante jovem. Claudia, desde cedo, dedicara-se à dança. E a praticara como profissional nos Estados Unidos, tendo treinado balé, após ganhar bolsa de estudos em Nova York. Toda esta importante experiência a fez estrelar série de musicais no Brasil. Musicais de inegável repercussão, tendo estes contribuído sobremaneira para que se revitalizasse o gênero já não tão merecedor de atenção em terras nacionais. Exemplos de espetáculos que atendem a esta qualificação: “A Chorus Line”, “Não Fuja da Raia” e “Caia na Raia”. Fizera ainda o prestigiado “O Beijo da Mulher-Aranha”, sob a direção de Miguel Falabella. E falando em Miguel, dividira com ele “Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois”. Afora, integrara sucessos inquestionáveis como “Splish Splash”, “Sweet Charity” (ao lado de Marcelo Médici), “Pernas pro Ar” e “5 X Comédia”. No cinema, emprestara a imagem à adaptação de Ruy Guerra para obra de Antonio Callado, “Kuarup” (o livro chama-se “Quarup”), “Boca de Ouro” (Nelson Rodrigues), dirigido por Walter Avancini, e “Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas”, de José Alvarenga Jr., dentre outros. Já na televisão, tentemos traçar um panorama dos papéis que mais a marcaram. Depois de “Viva o Gordo”, formara trio com Yoná Magalhães e Ísis de Oliveira, em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, como Ninon. Em “Sassaricando”, de Silvio de Abreu, caiu irremediavelmente nas graças do público como a Tancinha. É escalada para o revolucionário, em termos de novas visão e abordagem do humor, “TV Pirata”. Trabalha de novo com Silvio de Abreu (autor com quem voltaria a constituir parceria), em “Rainha da Sucata”, como a divertida e estabanada “bailarina da coxa grossa” Adriana Ross, cujo bordão era: – Geeente!; “Deus nos Acuda”, de Silvio de Abreu; “Torre de Babel”, do mesmo Silvio, em que era a sofisticada Ângela Vidal; “As Filhas da Mãe” (Silvio de Abreu lhe dera personagem polêmica); “Belíssima”, novela de Silvio na qual fora a fogosa Safira (ótima dupla com Reynaldo Gianecchini), “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro (com esta produção arrojada no contexto de narrativa teledramatúrgica, a intérprete só fez ratificar suas potencialidades), e “Ti-ti-ti”, “remake” de Maria Adelaide Amaral, no qual chegou e “causou”. Agora, não sejamos injustos em não mencionar a boa minissérie adaptada de Nelson Rodrigues, “Engraçadinha – Seus Amores e Seus Pecados”. Claudia Raia, que fará o próximo folhetim das 20h de Gloria Perez, já recebeu diversos prêmios, cantou, dançou, atuou, mas tenho para mim que aqueles que a admiram desejam que ela continue a cantar, dançar, atuar e… receber prêmios. Além de ser a Claudia Raia de sempre, sem tirar nem pôr.
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Com impressionantes 1, 92m de altura, vestindo camisa social estilo “pièd-de-poule”, calça jeans, e cinto e sapatos combinando, Tadeu é anunciado por Jô Soares, no talk show. Ao começar a entrevista, Jô diz que o jornalista é “mais bonito pessoalmente”. Ele fica meio sem jeito. E é a partir daí que Tadeu Schmidt prossegue num “festival” de sinais de que possui extremo senso de humor. Afirma que a esposa não o acha bonito, mas sim “o homem mais bonito do mundo”, sendo que, segundo ela, “não é amor, não”, “é uma visão técnica da coisa”. Informara que a família é em maioria formada por atletas. Os pais, por exemplo, praticavam vôlei em época incomum (o pai era ainda adepto do salto em altura). O sobrinho Bruno Schmidt é um dos melhores jogadores de volêi de praia brasileiros, além do grande cestinha Oscar Schmidt, seu irmão, como sabem. Tadeu asseverou também ser contumaz praticante de esportes, jogando tênis quase todos os dias, além de malhar. Segue dieta alimentar, porém o curioso não está aí, mas no fato de que tem pequena balança “amiga” a lhe acompanhar, para lhe dar noção exata do quanto está ingerindo (foi feita demonstração para as plateia e telespectadores). Nos fins de semana, quando o rapaz sai da dieta, só leva