Clarice, personagem de Ana Beatriz Nogueira em “Insensato Coração”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, com sua habitual fleuma, está no jardim. A governanta Lídia (Andréa Dantas) chega com encomenda. Uma encomenda indesejada. Trata-se de DVD. Não um DVD qualquer. O DVD da traição. Clarice ao vê-lo, desespera-se. Quebra o que está à frente. Aquela fleuma que lhes falei não existe mais. Clarice é outra mulher. Uma mulher despedaçada que quer se vingar. Uma mulher que ouviu que sua companhia “é boa para os negócios”. Uma mulher que ouviu o seu marido dizer que ama outra mulher como nunca amou outra. Desorientada, ruma para o lindo jardim de uma linda casa de um casamento feio. Mergulha em uma linda piscina. Molhada, cabelos molhados, sai em busca frenética dos documentos que possam incriminar o marido que a fez mergulhar na linda piscina. Tudo está em trancada gaveta. Falta a chave. A esta altura, não será simples chave que irá deter a fúria de mulher que perdera a fleuma que a fazia cuidar do lindo jardim. Clarice sai de sua pacata vida, com alguns eventos sociais, e se percebe em jornada ensandecida de purificação da própria dignidade. Em tempo curto, cópias daquilo que Cortez (Herson Capri) esconde são tiradas. E entregues ao homem da lei. Ela sabe que está se vingando. Não entende muito bem como, mas sabe. Há momento de beleza que só poderia vir de boa mãe que foge aos fatos sombrios que se sucedem: Clarice pega o porta-retrato com Rafa (Jonatas Faro) e o coloca na bolsa. Só uma boa mãe, em meio ao caos do desespero, seria capaz de ato assim. Busca refúgio na casa de Vitória (Nathália Timberg). Desabafa, brada, afirma que se vingou. Cortez aparece na mansão. O capítulo terminou. Os textos decorados foram ditos. Os refletores se apagaram. Os diretores ficaram satisfeitos, e foram embora para casa, ou dirigir outra cena. Mas uma coisa ficou. O brilho de uma atriz. O brilho de Ana Beatriz Nogueira.
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Foto: Divulgação/TV GloboNa sexta-feira passada, a atriz Vera Holtz, que interpreta Lucinda, “a mãe do lixão”, na novela de João Emanuel Carneiro, “Avenida Brasil”, teve a oportunidade de mostrar ao público toda a sua força cênica ao atuar ora com Nathalia Dill (Débora) ora com Débora Falabella (Nina). Em ambos os momentos, houve acaloradas discussões, e Vera, de nenhum modo, extrapolou os limites de uma performance considerada precisa. Não cometera o imperdoável erro do “overacting”. E, claro, isso a faz ser um dos destaques da trama das 21h, tendo o apoio de uma boa personagem. Lucinda é protetora, caridosa, cheia de generosidade, uma “mãezona” (ampara com alegria e prazer algumas crianças que trabalham no lixão), e brava (enfrenta Nilo, papel defendido por José de Abreu, a despeito das ameaças que sofre). O passado que carrega é nebuloso. Há muitos mistérios que o rondam. Nilo até já insinuou que ela pode ter tirado a vida de alguém em certa ocasião. Agora, depois de ter criado Nina/Rita (Mel Maia na fase infantil) e Batata/Jorginho (Bernardo Simões e Cauã Reymond, respectivamente), empenha-se pela união definitiva dos dois. Só que há a resistência da moça que criara quando menina, que não abre mão do plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves). Quanto à atriz, nasceu em Tatuí, interior de São Paulo. Cursou a EAD (Escola de Arte Dramática), e a UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). A estreia nos palcos foi em uma peça de Oduvaldo Vianna Filho, “Rasga Coração”. Integrou o respeitado Grupo Tapa. Bibi Ferreira a dirigira em texto de Maugnier, “E Agora, Hermínia”. Trabalhara também com Celina Sodré. O polêmico encenador Gerald Thomas a conduziu em “Eletra Com Creta”. Deu a sua contribuição ao espetáculo que narra a vida e obra do escritor irlandês James Joyce, “Ópera Joyce”, de Alcides Nogueira. Já na companhia teatral de Antonio Abujamra, foi uma das atrizes de “Um Certo Hamlet” (recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz), além de ter feito “Phaedra”, de Racine, e “O Retrato de Gertrude Stein Quando Homem”, de Alcides Nogueira. Esteve em “A Volta ao Lar”, de Harold Pinter. Juntou-se ao Bando de Teatro Olodum, e montou “Medeamaterial”, de Heiner Müller. Protagonizou e ganhou inúmeras láureas com “Pérola”, cujos texto e direção eram de Mauro Rasi. Estão no seu currículo ainda textos de Samuel Beckett, Bertolt Brecht e João Bethencourt. Na televisão, marcou-nos com diversas personagens: a Fanny de “Que Rei Sou Eu?”; a intrigante Angélica da minissérie “Desejo”; Quitéria, a mãe que vivia em busca do filho em “A Próxima Vítima”; Marta, a patroa que mantém tórrido romance com o empregado (o ator Taiguara), em “Presença de Anita”; a professora alcoólatra Santana de “Mulheres Apaixonadas”; a ricaça Ornela que pagava garotos de programa em “Belíssima”; Marion Novaes, mãe desnaturada em “Paraíso Tropical”; a vilã de “Três Irmãs”, Violeta Áquila; a humilde e trabalhadora Candê de “Passione”; e agora a Lucinda de “Avenida Brasil”. No cinema, podemos mencionar “O Menino Maluquinho”; o filme da Retomada, “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”; “Tônica Dominante”; “Apolônio Brasil, Campeão da Alegria”; “Bendito Fruto” e “Anjos do Sol”. Sendo assim, ao percebermos que a artista em questão possui carreira tão vasta e rica, e tido como parceiros de trabalho importantes nomes, sempre demonstrando seu inquestionável talento, já que na novela das 21h ela é a “mãe do lixão”, não seria exagero dizer que Vera Holtz é na vida profissional uma das “mães da atuação”.
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Foto: Luiza Dantas/Carta Z NotíciasAdriana, moça bonita, cabelos longos e loiros, quer ser atriz. Participa de quadro no “Domingão do Faustão” em busca de chance. A chance é dada. Foi Tininha em “Top Model”, de Walther Negrão e Antonio Calmon. No ano posterior, 1990, é filha de um de nossos melhores atores, Armando Bógus, em folhetim de Cassiano Gabus Mendes. Na trama, tem romance com personagem de José Mayer. Compõe Marina para o especial homônimo, ao lado de Bruno Garcia. Desafio irrompe: primeira protagonista em novelas. E o desafio se dá em “Pedra sobre Pedra”, de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. No enredo, ela (Marina) empenha-se em conquistar o amor de Leonardo (Maurício Mattar), a despeito da rivalidade das famílias de ambos. Em 1993, “Renascer”, de Benedito Ruy Barbosa. Adriana está com visual diferente. Entretanto, visual que não esconde a sua beleza. Madeixas bem curtas. Vestidos bem curtos. Causou paixão em pai e filho (Antonio Fagundes e Marcos Palmeira). Estreia em minisséries, no caso, “Decadência”, de Dias Gomes, mas não sem antes ter feito “Comédia da Vida Privada”. Experimenta a teledramaturgia em outra emissora (“Razão de Viver”, no SBT). Volta a trabalhar com Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, em “A Indomada”. Oferecem-lhe grande vilã em “Torre de Babel”. Grande vilã, grande atuação. A Sandrinha de Silvio de Abreu, com seus cachos e chiclete indefectível, conquistou irremediavelmente público e crítica. E com isso, muitos e merecidos prêmios. No horário das 18h, mais um reconhecimento como a feminista Catarina de “O Cravo e a Rosa”, de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira. Faz a seguir “Coração de Estudante” e “Kubanacan”. Ganha papel principal na divertida “A Lua Me Disse”, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. Contracena com Wagner Moura e Marcos Pasquim. Depois de alguns especiais, exibe todo o talento para a comicidade como a Celinha de “Toma Lá Dá Cá”. Impressiona os telespectadores ao personificar de modo brilhante Dalva de Oliveira, em “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor” (para mim, a prova cabal da solidez da capacidade interpretativa de Adriana). Ano retrasado, destacou-se em um dos episódios de “As Cariocas” (“A Vingativa do Méier”). No cinema, privilégio em ser uma das meninas do longa de Emiliano Ribeiro, “As Meninas”, baseado na obra de Lygia Fagundes Telles. E domina o humor rasgado em “Trair e Coçar é Só Começar”, sob a direção de Moacyr Góes. A dama Adriana fora a Dama em “A Dama e o Vagabundo” nos palcos. Ainda na ribalta, dissera textos de Nelson Rodrigues, e divide cena com Marcos Palmeira. Foi Júlia, uma paleontóloga apaixonada pelo que faz em “Morde & Assopra”, de Walcyr Carrasco. Pelo que faz, e por Abner (Marcos Pasquim). Agora, faz enorme sucesso como a Carminha de “Avenida Brasil”, de João Emanuel Carneiro. Percebemos então que quando a novela começou, Adriana também começou. Começou a atuar, e a nos agradar. Afinal, para nós, atuar e nos agradar é só começar é com Adriana mesmo.