a tal máquina de medição para as churrascarias, porque nelas as comidas vêm em porções, o que permite a pesagem. A conversa agora é sobre suposta mania de Tadeu no que tange à organização das roupas. Defende com veemência o “sistema” por ele adotado. E não é que há uma lógica? Funciona assim: para que camisas não sejam repetidas no uso, duas pilhas são montadas; primeiro trajam-se as da esquerda, e ao fim destas, trajam-se as da direita (detalhe: as que foram lavadas vão para a pilha da direita). Desta forma, usa-se cada uma delas, e permitindo-me brincar, “justiça” com as mesmas é realizada. Algo bastante engraçado estaria por vir. A questão das peças de baixo (cuecas, mesmo). Em gaveta, são divididas em três partes, separadas por divisórias. Classificam-se em níveis: nível 1, nível 2, e nível 3. As de nível 1 são destinadas para eventos especiais, como a ida à atração do Jô; as de nível 2 são utilizadas para atividades cotidianas, como trabalho e academia; e as de nível 3 “já deveriam ir para o lixo”. Jô Soares completa ao afirmar que as últimas são guardadas por “razões sentimentais”. Saindo deste tópico, fotos da época universitária são exibidas no telão, nas quais Tadeu está com visual muito diferente. Contou-nos intempéries de fase quando era mais jovem. E sempre fazendo piada. Quanto à carreira deste competente e carismático potiguar que conseguiu imprimir graça aos lances de futebol no “Fantástico”, iniciou na Rede Globo em Brasília, transferindo-se para o Rio de Janeiro “a posteriori”. Cobriu relevantes eventos esportivos mundiais (Copa do Mundo, Olimpíadas e Fórmula 1). O esporte havia entrado de vez em sua vida profissional. Passara pelo “Esporte Espetacular”, “Globo Esporte”, e “Bom Dia Brasil”, até firmar-se no citado dominical “Fantástico”. Voltando à conversa que tivera com Jô Soares, em nenhum momento a “bola murchou”.
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Sandra, Lidoka, Regina, Dhu, Leiloca e Edir. Seis moças, jovens artistas que davam um duro danado para sobreviver. Nelson Motta, rapaz criativo ligado à música inaugura boate chamada “Frenetic Dancin’ Days”, em plena era “disco”. Elas gravam canção de Gonzaguinha. Improvável? Sim, improvável. Dão-se conta do sucesso da mesma quando estavam apinhadas todas em táxi, e no rádio suas vozes são ouvidas. Felicidade geral. Nelson, o moço de quem lhes falei antes, convida-as para serem garçonetes daquela boate que inaugurara. Aceitam, desde que não servissem apenas drinques, mas música e dança também. Tônia Carrero ao se deparar com Sandra, disse-lhe que se assemelhava à irmã de Marília Pêra. Sandra afirmou que na verdade era. As pessoas pareciam não entender muito bem como atrizes/cantoras estavam servindo mesas. Aliás, citando Marília, esta fora a responsável pelo figurino delas todo feito em lurex, e com decotes ousados tanto na frente quanto atrás. Fato é que a boate virou a grande sensação da época no Rio de Janeiro. Celebridades para lá iam, como Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Entretanto, o frenesi durou pouco tempo. E a casa foi fechada. Porém, As Frenéticas continuaram seu curso frenético. No sertão, encontraram meninas simples bailando em chão de terra batida ao som das melodias do grupo. Eram As Frenéticas invadindo o Brasil. As canções cativantes e irresistíveis viraram tema de abertura de novelas. Nelson Motta decide reabrir a boate em outro local, com show de As Frenéticas, é claro. Os dois primeiros discos foram um fenômeno de vendas. O terceiro, já nem tanto. A elas sugeriram que interpretassem Lamartine Babo. A crítica aprovou. Contudo, não houve aceitação fácil do público. O frenético mundo de As Frenéticas parecia pedir uma pausa. A saída das integrantes foi se dando gradativamente. Segundo uma delas, a dor assim poderia ser menor. Para concluir, chegamos a algo irrefutável: As Frenéticas conquistaram seu merecido espaço na música popular brasileira. Hoje, cada uma delas segue a sua vida. Hoje, cada uma delas “faz a sua festa”.