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Sophie (que fora a Amália em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, e será a protagonista de um dos episódios de “As Brasileiras”) foi entrevistada no “Programa do Jô”, e ao ser convidada pelo próprio para sentar no famoso sofá, já nos ficou claro que a jovem que acabara de ser a inescrupulosa Stéfany de “Ti-ti-ti” caprichou no visual (jaqueta de couro, calça, blusa de renda, e botas de cano longo pretas). Jô Soares de imediato fez-lhe elogio: – Que moça linda! A mãe da intérprete foi mostrada, e se viu beleza nela, que é alemã de origem. Os elogios de Jô prosseguem, e Sophie, bastante simpática, solta deliciosas gargalhadas por todo o bate-papo. Ela de fato nascera em Hamburgo, Alemanha, e viera para o Brasil bem criança. O pai é brasileiro. Começa a falar sobre o filme de produção americana que será feito no Rio de Janeiro. O longa-metragem chama-se “The Blind Bastard Club”, que terá a direção de Ash Cohen-Baron, e contará com Lenny Kravitz no elenco. Segundo ela, sua participação não está totalmente confirmada, a despeito da aprovação em quatro testes, todos em Inglês. Sophie afirmou que o fato de saber Alemão facilitou na hora de decorar os textos, haja vista que quando se domina mais de uma língua o aprendizado de outra é mais fácil. O assunto agora é peculiar: a entrevistada foi cantora de casamento. Dissera que a carreira fora breve. O apresentador não perdeu a chance, indagando-lhe se nenhum noivo fugira com ela. Charlotte continuou. Informou que após alguns matrimônios nos quais tudo decorrera como o esperado, houve um, em particular, em dia frio, com o evento a céu aberto, que sua voz sumiu. Não de todo, mas sumia vez por outra. A carreira de cantora de casamento estava encerrada. Mas não no talk show. Jô Soares pediu-lhe que cantasse algo “a capella”. Decide entoar canção de Kurt Weill, que demonstrava em espetáculo de Domingos de Oliveira, “Cabaré Filosófico”. Foi agradável e bonito de se assistir. Passa então a discorrer sobre o desafio que lhe foi imposto pela produção do “Domingão do Faustão” de desfilar em todas as Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro e de São Paulo em único Carnaval. Charlotte confessou que após a maratona momesca, durante uma semana, sonhava que ainda desfilava. Cogita que poderia entrar para o “Guinness”, pois nunca ninguém havia realizado isto antes. Rumando para pauta diversa, relata-nos que praticou por considerável tempo balé clássico (tanto na Alemanha quanto no Brasil), e depois, jazz e sapateado. Por pedido dela, iniciou os estudos de forma precoce. Consegue. Os pais são chamados à escola. Motivo: Sophie liderava uma gangue (!); ela quem decidia as brincadeiras, a hora de se mudar os jogos etc. A conversa caminha para o fim. Foi divertido. Sophie Charlotte agradou à plateia. À moda brasileira ou… alemã.
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Uma cena em particular em “Insensato Coração” merece observação mais aprofundada. Trata-se do momento no qual Eunice (Deborah Evelyn), motivada por vingança pessoal, resolve ir à casa de Clarice (Ana Beatriz Nogueira) mostrar-lhe a revista onde aparece a foto em que Natalie (Deborah Secco) e Cortez (Herson Capri) estão lado a lado em porta-retrato. Eunice disse-lhe que foi prestar solidariedade (!) pelo que deveria estar passando. Clarice não sabia até então. O que se viu foi um conjunto que reuniu boas interpretações e direção. A personagem de Ana Beatriz teve que atuar, exibir naturalidade diante do fato, o que deixou a mulher de Júlio (Marcelo Valle) desapontada e frustrada. Pareceu-me que houve espécie de metalinguagem: Ana Beatriz Nogueira interpretou dentro de sua interpretação. E após a saída de Eunice, toda a falsa imagem desconstruiu-se, e Clarice desabou em sofrido pranto. Um pranto que há muito está interno, e que apenas se externou. Foram duas fortes humilhações sofridas. E a seguir, veio outra. Natalie telefona lhe avisando da publicação. Entretanto, Clarice, que é ótima pessoa, boas esposa e mãe, acovarda-se face à possibilidade de se separar do marido. Ela é ciente das traições dele, porém as julga pouco sérias, e que não afetariam o matrimônio que possui. Em conversa com Vitória (Nathália Timberg) e Gilda (Helena Fernandes) afirmou que se sente convicta de que é amada pelo banqueiro, que um dia ele irá se cansar dessa vida etc. Vitória e Gilda ficam atônitas. Clarice procura criar um mosaico de fantasias e desculpas que justifiquem o seu casamento que está todo errado. Não há no que escrevo qualquer julgamento moral de suas atitudes, e sim, análise do perfil. Agora, ela falou coisa certa: sempre existirão homens como Cortez, e sempre existirão mulheres como Natalie. Infelizmente. Aliás, Natalie é bastante contraditória. Aparentava ingenuidade em alguns aspectos, todavia foi capaz de sordidez como essa. Até o fiel amigo Roni (Leonardo Miggiorin), em tom de brincadeira, mencionou o caráter sórdido do ato. O que quero demonstrar com este texto, aproveitando-me de situação da novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, é que as humilhações estão sempre prontas para nos machucar, pois o que não faltam são seres humanos dispostos a isso. Clarice, que pena, prefere ou não consegue fugir da humilhação. E como esta é bastante mal-educada, não pede licença, nem por favor, não lhe abro a porta. Espero que vá embora o mais rápido possível.
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Nos primeiros capítulos da novela de Walcyr Carrasco, Guilherme era visto em praia do Rio de Janeiro, com seus amigos, tentando aparentar vida social que na verdade não possuía. A mãe Dulce (Cássia Kiss – agora Cassia Kis Magro), uma mulher simples que se sustenta pelas faxinas que faz, deu-lhe dinheiro o bastante achando que o destino seria o pagamento das mensalidades de suposta Faculdade de Medicina. Ledo engano. O rapaz gastou tudo em farras. Guilherme retorna então para a cidade onde reside Dulce, que lhe é motivo de enorme vergonha, apesar de ser mãe generosa e magnânima. Ele é ambicioso, e se devota a mentir para conquistar o status que tanto almeja. Um dos caminhos para essa conquista será manter relacionamento firme com a filha do prefeito Isaías (Ary Fontoura), Alice (Marina Ruy Barbosa). Além disso, Guilherme terá para si registro e diploma falsos de médico. E quem lhe proporcionará os documentos sem validade será Everton (Thiago Luciano). E quanto a Klebber? Bem, Klebber Toledo é paulista, e além de atuar também exerce as funções de modelo e dublador. Muito jovem, saiu de casa. Dedicara-se ao vôlei, e ao atletismo. Trabalhou em diversas áreas, e neste meio tempo, frequentara curso de Artes Cênicas. Depois, vários workshops de interpretação, aulas de canto e sapateado. Recebera ainda lições da preparadora de atores Fátima Toledo. Após experiência na Oficina de Atores da Rede Globo, participa do “remake” de “Sinhá Moça”. Em seguida, entra para o elenco de “Malhação”. O personagem chamava-se Mateus Molina. E já na reta final de “Caras & Bocas”, do mesmo Walcyr Carrasco, ganha a oportunidade de viver um estilista, Sid. Tivera bom desempenho. Fato que o levou a estar em mais um folhetim de Walcyr. No teatro, integrara o “cast” de musical sobre Isaurinha Garcia, “Isaurinha Garcia – Samba, Jazz & Bossa Nova”, com Rosamaria Murtinho. E finalmente, Klebber Toledo estará na próxima novela das 18h da Rede Globo, “Lado a Lado”, de João Ximenes Braga e Claudia Lage, e em poucos dias estrelará o musical “Fame”, baseado no filme homônimo, com Paloma Bernardi no elenco, cuja direção coube ao americano Billy Johnstone.
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“Ela é modelo e apresentadora. Eu vou conversar com Mariana Weickert!”. Desta forma, Jô Soares anunciou a sua primeira convidada da noite. Com belos cabelos loiros (que ela diz nunca ter tido trabalho com os mesmos), camisa de botões escura e mangas longas, calça de couro com cor próxima ao grafite, escarpins e uma quase imperceptível pulseirinha no tornozelo, Mariana senta-se no famoso sofá. A conversa vai logo ao ponto quando o apresentador lhe perguntou quando descobriu que seria modelo. Mariana nasceu em Blumenau, Santa Catarina, que é cidade considerada polo têxtil muito forte. Lá, há dois clubes que as famílias costumam se dividir ao frequentá-los. Grandes malharias do local promoviam desfiles de caráter beneficente. Todas as meninas, ainda bastante pequenas, inclusive Mariana, participavam. Após ter crescido, tornado-se alta e magra, os convites escassearam. Os concursos de moda de maior porte não eram tão divulgados. Mariana se inscreve em um deles, que organizaria a sua final onde morava. Todavia, cerca de 2.000 meninas se inscreveram. A modelo tinha 15 anos, e agradou com sua postura. A carreira deslanchou. Rumou para São Paulo desfilar no Morumbi Fashion (hoje chamado de São Paulo Fashion Week). O evento já era organizado por Paulo Borges. Permaneceu 20 dias no Brasil, e seguiu para Milão, a primeira viagem. Convidaram-na para desfilar em Paris para a Armani Exchange. Em sua estada, pela fase que estava vivenciando, Mariana sofreu alguns medos que qualquer pessoa da sua idade em outro país experimentaria. Em janeiro de 1999, foi a Nova York, sendo que todo o semestre passado esteve no Brasil. O papo então se direciona para o programa “Vamos Combinar”, em que a entrevistada é apresentadora no canal GNT. Convida Jô a comparecer à atração. Para se fechar o programa citado, são necessárias 3 diárias somente com gravações externas. A ideia dos produtores é a de que o tom seja dinâmico. Imagem de Mariana na Rua 25 de Março, reconhecido centro popular de comércio em São Paulo, é mostrada no telão. Toda a semana as pautas costumam ser temáticas. Segundo sua opinião, trata-se de um programa de moda “easy”, acessível, sem regras preestabelecidas. O intento de “Vamos Combinar” é provar que a maneira de se vestir é democrática. Como Jô Soares toca no assunto “sutiã”, Mariana acha que seria uma boa pauta: a peça adequada para cada mulher etc. No tocante aos seus horários, afirma não gostar de acordar cedo, que se pudesse acordaria tarde, e trabalharia até às 3h da manhã. O ideal mesmo seria despertar às 11h. Compara o fato de ir à academia cedo a uma “surra”, uma “bofetada”. Porém, é da profissão. Na rotina de trabalho, as diárias se iniciam às 8h, tendo que fazer cabelo e maquiagem. Como o tema é “cabelo”, Mariana Weickert revela que já raspou a cabeça (máquina 4), entretanto garante que a moda “emo” não lhe serviu de inspiração. Na verdade, o que houve foi uma espécie de desafio do seu agente de Nova York, que julgou que seria interessante para a época. Mudando a conversa, a tatuagem de Mariana na lombar é exibida, com o seguinte escrito: “Made in Brasil (com “s” mesmo)”. O comunicador a questiona como se deu a história da “tattoo”. Relata que residindo em terras novaiorquinas por 6 anos, fora convidada para fotografar em Sevilha. A equipe era inglesa. A revista não mais editada chamava-se Dutch, e parecia, segundo ela, um livro de arte. Os ingleses maravilharam-se com a cidade espanhola: o clima, a música, a gastronomia, a referência latina… Mariana tomou por decisão defender o Brasil: “Porque tu não “foi” ao Brasil?” A stylist a convenceu assim a estampar a sua declaração de amor no corpo. E foi feita. Bem, falou-se de tudo um pouquinho. Só faltou para completar o som da música do Maroon 5, “Moves Like Jagger”. Mas aí fica para uma próxima.
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A justiça se fez soberana e absoluta pelas mãos nobres do personagem de Jayme Matarazzo (no ar como Rodinei em “Cheias de Charme”, de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira) na novela de Duca Rachid e Thelma Guedes. A fim de impedir que seu irmão Inácio (Mauricio Destri) levasse adiante plano de pagar dote ao coronel Januário (Reginaldo Faria) para se casar com Antônia (Luiza Valdetaro) com dinheiro que não lhe pertencia, cujo furto motivou a prisão de Cesária (Lucy Ramos), Felipe e Doralice (Nathalia Dill) revelam toda a verdade ao coronel. E as possibilidades de casamento se desfazem. Com esta atitude, já nos ficou bastante claro o perfil do Príncipe Felipe. Um Príncipe que se norteia pelo senso da correção, nem que para isso tenha que se defrontar com quem lhe é próximo. Este está sendo, como sabem, o retorno de Jayme ao horário que o consagrou junto ao público. Afinal, foi com o Daniel de “Escrito nas Estrelas”, de Elizabeth Jhin, que o ator fez com que os telespectadores acompanhassem e se emocionassem com o folhetim de temática espírita. Falemos então um pouco deste jovem artista. Nasceu no Rio de Janeiro, e se mudou ainda pequeno para São Paulo. Lá tivera experiência com a música e estudou cinema durante certo tempo. Ao retornar ao Rio, planejava ser diretor de arte. Só que caminhos distintos o fariam rever seus projetos iniciais. Ao colaborar com o pai Jayme Monjardim na ótima minissérie sobre a grande cantora Maysa (como é de conhecimento geral, avó paterna de Jayme Matarazzo), “Maysa – Quando Fala o Coração”, de Manoel Carlos, como assistente de direção, aparece coerente oportunidade de interpretar o próprio pai quando bem moço. E esta etapa em sua vida foi definitiva para que decidisse sem mais quaisquer dúvidas seguir a carreira artística. Participa a seguir da produção das 18h sobre a qual já lhes relatei, e lhe surge excelente convite para integrar o elenco do filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade”, com Marco Nanini, Dan Stulbach e Tammy Di Calafiori. Agora é o justo Príncipe Felipe de “Cordel Encantado”. Nada mais justo para quem cresceu em meio à boa influência da arte.
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Foto: Fernando Souza/Agência O DiaCaio Castro (que participou como Antenor em “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva) foi ao “Programa do Jô”. Jô, ao chamá-lo para a entrevista, disse: “Ele já causou uma gritaria quando na abertura eu disse o nome dele. ‘Vamo’ conversar. Caio Castro, venha ‘pra’ cá”. E o que houve? Mais gritaria. O ator ainda mantém a barba, e agora exibe um cabelo próximo ao estilo moicano. Estava vestido despojadamente. Jeans lavado, tênis, cordão, e camisa xadrez sobre t-shirt com estampa. A conversa se inicia com o apresentador lhe perguntando “com que idade começou a ficar bonito”. O rapaz respondeu com humildade, além de ser sincero, deixando bem claro a todos de modo subliminar que não se deixa influenciar nem tampouco se deslumbrar com a idolatria que lhe fazem em torno de sua boa aparência. Caio subiu no meu conceito. E o papo prossegue. Ele relatou sobre o incidente que tivera ao esquiar em Keystone, Colorado. Nada sério, a despeito das fortes dores que sentira. Porém, antes passara por alguns “perrengues” até conseguir um atendimento para se cuidar. Recuperou-se. Que bom. Depois, contara sobre um fato inusitado e completamente inesperado de assédio que ocorrera quando participara de um evento no qual fazia presença. Caio Castro levou numa boa. Mais um ponto para ele. O humorista então indaga “como ele foi descoberto”. O entrevistado se mostrou empolgado, e emendou: “Isso é uma história boa de contar”. Vamos a ela. Em 2007, anuncia-se no programa de Luciano Huck um concurso para a escolha de um casal que iria integrar a temporada de “Malhação” de 2008. Caio trabalhava com seu pai e estudava à época. Um tanto quanto reticente, inscreveu-se. Em poucos dias, a produção do citado programa telefona para lhe avisar que fora selecionado. Como não morava no Rio de Janeiro, e sim em São Paulo, desanimou-se ao saber que tudo se daria naquele estado. Decidira ir. Até chegar ao Projac (local de gravações da Rede Globo), “perrengues”. Animou-se quando viu que havia somente duas pessoas interessadas na seleção. Espantou-se quando viu uma multidão interessada na seleção. Espantou-se quando viu muitas pessoas bonitas, e que estavam falando sobre teatro. Quase desistiu. Quase. E como ocorreu o rigoroso processo? Foram 8 testes durante 3 meses. Reparem na impressionante eliminação de candidatos: de 25.000 pretendentes, ficaram 100. Desses, sobraram 32, 20… É chegada a final com dois rapazes e duas moças. Na verdade, um casal de ambos os sexos deveria ser escolhido. Entretanto, só dois homens o foram. Pronto, martelo batido. Caio foi o Bruno da novela voltada para os adolescentes. Jô se diz impressionado por vários artistas terem principiado suas carreiras em “Malhação”. O ator/comediante assevera que também começou em “Malhação”. É exibido no telão o famoso quadro de “Viva o Gordo”, “Vamos Malhar?”, em que contracenava com Claudia Raia. Jô Soares a seguir comenta sobre as aptidões do intérprete em praticar malabares. E solicita uma demonstração. Caio solta: “Sobrou.” Todavia, o jovem se sai bem, e fala a respeito de ter concorrido em competição de habilidades circenses no “Domingão do Faustão”. O assunto passa a ser tatuagens. Caio possui 7. Jô pede a Derico que conte um caso (uma piada, é claro). Tão engraçada quanto indecorosa. Todos caem na gargalhada. Não era para menos. Fim do bate-papo, e junto, lamento conhecido da plateia. Caio confessa: “Ah, eu ‘tava’ torcendo ‘pra’ vocês fazerem isso”. Foi agradável conhecer um pouco mais deste ator que faz tanto sucesso. E mais agradável ainda conhecer as suas simpatia e humildade.
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Quem pensa radicalmente que as bem moças de hoje igualam-se em comportamento pelas imaturidade e rebeldia, obrigado é a rever seus conceitos ao se deparar com a personagem Olívia, da novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, interpretada com talento, convicção e verdade por Polliana Aleixo (que atuara como Cecília em “A Vida da Gente”, de Lícia Manzo). Ela, como sabem, é filha de Kléber (Cassio Gabus Mendes) e Daysi (Isabela Garcia). No começo da trama, até mostrou-se com traços de revolta no seu perfil, chegando a tratar Daysi com desprezo, o que causou-nos certo incômodo. Porém, tudo não passava de defesa do próprio pai, porquanto achava que era perseguido por sua mãe de modo injusto. Houve cenas boas com Polliana no folhetim. Por exemplo, quando das conversas com a amiga Cecília (Giovana Lancellotti), e que nas quais procedera como confidente no que dizia respeito às dúvidas afetivas da irmã de Leila (Bruna Linzmeyer). Há uma outra cena em específico que merece menção: Eunice (Deborah Evelyn) entra no quarto da filha, e ignora a presença de Olívia. Após ser chamada a atenção por Cecília, cumprimenta-a com indiferença. Polliana Aleixo apenas se utilizando de recurso facial que remete ao espanto fez valer ainda mais o momento cênico. E não podemos deixar de realçar algumas atitudes de incontestável relevância que confirmam o caráter precoce e amadurecimento da estudante. Ao contrário de garotas e garotos com a mesma idade que possui, prefere ver os pais separados a ficarem juntos, e brigando. Ademais, deu força comovente a Kléber para procurar ajuda, e livrar-se do vício no jogo. E como começou a carreira de Polliana? Criança, já estava em agência de modelos. E daí, vieram bastante campanhas publicitárias e desfiles. Estudara teatro, e participara de montagens. Resolve mudar-se para o Rio de Janeiro, pois morava em Curitiba. É contratada pela Rede Globo, e integra o elenco do especial “O Segredo da Princesa Lili”. Seu papel fora o de Lucélia. O desempenho é notado, e convidada é para atuar ao lado de Christiane Torloni, Edson Celulari e Regiane Alves, em “Beleza Pura”, de Andrea Maltarolli. Mostra ao Brasil seus dotes para dançar no quadro “A Dança das Crianças”, no “Domingão do Faustão”. Ganha a chance de viver Júlia, no seriado “Tudo Novo De Novo”. A seguir, “Tempos Modernos”, de Bosco Brasil, voltando a trabalhar com Regiane Alves (compusera Maria Eunice, a filha de Regiane). Chegamos enfim a Olívia de “Insensato Coração”, que nos prova que é possível sim agir como adulta mesmo sendo tão jovem, ao se ter que enfrentar os inevitáveis conflitos familiares.






